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Cavaco e os sonhos frustrados da direita

por Pedro Correia, em 25.09.06
Uma certa direita, com sede de poder mas pouco ou nada vocacionada para fazer oposição, gostaria que Aníbal Cavaco Silva trabalhasse por ela – isto é, que conduzisse a partir do Palácio de Belém as operações de desgaste contínuo do Governo socialista. Essa direita bem pode esperar sentada: Cavaco não lhe fará a vontade.
Desde logo por uma questão institucional: o actual Presidente da República interpreta os poderes que a Constituição lhe confere numa perspectiva que em nada se adequa às teses instrumentais postas em prática por Mário Soares quando exerceu as mesmas funções. Ao contrário de Soares, que tinha como desígnio estratégico contribuir para o ressurgimento do PS enquanto alternativa viável de poder, Cavaco não se comove com os dilemas existenciais do PSD: nunca escondeu uma certa aversão à vida partidária, mesmo quando liderava os sociais-democratas, e hoje está ainda mais longe desse universo onde fervilha a pequena intriga.
E depois também por uma questão de fundo: Cavaco foi, durante anos, o alvo preferencial da direita que hoje gostaria de o ver como ponta-de-lança numa ofensiva anti-PS. Era o tempo em que o “cavaquismo” surgia ridicularizado nas colunas de opinião do Independente, que o pintavam como um esquadrão de pacóvios de peúga branca. O actual chefe de Estado, tanto ou mais que José Sócrates, detesta a direita que reclama direitos naturais de acesso ao poder por pergaminhos sociais, fortunas adquiridas ou apelidos sonantes. A mesma direita que o odiava quando ele estava no lugar de Sócrates jamais contará com o aval do actual inquilino de Belém para golpes palacianos.
Não perceber isto é não perceber nada sobre as forças que se digladiam nos bastidores da política portuguesa. A direita quer desgastar o Governo? Arregace as mangas e vá à luta. Se Sócrates mantiver o entendimento institucional que estabeleceu com o Presidente da República e acentuar o ímpeto reformista, por esse lado nada terá a recear. Deste PSD e deste CDS que agora brincam às oposições, certamente também nada receia: uns limitam-se a reivindicar novos “pactos” que os façam sonhar com umas migalhas de poder, outros apunhalam-se mutuamente com requintes florentinos.
Cavaco não pode estar mais distanciado de tudo isto. Com o seu instinto natural, ele sabe bem que os portugueses não o elegeram para ser o “cavalo de Tróia” da direita dos interesses, cuja inépcia política salta à vista.



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