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Linhas de fogo

por Corta-fitas, em 02.10.07
Estas acrobacias contabilísticas da porta-voz da PSP não convencem, infelizmente, quem quer que seja. O crime não diminuiu. As estatísticas baixam porque as pessoas se queixam menos e queixam-se menos à medida em que as ocorrências vão ficando cada vez mais corriqueiras e a situação de perigo constante inalterável. E não é só na Linha de Sintra. Recentemente, num jantar em Cascais, uma amiga descreveu-me a invasão de um bando armado ao Centro de Saúde às cinco da tarde, como o mesmo restaurante no centro de Manique já tinha sido assaltado quatro vezes em plena hora de jantar e a «zona de guerra» em que está transformado o andar da restauração no Cascais Villa, durante o período nocturno.
Não sei qual é a solução. E não sei se alguém saberá. Mais meios? Mais policiamento? Eis uma opção que me custa defender. Com o tempo, porém, é-me cada vez mais difícil manter a convicção expressa por Gandhi de que «Olho por olho torna o mundo inteiro cego». O mesmo Gandhi que afirmou acreditar na igualdade para todos, «excepto repórteres e fotógrafos» :)

Nas colunas

por Corta-fitas, em 01.10.07
E para não dizerem que obliterámos o Dia da Música: John Miles

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Cinema nostalgia (14)

por Luís Naves, em 01.10.07

Blade Runner

Hoje é um filme de culto, mas na altura dividiu opiniões. Adorei-o, na primeira vez que o vi. Penso que é um dos últimos grandes filmes dos anos 80, um dos mais imitados e um dos derradeiros clássicos.
Explico-me melhor: no futuro, na época que será a de Blade Runner, talvez o cinema esteja dividido entre clássico, baseado em histórias e personagens, e pós-clássico, com a sua obsessão por efeitos digitais e onde o enredo é uma componente secundária. Dito de outra forma, talvez o cinema se esteja a tentar libertar da literatura, em busca de um terreno dominado pelo lado visual.
Apesar de tudo, no ano em que foi feito, 1982, Blade Runner era uma película muito ousada, até estranhíssima, misturando elementos de uma realidade ampliada, de banda desenhada e policial negro, com ambientes expressionistas, arquitectura futurista, imagens dentro da imagem. Sem abandonar os modelos do seu tempo, incorporava ideias de diversas origens. Por isso, talvez seja um dos primeiros filmes verdadeiramente pós-modernos.
A história baseava-se numa ideia central que ia beber ao cerne do filme negro: o protagonista, Deckard (Harrison Ford), parecia uma pobre figura. Quase sentíamos a sua inferioridade, a dor física, as dúvidas, as hesitações, o conflito moral, enquanto ele tentava caçar os replicant, seres manipulados geneticamente que mal se distinguiam dos humanos. Deckard é um homem duro, sem dúvida, um detective disposto a cumprir a sua missão. Mas a que preço! A sua fragilidade, em contraste com as personagens que aquele actor então encarnava, era quase tocante. Estes heróis divididos anunciavam uma nova era digital, fragmentada e ambígua.
Além dos actores (Rutger Hauer, Sean Young), o filme tinha outros pontos fortes, como a música electrónica de Vangelis, que ajudou imenso a criar uma atmosfera futurista, sem falar na competente realização de Ridley Scott, que vinha da publicidade e sabia gerir um ritmo alucinante.
Se não me engano, este foi o primeiro filme (de muitos) baseado numa história de Philip K. Dick. O magnífico escritor não tinha a arte da prosa de Ray Bradbury (para citar um exemplo de outro grande autor de ficção científica), mas conseguiu, como ninguém, reflectir sobre um problema contemporâneo crucial: nas suas histórias, tudo gira em torno da incerteza do observador em relação ao que é a realidade.
Esta não é apenas incerta, ela pode ser manipulada. No caso de Blade Runner, temos uma incógnita centrada na questão do humano. O que é um ser humano, após a manipulação genética?
Como visionário, Dick compreendeu de imediato as implicações morais da tecnologia genética e da sua manipulação. Mas acho que consegue ir mais longe, tocando num nervo que hoje já é mais compreensível: o que vemos pode não ser autêntico.
Existe uma incerteza em todas as imagens, pois a tecnologia facilitou a sua adulteração; existe dúvida em cada momento das histórias que os media veiculam; existe uma manipulação silenciosa em tudo o que nos rodeia. O corolário era a ideia da paranóia, que invadiu o cinema contemporâneo, num exagero não inteiramente compreensível.
Na arte dos românticos, havia bons e maus, sem cinzentos; os modernistas carregaram nos cinzentos; e a evolução disto é a total inversão da ordem; o mal e o bem estão de tal forma misturados que se tornam difíceis de distinguir um dos outro. Acho que Blade Runner foi um precursor desta nova forma de ver o mundo. É também um daqueles filmes felizes, destinados a serem imitados e copiados, como Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick (71); Johnny Guitar, de Nicolas Ray (54); Metropolis de Fritz Lang (27) ou ainda À Bout de Souffle, de Jean-Luc Godard (59).
Modelos de vida humana que deram incontáveis clones.

Esta não lembra ao calvo

por Corta-fitas, em 01.10.07

Leio e não percebo. O segundo assistente de realização de Leonel Vieira, João Salles, veio afirmar que no próximo filme do realizador Soraia Chaves vai ser «caracterizada para ficar desinteressante». Está mesmo tudo doido!? Por que é que não convidaram logo uma actriz «desinteressante» em primeiro lugar, por exemplo Odete Santos, para poupar nos efeitos especiais? E como é que alguém consegue tornar Soraia Chaves «desinteressante»? Mais ainda: Para quê, senhores!? Para quê!?

Fora de série (10º e último)

por Corta-fitas, em 01.10.07

Em 1984, os alemães assistiram embasbacados na televisão à estreia do mais longo filme da história do cinema: «Heimat – Eine Deustche Cronik» tinha 940 minutos, repartidos em 11 episódios. Em 1992, o recorde seria batido: «Die Zweite Heimat» chegava aos 1.532 minutos de duração. A terceira e última parte, por vicissitudes várias, seria bem mais curta e estrearia com apenas seis episódios de 90 minutos.
Desde o primeiro episódio, Edgar Reitz conseguiu chocar a intelectualidade alemã por duas razões. A primeira quando optou por privilegiar o formato televisivo e só depois estrear no grande ecrã. A segunda, por recuperar um termo que ainda fervia de conotações e escarafunchava nas feridas pós-traumáticas do pós-guerra, as quais tinham tornado diversos vocábulos simplesmente «verbotten». Nem «Pátria» nem «Nação», Heimat é simultaneamente lugar e tempo, território e comunidade. É o lugar da infância, mas num significado só intuído quando já é tarde demais para entendê-lo, quando nos apercebemos da sua perda entre os acessos vaporosos da nossa nostálgica memória. Heimat é o Tempo e o Espaço, reunidos numa Terra do Nunca Mais.
As primeiras duas séries passaram entre nós, no segundo canal da RTP. Para mim, «retornado» e a cuja Heimat não mais regressaria (ou eu a ela) porque se perdera para sempre entre as polaroids e os filmes Super 8 da minha infância, o deslumbramento foi inevitável. Houve algo de essencial que me tocou, para além da beleza corpórea e etérea da cinematografia de Gernot Roll. As personagens não tinham apenas a sua própria vida por dentro, tinham também parte da nossa. Parte da minha.
Como escreveu Sigfrid Gauch: «O cineasta Edgar Reitz, de Morbach, em Hunsrück, deu fama mundial a este Estado. (…) Hunsrück como uma parte do mundo, como se fosse realmente um paradigma para o mundo, sendo compreendida dessa maneira em cerca de cinquenta países, onde foi mostrada». Nesta trilogia, o que Reitz nos diz é que a porta da sua casa e a porta da nossa podem não ter o mesmo código postal. Mas ambas ficam na mesma rua que a História percorre.

Um «muito obrigado» pela imagem ao Paixões e Desejos.

As palavras dos outros

por Pedro Correia, em 01.10.07

“Nem a derrota nem a tristeza fazem perder a cabeça a um homem de pulso forte – que, em contrapartida, facilmente perde a cabeça quando lhe sorri a vitória. E este é o maior perigo que espreita o homem político.”
Soljenitsine, Lenine em Zurique
.......................................
Quadro: A Sagração de Napoleão, de Jacques-Louis David

Os tugas (35)

por Pedro Correia, em 01.10.07
- Ó mãe, vamos atravessar ali na passadeira.
- Que disparate. A gente atravessa já aqui.
- Mas há muitos carros, mãe. E vêm tão depressa!
- Anda, anda! Eles param todos quando nos virem. Nunca óvistes falar nos direitos dos peões?

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A mesma luta

por Pedro Correia, em 01.10.07
Mário Soares acha que a eleição de Luís Filipe Menezes para a presidência do PSD foi "uma desgraça". Paula Teixeira da Cruz e José Pacheco Pereira também.


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Corta-fitas

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