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Sabem que mais?

por Corta-fitas, em 28.02.07
Eu a partir de agora até podia passar a ser politicamente correcto e só dizer o que me permitir a cartilha da boa consciência democrática e igualitária que hoje se manifestou aqui. Até a minha outra significante já me invectivou. Mas não me apetece. Não estou aqui para levar esta coisa a sério. Sou aquilo a que se convencionou chamar um comic relief. Se ainda não perceberam isso, não têm lido com atenção este vosso criado nos últimos meses. Dito isto, reafirmo tudo o que escrevi e confesso que me diverti muito com este verdadeiro tema fracturante. Obrigado a todos.



10 comentários

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De zazie a 28.02.2007 às 20:05

Mais. Essas criadas até ficaram com laços familiares que ainda hoje se mantêm em relação às famílias onde viveram desde miúdas. Noutros casos chegaram mesmo a herdar as casas e muito mais. As famílias educavam-nas, davam-lhes formação escolar que, de outro modo nunca teriam e ainda cuidavam dos casamentos.

É mesmo um mundo que acabou. Mas isso não teria mal, se não fosse essa estupidez de preconceito "classista" com que estes burgueses esquerdalhos arrumam tudo em lugares do mal.

Não há dúvida que a burguesia é uma coisa muito desinteressante. E clonável. Como os macaquinhos de imitação.
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De zazie a 28.02.2007 às 20:01

ainda hoje me chamam a menina, essas velhotas (antigas criadas) do meu bairro. Mas não vale a pena, já tinha apanhado com a mesma bimbalhice da Helena, amiga do Lutz.
O novo-riquismo esquerdalho é isto.
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De zazie a 28.02.2007 às 19:58

Não posso crer! também te caíram em cima por falares nas criadas? a mim aconteceu-me o mesmo. É uma grande ignorância porque foi um dos sistemas de promoção social e albetização mais eficaz que existiu.
Mas olha que a maltinha que tem preconceitos com as boas criadas de outros tempos é aquela que não dispensa o serralho moderno nem que seja para lhe lavar a banheira.

Criadas tive, um batalhão delas em casa. Empregada doméstica nem uma

":O)

Beijocas

Isto é assim. Há coisas que continuam sujeitas aos dogmas da semântica. Foi a grande lavagem do politicamente correcto que apagou as memórias e o verdadeiro sentido das coisas.

Hoje gostam muito de dar ordens à ucraniana mas têm preconceitos com as raparigas que eram literalmente criadas com as famílias de outras épocas.
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De Anónimo a 28.02.2007 às 19:25

Quando nasci há quase 40 anos, suponho que havia criadas mais ou menos à moda antiga em casa dos meus pais, onde havia 4 crianças. Não tenho memória delas, mas depois de nos mudarmos para Lisboa, com o 25A, lembro-me que a minha mãe ainda fez várias tentativas para manter uma empregada interna até à nossa adolescência, mas elas não paravam por lá: saíam logo que arranjavam trabalho num supermercado ou cabeleireiro perto. Ou quando se apaixonavam, nas saídas ao fim-de-semana. Ainda vinham da província recomendadas por uma familiar, mas já usavam as “casas de família” basicamente para entrarem na cidade. Curiosamente, as únicas que me lembro de me chamarem de “menina” com carinho são as empregadas externas que tivemos depois, ambas casadas e com filhos que estudaram e não foram criados por nós. Uma delas, reformada há mais de 15 anos, ainda aparece por casa dos meus país, e emociona-se sempre que vê os “seus meninos”. E a outra ainda trabalha alguns dias para a minha mãe, e sabe quase tanto da minha vida (e agora da dos meus filhos), como sabia na altura - quase tanto como os meus pais. Não é o nome que se dá ao cargo, nem o tempo que passavam “a nos criar”, que faz os laços. Como também não se pode comparar as criadas do pré-25A com qualquer sucedâneo de hoje em dia. As empregadas internas hoje são quase todas brasileiras ou de leste, mas continuam a agir como as que me lembro no imediato pós-25A: as casas onde aterram são apenas pontos de passagem para uma suposta vida melhor. A nenhuma das muitas que conheci e conheço lhe passa pela cabeça dedicar a sua vida aos meninos que ajuda temporariamente a criar. Por muito que as mães ainda se iludam. E quando saem, nunca mais regressam a esses meninos. Para o bem e para o mal. E a mim também não me passa pela cabeça ter uma: não há baby-sitting-quase-todas-as-noites (que basicamente é o que elas fazem a mais por serem internas) que pague a minha intimidade no regresso a casa, e a minha proximidade com os meus filhos.
Isto tudo para dizer que acho bem que quando se encerram ciclos e se mudam tão radicalmente as percepções e vivências, se reinvente a terminologia. “Criada” foi um termo que usei naturalmente, e que deixei de usar naturalmente - soa bafiento hoje em dia, e não faz mais sentido.
Filipa
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De Anónimo a 28.02.2007 às 19:10

O Anónimo das 6:12 PM tem toda a razão. Ao se justificar ainda fez pior. Doutra forma poderia ter tido o beneficio da dúvida de ter sido apenas uma escolha errada da palavra. Assim mostrou o que de facto estava por detrás dessa escolha. E tentar branquear o erro com um suposto humor que dá ares de superioridade foi ainda pior.

Enfim tiques aristocratas latentes, que vêm ao de cima inadvertidamente. Acontece...

Vão-me agora querer convencer que as criadas eram um exercicio de bondade e altruismo. No fundo era um favor que lhes faziam, quiçá adopção. Enfim... esse tom paternalista não ajuda mesmo nada.

Quem está numa posição de superioridade até pode achar que está a fazer o melhor pela outra pessoa e esta até pode acreditar nisso. Mas isso não faz com que estejam correctos. Mas é um tipo de raciocinio é tipico. Há muitos casos assim, relações de poder, algumas com contornos dramáticos...

"Elas criavam e eram criadas num lar de família e a família crescia em conjunto com elas"

Todos crescemos, sabe? E para o fazermos juntos, basta convivermos...

Como se o facto de o fazerem juntos pudesse sequer ser um argumento.

A questão é que uns crescem mais e de formas diferentes do que outros...
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De Lutz a 28.02.2007 às 18:58

Que alívio que há o "politicamente correcto" como apaga-tudo. Mas está enganado, caro João. Isso não é um caso de políticamente correcto. Não há mal nenhum deleitar-se com as possibilidades eróticas da personagem "maid" - a brincar. Mas no contexto da discussão das conotações reais da criadagem, das suas implicações de dependência e poder, a chamada da vertente erótica da questão leva direitinho para a banalização e defesa da exploração social. Claro que isso o João não quis. Daí, não há tragédia nenhuma. Mas pode aproevitar-se para pensar um pouco sobre onde fica a liberdade e a autodeterminação - sexual e outra - das criadas...
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De Anónimo a 28.02.2007 às 18:12

Só um idiota pode reafirmar o que segue, em vez de caír em si e ver que fez tristíssima figura.

"Esta mania de que a designação «criadas» é pejorativa assenta na falta de chá em pequenino de pessoas cuja educação não teve – o que não é culpa delas – o enquadramento necessário para entenderem que, longe de ser insultuosa ou pedante, a palavra é a que melhor designa o que sucedia com essas pessoas. E o que sucedia é muito simples: Elas criavam e eram criadas num lar de família e a família crescia em conjunto com elas. Chamavam-nos meninos, não importando a idade que tínhamos. E nós tínhamos por elas uma relação de amor, respeito e carinho que o termo em causa apenas estreitava".
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De Anónimo a 28.02.2007 às 18:06

Ele é o quê??
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De Anónimo a 28.02.2007 às 17:55

Espero que ja tenha almocado...

Abraco e obrigado!
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De Anónimo a 28.02.2007 às 17:31

Afinal quem escreveu isto não passa de um palhaço:

"Inexplicavelmente, o meu post sobre conversas de criadas descambou para o 25 de Abril por causa da expressão em causa. Esta mania de que a designação «criadas» é pejorativa assenta na falta de chá em pequenino de pessoas cuja educação não teve – o que não é culpa delas – o enquadramento necessário para entenderem que, longe de ser insultuosa ou pedante, a palavra é a que melhor designa o que sucedia com essas pessoas. E o que sucedia é muito simples: Elas criavam e eram criadas num lar de família e a família crescia em conjunto com elas. Chamavam-nos meninos, não importando a idade que tínhamos. E nós tínhamos por elas uma relação de amor, respeito e carinho que o termo em causa apenas estreitava."

Apetece-me empregar o termo do Pinheiro de Azevedo, ah se apetece.

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