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Uma boa notícia

por João Távora, em 27.02.08
O Insurgente está de volta, e por coincidência no dia do seu terceiro aniversário. Por ambas as razões estão de parabéns.

Os dentes brancos de Portas

por Francisco Almeida Leite, em 27.02.08

"Há coisas que não de branqueiam numa cadeira de dentista". A frase, pasme-se, é da autoria do ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas do XVII Governo Constitucional, de seu nome Jaime Silva. Uma frase gravíssima, dirigida ao presidente do CDS/PP, Paulo Portas, a quem acusou ainda de ter promovido autênticos "calotes políticos". De uma penada, o dito ministro disse estar a referir-se ao chamado "caso Portucale", ao "caso do Casino de Lisboa" e no fim ainda fez uma graçola sobre fotocópias que terão sido tiradas no Ministério da Defesa, de que Paulo Portas foi titular entre 2002 e 2005. A acusação é demasiado pesada para ser levada na brincadeira e ontem Paulo Portas anunciou que irá processar o ministro por difamação. Está no seu direito. Mas o mais espantoso disto tudo é a degradação governativa a que assistimos diariamente. Um ministro que fala desta maneira não está na plena posse das suas capacidades políticas ou então não tem chefe. José Sócrates, e nisso Portas tem razão, tem o dever de vir a público explicar uma de duas coisas: ou sabe do que o ministro fala ou pede desculpas pelo excesso e, obviamente, indica-lhe a porta de saída do Executivo. Há semanas, quando demitiu o ministro da Saúde, Correia de Campos, e o substituiu por Ana Jorge, Sócrates disse que a política sectorial continuava. Retirava o impecilho, mas o rumo mantinha-se. E na agricultura? Mantém-se o rumo? Mantém-se o discurso? Aquela linguagem vincula o Governo ou apenas o infeliz ministro? É que neste momento já não serve de nada mandar o "cão de fila" de sempre pronunciar-se, para dizer meia dúzia de banalidades. É Sócrates que tem que falar. Augusto Santos Silva, que se saiba, não foi eleito primeiro-ministro pelos portugueses. Foi designado ministro dos Assuntos Parlamentares. Como tal o argumento de que os políticos devem debater ideias livremente sem ter que recorrer aos tribunais não pega. Porque o que o ministro Silva fez não foi debater ideias, foi lançar acusações gravíssimas. Aliás, Santos Silva devia saber o que isso é porque, assim que me lembre, há dois ou três ex-ministros e militantes destacados do seu partido que também recorreram aos tribunais por se sentirem ofendidos no seu bom nome. Não é preciso lembrar quem são, pois não? Cão que ladra não morde. Daí que tenha que ser Sócrates a vir a público dizer quais daquelas acusações vinculam o XVII Governo Constitucional. Se todas, se duas ou três ou nenhuma. Aí o homem do bigode tem que sair. Sócrates não pode mostrar-se muito ofendido quando remexem no seu passado profissional e académico e depois achar normal que um ministro do Executivo que supostamente dirige lançar suspeitas sobre o carácter do líder de partido no exercício das suas funções como ministro de um Governo de Portugal.

Palavras que metem medo

por Duarte Calvão, em 26.02.08

Quando é que em Portugal se começou a dizer "inverdade" em vez de "mentira"? Que coisa mais ridícula e reveladora do nosso medinho de que alguém se melindre connosco, do temor de sermos responsabilizados, se calhar até perante a terrível Justiça, por aquilo que de facto queremos dizer. Afinal, o que causa tanto medo?

Raulismo: o castrismo sem Fidel

por Pedro Correia, em 26.02.08

 

Uma economia em ruínas. Centenas de presos políticos. Ausência total de liberdade de expressão. Índices de prostituição superiores aos existentes sob o regime de Batista. Um partido único tutelando toda a sociedade. Vinte por cento da população exilada nos Estados Unidos. O irmão mais velho que transmite o poder absoluto na cúpula do aparelho político e das forças armadas ao irmão mais novo, num acto discricionário, confundindo os assuntos do Estado com assuntos de família. É este o lamentável legado da ditadura cubana. À beira do fim, devorado por uma doença que constitui “segredo de estado”, Castro renunciou aos cargos que foi acumulando desde 1959. E fê-lo num artigo de jornal, numa cabal demonstração de que em Cuba não existe decisão soberana para além da dele. É um poder unipessoal, agora derivado para um simulacro de dinastia monárquica, que não se dá sequer ao incómodo de convocar os órgãos do PCC: o último congresso dos comunistas cubanos realizou-se em 1997, ignora-se quando será o próximo, as grandes decisões são tomadas à revelia dos próprios quadros dirigentes do partido.

Será possível tudo mudar com Raúl Castro? “O raúlismo não é diferente em nada do castrismo”, alerta a escritora Zoé Valdés em artigo publicado no diário El Mundo. A ditadura, vigente há quase meio século, funciona por reflexos condicionados: nenhuma alteração decisiva ocorrerá enquanto Fidel mantiver um sopro de consciência. Esta enorme prisão em forma de ilha nega aos seus habitantes até o simples direito de emigrarem. Os que partem é porque fogem – às vezes em rudimentares jangadas prontas a servir de pasto aos tubarões – ou são expulsos, como há dias aconteceu com o antigo campeão do beisebol cubano Pedro Pablo Alvárez e o jornalista Alejandro González Raga. “Traidores”, na óptica de um regime que agoniza há tempo de mais após ter prometido ao seu povo “socialismo ou morte”.

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Ler também:

- Cuba. Do Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.

- Cuba - por agora nada de novo. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.

- Era Fidel. De Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

- O princípio do fim. Do Daniel Oliveira, no Arrastão.

- Foguetes para quê? De Eduardo Pitta, no Da Literatura.

- Socialismo de muerte. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Senhor Luís.

- Cuba. De Ana, na Ana de Amsterdam.

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Rajoy: vitória no debate

por Pedro Correia, em 26.02.08

 

Mariano Rajoy ganhou ontem o frente-frente com Rodríguez Zapatero. Foi um debate duro, tenso, crispado - precisamente aquilo que interessava ao líder do Partido Popular espanhol, a quem competia a iniciativa do ataque. E foi um Rajoy sempre na ofensiva que vimos ao longo de hora e meia perante um Zapatero surpreendentemente nervoso e contido, sem a verve que tem exibido nos debates parlamentares. Menos telegénico que o socialista, o dirigente conservador transmitiu no entanto uma imagem de convicção e autoridade em temas como a economia (sublinhando o aumento exponencial do desemprego nesta legislatura) e os nacionalismos (acusando o PSOE de romper um pacto de 30 anos com o PP nesta matéria). O debate aqueceu ainda mais na segunda metade, quando a palavra "mentiroso" foi esgrimida de parte a parte. Zapatero, inicialmente escudado numa "imagem de estado", viu-se forçado a calçar também as luvas de boxe. Mas era demasiado tarde: Rajoy já tinha marcado pontos - nomeadamente na questão do terrorismo, ao sublinhar as contradições do Governo socialista na fracassada política de diálogo com a ETA.

Já ouvi alguém dizer que Rajoy foi demasiado agressivo - como se um líder da oposição ganhasse alguma coisa em tratar com doçura o Governo, sobretudo quando as sondagens continuam a apontar para uma diferença escassa entre os dois principais partidos concorrentes às legislativas de 9 de Março. Para a semana há outro debate: Zapatero, que perdeu este, pode ganhar o próximo. Como sucedeu a Felipe González, que perdeu o primeiro frente-a-frente com José María Aznar em 1993 e ganhou claramente o segundo - acabando por triunfar nas urnas. Espero que na próxima semana os canais informativos da televisão portuguesa estejam mais atentos do que estiveram ontem, quando preferiram dar toda a prioridade ao futebol. O que se passa em Espanha interessa cada vez mais a todos nós.

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Falta de pontaria

por Pedro Correia, em 26.02.08

Desta vez os leitores do Corta-Fitas acertaram ao lado. Para o Óscar de melhor interpretação feminina, que foi alvo de inquérito durante algumas semanas na nossa barra lateral, a vencedora Marion Cotillard foi precisamente a que teve aqui menos votos: apenas dez (correspondentes a 8%) do total. Os restantes votos distribuíram-se da seguinte forma: Cate Blanchett, 47 (39%); Julie Christie, 38 (32%); Laura Linney, 14 (12%); Ellen Page, 11 (9%).

Para actrizes, recebemos um total de 120 votos.

Quanto aos actores, o eleito pelos nossos leitores foi Johnny Depp: 53 votos (29%). Em segundo lugar, Daniel Day-Lewis, que recebeu a estatueta em Hollywood - 45 votos (25%). Seguiram-se Viggo Mortensen (40 votos, 22%), George Clooney (29 votos, 16%) e Tommy Lee Jones (14 votos, 8%).

Para actores, recebemos um total de 181 votos.

Em breve teremos por aqui um novo inquérito. Para já, fica este pretexto para voltar a pôr uma imagem da belíssima Marion Cotillard. Sem ter de esperar por sexta-feira.

 

Monarquia vermelha

por Pedro Correia, em 26.02.08

Fidel, 81 anos, passou o ceptro ao mano Raúl, 76. Os súbditos dão graças: a dinastia Castro continua.

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A melhor década do cinema (59)

por Pedro Correia, em 26.02.08

JOHNNY GUITAR

(Johnny Guitar, 1954)

Realizador: Nicholas Ray

Principais intérpretes: Joan Crawford, Sterling Hayden, Mercedes McCambridge, Scott Brady, Ward Bond, Ben Cooper, Ernest Borgnine, John Carradine

"Um filme profundamente barroco pelas suas cores fortes, pelo estilo de interpretação (com destaque para a espantosa Joan Crawford) e pela beleza hipnótica do tema musical, cantado pela grande Peggy Lee."

(Edward Buscombe)

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Palavras que odeio (95)

por Pedro Correia, em 26.02.08

Ininteligibilidade

 

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A grande rivalidade, sempre

por João Távora, em 26.02.08

Soares Franco, presidente do Sporting Clube de Portugal, deu ontem o pontapé de saída para uma campanha (há muito adiada) de angariação de novos sócios. O discurso, do ponto de vista da comunicação, está próximo da perfeição, ao pretender  atiçar a velha rivalidade com os vizinhos da outra margem, como motivação base para os fins previstos: se “eles” que são seis milhões alcançaram os 150.000, “nós conseguimos melhor”. Desta vez a grande provocação é direccionada para o interior do universo leonino: o Sporting tem que conseguir melhor “do que eles”. E “eles”, têm aqui um papel fundamental. A grande rivalidade Sporting vs Benfica é um precioso património cultural válido para os dois grandes clubes de Lisboa. A rivalidade acirrada (de forma saudável), promove o jogo conferindo-lhe acrescida emoção e paixão, coisa sem a qual  não há arte ou beleza que valham ao futebol. Um pouco como acontece a tudo na vida.
A estratégia é pois de tornar o desafio da angariação de novos sócios, num despique, num jogo também a disputar com os velhos rivais. O problema com que Soares Franco e a sua equipa de marketing se deparam, e cuja solução não depende deles no imediato, são os resultados desportivos da equipa de futebol profissional. Estes podem comprometer definitivamente a melhor campanha do mundo. Lançar esta acção de marketing, após uma miserável derrota sofrida em Setúbal, mesmo precedendo as emoções de derby de Domingo, pode resultar num rotundo fracasso, uma completa falsa partida. Não valia mais esperar pelo próximo fim de semana? Talvez não, pois há que contar com as contingências dum espectáculo cujo fascínio se fundamenta na imprevisibilidade: um verdadeiro jogo.

Inveja? Nem tanto...

por Teresa Ribeiro, em 26.02.08

Eduardo Barroso indignou-se com as repercussões que teve na opinião pública a revelação de que em 2007 foram pagos 23 milhões de euros a médicos e hospitais ao abrigo do programa de incentivos para transplante de órgãos. Presidente da Autoridade para os Serviços de Sangue e de Transplantação, agora demissionário, este ilustre cirurgião sustenta que os médicos que se dedicam ao transplante devem receber incentivos para trabalhar 20 horas por dia e prescindir de folgas aos domingos e dias feriados.

Esqueceu-se, porém, que estava a falar para um país de gente explorada e mal paga, que não raramente dá horas a mais no exercício da sua profissão e não recebe retorno em reconhecimento e muito menos em euros. E que desse país de que falo constam, inclusivamente, médicos que trabalham também aos domingos e dias feriados sem receber incentivos. E alguns, segundo notícias que vieram a público até integram equipas de transplantes!

Às primeiras reacções epidérmicas a este tipo de notícias logo salta o coro dos que acusam os portugueses de mal de inveja. Não sou eu que vou contestar esse traço, tão consensualmente reconhecido, no nosso povo. Mas nesta como noutras situações percebo que tal avaliação é precipitada e injusta.

É que há limites para o tratamento desigual e num país onde a assistência à saúde se degrada por alegada falta de verbas não se entende porque se disponibilizam fortunas para premiar apenas algumas – poucas – estrelas da companhia.

Notas soltas

por Fernando Sobral, em 26.02.08

Confesso que os Óscares sempre me pareceram um desfile de moda promovido pelas grandes marcas de Hollywood, parecido com as promoções que algumas grandes superfícies fazem dos produtos que estão a mais no armazém e que necessitam, rapidamente, ser escoados para não se perder dinheiro. Por isso achei curioso que, este ano, os vencedores, em termos de actores, tenham sido europeus: ingleses, franceses e espanhóis. Fiquei com uma dúvida existencial: será que isso tem algo a ver com um pormenor muito curioso que se soube há dias? Ou seja, que os principais financiadores de Hollywood e das suas produções são fundos financeiros europeus? Não tardará, diz-me o dedo mindinho que costuma alertar-me para estas coisas, teremos um actor chinês a ganhar um Óscar. E, já agora, o que tudo isto tem a ver com a incapacidade das grandes produtoras norte-americanas perceberem o novo mercado (a Internet) e refugiarem-se na luta contra os “piratas”, como fizeram as editoras discográficas com os desastrosos resultados que se conhecem?

 

Nota de rodapé: a ministra da Educação, no Prós e Contras, perdeu o galardão de melhor actriz secundária do Governo.

Só eu sei porque fico em casa

por Cristina Ferreira de Almeida, em 25.02.08

Em Portugal, quem paga os impostos, espera nas filas, renova os documentos, actualiza as moradas na papelada que o Estado obriga e espera pela consulta, é Tanso. Quem passa à frente, aldraba as finanças, nunca é encontrado nas moradas porque nunca as actualizou e mete cunha ao primo que é casado com uma auxiliar do hospital que é amiga da secretária da médica chefe de especialidade é Chico-Esperto, primeiro, mas ao fim de dez minutos (é científico), fica apenas Esperto.

O Estado incentiva alegremente este espírito, com uma espécie de concurso de temática variada. Hoje: multas perdoadas a quem não as pagou. Tansos 0 - Chicos-Espertos 1. Os Tansos jogavam em casa.

Um dos novos desafios já anunciado para esta semana consiste em ir recolher assinaturas às pessoas a quem se vendeu algum carro e entregar numa Direcção-Geral extinta; ou então pagar uma multa e dar baixa do carro na mesma direcção geral extinta. Vamos ver como é que os Tansos reagem e como é que os Chico-Espertos (que, depois de cada desafio ganho, vão engrossando fileiras) vão enfrentar mais esta prova. Provavelmente, usando a sua táctica preferida: ficar quieto e esperar que o Esatdo mude de ideias. É o que acaba sempre por acontecer.

Por qué no te callas? (13)

por Pedro Correia, em 25.02.08

"Estes anos que vivemos marcaram uma fronteira entre o antes e o depois."

José Sócrates, anteontem, em Lisboa

Escolhas que se revelam fatais

por Francisco Almeida Leite, em 25.02.08

Há uma semana, José Sócrates foi entrevistado na SIC por Ricardo Costa e Nicolau Santos, respectivamente director-adjunto da estação de Carnaxide e director-adjunto do jornal "Expresso". Agora, segundo consta, Luís Filipe Menezes será entrevistado por Ana Lourenço no programa "Dia D" da SIC Notícias. É evidente que a entrevista na SIC não correu bem a nenhuma das partes e, mesmo assim, acabou por ser mais favorável ao primeiro-ministro. Agora, um líder da oposição que se preze não pode aceitar para si próprio menos do que o seu principal adversário teve direito. Tudo o que seja "downgrading" é mau para ele. Ana Lourenço é excelente, como jornalista e como entrevistadora. É uma mulher bonita também. Mas uma coisa é ser-se entrevistado com pompa e circunstância, outra é aceitar reduzir um papel que devia ser de igualdade. O papel de líder da oposição não é uma coisa qualquer.

A mais longa noite do ano

por Pedro Correia, em 25.02.08

Nada de muito especial a assinalar desta noite de Óscares que me prendeu no ecrã até às cinco da manhã. Mas gostei que todos os actores galardoados com as estatuetas tivessem sido europeus - a belíssima Marion Cotillard (por La Vie en Rose), o irlandês Daniel Day-Lewis (por Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson), o espanhol Javier Bardem (por Este País não é para Velhos, que só estreia dia 29 em Portugal) e até pela britânica Tilda Swinton (pelo banalíssimo Michael Clayton, exemplo supremo da correcção política contra o poder maléfico das grandes corporações). E gostei sobretudo da fabulosa lição de vida dada no palco do Teatro Kodak por Robert Boyle, que foi director artístico em obras-primas de Hitchcock como Suspeita e Intriga Internacional. Um mais que merecido Óscar honorário aos 98 anos. "Esta é a parte boa de ser velho. A outra não recomendo", disse ele, ainda com voz forte e bem colocada.

Eis a faceta de Hollywood que mais aprecio: reconhecer que cada personalidade é um elo de uma cadeia que vem de longe e que cada filme memorável não se deve ao talento de um só, mas ao talento de muitos.

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Uma cobardia sem idade

por João Távora, em 25.02.08
Foi com espanto e choque que recentemente a minha mulher e eu testemunhámos uma cena de violência ente um casal de jovens adolescentes, enquanto tomávamos um café junto à estação de S. João do Estoril. Consta que é vulgar na urbana "movida" juvenil (equivocas conquistas da propalada “igualdade de géneros"?), mas a cena pareceu-nos macabra: na plataforma da estação e perante a passividade do restante grupo de teenagers , um dos  jovens, aplicava continuamente umas valentes murraças na rapariga, que humilhada, se encolhia e gritava de dor mas sem fugir. De notar que o pequeno bando em nada aparentava constituir-se por marginalizados ou por miúdos "socialmente desprotegidos". A minha distância do grupo era grande, para mais separado pelas linhas dos comboios, o que me deixou impotente perante o acontecimento. Entretanto os jovens desapareceram numa das carruagens em direcção a Lisboa, provavelmente para uma boa noitada de radicais e emocionantes sensações... de valentia.
Dá que pensar como, apesar das campanhas, dos alertas e das denúncias divulgados na comunicação social, estas cobardes aberrações se perpetuam impunemente nas novas gerações. Supostamente civilizadas e educadas...  pela escolaridade obrigatória e pelos media.

Muito cá de casa

por João Villalobos, em 25.02.08
Julgo que ainda não tinha revelado neste lugar que sou aquilo a que se chama um «reikiano». Numa altura complicada da minha vida o Reiki foi fundamental para que reencontrasse o equilíbrio, tanto físico como emocional. 
Um processo natural de terapia pela canalização da energia circundante através das mãos, seja para auto-tratamento ou para a cura de outrem (pessoa, animal ou planta), o Reiki nada tem a ver com a caldeirada de conceitos New Age que para aí anda a ser servida. E tudo o que requer é uma sintonização, ou transmissão como lhe chamam os budistas.
No próximo dia 8 de Março, Sábado, a Sofia Martins dará um curso Nível 1 de Reiki Tradicional Usui Tibetano. O local é em Lisboa, na zona das Picoas. Mais exactamente na Rua Martens Ferrão, nº 12, 4º Andar, por cima do Teatro Mundial. O curso decorrerá o dia todo, entre as 10 às 18 horas, com intervalo para almoço. O valor é de 90 Euros e inclui um manual e um certificado. Se quiserem inscrever-se ou necessitarem de mais detalhes, podem contactá-la através do e-mail casadaalianca@gmail.com ou ligar-lhe para o telefone 919254460. 
 

Boas notícias

por Francisco Almeida Leite, em 25.02.08

O advogado "de causas" Ralph Nader anunciou ontem que vai candidatar-se como independente nas presidenciais dos EUA. Boas notícias para John McCain, péssimas para Obama. Nader em 2000 teve 2,7% dos votos e foi um dos responsáveis por Al Gore ter virado conferencista.

Virtudes comuns (crónicas)

por Luís Naves, em 24.02.08

Os territórios

 

A melhor coisa que podia ter acontecido à Sérvia era perder o Kosovo, a região mais atrasada do país, onde Belgrado apenas possuía soberania formal.

Sei que a ideia é difícil de aceitar e, sobretudo, colide com a opinião quase unânime dos que se pronunciaram em blogues ou jornais. Para muitos, a independência foi mal gerida, vem aí uma guerra, os radicais triunfam. Talvez, mas a Sérvia não tem solução para esta sua perda, excepto a de se fechar num irredutível chauvinismo que não a levará a lado nenhum. A política internacional não se constrói sobre o princípio da equidade.

Se a Sérvia perdeu a sua soberania sobre aquele território, só havia dois caminhos possíveis: formalizar o facto consumado ou devolver o Kosovo aos sérvios. Qual dos dois era menos absurdo?

Os territórios, hoje, não fazem o sentido que faziam antigamente, sobretudo quando estão ligados à ideia de orgulho. No passado, representavam acumulação de recursos escassos. Hoje, o mercantilismo não se pratica e uma região pobre é um fardo. Aliás, o patriotismo é um conceito usado desde o século XIX, teve a sua utilidade, mas tornou-se numa péssima ferramenta para o século XXI, admitindo que estamos na era da globalização.

Há exemplos do que quero dizer, mas gosto deste: em meados do século XIX, no auge de uma onda patriótica da elite, os filólogos húngaros decidiram magiarizar a sua língua. Recuperaram elementos esquecidos, do húngaro bárbaro antigo, e eliminaram palavras e regras latinas, eslavas e germânicas que pululavam na língua do povo. O resultado floresceu nas escolas primárias, mas partes da população nunca aceitaram a língua, demasiado diferente e complexa. Os húngaro-falantes tornaram-se minoritários na sua metade do império e o húngaro ficou associado ao poder da minoria, exacerbando as distinções sociais. Esta bola de neve culminou com um falhanço imperial e a perda de dois terços do território, incluindo extensa parte que hoje é o norte da Sérvia. Mas, lá está: a História nunca foi sobre equidade.

Os que criticam a independência do Kosovo lembram que pode haver outros casos: a Catalunha, por exemplo. Mas estas análises esquecem que a questão catalã é típica do século XXI e tem sobretudo a ver com impostos e com o facto de uma região mais rica de um país não querer pagar tanto para regiões mais pobres.

Para um português é difícil perceber os tribalismos da Europa Central e os custos do chauvinismo patriótico. Vivemos num país que gosta de se embrulhar na bandeira, mas onde nunca existiu o “inimigo interno”. Por outro lado, em certas regiões da Europa, basta andarmos numa estrada dez quilómetros e atravessamos aldeias com línguas diferentes e culturas opostas. Os habitantes de uma e outra não se falam, não se casam, não negoceiam entre si.

O peso do passado, cuidadosamente repetido em narrativas radicais, torna difícil a ideia de que os territórios perderam a sua importância. Mas lembram-se do fim da Checoslováquia? E podia mencionar Hong Kong ou Singapura.




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