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Benvindos à Tv Cristina

por José Mendonça da Cruz, em 18.09.20

Parece que um empresário de comercialização de aspiradores que fez dinheiro e deu emprego vendendo um bom produto, comeu umas meninas peguiosas, que já tinham sido comidas mas sem receberem os 400 euros que ele pagava. As meninas que pareciam maiores para todos efeitos, excepto para efeitos de reportagem, além de dormirem, roubavam. Tudo isto dá 4 ou 5 episódios no jornal das 20 da Tvi. Entretanto, os pivôs dos telejornais e outros programas alegadamente informativos contorcem-se e deslocam-se abundantemente palco fora nos seus fatinhos azuis coleantes com sapatinho castanho-cocó, sorrindo muito e gesticulando pontuada e expressivamente para dizerem a piadinha trumpista diária, o sarcasmo diário bolsonarista, e depois aterorrizarem toda a gente com a proverbial fabricação sobre o vírus que agora é «a» covid, e porfim lamentar que amanhã chova que horror vamos morrer todos e o Benfica não meteu um golo que tragédia. 

O Big Brother triunfa. Os programas da manhã são o noticiário da noite. Parabéns Tvi. Os novos estilos e métodos são auto-explicativos.

O COMPLEXO DE ALMIRANTE REIS

por Jose Miguel Roque Martins, em 18.09.20

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Importante conspirador republicano no 5 de Outubro, perante a possível perspectiva de que o golpe tivesse falhado, suicidou-se. Este absurdo, não impediu, ou até foi responsável, por existir uma rua com o seu nome em qualquer vilarejo que se preze.

Assumir custos reais para não assumir custos imaginários ou hipotéticos  é um complexo Português.

Não é isso que esta crise do Covid confirma? 

 

 

 

Incerteza e precaução

por henrique pereira dos santos, em 18.09.20

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Esta tabela está no sumário executivo desta publicação "Non-pharmaceutical public health measures for mitigating the risk and impact of epidemic and pandemic influenza", de 2019.

É apenas uma publicação da OMS, não é uma norma política da OMS, mas tem duas vantagens: 1) é de 2019, portanto recente, mas anterior à covid; 2) no essencial, resume o que se sabia sobre medidas não farmacêuticas antes desta epidemia, sendo consistente com o resto da informação científica produzida sobre o mesmo assunto.

Para o que vou escrever a seguir, o que interessa é reter dois pontos: a) o conjunto de medidas disponíveis devem ir sendo usados em função do risco que se conhece; b) a generalidade das medidas não farmacêuticas têm efeitos secundários que devem ser adequadamente ponderadas no momento da tomada de decisão.

Recentemente vi uma discussão por causa de uma afirmação simples de uma pessoa - é impressionante como a generalidade das abordagens actuais se vão aproximando do que André Dias defendeu em Março - e como acontece sempre que se fala de André Dias, a afirmação foi contestada, começando por uma deselegante piada sobre o facto de não dizer só asneiras, e evoluindo para um rol de coisas erradas que André Dias terá dito.

Um dos argumentos, para demonstrar como André Dias quase só dizia disparates, é o de que previu dez mil mortos em Itália. Sei bem o contexto dessa afirmação, foi um palpite assumido como tal, com base numa interpretação das curvas de casos positivos e mortos existentes na altura, e não me lembro se logo nessa altura, ou uns dias depois, André Dias admitia perfeitamente vinte mil mortos (na verdade admitiu 40 mil, como num ano muito mau de gripe, mas vamos saltar por cima disso). Fiquemos então pela previsão de dez mil mortos, que a realidade quadriplicou (na verdade ainda não se chegou aos 40 mil, mas saltemos outra vez por cima disso).

Portanto, um erro do simples para o quádruplo é a demonstração de que André Dias sempre disse só disparates.

Claro que na discussão se omitiu o facto de, na mesma altura, os modelos usados para tomar decisões sobre a gestão da epidemia preverem 400 mil mortos para Itália, ou seja, dez vezes mais que a realidade.

Primeiro aspecto relevante: André Dias estava mais próximo da verdade ao prever uma dimensão dos efeitos desta epidemia na ordem de grandeza de uma gripe má, que os governos e autoridades que tomaram decisões com base na ideia de que esta epidemia teria efeitos dez vezes pior que os de um ano de gripe mau.

Ao olhar para a tabela acima percebemos imediatamente o efeito desse erro de percepção: a serem sólidas as previsões que André Dias, com razão, contestou, talvez se justificassem medidas bem mais disruptivas que as que deveriam ser adoptadas no caso de estarmos perante uma epidemia com um grau de severidade moderado.

Na verdade esta é uma das bases da diferença de abordagem sueca, é absurdo dizer que a Suécia teve uma abordagem laxista da epidemia, a Suécia teve uma abordagem do mais clássico que há, com medidas não farmacêuticas adequadas ao grau de severidade que se poderia esperar, tendo uma mortalidade bem maior que a esperada por causa de um factor crítico para a mortalidade: a protecção dos lares de terceira idade (ainda estou para ouvir algum dos responsáveis por este vento de loucura em Portugal admitir que este ou aquele aspecto correu mal, como já vi suecos, no caso dos lares, ou noruegueses a admitir que terá sido um erro o fecho de escolas).

O segundo aspecto relevante é de que o que a melhor informação disponível na altura dizia é que nunca, em qualquer circunstância, deveriam ser adoptadas medidas como quarentena de pessoas expostas a doentes, fecho de fronteiras e traceamento de contactos.

Mesmo o fecho de escolas e de locais de trabalho só em circunstâncias excepcionais se deveriam considerar (e ponderando os seus efeitos negativos).

Pois bem, a generalidade das autoridades de saúde não só adoptaram medidas que a ciência não suporta, como foram muito mais longe ao decretar lockdowns nunca testados e que esta epidemia também não demonstra terem tido efeitos positivos proporcionais aos efeitos negativos decorrentes dessas medidas.

Em lado nenhum, nem mesmo na Lombardia, Madrid, Nova York ou a Bélgica se chegou a circunstâncias extraordinárias, a demonstração disso é que a mortalidade foi relevante, mas sem atingir valores estratosféricos, sendo rapidamente controlada.

Eu sei que o argumento é o de que isso só foi assim porque foram tomadas as medidas radicais.

Mas quando se pergunta por que razão a intensidade de ataque foi maior nessas zonas que em zonas vizinhas, a resposta é que as medidas foram tomadas demasiado tarde para terem o efeito que deveriam. Se aceitamos este argumento para explicar variações regionais de incidência (e, consequentemente, de mortalidade) não podemos aceitar o argumento de que as medidas tiveram o efeito pretendido para explicar a paragem da mortalidade ao fim de algumas semanas, como seria de esperar a partir das abordagens clássicas.

Acresce que mesmo nos países em que ou não houve medidas coercivas radicais - como na Suécia - ou em que houve medidas coercivas radicais cuja aplicabilidade prática é questionável, como o Peru - um dos países com medidas mais radicas e mais no início da epidemia e, simultaneamente, um dos países com maior mortalidade relativa, só ultrapassado pela Bélgica - e em diferentes regiões de países com as mesmas medidas e resultados díspares, nunca se conseguiu demonstrar que o que parou a epidemia foram as medidas não farmcêuticas, e muito menos se consegue saber o que funcionou ou não (França tem sete dias de quarentena, nós temos 14 e não conseguimos saber o efeito dessa diferença, por exemplo).

Ou seja, a abordagem clássica à epidemia - no fundo, a que está na tabela do início - associada à adequada ponderação da incerteza associada a quaisquer projecções, em especial no início de uma epidemia associada a uma doença desconhecida - outras das coisas para as quais André Dias chamou insistentemente a atenção em Março - provavelmente produziriam resultados muito semelhantes do ponto de vista da epidemia, como implicações totalmente diferentes na economia e na sociedade (qualquer epidemia que seja entendida pelas pessoas comuns como uma ameaça pessoal, e esse é o caso desta, teria efeitos negativos na economia visto que as nossas sociedades se baseiam na confiança entre todos: nós cruzamo-nos permanentemente com desconhecidos na rua mas confiamos que não nos vai matar).

O barulho que continua a ser feito hoje, a propósito das escolas, é, por isso, uma barbaridade e não tem na base uma adequada ponderação do risco.

Quando Manuel Carmo Gomes - que é muito influente na forma como as autoridades têm tratado disto tudo - diz "As escolas preocupam-me seriamente, receio que se possam tornar o próximo epicentro da epidemia. Quando detectamos um caso numa escola, pode haver já mais dez casos assintomáticos a circular, os quais já tiveram tempo para espirrar para fora da escola", exactamente antes da abertura do ano escolar, está a ser irresponsável e claramente a violar as recomendações existentes para a gestão de epidemias com base em medidas não farmacêuticas: o que se sabe hoje da severidade da epidemia desaconselha completamente o fecho de escolas.

Vamos por partes na análise desta afirmação.

1) Manuel Carmo Gomes está a partir do princípio de que se não houver escolas, o padrão de mobilidade e interacção dos alunos entre eles, fora de contexto escolar, tem uma influência radicalmente diferente na epidemia. Infelizmente ninguém pergunta a Manuel Carmo Gomes o que pensa que fazem os alunos quando não há escola e se a circulação do vírus na sociedade não é já suficientemente alargada para que as escolas não tragam nenhuma alteração relevante;

2) Ainda que Manuel Carmos Gomes parta desse princípio teórico, é estranhíssimo que se fique pela análise teórica do problema e não use a informação proveniente dos outros países que têm (alguns sempre tiveram) escolas em funcionamento há meses. Infelizmente não há jornalista que lhe pergunte por que razão não dá crédito à experiência existente sobre a matéria;

3) Mas ainda que Manuel Carmo Gomes tenha razão total nas questões relacionadas com a gestão da epidemia, por que razão não valoriza os efeitos negativos associados ao fecho de escolas, que estão abundantemente descritos na literatura? Em que medida diminuir os contágios tem um efeito socialmente mais positivo que ter os miúdos a fazer a sua vida normal na escola, o que implica ter os pais a fazer a sua vida normal no trabalho? Por que razão omite a adequada ponderação de efeitos e parte directamente para um alarmismo absurdo?

Eu não sei, como também não sei bem por que razão a OMS e as autoridades públicas de saúde resolveram fazer tábua raza da informação que elas próprias tinham produzido antes a propósito da utilização de medidas não farmacêuticas na gestão de epidemias.

Os políticos eu percebo: perante uma comunicação sensacionalista por parte da OMS, de uma parte relevante da comunidade científica, de uma imprensa histérica e das autoridades de saúde, do que resultou acrescentar medo e incerteza à natural incerteza e medo associada a uma epidemia de uma doença nova, a generalidade dos políticos não tem muita liberdade de decidir, porque não há ganho político em correr os riscos que correram as autoridades de saúde suecas, e não há perda política se tudo correr mal, desde que se consiga passar a percepção de que se fez tudo o que era possível.

O que não percebo é a forma como pessoas treinadas para gerir incerteza e precaução acharam que inventar soluções não testadas era uma boa maneira de gerir uma situação de incerteza e risco.

Isso eu não percebo.

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Já todos sabemos que o Novo Banco herdou ativos maus que não o pareciam ser (dívidas e imóveis) do BES. Já toda a gente sabe que a resolução em 2014 foi feita a poupar capital. Já toda a gente sabe que a venda do banco salvou a sua existência e que para vender o banco foi preciso aceitar aquelas condições de capitalização contingente.

O que eu estava à espera era que os deputados se indignassem com a lentidão do processo de insolvência do BES. O banco ainda não está liquidado nem vai estar tão depressa. Isso sim seria motivo de uma comissão. A saber: O tempo em que se arrastam estes processos. A morosidade da justiça merecia várias comissões de inquérito.

Portugal parece uma caricatura. Vejamos. Em Espanha o Banco Popular foi resolvido e comprado pelo Santander. Na altura originou uma polémica pública, mas hoje já não se fala do assunto. Já nós estamos desde 2014 a mastigar a resolução do BES e a criação do Novo Banco. Sucedem-se comissões de inquérito, COF e auditorias.

O que faz de nós uma figura trágica.

Como é que queremos aproveitar os milhões da Europa para nos modernizarmos quando a regra é a estagnação? Somos óptimos a criar entropias. 

Repare-se, há duas semanas saiu a notícia que o CaixaBank e o Bankia estavam a estudar uma fusão. Amanhã já vão assinar um acordo. Em Portugal não se consegue vender o EuroBic, nem o Banco Efisa, nem o BPG. Uma fusão era coisa para ficar decidida lá para 2025.

Em Portugal a OPA da China Three Gorges sobre a EDP durou mais de um ano e acabou retirada. Os negócios morrem de morosidade. Nada se concretiza. Há guerras e batalhas a enfrentar em cada iniciativa.
E vamos lá a ver se é desta que a Média Capital se vende sem obstáculos. 

Somos um caso perdido.

"Não podemos negociar com a natureza"

por henrique pereira dos santos, em 16.09.20

Numa altura em que estava à espera de Godot e me tinha esquecido do livro que estou a ler, do escritor que mais me diverte (Camilo Castelo Branco), acabei por estar a ler no telefone coisas que não leria habitualmente.

Foi aí que me cruzei com isto: "Sófocles: “O homem é o ser do excesso, é o ser que viola todas as justas medidas” Para Costa Silva, “não há definição mais precisa da nossa relação com o planeta” do que a frase de Sófocles, dramaturgo conhecido pelas tragédias gregas, como Édipo Rei. “Temos que mudar esta relação. Podemos negociar com sindicatos, organizações empresariais, mas não podemos negociar com a natureza“, frisa, salientado os riscos de uma crise climática."

Nas apresentações que faço frequentemente uso um verso de Fernando Pessoa que serve melhor as minhas ideias: "Não há normas. Todos os homens são excepção a uma regra que não existe" mas também não está mal escolhida esta ideia de sermos do excesso, sermos o que viola todas as justas medidas (e as outras também, mas isso não vem agora ao caso).

O que me interessa agora é só aquela pequena parte que usei no título: "não podemos negociar com a natureza" porque ajuda a explicar bem como Costa Silva, o homem do plano, e eu, o homem sem plano, estamos ideologicamente nos antípodas.

Costa Silva, reconhecendo a natureza humana, citando Sófocles neste caso, mas citando Kant na versão original do plano, propõe um plano que visa mudar a natureza humana porque "não podemos negociar com a natureza".

Eu não proponho plano nenhum, primeiro porque ninguém mo pediu, depois porque acho exactamente o inverso: a nossa história como espécie é a história da negociação permanente com a natureza.

Por isso gosto tanto da definição de paisagem que aprendi com Teresa Andresen (e espero não a estar a trair na formulação que apresento): "A paisagem é o resultado da forma como nos relacionamos com a natureza".

Admitir a ideia de Costa Silva, a de que não podemos negociar com a natureza, é estar sempre numa posição de impotência.

Eu acho que domesticação de animais é o resultado possível dessa negociação. Eu acho que a agricultura é o resultado possível dessa negociação em cada momento. O regadio é o acordo que fizemos com a natureza: não podemos fazer a água subir as encostas, mas podemos conduzi-la no seu natural caminho de descida.

Nem sempre fazemos bons acordos, isso é seguro.

Por exemplo, o desacordo que hoje temos com a natureza na gestão do fogo é um resultado de uma negociação mal conduzida, partindo de um pressuposto errado, o de que somos capazes de vencer o fogo - o equivalente a fazer a água subir pelas encostas - em vez de partirmos para a negociação conhecendo bem os limites na negociação e aquilo que nos é possível obter: uma gestão do fogo semelhante à gestão do percurso da água descendente, sem a exigência de que a água suba as encostas.

O plano de Costa Silva, infelizmente, esquece o princípio base do bom negociador: o bom negócio é o que convém às duas partes e a melhor forma de maximizar o benefício é conhecer muito bem o que se negoceia e quem negoceia connosco.

Claro que haverá sempre quem defenda que não há negociação mais eficaz que a que está na ponta da baioneta mas, com a natureza, essa é uma posição muito, muito perigosa, porque se há coisa certa é que a natureza pode mais que nós e a nós só no resta aprender a velejar contra o vento, para chegarmos onde quisermos.

Horror

por João Távora, em 16.09.20

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Cruzei-me com esta visão dos infernos no Marquês de Pombal. Palavra que estou a pensar pedir asilo político na Suécia que até é uma monarquia.

Perder antes de começar o jogo

por Jose Miguel Roque Martins, em 16.09.20

A ultima versão do plano estratégico de Costa e Silva foi apresentada. Afinal todos os sectores ganham importância. E deixam de existir prioridades claras. Um mau documento ficou transformado em coisa nenhuma.

À moda do regime, consenso significa ceder a todos os grupos de pressão. Satisfazer todas as clientelas. Continuar a perpetuar o Estado como provedor de benesses, como uma (má) maquina diretora. Mais Estado, com a promessa de melhor Estado, é o que vai acontecer.

Nada vai mudar.

A liberdade, que permite aos agentes económicos identificar as áreas em que interessa apostar, foram mais uma vez esquecidas. Continuar a ignorar o mercado é fatal. 

Antes de recebermos os fundos comunitários,   já perdemos a nossa oportunidade.

 

 

A propósito de vitórias "poucochinhas"

por João-Afonso Machado, em 15.09.20

Não vale a pena voltar a António Costa e à Comissão de Honra da candidatura de Vieira à presidência do Benfica. Tudo é tão destituido de nexo que a conclusão possível é só uma: o espertalhão do nosso 1º para a frente apresentará os seus trunfos, que os tem de certeza.

Não é homem de inocências, nem de favores a amigos que não sejam retribuídos. Vive de e para a politica, exclusivamente.

Entretanto, surpresa das surpresas, o Benfica sai - o que muito lamento - da Champions antes mesmo de entrar. Não há canal televisivo onde este momento não se malhe forte e feio nos milhões de Vieira e nas exigências de Jesus.

Na próxima sexta-feira o Benfica vai jogar a Famalicão, onde ardentemente espero perca. E então - fica a aposta - Costa tornará ao tempo das vitórias "poucochinhas" e apunhalará Vieira como já apunhalou o seu camarada Seguro. 

Que não lhe passem pela cabeça, entretanto, "geringonças" futebolisticas...

Regras impossíveis de cumprir

por João Távora, em 15.09.20

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Quis o destino eu ter nascido com um forte astigmatismo e um estrabismo associado, coisa que resultou numa visão muito deficiente pelo olho direito. Quando eu estava na primária, foi me proposto uma terapêutica oftalmológica muito avançada para a época em que, para lá das 3 consultas semanais em que me era ministrado um tratamento num cubículo escuro com uma máquina onde eu tinha de permanecer a olhar durante um tempo que me parecia uma eternidade, obrigavam-me a andar com uma pala a tapar-me o olho esquerdo, que via bem, para supostamente obrigar o direito a esforçar-se, e desse modo mitigar o estrabismo e recuperar alguma visão. Muito recomendado de casa e pelo médico, o sacrifício foi-me impingido com a promessa de que a cura dependia de mim, da minha força de vontade, de fazer tudo como me diziam, de não tirar a pala a não ser para ir para a cama. Foram tempos muito difíceis: eu que era um miúdo sociável, tive de enfrentar a crueldade infantil de alguns dos meus colegas que troçavam do meu novo aspecto. Mas curiosamente, o que mais me custava era o tratamento me deixar quase cego. Todos sabemos que não se devem criar regras impossíveis de fazer cumprir: como não via um boi com o raio da pala a tapar-me a vista boa, em pouco tempo arranjei um estratagema para dar a volta ao assunto - com um dedo, abria uma folga na pala junto ao nariz, de onde eu à socapa espreitava para ver o mundo fascinante que doutro modo se me escondia. Escusado será dizer que ao fim de um ano o médico e os meus pais desistiram dos seus intentos e eu voltei a ser uma criança feliz.

Vem esta história a propósito dumas imagens que vi inadvertidamente um dia destes num noticiário, sobre a abertura do ano escolar num estabelecimento de ensino na Madeira, com os miúdos no recreio todos disciplinadamente de máscara na cara a fazer pose para as câmaras de TV e para o presidente da Região Autónoma, que se congratulava com o facto de na sua Ilha todos cumprirem as normas que justificavam o baixo número de infecções. Como é óbvio, manter crianças de idade escolar a usar uma máscara todo o dia é um desígnio condenado ao fracasso (uma delas estava a queixar-se da acumulação de suor no interior da máscara). Acontece que as crianças são imprevisíveis e não são domesticáveis assim. Não é possível elas conviverem, correrem, brincarem e… relacionarem-se com o nariz e a boca tapados. Querem-nos fazer acreditar que o meu filho de 13 anos está o dia todo na escola de máscara? Claro que não. Descansem todos os pais, que os vossos filhos vão arranjar maneira de contornar a situação, e conspurcarem-se saudavelmente uns aos outros em nuvens de aerossóis, está na sua natureza. De resto, consola-me saber que os bárbaros dos suecos deixam as suas crianças em paz na escola sem máscaras, que reabriu há um mês sem que as infecções se tenham descontrolado. Os números estão todos aqui.

 

Imagem: sala de aula com distanciamento numa escola no Irão.

Quando o Povo quiser...

por João Távora, em 15.09.20

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É já depois de amanhã quinta-feira dia 17 de Setembro pelas 18:00 o lançamento do livro "Quando o Povo quiser", uma antologia de textos monárquicos comemorativa dos 10 anos da revista Correio Real, que será apresentado pelo poeta e ensaísta Pedro Mexia, no auditório do Centro Cultural de Santa Joana Princesa, na R. Moura Girão, 1700-120 Lisboa (perpendicular à Avenida E.U.A. perto da Av. Alm. Gago Coutinho).

Suas Altezas Reais os Duques de Bragança dignam-se assistir ao lançamento que é aberto ao público.

Organizado por João Távora e editado por Vasco Rosa, "Quando o Povo quiser" inclui um prefácio de Nuno Pombo, um posfácio de S.A.R. o Senhor Dom Duarte de Bragança, e textos de António de Souza-Cardoso, Augusto Ferreira do Amaral, Carlos Bobone, Diogo Tomás, Francisco Teles da Gama, João Mattos e Silva, João Távora, João Vacas, Joaquim Costa e Nora, Jorge Leão, José Adelino Maltez, José Manuel Quintas, Leonor Martins de Carvalho, Luís Barata, Manuel Braga da Cruz, Miguel Castelo-Branco, Nuno Miguel Guedes, Nuno Castelo-Branco, Nuno Pombo, Nuno Resende, Paulo Cunha Porto, Paulo Teixeira Pinto, Pe. Pedro Quintela, Samuel de Paiva Pires, Teresa Côrte-Real, Teresa Maria Martins de Carvalho, Vasco Rosa e Dom Vasco Teles da Gama.

O livro estará à venda no local pelo preço de 20,00€.

O Centro Cultural de Santa Joana Princesa tem lotação para 300 pessoas sentadas: o distanciamento físico será garantido e serão observadas todas as normas sanitárias em vigor.

 

O eterno retorno

por henrique pereira dos santos, em 15.09.20

Paulo Fernandes, numa discussão sobre fogos no Soajo (e, mais genericamente, nas serras do Parque Nacional, ou, mais genericamente ainda, nas serras de Portugal): "Abandonar o pastoreio e as queimas associadas significa acabar com o mosaico de recorrências do fogo e passar a ter nas montanhas do norte os incêndios que temos no pinhal interior e na serra algarvia (ou equivalentes, porque a orografia é demasiado quebrada para ter incêndios tão grandes)".

Traduzido em miúdos, ou temos muitos fogos, menos intensos e em mosaico ao longo dos anos, ou temos menos fogos, mais intensos e extensos.

O primeiro padrão de fogo dificulta a recuperação das matas autóctones, visto que os carvalhos, embora bastante adaptados ao fogo, precisam de intervalos seguramente maiores que quatro anos, entre fogos, para que os carvalhinhos novos não morram com o fogo.

O segundo padrão de fogo é o que conhecemos do actual fogo de Proença-a-Nova e Oleiros, mas também dos fogos de 2017 e 2003, nos xistos centrais, ou 2004 no Caldeirão, ou 2016 na serra da Freita, ou Monchique, em vários anos.

O primeiro padrão de fogo permite alguma produção económica, quer porque os rebanhos produzem riqueza, quer porque é mais fácil a um proprietário defender-se isoladamente de fogos menos intensos e com menor continuidade de combustíveis. E, de maneira geral, não provoca perdas sociais tão elevadas, em mortes, infraestrutras e casas ardidas.

O segundo padrão de fogo provoca tragédias cíclicas, com intervalos em torno dos 12 a 15 anos, com mortes, casas e infraestruturas ardidas e grande destruição em mega operações, inevitavelmente ineficientes, de protecção civil.

Perante estes factos, a sociedade divide-se.

Há os utópicos - o que é preciso é esmagar a actividade viral, desculpem, a actividade do fogo, prendendo incendiários, mesmo que a maior parte da área ardida não tenha nenhuma relação com o fogo posto, ensinando as pessoas a comportar-se como deve ser, mesmo que 1 a 2% das ignições sejam responsáveis por 90% da área ardida, equipando e treinando o sistema de combate para a detecção precoce e a supressão de qualquer início de incêndio, mesmo que isso potencie as condições para as tais tragédias cíclicas, gastando rios de dinheiro a procurar alterar a estrutura de propriedade, mesmo que o problema seja a competitividade da actividade, fracamente ligada à estrutura da propriedade e fortemente dependente dos mercados, afundando recursos em mudar os povoamentos de pinheiro e eucalipto em carvalhais, mesmo que os carvalhais ardam como o resto e o fogo seja comandado pelos combustíveis finos e não pelas espécies de árvores que lá estão.

E há os pragmáticos - se o primeiro padrão tem problemas mas é uma base de partida que demonstra algumas vantagens, e se o segundo padrão tem mais desvantagens que vantagens e mais dificuldade de evolução porque destroi o capital necessário à sua transformação, vamos lá olhar para o primeiro padrão de fogo e ver como podemos gerir a paisagem no sentido de optimizar os seus benefícios e minimizar as suas desvantagens.

Nós, os pragmáticos, temos a generalidade da ciência (a ciência, felizmente, não é monolítica) e do conhecimento do nosso lado.

Eles, os utópicos, controlam o dinheiro e os recursos.

Resultado final: estamos feitos, não apenas nós, os pragmáticos, mas também os agnósticos que em Oleiros e Proença-a-Nova se viram nestes dias em palpos de aranha para prevalecer.

As auditorias segundo o BE

por Jose Miguel Roque Martins, em 15.09.20

Catarina Martins numa entrevista ao expresso:

“A proposta do BE é esta: não há nenhuma injeção no Novo Banco e faz-se uma auditoria com uma comissão pública com vista ao processo de denúncia do contrato com a Lone Star”.  

Ficou mais claro o que já se suspeitava sobre as convicções deste ilustre partido: que as auditorias não servem para apurar o que passou. As auditorias servem para provar o que se pretende.Quando não se domina diretamente uma auditoria,  há que ir encomendando, uma atrás da outra, até a versão da realidade se ajustar ao que o Bloco pretende. Estalinismo puro. 

 

 

 

 

António Costa e Luís Filipe Vieira

por Jose Miguel Roque Martins, em 14.09.20

O apoio de António Costa a Luís Filipe Vieira é tão absurdo como invulgar em alguém tão hábil como o Primeiro Ministro.

Distração, António Costa dá o primeiro sinal de que quer ir embora ou estamos presente uma manobra de diversão do nosso triste quotidiano ?

O princípio da precaução e as escolas

por henrique pereira dos santos, em 14.09.20

Há anos e anos que lido com a aplicação do princípio da precaução e a minha conclusão (sim, é minha, não me peçam referências bibliográficas, não existem porque seria um desperdício de recursos tentar produzir informação objectiva e verificável sobre uma matéria tão esquiva como esta) é a de que o primeiro factor a que se deve aplicar o princípio da precaução é ao princípio da precaução.

Nesta peça do Observador (finalmente uma peça que procura fazer perguntas e perceber a realidade, em vez de aterrorizar pessoas, honra seja à jornalista Carolina Branco) sobre a detecção de um teste positivo num aluno da escola alemã parece-me claro o problema da aplicação do princípio da precaução de forma excessiva e não fundamentada.

Provavelmente, o que está dito na peça vai ser o pão-nosso de cada dia na gestão da epidemia em contexto escolar por causa da paranóia dos testes positivos.

No início da epidemia a escassez da capacidade de testagem levou à adopção de um modelo de testagem clássico para estas circunstâncias: testar casos com sintomas, o que se faz para garantir a prática médica mais adequada ao problema, eventual quarentena de contactos próximos, durante 14 dias, ao fim dos quais, sem sintomas, a vida regressava ao normal.

Infelizmente este modelo de testagem foi abandonado e substituído por uma inovação promovida pela OMS e pela generalidade das autoridades de saúde que consiste em testar pessoas assintomáticas que as autoridades de saúde entendam testar, já não com o objectivo de enquadrar a prática clínica mas procurando a "vã glória de mandar" na epidemia: quebrar cadeias de contágio através da determinação, frequentemente coerciva, de comportamentos individuais.

Seis meses depois a mim parece-me que a OMS e as autoridades de saúde se colocaram na posição dos gestores que se deixam enredar em "sunk costs", isto é, insistem em não reconhecer o erro, insitindo numa estratégia que nem uma vez provou ser útil, em vez de retomar o modelo clássico de gestão de epidemias para que possamos voltar à normalidade o mais rapidamente possível.

A alteração dos critérios de testagem parece lógica - quanto mais testarmos mais depresssa chegamos às fontes de infecção, mais depressa as secamos e, assim, menos efeitos negativos temos - e não parece trazer problemas de maior, para além dos recursos brutais que estão a ser afundados num sistema de seguimento de contágios sem grandes resultados práticos: os números de casos positivos sobem ao ritmo do aumento do esforço de testagem, mas os números de mortalidade, internamentos e afins seguem a sua evolução natural, com cada vez menos relação com o número de casos positivos.

Uma nota lateral: não me parece nada absurdo que a mortalidade, os internamentos e afins tenham alguma relação com o número de casos, o que é absurdo é pensar que o número de casos fica bem caracterizado com o que conseguimos detectar com as políticas de testes en constante evolução. Quando agora se verifica quase o dobro de casos em França, em relação a Março/ Abril, com mortalidades que são vinte vezes menores, a explicação mais provável não se encontra na evolução do vírus, ou na melhoria dos tratamentos (com certeza um bocadinho das melhorias podem vir do facto de sabermos lidar melhor com a coisa) mas sim no facto de que a cada caso detectado em Março/ Abril corresponderem outros nove não detectados e hoje, provavelmente, termos reduzido bastante essa relação. Isso não é apenas uma questão de se estar a testar mais ou menos (há uma parte que será isso), é também o resultado do modelo de testagem que adoptámos: testamos mais e testamos mais onde é mais provável encontrar casos positivos, porque a testagem procura seguir o curso da infecção, testando os contactos de anteriores casos positivos.

Ao termos alterado a política de testes - e os objectivos de gestão que perseguíamos, primeiro era apenas o de garantir o melhor tratamento possível a todos e depois passou a ser "esmagar a actividade viral" - sem que, ao mesmo tempo, tenhamos redefinido o risco associado a cada teste positivo, acabamos por encostar os políticos à parede, obrigando-os a manter, ou desenhar, políticas para o nível de risco associado a cada caso positivo inicial (em França, menos de cinco mil casos diários eram acompanhados por quase mil mortes diárias), quando o risco de cada caso positivo, hoje, é substancialmente diferente (em França, quase oito mil casos diários são acompanhados por mortalidades diárias abaixo das cinquenta).

Este é o ponto de voltarmos ao princípio da precaução.

Qual é o risco de um aluno de uma escola ter um teste positivo?

É um risco baixíssimo, mesmo que haja contágios de outros estudantes, daí não vem grande mal ao mundo.

Qual é o risco do ensino funcionar ao altos e baixos de aberturas e fechos de escolas ou turmas em casa por cada caso positivo que seja detectado em ambiente escolar?

É altíssimo, não tanto para os alunos da Escola Alemã, que estão, de maneira geral, nos estratos sociais mais defendidos e com melhor capacidade de resistir aos altos e baixos da vida, mas sobretudo para os alunos das escolas que recebem os que vêm de mundos sociais em que ou há sucesso na escola e a probabilidade de se libertarem da armadilha de probreza em que estão é real, ou não há sucesso na escola e a probabilidade de herdar a pobreza e marginalidade social dos pais é altíssima.

Perante estes dois riscos, onde deve ser aplicado o princípio da precaução, à necessidade de reduzir o risco de excluir os mais frágeis do percurso escolar que os pode libertar da pobreza, ou à necessidade de esmagar a actividade viral num contexto em que não representa grande risco sanitário?

O problema é que quem vai ter de pesar os riscos é a autoridade de saúde, de maneira geral, alguém qualificado, de estratos sociais favorecidos e com uma perspectiva sectorial do problema, rodeado de um contexto social dominado pelo medo da epidemia na classe média que tem acesso aos jornais, com pouca noção do medo da pobreza com que os mais frágeis estão também confrontados, com escassíssima visibilidade social.

E, no entanto, se o princípio da precaução estivesse equilibrado de acordo com o que penso ser a sua adequada ponderação, isso não significaria ignorar os riscos sanitários, significaria apenas - enfim, deixemos aqui este apenas por razões de estilo - que os esforços sanitários deixariam de perseguir a ideia peregrina de esmagar a actividade viral com medidas comportamentais, para se concentrar no que seria normal desde o início: a protecção dos grupos vulneráveis.

Até agora o resultado da maluqueira de proteger os grupos vulneráveis através do esmagamento da actividade viral só tem dois resultados para apresentar: 1) a disrupção económica e social muito para lá da inevitável disrupção económica e social sempre associada a uma epidemia; 2) a ausência de benefícios palpáveis na protecção dos grupos vulneráveis, que continuam sistematicamente no centro das notícias sobre novos contágios e surtos.

Desespero é isto, é saber que nada disto pesa muito no momento em que todos os dias as autoridades de saúde vão ser confrontadas com a existência inevitável de testes positivos de pessoas em contexto escolar e, portanto, este ano lectivo tem todas as condições para bloquear as oportunidades dos mais frágeis se libertarem das armadilhas de pobreza e exclusão social em que estão metidos.

Flocos de neve

por João Távora, em 13.09.20
Sexta-feira tive reunião de pais por causa do inicio de aulas do José Maria. Foi assim que percebi que andam por aí muitos pais indignados pelo facto das escolas aconselharem os miúdos, nos dias de educação física, a irem já vestidos com o fato de ginástica, visto os balneários estarem encerrados por indicação da DGS. Argumentam com falta de higiene e consequentes maus cheiros dos jovens adolescentes. Nos meus tempos de escola não perdiamos um intervalo ou um furo para jogar à bola ou à apanhada e suarmos em bica com a roupa que tínhamos vestida. Ao fim do dia cheirávamos todos a bicho (como dizia o meu pai) e crescemos saudáveis.

Com este espírito mariquinhas, se querem complicar o ano escolar, ele não dura mais de duas semanas. E os vossos filhos nunca irão aguentar uma gata pelo rabo.

Domingo

por João Távora, em 13.09.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?». Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque mo pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’. E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

Palavra da salvação.

IRONIAS ?

por Jose Miguel Roque Martins, em 13.09.20

Injustiça?

 

Um pais como Portugal, o eterno bom aluno da Europa, foi incluído nas listas negras do Reino Unido. Uma injustiça, clamam as mais altas figuras do Estado em Portugal.

Enquanto isto acontece, a Suécia, que não aceitou a ortodoxia dominante, que tão criticada foi, tem direito a corredor aéreo!

Como explicar uma coisa destas ao povo?

 

 

 

 

 

 

Pensando bem...

por henrique pereira dos santos, em 12.09.20

Primeiro eram os grandes ajuntamentos e proibiram-se os grandes ajuntamentos.

Depois eram as escolas e fecharam as escolas.

Depois era o trabalho e mandou-se as pessoas para casa.

Depois eram as deslocações e proibiram-se as pessoas de mudar de concelho.

Depois eram as festas ilegais de jovens e proibiu-se o consumo de álcool na rua e a sua venda depois das oito da noite.

Depois eram os bairros dos trabalhadores pobres e chegaram-se a selar cafés em bairros pobres.

Depois eram surtos localizados em empresas com trabalhadores que viviam juntos e se deslocavam juntos e proibiu-se as empresas de funcionar assim.

Mas não chega.

"Quando vamos ver [como surgiram] os surtos é: famílias, família, família e depois [de âmbito] social, laboral", explica a responsável pela Direção-Geral da Saúde (DGS). "As famílias têm de entender que, se vivem em casas diferentes, em núcleos diferentes, em bolhas diferentes, quando se juntam estão a juntar mundos diferentes e basta uma pessoa infetada" para contagiar as outras, continua.

Independentemente das outras medidas tomadas, "o convívio tem de ser diminuído. Estamos numa pandemia", lembra Graça Freitas".

Suponho que isto seja a preparação para a proibição das famílias, mas acho essa decisão muito timorata: estamos numa pandemia, não podemos fraquejar, é absolutamente urgente e fundamental proibir as pessoas.

Se há coisa certa é que sem pessoas, não há pandemia.

 

O socialismo democrático já era !

por Jose Miguel Roque Martins, em 12.09.20

Ouvi com espanto Susana Peralta, num programa na Rádio Observador, sobre a atual polemica em torno da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

De forma categórica não vê justificação para tornar essa disciplina optativa, entre outros motivos, porque as minorias que se sintam feridas, podem sempre votar em partidos que mudem os programas escolares. Impondo uma nova moral publica.

Afinal proteger minorias é importante, mas só quando as maiorias estabelecidas quiserem.

Se fosse partidária do bloco de esquerda, até compreendia o discurso. Mas apresentar-se como partidária do PS, preocupou-me.

Filomena Martins e o resto da redacção do Observador

por henrique pereira dos santos, em 12.09.20

Já referi aqui como são divertidos os comentários de Filomena Martins aos números que vão sendo publicados em Portugal sobre a pandemia.

O mais interessantes desses comentários é o facto de Filomena Martins conseguir fazer uma coisa que é realmente difícil: a partir de números reais, tortura-os até que digam o que Filomena Martins quer - é fantástica a ginástica que faz para responder de raspão ao facto de lhe fazerem notar que os casos aumentam, mas a mortalidade não - mas mantém sempre uma grande capacidade de ir sempre citando números reais.

Desta vez a ânsia de drama, a vontade de nos pôr todos preocupados, vai aliás dizendo várias vezes que nos devemos todos preocupar, vai tão longe que resolveu alindar os números, dizendo que os três mortos de ontem tinham todos entre 40 e 49 anos.

Não liguei muito à afirmação, até porque na verdade não ouço os comentários como leio notícias, ouço os comentários como quem ouve stand-up comedy, portanto o rigor informativo que espero é o que espero de um comediante, e guardei na secção "números pontuais sobre os quais se retiram ilacções gerais sem qualquer legitimidade ou racionalidade".

Mas como morrerem três pessoas, no mesmo dia, naquela faixa etária, sendo uma possibilidade, é de alta improbabilidade, resolvi ir ver o que diz o Observador: "Dos três mortos registados no boletim desta sexta-feira, um tinha entre os 40 e os 49 anos. Outro dos mortos foi registado na casa dos 60 aos 69 e o último tinha mais de 80 anos".

E pronto, é isto o que a imprensa tem para nos oferecer.

Não, não é apenas Filomena Martins que funciona assim na redacção do Observador a propósito da epidemia, é praticamente toda a redacção que escreve sobre a epidemia e que acha que o seu papel de serviço público é levar-nos a ser socialmente responsáveis, e não transmitir informação minimanente objectiva.

Nada de novo, é verdade, mas é pena assistir em directo ao suicídio da imprensa às mãos dos que deveriam ser os principais interessados em mantê-lo vivo.



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