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Para um empenhado pai e padrasto, ir ao cinema com regularidade, foi “chão que já deu uvas”, e este ano a maior parte das vezes que fui, foi com as crianças às matinées infantis. Assim não admira que o meu destaque vá para a “Idade do Gelo – O Degelo” de Carlos Saldanha. Mas foi em 2006 que descobri o filme “Anjos no Inferno”, do realizador Ryan Little. E mesmo que politicamente incorrecto, atrevo-me a adjectivar de belíssimo o filme “O Nascimento de Cristo” de Catherine Hardwicke, a adicionar à minha prateleira de DVDs assim que seja posto à venda. 

Há dias sui generis, como hoje, em que um só tema constitui a manchete dominante um pouco por todo o mundo. Só o tom vai variando conforme os quadrantes - geográficos e ideológicos. Em Chicago, a cidade onde Hemingway nasceu para o jornalismo (e para a literatura), a morte de Saddam Hussein foi noticiada assim.
No domínio dos valores, não devemos ser relativistas. Para mim, a vida humana é um valor absoluto: sou radicalmente contra a aplicação da pena de morte. A sentença capital decretada ao ex-ditador iraquiano Saddam Hussein - por mais execrável que tenha sido o seu regime e por maior "canalha" que ele próprio fosse no exercício do seu poder despótico, para usar esta expressão cara à eurodeputada Ana Gomes - fere os mais elementares princípios civilizacionais, tornando os seus juízes e os seus algozes numa espécie de equivalente moral do antigo tirano de Bagdade. Nenhum dos crimes cometidos por Saddam, por mais repugnantes que tenham sido, poderá ser reparado com a sua execução, ditada pela "justiça dos vencedores", neste caso equivalente a pura vingança, mesmo que camuflada pela necessária respeitabilidade de um tribunal. Não devemos ser magnânimos com os ditadores, mas devemos ainda menos imitá-los nos instintos carniceiros. O respeito por uma vida humana, seja ela qual for, deve funcionar sempre como linha divisória entre a civilização e a barbárie. E não me venham dizer que tudo isto é relativo. Porque não é.
A edição de hoje do El Mundo conta que a "Junta obriga os professores a apresentar o seu plano docente em galego". Aí está Emilio Pérez Touriño no seu melhor. Quem tem saudades do bom do Fraga?..
Despeço-me de 2006 e dos leitores do Corta-Fitas com uma fotografia da Juliana Paes, considerada já um verdadeiro ícone deste blog. A fotografia aqui ao lado não será certamente das "melhores", mas foi uma das poucas que encontrei no google com a miúda vestida. Sorry.
A todos os colaboradores deste blog cheio de inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios, um grande Ano Novo com muita saúde e muita felicidade. Um grande beijinho a todos.
Nada como festejar com Bolo de Natal de Moçambique , uma taça de Loridos Clássico e até para o ano.
Um excelente 2007 para todos.


O próximo ano será marcado por quatro acontecimentos principais: o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, a época de incêndios, a presidência portuguesa da UE e, estando nós na futebolândia, a disputa do Campeonato da Europa.
Em relação ao primeiro tema, penso que haverá uma vitória fácil do “sim”. Não querendo entrar em polémica com alguns dos meus queridos companheiros de blogue que defendem o “não”, abstenho-me de justificar esta previsão. Limito-me a dizer que votarei pelo “sim”.
Em relação à época de incêndios, será o drama habitual, com as também habituais discussões estéreis sobre se este Governo é melhor do que o anterior, com as respectivas estatísticas deturpadas sobre o número de hectares ardidos.
Há vinte anos, quando era estudante do Instituto Superior de Agronomia, os professores já ensinavam que haveria incêndios florestais em Portugal enquanto a floresta fosse a errada, ou seja, plantada com espécies de crescimento rápido, mas sem adaptação ao clima. Entretanto, todas as tendências da época se agravaram: há mais desertificação humana, proliferam as matas com uma única espécie (sempre a mais errada para o clima seco) e interesses económicos incendiários. O ministro da Agricultura, Jaime Silva, que conhece o problema, tentou dizer isto, mas foi imediatamente calado pelos lobbies.
A luta contra os incêndios (a obsessão de Governo, oposição e comunicação social) é um pouco como curar uma infecção com aspirinas: pode baixar a febre e reduzir os sintomas, mas nunca curará o mal. Com ou sem spin doctors.
Por falar em spin, o actual Governo continuará, sem êxito, a tentar controlar a informação. Tentará, sem êxito, fazer algumas reformas pouco significativas e prosseguirá, sem êxito, a sua governamentalização da administração pública.
Do lado mais sensato, continuará o esforço de consolidação orçamental, num ajustamento económico doloroso para a população, que se prolongará além de 2007.
O desemprego desafiará as leis da física, mantendo-se estável numa economia em crescimento deficiente, graças a estatísticas no mínimo notáveis.
A presidência portuguesa será uma boa ocasião para propaganda, mas as regras mudaram (agora, está sempre presente um país grande num trio) e penso que a Alemanha tentará controlar não apenas o seu semestre, mas o ano e meio que teoricamente é gerido por três países a coordenarem a agenda entre si. Como só existe um tema a sério, a reforma institucional da UE, a senhora Merkel estará no comando do essencial até Junho de 2008. Portugal ficará com algumas migalhas, nomeadamente a cimeira UE-África, que a realizar-se será uma boa ocasião propagandística, embora a relação entre Europa e África não vá mudar um milímetro: eles serão fonte de matérias-primas baratas, governados por elites corruptas que fazem compras de produtos de luxo em Paris, e nós continuaremos a estimular o grande negócio humanitário.
Finalmente, coisas sérias e uma nota optimista: o apuramento para o Euro 2008. O grupo é muito mais difícil do que parece e a Polónia assume-se como rival sério, mas penso que a nova geração de craques estará à altura do desafio.
Afinal, apesar da conjuntura, Portugal é um País muito resistente. Como as pilhas Duracell.
Confesso-me rendido ao desempenho de Daniel Craig no último filme da série 007: ao contrário do xaroposo Pierce Brosnan, que abusava dos tiques de salão, Craig retoma a personagem dura, cínica e profundamente amoral que Sean Connery em boa hora criou no princípio da saga. Os primeiros filmes foram de longe os melhores - nada a ver com a pirotecnia acéfala, boa para consumir pipocas, em que o agente de Sua Majestade se foi transformando, sobretudo nas duas últimas décadas. Agora dá-se o regresso às origens com excelentes cenas de pancadaria (dignas dos Keystone Cops, ou seja, dos primórdios do cinema) e de perseguição, polvilhadas com um humor próprio de quem não se leva demasiado a sério. James Bond, apesar de ter ordem para matar, não deve, de facto, ser levado demasiado a sério. Só isto nos permite desfrutar da melhor maneira Casino Royale, um filme com uma produção irrepreensível que me fez ter uma súbita vontade de conhecer Montenegro, de regressar com urgência a Veneza e de adquirir residência nas margens do Lago Cuomo um dia destes, quando me sair o euromilhões. Brinde suplementar: a película tem excelentes diálogos. O meu preferido é este, entre Bond e a deliciosa Vesper Lynd (interpretada pela actriz Eva Green):
Depois da discussão que aqui houve sobre as máquinas de café e a Bimby, devo confessar que há uma coisa que me faz uma certa espécie: as lareiras com "recuperador de calor". Aquelas de onde nem sequer sai o cheiro a lenha. Para mim, é como o café de balão e a Nespresso. Prefiro as lareiras à séria e o café de balão. Chamem-me conservador, mas quem me tira uma lareira verdadeira, tira-me tudo.A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.