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Falta de sentido de Estado

por Francisco Almeida Leite, em 08.03.08

A manchete de hoje do semanário Sol deixou-me estarrecido. Então não é que o jornal revela que o "Governo colabora na acção de Pedroso contra o Estado"? Segundo o Sol, "um documento de Catalina Pestana apareceu misteriosamente nas mãos do advogado de Paulo Pedroso. E quem o passou foi o chefe de gabinete do ministro Vieira da Silva. A juíza já participou ao Ministério Público. O caso prova as ligações entre o Governo e Paulo Pedroso, num caso em que este processa o Estado". Para quem não tenha presente o que isto pode representar, diga-se que, diz o jornal, "o documento foi apresentado por Celso Cruzeiro em tribunal, de uma forma que indicia uma estreita ligação entre Pedroso e o Governo e que pode contribuir para a condenação do Estado".

O ex-ministro do PS, e membro do núcleo duro do antigo secretário-geral socialista Ferro Rodrigues (tal como Vieira da Silva, aliás), pede nada mais nada menos do que 800 mil euros ao Estado de indemnização por ter sido alegadamente envolvido no chamado escândalo da pedofilia na Casa Pia. Pedroso está no seu direito, se se acha inocente e se tiver fortes provas disso. O que não é normal é que seja um gabinete governamental a ajudá-lo numa acção contra o Estado português. Demonstra falta de tudo do gabinete em causa: falta de sentido de Estado, de sentido de dever público, de sentido democrático e até falta de pudor. É que o ministro Vieira da Silva tem a tutela da Casa Pia e foi o braço-esquerdo de Ferro Rodrigues (Pedroso era o direito), portanto alguma coisa fica por explicar.

A partir de agora, e com a notícia do Sol, passa a haver mais um ministro na corda bamba. Maria de Lurdes Rodrigues talvez dure mais uns tempos. Vieira da Silva, num País normal, caía hoje mesmo. Mas estamos em Portugal, onde nada acontece.



5 comentários

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De Manuel Leão. a 08.03.2008 às 13:58

Pois é. Mas, com grande desgosto meu, nunca pensei chegar a esta idade e ter de reconhecer que não estamos num país normal.

Não conheço o processo e respeito todas as presunções de inocência. Não sei se existe ou não razão para mover uma acção contra o Estado.

Mas, a ser verdadeira a notícia, sublinho, como é que se justifica esta atitude da parte de membros do governo?
Onde é que já chegámos?
Isto e as fotocópias de ex-governante que imagem dão do nosso País?
Alguém terá de falar.
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De Anónimo a 08.03.2008 às 14:03

Não simpatizo com Pedroso. Acredito-o inocente, por uma mera questão de lógica. Dito isto, convirá precisar que ninguém tem de ter fortes provas da sua própria inocência. Reunir provas sobre uma versão dos acontecimentos que inclua a culpabilidade de alguém é, em qualquer processo, assunto da acusação, não da defesa.
Se se referia à prova dos prejuízos, isso já é outra coisa.
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De Mialgia de Esforço a 08.03.2008 às 18:35

Pois eu também não simpatizo com o Pedroso e de inocente só se for a sua cara de amuado.

Caro FAL,

Parabéns pelo seu óptimo texto. Está lá tudo o que penso sobre o assunto.
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De Dylan T. a 08.03.2008 às 20:35

Caro FAL,

Eu sei que o dia é de exaltação e hoje somos todos professores, os manifestantes, os não manifestantes, Luis Filipe Menezes, o Cunha Vaz, o FAL, o SOL, enfim, todos nós. Até dá para fazer a"chapelada no PSD" passar nos intervalos da chuva.
Há que cavalgar a onda, que a nossa vez estará para chegar.

No entanto, permita-me a curiosidade de apontar um detalhe.
O FAL faz uma transcrição irrepreensível das frases mais picantes da notícia do SOL, mas omite algo interessante: o conteúdo do tal alegado "documento" de Catalina Pestana.
Então não vem a ser uma proposta para que se negociasse a desistência da acção de Paulo Pedroso contra o Estado (?!).
Ora bem, impõe-se a pergunta que qualquer pessoa com dois dedos de testa faria: e Paulo Pedroso tomaria conhecimento da existência dessa proposta - da iniciativa de Catalina Pestana - exactamente como? Por telepatia?

Que o advogado de Paulo Pedroso tenha interpretado a proposta como um argumento em favor da sua defesa, assim como Catalina Pestana lhe dá uma interpretação por outras razões, isso é uma outra história, de argumentário de estratégia jurídica.
Que tenha sido o Governo ou Vieira da Silva a ajudar Pedroso nisso, parece-me coladinho com cuspo.
E "isso", repita-se, é uma proposta de negociação dirigida a Paulo Pedroso, que Catalina Pestana lá terá necessidade em justificar.

Nota:
Eu tive o cuidado de ler a notícia toda e não apenas o link do que está online. Mas hoje somos todos professores e compreende-se que o Francisco ainda não esteja na plena posse da sua lucidez de jornalista experimentado, após um dia a entoar slogans da FENPROF, a dançar musiquetas sobre o comandante Guevara e a chamar fascistas ao Governo. Não é fácil, eu sei.

As melhoras e os meus cumprimentos

Dylan T.
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De J.C. a 09.03.2008 às 12:08

O título diz tudo: ninguém sabe já em que sentido caminha o Estado...

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