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Obras em casa

por M. Isabel Goulão, em 05.03.07
Refiro-me às obras em casa dos outros, claro. Que as nossas nunca incomodam ninguém, como todos sabemos.
Geralmente chegam às 9 em ponto num Sábado. Começam com umas marteladas e vão gradualmente subindo de tom e de som. Ainda pela fresca, surge o black & decker que, juntamente com as marretas(?), vão ser os nossos maiores inimigos nos próximos dias. Por esta altura devemos estar na fase das paredes, louças de cozinha e casa de banho. Calculamos nós. Há-de passar-se a outros níveis, nomeadamente, o soalho e as novas canalizações. Dois dias depois deste inferno, audível por todo lado, suspiramos por ir trabalhar, sair de madrugada e regressar após a saída dos homens das obras, transformados em peles-vermelhas ou mesmo brancas, dependendo da nova cor das paredes.
Os proprietários mais gentis têm o cuidado de colocar um papelinho na entrada do prédio ou nas caixas de correio da vizinhança a pedir desculpas pelo incómodo causado. No entanto, quando o pó começa a entrar, espalhando espessas camadas cinzentas por todo o lado, essa gentileza é rapidamente esquecida para dar lugar a ruidosos insultos abafados pelo ritmo dos martelos e de outros inomináveis instrumentos.
Por altura da instalação dos novos móveis da cozinha, já ninguém cumprimenta os proprietários. Os mais gentis, acabrunhados com a situação, vão sossegando a vizinhança com a brevidade da conclusão dos trabalhos. Os outros, os mesmos que não despejam o lixo e deixam sempre a porta da rua aberta, são votados ao ostracismo ou à retaliação do elevador.
Quando as obras terminam e o silêncio regressa ao alegre remanso dos lares, sobra o entulho à porta. Desconfio que ainda lá está.

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4 comentários

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De ni a 06.03.2007 às 16:20

isso de fazer obras em casa preocupa-me sempre. devia ser proibido. para além do barulho e da instabilidade de personalidade que demonstra quem chega a uma casa recém-comprada apostado em fazer altareções há questões mais graves. Eu sei lá se o tijolo das paredes derrubadas não garante alguma rigidez estrutural que depois desaparece com implicações antissísmicas? Imagino essas casas todas pelo país fora assentes apenas em betão armado subdimensionado para poupar no material.
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De João Távora a 06.03.2007 às 12:59

Delicioso realismo, Isabel!
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De Anónimo a 06.03.2007 às 09:39

How do you mean very familiar ?

Never seen it happen in London Town...
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De Cartas de Londres a 06.03.2007 às 01:37

Sounds veeeeery familiar...!
Muito bem descrito ;-)

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