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A campanha aquece

por Luís Naves, em 01.03.07




O senador republicano John McCain, um dos mais influentes políticos norte-americanos, declarou ontem que anunciará em Abril a sua candidatura às presidenciais americanas de 2008.
A confirmação desta candidatura parece clarificar a corrida e tudo aponta para uma das mais disputadas eleições de sempre nos EUA, com o mais que provável duelo final entre Hillary Clinton e John McCain, entre Setembro e Novembro de 2008.
O lado republicano é aquele que tem maiores problemas neste momento. A guerra do Iraque transformou-se num tema muito difícil de gerir. Apesar de tudo, não há grande diferença entre as anteriores posições dos dois favoritos, o que se pode tornar numa pequena vantagem para o candidato republicano. Se existe alguém que conseguirá trazer as tropas de volta é este herói de guerra, um ex-militar que passou seis anos numa prisão vietnamita. É preciso também não esquecer que os Republicanos dominam a direita religiosa e que esta eleição se irá decidir em meia dúzia de Estados (Ohio, Flórida, os suspeitos do costume)
Mas ser escolhido pelo partido não será fácil. McCain enfrenta o desafio de Rudolph Giuliani e Mitt Romney (um anti-europeu). O primeiro tem um passado que desagrada à direita mais conservadora da América, além de falta de preparação em assuntos externos, e o segundo não possui fama nacional nem experiência de campanhas difíceis. Em princípio, se não aparecer entretanto um candidato mais perigoso, por exemplo, Newt Gingrich, McCain será o homem dos Republicanos. Veremos se isso se confirma já no Verão e Outono deste ano. Se as primárias correrem mal para o senador do Arizona, a decisão será adiada para Março de 2008, o que teria as vantagens e os perigos da maior exposição mediática.
No campo democrata, a luta pela nomeação do partido promete ser mais fácil. Para além de Hillary Clinton, que controla a máquina partidária, há dois jovens políticos com hipóteses de dar nas vistas, Barack Obama e John Edwards. Os outros estarão a preparar terreno para futuras eleições. Hillary tem contra si os muitos ódios acumulados na direita mais radical, mas não é por estes votos que ela luta. Obama parece sólido, mas demasiado à esquerda: nos Estados conservadores dificilmente obterá apoios democratas. Ou seja, a figura que emerge para o posto de vice-presidente de Hillary é Edwards, bom orador que garante muitos votos no sul dos Estados Unidos, zona que os democratas querem reconquistar.
Com esta disputa em aberto (pela primeira vez em quase um século não se candidata o vice-presidente anterior) o maior argumento será o do dinheiro e do uso inteligente das novas tecnologias, nomeadamente blogs e youtube. Uma gaffe num pequeno comício da parvónia terá implicações nacionais. A campanha de 2008 promete ser a mais cara de sempre (fala-se em mil milhões de dólares) e nenhum candidato com menos de 100 milhões de dólares terá qualquer hipótese de ser eleito. Nem vale a pena falar dos independentes e dos restantes partidos.
A grande democracia americana parece-se cada vez mais com uma oligarquia à maneira do período final da república romana e é curioso que os dois prováveis candidatos de 2008 sejam políticos cuja carreira se fez em grande parte na crítica ao actual sistema de financiamento das campanhas eleitorais.



7 comentários

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De Anónimo a 03.03.2007 às 01:10

"Não sei em que análises/artigos o Luís Naves se baseou para..."
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De Luis Naves a 02.03.2007 às 12:33

agradeço os comentários e a estupenda análise do anonymous, muito factual. apesar das objecções apresentadas, mantenho a minha opinião. acho que obama não tem viabilidade como candidato final dos democratas, embora seja uma figura muito interessante, que vai influenciar a campanha, ninguém duvida. Agora, por razões culturais inultrapassáveis (talvez possam ser superadas dentro de oito anos, quem sabe?) e sobretudo pela inexperiência, obama não tem hipótese perante hillary. as sondagens são enganadoras nesta fase muito inicial do processo e a sobreexposição mediática deve-se ao facto dos media americanos que nós consumimos no exterior serem da tendência mais liberal do que a média (o que em americanês significa mais à esquerda). Giuliani não tem experiência de assuntos externos e um dos temas centrais da campanha será o Iraque (isto se Bush não fizer mais nenhum disparate e não atacar o Irão). A sua personalidade também é moralmente um bocado duvidosa. pode atrair votos no centro, mas dificilmente será escolhido pelo seu partido, que tem franjas verdadeiramente conservadoras. O que afirma sobre Edwards é provavelmente acertado, mas passaram quatro anos: trata-se de um bom orador e um rapaz bem comportado, ou seja, o parceiro ideal para vice-presidente de Hillary. não concordo quando afirma que ele foi um bom bluff em 2000, pois podia ter chegado a vice-presidente dos EUA. O candidato a presidente é que era fraco. aproveitando a sua sugestão de olhar para as anteriores primárias, lembre-se de Dean, outro candidato democrata demasiado à esquerda, inicialmente dado como favorito, e que nem chegou à super terça-feira. O paralelo com obama parece-me possível...
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De Anónimo a 01.03.2007 às 21:57

Não sei em que análises/artigos o Luís Naves se baseou para formular a sua opinião. Mas creio que não foi a mais correcta.

Para já, do lado Republicano dizer que McCain é favorito no confronto com Giuliani, é no minímo discutível. Nas sondagens efectuadas, particularmente na antecipação das hipóteses entre Republicanos vs Democratas, Giuliani tem vantagem tanto sobre Hillary como sobre Obama.
Sobre Edwards nem tenho ouvido/lido nada, e essa teoria de ele ser do Sul e captar aí votos é chão que deu uvas. Nas últimas eleições presidenciais (em q ele era candidato à vice-presidência...) viu-se bem que era um bom bluff. Não contribuiu nada, nem mesmo no seu Estado natural...

Isto leva ao campo Democrata. É que essas sondagens tb nos dizem que no confronto Giuliani vs Hillary, Giuliani vs Obama, é Obama quem consegue melhor score.

Portanto, é preciso observar bem o comportamento dos militantes democratas nas últimas primárias para tentarmos desvendar uma tendência. Quais os factores que irão influenciar o voto? A popularidade? Eu diria q Obama não se deixa ficar mal nesse aspecto... Presença e carisma? Basta ler os artigos q têm sido sobre o senador afro-americano...
Aliás, o factor q poderá prejudicar Obama são precisamente as suas raízes. E não será o eleitorado caucasiano a prejudicá-lo. É a própria comunidade negra, que não se revê nele...
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De cinderela-dos-pes-grandes a 01.03.2007 às 21:14

PANE ET CIRCENSES na versão contemporânea?...
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De ergela a 01.03.2007 às 18:08

Ou a aquela que conseguir arranjar mais lobys,seja de armas ou mesmo petroleo.
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De Luis Naves a 01.03.2007 às 17:22

Acho que a Luísa tem razão, embora os meios de comunicação americanos sejam muito influentes e tenham uma palavra a dizer na escolha
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De Luisa a 01.03.2007 às 14:26

Ando à procura do vosso bloguista FAL mas como não o encontro comento aqui. Estas eleições americanas têm tudo o que há de menos democrático, haja em vista o dinheiro de que é preciso dispôr para se entrar na luta. Será eleita não a pessoa melhor preparada ma aquela que tiver mais dinheiro!!!!

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