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A salvação dos aflitos

O Naves andou por aí a escrever a minha biografia e aquilo só tem disparates. Até a Clotilde achou estranho: “Ó Adolfinho Ernestinho, meu chuchu, fofinho crocodilo meu, tu andavas mesmo vestido à Elvis?”

Aquilo aborreceu-me a sério e fui à procura do Naves, para lhe explicar novos pormenores sobre a minha biografia, a saber: tive uma passagem pelo pugilismo peso-pluma.

Os corta-fiteiros jantavam algures em Lisboa (sem me convidarem) e eu entrei num edifício ali perto, a pensar que era o restaurante da moda onde eles estavam.

E, de facto, numa mesa ao fundo de um restaurante discreto, estava um grupo de bacanos. Só quando cheguei perto deles, percebi que não eram os corta-fiteiros, mas conspiradores fumadores de charutos.

Um deles pensou que eu era trabalhador da copa e disse assim:

“Vamos perguntar aqui ao rapaz (que era eu) qual é a opinião que tem sobre a nossa crise. Afinal, é um trabalhador. Deve ter uma opinião”.

Ele tinha-me chamado trabalhador e não gosto de ser insultado, além disso estava chateado, mas deixei passar.

Aproximei-me. O homem fez a pergunta:

“E o que achas do Borges para conduzir a equipa?”

“Pode ser uma solução, mas preferia o Humberto”, admiti.

Ele ficou a olhar para mim, como se não percebesse. Depois, prosseguiu:

“E do Aguiar para reforço?”

“Não conheço esse. É avançado”.

“Avança, se for preciso. E do Marcelo?”

“Ouvi dizer que é bom”.

“O importante é conseguirmos tirar o Luís Filipe, o que parece garantido”, insistiu outro dos homens de charuto.

“Nesse ponto, estou totalmente de acordo”, respondi. “Precisamos de novos avançados, de um treinador à maneira e, sobretudo, de nova liderança. Mas atenção, que não apareçam dez líderes e apenas um avançado centro, como nos exércitos sul-americanos".

Naquela noite, ainda não tínhamos sido cilindrados pelo Sporting e eu ainda não estava a ver bem a dimensão da nossa crise.

Mas os bacanos pareceram satisfeitos com a minha resposta. “É a opinião dos trabalhadores”, disse um deles, como que a sublinhar um ponto importante.

Só quando vinha a sair é que o verdadeiro empregado me disse que aquele não era um jantar de salvadores do meu Benfica, mas a reunião de opositores da liderança do PSD.

“Esses ainda estão piores que o Benfica”, ri-me. Ainda não tínhamos apanhado os 5 a 3 e agora, tenho dúvidas sobre quem estará pior, porque nós não nos livramos do nosso Luís Filipe.

Despedi-me do empregado, perguntei-lhe se conhecia o restaurante da moda onde estavam os corta-fiteiros e segui caminho, à procura do Naves, para lhe ensinar uns truques de pugilismo e entregar-lhe esta crónica, pare ele pôr em linha.

Adolfo Ernesto 



3 comentários

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De Anonimo NÃO Jornalista a 19.04.2008 às 08:45

Está-se a desperdiçar um talento... Não o deixe fugir!

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