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Qual é o 'país irmão' do Brasil?

por Rui Crull Tabosa, em 28.04.10

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Foto do dia

por Luísa Correia, em 28.04.10

(Na Doca de Alcântara...)

 

Os meus receios, na observação de certas aproximações, estão na qualidade dos parceiros. Se forem da mesma espécie, «reproduzem». Se não forem, não é improvável que um caiba na dieta do outro.

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A oportunidade de Alegre

por João Távora, em 28.04.10

 

Protestos Atenas

 

Não vejo como o Aníbal Cavaco Silva se consiga descartar dum inevitável assomo de Sentido de Estado (leia-se medidas impopulares) de José Sócrates mais agora que está restaurado um bloco de salvação nacional. Tendo em conta a vocação de protesto e anti-económica da Esquerda, a falência financeira do País vem cair como sopa no mel para Manuel Alegre que não deixará de aproveitar todo o "sangue" que vai correr. Fica só por saber que destroços então restarão da república de que ele afinal pretende a presidência.

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Esta aventura é das menos empolgantes que Lisboa pode proporcionar (e proporciona, lamentavelmente, com grande prodigalidade): a aventura da sobrevivência ao ruído de obras radicais em andares de cima ou de baixo. O batuque contínuo das maças e as vibrações «trombónicas» dos martelos pneumáticos, abrindo roços e perfurando paredes, ecoam dolorosamente no espaço das nossas caixas cranianas, das salas em que estamos, da casa, da rua, da cidade, do país, do planeta, do sistema solar… E parece, de facto, que não deixam pedra sobre pedra, como não deixam neurónio sobre neurónio. Na incapacidade circunstancial de ler, escrever ou, simplesmente, compreender o que faço, vou escapulir-me para outra galáxia nos próximos dois, três dias da primeira ofensiva, que é, em regra, a mais impiedosa. Mas volto logo, logo que a coisa amaine.

 

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A "boca" do dia

por Pedro Quartin Graça, em 28.04.10

(...) "Os promotores da distribuição de preservativos em todos os actos públicos da visita de Bento XVI a Lisboa, Fátima e ao Porto, andam a ser ameaçados, por diversas vias, blogues conspícuos incluídos, de medidas drásticas. Decididamente, o fair play não é uma prioridade da nossa sociedade civil."

 

Eduardo Pitta, in "Fair Play"

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Tributo

por João Távora, em 28.04.10

 

João Pedro Morais: 1935 - 2010

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O Estado da Nação

por João Távora, em 28.04.10

 

(...) Portugal é como uma criancinha de 12 anos que já gastou as semanadas do ano todo, que não gosta de estudar, não ajuda em casa, não quer ler e foge a sete pés das responsabilidades. Uma criança que aprendeu a passar pelo meio da chuva. E é feliz assim. Sem cuidado, sem futuro e com sorte. Chega-lhe o futebol, as novelas e a convicção de que o dinheiro nasce nas paredes onde estão presas as máquinas de multibanco. (...)

 

Inês Teotónio Pereira no Aparelho de Estado

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A república em falência

por João Távora, em 28.04.10

 

 

Celebremos pois então.

 

PS: Da caixa de comentários destaco aqui este delicioso texto deixado pelo nosso venerável Ega:

Excertos de «Memórias de Um Átomo»:

 

Diário de Notícias - Necrologia - 11 de Junho de 2010. REPÚBLICA

 

Confortada com todos os sacramentos do Supremo Arquitecto do Universo, faleceu ontem na sua casa, ao Restelo, a Senhora D. República. A finada era mãe, avó e bisavó de cavalheiros tão distintos como os membros das famílias Soares, Pinto de Sousa, Louçã, Alegre e outros reputados paladinos da ética que lhe herdou o nome - a estimada ética republicana.

Quis o Arquitecto que nos comanda o destino que o decesso se verificasse precisamente no dia em que Portugal comemora as suas glórias e o seu povo pelos quatro cantos do mundo espalhado. Já em Outubro, a extinta perfazeria 100 anos de existência conturbada, em que soube estar sempre à altura de não deixar os nacionais fazerem o que tinham por mais conveniente ao seu bem. Não, a História registará a intransigência sem limites da falecida e de quantos tiveram a felicidade de com ela lidar - além dos acima referidos, os distintos sportmen Afonso Costa, Bernardino Machado, António José de Almeida, António de Oliveira Salazar e tantos outros que, desde ontem não têm cessado de comparecer ao velório, com o sofrimento estampado no rosto e um cravo vermelho na lapela.

Sempre lúcida até ao fim dos seus dias, enfrentou resignadamente a sua doença. E porque nunca virasse a cara ao combate, dispôs-se já no fim da vida a gastar 10 milhões de euros, na esperança de que a Ciência pudesse ainda fazer algo por si. Era já, porém, demasiado tarde.

O funeral realiza-se amanhã,logo à alvorada, com cerimónias fúnebres no salão nobre do Grande Oriente Lusitano, seguindo depois os seus restos mortais para o cemitério do Alto de S. João onde, por vontade expressa da finada, será dada jazida aos seus restos mortais entre as campas do Buiça e do Costa.

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Arca de Noé está na Turquia

por Pedro Quartin Graça, em 28.04.10

Historiadores têm 99,9 por cento de certeza

A arca construída por Noé para proteger um casal de cada espécie de animais aquando do Dilúvio Bíblico, encontrar-se-á no Monte Ararat, na Turquia, segundo um grupo de investigadores chineses. Yang Ving Cing, um historiador chinês, afirmou que foi descoberta perto da fronteira da Turquia com o Irão a 4000 metros de altitude, uma estrutura de madeira que terá cerca de 4800 anos. A embarcação tem muitas divisões que, crêem os investigadores, seriam para os animais. Os investigadores tencionam agora pedir à UNESCO para classificar o local como Património da Humanidade, informou o jornal espanhol ’20 minutos’.

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Seis meses mais perto do socialismo

por José Mendonça da Cruz, em 27.04.10

 

Anteontem a Bolsa caiu 3%, ontem caiu 5%. É um pequeno crash. Parabéns aos socialistas.

 

Na véspera de Sócrates-2 cumprir seis meses de governo, e no dia em que se cumpriram seis meses de governo, os governantes e os eleitores que os reelegeram têm justas razões de celebração. Acabou-se a «economia de casino».

Acabou-se também um meio independente de as empresas se financiarem, mas esse era um meio odioso, o mercado de capitais. Abaixo o mercado de capitais. Vivam os investidores e os devedores que vão bater à porta do ministério das Finanças, que é como deve ser num país socialista. Viva a estatização da economia. Vivam os negócios de bastidores. Viva o Soares, Rui. Vivam os PIN. Parabéns aos Soares, Mário e Vítor Ramalhos desta terra.

Acabou-se, é verdade, a taxação das mais-valias, por falta delas. Mas a taxação das mais-valias era só a anulação da derradeira vantagem da nossa marginalíssima bolsa. Abaixo a bolsa. Abaixo as mais-valias. Não há mais-valias nos paraísos socialistas.

Alerta, eleitores socialistas, que ontem tiveram a confirmação de que em 2009 foram batidos todos os recordes de falências. Alerta para quem tem a culpa. Quem é? Disse ontem a TVi (sem Moniz nem Manuela) que é dos bancos, malfeitores, que deixaram de emprestar para o consumo. Não é da asfixia pelo fisco, nem de desgoverno que pusesse o défice nos 9%, nem da paralisia da justiça, nem da absorção de todos os meios de pagamento por um Estado ávido de receita e perdulário na despesa. Não. A culpa é dos bancos, malfeitores, capitalistas. Abaixo os bancos. Viva o socialismo.

Viva o socialismo. Viva o TGV para os espanhóis irem a Algés a banhos. Viva o terminal de cruzeiros e marina de Matosinhos. Bem diz o camarada Sócrates que assim, sim, assim é que o país está na vanguarda, assim é que se reanima a economia. Vivam os 400 carros comprados pelo Instituto de Emprego. Viva os 6000 euros mensais para a camarada deputada ser cosmopolita em Paris. Vivam os gastos. Viva nós. Abaixo os especuladores.

Vivam os investimentos nas renováveis, que aumentem, que aumentem, como diz o nosso Sócrates. Viva a contracção do investimento nas renováveis, como diz a EDP. No PS há debate interno. Viva o PS.

Abaixo os que nos emprestam dinheiro para pagarmos o que não produzimos. Especuladores. Vampiros. Abaixo a Alemanha capitalista, irresponsável, ré do crime de abandonar gatunos e irresponsáveis à sua sorte.

Viva o senhor Berardo. Viva o CCB, garagem da sua colecção. Viva como o CCB se tornou porta de entrada na arte contemporânea, nas imorredouras palavras do nosso primeiro-ministro. Viva a cultura. Vivam as casinhas. Vivam os diplomas. Vivam os domingos.

Vivam as Scut para empurrar a dívida com a barriga. Vivam as portagens e o fim das Scut para captarmos mais umas massas. Vivam os aeroportos e as estradas. Viva o Metro que deve milhares de milhões e nunca nos pediu nada. Viva o Taguspark. Viva a Caixa. Vivam as greves. Viva o desemprego.

Viva o senhor ministro das Finanças que nunca acertou nem num défice nem numa taxa de crescimento, pior ministro das Finanças da Europa, como o Economist adivinhava há muitos meses, mas que é um valente, não se coíbe de chamar ignorantes aos prémios Nobel que nos atacam. Abaixo os prémios Nobel. Viva o Diário de Notícias. Abaixo os pessimistas. Vivam os bónus nos monopólios públicos. Abaixo as bruxas.

Viva o socialismo. Viva Sócrates e o PS. Viva a incompetência. Viva o dinheiro. Viva a pobreza. 

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Memórias do Portugal respeitado*

por Pedro Quartin Graça, em 27.04.10

Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall. O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão. Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder.

Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal.

Não estava previsto o seu regresso aos EUA. Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo".

Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa. Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo.

O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável. Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos.

Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar – é nada dever a quem quer que seja".

Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas. Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.

 

Estoril, 18 de Abril de 2010

 

* Por Luís Soares de Oliveira

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Longa vida ao Sião!

por Pedro Quartin Graça, em 27.04.10

O reino do Sião era, à chegada dos primeiros portugueses ao sudeste-asiático, em 1511, a mais sólida entidade política e territorial da região. O vácuo de poder deixado pelo eclipse da civilização khmer, que florescera e atingira o apogeu nos século XII a XIV irradiando a partir de Angkor; o lento declínio dos reinos vietnamitas (Dai Viet e Champa ) e a permanente conflitualidade intra-birmanesa, possibilitou aos thai – povo de ascendência mongólica e língua sino-tibetana – a consolidação de uma forte consciência identitária que, a prazo, favoreceria a emergência de uma vasta unidade territorial sediada em Ayuthaia. Situada no centro das vastas e ricas planícies fluviais do Chao Phraya – a que erradamente os ocidentais chamaram de “Menam”, que em língua thai significa rio – a capital do Sião, Ayuthaia (a Odiá das crónicas portuguesas) era, em inícios do século XVI, uma das maiores cidades do mundo. Da riqueza do reino, fortalecida pela unidade étnica, linguística e religiosa, resultaram aquela confiança, auto-estima e fortaleza que caracterizam os siameses e ainda fazem dessa sociedade uma das mais sólidas e perduráveis comunidades políticas existentes no planeta. Quando Fernão Mendes Pinto por aí passou em finais da década de 1550, rendeu-se à magnificência, esplendor e operosidade daquela gente tolerante, farta e “idólatra”. Tão impressionantes eram as demonstrações de força do Sião, que os portugueses procuraram ao longo dos séculos XVI e XVII mantê-lo como interlocutor preferencial na região, se bem que, pontualmente, realizassem fracassadas tentativas de jogar no tabuleiro dos birmaneses, que sofriam de endémicos ciclos de ascensão e fragmentação.

 

In:Os Portugueses e o Oriente (1840 - 1940)

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Um país de suicidas

por Duarte Calvão, em 27.04.10

Já se sabe que não somos a Grécia, mas hoje a nossa Bolsa deu um trambolhão acima dos 5%. Já ontem tinha caído mais de 3%. Parece que a triste realidade começa a impor-se. Mas nem sequer assim ficamos preocupados, preferindo ir vivendo "habitualmente". Razão tinha o presidente checo ao estranhar a nossa calma, a começar pela de Cavaco, enquanto vamos afundando.

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Que tal inscrever umas quantas greves no PEC?

por João Távora, em 27.04.10

 

Se uns quantos serviços públicos se juntarem aos transportes, e a greve se prolongar por mais algum tempo, é garantido que o pessoal adapta-se e resolve-se o num instante o deficit das finanças públicas.

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Foto do dia

por Luísa Correia, em 27.04.10

(Na Praça do Município...)

 

Tinha ouvido dizer que, na operação de «saneamento» das contas da Câmara, o seu actual presidente saldara os débitos municipais com fornecedores transferindo a correspondente despesa para os bancos; e que a situação deficitária da Câmara não sofrera, portanto, qualquer redução, antes se aventando um reforço. Oiço ontem o próprio António Costa, confrontado com tal situação, escamoteá-la, negá-la mesmo, realçando, com vivos encómios, o esforço de pagamento aos ditos fornecedores, incluindo a redução de prazos. Não querendo precipitar-me nos meus juízos, parece-me entrever nas suas palavras toda uma nova «conceptualização» no âmbito das questões clássicas do deve e do haver. «Dívida» passa, nessa nova perspectiva, a ser apenas e só a pequena despesa que se faz com os pequenos fornecedores – assim transformados em pequenos credores -  e que a Câmara tem presentemente liquidada. Já os grandes empréstimos, contraídos junto dos usurários para a liquidação da «dívida», não cabem neste conceito portátil; seja porque são, de facto, grandes demais; seja porque os usurários não são tanto grandes credores, como grandes amigos.

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Devolver a liberdade ao Povo!

por Pedro Quartin Graça, em 27.04.10

 

 

Há discursos que merecem ser atentamente seguidos. Foi o caso do discurso de José-Pedro Aguiar Branco na cerimónia de evocação do 25 de Abril na Assembleia da República. Uma "pedrada no charco" da pasmaceira habitual.

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Quem não se sente...

por João Távora, em 27.04.10

 

Tenho poucas razões para gostar de futebol e menos ainda para ser do Sporting: o verdadeiro amor a um clube, ao contrário do que nos querem impingir alguns betinhos pseudo-intelectuais, pouco deve à razão, tão pouco se fundamenta em atributos técnico-tácticos e menos ainda se inspira em preconceitos heráldicos ou cromáticos. A motivação dum adepto saudável é exclusivamente do foro emocional e prende-se mais a cegas paixões do que a nobres sentimentos: o que seria da competição e dos estádios de futebol sem uma distribuição mais ou menos equitativa pelos fãs de fortes doses de dor de cotovelo ou mais acima na cabeça? Uma tristeza.

Vem toda esta teoria ao caso por causa da ameaça que paira sobre os doridos cotovelos e cabeças de meio Portugal, a conquista do campeonato pelos lampiões que já não há quem os ature. O incauto leitor estará já provavelmente a julgar-me mal: até tenho uma boa capacidade de encaixe, quem vai à guerra dá e leva, e habituado estou eu a causas perdidas, tenho calos de lidar com doses razoáveis de frustração ou outros sentimentos mais rasteiros. O problema é que por baixo da casa onde eu moro está um bar de fervorosos lampiões que há meses vêm ameaçando as fundações do prédio com uma crescente e diabólica euforia e desumana gritaria. Com a ajuda do bom tempo começaram já a organizar grelhados na esplanada, tornando a atmosfera literalmente irrespirável: o palavrão ferve como num estádio e a berraria potenciada pela cerveja entra-nos casa adentro, ameaçando o ambiente de elevação que gostaríamos de manter numa saudável família de bem.
Podem imaginar os prezados leitores como foi a última experiencia do género: uma semana depois de levar com a maralha a festejar aos urros os golos do CSKA de Moscovo na final da taça Uefa, não consegui dormir com a farra que durou a noite inteira a festejar o título alcançado com Trapattoni. Perdi uma festa e ganhei uma ressaca.
Estamos hoje na iminência de mais um grave atentado ambiental. No Sábado passado, enquanto a maltosa exultava sordidamente no estádio da luz e pelas ruas de Lisboa e arredores, graças a um caridoso convite exilei-me em S. Carlos para enobrecer a minha alma perdida com Mozart e as Bodas de Figaro. Mas o caso pia mais neste fim-de-semana, principalmente no Porto onde o Benfica poderá sagrar-se campeão numa inédita e abominável humilhação aos Andrades. Para além dum blackout informativo fácil de empreender, eu ainda não arranjei um desterro condigno que me garanta sossego, não sei ainda como escapar… mas já não me faltam ganas para uma requintada vingança na próxima época.

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Estrabismo* político?

por Rui Crull Tabosa, em 27.04.10

Há uns dias, o PSD apresentou um conjunto de propostas visando reduzir a despesa pública em, pelo menos, 1700 milhões de euros. Coisa pouca, portanto.

O ministro da Economia apressou-se a qualificar as propostas do PSD como "uma mão cheia de nada".

Em clara divergência com Vieira da Silva, veio agora o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, "registar" a vontade expressa pelo PSD "em dar um contributo para o esforço que o País tem de efectuar no sentido de corrigir e baixar o défice".

Pelo meio, o primeiro-ministro queixa-se da "grande agressividade política" contra o Governo...

 

* )

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Foto do dia

por Luísa Correia, em 26.04.10

(Na Rua dos Contrabandistas, à vista do Beco dos Contrabandistas...)

 

… Curiosamente, na «zona de protecção» do Palácio das Necessidades…

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O rapaz distraído e o rapaz cuidadoso

por Rui Crull Tabosa, em 26.04.10

Quando eu era miúdo – e não foi assim há tantos anos –, havia faltas na escola e no liceu. Como é próprio da juventude, eu e a maioria dos meus amigos, fazíamos gazeta quase sempre até ao limite das faltas admitidas. Sabíamos que o excesso de faltas tinha como resultado o 'chumbo' e uma notícia destas não era coisa para levar para casa.
Hoje, parece que há faltas mas já não há 'chumbos' ou, sequer, 'retenções' (palavra assaz bizarra...).
Este governo rousseauniano, optimista, irrealista e apologista do mais medíocre nivelamento social, parece querer agora banir os "chumbos por faltas", substituindo-os por  "medidas de diferenciação pedagógica com o objectivo de promover aprendizagens que não tenham sido realizadas em virtude da falta de assiduidade" (não há pachorra para este eduquês politicamente correcto!).
Quer dizer: as criancinhas faltam o que quiserem para além do limite estabelecido (ainda o haverá?) e, depois, em vez de ficarem no mesmo ano, os professores e as escolas vão ter de se dedicar especialmente a esses cábulas (com óbvio prejuízo para os alunos estudiosos) para os passar a todo o custo, como se estes aprendessem em dias ou semanas o que não estiveram para estudar durante o todo o ano lectivo.
Isto lembra-me a história do rapaz distraído e do rapaz cuidadoso.
 

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