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A tempestade

por Corta-fitas, em 10.04.07
Este post vai ser um bocado longo, desculpem qualquer coisinha. Acontece que li o texto de José Vítor Malheiros (que considero um dos melhores cronistas que temos) hoje no Público, a excelente síntese de Ricardo Dias Felner no mesmo jornal, o post nº 541 do Paulo Gorjão e este outro do Eduardo Pitta. Logo à noite, a SIC Notícias debate «O Silêncio do Primeiro-Ministro». Ora eu entendo que o silêncio do Primeiro-Ministro foi das melhores manobras estratégicas de comunicação a que assisti nos últimos tempos. E, antes de pensarem que ensandeci, considerem o seguinte:
Luís Bernardo, o principal assessor de José Sócrates e do Governo, sabe bem como as coisas funcionam e decidiu lançar a linha para ver até que distância consegue correr o peixe. Que é como quem diz, até perceber o que a comunicação social consegue efectivamente apurar e provar, relativamente aos assuntos que verdadeiramente interessam ao comum dos mortais e que são apenas dois: O Primeiro-Ministro concluiu efectivamente a licenciatura? E, em caso afirmativo, houve algum favorecimento na obtenção da mesma? Sim ou não.
Quanto mais dias de silêncio decorrem, menos respostas surgem e mais questões a imprensa coloca, até elas ficarem finalmente limitadas (ver Público de hoje), numa equação em que mais questões equivalem a mais ruído e que origina de leitores habitualmente bem informados e exigentes, como o Paulo Gorjão e o Eduardo, críticas a essa ausência de clareza. No fundo, à inexistência de resultados. E tudo isto, finalmente, leva a que comece a solidificar-se a imagem de perseguição, de ataque, de tentativa sabe-se lá de que interesses para minar a credibilidade de José Sócrates, imagem essa construída por aqueles que vão falando em seu lugar.
Chegado o momento marcado, na próxima quarta-feira, José Sócrates estará mais do que preparado. Já saberá até onde chegou a investigação, já terá o discurso todo ensaiado e os documentos de que necessita, já os assessores o convenceram a surgir menos crispado, mais descontraído, com indignação q.b. mas sem nervosismo. E, entretanto, a montanha terá parido um rato: Quanto mais agigantada a montanha, menor parecerá o rato saído do seu interior. Para a próxima, quando houver próxima, lá virá alguém dizer: «Pois, lá estão eles outra vez como no caso da Independente. Lembram-se do barulho que foi e do que isso deu?». Caro Vítor Malheiros: Pessoas como o Luís Bernardo já leram os livros de que fala há muito tempo.
Nota importante: Claro que tudo isto tem como base o pressuposto de que José Sócrates responderá às duas perguntas fundamentais de uma forma clara na próxima quarta-feira e não as desvalorizará. Se optar pelo contrário, retiro tudo o que disse e fustigo-me em pleno Terreiro do Paço.

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14 comentários

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De JPN a 13.04.2007 às 13:27

Bom dia. Linquei em "A grande suspeita"
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De Anónimo a 12.04.2007 às 05:56

Boa análise.
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De Anónimo a 11.04.2007 às 10:43

VER ISTO (http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/2007/04/os-gnios-tempestades-e-o-copo-de-gua.html)
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De Manuel a 10.04.2007 às 18:23

tese corajosa, mas a ser desmentida sucessivamente pelos factos. Vide aqui</a>http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/2007/04/os-gnios-tempestades-e-o-copo-de-gua.html
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De Anónimo a 10.04.2007 às 16:55

O que eu acho de estupeficar é o camarada Sócrates julgar, na sua «inocência», que tinha tirado uma licenciatura a trouxe-mouxe e unicamente para se intitular engenheiro (quando não passa de um licenciado em engenharia e nas condições que todos os que não são ceguinhos já perceberam) e que tal nódoa ia indefinidamente passar sem que ninguém a denunciasse e que a bolha não rebentasse.
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De ariel a 10.04.2007 às 16:28

João, excelente post.
é a "cultura" das doutorices e das engenhoquices em que este país é tradicionalmente fértil, que conduzem a este lamaçal e de que essas universidades se alimentaram e até foram criadas para. Conheço gente muito competente que estagnou por falta do tal canudo e gente deprimentemente incompetente que com o canudinho lá foi andando. Em Portugal, olha-se para a arvore e não para a floresta, não é novidade. Claro que quem entra nestes caminhos já sabe ao que vai, e não será certamente para exercer a profissão com dignidade, e cá fora no meio do barulho das luzes o canudo até passa. Agora quem anda na politica e chega a PM sujeita-se ao vexame... Quanto ao resto, espero como diz o João no post, que tudo se esclareça com dignidade, porque já não se aguenta a porcaria.
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De nohexagono@gmail.com a 10.04.2007 às 15:51

Se o PM não responder às perguntas com clareza deve ser ELE a ser fustigado no terreiro do Paço e não o JV.

Até logo.

PS: concordo com o anonimo 1.
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De MissPearls a 10.04.2007 às 15:17

Enganei-me no post.
sorry
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De MissPearls a 10.04.2007 às 15:15

.
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De Anónimo a 10.04.2007 às 15:14

Só pode ter sido a criada do sr. Villalobos que apagou.

Ela sabe as passwords.

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