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De purga em purga

por Pedro Correia, em 25.10.07
A direcção do PCP acentua a intolerância contra os militantes que pensam de maneira diferente, transformando cada divergência numa "dissidência" sem retorno. O afastamento de autarcas prestigiados, como Carlos Sousa, que deu a vitória ao partido nas últimas autárquicas em Setúbal, e Barros Duarte, a quem o PCP deve a reconquista da câmara da Marinha Grande, demonstra que a cúpula comunista não esqueceu nada nem aprendeu nada: continua com os tiques autoritários de sempre. Que o diga Luísa Mesquita, uma das mais dinâmicas e combativas deputadas das últimas legislaturas, agora posta à margem pela direcção parlamentar como se tivesse lepra. Nada disto me surpreende: toda a história do movimento comunista é atravessada por brutais purgas "purificadoras". Nos seus tempos áureos, o camarada Estaline, que a última Festa do Avante! evocou com tanta nostalgia, chegou a decapitar mais de 80 por cento do comité central do partido soviético, condenando os seus melhores quadros ao degredo ou à morte. As execuções passaram à história, mas a semente estalinista perdura nos partidos comunistas que sobraram. Incluindo o português. De purga em purga até ao silêncio definitivo.

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19 comentários

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De Pedro Correia a 29.10.2007 às 18:54

Ni, a escrita de blogue nada tem a ver com a escrita do jornal: você é que insiste em baralhar as coisas. Acho injustas as acusações de estalinismo à Luísa Mesquita e ao Carlos Sousa, que conheço. Ambos demonstraram, alíás, opiniões firmes e claras em anteriores processos de caça às bruxas no PCP. Não me refiro ao presidente da Câmara da Marinha Grande, por não o conhecer pessoalmente, mas é indiscutível que o partido não teria reconquistado o município sem ele a encabeçar a lista.
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De ni a 29.10.2007 às 13:26

J.C. Ia responder-lhe agora, mas infelizmente parece que já não está interessado (até domingo seria quando tivesse tempo, pois eu durmo e quando li a sua pergunta estava a preparar-me para me deitar e ia ter um fim-de-semana complicado). Bem me parecia, que já tinha opinião e não precisava de a discutir comigo. Quanto ao rabo de fora não percebo onde ficou a sua dúvida. Mais claro eu não podia ter sido, mas continua o preconceito. Não sei onde é que referir às portas escancaradas um atravessamento pode constituir tentativa da esconder algo, mas está bem. Pedro Correia, habitualmente voto no PCP, é verdade, mas também já o fiz recentemente no Bloco e no Mário Soares, mas não pense que isso me tolda o espírito crítico. Tenho bastante má opinião de muitas práticas do PCP(inclusive neste caso das duas câmaras), do BE e do Mário Soares, mas v. sistematicamente mistura opinião com notícia. E sistematicamente promove a deuses, aqueles que se atravessam, por maus ou bons motivos, no caminho da direcção do PCP. Carlos Sousa e Luísa Mesquita são casos recentes de antigos estalinistas promovidos a democratas, sem que tenham, nem de perto nem de longe, tido o percurso de crítica, consistente, sério e estuturado, de um João Amaral ou de Um Carlos Brito. De facto, tem razão numa coisa. Isto é um blogue e pode dizer o que lhe apetecer. Já no DN, até o pode fazer, mas não lhe chame informação. Assino por baixo o que das suas tentativas de ironia disse um destes sábados o Bettencourt Resendes, provedor, que ainda por cima desmontava também uma série de gradações semânticas e interpretações abusivas que quem faz PCP há tantos anos devia ter em conta. E se a mim me pode acusar de ser comunista, partido do qual não sou nem pretendo ser militante, deve ser difícil acusar do mesmo o seu ex-director.
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De Sérgio de Almeida Correia a 26.10.2007 às 20:18

Não tarda tens o camarada Bernardino à perna!
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De joão severino a 26.10.2007 às 15:16

A purga começou há muito tempo, meus caros. Na década de 30 já o fundador do PCP, o verdadeiro comunista José Luís Abreu, foi atirado fora pelos revisionistas. E de seguida, com denúncia do seu paradeiro pelos revisas, Abreu foi deportado para Timor na companhia dos anarco-sindicalistas. Quatro meses no porão de um navio sem verem o sol, a pão e água com temperaturas que chegaram aos 60 graus. Veio a falecer na Austrália.
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De Pedro Correia a 26.10.2007 às 12:25

Ni, nessa não me apanha: sobre o PSD estou fartíssimo de escrever. Critico tudo e todos que me apeteçam e que mereçam. Curioso é vê-lo aparecer apenas quando os visados são do PCP. Não pode haver melhor guardião do templo.
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De j.c. a 26.10.2007 às 12:10

Tem piada, Ni: li a sua resposta e também fiquei com sono.

Mais uma vez, deixou o gato escondido, mas agora o rabo ficou cá fora: o seu problema, afinal, é andar com o Pedro Correia atravessado. Retiro-me discretamente, nesse caso. Ele sabe defender-se.

Dúvida: vai tentar responder-me entre sexta e domingo? Então deixe lá, meu caro: quando lhe respondo tem sido por julgar que os seus argumentos estariam mais à mão...
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De Anónimo a 26.10.2007 às 10:26

O ni está cheio de razão. Expulsos e dissidentes do PSD é o que mais há. Ainda hoje, no metro, tropecei nuns poucos.
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De ergela a 26.10.2007 às 09:57

O mais triste no PCP é as figuras que os dirigentes ainda fazem,portam-se como estalinistas puros e duros.
Este PCP,parou no tempo,nem o sangue novo,parece renovar as ideias.
Um abraço
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De Anónimo a 26.10.2007 às 09:43

Pois sim, mas ouvir o camarada Carlos Brito, de passado ultra-ortodoxo como líder parlametar e director do Avante, a criticar a direcção do PCP causa-me sempre arrepios.
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De Anónimo a 26.10.2007 às 02:32

Não aceita as regras do jogo, ou seja as regras do partido onde está inserida e agora vem armar-se em santa??
Sabe todos os pressupostos do Partido, é militante, sabe como tudo funciona e agora vem com esta palermice?
Sinceramente..
Não faz lá grande falta não, seja no PC seja noutro partido qualquer digo eu..

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