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A mão que embala a mística

por António Figueira, em 29.10.09

Verdadeiramente obcecados com o fenómeno alienante da política, os portugueses pouco ligam a coisas sérias como o futebol. E é pena: em vez de gastarem dinheiro em jornais e revistas de politiquice, deviam era ler os jornais desportivos, e em especial os clubistas, que são aqueles que melhor formam os carácteres e ensinam o que realmente interessa na vida. Entre a variegada imprensa dos nossos clubes, tenho uma particular predilecção pelo jornal do Benfica, tanto pelo arrojo estilístico como pela riqueza da informação: o número datado de 30 de Outubro de 2009 (amanhã, portanto), abre por exemplo com este título sumptuoso: "A mão que embala a mística" e inclui no interior uma circunstanciada reportagem sobre a mais que provável compra pelo polvo portista da Champions League da época 2003-2004. As fontes de "O Benfica" são tanto a análise das arbitragens nacionais e estrangeiras do FCP nessa época (que os detentores da Taça Lucílio Baptista 2008-2009 descrevem com sentido nojo e grande elevação desportiva) como escutas telefónicas a que teve acesso e permitem nomeadamente saber que Terjeh Hauer, o árbitro norueguês que apitou o Porto-Lyon disputado em 23 de Março de 2004, não só foi brindado com a tradicional "fruta", que os dirigentes portistas sempre oferecem aos juízes forasteiros, como teve direito, nas palavras de um dos seus homens de mão, a "risco ao meio e tudo" (sic). Será possível que os portugueses, obnubilados agora com as minudências do governo Sócrates II, continuem a ignorar estes monumentos da prosa e dos bons costumes que teimosamente se vão erguendo, semana após semana, ao seu lado?!

Crónica mundana

por João Távora, em 29.10.09

 

Sou um homem vulgar daqueles que com demasiada facilidade se maravilha com a beleza de uma mulher. Apenas o meu "estatuto" e a noção de ridículo me impedem de tropeçar enlevado com alguma carinha laroca que se cruze no meu caminho. Digo “carinha laroca” porque, ao contrário do que possa parecer, é pelo charme e beleza da sua cara que uma mulher verdadeiramente seduz. Admito que há atributos mais berrantes, mas após um impacto imediato, sem a uma verdadeira Graça, rapidamente se esvaziam (salvo seja).

Tudo isto para dizer que me desgosta o aspecto daquelas mulheres que se escondem atrás de betumes coloridos com que se entretêm feitas Paulas Regos nas filas de trânsito. Responder-me-ão que uma maquilhagem bem feita, mal se nota. Esse argumento apenas vem reforçar a minha tese: se é para não se notar, para quê mascarar?

Por influência das séries juvenis norte-americanas até a minha filha de oito anos anseia por cremes e pinturas. Ando a tentar convencê-la de que ela é uma privilegiada, que não estrague a sua pele imaculada.  

Enfim, na minha modesta opinião, uma cara bonita é uma cara bonita, com as suas marcas de expressão, com sombras e acidentes de percurso até chegar aos olhos onde só um verdadeiro brilho, reflectido por uma alma feliz, pode impressionar o mais empedernido príncipe. A mim parece-me que o resto da traquitana é mero placebo de outras maleitas, ou então um simples entretenimento para engarrafamentos de trânsito, ou atrasar um jantar ou uma cerimónia qualquer. Palavra de admirador. 

Passado presente (III)

por Tiago Moreira Ramalho, em 29.10.09

«Os grandes partidos alteram a sociedade, os pequenos agitam-na; uns despedaçam-na e os outros corrompem-na; os primeiros salvam-na, algumas vezes abalando-a, os segundos perturbam-na sempre sem proveito.»

 

Alexis de Tocqueville, Da Democracia na América

Costumes

por Tiago Moreira Ramalho, em 29.10.09

Pedro Passos Coelho apresentou-se há um ano como «liberal». Os outros que vão à frente, não vá haver minas, apresentam-no como liberal. Eu até acreditei que Passos Coelho fosse liberal. Defendia a privatização da CGD e tal. Mas Pedro Passos Coelho deu uma entrevista. E as entrevistas são tramadas. Nos primeiros cinco minutos, conseguiu dizer que era a favor de um Estado Social forte, redistributivo e que achava que era preciso o país criar riqueza e que o governo tinha de proporcionar isso. Enfim, as acostumadas ideias dos acostumados incumbentes. Enquanto a caravana passa, continuarei a ler Tocqueville.

Ó da guarda!

por Tiago Moreira Ramalho, em 29.10.09

A Eugénia de Vasconcellos acabou de perpetrar um crime hediondo. Fechou um dos mais bem escritos blogues cá da terra. Alguém que a prenda.

Estranhos tempos

por João Távora, em 29.10.09

A minha mulher foi ontem chamada à pressa ao colégio porque o nosso petiz de dois anos estava (pela enésima vez na sua curta existência) com febre e tosse. Foi encontrá-lo na “sala de isolamento” acompanhado por uma auxiliar de máscara na cara. Este cenário parece-me no mínimo cómico, oriundo dum local, um colégio infantil, que por natureza é um foco das mais variadas moléstias que frequentemente os bebés contagiam uns aos outros. Confesso que a mim parecem-me estranhas estas “distracções”, com que anafadamente nos alimentamos nos dias de hoje. 

Ele há gaffes com piada, não há?

por Alexandra Carreira, em 29.10.09

Sócrates e a Checoslováquia, do Daniel Rosário no Correio Preto.

Honestamente, chamar-lhe "gaffe" é, no mínimo, ser muito simpático...

Pequeninos, pequeninos

por Alexandra Carreira, em 29.10.09

Estamos a cerca de duas horas do início da cimeira de líderes da União Europeia. Da agenda oficial não faz parte a questão institucional que diz respeito à atribuição de cargos como o de presidente permanente do Conselho Europeu e do Alto Representante para os Assuntos Externos e Política de Segurança. Ainda assim, entre jornalistas e alguns meios diplomáticos, a candidatura de Tony Blair parece ser já carta de fora do baralho. Pela parte que me toca, nada mais justo. Não ouvi nenhum argumento a favor de Blair que pague o sapo que teria de engolir se este senhor fosse distinguido com tal promoção, o de se tornar no primeiro presidente da União Europeia.

Muitos desses argumentos, utilizados por políticos, diplomatas, etc, aludiam quase sempre ao facto de Blair ser uma figura internacional, de poder dar-se ao luxo de falar de igual para igual com os Estados Unidos da América, de ter carisma. Sinceramente, isto parece-me um chorrilho de disparates que só mostram a muito, muito, pouca ambição que algumas pessoas têm para a Europa.

Tony Blair é conhecido mundialmente - verdade, mas talvez não pelos melhores motivos. É preciso não esquecer que o ex-primeiro-ministro britânico esteve directamente envolvido na manipulação de factos que levaram à invasão do Iraque em 2003. A isto Blair ficará para sempre associado. Além de que representa uma era em que a Europa se partiu em dois e Blair escolheu o lado errado do Atlântico. Também por isto, não acredito que Blair consiga hoje falar de igual para igual com Obama da forma que fazia com Bush.  

Acima de tudo, seria uma vergonha que os líderes europeus se decidissem por Blair pela sua popularidade e carisma. Que fez Blair em favor da Europa enquanto foi primeiro-ministro? Que legado deixa Blair como Enviado do Quarteto para a Paz no Médio Oriente? Quais são os méritos de Blair, na realidade??! É que por alguma razão as listas de argumentos contra o referido candidato são bem mais extensas do que as a favor.

Passado presente (II)

por Tiago Moreira Ramalho, em 29.10.09

«De qualquer modo, chegam épocas em que as transformações que se operam na constituição política e no estado social dos povos são tão lentas e tão insensíveis, que os homens pensam ter chegado a um estado final(...).

É o tempo das intrigas e dos pequenos partidos.

O que eu denomino como grandes partidos políticos são os que se ligam mais aos princípios que às suas consequências, às generalidades e não aos casos particulares, às ideias e não aos homens. Estes partidos têm em geral traços mais nobres, paixões mais generosas, convicções mais reais, um comportamento mais franco e mais audacioso do que outros. O interesse particular que tem sempre o papel mais importante nas paixões políticas, esconde-se aqui mais habilmente sob a aparência do interesse público; ele chega mesmo algumas vezes a ocultar-se dos olhares dos que anima e faz agir.

Os partidos pequenos, ao contrário, não têm em geral crença política. Como não se sentem elevados e sustidos por grandes fins, o seu carácter tem gravado um egoísmo que se repercute ostensivamente a cada um dos seus actos. Exaltam-se sempre a frio; a sua linguagem é violenta, mas a sua caminhada é timida e incerta. Os meios que empregam são miseráveis, assim como o próprio objectivo a que se propõem.»

 

Alexis de Tocqueville, Da Democracia na América

Reflexão

por Luís Naves, em 29.10.09

O que estava neste post passou para aqui

Grande Entrevista de hoje

por José Aguiar, em 29.10.09

Com um novo Governo e tantos novos Ministros, só um e um motivo apenas levará Paulo Rangel a ir à RTP. Só o futuro do maior partido da oposição importa mais do que os tantos novos Ministros que irão preencher a programação da Grande Entrevista durante umas boas semanas.

 

Concordo com o Pedro Correia. Até porque a eleição de Pedro Passos Coelho deve ser disputada. Uma eleição albanesa não interessa ao PSD e muito menos ao país.

 

(Quanto à forma, diria que Rangel seria mais de primeiro anunciar ao partido e só depois ao País. Serão os novos óculos um sinal de novos e arejados olhares sobre a política?).

Discos da minha vida – 52

por João Távora, em 29.10.09

 

 

Goodbye Yellow Brick Road

Elton John

MCA Records- 1973

Obrigado

por Tiago Moreira Ramalho, em 28.10.09

«Na América, o povo nomeia os que fazem as leis e os que as executam; ele próprio constitui o Júri e pune as infracções à lei.»

Alexis de Tocqueville

 

Vi há pouco na televisão um caso que me deixou embasbacado. Sinceramente. Ainda há coisas surpreendentes. Vou tentar relatar a coisa, de memória, e do que me foi dito pela jornalista.
Aconteceu que uma senhora proprietária de uma casa para arrendamento, tendo um terreno para construção ao lado da dita casa, decidiu construir nova casa. Ó gente empreendedora que escasseia desde os navegadores. Lá fez a casinha, a senhora, muito feliz por poder ter mais um rendimento. Eis se não quando a inquilina da casa que já havia mete uma queixa no tribunal por achar que devia ter uma passagem de 89 centímetros, salvo erro, entre uma casa e outra. Isto já de si é, para mim, fenomenal. Mas o que veio a seguir é ainda melhor. O tribunal de primeira instância disse que a inquilina não tinha razão. Porque tinha outras passagens, que pelos vistos até eram melhores e tudo, e que não havia fundamento para se demolir a casa recém-construída à conta de 89 centímetros. A inquilina não se ficou e recorreu da decisão. Após recurso houve um tribunal deste país que lhe deu razão. O resultado? A proprietária vai ter de demolir a casa recém-construída até dia 13 de Novembro.
Tentando negociar, a dona da casa fez propostas à inquilina para que ela retirasse a queixa. Várias. Das que me lembro, havia qualquer coisa de nunca mais pagar renda ou receber uns milhares de euros mais isenção de renda durante 15 anos. Enfim, umas negociações que parecem completamente ridículas. O mais extraordinário é que a inquilina rejeitou as propostas todas e exigiu 40 000€ para além de nunca mais pagar renda na vida. A dona da casa recusou.
Com tudo isto, uma pessoa vai demolir uma casa que ainda está a pagar, apenas porque em Portugal tudo funciona ao contrário. Obrigado partidos que me escuso a referir. Obrigado deputados que me escuso a nomear. Obrigado tribunais que não valem um chavelho. Obrigado. Por mim, pela senhora e pelos outros todos.
 

Daniel Hannan

por Tiago Moreira Ramalho, em 28.10.09

 

Discos da minha vida – 51

por João Távora, em 28.10.09

 

 

O Regresso da Pantera Cor de Rosa

Banda Sonora do Filme

Henry Mancini

RCA - 1975

Passado presente

por Tiago Moreira Ramalho, em 28.10.09

«(...) pelo concurso de estranhos acontecimentos, a religião encontra-se alistada de momento precisamente no centro dos poderes que a Democracia derruba, e acontece-lhe muitas vezes repelir a igualdade que ama, e maldizer a liberdade como se se tratasse de um adversário, ao passo que se a tomasse pela mão, poderia santificar aí os seus esforços.»

 

Alexis de Tocqueville, Da Democracia na América

Desapontamento cor-de-rosa

por João Távora, em 28.10.09

 

Num impulso nostálgico e a pensar na “cultura” das minhas criancinhas pus-me a coleccionar os DVDs da  Pantera Cor-de-Rosa de Friz Freleng que sai aos sábados com o Público. Na minha memória eu guardava o fascínio do personagem principal, a divertida banda sonora de Henry Mancini, os cenários geométricos em esquiço de cores garridas, e o sentido de humor da série delirantemente sarcástico. Não podia eu imaginar o nefasto efeito de indigestão causado pela visualização de inúmeros episódios seguidos, da repetição exaustiva do tema musical, da receita do humor sempre igual e dos os invariáveis e minimais grafismos: ao terceiro episódio, todo encanto e graça da Pantera, mesmo sendo Cor-de-rosa, esvaíra-se totalmente, e as minhas crianças olhavam para mim de soslaio insinuando uma imensa “seca”. Talvez pouco convincente, ainda lhes expliquei que antigamente era uma Graça caída dos céus, quando o canal único de televisão exibia um episódio avulso e acidental, entre um programa de agricultura e um telejornal chatíssimo sem facadas ou inconfidências da vida real. Não entenderam e voltaram insolentes para os seus computadores pessoais trocar mensagens, ficheiros mp3 e clips do youtube enfim, a interagir com o mundo. 

 

Mais um impasse no PSD

por Pedro Correia, em 27.10.09

Comentado aqui.

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Menezes ou o Optimismo

por Tiago Moreira Ramalho, em 27.10.09

O sr. Menezes até tem tido umas declarações interessantes. No outro dia ouvi-o dizer que o PSD tinha de se assumir como um partido liberal na economia e tudo. Mas nada é eterno, digo-vos eu. E provo tal teoria geral com a última tirada do personagem. Diz o sr. Menezes que se não tivesse saído da liderança do PSD, poderia estar agora a formar governo. Que engraçado é o sr. Menezes, mais as suas ideias do outro mundo.

É ajudar os animaizinhos, sff.

por Tiago Moreira Ramalho, em 27.10.09

 

Se tiverem dúvidas, podem confirmar que é coisa séria aqui.




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