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Mudam-se os tempos...

por João Távora, em 22.05.19

O único carro de campanha eleitoral daqueles à antiga com megafones no tejadilho que encontrei até hoje nesta campanha para o parlamento Europeu, foi esta manhã, e espectavelmente era da CDU. Estava num chinfrim junto à estação de comboios de S. João do Estoril... a ser multado pelo funcionário da "Emel" cá do sítio.

Por falar em moda antiga: quem se lembra daqueles plásticos coloridos que o PCP e os Verdes penduravam por todo o lado, e que ficavam meses a esfarrapar-se nas árvores e candeeiros? Livrámo-nos de boa, hem? 

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Vendido aos interesses

por henrique pereira dos santos, em 21.05.19

"Since the mid-1970s, when DDT was eliminated from global eradication efforts, tens of millions of people have died from malaria unnecessarily: most have been children less than five years old. While it was reasonable to have banned DDT for agricultural use, it was unreasonable to have eliminated it from public health use."

Este parágrafo, retirado do artigo "Millions Died Thanks to the Mother of Environmentalism", ilustra bem a encruzilhada em que está metido o movimento ambientalista, tanto globalmente, como em Portugal.

O artigo não tem muito de novo e as alegações precisam de ser lidas com cautela, em especial o seu título, manifestamente demagógico.

Mas retrata uma discussão que é fundamental que seja feita, bastaria o último parágrafo do artigo para se perceber que não se está a falar de questões menores: "In 2006, the World Health Organization reinstated DDT as part of its effort to eradicate malaria. But not before millions of people had died needlessly from the disease.".

Por mais dúvidas que se tenham sobre as alegações do artigo, não é crível que a Organização Mundial de Saúde tenha dado um passo atrás na proibição do DDT se o assunto não fosse mesmo sério e com muitos tons de cinzento que tendem a ser esquecidos nas discussões ambientais, incluindo as de conservação da natureza.

Basta-me recusar os brancos e pretos de todos os problemas ambientais (aquele em que tenho mais dificuldade em recusar uma visão binária é o da energia nuclear) e concentrar-me nos cinzentos para ser sistematicamente rotulado como um vendido aos interesses.

Basta-me dizer que a melhor ciência disponível em Portugal demonstra não existir grande relação (se alguma) entre eucaliptos e fogos, basta-me recusar alegações infantis de que um fitocida que actua sobre os mecanismos da fotossíntese possa ser um terrível veneno para os organismos que não fazem fotossíntese, basta-me fazer notar que a escassez de recursos induz comportamentos económicos que limitam os efeitos apocalípticos tidos como absolutamente certos no futuro para que qualquer discussão acabe de imediato: para dizer coisas destas só há uma explicação, os interesses que eu sirvo.

Esta característica social está longe de estar restrita ao movimento ambientalista, mas é especialmente complicada num movimento ambientalista que sempre viveu do simbolismo e da dramatização, criando uma ética interna estranha que condescende com o uso da distorção, deturpação ou falta de rigor, desde que sirvam o bem maior da luta ambientalista.

Um bom exemplo são as listas vermelhas e os livros vermelhos, isto é, as listas que avaliam o estatuto de ameaça das espécies, cheias de imprecisões no limite da honestidade (umas vezes do lado de cá, outras vezes do lado de lá desse limite), em que se evita dizer, de forma clara, que actualmente o lobo não é uma espécie ameaçada em Portugal, estando mesmo em expansão, porque se entende que dizer isto, que é factual, pode prejudicar a conservação da espécie.

O resultado é um progressivo desfasamento entre o discurso ambientalista e o discurso científico que tem vindo a liquidar o apoio social ao movimento ambientalista, justamente considerado como fundamentando mal as suas exigências e permeável às agendas pessoais, políticas e económicas dos aldrabões que existem em todo o lado, que preferem ambientes em que o rigor e a exigência em relação à factualidade sejam mais maleáveis.

O primeiro passo para mudar isto, reganhando o papel social que o movimento ambientalista já teve, seria banir de qualquer discussão a tenebrosa teoria de conspiração dos interesses de cada vez que alguém desafina do discurso oficial sobre cada matéria.

E, se não for pedir muito, estender o princípio à discussão política mais geral era também um bom antídoto contra o sectarismo.

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É Costa ou é a Justiça?

por José Mendonça da Cruz, em 19.05.19

Jamé, Mendonça, Campos, e Pina lá tiveram o mínimo que mereciam, que é terem a conduta analisada pela Justiça, devido aos malabarismos com PPPs rodoviárias que por passes misteriosos passaram a custar mais milhões «ao Estado» (também chamado «contribuintes») em benefício imagina-se de quem. Sendo todos eles do Governo de Sócrates, não pertence, porém, nenhum deles ao Governo de Costa.

O que suscita a pergunta: era Costa que sabia muito bem o que se passava no Governo Sócrates a que pertencia e se absteve de convidar a «gente má» do antecessor? Ou é a Justiça que discrimina positivamente a «gente boa» que está no atual governo?

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Abriu a caça à comenda

por Maria Teixeira Alves, em 19.05.19

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Começou a caça às comendas. Depois da indignação pública  – que me parece sempre próxima do ódio colectivo – às declarações de Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD, eis que o Conselho das Ordens Honoríficas abriu, na passada sexta-feira, um processo para retirar as duas condecorações a Joe Berardo, numa reunião no Palácio de Belém, em Lisboa. Caso fique provado que o empresário infringiu os seus deveres de titular da Ordem do Infante D. Henrique, pode ficar sem as duas distinções que recebeu.

O que é que despoletou isto? Foi a sinceridade de Berardo, provocatória, quando disse que pessoalmente não tinha dívidas? Foi ter dito que os bancos já não tinham a maioria da Associação Coleção Berardo? Foi ficar a saber-se que tinha mudado os estatutos da Associação dona da sua coleção de arte e tinha feito um aumento de capital à revelia dos bancos? O que é que mudou de um dia para o outro em Joe Berardo que tenha despoletado isto?

Joe Berardo sempre foi provocatório, sempre foi grotesco na falta de respeito pelos que não gostava, sempre foi dono de uma sobranceria atabalhoada (não se lembram do que dizia de Jardim Gonçalves em 2007?). Não há nada de novo em Berardo. 

Terá sido o motim público que se levantou? 

Seja como for, se as comendas forem retiradas a Berardo, vai começar a caça às condecorações atribuidas pela Presidência da República? Aos que envergonham o país ou só àqueles que passaram pelas Comissões Parlamentares de Inquérito e indignaram os deputados em direto? Por exemplo, a Zeinal Bava porque não tinha de memória nada do que levou a Portugal Telecom a desaparecer? A Sócrates porque vivia com o dinheiro de um amigo e estava envolvido numa teia de troca de favores? A Ricardo Salgado por ter mandado maquilhar as contas das ESI, escondendo dívida, e contaminado a rede de clientes do Grupo com a dívida dessa e doutras empresas do GES? A Helder Bataglia que era o responsável pela Escom? A quantos destes "inimigos públicos" se vão abrir processos disciplinares para retirar as comendas e outras condecorações?

E agora vejamos, Berardo é mais culpado que outros grandes devedores à banca que entraram em incumprimento? É pior do que João Pereira Coutinho, Vasco Pereira Coutinho, Luís Filipe Vieira, Nuno Vasconcellos, Manuel Fino, etc? Porquê? 

No fim do dia quem é que tem culpa de ter emprestado 50 milhões de euros a uma empresa (Metalgest) que tinha EBITDA negativo e faturava 50 mil euros? É Berardo ou a Caixa Geral de Depósitos?

Faço minhas as palavras deste tweet: "Portugal é um país onde as coisas não acontecem pelo seu mérito ou necessidade natural mas sim ao sabor da atenção mediática do momento. Daí que seja incrivelmente importante quem controla os Orgão de Comunicação Social e quem tem autorização para fazer comentário. Portugal é muito pouco democrático". in Ricardo Pais Oliveira.

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Domingo

por João Távora, em 19.05.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 


Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». 


Palavra da salvação. 

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Em louvor de Cristina Sá

por henrique pereira dos santos, em 18.05.19

Vários dos meus amigos confundem a minha defesa de menos Estado com a defesa de ausência de Estado ou de um Estado sub-financiado e com recursos insuficientes para cumprir adequadamente o seu papel.

Sou um fortíssimo defensor da ideia de que a burocracia é uma conquista da civilização e um traço distintivo das sociedades decentes, mas isso não quer dizer que eu tenha o menor pingo de complacência para com a burocracia estúpida e socialmente inútil em que se baseiam os pequenos poderes ilegítimos de milhares de funcionários públicos.

A minha defesa de menos Estado também assenta na ideia de que precisamos de um Estado melhor, adequadamente financiado para cumprir o que lhe compete e que saiba reconhecer o mérito dos seus funcionários, pagando melhor a quem o merece.

Por causa de uma questão fiscal fui ao meu bairro fiscal em Lisboa, onde me informam que tenho de ir pessoalmente à repartição de finanças de Arcos de Valdevez para resolver o assunto.

Perto de mil quilómetros num dia não se fazem de ânimo leve e liguei para as finanças dos Arcos para saber exactamente o que tinha de fazer e levar tudo preparado. A funcionária que me atende fica estupefacta com o facto de me terem dito que tinha de lá ir, dá-me todas as indicações para evitar a deslocação e resolver o problema noutra repartição de finanças, mas eu confio mais em pessoas que em instituições e decidi que nos Arcos tinha garantida a resolução do problema, ao contrário das alternativas.

Muito menos de uma hora depois de ter entrado nas finanças dos Arcos tinha resolvido um problema que no 10º Bairro de Lisboa parecia complicadíssimo, com um atendimento excelente, em eficiência e simpatia.

Quem me atendeu, ao telefone e presencialmente, chamava-se Cristina Sá e lamento que receba o mesmo que os seus colegas que me atenderam no 10º Bairro de Lisboa, razão pela qual achei que se o Estado não reconhece quem o serve bem, servindo bem as pessoas comuns, ao menos eu teria de o reconhecer publicamente.

Muito obrigado, Cristina Sá, das finanças de Arcos de Valdevez.

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Sic transit

por Pedro Picoito, em 17.05.19

Então é assim. Houve um tempo em que Berardo, Sócrates e companhia, Faustos lusos e lusos faustos, patos bravos e patos mansos,  pequenos e grandes burgueses, venderam a alma ao poder, à glória, ao dinheiro, velhos afrodisíacos dos pobres de espírito. Tiveram mulheres, carros, viagens, acções, bancos, empresas, partidos, governos, assembleias gerais, maiorias absolutas, apartamentos em Paris, montes no Alentejo, museus em Belém e a terrível embriaguez de impor a sua vontade a todos os mortais. Hoje, arrastam-se pelos corredores vazios dos palácios por pagar, das casas emprestadas ou simplesmente da prisão, sem que o destino lhes permita ir ao café da esquina  ou olhar-se ao espelho. Valeu a pena? Cá me parece: a alma era muito pequena. E, mesmo que não fosse, o mundo de nada serve ao homem se perder a sua alma, quanto mais Portugal.

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Política Agrícola Incomum

por henrique pereira dos santos, em 17.05.19

Anteontem, estava eu posto em sossego num seminário sobre financiamento da Rede Natura, e começo a receber mensagens de vários dos meus amigos mais militantemente empenhados na dignificação do mundo rural a protestar com o facto da Iniciativa Liberal ter proposto o fim da Política Agrícola Comum.

Não sabendo do que se tratava, lá vi de raspão qual era a questão: algures alguém tinha apimentado um ponto específico do programa da Iniciativa Liberal para as eleições europeias, "Europeias. Iniciativa Liberal quer acabar com os apoios da Política Agrícola Comum".

Já aqui há dias, não sendo militante da Iniciativa Liberal mas sendo votante e estando a colaborar na definição do programa para as legislativas, eu tinha criticado uma posição maximalista da Iniciativa Liberal sobre o mundo rural.

O presidente da Iniciativa Liberal respondeu-me (publicamente, não estou a fazer nenhuma inconfidência) com uma ideia geral certa (é normal todos acharmos que o Estado deve diminuir em todos os sectores menos no meu) e com uma segunda hipótese de ideia também certa: reconheço que o argumento da gestão da paisagem faz algum sentido.

É natural que a Iniciativa Liberal, que nunca teve responsabilidades em nenhum governo e, bem, não está preocupada com os votos que possa perder porque não se pode perder o que se não tem, apresente as suas posições de forma binária e, ainda mais, que sejam lidas de forma ainda mais binária pela imprensa e pelas pessoas.

O resultado é que uma formulação oficial perfeitamente equilibrada, "Defendemos, por isso, a diminuição progressiva da preponderância da Política Agrícola Comum no Orçamento Europeu", seja lida como tendo a Iniciativa Liberal defendido o fim da Política Agrícola Comum, esquecendo todos os cinzentos que existem entre o branco e o preto.

Não deixa de ser relevante que ainda hoje se argumente que os apoios à produção que ainda existem na Política Agrícola Comum são a única forma de garantir alimentação barata e de qualidade, procurando justificar a manutenção de uma afectação de recursos que crescentemente os contribuintes contestam (curiosamente, no tal seminário em que estava, ao mesmo tempo que ia continuando umas trocas de argumentos por mensagem, o representante da Comissão Europeia projectava o gráfico da evolução do peso da PAC e do Fundo de Coesão no orçamento comunitário, em queda constante, incluindo os 7% de diminuição para o próximo quadro comunitário de apoio). 

Como dizia ontem José Manuel Fernandes, a propósito de questões mais gerais, "O problema é que hoje, como há 12 anos, se acredita que os problemas se resolvem dando mais poderes aos governos, quando é exactamente o contrário que devia acontecer. O problema é que hoje se volta a regredir no poder das instituições independentes, acreditando que a mão do governo pode fazer mais pela economia do que a livre competição entre as empresas. O problema é que hoje continua a haver muito concubinato com empresários, sempre “em nome do interesse nacional”, claro está".

É verdade que me distancio do binarismo da posição da Iniciativa Liberal em relação à PAC, em especial por me parecer que reconhece mal as enormes falhas de mercado deste sector que se traduzem em soluções sociais sub-óptimas do ponto de vista da gestão do território, sendo o padrão de fogo e a perda de biodiversidade os sintomas mais evidentes.

Mas não podia estar mais de acordo com a ideia, que aliás corresponde à evolução da PAC, de que os recursos para o mundo rural deveriam apoiar cada vez menos a produção e cada vez mais ser dirigidos para a resolução das falhas de mercado, pagando a gestão dos serviços de ecossistema que o mercado não remunera.

A ideia de que só com esses apoios se pode obter uma alimentação mais barata carece de demonstração e de base social justa.

Por um lado é mais provável que mais competição se traduza num uso de recursos mais eficiente (e isso pode implicar o abandono de actividade das empresas e sectores menos competitivos, é certo).

Por outro lado o acesso à alimentação de qualidade por parte de quem não tem rendimentos suficientes para pagar o que custa, resolve-se nas políticas sociais, não nos apoios arbitrários à produção, em que é o Estado a decidir que se deve produzir leite ou carne, sem que se vislumbre qualquer interesse social no consumo excessivo de lacticínios e carne incentivado por preços artificialmente baixos.

A ideia de que a qualidade da alimentação só se obtém com apoios públicos representa uma grande falta de confiança nas empresas, na capacidade dos consumidores fazerem as escolhas que entenderem (por que razão deve ser o Estado a definir se as galinhas devem ser tratadas assim ou assado e não os consumidores?) e no próprio Estado, que se deve concentrar em criar e fiscalizar regulamentação justa, razoável e socialmente útil, para enquadrar a liberdade dos operadores do mercado.

O que me preocupa é que ainda hoje, grande parte dos principais agentes produtivos mais criativos do mundo rural estejam na trincheira do apoio à produção por parte do Estado, acabando por estar a defender os interesses dos operadores existentes, mesmo quando a sua ineficiência (por razões próprias ou de alteração dos mercados) aconselharia o seu encerramento, abrindo espaço para soluções que criem mais riqueza e valor social.

Mas não perco a esperança de que um dia sejam atraídos pelos riscos e oportunidades abertos pela liberdade económica, sem para isso terem de deixar de defender o seu direito a ser remunerados pelos bens e serviços difusos de interesse geral que gerem, sem que os mercados os remunerem, nomeadamente através de apoios públicos.

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Por falar em lata

por João Távora, em 16.05.19

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Parece que a Nação encontrou finalmente em Joe Berardo um bode expiatório que personifica todo o descaramento e impunidade (a celebrada ética republicana) que o regime vem acalentando e que estamos condenados a pagar com juros por várias gerações. Talvez isso fosse realmente instrutivo se a indignação levasse a uma profunda revisão por quem de direito dos critérios de atribuição de comendas e demais lataria que outros impostores exibem ao peito. Bonito, bonito, era que a gente honrada na posse de tais nobilitações (que as há), num assomo de pudor e exigência estética as devolvessem à procedência, como parece que vai fazer o advogado José Miguel Júdice – ou não?

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Quinze de Maio

por João Távora, em 15.05.19

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Feliz coincidência é o Chefe da Casa Real Portuguesa ter nascido a 15 de Maio, data em que veio a ser instituído o Dia Internacional da Família, uma efeméride que ganha importância num tempo de desagregação e decadência deste testado modelo de organização social que os Duques de Bragança tão bem dignificam. Ao Senhor Dom Duarte de Bragança aqui presto a minha homenagem e profunda gratidão pela incansável dedicação a Portugal e aos portugueses ao longo de toda sua vida. Muitos parabéns e longa vida, são os meus sinceros votos.

 

Foto daqui

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Quando é que atravessamos a rua?

por João Távora, em 14.05.19

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Sinceramente estou convencido de que políticamente combater a propaganda homossexual é tempo e energias perdidas, só serve à vitimização dos visados. Sou do tempo em que foi necessário enfrentar o preconceito e promover a tolerância na sociedade portuguesa. No final dos anos 70 com o entusiasmo natural da juventude ajudei a organizar no CNC de Helena Vaz da Silva umas jornadas sobre o tema, com exposições e conferências - orgulho-me disso. Acontece que o tema chegou estafado e redundante à actualidade - como se tivéssemos todos de levar escrito na testa o que gostamos (ou não) de fazer na cama. 

A minha esperança é que o assunto saia do topo da agenda por desgaste e cansaço das pessoas, e se ajuste à real importância que possui numa democracia liberal. As pessoas têm direito a viver as suas vidas como entendem e em paz, e eu espero que a prioridade (a moda) passe a ser a família natural e a consequente demografia... A atomização social e o Inverno demográfico são fenómenos complexos com consequências catastróficas e têm de olhados de frente. Antes que seja tarde.

 

Fotografia daqui

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Do milenarismo

por henrique pereira dos santos, em 13.05.19

Ontem reagi a esta afirmação de um amigo meu "Não há Planeta que aguente a dimensão e a rapidez destas transformações" dizendo que "há 50-60 anos que o movimento ambientalista promete o apocalipse para amanhã.
No dia em que for a sério já ninguém ligará nenhuma".

Daqui resultou uma troca de argumentos que, dispensando o folclore, se resume ao facto de para mim ser um enorme erro trocar as pessoas pelo planeta na afirmação inicial, ao deslocar o foco do que está em causa nas questões ambientais.

Pelo meio apareceu o sectário habitual nestas coisas que em vez de tentar compreender os argumentos dos outros, imediatamente tenta encaixar as opiniões divergentes numa caixinha ideológica extremista para poder sair da argumentação difícil e racional e passar directamente ao julgamento moral.

No caso concreto, tentaram logo encostar-me aos negacionistas climáticos quando eu não tenho nada, mas rigorosamente nada, que me ligue aos negacionistas das alterações climáticas ou das relações entre a nossa actividade e essas alterações.

Como em muitos outros assuntos, não tenho bagagem de conhecimento e cultura que me permita ter opiniões próprias sobre tudo que o que envolve alterações climáticas, falta-me conhecimento de física para perceber integralmente os artigos que se publicam, falta-me conhecimento de clima para interpretar as implicações do que leio, falta-me conhecimento de economia e sociedade para avaliar todas as implicações de um assunto extraordinariamente complexo e, por último, falta-me a assitência do divino espírito santo que permite que crianças de dezasseis anos compreendam o que eu não compreendo ao ponto da Assembleia da República preferir ouvi-las em vez de ouvir os chatos e velhos que andam há trinta ou quarenta anos a tentar compreender o problema e todas as suas implicações.

Ou seja, neste assunto, como em muitos outros, eu dependo inteiramente do instável consenso sobre o que se sabe e não sabe sobre a matéria, portanto em caso algum poderia estar do lado dos que negam o que a esmagadora maioria dos que estudam o assunto conseguem produzir como consenso provisório e instável.

Acresce que nisto estou inteiramente de acordo com o que o Miguel Araújo diz neste artigo, já com dez anos: "há que ser responsável na gestão das incertezas e assegurar que as decisões adoptadas sejam as que minimizem o risco de cometer erros graves. Ora as medidas de mitigação que se propõem são, na grande maioria dos casos, de tipo “win-win”. Ou seja, são políticas que são positivas quer haja alterações climáticas ou não e o custo social que advém de lhes conferir prioridade é bastante inferior ao custo social de não as implementar num cenário provável de alterações climáticas".

Mais que isto, comer 100 gramas de carne diariamente, ou expandir a produção de carne à custa das matas tropicais, ou ser ineficiente no uso de energias fósseis são más opções sociais, independentemente da questão das alterações climáticas, isto é, procurar uma gestão eficiente dos recursos é bom em si mesmo, independentemente de isso contribuir ou não para mitigar as consequências sociais das alterações climáticas previstas.

Daí a minha hipersensibilidade aos discursos milenaristas ao apocalipse amanhã: o que está em causa são opções sociais, a terra, a natureza, o planeta estão-se bem nas tintas para nós, a conservação da biodiversidade é um problema humano, não é um problema para as espécies que se extiguem.

Ora ao lado dos riscos associados às alterações climáticas, ou extinção em massa de espécies, temos de pôr o facto de que a pressão da actividade humana sobre os recursos naturais resultar da satisfação de necessidades das sociedades humanas, cujos resultados, actualmente, se traduzem no período histórico em que menos gente (proporcionalmente) passa menos fome, mais gente se libertou da miséria, de centenas de doenças, umas fatais outras incapacitantes, mais gente consegue manter a qualidade de vida controlando os efeitos negativos das doenças e por aí fora.

O problema seria simples, como acharia, por exemplo, uma criança de dezasseis anos que se pronunciasse sobre o assunto, se de um lado estivessem os maus e gananciosos e do outro as vítimas (incluindo essa categoria com alto poder totalitário e manipulador que é a da vítima futura e da vítima sem voz), mas acontece que, infelizmente, não é assim, de um lado e do outro estão pessoas que passam fome, que vivem miseravelmente, que não têm maneira de se defender da hostilidade do mundo, incluindo a hostilidade dos seus semelhantes mais fortes e poderosos.

Reduzir a utilização de agroquímicos é, em si, bom, mas não porque as coisas naturais sejam melhores que os produtos tecnológicos - não há coisa mais natural que a morte e a doença, Sócrates, o legítimo, morreu a beber uma cicuta 100% natural sem corantes nem conservantes - mas porque desconhecemos todas as implicações da manipulação dos processos naturais.

Mas só é bom até ao ponto em que as alternativas possam tornar os produtos alimentares tão mais caros que seja reduzido o acesso dos pobres a uma alimentação minimanente satisfatória e esta limitação não pode ser esquecida na discussão.

Argumentações apocalípticas sobre o que a Terra sofre ou não sofre, sobre encharcar a Natureza de venenos, e outros que tais só servem para criar ainda mais confusão em assuntos muito complicados, confusão essa que habitualmente serve alguns confusionistas sem escrúpulos que usam este tipo de argumentos para justificar moralmente o seu verdadeiro desprezo pelas pessoas concretas que, ao seu lado, sofrem e morrem por não ter recursos para uma vida digna.

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Domingo

por João Távora, em 12.05.19

Leitura dos Actos dos Apóstolos 


Naqueles dias, Paulo e Barnabé seguiram de Perga até Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. Terminada a reunião da sinagoga, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, que nas suas conversas com eles os exortavam a perseverar na graça de Deus. No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor. Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias. Corajosamente, Paulo e Barnabé declararam: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Uma vez, porém, que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, pois assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». Ao ouvirem estas palavras, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé e a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região. Mas os judeus, instigando algumas senhoras piedosas mais distintas e os homens principais da cidade, desencadearam uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. Estes, sacudindo contra eles o pó dos seus pés, seguiram para Icónio. Entretanto, os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo. 


Palavra do Senhor. 

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Decerto todos já repararam, há momentos em que António Costa não consegue disfarçar a sua atrapalhação. É quando tropeça nas palavras, engasga as frases, engana-se nos enunciados, descobre uma expressão verdadeiramente aflita do aluno que sente a sebenta decorada fugir-lhe debaixo dos pés. Isto acontece em algumas entrevistas com jornalistas mais afoitos e, sobretudo, em debates televisivos.

(Foi assim com Passos Coelho, a quem a generalidade dos comentadores atribuiu a "vitória" no último confronto com Costa nas eleições de 2015. E Passos embandeirou em arco, esquecido de que é apenas um homenzinho de Massamá, e Costa, sempre, um lord de Sintra.)

Mas, de um modo geral, o 1º Ministro criador e comercializador da Geringonça passeia ante todos nós o seu diletantismo e falta de escrúpulos. Estes e a coerência são conceitos de que Costa conhece apenas a película utilitária, se for a oportunidade de os lançar à cara dos adversários.

No mais, o sorriso matreiro (e descarado) de sempre, o andar gingão e descontraído próprio daqueles a quem a vida corre bem.

E, de vez em quando, um susto. Real ou simulado. Como com o recente episódio dos professores. Na base de tudo estará (segundo, por exemplo, o credibilíssimo José Eduardo Martins) a sua vontade em enxotar o PC e o BE da órbita dos seus amigos parlamentares. Não é isso que está agora em causa. Antes o célebre Conselho de Ministros do dia seguinte. Apenas com o «núcleo duro» do Governo (há, portanto, um núcleo "mole", descartável, a que se limpará o rabo e se deitará fora); e com D. Ana Catarina Mendes que - Costa tem alma para o afirmar... - ali estaria, sendo sábado, para ajudar nuns cafézinhos.

(Ou teremos outras surpresas na agência governamental de matrimónios? Será o discreto Ministro da Educação o escolhido? Ou o Capitão Hadock e a Castafiore?)

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A lição espanhola

por Pedro Picoito, em 10.05.19

Um dos motivos pelos quais continuo a comprar o Público, apesar de todas as irritações, é a qualidade dos seus artigos de opinião. A crónica de Nuno Garoupa na edição de hoje ("A lição espanhola") é um bom exemplo. Garoupa analisa as recentes eleições espanholas e a reconfiguração do sistema partidário, com a passagem de dois grandes partidos a cinco partidos médios, e pergunta-se, como tanta gente, porque é que em Portugal não se está a passar algo semelhante, uma vez que a impopularidade do regime, traduzida na abstenção, é a mesma. E conclui que os partidos tradicionais gozam de "um contexto bem mais favorável em Portugal": acesso privilegiado à comunicação social, legislação que dificulta o aparecimento de novos partidos, maior finaciamento público, maior centralização da vida pública em Lisboa, sociedade envelhecida, ausência de uma crise territorial e um Estado central muito mais influente.

Concordo com tudo. De resto, não acredito em qualquer demonstração da nossa excepcionalidade que invoque os famigerados "brandos costumes" e a longa noite do fascismo. Só há quatro aspectos que se poderiam acrescentar, um referido de passagem, os outros ignorados. O primeiro é a corrupção. Garoupa diz que não é assim tão diferente nos dois países, mas por cá, apesar de Sócrates e dos Quarenta Ladrões, não sofremos um assalto generalizado ao dinheiro dos contribuintes como em Espanha, sobretudo por parte do PP (que está a pagar agora com língua de palmo: não basta invocar a unidade da pátria e o papão da extrema-esquerda para convencer o eleitorado conservador - também dá jeito ter mínimos éticos). O segundo é o clima de antifranquismo artificial criado pela "Lei da Memória Histórica", que só serviu para polarizar uma sociedade nunca esquecida da Guerra Civil, despertar o revanchismo da direita e catapultar o Vox. O terceiro é o próprio surgimento do Vox, que, em sentido contrário, mobilizou o eleitorado de esquerda em torno do PSOE contra a ameaça da extrema-direita. E o quarto, talvez o mais importante, é que não há em Portugal qualquer problema de imigração, e muito menos de imigração muçulmana, ao contrário do que se passa em toda a Europa (e esta, parece-me, constitui mesmo a principal razão da nossa excepcionalidade).

Mas, enfim, isto sou eu a falar com Vossas Mercês. Leiam o Garoupa, que vale a pena.

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Outra vez a praga dos argentários socialistas

por João-Afonso Machado, em 09.05.19

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É notícia nos jornais, as câmaras municipais voltaram ao angustiante atraso no pagamento dos seus fornecedores. Porquê? - É improvável por caloteirismo dos autarcas...

Fique o registo deste retrocesso, seja ele julgado pelos portugueses.

É notícia, também, o elevdo risco de pobreza das regiões Norte e Centro. Mas a Grande Lisboa vive melhor (com um rendimento superior à média nacional em 1600 euros). Sobre este tema, para não variar, o Governo mastiga os números e vomita mentiras.

É notícia, por fim, os impostos e contribuições sociais cresceram 5,9% em 2018, com reflexos (contas feitas a final) numa subida de 0,8% no PIB. Di-lo o Banco de Portugal.

O aumento da carga fiscal, obviamente, é a contrapartida das migalhas que Centeno - no maior alarido - distribuiu por uns tantos, a maior parte dos quais as gasta agora em gasolina e outras habilidades tributárias similares.

Estamos como estivemos com Sócrates. Na burla, na hipocrisia e no bom caminho da miséria socialista. Do socialismo da alta sociedade.

Quem vê caras, vê corações...

 

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Great again

por Pedro Picoito, em 07.05.19

Resultados da política externa de Trump: o Irão retomou o seu programa nuclear, depois de os EUA terem abandonado o acordo de contenção assinado entre Obama, a China, a União Europeia e o regime iraniano; Sergei Lavrov, Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, anunciou ao mundo que niguém (leia-se: Trump) intervirá militarmente na Venezuela e que a Rússia irá mesmo aumentar a sua presença no país.

"Make America great again"? Defina "greatness"...

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A norma travão

por henrique pereira dos santos, em 05.05.19

António Costa já tinha ensaiado a dramatização com a lei de bases da saúde, mas foi com os professores que achou que estavam reunidas as condições certas para levar à cena a peça que vinha a ensaiar há já bastante tempo.

Ao contrário do que seria a minha ideia, se alguém me tivesse perguntado, Rui Rio é capaz de, apesar da imprensa, ter estragado o espectáculo.

Se os partidos são coerentes, se recuam ou não, se os tapetes são tirados aos deputados, a isso os eleitores ligam muito pouco, parece-me (ainda estou para encontrar um eleitor que acredite na letra do que lhe é dito em publicidade, comunicação ou política).

Mas Rui Rio trouxe para o ponto focal da cena a "norma travão", isto é, arrumou a questão da contagem de serviço dizendo que já toda a gente votou a favor disso, e concentrou as atenções de toda a gente (incluindo dos jornalistas que parecem ter andado distraídos nesta matéria, se as coisas forem como Rui Rio as apresentou) na votação da norma travão que terá sido proposta e que o PS terá chumbado.

No dia da votação do diploma, esta norma vai ser de novo votada e vai ser impossível passar por essa votação como cão por vinha vindimada: o PS vai mesmo ter de, explicitamente, aprovar ou chumbar a norma travão.

Ao concentrar todas as atenções neste ponto, Rui Rio parece ter resolvido a questão, do ponto de vista de percepção pública.

A seu tempo se verá. 

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Domingo

por João Távora, em 05.05.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 


Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me». 


Palavra da salvação. 

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Se bem entendo...

por henrique pereira dos santos, em 04.05.19

... parece não haver dúvidas nenhumas de que amarrar o PS, nas próximas campanhas eleitorais, à ideia de que não há alternativa à austeridade, é um golpe de génio político de António Costa.

Amarrar o PS, todo o PS, ao discurso de Passos Coelho para os próximos meses é realmente o que é mais mobilizador para o eleitorado que, ao que parece, é todo muito sensível ao discurso das contas certas e da responsabilidade orçamental, como os últimos anos em Portugal têm demonstrado.

Eu estou como o Luis Aguiar-Conraria dizia ontem no 360 da RTP3: dar uma borla fiscal de 400 milhões aos restaurantes, ou resolver o problema dos 600 milhões da segurança social, ou os não sei quantos milhões dos professores, é uma questão de opção política, e a opção de António Costa, para os próximos meses, ficou amarrada à ideia de que não se pode pagar aos professores porque gastámos com os restaurantes, ou seja, a mim parece-me que há algum risco do eleitorado estranhar esta opção.

Mas se quase toda a gente me garante que António Costa empenhar todos os trunfos no discurso da falta de alternativa e da persistência da austeridade é de génio, quem sou eu para duvidar.

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