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publicado aqui. resta-me dizer que fiquei extenuado após tão longo título, bem à pedro, com minúscula, bem à f.. aproveito para dizer que acabei há pouco de ler o livro, que tem uma assinatura e uma data, nada mais, e que fiquei desiludido. fez-me pensar, com saudade, nos velhos tempos. falasse-nos o senhor, e esta seria a sua palavra. ámen.
As crónicas da nós são do que melhor se escreve em Portugal. Comprei todas as nós que saíram até hoje – exceptuando a número 15, que infelizmente não consegui porque andava longe e já não a arranjei mais – e em todos os números reforço esta minha convicção. Enfastiado pelas croniquetas previsíveis dos comentadores possíveis, refugio-me, consolado, num bonito ensaio do Miguel Esteves Cardoso sobre o ciúme, num extraordinário texto do Maradona sobre a preguiça ou num outro, sublime, do Rogério Casanova sobre o atrevimento. Há outros cronistas, mais ou menos regulares, mas quando estes aparecem, o meu sábado é uma festa. Normalmente não ligo ao resto da revistinha. Não é que seja má. Apenas não me desperta interesse. As crónicas valem por tudo. É pena que o trivial tenha tão pouca cobertura por cá. E calhando assim nem é mau, que posso ler tudo sem grande custo de oportunidade. Congrats.
«Marcelo, elite; Passos Coelho, popular? É? Então, levem-nos a ambos ao mercado de Benfica, façam-nos entrar por portas opostas e ouçam de que lado vem o banzé».
Quando, esta manhã, eu estava a cortar, rasgar, despedaçar – porém com amor – as hortaliças compradas ontem na praça, com vista a fabricar a sopa que há-de servir de base ao regime que há-de tornar-me esbelto & saudável, achei nas minhas mãos um nabo, um singelo nabinho roxo e branco, que fez luz no meu espírito. Ele não há criança que goste de nabo; é para evitar que ela tenha de comê-lo, em casa da madrinha, que se lhe ensina a fórmula, entre todas ridícula, do “não aprecio”; mais: aos maljeitosos e desengonçados, chamam os infantes “nabos” – o que, por juntar o insulto à injúria, dá bem a medida do desprezo infantil pelo nobre vegetal. E no entanto… no entanto, também não conheço paladar adulto, maduro, educado, que não “aprecie” nabo – ou seja, no rude português que deve ser o nosso, não goste de nabo. O amor do nabo é pois um privilégio da idade, a nossa vingança sobre o triunfalismo vital das criancinhas ignaras. Não nos iludamos: seres para a morte que somos, todos preferiríamos lá no fundo estar no lugar delas, com as avenidas da vida abertas pela frente, do que pensar que o bolo estava bom, mas já comemos dele mais de metade, ou de dois terços, ou de três quartos…; agora o que só nós podemos ter e elas não, é a compreensão fina e superior do encanto do nabo, cozido, estufado, enfim, amado, por todas as pessoas de bom gosto.
(publicado também aqui).
Evangelho segundo São Mateus 5, 1-12
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os humildes,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,
vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai,
porque é grande nos Céus a vossa recompensa»
Da Bíblia Sagrada
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