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São muitas as vozes “esclarecidas” a vociferar contra a lei do tabaco que entra amanhã em vigor. Por vezes pressinto alguma caprichosa arrogância por parte dos resistentes fumadores, ameaçados na sua liberdade individual (?!) e cada vez mais entrincheirados no seu gueto.
reclamariam outras fracturantes causas que a agenda da moda imponha. E com comprovada imaginação conseguem argumentar e justificar a sua funesta veleidade, como se de um direito se tratasse. O direito a morrerem lentamente, em profundo sofrimento e na total dependência dos outros.
O ano de 2007 acaba com o governo do meu país a comportar-se como uma multinacional que decide deslocalizar os seus investimentos, abandonando comunidades e populações de velhos à sua sorte. A explicação de que a centralização dos serviços de saúde serve melhor os utentes seria admissível num país com outras estradas, com outra literacia, com outra capacidade financeira dos cidadãos. O que é servir melhor as populações? Quanto vale uma grávida que chega à maternidade, e como se desconta nesse valor os bebés que nascem na estrada e as mães obrigadas a parir às mãos da boa-vontade de bombeiros? Quanto custa o isolamentodos velhos, o sentimento de abandono nas pequenas comunidades periféricas? 
As previsões para 2008
A minha Clotilde convenceu-me a consultar a Dona Rosa, conhecida em todo o bairro por acertar no futuro. A dona Rosa é uma espécie de professor Marcelo dos anónimos.
O consultório fica num primeiro andar com cheiro a mofo. É uma sala escura, de ambiente pesado. E a Dona Rosa surgiu de repente, através de uma cortina ao fundo, com uma vassoura na mão.
Fiquei impressionado porque ela já sabia que eu era do Corta-Fitas.
"Estou um bocadinho chateada com vocês, os rapazes do Corta-Fitas", disse a dona Rosa.
"Então, porquê?", perguntei.
"Não me elegeram rapariga das sextas-feiras".
Quase mencionei a verruga no queixo e a pele esverdeada, mas contive-me, não fosse o comentário influenciar o meu futuro.
A Clotilde explicou que estava preocupada com o seu amor e a dona Rosa tranquilizou-a:
"Terás este ano um grande amor com um homem musculoso e bom".
Correspondia ao meu perfil e perguntei se eu, o grande amor da Clotilde, também estaria apaixonado.
"Que eu saiba, Adolfo Ernesto, não és musculoso nem bom. Eu estava a falar do Arnaldo, da mercearia em frente ao cabeleireiro. A Clotilde tem ali uma boa hipótese, pela circunstância de Plutão estar em conjugação com Saturno, numa órbita perfeita que, ainda por cima, se harmoniza com a trajectória de Mercúrio. Além disso, o Arnaldo depositou mil euros na conta bancária dele, na semana passada. Disse-me o gerente, que também veio à consulta".
"Mas gosto é aqui do meu fofinho...", disse a Clotilde, que estava assustada. (E o fofinho era eu).
"Ah, este é um inútil. Deixa-o".
"Mas ele até escreve num blogue, e tudo"
"O Corta-Fitas? Aquela porcaria?"
A Dona Rosa desatou-se a rir.
"Em previsões, são um desastre. Olha-me para as asneiras que escreveram no ano passado sobre o que ia acontecer este ano". Ligou a bola de cristal e apareceram este e este posts. Mas havia outros.
"Vocês escreveram que a presidência portuguesa ia correr mal ao Sócrates". A Dona Rosa ria-se, numa histeria. E eu já estava a ficar incomodado.
"E, então, quais são as suas previsões para 2008? Certamente melhores do que as nossas", atirei. Ela nem hesitou na resposta:
"É fácil: O Bush será substituído; há eleições no Paquistão e, no fim, fica um general; o Sarko casa com a Bruni; o Gordon vai à sua vida, a Merkel vai ser rapariga da sexta-feira no Corta-Fitas. Seus pedantes!".
Desligou com raiva a bola de cristal.
"E em Portugal, o que vai acontecer?"
"São mais cinco euros".
Paguei. E a bruxa ligou de novo o interruptor da bola de cristal.
"A economia de pantanas; Berardo na Caixa Geral de Depósitos; Sócrates no Governo; não haverá mais festarolas europeias, vem a factura; fogos no Verão; a economia de pantanas (já disse); o Benfica perde mais uma vez o campeonato; a Clotilde fica com o Arnaldo; Sarko no Allgarve com a Bruni; Adolfo Ernesto apaixonado por uma beldade chamada Rosa".
Quando saímos (ar fresco!), a Clotilde vinha a matutar naquelas previsões.
"Podias ter-me dito que amavas uma Rosa", disse a Clotilde.
Era inútil dizer que não conheço nenhuma beldade chamada Rosa.
"Enfim, se não posso ficar contigo, talvez o Arnaldo não seja má ideia", suspirou a Clotilde.
Adolfo Ernesto





... é SCARLETT JOHANSSON. A quem interessar, nasceu a 22 de Novembro de 1984, em Nova Iorque. Construiu uma bela carreira no cinema, mas não é pelas suas qualidades artísticas que a elegemos rapariga da sexta-feira de 2007. Foi, como é óbvio, pela sua simpatia. Quem se interessar pela filmografia e outros detalhes do género deverá consultar o site do imdb. A nós interessa-nos saber que esta nova-iorquina de ascendência dinamarquesa tem um irmão gémeo que é actor, mas cuja foto não consegui localizar, que gosta de homens mais velhos (o que faz sentido, visto que ser mais novo que ela é ilegal em alguns Estados). Diz-se que teve romances com Justin Timberlake e com Benicio del Toro, factores que pesaram na sua eleição pela ala feminina do Corta-Fitas. É democrata, viciada em queijo, não acredita na monogamia e fez o teste do HIV duas vezes por ano, considerando que quem não o faz "é irresponsável". Porque é que me coube a mim apresentar a rapariga do ano?, perguntará o único leitor que conseguiu desviar o olhar do decote da loira e chegar a estas linhas (olá, mãe). Só faltava eu e o Villalobos. A escolha era entre a Scarlett e uma pessoa que usa mais base do que ela e cujo nome não vou dizer porque venceu uma categoria que ainda não foi anunciada. O João Villalobos foi um cavalheiro e deixou-me escolher primeiro. A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
Tem toda a razão. Esse é o grande sonho do portuga...
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Dia 8 a gente boa e sensata de Leiria convocou uma...
Se ocorrer uma cheia maior que as cheias do passad...
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