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Sábado dos reaccionários

por José Mendonça da Cruz, em 02.10.11

Umas 60 000 pessoas em Lisboa e umas 25 000 pessoas no Porto (estimativa da PSP) , em representação de PCP (7% nas eleições de Junho) e Bloco de esquerda (5%) manifestaram-se ontem contra a política deste governo e o programa internacional de resgate. Querem uma política alternativa para perseverar em gastar o que não há e não pagar as dívidas, e querem gritar, como Carvalho da Silva e o Nogueira dos professores sempre gritam, que todos os que não pensem como eles são ladrões e bandidos. Deus nos guarde de tumultos e nos dê sempre disto.

Domingo

por João Távora, em 02.10.11

Evangelho segundo São Mateus

 

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?». Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos». 

 

Da Bíblia Sagrada

Ai que shit, que mau pró business!

por José Mendonça da Cruz, em 02.10.11

 

 

Em 2006, perdemos o centro de exposições do Centro Cultural de Belém, Mega Ferreira engoliu um sapo do tamanho de um Buda, Sócrates proclamou do alto da sua mediocridade deslumbrada que Portugal passava a ser «uma porta de entrada para a arte contemporânea», e Joe Berardo ganhou uma garagem especial onde poude guardar a sua colecção privada durante os anos que entendesse, mediante uma renda anual de milhões - paga pelos contribuintes por intermediação do então primeiro-ministro -, acrescidos de mais uns milhões pagos por nós para ele comprar novas peças, e mantendo a reserva da propriedade no fim deste negócio ruinoso para o Estado e os Portugueses.

 

Quando Sócrates quis assaltar bancos, Berardo respondeu à chamada, e, com milhões emprestados por Vara e Santos Ferreira, ganhou posição accionista, enquanto dava entrevistas tão boçais quanto pitorescas com que Sic e SicNotícias se divertiram muito.

Sic e SicNotícias podem agora divertir-se com novas e igualmente boçais, embora talvez menos efusivas, entrevistas about o interesse que a troika demonstra sobre como é que Vara e Santos Ferreira emprestaram millions do banco público para Berardo entrar num banco privado onde Santos Ferreira aterraria mal saiu da Caixa; e sobre o interesse deste governo about o business da Colecção Berardo (sobre a qual faz muito bem Ricardo Costa em referir no seu editorial do Expresso que vale a pena ler o que Cavaco já dizia em 2006, antes que alguém invente, como é costume, que Cavaco não disse nada).   

 

Não está perto do fim nem parece tê-lo a discussão sobre arte contemporânea, nomeadamente o que será que separa um artista de um palerma em busca de protagonismo. Mas, por vezes, coincidem notícias que tornam difícil, mesmo a um ignorante como eu, abster-se de tocar o assunto.

 A primeira notícia veio dos Estados Unidos, e regista que um pintor qualquer resolveu retratar Cristo como ele acha que deve ser o filho de um carpinteiro, um membro da classe trabalhadora: bronzeado, de camisas sem mangas, com tatuagens e dedicando-se ocasionalmente ao pugilismo. Parece que houve algum escândalo, e o New York Times há-de ter defendido o senhor em nome da liberdade artística, pressupondo sempre que é disso que se trata.

A segunda notícia vem-nos aqui da nossa terrinha, mais propriamente de Aveiro. Em Aveiro, depois de acolhida pela vereadora da cultura local, uma senhora das Caldas, Umbelina de sua graça, expôs no mercado um caralho. O caralho da Umbelina não é como o da foto. É verde liso e esmaltado, em grés, e tem a altura de uma pessoa, descontando o sopé que são os colhões. Vem em peças e depois monta-se.

As vendedeiras do mercado e os clientes não gostaram. E mesmo quando a putativa artista explicou que o seu caralho se inspirava na loiça das Caldas, responderam galhardamente que a artista putativa levasse, então, o caralho para donde o trouxe. Foi tal a pressão, que a vereadora da cultura desistiu, mandando desmontar o caralho, depois de explicar - assim situando o nível da coisa - que tinha valido a pena porque causou grande «debate psicológico» e despertou «as consciências». E o caralho lá foi para a casa do caralho, que é o estúdio da Umbelina nas Caldas.

Ora eu, que, repito, sou um ignorante e , como tal, incapaz de avaliar estas intervenções, registo todos esses clamores sobre a coragem dos artistas, os abalos de consciências e as obras de ruptura com as quais o mundo pula e avança. E gostava mesmo que putativos artistas perseverassem no risco, fossem mais longe na coragem, abalassem mais certezas e desencadeassem sobre si debates muito mais que «psicológicos». Gostava que a Umbelina retratasse, sei lá, Maomé com um cordel no rabo que, puxado, o faria exibir o que a louça das Caldas tradicionalmente exibe. Gostava que o americano, seguindo a sua especial inclinação, retratasse o profeta, sei lá, de colete de couro sobre o tronco nu e entoando YMCA reboladamente. 

Há mais agentes na mira policial - Exclusivo CM - Correio da Manhã


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