De facto um épico Americano. Vi o filme em pequeno, uma vez, nunca mais esqueci do miúdo a chamar por shane. Já mais velho li o livro que, julgo ter sido escrito depois do filme. Ajudou a recordar a história do melodrama americano, um símbolo dos westerns. Quero voltar a ver o filme...
Verdade, se fosse um filme da década de 70 o Van Heflin, muito provavelmente, exibiria um par bem explícito na testa, retirando a épica pureza deste "Shane".
Falando em representação, fui espreitar os Óscares e quer o Jack Palance quer o miúdo (Brandon De Wylde) foram nomeados para melhor secundário. Ganhou o Sinatra, do "Até à Eternidade", escolhido para melhor filme. Gosto mais do "Shane", de longe.
A troca de olhares entre Ladd (Shane) e Jean Arthur é, por si só, toda uma lição de representação em cinema, onde a sugestão é sempre muito mais poderosa do que a exibição.
Shane é o expoente máximo do western feito em solo americano pelos próprios. Num degrau um pouco abaixo, seguem "o Combóio Apitou três vezes", "Duelo no OK Corral", e "Jhonhy Guittar".
Pessoalmente, acho que o género ficou mais bem representado pelos "westerns spargetti", sobretudo por Sergio Leone - pelo que não posso deixar de recomendar a leitura dos artigos sobre o tema do Prof. Christopher Frayling.
Voltando ao Shane: três pormenores inultrapassáveis - 1) o (bem recordado) grito final do miúdo; 2) os olhos esbugalhados do Van Huflin a atirar-se aos maus imitiando Shane, e 3) o fim do mito de que para sacar rápido a pistola do coldre, este deve estar baixo, preso à anca (como bem demonstra Alan Ladd).
O filme continha outra particularidade pouco vista nos anos 50 - a tensão amorosa entre a mãe do miúdo e o herói, tolerada por todos os espectadores, e pelo próprio marido (na tela).
Trata-se de um dos melhores filmes de todos os tempos, e um épico americano.