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Emoções básicas (54)

por Luís Naves, em 25.04.09

Uma memória pessoal

Ainda não tinha 13 anos a 25 de Abril de 1974 e a minha visão daquilo que se seguiu é uma mancha confusa de alterações caóticas e em catadupa. Lembro-me do medo de que a situação política descambasse em guerra civil, e talvez os historiadores do futuro, que possam estudar o período de forma distanciada, concluam que não andámos longe disso. Lembro-me da preocupação dos meus pais e sei que a minha família empobreceu. E, no entanto, tudo mudou naqueles dois anos, sobretudo na maneira como pensávamos. Terá sido o meu ponto de vista adolescente ou foi o rolo compressor da História?

 

Exercício de imaginação

Pode ser fútil fazer exercícios de imaginação, mas não creio que a minha vida tivesse sido muito melhor se o golpe militar falhasse ou se Portugal se tivesse transformado numa ditadura comunista, ou mesmo se o regime anterior conseguisse uma transição gradual, como aconteceu noutras ditaduras na Europa.

Um triunfo comunista tinha sido uma catástrofe sangrenta e o novo regime não teria passado de 1990. O fracasso do golpe militar implicava a continuação da guerra colonial e o isolamento do país, incapaz de se democratizar. O endurecimento da ditadura era forçoso e não vejo como podia ser evitada a derrota nas colónias. A transição progressiva podia funcionar, mas os processos graduais também têm defeitos e são lentos; penso que essa solução não teria permitido um leque tão grande de liberdades, mantendo crispações que a história factual eliminou.

 

Os costumes

Passados 35 anos, com a profissão de jornalista, ouvi muitas histórias, para mim quase incompreensíveis, de como a censura cortava notícias que hoje pareceriam inócuas. Só pela liberdade de Imprensa valeu a pena. Mas houve mudanças tremendas nos costumes. A nossa sociedade é hoje muito mais liberal do que a anterior. Ainda me lembro de como era difícil a vida das mulheres no antigo regime e atrevo-me a afirmar: a maior transformação deu-se no plano da liberdade das mulheres (divórcio, acesso a educação, contracepção, união de facto, participação política, poder económico). Desse ponto de vista, o que se seguiu ao 25 de Abril foi uma aceleração ou uma convergência muito rápida com o resto da Europa; o que levara duas gerações a fazer nos outros países levou aqui menos de uma geração.

Os discursos oficiais sobre os dois anos de revolução geralmente não incluem o lado mau, sobretudo o trauma da descolonização, que foi uma tragédia para centenas de milhares de pessoas. O país foi também tomado por uma febre política que destruiu muitas carreiras e permitiu revanchismos e oportunistas. Houve episódios que hoje nos espantam, pelo seu radicalismo, e Portugal foi também palco secundário do conflito entre as superpotências. O facto de pertencermos à NATO foi um elemento decisivo, que garantiu a estabilidade do novo regime político.

 

A Europa

Numa futura interpretação do período entre 1974 e 2000, talvez os observadores descomprometidos concluam que o facto histórico mais importante foi a democracia ter permitido a adesão portuguesa à comunidade europeia. Isto garantiu definitivamente a longevidade da terceira república, permitindo a sua prosperidade relativa. Recebemos subsídios em quantidades maciças (estão garantidos pelo menos 25 anos, mas podemos conseguir mais de 30) e acima de tudo adoptámos leis modernas e regras democráticas rigorosas. Temos uma moeda única que nos protege das turbulências financeiras externas, apesar de não conseguirmos cumprir as regras desse espaço monetário (e isso terá de mudar). No fundo, a integração europeia foi o nosso seguro contra todos os riscos.

Há nuvens no horizonte? Claro que há. A nossa economia continua a ser frágil e a sociedade possui grandes desigualdades, que geram injustiças gritantes. O país está em crise desde 2001 e o sistema político parece paralisado com o agravamento diário da situação económica. Nesse sentido, concordo com quem afirma que as maiorias absolutas se revelaram perigosas. A democracia portuguesa tem de saber dar o salto qualitativo e criar a sabedoria negocial dos governos de coligação. Os portugueses confiam pouco nos partidos e esse problema exige patriotismo, renovação das lideranças e bom senso. Seremos mais europeus, é esse o futuro, mas não podemos continuar na mediocridade, pois a Europa é também mais exigência.    

 

Emoções básicas (53)

por Luís Naves, em 24.04.09

Ah, o passado do futuro!

Leonor Barros, no sempre excelente Delito de Opinião, lembra a série de televisão Espaço 1999. Infelizmente, o post não comenta essa memória (ficamos sem saber a opinião da autora) e lembrei-me de escrever qualquer coisa sobre este tema feliz.

Como muitos recordam, Espaço 1999 contava as aventuras da tripulação de uma base lunar após a Lua ser ejectada da órbita terrestre por um acidente. Transformada em gigantesca nave espacial descontrolada, a Lua perdia-se no espaço, evitando colidir com estrelas, enquanto os protagonistas procuravam em cada oportunidade encontrar um planeta onde pudessem sobreviver.

A parte mais curiosa desta série italiano-britânica dos anos 70 era o facto de só haver perigos no exterior. Em cada episódio, os náufragos à deriva enfrentavam uma qualquer ameaça alienígena, que lhes iria restringir as liberdades ou transformá-los em saborosa comida.

A série ignorava alegremente as impossibilidades científicas da história básica, mas o pressuposto permitia o aparecimento de uma colorida galeria de visitantes cheios de surpresas (muitos humanóides e versados em inglês, naturalmente), num rosário de mal-entendidos galácticos, referências mitológicas e reflexões filosóficas sobre a existência de Deus e a pequenez do Homem.

Espaço 1999 era um hino à imaginação, que oscilava entre a aventura delirante, o politicamente correcto da época e uns pozinhos de soft horror. Também recordo as cores berrantes e as máquinas engraçadíssimas (que até talvez voassem) ou os uniformes com calças à boca-de-sino. O comandante Koenig era um imbatível, talvez o maior destruidor involuntário de civilizações extraterrestres na história da televisão.  

 

É suposto, não é

por Tiago Moreira Ramalho, em 24.04.09

No dia 24 de Abril, tal como quatro meses antes, é suposto que um blogger que se preze escreva um texto bonito. É, é suposto. Eu, desgraçado de mim, não consigo. E não consigo por um motivo muito simples: não sei o que foi o 25 de Abril.

Já li nos livros, já li na rede, já vi na televisão, já ouvi nas reuniões familiares, já vi os filmes, passei a vida a aprender Abril e, por mais que me digam, que me contem, que me expliquem, continuo sem sabê-lo, mesmo tendo mais informação que muitos dos que já por cá andavam na madrugada do dia 25 de Abril de 1974. E nunca o saberei. Nunca o saberei porque há coisas que não se aprendem nos livros, na rede, na televisão, nos filmes, nem nas reuniões familiares. Há coisas que só se aprendem vivendo. E eu, para felicidade minha, não vivi Abril. Felicidade, porque vivê-lo significaria ter passado por tudo aquilo que quem o viveu passou. Ter uma vida, seria vida?, miserável em que escrever num qualquer lugar que a nossa vida era miserável era crime. Viver, seria viver?, com medo de dar um passo e ser apanhado a fazer coisa nenhuma e condenado à prisão por ter nascido numa terra estranha, numa época estranha. Sentir tudo aquilo e calar, a bem dos brandos costumes e a mal do futuro que me esperasse.

É, não sei o que foi Abril. E não sei o que sinto, se confusão se pena, em relação àqueles que, não tendo vivido Abril, querem voltar ao país de Março. Se querem aquela merda para vocês e para os vossos filhos, mes frères, tratem de comprar uma ilha e fazer o festim bem longe.

Não sei o que foi Abril, mas há uma coisas que sei: sabe bem não conseguir escrever sobre o que Abril foi.

Navegações

por Luís Naves, em 24.04.09

À medida que o ambiente político fica mais crispado, torna-se difícil encontrar textos verdadeiramente interessantes escritos pelos protagonistas das eleições. De qualquer forma, há excepções e julgo útil fazer um passeio por blogues onde têm a palavra autores que são dirigentes partidários ou mesmo candidatos.

É o caso de Laurinda Alves, aqui e aqui. Seria bom que esta candidata tivesse mais acesso à opinião pública, mas as regras não favorecem os muito pequenos, como o Movimento Esperança Portugal (MEP).

Em Quarta República, encontrei este notável texto de Tavares Moreira, dirigente social-democrata. Também da área do PSD, gosto deste blogue, Europa das Ideias.

Destaque ainda para o excelente Rui Tavares, candidato às europeias pelo Bloco de Esquerda. Seria um óptimo eleito. Neste novo blogue, Tavares linca um artigo do Guardian sobre desigualdades, onde Portugal surge na pior situação europeia. Sim, o país europeu mais desigual em riqueza. Esta será uma das principais origens dos nossos problemas sociais, cujo agravamento só pode levar às piores consequências. Veja-se a posição da Espanha nos gráficos: este é talvez o maior fracasso do 25 de Abril.

Menos bom foi o que li em Causa Nossa, em posts da autoria de Ana Gomes. Aqui e aqui. Não se percebe o tom do primeiro post, pois a uma crítica política legítima responde-se num tom que eu consideraria ofensivo, se fosse comigo. É arrogância do poder, falta de chá ou uma forma muito peculiar de andar aos papéis? E, em relação ao segundo post, um comentário: será que o PS não tem renovação nas suas listas? Não haverá ninguém inexperiente a ser eleito? Já ouço a resposta: Vital Moreira leu os livros suficientes para conhecer todos os cantos à casa.

 

Sexta-feira

por Tiago Moreira Ramalho, em 24.04.09
 

Gisele Bündchen

Grandes títulos

por Tiago Moreira Ramalho, em 24.04.09

António Costa sem medo do «lobo mau»

A nossa Europa (4)

por Luís Naves, em 23.04.09

As eleições

Dediquei os posts anteriores a tentar explicar as limitações da União Europeia e o aspecto perverso das elevadas expectativas sobre os seus poderes, nunca concretizadas, produzirem cinismo na opinião pública. Ao ler alguns autores nos jornais, podia concluir que a UE tem poderes para resolver a crise económica internacional e que só não o faz por haver lideranças incapazes. É talvez o mito mais forte em Portugal e voltaremos ao tema. Serve esta longa crónica para contrariar outra ideia feita, segundo a qual estas eleições não interessam. Tenho consciência da aparente contradição: por um lado, escrevo que a UE possui limitações e que as expectativas são demasiado elevadas; por outro lado, as eleições europeias têm importância política. Ora, explique-se lá, Luís Naves.

 

Ligação directa

As eleições europeias são a única ligação directa que existe entre os eleitores e a União. Os chefes de Governo eleitos também representam os eleitores no conselho (que funciona quase como uma espécie de senado ou câmara alta do parlamento), mas a ligação ao voto é indirecta, pois estes líderes foram eleitos em legislativas. Bastaria este facto para dar grande relevância às eleições de Junho. No entanto, esta é também uma oportunidade para muitos eleitores se pronunciarem sobre as políticas internas sem o risco de causarem crises. Falo sobretudo das pequenas franjas. Nos casos de Portugal e da Alemanha, havendo legislativas logo a seguir, o que está em jogo é ainda mais importante.

Mesmo com abstenção histórica (digamos, 50%), o número de votos será mais elevado do que nas eleições americanas, ou seja, quase 200 milhões de votos. Infelizmente, aqui, haverá um somatório de 27 eleições nacionais e a comunicação social estará pouco interessada em ir além da leitura nacional do país em causa. Existe outro problema: os deputados não serão todos iguais e isso é raramente explicado.

 

Equilíbrio

O Parlamento Europeu tem várias funções, a mais importante das quais é a de participar na elaboração das leis produzidas pela UE. Estamos a falar de dois terços das leis que Portugal adopta e onde o parlamento tem uma palavra decisiva. Mas para participar nos trabalhos relevantes, o eurodeputado terá de pertencer ao grupo parlamentar de um partido europeu. Um exemplo: CDS e PSD estão no Partido Popular Europeu (PPE), em duas das facções; um deles terá mais elementos e, portanto, consegue colocar com maior facilidade os seus membros nas comissões relevantes. Este facto não tinha importância, pois nas anteriores eleições os dois partidos concorreram em lista conjunta, algo que não farão agora.

Em resumo, no plano estrito do interesse nacional, há vantagem em votar nos dois maiores partidos, pois socialistas e social-democratas estarão nos dois grupos mais fortes. Uma das perguntas que os eleitores não deviam deixar de fazer era sobre o partido europeu em que determinada lista tenciona integrar-se depois das eleições. O caso do Bloco de Esquerda é exemplar, pois está no grupo comunista, com os eleitos da CDU. Então, porque não uma lista conjunta? E porque razão os eleitos do BE não aderem ao grupo europeu dos verdes, que é da mesma dimensão?

No Parlamento Europeu, o PPE e o seu congénere socialista (PSE) são as duas forças mais importantes, respectivamente com 288 e 217 deputados seguindo-se os liberais, com 100. Em princípio, a vitória estará ao alcance do PPE, apesar do Partido Conservador Britânico ameaçar sair, pretendendo formar um grupo autónomo, mais eurocéptico, o que lhe reduzirá a influência política geral. Mesmo que isso aconteça, o PEE é o favorito. E o CDS, acompanha os conservadores britânicos, se eles saírem do PPE?

 

Leituras

A leitura europeia dos resultados costuma ser esquecida em Portugal, mas penso que desta vez haverá várias perguntas cuja resposta será importante, levando em conta o somatório das 27 eleições. Até que ponto vai crescer a extrema-direita? Como se vão comportar os partidos populistas anti-europeus? O que nos dirá o resultado irlandês sobre as hipóteses do Tratado de Lisboa? Quantas lideranças vão perder? E os derrotados serão mais socialistas ou mais conservadores? E qual a influência da crise nesta votação?

Nas leituras nacionais dos resultados, penso que a oposição pode subir muito em Espanha e Portugal, que os líderes do quarteto (Brown, Berlusconi, Sarkozy e Merkel) vão todos vencer a respectiva eleição e que haverá grandes perturbações em alguns países do leste. Na Hungria, por exemplo, a oposição conservadora surge com dois terços nas sondagens, o que deve ter algum tipo de consequências. Eleições antecipadas ou tumultos?

 

Folclore

Há entre nós certa tendência para se falar mais no folclore, embora ele seja redutor: fala-se mais no Partido Pirata sueco, nas candidatas de Berlusconi (a actriz Barbara Matera ilustra muitíssimo bem este post); e a propósito alguém sabe o que aconteceu aos bebedores de cerveja polacos?. A UE não tem poderes para resolver os nossos problemas e as grandes decisões continuam nas mãos dos chefes de Governo sentados à volta do conselho. No entanto, o Parlamento Europeu faz o seu caminho democrático, ganha espaço e aumenta a influência neste sistema. O reforço dos seus poderes é, para mim, uma razão muito forte para se apoiar o Tratado de Lisboa.

 

[O parlamento tem 785 deputados, mas após estas eleições terá apenas 736, que subirão para 751 após a ratificação do Tratado de Lisboa].

 

Palavras que odeio (257)

por Pedro Correia, em 23.04.09

Neutropenia

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`Quanta Terra´

por Filipa Martins, em 22.04.09

Depois do Brasil, Cabo Verde, Malaca, Ormuz, Ilha de Moçambique, Macau e Goa... Pré-Lançamento de 'Quanta Terra - Romance Oficial 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo' (Quinta-feira, 23 de Abril, 21h30, na abertura na nova Ler Devagar no LXFactory). Conto convosco.

 

Sobre a escolaridade obrigatória

por Tiago Moreira Ramalho, em 22.04.09

É perfeitamente aceitável que uma sociedade imponha que os seus jovens tenham um determinado grau de educação. Os jovens não são independentes, as suas vidas dependem da vontade das suas famílias e se existe um consenso quanto à importância dos estudos, então todos os jovens devem tê-los, tal como têm alimentação.

No entanto, considero o alargamento do ensino obrigatório para os 18 anos extremamente incoerente. No nosso país, a partir dos 16 anos é possível trabalhar e ser responsabilizado pelos actos cometidos. Ora, o grau de responsabilização que a sociedade dá a um jovem de 16 anos é incompatível com este paternalismo que exige que esse mesmo jovem tenha de estudar. Das duas, uma: ou bem que consideramos que os jovens são irresponsáveis até aos 18 anos e ilegalizamos o trabalho abaixo desta idade e deixamos de os poder responsabilizar pelos actos cometidos, ou tomamos consciência que com 16 anos um jovem já pode, aliás deve, ter um grau de responsabilidade suficiente para que, juntamente com as famílias e a escola, possa decidir quanto à escolaridade que quer ter. Doutores à força não desenvolvem um país. No máximo dão maus primeiros-ministros.

A nossa Europa (3)

por Luís Naves, em 22.04.09

O futuro da Europa parece definido por duas posições competitivas. De um lado, os defensores de uma união que forme um vasto mercado único, o maior possível, mas pouco integrado. O grupo não tem nome, mas podemos chamar-lhe ‘soberanistas’. O segundo núcleo é o dos chamados ‘federalistas’, palavra que entre nós tem conotação negativa, mas que segundo o mito nativo é o dominante na UE.

A integração económica implica reduções de soberania mal aceites pela opinião pública. Alguns exemplos: o orçamento comunitário é pequeno (1% do PIB) e complicado ao nível das receitas, mas dificilmente os eleitores dos países ricos aceitam modificá-lo; a harmonização fiscal faz sentido num espaço de moeda única, mas o assunto é anátema; segundo os tratados, devia existir um mercado único de serviços, mas ele não existe e as “Constituições” podem cair por causa do assunto (lembram-se do canalizador polaco, na foto?); as diferentes regras de segurança social são um entrave à livre circulação de trabalhadores, mas é impossível obter uma harmonização; seria lógico um orçamento de 5% do PIB obtido através de um simples imposto europeu, mas o tema é poesia pura; e nem é preciso mencionar a hipótese de regras iguais para todos nas pensões de reforma (se existe livre circulação, porque é que uma pessoa que trabalhou cinco anos noutro país tem de ser prejudicada?)

 A UE não possui políticas comuns na cultura, na educação, no ambiente, embora as questões sejam transversais; não prevê referendos europeus e mesmo as eleições europeias são um somatório de eleições nacionais. A maior fatia do dinheiro é gasta na única política comum com verdadeira dimensão: a agricultura e pescas, que serve uma minoria. Os partidos podiam concorrer nas suas formações europeias e podia haver listas multinacionais, mas esta perspectiva horroriza os políticos; o Tratado de Lisboa seria aprovado num referendo global, mas isso não irá acontecer nem com o tratado seguinte ao de Lisboa. E quando se fala em exército europeu ou diplomacia europeia, há um sopro de escândalo, embora fosse a única forma de poupar dinheiro e ter uma defesa e política externa eficazes.

Enfim, os soberanistas são os mais fortes na Europa e são eles que a definem. Na realidade, a UE forma um vasto espaço económico em alargamento e os federalistas nem sequer existem, embora entre nós a palavra seja usada para arrasar os argumentos de alguém que defenda mais integração.

 

  

 

Uma perguntinha inocente

por Bruno Pires, em 22.04.09

Porque razão José Sócrates, na entrevista que deu à RTP, conseguiu fazer-me lembrar, à velocidade de uma vez por minuto, que Judite Sousa é casada com um dirigente do PSD?

O Caderno tornado livro

por Tiago Moreira Ramalho, em 21.04.09

Os textos que José Saramago publicou ao longo dos últimos meses no seu blogue O Caderno de Saramago foram agora reunidos, arrumados e transformados em livro. O Caderno foi editado pela Caminho e pela Fundação José Saramago e estará à venda a partir de dia 23 de Abril, próxima quinta-feira.

 

Informação e imagem colhidas no excelente blogue da revista Ler.

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Confusões

por Tiago Moreira Ramalho, em 21.04.09

O Pedro Adão e Silva mistura um pouco as coisas neste seu texto.

Vou tentar ser sintético porque é a melhor forma de não causar confusão. Uma coisa é um indivíduo ter a sua vida normal e ver a sua conta devassada (o que não acontece propriamente com esta proposta) por alguém sem qualquer autoridade judicial para tal. Outra coisa completamente diferente é uma pessoa em dificuldades pedir apoio ao Estado. Ora, se alguém pede um subsídio, o mínimo que se pode exigir é que prove que o necessita. Para além disso, uma pessoa em dificuldades que não queira a sua conta investigada pode sempre optar por não pedir o apoio, ao contrário do comum mortal-cidadão que não pode escolher se quer a sua conta investigada ou não. Indignação selectiva, não. É apenas tratar coisas diferentes como coisas diferentes e não everedar por uma via demagógica de meter tudo no mesmo saco.

A nossa Europa (2)

por Luís Naves, em 21.04.09

A União Europeia desenvolveu um sistema de equilíbrio de poder entre Estados que dá a cada um deles um certo grau de influência, ao mesmo tempo que impede resultados intoleráveis. Com este sistema, Portugal nunca foi tão influente na Europa.

Existe um mito de que a UE representa uma redução de poder para Portugal, mas os defensores desta ideia nunca fazem a comparação com o passado. Nas fases de grandes desequilíbrios entre potências (guerras napoleónicas, início do século XX) Portugal teve de optar por um dos lados do conflito europeu. Por exemplo, na Primeira Guerra Mundial, escolheu enviar soldados para as trincheiras, apesar do massacre que ali se vivia: essa era a condição de sobrevivência do país ou pelo menos do império. Nas guerras napoleónicas, há quem diga que Portugal terá perdido 10% da população, um sacrifício que preparou uma guerra civil e que não melhorou a nossa independência.

Nos períodos em que a Europa viveu em estabilidade, a situação era um pouco mais favorável, mas não inteiramente segura, como demonstraram os episódios do mapa cor-de-rosa, o colapso da primeira república ou a difícil crise de 75, quando o país hesitou entre as duas superpotências.

Tendo aderido à UE, Portugal nunca se desenvolveu tanto em tão pouco tempo. Isso é visível em todos os indicadores, da economia à educação. Felizmente, compreendeu-se que era necessário enviar para as instituições europeias os melhores funcionários, pois nestas instituições existe um sistema de carreiras por mérito. A influência do país está sobretudo nesta presença pouco apreciada entre nós. Infelizmente, os partidos políticos parecem ainda não ter compreendido que o mesmo princípio se devia aplicar às listas de candidatos a eurodeputados, onde só deviam constar nomes da maior qualidade.

 

Imagem: Batalha do Vimeiro (1808). Apesar do sacrifício, na história contada pelos ingleses, Portugal nem sequer é segundo violino. Há 200 anos, o exército anglo-português combatia os franceses no Porto.

 

Não faças isso

por Tiago Moreira Ramalho, em 20.04.09

E haverá coisa melhor que isso que viveste, vives, ou sonhaste, Rui? Não creio. Deixa-te estar a ronronar e se a ronha te leva a escrever desta prosa, que se fechem todos os centros de saúde, que médico que te secasse a fonte seria um assassino.

Navegações

por Luís Naves, em 20.04.09

Muito bom, este texto de Rogério Casanova, em Pastoral Portuguesa, um dos meus favoritos, pelo sentido de humor e a boa escrita. O tema é a internet, com o único defeito de ficarmos sem saber o que está um nazi-SS a fazer na imagem ao lado do fato de astronauta.

Aqui, outro magnífico texto sobre a internet, de Pedro Rolo Duarte.

Miss Pearls escreve sobre Europa, mas atenção a esta excelente série de Gabriel Silva.

E Sofia Loureiro dos Santos, em Defender o Quadrado, faz esta pergunta pertinente.

 

A nossa Europa (1)

por Luís Naves, em 20.04.09

A dois meses das europeias, inicio uma série de textos sobre a UE onde tentarei combater mitos que julgo serem nítidos na discussão pública. Hoje, no primeiro debate entre candidatos, aposto que vamos ouvir a frase “esta não é a minha Europa”. Trata-se de um argumento recorrente nas discussões, sempre acompanhado de uma ressalva: “mas sou europeísta”.

A União Europeia é a maior máquina de negociação política jamais inventada, além de ser uma fábrica de leis cuja aplicação tem aproximado os países. O objectivo deste mecanismo é conseguir a integração do continente e evitar conflitos entre os Estados. Existe livre circulação, um mercado continental relativamente homogéneo, também uma moeda única, mas acho que o mais notável tem sido a convergência de políticas, de níveis de rendimento (Portugal foi uma excepção nos últimos anos). As sociedades europeias estão cada vez mais parecidas umas com as outras, embora mantenham as suas culturas distintas. E os líderes falam constantemente entre si.

O argumento “esta não é a minha Europa” é no fundo anti-UE, pois não considera que numa negociação se atingem apenas os mínimos denominadores comuns. A Europa que estas pessoas querem é sempre uma que não pode existir.

Na minha opinião, a elite portuguesa tem sido profundamente anti-europeia e a sua desconfiança em relação ao processo de integração é enorme. Estas pessoas beneficiaram das ajudas comunitárias (3 ou 4% do PIB, por ano, durante duas décadas), usaram mal parte destas ajudas, mas cospem na sopa quando se começa a falar em responsabilidade. A nossa política europeia é uma espécie de pobre continuação da pior política nacional: veja-se o debate execrável sobre o segundo mandato de Durão Barroso. Se Durão foi um bom presidente da comissão e se é apoiado pelos três maiores países, ele será escolhido; pode ser necessária uma vitória do PPE nas europeias (quase certa), mas duvido que seja condição sine qua non. Na Europa, nada se faz sem pelo menos o voto de dois dos grandes e nada se faz contra o veto de um dos grandes. Muitos dirão “esta não é a minha Europa”, mas de facto é assim a nossa Europa.

 

Imagem: quadro de Noel-Nicholas Coypel (1726), Europa levada por Júpiter

 

Palavras que odeio (256)

por Pedro Correia, em 20.04.09

Percepcionar

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Jornadas de Ciência Política do ISCSP

por Tiago Moreira Ramalho, em 19.04.09

Quem me dera poder estar presente.




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