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Sexta-feira e os ricos que paguem a crise

por Corta-fitas, em 26.08.11

Paris Hilton

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Nacional a conta-gotas

por Vasco M. Rosa, em 26.08.11

 

 

 

 

Reabre, lá isso, reabre — e com falhas graves mas escondidinhas: todo o fundo literário, cota L, só fica acessível a 1 de Novembro; História e Geografia, daqui a um mês. Seria bom que a Biblioteca Nacional dissesse publicamente a quantos livros correspondem estes lotes, que pequenos não são de certeza! E por que não foi dada prioridade a estas disciplinas, que me parecem centrais nos interesses de estudo dos leitores.

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É um verdadeiro desalento. Nos últimos meses as salas de cinema portuguesas estão repletas de lixo. 

Ontem fui ver mais uma banhada, "Amigos Coloridos", a futilidade é uma constante. Sexo, relações humanas vazias e superficiais, emoções fáceis e efémeras (e eu que achava o Sexo e a Cidade, o retrato da futilidade norte-americana contemporânea), gays e Alzheimer, para provocar emoções graves!

Nas salas de cinema encontramos também o "Tinhas mesmo de ser tu", mais um chorrilho de banalidades e emoções fúteis. Fui também ver os "Chefes Intragáveis", intragável, saí a meio. O cinema americano nas salas portuguesas conta ainda com filmes como "Conan, o Bárbaro" (Ah! mas é em 3D). A imagem tomou o lugar dos diálogos e do argumento e o cinema americano caminha a passos largos para uma fusão com os jogos de computador. Os actores podem passar a ser meros autómatos, bem como os guionistas. "Lanterna Verde", "Comboys Versus Aliens", Capitão América", "Super 8". Tudo coisas a evitar. 

Aqui e ali um filme francês, italiano, um romeno - amanhã vou ver a Autobiografia de Nicolae Ceausescu para lavar a alma - (já estive em Bucareste), para salvar a honra do convento. 

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Oportunidade colossal

por João Távora, em 25.08.11

 

Por estes dias em que Alberto João Jardim é presa fácil de tantos ódios de estimação há que reconhecer-lhe um mérito: o de reabilitar para comunicação social o maldito lapsus linguae “Desvio Colossal”. É que além de entalar Passos Coelho, vinda da Madeira, a "transgressão" ganha logo outra panache.

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Um minhoto na Capital

por João-Afonso Machado, em 25.08.11

Eu esperava tudo menos esse encontro. Um fim-de-tarde estagnado de Agosto, a caminho da pensão, e ela na paragem do eléctrico, submissa, amolecida, sem chocalhar o relógio. A surpresa foi recíproca. Cumprimentámo-nos.

- Então vem da praia?

A minha sacola, realmente, tinha todo o aspecto de um merendeiro e, por hábito, não uso sapatilhas. Nem calções na via pública. Sim, estava chegando de um passeio a S. Martinho do Porto...

Uma boca muito aberta parecia incapaz de crer nas minhas palavras.

(- A S. Martinho?!)

como se quisera convencê-la fora ao outro mundo e regressara. Mas porquê a admiração, afinal? O comboio, ali no Rossio, uma horita de viagem...

-Àquele penico?!

Qual penico! Nem pusera os pés na areia. Subi às falesias, desci as penedias, até me vieram saudades do Gerês. Um nome assim - S. Martinho do Porto - só podia ser o de uma grande terra. A lembrar Dume, Braga, a nossa Invicta...

- Mas você tinha a Caparica, na outra banda...

Encarei-a com alguma severidade. Ela percebeu. Conhecia também, certamente, o aforismo que se lia nos meus olhos: pobrete mas alegrete. Não insistiu.

- E Cascais...

Estive quase a citar-lhe a minha querida Avó, que garantia depois do assassinato do Senhor Dom Carlos ninguém mais fora a Cascais. Mas contive-me, talvez entretanto alguém tivesse mesmo regressado.

- Dizem que as pessoas são lá constantemente assaltadas por mangas furiosas de zulus. E sem uma Kropaschek para se defenderem, uma pressão-de-ar, ao menos...

Que não, isso acontecia em Carcavelos, na Parede. Cascais mantinha-se sossegada, a pérola da Linha... Coitadinha, não imaginando, sequer, no tempo que demoraria a atravessar a rua, nos seus saltos tamanhões, os zulus punham-se em Cascais e ainda saqueavam a Cidadela. Também eu resolvi galgar mais depressa:

- E a menina? Por aqui, em vez de gozar férias?

Onde iam elas!... Rumara destinos exóticos, gostava de conhecer mundo. Agora, aos fins-de-semana, umas escapadelas à Ribeira de Ilhas...

Enchi-me então de gozo, tais as recordações dos anos em que veraneava com os meus primos citadinos na Ericeira. Quando a Praia do Sul era já uma colmeia insuportável e não surgira ainda a moda dos surfistas. Fugíamos para o Milrego, para a Ribeira de Ilhas, quase desertas, à parte o barracão de madeira onde comprávamos carocas e ferraduras, aqueles bolos com sabor a anis. O mais eram os Repimpas e todo o santo dia a fazer carreirinhas nas ondas.

E não fosse o aproximar do eléctrico

(- Adeus, continuação de boas férias...

- Adeus, menina, até à próxima...),

não chegasse esse estraga-tudo, ainda agora prosseguiria a minha narrativa, se calhar naquele mergulho do Pedro, num fundão entre as rochas, maré baixa, onde espreitava uma moreia de dentes arreganhados...

 

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Uns e outros

por Vasco M. Rosa, em 25.08.11

 

No mesmo dia em que, em Tripoli, no meio do pó e do sangue, bandos de «rebeldes» caçam o ditador líbio, a ponto de oferecerem substancial soma pela sua cabeça (numa bandeja ou na mala dum carro a cair aos pedaços, o vendedor escolhe!), apelando a indignidades, o que afinal não surpreende naquelas paragens, dada a tradição vigente, do outro lado do mundo, literalmente, um homem do futuro anuncia o seu afastamento de uma das empresas mais criativas e influentes do nosso planeta. No Mediterrâneo, milhares rejubilam pelos saques agora possíveis e até legitimados de tudo quanto permitiram fosse usurpado durante décadas por um psicopata e terrorista assassino, enquanto à beira do Pacífico (e mundo afora, certamente) milhões lamentam a doença que, mais mês menos mês, lhes vai levar aos 55 anos (!) uma das figuras mais simpáticas do nosso tempo, e exemplo raro do empreendorismo norte-americano. Na Líbia à ditadura sucede a incerteza e a inevitável ajuda internacional, onde muitos milhões serão consumidos como água caindo na areia, persistindo a velha dependência arrogante e ameaçadora, enquanto em Silicone Valley, Califórnia, se constrói com recursos próprios um novo ediíficio high-tech muito integrado na paisagem para nova sede da Apple, inventora de máquinas que nos ajudam a trabakhar, comunicar e viver.

A distância entre estes dois pólos é o retrato da nossa época.
Viva Steve Jobs!!!!

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Nós portugueses (1)

por João Távora, em 24.08.11

Os portugueses dizem à boca cheia que a culpa do seu atávico conformismo e da sua proverbial mediocridade é da inveja (dos outros), sentimento que pelos vistos (os outros) são especialmente atreitos. 
Ora, quanto mais ambicioso é um desempenho, maior será a “reacção” alheia (inveja) e essa coisa até poderá causar algum incómodo ou inquietação.
É assim que, como profilaxia ao conflito, o português prefere então não fazer nada: é usual escutarmos lamentos dos derrotados, vítimas da inveja. O fenómeno, que  actua nos portugueses como se de uma praga se tratasse, amputa-lhes pela raiz a quaisquer resquícios criatividade ou ambição. O sentido de responsabilidade é a cedência final da vítima, vencida pelos envenenados olhares dos seus colegas,  adversários ou concorrentes.
Sendo "a inveja", como "o ódio" ou "o amor", um inevitável sentimento humano, transversal a todas as raças ou credos, pergunto-me afinal como agem os indivíduos de outros povos mais bem sucedidos, onde a iniciativa, o empreendedorismo ou a excelência são propósitos vulgares e por tantas vezes compensadores? Presumo que o que os distingue de nós é o pragmatismo e a coragem com que se empenham nos seus projectos, em contraste com a nossa proverbial pieguice e... o nosso medo, o mais perverso dos sentimentos. O medo é que nos tolhe: afinal somos é uma cambada de medricas.

 

Texto reeditado.

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Que topete!

por Maria Teixeira Alves, em 23.08.11

 

Como é que Ângelo Correia defende a  manutenção das empresas do Estado e das golden shares, quando o Estado anda a usurpar o subsidio de Natal dos portugueses? Como é que se atreve a falar de interesse estratégico do país, quando o país está tão endividado que usurpa o dinheiro do seu povo? Erro histórico é esta dívida pública sobre o PIB acima dos 90%. Isso é que é um erro histórico, não é o fim da golden share da Galp. Please!

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Nós, a nossa obra

por João-Afonso Machado, em 23.08.11

É nos bocados de pedra deixados pelo correr dos anos que tantas vezes descobrimos um mundo por construir. O nosso mundo, afinal. Rodeado de tojo e de improbabilidades. Num mutismo sem luz, sem atractivos à vista, nulo de acessos. E, no entanto, estão lá as marcas da porta e das janelas, traços evidentes de sim, porque não?

Mãos à obra, eis a questão. Que é como quem diz, não nos resignemos com o apartamentozinho, comprado ou arrendado, o negóciozito imobiliário. O espírito terá de ser outro e a criatividade um ingrediente indispensável. A gestão de espaços, a escolha dos materiais, a ciência do calafate, a funcionalidade tanto quanto possivel conciliada com a recuperação do original.

Um desafio, enfim. E uma mãozinha dada a este Portugal cada vez mais precisado de óculos para se vêr a si mesmo. Sobretudo, as balizas do nosso mundo, edificado por nós, ao nosso jeito, e não comprado (e vivido) a metro num catálogo qualquer.

 

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Em Portugal não chega para tapar a cova de um dente

por Maria Teixeira Alves, em 23.08.11

Olhando para esta notícia "Empresários franceses propõem imposto especial sobre os ricos", pus-me a perguntar: e em Portugal porque não?

Em Portugal um imposto especial sobre os ricos não renderia ao Estado nem 500 milhões de euros. Uma miséria. Os ricos em Portugal são poucos, e não são assim tão ricos, para além de que muitos estão endividados. Esta é a triste realidade portuguesa: somos um país pobre onde os poucos ricos não o são assim tanto. A alta sociedade portuguesa é feita de nobres falidos, velhas famílias burguesas falidas, amigos de amigos, uns ricos pós-25 de Abril que impressionam muito mas não têm assim tanto e uns ricos a crédito. Em Portugal é-se rico com pouco. Há pessoas que têm uns milhares, que têm contas nas Suíças, é o tipo de riqueza que dá para uma vida a impressionar os outros, mas não serve para dar um grande contributo ao Estado. Basta ver o baixo nível de poupança do país e constatar que metade do subsídio de Natal da malta toda (incluindo os ricos) dá ao Estado pouco mais de mil milhões de euros. Logo o Imposto aos ricos tem apenas o efeito de analgésico das revoltas sociais. Mas venha ele.

As Finanças deveriam também olhar para as empresas que são constituídas para fugir ao fisco, e para as falências estratégicas.

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Comunicação é Poder?

por João Távora, em 22.08.11

 

É pena que alguns políticos tão empenhados na utilização das redes sociais, passada a refrega eleitoral, desinvistam no diálogo com os eleitores. O meu amigo Leonardo Melo Gonçalves há tempos abordou aqui o assunto dando o exemplo da Secretária de Estado Hillary Clinton, que ainda hoje se apresenta no perfil do Linkedin como candidata presidencial. É irónico o mau aspeto que pode gerar uma plataforma de gestão da boa imagem.
Pela parte que me toca não me choca que uma figura pública opte por um estilo de comunicação tradicional, sem “redes” nem modernices. O que já me soa estranho é quando a estratégia se altera subitamente sem uma explicação aparente que não seja “já consegui aquilo que queria, não tenho mais tempo para conversas ou amigos virtuais”.
Por isso é que me surpreendi que Paulo Portas, um exímio comunicador tão bem rodeado de bons profissionais, tenha deixado ao abandono a sua página no facebook. Certo é que na matéria Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas também não se vêm destinguindo pela exuberância. Entende-se a dificuldade na gestão de protagonismos que possam vulnerar a coligação governativa. Entende-se perfeitamente que é mais fácil comunicar o protesto, fazer oposição. Mas nada disso justifica: o grande desafio da boa Comunicação e das boas Relações Públicas põe-se verdadeiramente na instável “cadeira do poder”. É que a história dos governantes está cheia de maus finais por causa de boas ações mal compreendidas.

 

Publicado originalmente aqui.

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Regime de Kadhafi à beira do fim

por Maria Teixeira Alves, em 22.08.11

 

Muammar Abu Minyar al-Gaddafi é uma figura histórica. Está à frente da Líbia desde 1 de Setembro de 1969. Nos anos 70 foi o patrocinador de todos os grupos, países e facções anti-americanas ou anti-israelitas, entre eles os Panteras Negras, o Fatah e alguns países do Oriente Médio, tentando dar continuidade ao trabalho de Nasser (Egipto), que tanto admirara. Kadhafi esteve envolvido no massacre de Munique, realizado no dia 5 de Setembro de 1972, durante os Jogos Olímpicos, patrocinando e dando cobertura ao grupo que ficou conhecido como Setembro Negro, onde onze atletas israelitas foram assassinados.

Em 1982, como medida punitiva ao patrocínio a grupos terroristas, o governo norte-americano proibiu a importação de petróleo da Líbia. Em 1986, após um atentado a bomba numa discoteca de Berlim, quando morreram dois cidadãos norte-americanos, os EUA lançaram ataques aéreos contra em Trípoli e Benghazi e impuseram sanções económicas contra o país. No final da década de 1980 o governo líbio foi acusado de envolvimento nos atentados contra aviões da Pan Am e da UTA, o que motivou a imposição de sanções também pela ONU, em Março de 1992. Kadhafi, foi durante anos o inimigo do Ocidente, o mau da fita 007.

Após a morte da sua mulher e sua filha durante o bombardeio americano a Trípoli, distanciou-se superficialmente de suas alianças com grupos terroristas.

Em 1992 e 1993 a Organização das Nações Unidas impôs sérias sanções à Líbia acusando seu líder de financiar o terrorismo pelo mundo. Essas sanções foram suspensas em 1999.

Kadhafi foi perdoado pelo Ocidente. Em 2003 anunciou que desistira das armas de destruição maciça e que pretendia juntar-se à guerra ao terrorismo, eixo da política externa americana durante o governo Bush. Logo depois George W. Bush suspendeu as sanções contra a Líbia.

Os produtores de petróleo dos EUA e da Grã-Bretanha expandiram suas actividades no país.

Depois veio a crise dos regimes totalitários muçulmanos, Kadhafi voltou a mostrar as suas garras. O regime está agora a ser derrubado. Mas este homem é sem dúvida um "case study". Na Wikipédia é definido como militar, político, ideólogo e poeta líbio. Um autêntico revolucionário à moda antiga.


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Domingo

por João Távora, em 21.08.11

 

Hoje é aqui.

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A rejeição da cruz

por João Távora, em 20.08.11

 

A um pequeno texto meu publicado aqui há dias, alguém comentava no Facebook, qualquer coisa como “trabalho sim, padecimento não”. Este pensamento traduz o terrível preconceito que há muitos anos nos vem condenando ao fracasso. Porque o sofrimento é definitivamente o sentimento que precede a redenção do Homem. Porque é essa a afeição que o mais das vezes precede o Conhecimento, a Criação Realização humana. E é-o ironicamente desde o brutal momento em que nascemos.
Mas desçamos aos exemplos comezinhos: como pode a criança memorizar a tabuada ou aprender gramática, o adolescente exercitar a matemática, como pode o jovem aspirar a médico sem muita renúncia e contrariedade? Não é certamente prazer o que sente ciclista em pleno esforço a subir à Senhora da Graça, nem é sem muita austeridade que se obtém a boa forma física e clarividência mental. Da “violência” do despertar bem cedo, ao cioso cumprimento das nossas tarefas, o sucesso de qualquer projeto profissional depende em grande parte da renúncia aos nossos apetites. Ou de como o confronto sem paliativos com a depressão e a dor são antecâmera da redenção e do crescimento da Pessoa, e a evasão inevitavelmente a sua desgraça.
A obstinada recusa da Cruz (na acepção cristã do termo), pela contemporaneidade ocidental não é mais do que um trágico sinal da nossa decadência. Abstendo-nos do seu profundo significado religioso detenhamo-nos ao menos no seu simbolismo mais prosaico e terreno: sobre o que a sua recusa significa na adolescentocracia em que a nossa civilização encalhou e se afunda.

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Más companhias

por João Távora, em 20.08.11

Corresponderá a promoção dos comediantes Pedro Marques Lopes, Daniel Oliveira e Pedro Adão e Silva a "comentadores políticos", como foi o caso de ontem à noite na SIC Notícias num debate sobre os primeiros dois meses do executivo PSD/CDS, à emergência duma perceção da atividade política como produto de entretenimento? Luciano Amaral estava decididamente a mais naquela florida jarra, pelo que não passou de um triste equívoco.

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Quem criou a 'situação de guerra'?

por Rui Crull Tabosa, em 20.08.11

Escreve-me o caro Respública, ilustre comentador do CF, a propósito deste meu Post sobre as causas mais directas pelo deflagrar da primeira Guerra Mundial, que a “Alemanha prussiana” atacou “sem provocação o território pátrio no Sul de Angola e no Norte de Moçambique”, daí se podendo inferir que, no seu entendimento, foi a Alemanha a culpada pela entrada de Portugal naquele conflito geral.

Trata-se de um exemplo de uma ideia comum, a qual, tendo, evidentemente, alguma correspondência com a verdade, esquece, porém, certas circunstâncias que certamente concorreriam para uma mais rigorosa apreciação da problemática em questão.

É certo que houve incidentes no Ultramar, os quais foram, no entanto, de parte a parte. Um ataque de forças indígenas chefiadas por dois alemães ao posto de Maziúa, no norte de Moçambique, a 24 de Agosto de 1914; outro, desta vez português, a Naulilia, em Angola, no mês de Outubro seguinte. Foram casos que tiveram, aliás, algumas repetições isoladas, mas que em nenhum momento podem seriamente ser qualificados como invasões ou, sequer, como ataques militares de envergadura. Atesta-o o facto de nenhum dos referidos incidentes ter tido consequências de maior nas relações diplomáticas luso-germânicas ao longo do primeiro ano da guerra.

Mais grave, bem mais grave, foi o pedido dirigido pela França a Portugal, ainda em 1914, para o envio de baterias de artilharia para a frente de guerra, o qual mereceu como única reserva e repulsa do Governo português o facto de, nessa entrega, o material militar não ser acompanhado das respectivas guarnições e de um "nutrido corpo de tropas das demais armas", como refere Damião Peres na sua edição monumental da História de Portugal, publicada em 1954.

De resto, não esqueça que, ainda a 10 de Outubro de 1914, o Governo inglês enviou-nos um 'Memorando' convidando Portugal a "colocar-se activamente ao lado da Inglaterra e dos seus aliados", muito embora a nossa aliada depois se tenha esforçado por refrear o incontinente desejo dos Governos da Primeira República, desde o primeiro ano da guerra, em concretizar a intervenção militar, não para nos poupar aos horrores da guerra, mas para se eximir a ter de apoiar militarmente o nosso esforço armamentista.

A entrada de Portugal na guerra, sabe bem que teve como causa directa o apresamento, a 24 de Fevereiro de 1916, de todos os navios alemães que se encontravam em águas portuguesas, confiados na neutralidade do nosso País (as imagens acima ilustram o arriamento de um pavilhão alemão num vapor apreendido no Tejo e a sua substituição por um português).

O referido apresamento, insistentemente exigido por Inglaterra (que, duas décadas depois do Ultimatum, mostrava continuar a tratar Portugal como seu vassalo), constituiu, forçoso é reconhecê-lo, um acto de pirataria que, esse sim, obrigou a Alemanha a declarar a guerra a Portugal a 9 de Março seguinte, ou seja, quase duas semanas depois (na esperança de que recuássemos na referida ofensa?).

Quanto ao ambiente que se vivia em Lisboa nos alvores da guerra, cito-lhe dois jornais, o democrático "Mundo" e o evolucionista “República”.

Escrevia o “Mundo”, a 28 de Agosto de 1914, que "O facto de não termos até agora participado directamente na acção dos nossos aliados, contra os inimigos que moralmente consideramos já comuns, não significa de maneira nenhuma que não estejamos com eles em estreita correspondência e completa harmonia de vistas, nós prontos a dar todo o auxílio material, eles prontos a aceitá-lo, se lhes fôr necessário".

E o "República" (o jornal, evidentemente…), publicava, a 11 de Agosto de 1914, que, "No terrível momento que decorre, uma só coisa acima de todas devemos lamentar - a circunstância de os nossos serviços não chegarem a ser precisos, ou, pior ainda, de os não quererem aproveitar"...

Palavras, para quê?...

Em conclusão, insinuar que a responsabilidade de Portugal ter entrado na guerra de 14/18 pertence à Alemanha não me parece a melhor forma de concorrer para a verdade.

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Cores do Nordeste

por João-Afonso Machado, em 20.08.11

A poucos quilómetros da Vila, no Nordestinho, avistam-se já sinais indeléveis.

A água precipita-se, a vegetação arrebita, propaga-se.

Ao coração do Município acedemos através de uma ponte, mais uma ribeira lá por baixo.

Em todas as janelas, em qualquer recanto público...

Por fim, nos miradouros, já a caminho de Povoação e das Furnas:

Como não creio exista algo semelhante no mais do País.

 

 

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Como foi

por Rui Crull Tabosa, em 19.08.11

(O Anel)

 

Escreveu o Nuno Castelo-Branco um lúcido e bem sustentado post a partir de umas patéticas declarações que Soares júnior se permitiu fazer há dias, num Frente-a-Frente da SIC Notícias, através das quais exibiu uma tão confrangedora quanto atrevida ignorância quando sentenciou a exclusiva responsabilidade alemã pelo deflagrar das duas guerras mundiais.

Deixando para outras núpcias as causas da guerra de 39/45, questão complexa, melindrosa, que facilmente se presta a compreensíveis imprecisões, não raro fundadas no desconhecimento dos exactos factos da História, já quanto àquela que foi conhecida como a Grande Guerra e que provocou cerca de 20 milhões de mortos, entre os quais, por curiosidade, mais de 800 mil civis alemães por força do Blokus, talvez se possa discorrer com um pouco mais de serenidade.

É consabido – ou deveria sê-lo – que a causa directa, primeira, insofismável, da eclosão da guerra de 14/18 se encontra na morte do arquiduque Francisco Fernando (com a sua mulher, a duquesa de Hohenberg), em Sarajevo, no fatídico dia 28 de Junho de 1914. O provável herdeiro do Império Austro-Húngaro morria às mãos de assassinos sérvios pertencentes a um grupo terrorista revolucionário criado em 1911 – a Mlada Obrama – agindo a mando da Mão Negra (a Narodna Obrama), outra organização secreta, esta última chefiada pelo próprio chefe dos serviços de informações sérvios, o coronel Dragutin Dimitrievitch-Apis, que mais tarde, aliás, veio admitir ter organizado o referido assassinato (este responsável já estivera envolvido no assassínio, em 1903, do rei sérvio Alexandre I).

Não se ignora igualmente que, perante a cúmplice inacção do Governo sérvio, de Pachitch, nas semanas seguintes ao incendiário atentado, o Império Austro-Húngaro se viu obrigado (sob pena de risco da própria desagregação, dada a sua efervescente composição multi-étnica), a 23 de Julho, a fazer um ultimato à Sérvia, no qual exigiu, entre outros pontos, que a comissão encarregue de investigar as circunstâncias da morte do arquiduque integrasse, também, um representante austríaco.

Respaldada no apoio da Rússia, gigante com mais de 20 milhões de quilómetros quadrados cujo pan-eslavismo fazia estender as suas pretensões de hegemonia a todos os povos eslavos, em particular aos dos Balcãs, e à própria Istambul otomana, o que lhe garantiria o acesso directo ao Mediterrâneo, a Sérvia recusa a referida exigência, decretando a mobilização geral, atitude que não deixou à Áustria-Hungria outra opção senão a de declarar a guerra a Belgrado no dia 28 de Julho.

O Império Russo já decretara, aliás, a mobilização geral, a 27 contra a Áustria, mas também a 31 contra a Alemanha, o que leva então Guilherme II, o Kaiser alemão, que até então fizera várias tentativas junto de São Petersburgo para evitar o conflito militar (avisando que se a Rússia se mobilizasse, a Alemanha ver-se-ia na contingência de proceder do mesmo modo…), a proclamar, primeiro o “estado de perigo iminente de guerra” (“Zustand drohender Kriegsgefahr”) e, depois, perante a recusa de Nicolau II em revogar a ordem de mobilização geral, a declarar guerra ao Czar.

Por sua vez, a França, ligada à Rússia por uma aliança político-militar desde 1892, mais tarde estendida a Inglaterra pela Triple Entente, ainda e sempre dominada pelo sentimento de revanche pela ‘perda’ da Alsácia-Lorena (matéria pouco esclarecida que bem justificaria outro post) na guerra franco-prussiana de 1870/71, declara à Rússia, a 27 de Julho, a sua determinação em “secundar inteiramente a acção do Governo imperial”, posição que, tomada naquele preciso momento de tensão internacional, implica a consequência da aceitação de um eventual estado de guerra com as Potências Centrais, caso esta se declarasse com a sua aliada. Além disso, Poincaré decreta a mobilização geral a 1 de Agosto, atitude evidentemente hostil que, ao não ser revogada naquele mesmo dia, como pretende o Governo alemão, cada vez mais receoso do anel que cercava o seu país, também motiva a pertinente declaração de guerra de além Reno.

Consumado o estado de guerra a Ocidente, solicita Berlim a Bruxelas a passagem de tropas pelo território belga (exigência politicamente inaceitável, embora militarmente compreensível dada a guerra com a França exigir a pronta aplicação do Plano Schlieffen, cujo êxito tinha de ser garantido antes de, a leste, se completar a sempre morosa mobilização russa), o que, apesar de recusado, é concretizado a 3 de Agosto. Perante a violação da neutralidade da Bélgica (uma criação inglesa de 1830, com a colocação no poder de Leopoldo I, tio da rainha Vitória), o Império Britânico, que então dominava cerca de 40 milhões de quilómetros quadrados, quase um terço da superfície terrestre, e que temia a perda da sua hegemonia marítima e comercial a favor de uma Alemanha ascendente, declara guerra ao Império Alemão.

Estes são os factos objectivos que envolveram a eclosão da Primeira Guerra Mundial.

Responsabilidades? Há-as, certamente distribuídas pelos vários países inicialmente envolvidos.

Interesses? Também, mas de vários lados e matizes.

Reduzir a História a preto e branco, a bons e maus, a uma linha recta que esquece as encruzilhadas, os tais pormaiores que às vezes explicam muito mais profundamente do que aquilo que a propaganda fartamente distribui ao vulgo, é não compreender simplesmente nada.

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E se fossem à fava?!

por João Távora, em 19.08.11

 

Quando um Estado apoia a organização dum campeonato de futebol ou outro circo para entreter o pagode, os jornalistas fazem cálculos aos proveitos em turismo, restauração, propaganda e outros ocultos nas brumas do futuro. Quando mais de um milhão de católicos de todo o mundo se deslocam por uma semana a Madrid, o cuidado da imprensa é com as despesas do erário público. E se fossem à fava?!

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Katharine McPhee daqui 

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