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Agora limpem as mãos à parede

por Teresa Ribeiro, em 04.03.08

É estranho que eleições democráticas disputadas num país democrático dispensem o papel, reconhecidamente importante em democracia, da comunicação social na cobertura do evento. Falo de Espanha. Sabe-se que o PP e o PSOE decidiram tomar essa medida “higiénica”, entregando a divulgação das suas iniciativas e manifestos eleitorais aos departamentos de comunicação dos respectivos partidos. Nem nos debates televisivos Zapatero e Rajoy consentiram em ser entrevistados por jornalistas. O moderador, que  esteve frente às camaras com estes dois líderes, apenas teve por função controlar os tempos de antena de cada um (não vi o de ontem, mas calculo que as regras se mantiveram).

Imagino que por cá este modelo esteja a fazer salivar muitos dos nossos políticos e não me espantava que mais tarde ou mais cedo fosse adoptado entre nós.

Há muito que se denuncia a promiscuidade entre jornalismo e propaganda. O pudor dos jornais políticos é cada vez menor. Em nome de uma alegada transparência, os títulos mais consagrados da Europa e EUA vestem as cores políticas defendidas pelas respectivas direcções esquecendo-se que ao fazê-lo estão a escolher não entre jornalismo mais transparente e menos transparente, mas entre jornalismo e propaganda.

Foi esta tendência que ditou agora as novas regras para a cobertura mediática das eleições espanholas. Bem vistas as coisas, seria este o passo seguinte. Afinal há muito que a moderna e descomplexada comunicação social lhes estava a estender o tapete. Foi só avançar...


5 comentários

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De Anónimo a 04.03.2008 às 09:29

Eu vi o de ontem, cuja moderadora foi muito menos chata que o moderador do primeiro, mas também se limitou a controlar os tempos.

Quanto ao debate, foi uma mera reedição do primeiro. Não adiantou nada. Só deu para confirmar que há números para todos os gostos, assuntos que incomodam um ou o outro, trapalhadas no passado politico de cada um e uma enorme facilidade em apelidar o oponente de mentiroso.

Neste aspecto, a coisa por lá também não vai famosa.
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De Anti a 04.03.2008 às 10:25

O grande problema, é que a coberto de uma pretensa pluralidade da comunicação social perante os mais diversos assuntos, no caso políticos, as grandes massas tomem como válidas e independentes,opiniões que por não virem da "contaminada" comunidade política, apresentam-se aos seus olhos com maior crédito. Pura ilusão, já que uma boa parte dos meios de comunicação social não são mais, salvo raras excepções, de umas espécies de correias de transmissão de propaganda, venha ela de onde vier.
E comunicação social versus agências de comunicação, o que dizer...? Isso fica para o tal colóquio que se irá realizar...
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De Mike a 04.03.2008 às 12:05

Ah pois é, Teresa... "na cama que fizeres, nela te deitarás" (com o devido respeito)... pena é que pague o justo pelo pecador... mas isso é algo de elementar na vida. E neste caso (leia-se genérico) a promiscuidade é de tal ordem que vá-se lá saber quem é o justo e o pecador.
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De Anónimo a 04.03.2008 às 14:44

E por aqui as coisas não são muito diferentes. Há quem vista a camisola e defenda a sua dama, como a maior naturalidade.
Eu não sei quem ganhou o debate anterior; sei, contudo, que alguém neste "blog", ao arrepio de quase toda a comunicação social, declarou a vitória de Rajoy.
Confesso que me é indiferente Rajoy ou Zapatero.
Que ganhe a liberdade, se for possível.
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De Ricardo S a 04.03.2008 às 15:36

O filme "Lions for lambs" (com Tom Cruise, Robert Redford e Meryl Streep) fala precisamente da premiscuidade entre jornalismo e partidos políticos e de como os primeiros muitas vezes defendem os segundos, encobertos por uma falsa isenção e por um falso rigor.
Cá em Portugal esta tendência começa a notar-se cada vez mais, com casos recentes a chamarem-nos à atenção para esta imiscuidade das direcções e das administrações nos critérios jornalísticos. E infelizmente, porque o jornalismo deve ser uma fonte de informação e não de propaganda. Para propaganda já temos os direitos de antena e as conferências de imprensa...
Cumprimentos.

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