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É estranho que eleições democráticas disputadas num país democrático dispensem o papel, reconhecidamente importante em democracia, da comunicação social na cobertura do evento. Falo de Espanha. Sabe-se que o PP e o PSOE decidiram tomar essa medida “higiénica”, entregando a divulgação das suas iniciativas e manifestos eleitorais aos departamentos de comunicação dos respectivos partidos. Nem nos debates televisivos Zapatero e Rajoy consentiram em ser entrevistados por jornalistas. O moderador, que esteve frente às camaras com estes dois líderes, apenas teve por função controlar os tempos de antena de cada um (não vi o de ontem, mas calculo que as regras se mantiveram).
Imagino que por cá este modelo esteja a fazer salivar muitos dos nossos políticos e não me espantava que mais tarde ou mais cedo fosse adoptado entre nós.
Há muito que se denuncia a promiscuidade entre jornalismo e propaganda. O pudor dos jornais políticos é cada vez menor. Em nome de uma alegada transparência, os títulos mais consagrados da Europa e EUA vestem as cores políticas defendidas pelas respectivas direcções esquecendo-se que ao fazê-lo estão a escolher não entre jornalismo mais transparente e menos transparente, mas entre jornalismo e propaganda.
Foi esta tendência que ditou agora as novas regras para a cobertura mediática das eleições espanholas. Bem vistas as coisas, seria este o passo seguinte. Afinal há muito que a moderna e descomplexada comunicação social lhes estava a estender o tapete. Foi só avançar...
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