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Vasco Granja - "Então pequenino, como te chamas?"
Acabo de saber, via Bloguítica, que Ana Gomes fez um mea culpa em declarações à Rádio Renascença. Um dos "erros graves" cometidos por Portugal em Timor-Leste, segundo a antiga embaixadora em Díli, "foi exportar para lá o nosso modelo constitucional, que não se adapta às condições de Timor". Precisamente o que aqui escrevi há dois dias. Espanta-me, aliás, que este aspecto não esteja a ser focado pelos habituais "especialistas" das questões timorenses que proliferam em jornais e televisões, até porque constitui um dos mais sérios ingredientes da actual crise. Mas congratulo-me por Ana Gomes ter dado enfim a mão à palmatória.
1. Deveria Portugal enviar Forças Armadas e não apenas a GNR para Timor-Leste? De maneira nenhuma. O grande problema da insegurança no mais jovem país de língua portuguesa exige ser combatido com operações de âmbito policial e não de âmbito militar.2. Operações militares convencionais estão condenadas ao fracasso em Timor, desde logo pelas características orográficas do país, dominado por cadeias montanhosas. A história da ocupação militar do território pelo invasor indonésio, entre 1975 e 1999, só confirma este princípio.
3. Existem de momento em Díli forças millitares australianas e neozelandesas que não conseguiram travar algumas das acções mais violentas por bandos de desordeiros nas ruas da capital timorense. O fracasso destas patrulhas demonstra bem que a solução da crise não depende de factores militares.
4. A acção da GNR em Timor-Leste deve estar sempre enquadrada pelo direito internacional - e em particular pela Organização das Nações Unidas.
5. No terreno, as forças portuguesas devem cooperar com australianos e neozelandeses. Mas sem ilusões: em termos geoestratégicos, os interesses de Lisboa e Camberra são divergentes. Portugal não pode pode aceitar que a Austrália ou a Nova Zelândia transformem Timor num protectorado, como se fosse a Tasmânia ou as Ilhas Cook. Meio milénio de presença portuguesa em Timor - seguido de quase três décadas de abandono - exige que olhemos para este país com uma atenção muito especial. Nenhum outro povo como o português tem tanta legitimidade para o efeito. E tanta responsabilidade histórica.
6. Em Díli, Xanana Gusmão assumiu enfim a mediação do conflito, reivindicando as áreas ministeriais da Defesa e da Segurança Interna. Um claro indício de que o Presidente da República vai tornar-se o vértice real do sistema político timorense, apesar das limitações impostas por uma Constituição inapropriada à realidade do país.
7. Alkatiri é o grande derrotado. Mas poderá ainda sair airosamente de cena, em obediência ao tradicional princípio oriental de não fazer ninguém "perder a face". A sua inépcia política ficou patente na total passividade que revelou no combate à crise. Devia ter sido ele, e não Xanana, a tomar a iniciativa de exonerar os titulares da Defesa e da Segurança, restabelecendo um clima de confiança no país.
A DECO e a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados lançaram hoje mais uma campanha de denúncia de «pontos negros» nas estradas portuguesas. É meritório. Mas toda a gente já sabe que não há pontos negros nas nossas estradas. Há, isso sim, um gigantesco acne daqueles que, quando desaparecem, é só para deixar buracos.
Na ilustração à esquerda temos a minha sugestão para a base de um novo equipamento da Selecção Nacional época 2006/2007 (a respeitável e "veneranda" bandeira da presidência da republica).
Tenho uns amigos que juram que o critério "elitista" do júri de Cannes afasta os melhores filmes em concurso. Outros que garantem que Hollywood é incapaz de reconhecer uma obra de arte. Com a atribuição da última Palma de Ouro, este fim de semana, fui conferir que filmes de indiscutível qualidade foram galardoados em Hollywood e Cannes nos últimos 30 anos. Resultado: um empate.
O que é "música de protesto", Francisco? Chamo-te a atenção para o seguinte: o nosso próprio Hino Nacional, tão vibrantemente entoado nos estádios de futebol, começou por ser um tema de protesto contra o Ultimato britânico de 1890. A Marselhesa tem origem semelhante. Queres outro hino de protesto que resiste a todos os ventos e a todas as modas? Le Chant des Partisans, imortalizado por Yves Montand - o mesmo que depois filmou em Hollywood uma fita fútil com Marilyn Monroe. Isto anda tudo ligado. Grande parte da música popular dos nossos dias tem a sua raiz na "canção de protesto" - de We Shall Overcome, de Pete Seeger, a The Times They Are A-Changing, de Bob Dylan, de Léo Ferré a Jacques Brel - sem esquecer os Beatles e os Pink Floyd. Queres canção mais bela do que a Construção, de Chico Buarque? Ou o Cálice, da dupla Chico Buarque-Gilberto Gil? José Afonso, Sérgio Godinho, Fausto e Jorge Palma - todos se celebrizaram por "canções de protesto". Mas nenhum parou aí. Cada um deles compôs também alguns dos temas de maior lirismo, de maior sensibilidade e de maior elevação artística que desde sempre se produziram na nossa língua.
Tal como a Fernanda, eu também gosto de gatos e de cães. Por igual, sem distinções de qualquer espécie. Sempre convivi muito com qualquer destes animais. E colecciono inúmeras histórias saborosas em jeito de recordação de todos eles. Não lhes chamem irracionais: são muito mais inteligentes e sensíveis do que muitos seres humanos que conheci.
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