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A verdade da guerra

por Corta-fitas, em 31.10.07

Tenho acompanhado com atenção a série documental sobre a guerra colonial da autoria de Joaquim Furtado, que passa às terças-feiras na RTP. Ontem foi para o ar o terceiro episódio. Mais uma vez pude admirar a qualidade do trabalho daquele que para mim é um dos jornalistas que mais respeito me merecem nesta profissão. O retrato que se vai traçando, semana a semana, da nossa guerra, não poupa ninguém. Já se sabia das atrocidades que se tinham cometido de parte a parte. Mas confesso que ontem senti como nunca até que ponto somos hipócritas ou até cobardes quando nos convencemos de que a nossa ética é superior à dos nossos oponentes. Ontem aquela reportagem mostrou-me imagens de bizarras “árvores de Natal”, enfeitadas com cabeças de negros. Soube através de um depoimento que se espetavam pregos na cabeça dos prisioneiros até que eles morressem, que se matavam civis a propósito de nada, que os nossos militares se divertiam a fazer os turras atravessar pontes debaixo de fogo (nunca escapavam).
As nossas tropas também lançaram gente viva para o mar, como se fazia no Chile, no tempo de Pinochet, esquartejaram-se corpos, como nas guerras mais bárbaras dos povos mais primitivos; abriram-se valas comuns para fazer fuzilamentos em massa, como fizeram os nazis; torturaram-se presos sob assistência médica, como nos regimes mais tenebrosos.
Claro, já se sabe, guerra é guerra. Estarei a ser ingénua ou mesmo muito parva por revelar sem a mais leve ponta de cinismo toda esta minha indignação. Mas que querem? Há momentos em que me chateia ter que perceber e aceitar que em situações limite a raça humana é capaz de comportamentos inomináveis.

Escrevo isto confortavelmente sentada à minha secretária, no início de um dia que se adivinha calmo, regular. Já tomei o pequeno-almoço. O pior que me vai acontecer hoje é, provavelmente, ter que enfrentar as filas de trânsito na cidade.
A verdade é que, bem vistas as coisas, não me conheço.

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21 comentários

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De j.c. a 31.10.2007 às 12:35

Deixe lá, meu caro Réprobo. Ficamos assim...
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De O Réprobo a 31.10.2007 às 12:11

Para benefício dos Caros Colegas Comentadores, quis dizer que não me comovo com maus tratos aplicados a homicidas mais do que qualificados de populações tranquilas de etnias várias. Qual é a anterioridade de barbárie que se encontra na biografia dos pobres despedaçados pelos iniciadores do terrorismo na África Portuguesa?
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De Vitor Esteves a 31.10.2007 às 12:06

Bom dia !

Ao vêr aquelas imagens tambem eu senti qualquer coisa estranha, má, que não sei explicar, sei apenas que situações extremas levam a atitudes extremas....
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De j.c. a 31.10.2007 às 11:58

Tem a Teresa Ribeiro muita razão sobre o Joaquim Furtado, com quem só tive o gosto de estar uma vez (em casa do Pedro Correia, em Macau).
Tem a Teresa Ribeiro razão sobre as atrocidades, não devendo perder de vista que foram semelhantes às que se praticaram em sentido inverso (porque uma guerra tem dois lados).
Tem a Teresa Ribeiro pouca razão sobre as atrocidades cometidas em outras latitudes onde não havia guerra (genocídios e outras situações que tais).
No fundo, o que estamos todos é contra as guerras. Que são sempre parecidas. Excepto quando se vai lá largar uma bomba atómica e se volta para casa. Ou quando se manda um míssil dirigido e se fica a ver na sala de controlo.
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De All-facinha a 31.10.2007 às 11:51

Ao réprobo:
Há a repressão da barbárie, que, por sua vez é a repressão duma outra barbárie anterior e assim sucessivamente.
Não há geração espontânea.
É a velha história da galinha e do ovo.
Compreende?
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De Anónimo a 31.10.2007 às 11:46

Guerra é guerra, não é beber um chá de sociedade às cinco da tarde, como já dizia o camarada Lenine.
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De j.c. a 31.10.2007 às 11:42

Réprobo, o Ergela não percebeu o segundo parágrafo e parece que não foi o único.
Mas não desanime: o primeiro parágrafo («Teresa») e o terceiro («melhores votos») acho que percebemos todos...
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De ergela a 31.10.2007 às 11:02

Caro réprobo,não precebi o 2 paragrafo, desculpe.
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De ergela a 31.10.2007 às 10:57

Cara Teresa, tambem eu vi esse excelente programa, infelizmente ainda não se fez(salvo um filme ou outro de boa qualidade e com a isenção que se impõe) a história da presença portuguesa em Africa, faria bem à nossa consciência enquanto povo,(o mesmo não acontece com os americanos por exemplo no Vietname)será uma questão de mentalidade ou de educação,penso que será um misto das duas,só espero que não fique por aqui, o nosso crescimento e das gerações que aí vêm precisam disso.
Sabe quem instruío os portugueses nessas técnicas de tortura barbáras? Foram os americanos através da CIA, foi-me dito por um familiar que recebeu formação nos EUA para tal.

Cumprimentos.
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De Anónimo a 31.10.2007 às 10:52

prepare-se, teresa, que vai ouvir.

Reprobo, não percebi nada.

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