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Pégaso

por João-Afonso Machado, em 28.03.11

Num breve trecho de paisagem, o mito pareceu ressurgir. Como o silêncio, ganhando formas sobrepostas ao contínuo estalar das ondas.

Pégaso?

Um olhar, apenas, um olhar quieto e abandonado. E Perseu e Belerofonte, afogados definitivamente. Do Olimpo rico, poderoso, imensamente povoado, somente Crono, implacável, terá escapado. À tua garupa, sobrevivente?

Diziam-te o símbolo da imortalidade, cavalgando em voo, à redea de ouro, o Tempo. Talvez agora esquecido, perdido, no mar Egeu.

A aproximação foi cuidadosa. Não te lançasses, Pégaso, na vastidão do promontório. Quem chegou de um Passado tão longínquo, certamente conhecerá o Futuro também. Ao menos, os incansáveis prenúncios de Crono...

Pastavas, mastigando indolentemente. Nada mais, além do costumeiro agitar desconfiado das orelhas. Havia uma explicação: a História cortou-te as asas, como a um reles garnisé. Humilhantemente, à sombra de um barraco de cimento.

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A culpa

por Rui Crull Tabosa, em 28.03.11

"A culpa de não haver PEC 4 é do PSD e do CDS. A culpa de haver portagens nas Scuts é do PSD que viabilizou o PEC 3. A culpa do PEC 3 é do PEC 2. Que, por sua vez, tem culpa do PEC 1.

Chegados a este, a culpa é da situação internacional. E da Grécia e da Irlanda. E antes destas culpas todas, a culpa continua a ser dos Governos PSD/CDS. Aliás, nos últimos 16 anos, a culpa é apenas dos 3 anos de governação não socialista.

A culpa é do Presidente da República. A culpa é da Chanceler. A culpa é de Trichet. A culpa é da Madeira. A culpa é do FMI. A culpa é do euro.

A culpa é dos mercados. Excepto do "mercado" Magalhães. A culpa é do ‘rating'. A culpa é dos especuladores que nos emprestam dinheiro. A culpa até chegou a ser das receitas extraordinárias. À falta de outra culpa, a culpa é de os Orçamentos e PEC serem obrigatórios.

A culpa é da agricultura. A culpa é do nemátodo do pinho. A culpa é dos professores. A culpa é dos pais. A culpa é dos exames. A culpa é dos submarinos. A culpa é do TGV espanhol. A culpa é da conjuntura. A culpa é da estrutura.

A culpa é do computador que entupiu. A culpa é da ‘pen'. A culpa é do funcionário do Powerpoint. A culpa é do Director-Geral. A culpa é da errata, porque nunca há errata na culpa. A culpa é das estatísticas. Umas vezes, a culpa é do INE, outras do Eurostat, outras ainda do FMI. A culpa é de uma qualquer independente universidade. E, agora em versão pós Constâncio, a culpa também já é do Banco de Portugal. A culpa é dos jornalistas que fazem perguntas. A culpa é dos deputados que questionam. A culpa é das Comissões parlamentares que investigam. A culpa é dos que estudam os assuntos.

A culpa é do excesso de pensionistas. A culpa é dos desempregados. A culpa é dos doentes. A culpa é dos contribuintes. A culpa é dos pobres.

A culpa é das empresas, excepto as ungidas pelo regime. A culpa é da meteorologia. A culpa é do petróleo que sobe. A culpa é do petróleo que desce.

A culpa é da insensibilidade. Dos outros. A culpa é da arrogância. Dos outros. A culpa é da incompreensão. Dos outros. A culpa é da vertigem do poder. Dos outros. A culpa é da demagogia. Dos outros. A culpa é do pessimismo. Dos outros.

A culpa é do passado. A culpa é do futuro. A culpa é da verdade. A culpa é da realidade. A culpa é das notícias. A culpa é da esquerda. A culpa é da direita. A culpa é da rua. A culpa é do complexo de culpa. A culpa é da ética.

Há sempre "novas oportunidades" para as culpas (dos outros). Imagine-se, até que, há tempos, o atraso para assistir a uma ópera, foi culpa do PM de Cabo-Verde.

No fim, a culpa é dos eleitores, que não deram a maioria absoluta ao imaculado. A culpa é da democracia. A culpa é de Portugal. De todos. Só ele (e seus pajens) não têm culpa. Povo ingrato! Basta! Na passada quarta-feira, a culpa... já foi."
____

António Bagão Félix

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O mau perder (2)

por João Távora, em 28.03.11

 

O Daniel Oliveira “denuncia” aqui no Arrastão aqueles que seriam os resultados eleitorais de Godinho Lopes se vigorasse a norma de um voto por sócio nos estatutos do Sporting Clube de Portugal. Mas não vigora: sendo discutível, essa norma existe para valorizar a fidelidade (uma palavra avessa à estética revolucionária) ao clube e (justamente) para defendê-lo de demandas golpistas. Acredito que este popular bloger do Bloco de Esquerda já conhecia as regras do jogo antes destas Eleições e só entendo a sua contestação nesta altura do campeonato à luz do seu percurso político. Desafio-o a deixar-se de tiques revolucionários e a propôr a alteração dos estatutos numa Assembleia Geral. E a descarregar saudavelmente o seu espírito insurrecto na bancada dum qualquer jogo de futebol. Ganhávamos todos. 

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O mau perder (1)

por João Távora, em 28.03.11

 

 

 

No Sábado desloquei-me a Alvalade com o meu filhote pequeno para votar num futuro para o meu clube. Para além da enorme afluência deparei-me com  um acto eleitoral que me pareceu bem organizado e muito civilizado. Estava longe de adivinhar o quadro de “guerra civil” decorrente da vitória à tangente de Godinho Lopes: em democracia, concorrendo-se sob regras determinadas e aceites por todos, por um voto se ganha, por um voto se perde. 

Este é o pior dos cenários que podia acontecer a um Sporting em profunda fragilidade financeira, e à sua equipa de futebol em processo de desagregação. Incrédulo, pergunto-me o que estará verdadeiramente em jogo. Tenho muitas dúvidas que, com a batalha político-jurídica encetada, Bruno Carvalho e a sua claque, para além duma extraordinária promoção mediática, não venha a conquistar mais do que o cadáver daquilo que um dia foi um histórico clube de futebol campeão, paixão de gerações. Tudo isto trata-se afinal de um leonino pesadelo, um tétrico guião que não caberia nas mais perversas cogitações dos nossos adversários, que assistirão deleitados à indecente telenovela que, receio, perdurará até à última gota de sangue da vítima sacrificada.

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Nunca digas que sou o que fui

por Maria Teixeira Alves, em 28.03.11

Sócrates disse no seu discurso de candidatura à presidência do seu partido que Passos Coelho tinha acabado com a avaliação dos professores só para ganhar votos. Bem, eu lembro-me de na vésperas das últimas eleições o Governo ter aumentado os salários da função pública e de ter promovido os professores. Mas enfim, nunca digas que sou o que fui.

 

Já agora,  também a propósito do seu discurso, a venda da CGD é uma boa ideia Senhor Sócrates.

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Bem me parecia

por Maria Teixeira Alves, em 28.03.11

 

Afinal Natalie Portman foi dobrada no Cisne Negro por uma bailarina profissional, Sarah Lane.

 

É  própria Sarah Lane quem diz: "They were trying to create this façade that she had become a ballerina in a year and a half".

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Sócrates a todo o vapor

por João-Afonso Machado, em 28.03.11

Não obstante a situação que voluntáriamente criou e baptizou de "crise política", para assim conseguir um pretexto para antecipar as eleições e alijar responsabilidades na Oposição - não obstante esta sua conduta, bem falando por si, Sócrates já está no terreno à velocidade máxima. Berrando desalmadamente. Como se sabia - há sempre fontes... - a pregar contra os alegados propósitos anti-"Estado social" do PSD.

Semelhante descaramento - não seria a primeira vez - pode produzir os resultados pretendidos. Sobretudo nos mais desatentos, que são, infelizmente, muitos.

E pode mobilizar a Direita, mesmo a apartidária, em volta de alguém ao menos honesto. É que já nem se pede mais: ao menos honesto.

Porque sendo honesto, saberá, certamente, rodear-se de competências e disponibilidades para servir o interesse nacional. Venham elas de que quadrante político vierem.

Chega de intrujice!

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Domingo (3º da Quaresma)

por João Távora, em 27.03.11

Cristo e a Samaritana Paolo Veronese (1528-1588)


Evangelho segundo São João  4, 5-15.19b-26.39 a 40-42


Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, onde estava o poço de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?». De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva». Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?». Disse-lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna». «Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la. Vejo que és profeta. Os nossos pais adoraram neste monte e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar». Disse-lhe Jesus: «Mulher, acredita em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade». Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há-de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier há-de anunciar-nos todas as coisas». Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo». Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher. Quando os samaritanos vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

 

Da Bíblia Sagrada

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Austeridade está na moda

por Maria Teixeira Alves, em 26.03.11

 

Estamos a viver a década da austeridade. Não há dúvida que este é um momento histórico. Um  pouco por todo o lado as manifestações populares acontecem. Desta vez foi em Londres. Centenas de milhares de pessoas, vindas de todo o Reino Unido, desfilaram em Londres, contra as medidas de austeridade do Governo, naquela que já está a ser anunciada como a maior manifestação da última década e que já originou conflitos entre manifestantes e polícia. Estas manifestações são réplicas das que já aconteceram na Grécia, França, Espanha e até em Portugal. A crise e a austeridade entraram definitivamente no vocabulário da segunda década do Século XXI. E a austeridade é a fonte de inspiração da moda (a tónica é recuperar peças guardadas de outras colecções), da música, da publicidade (a campanha do IVA a 0% do Pingo Doce é disso exemplo), da arte, da literatura, da culinária, do cinema...

Estas manifestações populares são ventos de mudança.

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O fulgor do silêncio

por João Távora, em 26.03.11

Até no silêncio há fulgor. 

Até no silêncio. Os padres do deserto tinham por hábito acolherem numa hospitalidade silenciosa, quando acolhiam um amigo que não viam há muitos anos, não lhe diziam nada. Explicavam: se o meu silêncio não te acolher, a minha palavra ainda menos. Isto para dizer que há novas ritualidades. As comunidades cristãs têm que ter fé nos caminhos humanos, até para vencerem a letargia das suas próprias gramáticas. Queiramos ou não as imagens e palavras gastam-se. Os discursos envelhecem.

Falta imaginação ao quotidiano? 

A vida simples, a vida pobre, é o grande módulo da invenção do mundo, da invenção verbal, da oração. (...)

 

Imperdível entrevista ao Padre Tolentino Mendonça por Maria Ramos Silva -  Jornal I

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Dia de eleições II

por João Távora, em 26.03.11

 

Alguém sabe quem ganhou as eleições no PS?

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O PS no seu melhor

por João-Afonso Machado, em 26.03.11

Provávelmente a ninguém escapou a expressão do Ministro Silva Pereira, na sua última intervenção no Parlamento, acerca das consequências da recusa, pela Oposição, do famigerado PEC IV - a apocalíptica premonição "ainda não viram nada".

Evidentemente, sem concretizar o que, na sua ideia, viria a ser visivel. 

Já hoje, com a maior naturalidade, os jornais aludem a uma reunião entre Sócrates e os seus deputados. Objectivo: lançar, como estratégia eleitoral, a denúncia da "agenda liberal" do PSD, e o seu propósito de desmantelamento do "Estado social"; mais a prazo, um discurso em congresso "para fora", obviamente ainda contra o principal partido oposicionista.

Afinal, Silva Pereira na previa - ameaçava. De resto, na sequência de uma estratégia delineada de longa data. É bom que o PSD saiba responder à altura. Em vista de um derradeiro ponto final no socratismo.

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Ortodoxia

por João Távora, em 26.03.11

 

Ar novo na blogosfera, o blogue de Marco Moreira. Já na barra lateral.

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Dia de eleições

por João Távora, em 26.03.11

A maior diferença entre o País e o meu Soprting é que no primeiro quanto piores são os resultados mais pagamos em quotas.

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Recomendações sobretudo práticas

por João-Afonso Machado, em 26.03.11

Nunca teriamos chegado a tão deploráveis dias se nos ocorresse o óbvio - a Política não anda longe de uma vida a dois.

Em ambas há (devia haver...) comunicação entre os intervenientes, preferencialmente na forma de diálogo. E em ambas, também, muito mais importante do que as saídas da boca, são as palavras lidas nos olhos.

Essas mesmas que invariavelmente passamos adiante. Sem lhes ligar, talvez até porque habilmente escondidas, ou disfarçadas, atrás dos mais imaginativos refúgios.

Mas é nos olhos que residem, e se descobrem, a verdade e a mentira das pessoas. É deles que partem as nossas acções e omissões. A fidelidade ou a traição aos compromissos. São os olhos que nos consentem a quietude ou o passo dado para a frente, para trás ou para um lado qualquer.

Os olhos não enganam, assim nós não queiramos ser enganados. Algo particularmente importante, sobretudo agora, em maré em que os discursos de boca nos vão atulhar os ouvidos.

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Linha do Norte

por João-Afonso Machado, em 26.03.11

...

O comboio vai como uma flecha. Pequenas cidades, vilas, perfuradas pelo seu assobio, quase sem tempo de ler as tabuletas que as identificam. Rasamos agriculturas ricas, a dois passos de equídeos portentosos, picadeiros, vinhas tratadas com carinho e desvelo. E uma ponte infinita, curvilínea, disparando do topo feixes de cabos, como teias de medonhas aranhas. Depois, mais pastagens suculentas, o gado viçosíssimo e o nosso reencontro com o grande rio.

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Pôr os pontos nos iiii

por Maria Teixeira Alves, em 26.03.11

Como sabem eu escrevi aqui que preferia que o Governo só caísse após a cimeira europeia que aprovaria as medidas para financiar Portugal. Mas não confundamos as coisas. Não é a demissão de Sócrates e a chamada "crise política" que nos pôs nos juros da dívida pública a 8%, Não foi a crise política que degradou o nosso rating e que nos arrastou para a iminência da falência. FOI O ENDIVIDAMENTO EXCESSIVO que o Governo do PS, em meia dúzia de anos, provocou. Foi o ENDIVIDAMENTO ACIMA dos 80% do PIB que nos pôs na crise de dívida soberana em que estamos. Portanto a partir daqui, qualquer coisa que seja resolver o problema é melhor. E Sócrates que provocou o problema, a par com os seus Ministros, não tem credibilidade para o resolver.

 

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Um deles vai ser o próximo primeiro-ministro

por Rui Crull Tabosa, em 26.03.11

A qual deles compraria um carro usado, que é como quem diz, a qual deles vai confiar o futuro de Portugal?

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Notícias do Financial Times, antes de serem atropeladas

por José Mendonça da Cruz, em 25.03.11

Antes que os propagandistas da Manipulação Em Curso as apaguem ou reinterpretem, eis algumas notícias sobre Portugal respigadas do Financial Times de hoje:

Da 1ª pág, sob o título Impasse político português... «Os títulos da dívida a 5 anos de Portugal atingiram uns 8,4% recorde na 5ª feira, antes de recuarem. Lisboa tem que refinanciar a dívida em Abril e Junho, operações que, ambas, podem revelar-se gatilhos para um pedido de resgate.»

Do Editorial, na pág. 10 - «É demasiado tarde para os políticos portugueses culparem alguém senão eles próprios pela crise da dívida soberana»; e «a política do governo tem sido de falsa austeridade: o corte no défice do ano passado foi um truque contabilístico baseado em passar fundos de pensões privados para as contas públicas...»; e «apesar da geral crença em que juros mais altos que 7% conduzem a um resgate, alguns onerosos leilões de dívida não forçarão Portugal à insolvência. Mas as despesas dos juros, no entanto, agravarão as dores da austeridade quando os líderes do país encontrarem coragem para fazerem o que tem que ser feito.»

Na pág. 14, sob o título Eurozona: «Sócrates poderia ter agido mais cedo para garantir quer as suas medidas de austeridade quer o financiamento externo. Mas não é tarde para Portugal, desde que realize as reformas estruturais que insuflem ar na sua economia esclerosada.»

Na pág. 15, na Short View de James Mackintosh: «Quem previsse a queda do governo português na véspera de cimeira euuropeia decisiva, poderia ter apostado em quedas de acções e um Euro mais fraco. Em vez disso, as acções portuguesas subiram 1 por cento (...) e o Euro valorizou-se.»

Na pág. 27, sob o título Problemas de Portugal põem Espanha na linha de fogo: «Um resgate de Portugal tem sido considerado por muitos investidores uma certeza crescente desde o fim do ano passado. Agora que o governo caiu, parece inevitável». E, em caixa: «As probabilidades de Portugal e Irlanda não pagarem as suas obrigações aumentaram drasticamente durante o mês passado, segundo os mercados.»

Na pág. 28, sob o título Acções sobem apesar dos receios na euro-zona: «A resistência dos investidores ficou demonstrada pela drástica recuperação do mercado de acções de Portugal, após ter caído 1% no seguimento da demissão de José Sócrates.»

E só mais esta pérola, sobre como os tais líderes europeus que amam Sócrates o vêem realmente (também). Da pág. 2, sob o título Portugal instado a aprovar plano de austeridade: «Os dois lados (Passos Coelho e Sócrates) concordam nas metas de dívida e défice estabelecidos pela UE, e o colapso foi em grande parte causado por polémicas sobre a forma como o novo pacto (o PECIV) foi montado. "Foi um enredo cínico da autoria de Sócrates, e os outros líderes vêem isso", disse um diplomata da UE.»

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A nossa desgraça

por João Távora, em 25.03.11

 

(...) Em dois séculos de governo representativo em Portugal, um único político conseguiu suscitar a profunda aversão que hoje suscita o primeiro-ministro: António Bernardo Costa Cabral, que deu o seu nome ao “cabralismo”. É interessante pensar no que (em resumo) um dia lhe disse Fontes Pereira de Melo: “A sua presença (no governo) não ajuda o país, porque o senhor é o problema.” Manuela Ferreira Leite, com outros cuidados verbais, não ficou longe de Fontes, quando explicou o voto do PSD. E, se calhar, não se enganou. A remoção definitiva de Cabral trouxe a Portugal um certo sossego. A remoção definitiva de Sócrates talvez também acalmasse as coisas. Mas, para nossa desgraça, Sócrates continua, e continuará, secretário-geral do PS e não tenciona, nem de longe, ficar quieto. Esta história ainda não chegou ao fim. 

 

Vasco Pulido Valente no Público

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