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Gingóbel

por Cristina Ferreira de Almeida, em 25.12.07
Qualquer coisa na mensagem de Natal do nosso primeiro-ministro - não sei se o tom satisfeito, se o olhar elevado (quem é que teve a ideia de pôr o teleponto acima da câmara?) - despertou em mim o pequeno taxista que há em todos nós e, perante o anúncio do bom estado das contas públicas, dei por mim a pensar "O que tu queres sei eu!".

Natal

por João Távora, em 25.12.07

Evangelho segundo São Lucas 2,1-14

Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade.
José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe.
Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». Imediatamente, juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
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Imagem: A Sagrada Família de Simone Cantarini (via Afinidades Efectivas)

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O que é que vão celebrar em 2010 ?!?

por João Távora, em 24.12.07
Ferreira Fernandes coloca hoje na sua coluna do Diário de Notícias o dedo na funesta ferida do regime, ao indignar-se com a assumpção por parte de Luis Filipe Meneses do direito ao usufruto para as suas hostes dum dos muitos lugares de topo duma empresa estatal, no caso a administração do maior banco nacional. É público que, em detrimento da meritocracia e do bom senso na gestão dos recursos nacionais, o regime acalenta um sistema paternalista que promove os apaniguados dos principais partidos de poder aos mais suculentos lugares da administração mais ou menos pública. A "moral republicana" e a democracia representativa não se libertaram duma centenária tradição proteccionista, macrocéfala e despótica. O regime sustenta-se aliás duma clientela incompetente ou simplesmente oportunista, uma medíocre neo-fidalguia, que se alimenta e sobrevive gananciosa nas máquinas dos partidos situacionistas.
Pessoalmente estranho o cúmplice silêncio da nossa imprensa da especialidade - pretensamente independente e livre - perante a podridão do sistema que a todos nos consome os preciosos recursos. Tarda a denunciar o sistema que promove a injustiça, o compadrio e o clientelismo. Se calhar porque também se alimenta dele.
Como Miguel Sousa Tavares sagazmente escreve na sua crónica do Expresso desta semana, há duas espécies de portugueses: os que vivem a pagar ao estado e os que vivem a tirar aos estado. Assim sobrevive o regime, com as trágicas consequências encobertas pelo beneplácito placebo dos fundos comunitários.
Ao longo dos últimos séculos foram necessárias as mais radicais barbaridades revolucionárias para que tudo permanecesse na mesma, ou seja - obviamente em termos relativos - na cauda do mundo civilizado.
Perante a constatação do crónico atraso nacional de que eram vítimas as classes mais desprotegidas e cuja condição social se encontrava perto da miséria, D. Manuel II, numa desesperada tentativa de alterar o decadente curso da história, uns meses antes da inútil revolução do cinco de Outubro, contratou por sua conta e risco o famoso sociólogo francês Léon Poinsard para que desenvolvesse as necessários observações e elaborasse um dossier que apontasse as pistas para uma política regenerativa e promotora do "fomento nacional". O sociólogo percorreu o país de lés a lés analisando a organização social e as condições de vida da população que lhe mereceram um sinistro diagnóstico: a principal causa da “desordem crónica” do país residia na sua organização política dominada por uma “tribo” pouco escrupulosa, ávida de poder e proventos que dominava a seu bel-prazer devido à fraca tradição de liberdades locais que fazia centralizar todo o poder e autoridade no governo. O rotativismo protagonizado pelos dois grandes partidos do poder, o regenerador e o progressista, contribuía apenas para criar uma série de clientelismos e servir interesses particulares em detrimento interesse nacional.”(...) "Uma das consequências mais singulares e mais injustas deste sistema é o predomínio quase continuo de um poder anónimo e irresponsável que frequentemente dirige, de uma maneira indirecta, mas efectiva, toda a alta politica da governação.”
É por estas e por tantas outras que eu me assumo à margem do sistema. Estou-me nas tintas para este circo, esta "guerra" não é minha. Repartam os lugares nos bancos, nos institutos públicos, saqueiem tudo o que possam à conta da ignorância e do acriticismo nacional. Por mim, tenho um projecto de vida para chutar para a frente, com muito trabalho e sem favores de ninguém. Mas quando a ganância dos apaniguados esquece o pudor e descrição que é devida ao ladrão, eu revolto-me. Profundamente. Mas para alívio interior concentremo-nos no essencial, que é o Natal que se celebra já daqui a nada.
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Fontes: Maria Cândida Proença, Léon Poinsard e Rui Ramos



O espírito natalício


O pior aconteceu na loja onde estavam a vender caviar Beluga a 410 mocas. Houve assim um tropel de cavalos, com resfolegar e tudo, aquilo a que o comendador Joe chamaria um utle stampede da CVM, mas que envolvia cotovelos, golpes baixos e empurrões mais ou menos subtis. Caí, pisaram-me três costelas e partiram-me os óculos.
Volto um pouco atrás: não tinha nada a ver com o Beluga, mas andava à cata de um presente de menos de cinco euros (tenho um orçamento catita desde que ganhei umas massas a escrever crónicas aqui no corta-fitas) para oferecer à minha nova namorada, a Clotilde, que é cabeleireira. E bastante boa. Pensei em comprar-lhe um enfeite de cabelo, mas lembrei-me a tempo de que ela é cabeleireira... Teria sido ensinar o padre nosso ao cura... Depois, sem ideias, andava a passear no centro comercial, no meio de uma multidão desenfreada, quando transitei ao largo da loja dos belugas...
De súbito, sem aviso, houve alguém que gritou "vende-se a última beluga" e a multidão entrou numa espécie de transe, parecia correr-lhe na espinha uma voltagem eléctrica. E foi isso que, enquanto o diabo esfrega o olho, lançou a tal cavalgada, ou boiada, ou lá o que foi; parecia uma enxurrada humana, como se tivessem aberto os portões do campo pequeno para deixar sair os touros e as pessoas começassem a fugir. Mas era para dentro.
Um homem gritava que dava 500 euros, outro enfiou-lhe um murro, e uma velhinha, com ar de tia, guinchava como se a estivessem a apalpar nos finalmentes. Foi horrível, cento e cinquenta pessoas histéricas precipitaram-se para a loja onde estavam a vender o caviar Beluga e fui atropelado. A caixinha, coitada, levitava um metro acima de dezenas de mãos que se erguiam, vorazes. Depois, tombou, com um som de lata, que deixou todas as pessoas hipnotizadas.
O resto da luta já não vi porque os meus óculos jaziam no chão, falecidos e estilhaçados.
Nem deu para perceber quem tinha ficado com a última caixinha. Foi aliás o primeiro rumor de que começavam a esgotar os produtos de luxo. E aquilo iniciou o pânico no centro comercial, onde se acotovelavam dezenas de milhares de consumidores, naquelas frenéticas e derradeiras horas das compras.
O pânico de consumidores rapidamente se propagou à loja de vinhos raros e à ourivesaria ao lado. De súbito, corriam pessoas aos gritos (como se tivesse estalado um incêndio) sobre a escassez de Laffite 31; "Já só resta uma garrafa", dizia um homem de braços no ar, com ar desvairado. "Compro, compro", ordenava um empresário, que engolira pelo menos meio charuto.
Eu tinha os óculos tão partidos, que estava a ver tudo muito fragmentado e até desfocado.
Nisto, houve uma correnteza da classe média, que vinha em sentido contrário, vociferando contra a falta iminente de produtos desta classe menos endinheirada. "Esgotaram as canecas de louça com frases brejeiras", gritava uma mulher, visivelmente alarmada; "não há mais pares de meias para oferecer", dizia outra, olhos muito abertos.
Vira antes sinais de uma verdadeira crise capitalista, mas nunca assistira a um alvoroço de consumidores. Sei que, na véspera, certos banqueiros entraram em pânico ali perto do Marquês. Foram vistos alguns, aos gritos, porque se estava a derreter todo o seu dinheiro dentro da caixa-forte.
Compreendo os banqueiros. Isto de derreter dinheiro é coisa séria.
Também compreendo os terrores dos líderes da oposição. Foi avistado um, desvairado, com choque pós-traumático e martelo pneumático na mão, a gritar que ia demolir o estado em seis meses e partidarizar o que sobrasse. O stress natalício foi excessivo, pois não é suposto dizer-se mal de alguém. Para mais, quando um governo faz tudo aquilo que a oposição prometeu, não há mesmo solução. Vivemos em tempos estranhos: a esquerda e a direita estão fundidas numa só entidade, tal como o meu cérebro. Desaparecem as referências. O governo é a única oposição a si próprio. E os ricos agem como os ricos, enquanto os pobres, por inveja ou tontice, só sabem imitar.
Mas voltemos ao caso. Fui arrastado pela correnteza da classe média, entre cotoveladas, murros e calduços; lutei com um homem disfarçado de pai natal que me tentou passar uma rasteira; passei por várias lojas de telemóveis fashion, jaguares e roupa de marca, onde iguais tumultos estavam em progresso. Ao fundo, aproximava-se a polícia de choque, que começou a distribuir valentes bastonadas. Mas o mais horrível foi quando a multidão enfurecida começou a lançar contra os polícias frascos de perfume Chanel, à maneira de cocktails molotov. Parecia uma final porto-benfica ou um arraial de porrada dos santos populares. Ficou a devastação de belos presentes de Natal destruídos, todos dispendiosos, e as montras sistematicamente partidas, tal como os meus óculos.
Quando dei por mim, tinham-me roubado os cinco euros, certamente alguém se aproveitara durante os apertões. Fiquei sem dinheiro para comprar um presente para a Clotilde. Ainda pensei em levar alguns cacos do rescaldo dos incidentes, mas estava tudo em pedaços.
Pensei, pensei... E decidi oferecer à minha Clotilde um beijo daqueles e, depois, desfazer-lhe o penteado numas cambalhotas, enquanto lhe desejo um bom natal...

Adolfo Ernesto


Este texto inspirou-se numa excelente crónica, essa séria, de Eduardo Pitta, que pode e deve ser lida aqui

Amores Perros

por Maria Inês de Almeida, em 24.12.07
Tenho um amigo que já foi convidado para uma festa de anos, no mínimo, caricata. Tratava-se do aniversário do gato dos pais da namorada, com direito a bolo e a “Parabéns a você”! Ontem, foi a minha vez de presenciar uma cena ao nível desta – digna de um bom guião para comédia romântica. Casou-se uma das minhas melhores amigas e adivinhem quem foi o menino das alianças? O cão da sogra. Na altura de trocar as alianças o noivo chamou: Blitz! Obediente, o animal lá foi ter com o dono e sentou-se no meio dos noivos. Não ladrou, nem fez birras. Levava uma gravata (que, só por acaso, não condizia com a gravata do noivo) e, ao pescoço, uma bolsinha de pano que continha as alianças, feita propositadamente para a ocasião. Devem estar a perguntar se ele também foi de lua-de-mel com o casal… Acho que não. À partida não estava nos planos, mas já não digo nada. O mais importante é que eles estavam felizes. E nós, apesar de estranharmos estas relações modernas, também.
Um Bom Natal junto daqueles que vos são queridos e “cãoridos”.

O essencial é isto

por Pedro Correia, em 24.12.07

"José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, a cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de recensear-se com Maria, sua mulher, que se encontrava grávida. E quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoira, por não haver para eles lugar na hospedaria."
São Lucas, 2: 4-7

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A melhor década do cinema (10)

por Pedro Correia, em 24.12.07

A PALAVRA
(Ordet, 1955)
Realizador: Carl Theodor Dreyer
Principais intérpretes: Hanne Agesen, Kirsten Andreasen, Sylvia Eckhausen, Birgitte Federspiel, Ejner Federspiel, Emil Hass Christensen, Cay Kristiansen
"A ressurreição, desafiando a lógica narrativa, é uma extraordinária afirmação do primado do amor sobre as limitações humanas. Um dos grandes momentos de sempre do cinema." (Gary Morris)

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Natal subversivo

por Corta-fitas, em 24.12.07

O queijo vem da queijaria clandestina da Ti Adelaide, o doce para as azevias será feito aqui mesmo, segundo a receita e os preceitos da minha avó, que não dispensa a colher de pau. Já comprei um brinde para enfiar no bolo-rei, só me falta arranjar a fava. O café será servido em chávenas de loiça (what else?). Quem quiser fumar pode, desde que não abuse, por causa das crianças. A televisão ficará em off, naturalmente.

Solidariedade

por Rodrigo Cabrita, em 23.12.07
Qualquer drama não é suficientemente mau até ao dia em que nos chega por perto. E a vida dos outros ganha sempre maior dimensão quando se cruza com a nossa. Foi isso que aconteceu connosco (Rodrigo Cabrita & Rita Carvalho) quando conhecemos a família da Teresa. Conhecemo-la numa reportagem sobre o banco alimentar e ficámos sensibilizados para a sua situação. Teresa têm cinco filhos e é divorciada de alguém que podia fazer mais e não faz. As dificuldades estão lá e são reais. Hoje conseguimos entregar a ceia para a consoada, bem como bens alimentares, vestuário e muitas prendas. O sorriso de Teresa e dos cinco filhos fez-nos acreditar que é possível fazer mais. Por isso aqui estou neste nobre espaço a pedir a vossa ajuda. A história é longa e difícil de escrever na íntrega para este post. Seriam muitos caracteres. No entanto, abrimos uma conta de ajuda a Teresa com o NIB: 0033.0000.4534.6924791.05 porque o tecto que ainda os abriga tem os dias contados, a dívida no banco acumula-se e a penhora que já incide sobre a casa aproxima-se. A ajuda de cada um dos leitores do Corta-Fitas, grande ou pequena, fará diferença. No entanto, há outras formas de ajudar. Quem estiver interessado em fazê-lo, contacte-me via email para rodrigocabrita@hotmail.com.
Hoje, ao despedirmo-nos, Teresa soltou um “não sabe como algum dia vos poderei agradecer tudo o que têm feito por mim e pelo meus meninos. Nunca pensei estar na situação que estou hoje...".
Poderemos ter mais pessoas nesta cadeia de solidariedade?

Presentes de Natal

por João Távora, em 23.12.07

Há por aí um discurso simplista no qual facilmente se confunde consumismo e opulência com a benigna tradição do presente de Natal. Nesta quadra também me parece importante evidenciar a nobreza que possui a materialização do nosso amor ou caridade num objecto, um “presente” (que nos tornará presentes) desejável pelo próximo. Oferecer um presente a alguém – de quem nos desejamos (re) aproximar ou simplesmente homenagear, será com toda a certeza uma atitude de uma enorme dignidade. Essencial é não confundir a dádiva de um presente com marketing pessoal ou com alienação da realidade; fazê-lo bem é aliás uma arte muito própria que requer imaginação, e (o que é mais importante) uma grande capacidade de nos colocarmos na pele do outro, o mesmo é dizer de “amá-lo”.
Durante uma boa parte da minha vida o Natal foi festejado sob o pressuposto da celebração religiosa do nascimento do menino Jesus. E lembro-me com comoção de alguns presentes que, estou certo, eram muito mais do que simples objectos, e que terão sido verdadeiros actos de amor. Do meu saudoso pai - desajeitado sonhador e insigne investigador de minudências históricas, quase sempre exasperado com o seu crónico desconforto material - recebi alguns deles, como o incontornável Táxi Dinky Toy pintado a verde-e-preto pela sua mão, ou aquele álbum dos Marretas, uma sua diligenciada tentativa de convergência com o rebelde adolescente, com direito a dedicatória escrita e tudo.
Na avenida da Liberdade, na casa dos meus avós maternos, de costumes mais liberais e na época com alguma prosperidade, só depois da solenidade da Missa do Galo nos juntávamos todos a preceito aos meus tios e respectivos primos, para a ceia e distribuição dos presentes. A minha avó, personalidade única de vigor e simpatia, preparava o momento com enorme empenho: por exemplo, as diferentes cores das colecções de embrulhos e embrulhinhos distinguiam a família destinatária dos mesmos. A casa grande e de tectos altos estava quente e iluminada como nunca, cheirava a cera de velas e chocolate quente. Um presépio sóbrio onde se destacava um menino Jesus de braços abertos encimava a elegante cómoda grande da sala. A um canto a grande televisão a válvulas transmitia ainda o final das celebrações em directo da Sé de Lisboa, à qual assistira a minha bisavó Valentina, mãe do meu avô e padrinho, e que da varanda daquela sala quase ao cimo da avenida, testemunhara as mais equívocas revoluções e intentonas do conturbado início do século. Àquela hora a pequena senhora de cabelos ralos e prateados ainda resistia aos anos e ao sono. E da sua poltrona de veludo verde escuro testemunhava mais um renovado Natal. Muitos presentes recebidos nesses Natais marcaram a minha relação com aquela casa. Tornaram os seus protagonistas presentes no meu coração para sempre.
Ontem, quando estava a fazer as últimas compras de Natal, ao escolher “aquela” carteira especial para a minha mãe ou aquele blusão “radical” para a minha enteada irreverente, senti uma infantil ansiedade, pela hora da festa e ocasião para distribuirmos aqueles presentes tão “especiais” para a nossa gente tão querida.
É por estas razões que defendo o ritual do presente de Natal, que deveria conter um sentido profundo e cristão, o do reencontro dos homens de boa vontade: um autêntico tributo ao Nosso Senhor e Salvador, que nesse dia se nos apresenta como um frágil e radiante menino, que para nossa realização e felicidade deveríamos saber manter sempre vivo dentro de nós.

A todos os leitores e amigos do Corta-fitas aproveito para aqui deixar os meus sinceros votos de um muito feliz Natal.

Cinema Nostalgia (21)

por Pedro Correia, em 23.12.07

O meu primeiro filme

Tinha sete anos quando entrei numa sala de cinema para ver o meu primeiro filme "a sério". Era Mary Poppins, de Robert Stevenson, numa reposição natalícia no antigo Monumental. Tudo me deslumbrou nesse filme: a música, a personagem da governanta com um toque de loucura, a mescla de desenhos animados com figuras reais, a vivacidade acrobática do Dick Van Dyke, o nariz arrebitado da Julie Andrews (mal adivinhava eu como haveria de gostar tanto de outro nariz arrebitado...). Recordo como se fosse hoje a mágica dança dos limpa-chaminés recortados na noite azul de uma Londres irreal. E a incomparável explosão de alegria que irrompia no ecrã aos primeiros acordes de Supercalifragilisticexpialidocious...
Vi largas centenas de longas-metragens depois desta inesquecível produção dos estúdios Walt Disney. Mas regresso a Mary Poppins com a mesma sensação de encantamento, que se repete em cada fotograma deste filme único, relíquia de um tempo em que os grandes estúdios ainda ditavam cartas na indústria cinematográfica americana. Continuo a comover-me quando ouço Chim Chim Cheree, divirto-me com aquele delirante chá tomado com as personagens coladas ao tecto, ainda acho possível que uma nanny inglesa cruze os céus de Londres a flutuar num guarda-chuva. E não concebo sequer que alguém ponha em causa os méritos desta película, uma das mais deslumbrantes obras-primas do cinema. A ver e a rever em qualquer época, dos sete aos 77 anos de idade.

Aqui publicado pela primeira vez, agora reeditado na série Cinema Nostalgia

Domingo - 4º do Advento

por João Távora, em 23.12.07
Evangelho segundo São Mateus 1, 18-24

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.

Da Bíblia Sagrada

(Continua na 3ª Feira)

Império do consumo

por Pedro Correia, em 23.12.07
Um certo Natal - o dos que nadam em dinheiro ou fazem de conta que nadam, numa absurda e chocante ostentação - muito bem observado pelo Eduardo Pitta.

A melhor década do cinema (9)

por Pedro Correia, em 23.12.07

O MEU TIO
(Mon Oncle, 1958)
Realizador: Jacques Tati
Principais intérpretes: Jacques Tati, Jean-Pierre Zola, Adrienne Servantie, Lucien Frégis, Betty Schneider, Jean-François Martial
"Uma soberba comédia." (Charles Matthews)

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Palavras que odeio (67)

por Pedro Correia, em 23.12.07
Deletério

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Acordo caligráfico

por Corta-fitas, em 23.12.07
E por falar em farmácias... Para quando um "acordo caligráfico" que obrigue os médicos a escrever nos seus receituários em letra legível? É que de cada vez que vou aviar uma receita e percebo que quem me atende está em dificuldades para perceber o que lá está escrito fico nervosa, além de que não gosto de depender dos talentos de descodificador de terceiros.


Procurava uma farmácia de serviço numa zona que não conhecia. Dirigi-me a um comerciante que, muito prestável, me encaminhou usando como referência o que mais abunda por toda a cidade. Uma agência bancária: "Está a ver ali ao fundo o Santander? A farmácia fica logo a seguir".
Entrei. Gente até à porta. Enquanto esperava fiquei a pensar no sucesso destes dois ramos de negócio. Banca e farmácia. Não por acaso duas das maiores dependências dos portugueses. Senti um arrepio. Não sei se derivado do meu estado febril, se das minhas cogitações. O certo é que tive o impulso de sair porta fora. Detesto sentir-me presa pelos tintins que não tenho!!

Postal de Natal

por Cristina Ferreira de Almeida, em 22.12.07
- Avó, quando eras pequena fazias presépio?
- Fazia, e gostava muito dos reis Magos. Eram estranhos, e além disso nunca tinha visto um preto. Não havia pretos em Vila Verde.
- Eu, quando era pequena, achava estranho a vaca e o burro. Acho que a primeira vaca e burro que vi na vida foram os do presépio. E tu, Kiko?
- Eu acho estranho o pai e a mãe do Jesus estarem na mesma sala.

Ó Sr.ª D.ª Maria Filomena Móóóóóóóóónicaaa!!!!!!!!!!!!

por Cristina Ferreira de Almeida, em 22.12.07
A revista do Expresso desta semana dedica um artigo aos amores de Sarko, ilustrado com uma foto glamourosa de Carla Bruni e um paparazo do novo casal. Tal como todas as publicações fizeram. Mas é o Expresso, por isso vai mais longe e descobre a governanta portuguesa de Carla Bruni, que se chama Natividade. É o que se chama um bom enquadramento. Sem deixar os seus créditos por mãos alheias, este refrigério do jornalismo de investigação consegue arrancar a Natividade uma frase inteira sobre a patroa. "Não é uma estouvada", sentenciou Natividade ao correspondente do Expresso. Percebem a diferença?

Laicidade positiva segundo Sarkozy

por Corta-fitas, em 22.12.07
Nicolas Sarkozy pronunciou há dias um discurso na basílica romana de S. João de Latrão o que, quanto a mim, é um dos primeiros sintomas de que os Estados europeus se estão a aperceber, lentamente, de que o que conta nas relações com o fenómeno religioso não é só o diálogo com a hierarquia, é sobretudo a relação com os fiéis crentes. E cada vez mais são as massas de crentes e de não crentes, com as suas práticas muito próprias, que contam quando os governantes têm que pôr em prática o princípio da laicidade e garantir a liberdade religiosa. O discurso surpreendeu-me por vir de um presidente francês que não só apela às raízes cristãs da França, como se apresenta profundamente reconhecido e agradecido ao papel da Igreja Católica no país. Alguns comentadores franceses já vieram dizer que se tratou de uma autêntica reinterpretação da lei da laicidade de 1905, embora Sarkozy tenha dito que não quer tocar nos equilíbrios da lei, pelo menos para já.
Diz Sarkozy que "a laicidade não tem o poder de cortar a França das suas raízes cristãs" e, por isso, assume que essas raízes devem ser valorizadas. O presidente francês quer agora uma "laicidade positiva" que "não considere as religiões um perigo". O discurso é longo. Deixo aqui alguns trechos traduzidos por mim:
"Um homem que crê é um homem que espera. E o interesse da República é que haja muitos homens e mulheres que esperam".
"Se existe incontestavelmente uma moral humana independente da moral religiosa, a República tem interesse em que exista também uma moral inspirada em convicções religiosas".
"Uma moral desprovida de laços com o transcendente está mais exposta às contingências históricas e ao facilitismo".
"A França tem necessidade de católicos convictos que não receiem afirmar aquilo que são e aquilo em que crêem".




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