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A grande questão dos transportes públicos (em Lisboa, que conheço) não é tanto o aumento das tarifas, mas a baixa qualidade do serviço. Claro, ninguém gosta de pagar de repente mais 10-15 por cento em algo que não melhorou na correspondente proporção, mas o valor dos aumentos hoje implementados não é, como se diz, brutal e vai afectar as pessoas. Menos dois ou três cafés ou imperiais por semana, que a ninguém fará falta, equilibram, resolvem isso.
O problema da Carris, ou seja, o problema que a Carris quotidianamente nos coloca, é o tempo de espera nas paragens: quinze minutos oficiais em linhas dorsais na cidade, como o 758, que uso muito. Tempo precioso, que cada qual vê esboroar-se numa espera sem sentido e a cada qual deveria pertencer…
No Cais do Sodré, no fim dum trajecto, o motorista permite-se uma pausa de alguns minutos enquanto por vezes dezenas aguardam de pé, metros adiante, ao sol ou à chuva, a chegada e marcha do seu… transporte público.
Também já pude perceber que o ar condicionado em certos dias de maior calor funciona moderadamente para poupança de combustível ou por desatenção do motorista, cujo código de conduta todavia parece bem rígido a ponto de impedir, por «razões de segurança», a entrada dum passageiro manifestamente apressado e implorante a escassosdois metros da paragem, diante dum semáforo fechado... Isso sim, é indignante e brutal.
E claro, também podíamos referir o abandono pela Carris da opção por combustíveis dito verdes — e uma vez mais, se nota nesta reclamação de hoje como em Portugal a consciência dos assuntos pela larga maioria da população é primária e egoísta. E é essa precaridade popularucha que as televisões buscam e destacam, para infortúnio nosso sem fim à vista.
Coubemos lá durante décadas e décadas. Mas agora há gente em demasia apenas vivendo nas nossas recordações. Desde os tempos em que as senhoras mais idosas - antes ainda do maillot... - se reuniam na grande barraca azul, a maior de todas, no tricot de manhãs inteiras. E desde as pocinhas na maré baixa, a perseguição desabrida aos camarões, estrelas-do-mar, peixinhos, caranguejos, até aos banhos gelados e um pão com manteiga comido depois, ao sol, esticados na toalha quase em convulsões...
Havia a colónia de férias, os barquilhos, uma formação de toldos, quais trincheiras cavadas no ar contra a nortada. A rede de vólei estava lá para a rapaziada mais velha, o bote salva-vidas para o que desse e viesse. Os bolos da Sra. Ana, aquele baú pintado de branco para cá e para lá todo o santo dia sobre o areal. Depois chegaram os cigarros fumados às escondidas, a caminho da Baía dos Elefantes, onde, mais recatadamente, também já se namorava.
Os penedos tinham nomes - a Boca da Baleia, o Central, o Rodrigo - e o banheiro Baltazar, a eternidade em gente, um verdadeiro marechal em cima deles, apitando ordens de retorno aos mais afoitos.
A temporada está no início. Vila do Conde atulhar-se-à de veraneantes. De labirintos de barracas, música aos pinchos e merendas copiosas. Nada que sustenha, porém, o agitar dessas sombras do Passado desaparecidas uma a uma, todos os anos faltava alguém, todos os anos sabiámos haveria um próximo faltoso. E já foram tantos anos...
Emprestei a bicicleta ao meu irmão mais novo, ao meu sobrinho, ambos meus afilhados. E vim embora. Eles têm outra idade, não lhes faltam forças para fazer frente à terrível presença da ausência. Mas a mim já.
Os automobilistas que hoje de manhã estão a passar pela ponte 25 de Abril não estão a participar no dia do "buzinão" contra o fim da isenção da portagem e o aumento do preço dos transportes públicos. Público
Não se duvida que dentro de alguns meses os partidos de protesto e seus sindicados satélites mobilizem centenas de milhares de militantes para as ruas. Mas há um tempo para tudo e... o motivo é definitivamente fraco.

O encerramento da Biblioteca Nacional para obras de ampliação tem sido um enorme contratempo para os pesquisadores, mas a um preciso mês da reabertura prometida nada ainda foi dito ou escrito sobre isso, nem mesmo no sítio da BNP, em que o último balanço das obras é de final de Junho. As pessoas precisam de saber com o que contam.
Como se não bastasse, a mensagem do novo director é uma página de banalidades — e a sua fotografia pessoal falha da indispensável dignidade institucional, indiciando pouco rigor. Prof. Pedro Dias, note bem que o sítio da BNP não é propriamente o FaceBook ou uma rede social qualquer!...
Ao nível do chamado Arquivo da Cultura Contemporânea Portuguesa, que recebeu na última década incorporações de valor, é imperioso o reforço das equipas capazes de as colocar a breve prazo à consulta, recuperando anos e anos de inércia ou falta de meios humanos adequados, e do que já lá existe é indispensável que os catálogos dos espólios, que consultamos numa estante confusa e desordenada, sejam eles próprios finalmente colocados em linha, como todas aquelas publicações da Biblioteca que se tornaram primeiríssimas obras de referência sobre determinados autores. Jorge Couto e a sua equipa melhorou algumas funcionalidades da BN, mas há ainda muito por fazer. Vai ser feito?
Obviamente, é fundamental acelerar o trabalho de catalogação, recuperando num ano o atraso de dois a três (!!!) que existe diante da vertiginosa produção editorial actual. Em certos domínios de estudo, a inacessibilidade a obras recentes é simplesmente inconcebível e inaceitável, claro. O historiador de arte Pedro Dias não o ignora certamente.
Vamos ver, pois, se o novo director da BNP está à altura das suas funções num momento tão crucial da vida desta instituição nacional.
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Até àquela idade eu não tinha a mais pálida noção ...
As verdades incomodão
A realidade, sem tirar nem pôr."Isto" transformou-...
o gaju é du puertu
fudeu-me a vida