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Freitas do Amaral ingressou no Governo, em Março de 2005, para consolidar um currículo político que estava em pousio desde a sua vinda de Nova Iorque, quase uma década antes, e para refrescar a memória dos portugueses que se haviam desabituado de o ver nas capas dos jornais. A sua inesperada ressurreição na pasta dos Negócios Estrangeiros, que ocupara em eras remotas, constituía uma espécie de prelúdio antes de lançar a putativa candidatura presidencial. Mas Mário Soares trocou-lhe as voltas. Ao atirar-se para Belém no Verão passado, levando o PS a reboque, Soares inviabilizou as ambições presidenciais de Freitas, que já se mostrara disponível numa entrevista ao DN. Sócrates, sem margem de manobra, apoiou Soares. Péssimo negócio: ganhou um candidato com derrota garantida nas urnas e perdeu um ministro dos Negócios Estrangeiros. Freitas desdobrou-se desde então num estendal de disparates: no fundo, implorava que o substituíssem sem demora. Castigador, o primeiro-ministro só agora lhe fez a vontade. E castiga-o ainda de outra forma, nomeando Luís Amado para os Negócios Estrangeiros: seria difícil, no mesmo parentesco político, encontrar um sucessor com um perfil tão diferente do antecessor, nomeadamente no capítulo das relações luso-americanas. Num currículo onde não faltam desaires, Freitas do Amaral acaba de acumular mais um.
“Esta semana não poderia ter corrido melhor a José Sócrates.” Acabo de ler esta frase. Trata-se do excerto de um artigo de Eduardo Prado Coelho numa das suas enésimas vénias ao poder político de todos os matizes? Nada disso. De uma análise irónica do Daniel Oliveira no Arrastão? Também não. De uma intervenção politicamente correcta de Jorge Coelho na Quadratura do Círculo? Nem por sombras. É a primeira linha do segundo parágrafo de uma “notícia” que a Lusa divulgou às 17.53 de hoje, confundindo informação com descarada propaganda ao Executivo rosa. E afinal porque correu tão bem a semana ao primeiro-ministro? A agência esclarece: “Não só pela concretização de quatro medidas inseridas no plano de bandeira do Governo - cobertura total de banda larga das centrais telefónicas da PT, o correio electrónico virtual Via CTT, o Netemprego e a Empresa On-line - como pelos resultados do relatório de Bruxelas sobre o Governo electrónico.” Com a demissão de Freitas do Amaral, que a mesmíssima Lusa anunciara quatro horas antes, foi mesmo uma semana em cheio. Agora só falta Portugal ganhar à Inglaterra...
A saída de Diogo Freitas do Amaral de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros é mais uma derrota pessoal e política de José Sócrates, depois de já ter perdido as eleições autárquicas (Lisboa, Porto, Coimbra e o total do País) e as presidenciais (onde apresentou Mário Soares e viu Alegre roubar o segundo lugar). Mas vamos aos sinais e aos indicadores. Freitas do Amaral, após um apoio claro e objectivo a Durão Barroso nas legislativas de 2002, deu outra das suas reviravoltas e esteve com Sócrates nas eleições do ano passado. O fito era óbvio: O antigo candidato de 1986 aceitou ser MNE para entrar no jogo presidencial (ou para ficar mais perto dele). Soares trocou-lhe as voltas e não houve reedição do Prá Frente Portugal. Depois das eleições de Fevereiro, cedo se percebeu que aquela que é ciclicamente uma pasta que dá visibilidade e transforma ministros apagados em campeões de popularidade estava diferente. A crise nos consulados, a falta de dinheiro nas embaixadas, o Iraque, as idas (poucas) aos conselhos da União Europeia foram cansando o ministro. Há pouco mais de um mês o Expresso noticiou que Freitas estava mesmo cansado. As Necessidades desmentiram, o ministro afinal estava pleno de vigor e nem as informações que corriam nos bastidores da política de que o MNE estava de saída, que provavelmente não chegava à presidência portuguesa da UE (no segundo trimestre de 2007), o abalavam. Depois, Timor-Leste. O primeiro-ministro não desejava isto. Caso contrário, não teria reagido epidermicamente à notícia do Expresso. Recorre agora à prata da casa do guterrismo: Nuno Severiano Teixeira na Defesa, Luís Amado no MNE. Nenhuma solução é pensada, é de recurso perante o problema nas vértebras (na C7, dizem-me) do MNE. O primeiro é um especialista na área da Administração Interna, embora domine e conheça também os meandros militares. O segundo terá de fazer acompanhar-se melhor nas Necessidades. Ou será trucidado pela máquina diplomática. Se esta legislatura fosse um jogo de xadrez, Sócrates perdia agora um bispo para fazer avançar dois peões guterristas...
O XL mantém aquele estúpido sistema de reserva de mesas que pode ser "chique a valer" mas tem afugentado antigos clientes como eu: ou se chega forçosamente às 20 horas, com "despejo" garantido" a partir das 22 e 45, ou não se encontra um lugarzinho antes desta hora, mesmo que se telefone de véspera. Uma vez mais desisti de lá ir. Rumámos antes ao Casanostra - e ainda bem que o fizemos. Continua a ter uma atmosfera acolhedora, um serviço diligente e uma excelente ementa de pratos genuinamente italianos. O Moët & Chandon foi substituído com vantagem por um prosecco transalpino que ia escorregando em doses generosas. Do carpaccio inicial ao parmeggiano final, o diálogo seguiu em natural crescendo, molto vivace. A sala é exígua (um problema clássico no Bairro Alto) e as mesas vizinhas estão demasiado próximas, o que constitui um inconveniente óbvio nas noites em que o restaurante é menos bem frequentado, o que por vezes acontece. Mas não foi o caso: estivemos lá enquanto quisemos, ninguém nos despejou e a conversa não podia ter corrido melhor.
Tudo isto para dizer que gostei do jantar.
E para todos os fumadores compulsivos que viajem entre Dusseldórfia e Tóquio (não se riam que o Corta-Fitas é lido em todo o Mundo :)
O Conselho Europeu decidiu na semana passada abrir abrir certos procedimentos das suas reuniões ao escrutínio da opinião pública. Já li críticas à iniciativa. A meu ver, é urgente que os encontros dos líderes da União Europeia sejam públicos, e não me parece que a abertura deva ser apenas parcial. Em primeiro lugar, o Conselho Europeu já funciona como uma espécie de senado, com 25 membros, num modelo de câmara alta do parlamento. Só não é exactamente um senado porque os “senadores” têm pesos diferentes nas votações (embora todos sejam iguais na capacidade de vetarem uma decisão que afecte os interesses vitais do seu país).
(...) O que me inveja não são esses jovens, esses fintabolistas, todos cheios de vigor. O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)
Espanta-me que só 27% dos inquiridos classifiquem a política do Governo Sócrates como de centro-direita ou de direita. Mas mais, muito mais espantado, fico com outros dados obtidos na sondagem da Aximage.A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
Creio que o equilíbrio andará em admitir-se que o ...
Primeiro. Até parece que os funcionários públicos ...
Enron
O incentivo de um Organismo Estatal também é o luc...
Zelotas, vigaristas, corruptos, gananciosos, gente...