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Do amor ao preconceito

por João Távora, em 03.11.07
Acompanho habitualmente os escritos do Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado com interesse mas sem grande sobressalto. Suponho aliás que conheço bem a genealogia do seu pensamento.
Assumindo-me como um convicto pessimista antropológico, defendo o livre arbítrio e a liberdade individual como valores fundamentais, aliás como fórmula única de sustentabilidade das minhas poucas certezas. Aceito com naturalidade o risco existencial proporcionado pelo pensamento livre.
Vem isto a propósito do último post da sua refinada série ODI ET AMO, onde uma vez mais se põe em causa a relação do casal no compromisso matrimonial, aqui apelidado de relação “de longa duração”. Pergunto-me se a questão do FNV não estará habilidosamente inquinada quando este aponta como primordial motivação (aliás ironicamente hedonista) para o casamento tradicional “a garantia de uma companhia para a velhice”... Quem garante a quem uma velhice "com companhia" num casamento "para a vida"? Porque raio estará vedada ao mais intrépido pinga-amor uma companhia para o ocaso da sua peregrinação terrena? O que é que o salva de uma existência medíocre? Cuidado com os preconceitos, Filipe, que nos podem toldar a eficácia do raciocínio. Fala a experiência.
Tenho para mim que o casamento e a família decorrente são compromissos sérios, muito mais ricos e complexos do que um simples relacionamento erótico a dois. Depois, consta que essa opção (casamento) não é obrigatória! E que a felicidade decorre mais profunda das conquistas e dos prazeres diferidos do que de estimulantes e efémeros troféus narcísicos. Mas, de facto, cada um sabe as linhas com que se cose.

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5 comentários

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De rm a 04.11.2007 às 21:11

Tem piada, que li exactamente contrário.

Vi que fnv já disse que a leitura que fez é "um bocadinho ao lado".

Uma forma elegante de dizer que leu errado.
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De ana vidal a 04.11.2007 às 18:37

Pela minha parte, agradeço ao João Távora ter-me dado a conhecer o Mar Salgado, que não conhecia. É um óptimo blog, que vou pôr nos meus links. Quanto à durabilidade das relações como objectivo, parece-me um critério perigoso. Uma "velhice amparada" nunca é garantida, e pode até transformar-se numa prisão, num inferno partilhado. As vantagens de uma relação de longa duração têm que assentar em razões mais sólidas.
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De João Távora a 04.11.2007 às 14:54

Sim, Filipe... a minha leitura focou-se justamente “ao lado” do seu brioso “hedonista”. De resto, lê-lo-ei com prazer.
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De FNV a 03.11.2007 às 23:36

Caro João,
É muito amável. No caso em epígrafe parece-me que a sua leitura está um bocadinho ao lado.Não acho- e tenho escrito sobre isso - que o único objectivo de uma longa relação seja uma velhice amparada.Se voltar ao assunto, e se o João tive a bondade de me ler, falaremos.Talvez.
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De fonte próxima a 03.11.2007 às 21:29

E é por causa desses efémeros troféus narcísicos que anda meio mundo a enganar outro meio...

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