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Memórias de estudante II

por Teresa Ribeiro, em 01.04.08

Sei do prestígio de que gozavam os professores do secundário no tempo dos meus pais. Rómulo de Carvalho, Irene Lisboa, Mário Dionísio e Sebastião da Gama foram alguns dos que honraram a profissão tendo projectado o seu nome muito para além das paredes dos liceus onde leccionaram. Mas mesmo os que nunca saíram do anonimato não deixaram de ser, nas suas escolas, vedetas cuja fama muitas vezes os precedia: fama de exigentes, duros, excêntricos e até perversos na forma como exerciam a sua autoridade. Admirados por uns, detestados por outros eram, todavia, respeitados pelos seus vastos conhecimentos nas matérias que ensinavam.
Já não apanhei essa casta no activo, mas herdei alguns dos seus discípulos em fim de carreira. Destacavam-se dos mais novos pela atitude. Colocavam-se muito acima de nós, sem complexos.
Essa convicção inibia-nos. Até podíamos detestar aquele estilo anacrónico de dar aulas, mas o máximo que conseguíamos fazer era retalhá-los nos intervalos, a golpes de má língua e algum sentido de humor. Penso que era a sua estatura intelectual que nos apoucava e tolhia, mas sobre isso nunca falávamos. Era tabu. Reconhecer o ascendente de um professor sobre nós era sempre embaraçoso.

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6 comentários

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De Anónimos a 01.04.2008 às 12:59

Peço muita desculpa, mas não me parece que o autoritarismo caracterizasse generalizadamente os exemplos avançados.
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De Teresa Ribeiro a 01.04.2008 às 13:24

Caro anónimo: Aqueles nomes foram citados como exemplo de reputados intelectuais que foram professores do secundário. Se reparar não tipifico o perfil psicológico mesmo quando falo dos anónimos. Falo de exigência, de eventuais excentricidades e da atitude que revelava a autoridade que emanava sobretudo da sua sabedoria.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 01.04.2008 às 13:52

Não tenho dúvida que, ainda hoje, haverá professores com a qualidade dos que muito bem cita. Creio que o problema está na descredibilização social do professor.
O exemplo que ontem vi no "Prós e Contras" - que relato lá no meu Rochedo -, penso que é paradigmático. Quando a comunicação social ajuda a pôr em causa a credibilidade e honorabilidade dos professores, que havemos de fazer?
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De Pedro Correia a 01.04.2008 às 19:23

Muito bem, Teresa (e muito bem também, Carlos)
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De luis eme a 02.04.2008 às 00:36

A Teresa podia ter dito que alguns dos exemplos citados foram proibidos de ensinar no ensino público, como essa grande senhora, que foi, Irene Lisboa...

porque não serviam para o Estado Novo...

Quantos excelentes professores foram obrigados a emigrar, como foram os casos de Jorge de Sena, António José Saraiva e Agostinho da Silva, entre outros...

Quantos tiveram de mudar de profissão...
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De Teresa Ribeiro a 02.04.2008 às 11:55

Cruzes, mas será que estes meus posts sobre Educação poderão levar alguém a pensar que o meu objectivo é fazer o elogio do tempo da outra senhora? Oh Luís Eme, por quem sois! Estou muito longe disso! Ter uma visão crítica sobre o que se passa hoje no Ensino e admitir que nem tudo o que se mudou foi para melhor não implica necessariamente o desejo de um regresso a esse passado.

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