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A Europa, a América e o mundo

por Pedro Correia, em 06.10.06
Um dos aspectos mais estimulantes da blogosfera é a possibilidade de debatermos ideias - com muito mais facilidade até do que nas páginas dos jornais, em regra dominadas pelos eternos "comentadores" que há décadas se perpetuam de edição para edição sem terem nada de relevante para dizer. Vem isto a propósito deste texto publicado no blogue Labirinto Nosso, que reage a uma posta que aqui publiquei há dias.
Estando de acordo no essencial, e não me interessando rebater divergências de pormenor, gostaria no entanto de dizer ao Jorge o seguinte:
1. Os interesses estratégicos dos Estados Unidos têm variado consoante as épocas. Nada nos assegura que a Europa continue a ser a grande prioridade estratégica de Washington. Nas duas últimas décadas, a Casa Branca desviou consideravelmente a sua atenção para dois eixos alternativos: o seu próprio continente, durante tantos anos descurado, retomando parcialmente o espírito da Doutrina Monroe, que constituiu a pedra angular da diplomacia americana durante mais de um século; e a região Ásia-Pacífico, ampliando noutras rotas a tradicional aliança com o Japão - em particular os laços de cooperação com a China.
2. Ao contrário dos americanos, não temos alternativa: os interesses estratégicos da União Europeia, na sequência da aliança forjada entre Roosevelt e Churchill em 1941, permanecem inalterados.
3. Na edificação da nova ordem internacional, de que tanto se fala, é imprescindível a intervenção norte-americana. Sem ela, aliás, quase toda a acção actual das Nações Unidas estaria condenada ao fracasso (o caso de Timor-Leste ilustra bem a minha tese). A ascensão de países como o Brasil, a Índia, o Japão e a África do Sul a membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU pode ser positiva. Mas de nada valerá com uns Estados Unidos alheados do que se passar no Palácio de Vidro de Nova Iorque.
4. Utópico, o regresso ao isolacionismo norte-americano? Talvez não, caro Jorge. Ambos sabemos que a pulsão isolacionista é muito forte na vida política americana. Tanto democratas como republicanos têm fortíssimas correntes de opinião interna que proclamam as supostas vantagens de uns Estados Unidos mais virados para si próprios. Oxalá me engane, mas ainda havemos de ter saudades do tempo em que Washington teimava em policiar o mundo. A propósito: as guerras mundiais de 1914-18 e de 1939-45 - as mais sangrentas da História - tiveram início na boa, velha e "pacífica" Europa.

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1 comentário

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De timor-deste a 08.10.2006 às 16:47

Caro Pedro Correia
Queira desculpar em não concordarmos consigo num particular, sendo que a globalidade do seu artigo configura-se muito pertinente e justificada.
No que concerne à "edificação da nova ordem internacional" e à "imprescindível intervenção norte-americana" e que "sem ela quase toda a acção actual das Nações Unidas estaria condenada ao fracasso", resultando na sua análise uma justificação para o que aconteceu em Timor-Leste, permita que diga o seguinte:
- A intervenção da ONU em Timor-Leste teve a concordância dos EUA porque os seus governos sempre foram pressionados para o efeito pelas grandes companhias norte-americanas de exploração do gás natural e do petróleo no Mar de Timor.
- Quanto ao financiamento dessa mesma intervenção não esqueçamos o papel fundamental de países doadores, tais como, o Japão, Malásia, Portugal e Austrália.

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