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Toma lá, Dakar

por Corta-fitas, em 04.01.08
O Lisboa-Dakar foi cancelado. Mas pelo menos serviu-me para fazer um trocadilho tão estúpido como o deste título.

A viagem já começou

por Corta-fitas, em 04.01.08
Abraços para o Luís Pedro, o Guillaume e o Jordi,
que andam lá longe a lutar pela vida.
Fotografia: KameraPhoto, direitos reservados

Coisas que os outros sabem

por Corta-fitas, em 04.01.08
Alguém me disse que o 5ª Canal generalista, a atribuir no ano eleitoral de 2009, vai funcionar como uma cenoura para manter os grupos de comunicação social concorrentes bem comportadinhos, a ver se a licença cai para o seu lado.
Também me transmitiram que o Governo preferia uma solução em que a Cofina, Controlinveste e PT Multimédia avançassem juntas, num vitorioso triunvirato.
E outro alguém acrescentou que Paulo Fernandes, caso não ganhasse uma televisão, colocaria todos os seus títulos à venda no mercado.
Agora se isto são assuntos que minimamente vos interessem é que não faço ideia.
* Título adaptado de outro do Pedro Rolo Duarte

Boring Friday

por Corta-fitas, em 04.01.08
Fotografia de Annie Leibovitz para a Vanity Fair

A coleção "do Bernardo"

por Cristina Ferreira de Almeida, em 03.01.08
A exposição de Joe Berardo no CCB é catita, mas peca por uma falta de rigor assustadora. Por exemplo, logo numa das primeiras salas é projectado um vídeo de textos de Mário Henrique Leiria (os "Contos do Gin Tónico") ditos por "Mário Viega" (sic). Chamei a atenção de um funcionário para a gralha, mas ele respondeu-me com risinhos que sim, que já sabiam, dando a entender que toda a gente dizia o mesmo e tornando absurdo o não ter ainda sido emendado. Coisas deste tipo deixaram-me insegura perante uma sala repleta de ecrãs de computador a piscarem sem sentido. Imagino o pessoal da intalação, depois de ter pintado a placa do "Viega":
- Oh Fernando pá, não consigo ligar esta porcaria. Está só a piscar a preto e branco!
- Deixa assim, oh Antunes. Achas que alguém vai reparar? Dahaaaaaa!
O pior de tudo foram umas tíbias pregadas na parede em forma de "x" com estranhos adornos.
- Fónix, Antunes, já lixaste a "tíbia de vestruz, símbolo de uma espécie que tende a fugir dos problemas". És sempre a mesma coisa!
- Que' sa lixe, ó Saraiva. Ponho aqui umas bolas de Natal e vais ver se não marcha.
Se forem ver a exposição, digam-me sinceramente o que acharam das tíbias com as fitas e bolas de Natal.



O sindicato

Não é só no Quénia ou no Paquistão que há violência. Assisti a um tumulto que rivalizou, por breves instantes, com situações caóticas típicas dessas regiões inóspitas.
Tudo aconteceu no restaurante onde se celebrava o almoço anual do sindicato dos gestores. O ambiente, já de si, era escaldante. Dada a minha fama de bombeiro voluntário, o senhor Silva, pacato proprietário do dito restaurante (ainda por cima chamado O Cavaco), pediu a minha comparência, com farda, para apagar qualquer fogo que viesse a surgir. Estava lá também para fazer cumprir as leis da república, embora apenas na condição de cidadão.
Foi já na fase dos discursos que a situação se agravou. Um homem obeso, com uma comenda na lapela, ergueu-se e deu as boas vindas aos 50 convidados:
“Ilustres gestores”, disse ele, “é com pesar no coração que vos recebo neste almoço comemorativo do aniversário da criação da nossa influente agremiação. Pesar no coração devido às palavras que o nosso líder transmitiu ao país, criticando os nossos salários, ou melhor, a diferença entre os nossos salários e os que recebem os nossos trabalhadores...”
“Apoiado...” ouviu-se na sala.
“Pelo contrário, ilustre sócio, não apoiado! Considero um escândalo que um dos pilares do regime nos critique. Temos salários altos? Sim, mas ainda não o suficiente. Carros de serviço? Chamar ao meu jaguar artilhado um carro de serviço é um escândalo. Ganhamos duzentas vezes mais do que os nossos funcionários... perdão, colaboradores? Retórica da esquerda! Críticas próprias do PREC! Um despautério, num órgão eleito. Toda a gente sabe que a diferença devia ser ainda maior.”
Houve uma pausa para lautos aplausos. E, depois, o orador prosseguiu.
“Se possuímos privilégios, é porque a nossa posição social assim o ditou. As quotas partidárias estão em dia, porque nos criticam? E mais, exigimos aumentos salariais, este ano, de 100%, porque a produtividade dos nossos trabalhadores só aumentou 3%, falhámos em toda a linha na elaboração de uma estratégia coerente para as nossas empresas e não criámos valor accionista. Por tudo isso, merecemos os privilégios de que gozamos, mais os chorudos prémios, as prebendas e bónus. Querem pauperizar a nossa classe? Mas não passarão, camaradas! Perdão, queridos confrades e consócios. Temos de nos erguer, indignados, contra as críticas às nossas benesses”.
Na sala houve um frémito de entusiasmo. Os gestores, galvanizados, ergueram-se em aplausos estrondosos.
“Viva o nosso sindicato”, gritava um dos gestores, muito gordo.
E seguiram-se palavras de ordem, das quais recordo as mais importantes:
“Descapitalizemos as nossas empresas!”
“Os barris de petróleo aumentam, os gestores não aguentam!”
“Vigésimo quinto mês, já!”
“Tragam mais champanhe!”
Embora houvesse copos pelo chão e algum tumulto na mesa, o almoço do sindicato dos gestores tinha até ali corrido de forma civilizada. Tudo descambou quando um dos gestores sacou de um enorme charuto. Ao que foi imitado pelos 50 gestores. De súbito, havia 50 charutos acesos naquela sala.
Na minha qualidade de cidadão bombeiro, não hesitei perante aquele nítido abuso. Puxei da mangueira de serviço e dirigi um poderoso jacto de água para aquela turba de poluidores-pagadores.
Houve um pânico, uma debandada. Em menos de trinta segundos, o capitalismo selvagem tinha ido por água abaixo.
Ainda recordo com nostalgia a figura pingada de um dos gestores que saía do restaurante do senhor Silva, numa indignação, o charuto apagado preso aos dentes. Olhou para a fileira de lindos topo de gama e disse:
“Isto de trocar de carro cada três semanas dá sempre nisto! Qual deles será o meu?”

Adolfo Ernesto

Ilustração: desenho de George Grosz (1893-1959)

Ano novo vida velha

por João Távora, em 03.01.08
Na imagem está Cavaco em pleno discurso de Ano Novo, usufruindo do seu dourado trono. Como os demais que lhe precederam, colectivamente esquecidos os ódios, apupos e insultos que em tempos imemoriais os destronam da cadeira do poder.
De pose paternal e discurso redondo, o presidente aconselha e recomenda. O sol na eira com chuva no nabal. Condoído com os pobres e alarmado com os ricos, vampiros e abutres. O ano é novo mas o guião é velho, e Portugal fica sempre adiado. Sem projecto, sem caminho.

Imagem daqui

Nicotina e adrenalina

por Cristina Ferreira de Almeida, em 02.01.08
- Queres ir almoçar? Falaram-me de um restaurante aqui perto muito discreto, ideal para pessoas como nós...
- Não sei, tenho um certo receio. E se somos apanhados?
- Não te preocupes, o dono é dos nossos. Até tem uma sala reservada especial.
- Não sei, tenho medo... Podemos ser denunciados...
- Olha, se ficas mais descansada levamos esta roleta para pôr em cima da mesa.
- Agora sim. Passa um cigarro.

Durante muitas horas este blogue esteve interdito aos seus autores, o tempo necessário para que o Blogger averiguasse se éramos «um blogue de spam». E ainda ameaçaram que podia demorar quatro dias. Arre! Nunca mais escrevo sobre Angola. E sobre o Canadá também não.
Por outro lado, coisas destas lembram-nos uma evidência que escamoteamos para a parte mais recôndita do cérebro no nosso dia a dia: Que esta treta do blogspot não nos pertence e estamos sempre sujeitos a que um tecnonerd qualquer nos desligue a tomada. Essa é que é essa. Já estive mais longe de engolir o Sapo.

Angola e Canadá, a mesma luta

por Corta-fitas, em 02.01.08
«Para especialistas da DevPar, empresa que preparou o lançamento do mercado de capitais do Gana, e que também esteve na formação de técnicos angolanos, a Bolsa de Valores pode ajudar na criação de emprego e no combate à pobreza».
«The DevPar Group currently consists of three member firms representing Canada, the UK and the USA».
«Should Canada focus on cultivating new economic partnerships with emerging powers such as China, India, Mexico, and Brazil? What other countries should be included in this list? Should foreign policy be used to open new markets for Canadian companies»?

Caro João Miranda

por Corta-fitas, em 02.01.08
Percebo que tenha sido fácil ceder à tentação de escrever isto. Mas convinha ter esperado pela inevitável publicação do desmentido referido nesta notícia aqui.

«Romantic is a very big word»

por Corta-fitas, em 02.01.08
«I hope you kiss better than you can sing»

Mil palavras para quê?

por Corta-fitas, em 02.01.08

Com a devida vénia com que sempre me curvo perante o génio alheio, aqui fica esta fotografia do José Carlos Carvalho com a imagem de um Lobo Antunes encostado ao canto por Miguel Paes do Amaral, depois da compra da D. Quixote. As restantes podem ser vistas no Photo à Trois.


Pensamento do dia

por Corta-fitas, em 02.01.08
«Como nenhum político acredita no que diz, fica sempre surpreso ao ver que os outros acreditam nele».
Charles de Gaulle

Pelo sonho é que vamos?

por Corta-fitas, em 02.01.08

Numa primeira leitura, parece que José Manuel Fernandes tem razão quando hoje escreve que: «O cidadão comum (...) mais depressa se reconhece no país descrito por Cavaco do que no imaginado por Sócrates». No entanto, com base na minha experiência de trabalho para o PSD liderado por Marques Mendes, tenho dúvidas que assim seja.
Na altura, confrontámos diversos «cidadãos comuns» (aquilo a que se chama na gíria focus groups) com dados e factos sobre o verdadeiro estado em que se encontrava o País nas suas diferentes áreas: Educação, Emprego, Saúde...A reacção das pessoas, repartidas por diversas ocupações e de diferentes idades, foi idêntica e transversal: Não lhes apetecia ouvir, não queriam saber, rejeitavam a realidade e preferiam uma abordagem «pela positiva». «Estamos fartos de ouvir dizer que isto está mal», bradavam. «Queremos soluções», exigiam.
Ora é legítimo que assim seja e compreensível que os portugueses estejam fartos da mera troca de galhardetes e saturados da crítica pela crítica, do soundbyte pelo soundbyte e pelo título dos jornais no dia seguinte. Mas dá que pensar esta resistência ao diagnóstico da realidade. Em especial sabendo como é difícil apresentar alternativas quando o palco que seria mais privilegiado para o fazer é, para os mesmos portugueses, um espaço de verdadeira anulação dos conteúdos. Ao longo do mesmo período de trabalho, verificámos que o Parlamento é, para o tal «cidadão comum», um não-lugar. Por melhor que seja a alternativa apresentada, se for transmitida no cenário da Assembleia perde praticamente toda a eficácia junto dos seus destinatários finais.
Qual é, então, a solução? O que querem afinal os portugueses? Preferem o sonho socrático ou a realidade de Cavaco? Depois de terem apertado o cinto em resposta a um Durão Barroso que os abandonou, que promessas estão ainda dispostos a ouvir? E mais ainda: Em que acções concretas estão motivados a participar?
Cavaco não apresentou soluções no seu discurso, nem esse era o seu papel. Tal tarefa compete a Menezes e aos restantes líderes da oposição. Se pretendem apresentá-las com eficácia deixo aqui a receita, difícil quanto baste: Pensem «fora da caixa», surpreendam para galvanizar, sustentem a crítica com sugestões positivas, deixem-se de agendas unicamente movidas pela disputa de palco mediático. Caso contrário, é pelo sonho que continuaremos a ir. Para pesadelos, já demos mais do que o suficiente.

Preocupação de ano novo

por Cristina Ferreira de Almeida, em 01.01.08
Fumo o primeiro cigarro de 2008 a pensar em Agostinho da Silva e em como terá feito para, já no nosso tempo, viver sem bilhete de identidade e sem número de contribuinte. O cigarro não é importante. O importante é perceber a partir de que ponto é que deixamos de ser livres.

«Receita de Ano Novo»

por Corta-fitas, em 01.01.08
«Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre».
Carlos Drummond de Andrade

Em troca de que ossos?

por Corta-fitas, em 01.01.08
Jardim oferece «solidariedade canina» a Menezes

2008

por Corta-fitas, em 01.01.08

Meu caro:


Devo dizer-te que pelo menos aqui no burgo não foste aguardado com grande ansiedade. Eu sei que é injusto, pois antes de teres tido tempo para provar seja o que for, já nós te estamos a vaticinar maus dias. Mas tenta ver a coisa pelo lado positivo: as nossas expectativas são tão baixas que não será preciso muito para nos surpreenderes pela positiva. E olha que sei, de fonte segura, que não sou só eu a pensar assim - if you know what I mean...

Resta-me desejar-te uma boa estadia. Pela parte que me toca, garanto que tudo farei para que a nossa relação decorra da melhor maneira possível.


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Corta-fitas

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Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




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