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Domingo - 2º do Advento

por João Távora, em 05.12.21

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

Palavra da salvação.

Comentário: S. Lucas situando, com precisão, a pregação de João Baptista no coração da história dos homens, indica, claramente que a salvação é universal, oferecida a todos os homens, sem excepção. «Ao novo Povo de Deus todos os homens são chamados» (LG 13).
A condição essencial para a aceitação da salvação é a conversão a Deus, que envolve, como consequências a libertação do pecado.
Para que a vinda misteriosa de Cristo às nossas almas, hoje se cumpra, é necessário, pois, «preparar os caminhos do Senhor».

Anestesia

por henrique pereira dos santos, em 04.12.21

Estou convencido, provavelmente porque funciono assim, de que a opção de voto é essencialmente negativa: eu voto por exclusão de partes, não por adesão a uma ideia, uma causa, um desígnio.

Há eleições, no entanto, em que me parece que vale a pena votar por uma política diferente das alternativas, por exemplo, foi por isso que votei em Passos Coelho em 2015 (já agora, não tinha a percepção de que Passos Coelho fosse diferente do situacionismo dominante e, por isso, votando contra Sócrates, não votei em Passos Coelho em 2011).

Nestas próximas eleições acho que haverá mais pessoas que se fazem a si próprios a pergunta que me parece central: do ponto de vista da política real, das decisões tomadas, do que o país precisa, será mesmo diferente ser Costa ou Rio o primeiro ministro?

A minha resposta é a de que não, não é assim tão diferente, não estou a ver Rio a adoptar políticas muito diferentes das de Costa, portanto, e acredito que haja mais quem veja as coisas assim, não sendo muito relevante votar Costa ou Rio.

Claro que há virtude em limitar o poder corrosivo do PS, o que um Rio em minoria apenas teria capacidade para fazer de forma muito contida. Até porque grande parte desse poder intersticial que está instalado é bastante adaptável e rapidamente se adaptaria aos novos tempos, mantendo-se a complacência para com a mediocridade que grassa no Estado e naquilo que depende do Estado.

Para mim, esta situação tem uma solução fácil: como gosto de votar, como acredito que não é tudo igual, e como até existe um partido do qual estou bastante próximo ideologicamente, voto tranquilamente na Iniciativa Liberal, sem demasiadas expectativas de que três a sete deputados liberais condicionem muito as políticas do país. Mas também sem o cinismo de achar que é tudo igual e tanto faz, os pequenos ganhos que podem ser mais eficazes com mais deputados liberais, são irrelevantes com mais deputados de qualquer dos outros partidos.

Também estou convencido de que esta solução fácil para mim não é uma solução muito popular, a maioria das pessoas que acham que ter Rio ou Costa como primeiro ministro é mais ou menos igual, tenderão simplesmente a encolher os ombros, umas indo votar, outras não indo votar, mas em qualquer caso sem qualquer efeito real no seu dia a dia e nas conversas com os amigos.

Este efeito anestesiante é provavelmente maior com Rio que com Rangel, no sentido em que Rio é mais situacionista que Rangel (e tudo o que o rodeava, Rangel era o menos relevante da sua candidatura).

Muitos dos votantes potenciais de Costa, que acham inacreditável todas as histórias de Cabrita e por isso não se sentem confortáveis com o voto no PS, não sentindo ameaçado o situacionismo, encolherão os ombros porque lhes é indiferente que governe Costa ou Rio e, no fundo, até teriam alguma satisfação com o facto de Costa ser bandarilhado por uma coligação entre o situacionismo e Rio.

Rio é capaz de ter razão: é mais eficaz anestesiar os apoiantes potenciais de Costa que tentar mobilizar os eleitores potencialmente entusiasmados com um programa de reformas que implique algum risco.

Para o país, isto é triste, para a escolha do primeiro ministro, isto é o que é.

Veremos a 30 de Janeiro se o abstencionismo derrota Costa como derrotou Medina.

Pessoalmente não acredito nisso e, na dúvida, voto na Iniciativa Liberal, para tentar puxar um bocadinho as políticas, sejam de Rio, sejam de Costa, sejam de outro mané qualquer, para o que me parece essencial para o país: reforçar o campo das liberdades individuais.

«É o Estado de Direito a funcionar»

por João-Afonso Machado, em 03.12.21

Só faltou o bondoso Cabrita não lamentar a perda humana no acidente em que «foi a vítima» a viatura em que seguia. Porque o essencial consistiu no terrível aproveitamento político do facto (o acidente), visando o nosso 1º e o seu (deles) PS.

A tal se opôs tenazmente o heroico humanista Cabrita. Até hoje, em que se conheceu o despacho de acusação, a ignorar tudo menos o infeliz motorista.

Entretanto, decorreu o tempo bastante para Cabrita saber que o Governo tem os dias contados e que não pode contar com imunidades de qualquer tipo. Para, em suma, já nada ter a perder.

Quanto ao motorista... que se amanhe com o problema! Para ele não houve - óbvio percalço humanista - uma palavra, de solidariedade sequer, do mais espantoso ministro que o historial socialista produziu. Ao invés, Cabrita não esqueceu de realçar o feito: foi o titular da pasta da AI recordista de longevidade no cargo. Que o amigo Costa está cá para isso.

Podia, ao menos, ter-se saído com uma lenga-lenga do tipo - Adormeci, não dei conta da velocidade a que seguíamos...

Mas não, o que sucedeu, afinal, foi o regular «funcionamento do Estado de Direito». E nem mais uma coroa de flores sobre a memória do trabalhador atropelado!

É isto o Estado socialista. Qual Estado de Direito!!! E o Estado socialista, onde nidificam Cabritas e quejandos, perdeu hoje, se não antes, uma série de putativos apoiantes - os familiares da vítima (a verdadeira, a humana), o motorista tornado bode expiatório e a roda dos seus, mais os portugueses todos com o mínimo de dignidade que os Cabritas desprezam.

O esplendor da ética republicana

por José Mendonça da Cruz, em 03.12.21

O carro do ministro Eduardo Cabrita circulava  numa autoestrada na faixa da esquerda, estando as outras livres (infracção muito grave), sabemos agora que a mais de 40 km/h acima do limite de velocidade (infracção muito grave) e atropelou mortalmente um trabalhador numa zona assinalada.

A investigação quis investigar se umas fezes existentes no separador central eram do trabalhador morto, ignoro se para imputar que tratar das necessidades fisológicas durante o horário de trabalho merece a morte. O que confirmaria a sugestão inicial do ministro de que a culpa de o trabalhador ser atropelado era do trabalhador atropelado.

Só seis meses depois se soube a velocidade do carro do ministro: 166 km/h

A família do morto continua desamparada.

O ministro diz que é só um passageiro, e nada tem a ver com o que faz o motorista ao seu serviço e que o transporta. O ministro diz que as notícias sobre estes factos são «repugnantes».

O primeiro-ministro tem toda a confiança no ministro Eduardo Cabrita. «Não ia a conduzir, era passageiro», disse ele em Agosto. Atacá-lo a este propósito «é desprezível», disse ele em Agosto. «Tenho um excelente ministro», disse ele em Maio.

Na Tvi/CNN a senhora Anabela Neves indigna-se com o «aproveitamento», até porque «no tempo de Cavaco» aconteceu não sei quê.

De maneira que é isto.

 

Fartinho disto tudo

por João Távora, em 03.12.21

Nunca mais saímos disto à conta da paranóia colectiva que dominou os europeus que votam e que mandam. O medo e o distanciamento social (segregação) são a coisa mais contrária ao cristianismo.

E para lá das inúmeras directivas estapafúrdias que a DGS nos impinge como salvação, como se todos fossemos parvos, alguém me sabe explicar a vantagem dessa ideia peregrina de vacinar as crianças pequenas se elas nunca sofrem de sintomas graves? É que os "especialistas" todos os dias justificam-se que as vacinas não impedem o contágio, apenas a doença grave, fenómeno que não acontece com as crianças. Portanto as crianças apesar de vacinadas continuarão a ser transmissoras do vírus. Um capricho inútil dos hipocondríacos de que estamos reféns. 

Amestrados, nem damos conta que a cada dia neste delírio adia-se a urgente retoma económica, a batalha da produtividade, para mais num país tão dependente dos negócios do turismo, com a TAP ligada à máquina dos nossos impostos a cancelar viagens e voos. Enquanto a metade do País (e da Europa em geral) vive bem com o teletrabalho e com rendimentos garantidos à noite no sofá se entretém com o jogo do número de infecções e com o alarme dos "especialistas". O medo é um vício caro, mas pode ser excitante.

Ninguém se revolta ou vamos ter de esperar pela austeridade?

Moinhos de vento, tabus e Paracelso

por henrique pereira dos santos, em 03.12.21

O movimento ambientalista, a que pertenço, está largamente capturado por uma lógica sectária que limita enormemente a sua utilidade social.

Não é nada de específico do movimento ambientalista, aparentemente corresponde a uma tendência social em que os extremistas, que querem esmagar os inimigos, estão em crescimento e os moderados, que querem discutir divergências com adversários, a partir de um chão comum, estão em perda (se alguém tem dúvidas, que olhe com atenção para as discussões sobre a epidemia, que não é o tema hoje).

Esta iniciativa é, deste ponto de vista, muito pedagógica, trata-se de uma campanha que não visa uma questão ambiental qualquer, mas sim evitar um acordo entre a FAO e a CropLife International.

Porque o acordo é mau, tem disposições inaceitáveis?

Não, porque quem lança a campanha, e a quem a apoia, entende que a CropLife International é um parceiro inaceitável, seja para o que for.

Isso decorre das actividades criminosas por parte da CropLife International?

Não, decorre do facto da CropLife International ser uma associação que representa os interesses da agroindústria, em especial as grandes empresas agroquímicas, de pesticidas e sementes.

Ou seja, para os promotores da iniciativa (que em Portugal tem vários apoios, aparentemente não muito formais) a discussão sobre agroquímicos deixou de ser sobre acções e produtos concretos, para passar a ser sobre a legitimidade do uso de químicos e, consequentemente, sobre a legitimidade de trabalhar com quem os fabrica, comercializa e os usa.

A discussão sobre agroquímicos é uma discussão importante, e está longe de estar encerrada, sendo uma discussão muito difícil numa sociedade quimiofóbica, como as sociedades ocidentais (na realidade, selectivamente quimiofóbica: é facílimo mobilizar gente contra o uso de glifosato, por causa do seu suposto e nunca demonstrado efeito cancerígeno (ver, por exemplo, este artigo, que não é sobre o glifosato, mas ajuda a pensar sobre o assunto), é seguramente difícil mobilizar gente para proibir o uso de pílulas contraceptivas, cujos efeitos secundários são largamente conhecidos).

Este post não é sobre essa discussão, mas sim sobre a opção de cortar as pontes entre os diferentes agentes com relevância para a discussão, criando cercas sanitárias à volta dos malandros que lucram com a destruição da saúde dos outros, e outras maneiras habituais de os sectários justificarem moralmente a opção pela exclusão do outro.

Desde que um dia fui falar a um encontro do pessoal dos venenos, eles mandam-me a sua newsletter, que aliás tem um nome genial: FitoSíntese.

Na última que me mandaram dão conta das conclusões do trabalho da Comissão de Dados e Estatística da ANIPLA (a Anipla é a associação dos tipos dos venenos portugueses) sobre indicadores relativos à estratégia "Do prado ao prato" (não me conformo com esta tradução absurda do nome da estratégia "Farm do fork").

Entre 2011 e 2019 as vendas de substâncias activas caíram 30% (-42% em fungicidas); Tomando como referência as áreas cultivadas de milho, tomate, arroz, vinhas, pomóideas e prunóideas regista-se um decréscimo de 31% de substância activa aplicada por hectare cultivado, entre os anos de 2011 e 2019; O indicador da FAO "pesticide use per area of cropland" apresenta, para Portugal, uma queda de 37% entre 2011 e 2018. Esta queda é consistente ao longo dos últimos cinco anos; A dose média de s.a. (suponho que seja substância activa, detesto esta maneira de escrever escondendo o que se quer dizer) por hectare tratado, na totalidade do mercado nacional de produtos fitofarmacêuticos, baixou de 2,4 kg/ ha em 2011 para 1,4 kg/ ha em 2019, ou seja, cerca de 44%.

São estas as principais conclusões do tal estudo.

O movimento ambientalista que é quimiofóbico, no entanto, acha que enquanto não se acabar com os agroquímicos na agricultura  - deveriam ter cuidado com o que desejam, porque pode ser que os desejos se realizem, e o resultado não seria bonito de se ver - não se podem fazer acordos com esta gente.

É a lógica dos sectários, não pode haver concessões de espécie nenhuma, não há campo comum, não há convivência possível com o outro.

O resultado é este, lutar contra moinhos de vento, com base em tabus que não se podem discutir e esquecendo que o ensinamento de Paracelso é verdadeiro, não apenas na química, mas também nas relações sociais: a diferença entre um veneno e um remédio é a dose.

Admirável militância

por José Mendonça da Cruz, em 01.12.21

A Sic entrou agora num desvelo com o Chega. Cada noticiário tem alguma coisa sobre o que o Chega quer, o que o Chega pensa, o que o Chega defende. Mas não é por amor -- como o amor ao Bloco que tantas vezes move a redação da Sic, e a faz transmitir o que o Bloco quer, o que o Bloco exige, o que o Bloco pensa, o que o Bloco alucina.

Não, a Sic de Costa (Ricardo) está entranhada de Chega porque age em defesa de Costa (António), porque uma das formas inteligentes de desviar votos do PSD é, exatamente, dar persistente relevo ao Chega. 

Há sublinhados que são muito traiçoeiros

por José Mendonça da Cruz, em 01.12.21

Alguns telejornais deram agora em prefaciar algumas notícias com uma advertência: «Uma notícia que está a marcar a actualidade é...»

Ora, eu lembro-me do tempo em que «uma notícia que está a marcar a realidade» era... bem... uma notícia!

Mas aplaudo o esforço, que é, sobretudo, uma confissão de que metade do conteúdo dos telejornais é intoxicação, enviesamento, irrelevância e espuma.

Um monumento de desinformação

por José Mendonça da Cruz, em 01.12.21

O pequeno comentário de Luís Costa Ribas, às 16,55, «em directo» para a Tvi/CNN, sobre o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA e a nova lei do aborto é um monumento imperdível de ignorância, preconceito e estupidez. É admirável como exemplo extremo de tudo isso, e é como exemplo extremo do que é possível na Tvi/CNN que deve ser visto.

PERSPECTIVAS

por Jose Miguel Roque Martins, em 01.12.21

 

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Contágio

por henrique pereira dos santos, em 30.11.21

Alemanha

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Austria

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Portugal

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Estes três bonecos são produzidos automaticamente pelo Our World in Data e contrariam o essencial do discurso mediático sobre a epidemia.

Sim, é verdade que na Alemanha a incidência é mais do dobro da que existiu no pior pico anterior, sim, é verdade que a incidência na Austria é quase o dobro do pior pico passado e sim, é verdade que a incidência em Portugal está a subir (aparentemente está já a dar sinais de abrandar, mas até ao lavar dos cestos é vindima).

Também é verdade que as hospitalizações, doentes em cuidados intensivos e mortes, não acompanham a incidência como anteriormente, de tal maneira que se torna difícil aceitar a conversa da sobrecarga dos hospitais alemães, já que as hospitalizações estão bastante abaixo dos anteriores picos.

Essencialmente, o que se pode dizer é que a vacina tem cumprido bem a sua função de protecção individual (há quem argumente que as variantes que se tornam dominantes são as que são mais infecciosas, mas menos letais, não vou entrar nessa discussão, de uma maneira ou de outra há um claro desfasamento entre a evolução do número de casos e a evolução de hospitalizações, cuidados intensivos e mortes) mas, aparentemente, não é uma grande ajuda no bloqueio do contágio.

Dizer isto não significa que a vacina não possa ter algum efeito de contenção do contágio, significa é que há outros factores mais importantes a determinar a evolução do contágio - sejam as tais variantes mais contagiosas, sejam os factores ambientais, também não entro nessa discussão - e a variação de contágio comunitário que a vacina possa induzir é absorvida pelos outros factores que duplicam, triplicam, e mais, os contágios, numa ou duas semanas.

Resumindo, para quem adoptou o contágio como o critério central de evolução da epidemia, a situação é hoje muito complicada na Europa, para quem adoptar os efeitos reais da doença nas pessoas, medido em hospitalizações, cuidados intensivos e mortes, a situação actual é tranquila na Europa quase toda.

Note-se que o padrão de hospitalizações, cuidados intensivos e mortes não é exactamente igual, não há uma sequência de evolução da doença que seja hospital, cuidados intensivos e morte.

Há muitas hospitalizações que não evoluem para cuidados intensivos e, sobretudo, as pessoas que estão a morrer correspondem a grupos sociais muito diferentes dos que estão nos cuidados intensivos.

Os que estão a morrer são pessoas muito velhas e doentes, vacinadas ou não. São, de maneira geral, pessoas cuja vida pode desaparecer com covid ou com outra coisa qualquer, à mínima perturbação correm riscos de vida elevadíssimos, não sendo de esperar, na esmagadora maioria, que na ausência de covid vivessem muito mais tempo.

Os que estão a ser hospitalizados e levados para cuidados intensivos, de maneira geral são mais novos, às vezes sem histórico de doenças prévio, e não morrem, em grande parte, são tratados e voltam para casa.

Ou seja, com a vacina, ou com as variantes mais transmissiveis mas menos letais ou com uma combinação das duas coisas, a verdade é que a covid deixou de ser uma doença que crie mais risco social que a gripe.

Aqui chegados, é mais que legítimo perguntarmo-nos por que razão há crianças que desde o ano lectivo já estiveram isoladas em casa três vezes, catorze dias de cada vez.

E a resposta é desarmantemente simples: porque as pessoas que tomam decisões sobre o assunto acham muito importante diminuir o contágio de uma doença - medido laboratorialmente é bom lembrar - e não atribuem grande importância à frequência da escola.

Luís Aguiar-Conraria rendeu-se ao pragmatismo e no seu último artigo do Expresso (aliás, muito bom, embora eu tenha dúvidas sobre a parte final, que é a que estou aqui a comentar) defende que como será sempre assim, o melhor mesmo é vacinar as crianças para que as deixem em paz na escola.

Em compreendo esse pragmatismo, também dou tanta importância à frequência presencial da escola que acho que mais vale garantir a sua frequência que discutir se as políticas públicas estão certas ou erradas, mas não consigo ir tão longe.

Não porque veja grande risco na vacinação de crianças, que acho essencialmente um gasto ineficiente de recursos e energia (para além de uma injustição evidente face aos países que nem a sua população de risco têm vacinada), independentemente de reconhecer as questões éticas que se levantam.

O problema é que se mantivermos o foco no contágio medido laboratorialmente, não são só as escolas que vão ser destinatárias de medidas de gestão da epidemia que, além de estúpidas, são na verdade contraproducentes (os efeitos de longo prazo na confiança dos processos vacinais, que é elevadíssima em Portugal, talvez não seja dispicienda), é toda a sociedade.

E eu continuo a achar que é preciso perguntar por que raio continuamos a discutir isto com base em incidências de casos, visando um bloqueio de contágio irrealista, em vez de nos concentrarmos no essencial: hospitalizações, mortes e protecção dos mais susceptíveis.

Se há coisa que, mais uma vez, como nas outras epidemias, parece ficar demonstrado, é que tentar fazer bloqueios de transmissão de doenças deste tipo, sem que existam instrumentos farmacêuticos adequados - medicamentos e vacinas - é uma rematada idiotice, com custos sociais brutais e completamente desproporcionados face aos benefícios que se obtêm.

Uma coisa é usar medidas não farmacêuticas na protecção individual, outra coisa é confiar nelas para evitar surtos, tal como uma coisa é gerir os efeitos de um incêndio em concreto recorrendo a meios de combate, outra coisa é confiar na diminuição das ignições e nos meios de combate para obter o padrão de fogo que se pretende.

A insónia de  Putin

por Jose Miguel Roque Martins, em 30.11.21

Depois de ter invadido a Crimeia, a Rússia amontou nas ultimas semanas,  mais de 100.000 Homens e equipamento pesado, na fronteira da Ucrânia, a que se vão agora juntar tropas da Bielorrússia. Em tese, uma invasão da Ucrânia pode começar a qualquer momento.

Uma concentração de meios tão importantes, são caros demais para serem tomados sem qualquer objectivo claro. Claro que se pode tratar apenas de uma provocação. Uma prova de vida e uma fanfarronada para impressionar quem compra equipamentos militares. Como a maioria das pessoas, não entendo por que razão a Rússia poderia querer invadir a Ucrânia. O que é certo é que já anexou em 2014 a Crimeia, sem que se vislumbre, até à posteriori,  um interesse geopolítico relevante.

Com o histórico passado e recente, no caso do Ocidente pretender de facto proteger a Ucrânia, bastaria que a NATO, em linguagem diplomática mas clara, anunciasse que reagiria militarmente  a qualquer nova agressão ás fronteiras da Ucrânia. Não foi o que aconteceu. Umas declarações ameaçando umas sanções difusas, umas manifestações de preocupação, uma reunião da NATO, hoje, para partilha de inteligência sobre a situação no terreno. E é tudo, pelo menos para já.

Apenas três lógicas parecem poder explicar este quase convite a uma agressão Russa. Ou porque se entende útil sacrificar os Ucranianos, num calculo que me escapa. Ou porque não defender a Ucrânia lance duvidas à Rússia do seu  interesse em o fazer. Ou porque não há mesmo vontade de perder um único homem, numa guerra que não ataca(?) nenhum interesse fundamental dos países que deveriam reagir, até porque precisam do gás russo.

Tanta passividade, deve estar a enervar Putin e a tirar-lhe o sono: não é assim que se deve reagir a uma provocação, não é assim que se brinca, não é assim que se valoriza um eventual êxito militar.

Radicalização ideológica

por Jose Miguel Roque Martins, em 29.11.21

Costumo ler as crónicas de Daniel Oliveira no Expresso que, de certa forma, considero o arauto honesto e inteligente da Esquerda. Hoje, a páginas tantas, escreve:

“E desde que Rui Rio venceu que deixaram claro que o consideram um líder ilegítimo, em contraciclo com a radicalização ideológica que defendem.”

Simplificando, qualquer ideologia que ultrapasse á direita o socialismo, ou uma social democracia de esquerda socialista, para a esquerda, é naturalmente uma ideologia radical.

Curiosamente, na esmagadora maioria dos países desenvolvidos, o radical em Portugal é o moderado e o moderado português, radical.

Em termos de classificações politicas tudo é uma questão de perspectiva e de onde se posiciona o observador. Já em termos de consequências praticas, no bem estar da população, é que não há duvidas: a direita do socialismo, dita radical ou moderada, é bem mais agradável para os cidadãos.

Rio: as bases venceram os "notáveis"

por João-Afonso Machado, em 29.11.21

Gostei da vitória de Rio. Tive a vaga noção de que Paulo Rangel não chegaria lá, tal o frenesim, a panóplia de "notáveis" a apoiá-lo e a serenidade do seu concorrente. E daí uma primeira analogia possível - a proeza de Rio está para o PSD como a abstenção está para Portugal. Isto é, estamos todos fartos de "notáveis", dos políticos televisivos e afastados do quotidiano.

Acrescento: Rio é um social-democrata convicto. Por isso se põe a jeito de o acusarem de esquerdista. Demagogia! Povoa a Esquerda o marxismo, em todas as suas variadas estirpes, sempre renovadas, sempre adaptadas. E nesse covid estratégico e endémico, obviamente não se inclui Rui Rio.

Por fim: a putativa aproximação do PSD ao PS. Outro falso alarme! Senão vejamos - ganhando o PSD, Costa nunca se sujeitaria (como o PS nunca se sujeitou) a uma posição subordinada, e refinará na oposição; saindo a sorte a Costa, e não lhe sendo viável reeditar a Geringonça... Rio sabe bem da confiança que o ainda nosso 1º merece,  a ligeireza com que espeta o punhal em quem quer lhe tolha o passo. Poderá facilitar-lhe a vida, aliviar impasses parlamentares. Mas mais - jamais.

Morre o PSD, nasce o PSB

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.11.21

Rui Rio ganhou as eleições do PSD, que no seu consolado se deve chamar PSB , o outro PS.  Se estivermos zangados com a coca cola, tomamos pepsi cola. Não abandonamos é a cola, que nos une no nosso estranho e fraco projecto colectivo.

Se já não havia grandes perspectivas de mudança a partir de Janeiro, agora não há nenhumas. Ganhe o PS ou o PSB.

Ainda bem para quem acha que estamos no rumo certo.

 

Domingo

por João Távora, em 28.11.21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».

Palavra da salvação.

Comentário: A vinda do Senhor, a sua última vinda, ou talvez melhor, o último momento da vinda que Ele inaugurou quando Se fez homem e veio habitar no meio de nós, é, de novo, proclamada nesta leitura. E com que solenidade! E com que exigências! Mas, no fundo, será esse o momento supremo da nossa libertação, porque o Senhor, que vem, vem como Salvador. O Advento é o tempo particularmente consagrado a viver nesta expectativa.

Viva o provedor do leitor do Público

por henrique pereira dos santos, em 27.11.21

Não é segredo, para quem lê o que escrevo, a minha quase permanente irritação com a qualidade do jornalismo em Portugal (suspeito que não é caso único no mundo, mas é este que conheço melhor).

E, sobretudo, a minha incompreensão sobre o feroz corporativismo do jornalismo, que na prática bloqueia a crítica saudável, isto é, aquela que permite melhorar o desempenho.

O Público criou, há muitos anos, um provedor do leitor que, inicialmente, fazia um bom trabalho. Mas rapidamente foi capturado pela redacção porque os provedores seguintes se achavam, esta é a minha interpretação, mais provedores do bom jornalismo - isto é, o jornalismo que os provedores entendiam que deveria existir - que dos leitores.

Desliguei, portanto, desse mecanismo de escrutínio do jornalismo, tal como desliguei dos mails para os jornalistas do Observador, que inicialmente resultavam em qualquer coisa de útil e, depois, pura e simplesmente ou deixaram de ter resposta, ou têm respostas burocráticas a negar a discussão da crítica dos leitores.

Um dia destes, perante a evidente manipulação do jornal para fins privados, protestei junto do Provedor do leitor do Público.

Confesso que quando o Provedor me mandou um mail a reencaminhar a resposta do jornalista, temi que o assunto morresse como de costume.

Mas não, hoje o Provedor, na sua coluna, não só fala do assunto, como responde de forma clara e conclui cristalinamente: "o provedor considera que o artigo em causa viola o artigo 1º do Código Deontológico dos jornalistas e o ponto 15 do Livro de Estilo do Público, com a agravante do jornal ter feito sua a opinião de uma das partes".

Com certeza fico satisfeito por haver outras pessoas, com mais distância do assunto, que corroboram o que eu dizia sobre o artigo (ou parte do que eu dizia, mas uma parte muito relevante), mas não é isso que me deixa mais contente, o que me deixa mais contente é verificar que há um provedor do leitor, num jornal, que se põe fora do habitual corporativismo e reconhece que os jornalistas também cometem erros de palmatória que o jornal não detecta a tempo de os impedir.

Muito obrigado, senhor Provedor (José Manuel Barata-Feyo, de seu nome).

No caminho da miséria

por João Távora, em 25.11.21

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Regressado dum memorável e intenso fim-de-semana alargado em Milão onde fui pela primeira vez para visitar a minha filha, sou testemunha duma agitada metrópole com uma economia pujante que parece pulsar indiferente ao alarmismo pandémico. Multidões de pessoas percorrem as ruas e praças de cara destapada, sendo unicamente obrigatório o uso de máscaras em espaços fechados, como transportes públicos (à pinha - mesmo no domingo) monumentos, museus, lojas e restaurantes que fervilham com autóctones, estudantes e turistas. Quando segunda-feira às 5 da madrugada me deslocava para o aeroporto de Bergamo, reparei da janela do autocarro no imenso movimento de transportes de mercadorias repletos de contentores, que numa frenética corrida nocturna às centenas arribavam à cidade.
Se não é necessário fazer turismo para verificar a imensa diferença entre as economias das cidades de Milão e de Lisboa, com esta visita fiquei com uma amarga sensação de que a disparidade se irá acentuar com a pandemia e a maneira como a encaramos por cá -  como se não bastasse o excesso de socialismo. No domingo à noite, no único noticiário televisivo a que assisti, a peça sobre o crescimento da epidemia, apareceu apenas em 5ª lugar, quase 15 minutos passados do seu início. Segunda-feira já em Lisboa a caminho de casa ao ouvir as notícias da rádio deu-me a sensação que, por cá, se vive uma calamidade.  

* Fotografia minha da Praça do Duomo, no passado domingo de manhã.  

Marta Temido e nós

por henrique pereira dos santos, em 25.11.21

Não, não me interessa tanto o que parece que escandalizou toda a gente (eu incluído), a tal história da resiliência (por favor, podemos parar de confundir resiliência, que é a qualidade de voltar ao estado inicial depois de uma deformação, com resistência, que é a capacidade de resistir a qualquer coisa adversa?).

Nas declarações de Marta Temido há coisas que me parecem bem mais relevantes, não por dizerem alguma coisa sobre Marta Temido, mas por dizerem bastante sobre nós.

"Nós sabemos que o limite de trabalho suplementar ... de 150 horas, não é possível de ser respeitado no nosso sistema de saúde".

O que está em causa é o facto do Código do Trabalho e da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas estabelecerem um limite de 150 horas anuais de trabalho por trabalhador. Mas, para resolver o problema da má gestão do Serviço Nacional de Saúde (ou a escassez de médicos que a Ordem dos Médicos continua a dizer que não existe, de cada vez que alguém tenta abrir mais um curso de medicina), há um aditamento à lei que cria uma excepção: "a realização de trabalho suplementar ou extraordinário no âmbito do SNS não está sujeita a limites máximos quando seja necessária ao funcionamento de serviços de urgência ou de atendimento permanente".

Ou seja, há uma regra geral na lei do trabalho, a que o Estado se exime no seu interesse próprio, uma ministra (esta ou outra qualquer) dá como adquirido que a excepção à lei é a normalidade e nós, nós todos, não nos perguntamos por que razão a regra existe no código do trabalho.

A regra é boa e deve existir para proteger os trabalhadores dos abusos dos patrões?

Então o Estado patrão deve "liderar pelo exemplo" e deixar-se de abusar do seu poder para se eximir ao cumprimento de regras que impõem aos outros.

A regra é estúpida e impede uma boa gestão de recursos humanos?

Então o Estado deve rever a regra.

Agora esta situação em que a regra é boa em tese, para os outros, mas má na prática, quando convém ao Estado, é que revela uma falta de exigência nossa em relação ao Estado que, infelizmente, nos caracteriza bem como sociedade.

Não admira por isso que Marta Temido, cujas demonstrações de falta de amor à liberdade são frequentes (da mesma audição "A melhor forma de atrair recursos humanos é conquistá-los para projetos de trabalho e não passar uma imagem, ou intensificar uma imagem, de que a instituição vive enormes dificuldades e num clima de confronto”, um bom retrato das suas prioridades, a realidade não interessa nada, o que interessa é garantir que enganamos as pessoas para as poder arregimentar), seja a ministra mais popular do Governo, apesar de ter liquidado as PPP na saúde que garantiam melhor assistência médica a mais baixo preço para o contribuinte, por exemplo.

O relevante neste exemplo não é Marta Temido (os ministros vão e vêm, apesar de muitos acharem que passam o tempo a tomar decisões históricas), mas sim a nossa falta de exigência em relação à actuação do Estado.

É muito triste que nos foquemos na parvoíce da resiliência, em vez de nos questionarmos por que razão existe uma regra geral no código do trabalho a que o Estado se furta porque, no seu papel de patrão, considera a regra impossível de cumprir.

Será isto?

por henrique pereira dos santos, em 24.11.21

Depois de tantos dias a ver demonstrações claras da relação entre taxa de vacinação e incidência Covid, temos de concluir que em Portugal, de repente, está a haver uma diminuição expressiva da taxa de vacinação, certo?



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