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20% de aumento

por henrique pereira dos santos, em 07.06.22

António Costa precisava de dizer que tinha um desígnio socialmente comum e mobilizador para a legislatura de maioria absoluta, para contrariar a ideia, que se vai espalhando lentamente como a ferrugem que pode corroer o poder do PS, de que o único desígnio claro de António Costa é o de ter o poder centrado no PS (de preferência nele próprio, mas isso não é o essencial, é uma decorrência do desígnio de centrar o poder no PS).

Vai daí, sabendo que uma das linhas de corrosão mais complicadas é da dos baixos salários e da pobreza relativa em relação aos países menos ricos da União Europeia, escolheu dizer que temos de aumentar os salários em 20% e aumentar o seu peso no PIB.

Esta parte de aumentar o peso no PIB está na declaração que fez para entreter académicos e outras elites, na verdade o que vai sobrar da declaração são os 20% de aumento de salários na legislatura.

António Costa sabe que se a inflação andar pelos quatro por cento ao ano (é uma possibilidade), e ele estiver a falar de salários reais, então um aumento de 20% ao longo da legislatura é uma treta, porque a inflação come quase todo o aumento nominal dos salários.

Também sabe que existe actualmente alguma pressão para o aumento dos salários dada a escassez de mão de obra disponível, ou seja, 20% de aumento nominal dos salários é galinha.

António Costa conta, evidentemente, com a falta de escrutínio sobre o que diz e faz, para não ter os jornalistas a morder-lhe as canelas todos os dias para o obrigar a esclarecer se está a falar de salários nominais, e assumindo que taxa de inflação, ou de salários reais.

Haverá sempre algum escrutínio e por isso está lá em cima a referência ao aumento do peso dos salários no PIB, para lhe permitir dizer que é evidente que está a falar de aumentos tais que aumente o peso dos salários no PIB, dando uma resposta formalmente satisfatória, mas sem capacidade de comunicação para a generalidade das pessoas por ser matéria demasiado técnica.

O que ficará é a proposta de 20% de aumento dos salários, situação que provavelmente acontecerá (ou perto disso), ao longo da legislatura, faça o governo o que fizer.

Na prática é uma versão mais esperta do famoso cálculo do défice que o Banco de Portugal aceitou fazer a pedido do governo de Sócrates: com esse cálculo de um défice fictício, que Sócrates assumiu como referência, Sócrates conseguiu aumentar o défice, dizendo sempre que o estava a baixar e nós fomos todos (quase) atrás dessa pantominice.

Daqui para a frente, ao longo da legislatura, passaremos o tempo a usar os 20% como referência (em termos nominais), como se fosse um objectivo do governo e não uma mera decorrência do tempo, nas circunstâncias económicas que é previsível que venhamos a ter.

Como é habitual em António Costa, o que ele fez foi formatar a discussão para que não fazer nada pareça um feito digno de figurar nos Lusíadas.

E nós todos (ou quase), consciente ou inconscientemente, iremos outra vez atrás dessa pantominice, os mais avisados dizendo que António Costa não sabe ainda o que quis dizer, não pensou verdadeiramente no assunto, a generalidade das pessoas espantadas com o génio político de António Costa que, em condições difíceis, conseguiu garantir que os salários subiram 20%, ou perto disso - com um bocadinho de sorte, ainda acima disso - durante a legislatura.



12 comentários

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De Anonimo a 07.06.2022 às 14:47

Semana de 4 dias, aumento de 20% de salário. Assino já.
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De Anónimo a 08.06.2022 às 10:21

No meu modesto entender, eu achava que primeiro se criavam as condições económicas que produzem e geram a riqueza dum país e depois os bons salários surgiam como consequência. Como fez o Cavaco Silva. 


Nada mais errado. Afinal, os aumentos de salários podem aparecer com um simples estalar de dedos: por decreto! Como faz o António Costa.


Os portugueses que se preparem para o próximo enterro do país. Assim, do nada, sem alicerces, começa-se pelo teto. Desta feita, sem  qualquer base de sustentação, aumentam-se os salários. Porque sim. Só através do pensamento mágico.
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De Anónimo a 09.06.2022 às 13:27


De pouco serve aumentar salários a 20% em não-sei-quantos-anos se a inflação como se prevê e está a acontecer comer muito acima disso.
O Costa agradece que as (treto)notícias se dediquem a mostram velhinhos na Ucrânia e ninguém fala no elefante na sala: na inflação e no que acontece à dívida dos países fortemente endividados - como Portugal - se o Banco Central Europeu levar as taxas de juro até - fiquemos pelo baixinho - 2% apenas ?
Não é dificil imaginar que incapazes de servir a dívida estes países comecem muito sériamente a considerar a saída da moeda unica...
Mas como em todos os desenvolvimentos deste ultimos meses, tenho plena confiança que os "génios" de Bruxelas e Washington pensaram bem nisto e teem solução. Tall como para a iminentemente provável nova crise de migrantes em fuga da fome para o Shangri-La europeu.
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De Anónimo a 07.06.2022 às 14:57

De facto, mais ou menos já todos (quase) vão percebendo que poucos são os desígnios que Costa assumiu para a legislatura da "sua" maioria absoluta. Não tem, nunca teve nem terá objectivos claros para o país _ precisaria de ter estatura e estrutura para tanto (que não tem) _ e até a CS, noto,  está menos amestrada pelos socialistas. Cansaço? Um assomo de lucidez e de integridade? Talvez. Mas algo está a "mexer" imperceptivelmente (Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo). Costa obviamente já o percebeu. A cartada do aumento de salários na tentativa de "mobilizar" o país, surgiu quase como reacção instantânea,  instigado pelas invectivas certeiras de Cavaco Silva. Costa nem pensou duas vezes quando anunciou a medida: e a manobra "assentava" que nem uma luva para distrair o país dos sinais claros que mais têm corroído a sua governação: os baixos e miseráveis salários, os elevadíssimos impostos e o estado de pobreza generalizada deste país atirado para os fundilhos da Europa. De caminho, aproveitando o balanço, ainda teve o topete de apelar " às empresas portuguesas para que “contribuam para um esforço coletivo de aumento dos salários dos portugueses, para que haja ‘maior justiça’ ". Que lata!  (Este homem ainda nos vai ensinar a fazer omeletes sem ovos!!! ) Assim é o Costa, fazendo sempre os mesmos truques e os mesmos "números" já conhecidos, num esforço de (cito o HPS) «contrariar a ideia, que se vai espalhando lentamente como a ferrugem que pode corroer o poder do PS, de que o único desígnio claro de António Costa é o de ter o poder centrado no PS».
 
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De Anónimo a 07.06.2022 às 21:19

O Costa está maluco!! É necessário que alguém o substitua rapidamente!!...começa a ser um problema psiquiatrico.. . Ainda há pouco defendeu a derrota da Federação Russa para existir paz, bem como a mudança de regime Russo... mais depressa implode a UE que a Federação Russa!!! 
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De passante a 08.06.2022 às 00:40

falta de escrutínio


Há uma falta generalizada de tino, meter escroto ao barulho é pedir sarilhos.


Mas sim, infelizmente. Bem visto.

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De Anónimo a 08.06.2022 às 09:13

Está provado que o sucesso  de um político não se mede  pelo número de votos conquistados nem pelo número de vitórias alcançadas. Temos imensos exemplos disso ao longo destes anos. O sucesso de um político mede-se pelos bons resultados alcançados durante a sua governação, levando o país a bom porto, com reformas que contrariem o nosso empobrecimento sistemático, melhorando em diversos indicadores, como o progresso e desenvolvimento económico do país, fazendo-o convergir com os restantes países europeus, traduzido em melhoria dos salários, bem-estar, maior justiça social, etc. 
- Atente-se, por exemplo, nos sucessos eleitorais obtidos por Mário Soares, um político tão experimentado. Isso não impediu que o país se degradasse e o levasse à bancarrota. 
- O mesmo sucedeu com a maioria absoluta do Sócrates. Foi o estrondoso desastre que se conhece, mais uma bancarrota e a corrupção a ela associada, cujas consequências se fazem sentir até hoje.
 - E os sucessos eleitorais obtidos anteriormente pelo dr.Costa? Em que se traduziram?! E esta maioria absoluta? Já nos veio dar sinais de que o único objectivo de Costa era conseguir obtê-la e o seu "sucesso" esgotou-se nessa vitória. Pronto, acabaram-se os complexos, já pode dizer que tem uma maioria absoluta no seu curriculum. De resto, nada fará com ela, não vamos sair da cepa torta. Ele não é nem será um reformista, pelo contrário, é um defensor do marasma e desta "mesmice", deste país parado, estagnado, sem reformas. Com ele nada vai mudar. Falta ao dr.Costa golpe de asa, é um homem sem horizontes. No fundo é um tímido, bastante inseguro, com receio arriscar. Não sei como ainda ninguém o catalogou como o nosso mais conservador 1ºMinistro, de tão avesso que é a mudanças !!! Esta promessa inesperada do aumento de salários é uma medida mirabolante só para agitar um pouco as águas paradas. E é bastante improvável que se concretize (e ele sabe-o), mas ocorreu ao dr.Costa como uma espécie de solução "deus ex machina"  para se safar do imbróglio em que o meteram (coitado!): o de ter de provar ao dr.Cavaco Silva em 1º lugar, que é capaz de medir-se com ele e também sabe desenvolver o país;e em 2ºlugar, para dizer aos papalvos que tem um projecto e um desígnio nacional (!!!). Mas o país já percebeu que tal aumento de salários não se vai traduzir em nada porque não tem adesão à realidade, tendo em conta inúmeros obstáculos, entre eles a inflacção galopante, etc.etc..... 
- A outra maioria absoluta foi a de Cavaco Silva. Nem vale a pena enumerar os feitos da sua governação e os sucessos e de que o país tanto beneficiou com os seus governos, pois têm sido bastante relembrados e divulgados nos inúmeros artigos publicados na CS. É só ir consultar.

Em conclusão: Não tem muito interesse alardear uma maioria absoluta, mas sim o que se faz com ela.
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De entulho a 08.06.2022 às 09:46

os contribuintes servem tão somente para contribuir para o ps como proprietário dos portugueses, apesar de apenas 1 em 4 ter votado nele.
a guerra acaba quando ele e guterres entenderem e não haverá recessão.
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De José André a 08.06.2022 às 13:35



O aumento dos preços deve-se a orientações económicas, por políticas baseadas em sistemas de economia de mercado sem regras comuns entre aqueles que têm acesso a elas. Como actor do consumidor neste mercado global, as epidemias e as catástrofes naturais são suportáveis. Guerras, doações de material de guerra, sanções contra uma ou mais partes produtoras neste mercado são mortíferas.
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De A. Jonas a 09.06.2022 às 14:32

Para mal de todos nós, uma boa percentagem dos portugueses contenta-se com promessas e, nisso, António Costa é perito. Pena que seja só perito em mentir e aldrabar, pois a governar só sabe governar partido, enquanto vai empobrecendo o País.
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De s o s a 09.06.2022 às 22:24

a arte de governar é isso, mas o costa nao faz parte dos seus eleitos. 
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De Manuel da Rocha a 10.06.2022 às 14:38

Como você apoia é que era perfeito e o salário médio seria de 67200 euros mensais. IRC a 0,00005%, IRS em 15% com 600000 deduções para pessoas que gastem mais de 20000 euros em férias, fim do ISP, fim do IA, IVA em 35% como taxa única, empresários e empresas só podem pagar TSU até 1000 euros de salários, para cima disso é 100% privado e o PPR, seguro de saúde e outros é pago a empresas privadas de saúde, as mesmas que "merecem" 70000 milhões de dinheiros públicos para viverem, benefícios fiscais de 10000 milhões só para empresários, bancos a cobrar 10 euros por cada levantamento e 1500 euros, de comissão mínima, anualmente e os membros dos partidos de direita a receberem 2000 milhões, por mês, de ordenados para dividir pelas suas empresas, com isenção total de impostos. 
É como a ordem dos médicos (e a dos enfermeiros) que demoram 180 a 5000 dias, a emitir pareceres sobre erros clínicos, em serviços privados de saúde, e em menos de 6 horas, já estão a condenar funcionários de hospitais públicos, após alguém anunciar que "perdi o bebé por negligência médica" e a exigir 400000 de indemnização para a senhora que "sofreu pela falta de pessoal". O super parecer que só serve para o lado público e protege o lado privado onde 1 em cada 733000 erros clínicos, são punidos. 
Ou será mais como defendeu PSD-CDS-Chega-IL em que se "devia pagar 300 euros, de SMN, para 72 horas de trabalho semanal e as empresas terem 60000000 euros de isenções fiscais "até ao fim do 3 ano de actividade".? 

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