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Da excepção como regra

por henrique pereira dos santos, em 15.07.18

Na longa noite passista, a conversa sobre a partidarização das nomeações de dirigentes da administração pública era frequente e bastante audível.

Logo na discussão do Orçamento de Estado, em Março de 2016, Mário Centeno parecia ser muito claro: "O sistema de recrutamento e seleção de dirigentes para a Administração Pública tem “problemas de transparência” e contribui para eternizar pessoas nos cargos, acusa o ministro das Finanças. No debate parlamentar na especialidade sobre o Orçamento do Estado para 2016, Mário Centeno mostrou descontentamento com o sistema de escolha dos altos dirigentes do Estado por parte da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (Cresap), designadamente com o facto de haver nomeações para cargos que depois se “eternizam” no tempo, o que no seu entender pode colocar problemas à renovação e melhoria da qualidade dos recursos humanos do Estado".

Depois, bem depois, António Costa, seguiu o princípio geral da governação em Portugal, tal como em todos os sítios por onde passou, não sendo muito original nisso: "proteger os amigos, perseguir os inimigos e aplicar a lei aos restantes".

Onde António Costa é bastante original e inovador, sendo a nomeação de dirigentes da administração pública uma excelente ilustração, é no que entende por "aplicar a lei aos restantes".

No caso concreto da nomeação de dirigentes a lei estabelece como regra a nomeação precedida de concurso, admitindo, no entanto, a excepção da nomeação em substituição até à realização do concurso.

António Costa resolveu então não mexer na lei - é muito impopular acabar com um sistema de concursos e era um bocado incómodo melhorar o péssimo sistema existente de forma a torná-lo mais meritocrático e menos permeável à influência dos governos - mas adoptar a regra de aplicar a excepção: nomeia quase toda a gente em substituição, não trata dos concursos e está o assunto resolvido.

Aparentemente a sociedade, os jornais, os partidos, os grupos de influência, enfim, todos os que no tempo da longa noita passista denunciavam (aliás bem) a evidente manipulação dos concursos feita pela CRESAP e pelo seu ex-presidente João Bilhim, estão hoje satisfeitos, podendo António Costa nomear ou mandar nomear quem quiser, que as notícias sobre a partidarização, e a quantidade de absolutos incompetentes nomeados até hoje, nunca será notícia.

Há pessoas assim, que têm uma extraordinária habilidade.

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Domingo

por João Távora, em 15.07.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 


Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos. 


Palavra da salvação. 

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«Os mercados»

por José Mendonça da Cruz, em 14.07.18

Cristiano Ronaldo custou à Juventus um pouco menos de 120 milhões de euros.

Antes de jogar, antes mesmo de ser apresentado como jogador do clube, antes de um mês sobre a contratação, a camisola com o seu nome e número já vendeu mais de 500 000 exemplares. Sendo que o preço varia, conforme os «atavios», entre 84 e 94 euros, CR7 já garantiu à Juventus um retorno de entre 42 e 49 milhões de euros, quase metade do custo, e a Juventus continua a garantir a Ronaldo a recompensa dos seus raros e enormes talento e esforço.

Agora, o que aconteceria se alastrassem a Itália e ao futebol as idiossincracias que os portugueses tanto apreciam na geringonça:

- sendo os mercados uma coisa horrível, nem a Juventus, nem Jorge Mendes, nem Cristiano Ronaldo teriam liberdade para gerir os seus negócios; o preço dos jogadores estaria tabelado, segundo algum múltiplo do salário médio português (aproximadamente o salário mínimo);

- as camisolas também estariam tabeladas, talvez por 1 ou 2 euros mais do que os 10 euros do produto normal, justificados pelo suplemento de personalização;

- não existiriam nem Juventus, nem Real, nem Mendes, nem Ronaldo, porque ambição e investimento exigem incentivo e retorno;

- todos os clubes de futebol seriam modestos e provinciais, e a sua audiência local e limitada;

-e ninguém desejaria ser profissional de futebol ou socialista.

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"O centenário da revolução poderia ser um bom momento para nos debruçarmos sobre a História Russa em particular e sobre a violência na sociedade em geral. A família real russa, no fundo, já estava condenada à morte logo que os bolcheviques tomaram o poder, pois o assassinato de Ekaterimburgo não passou de um episódio do chamado “terror vermelho”, que ceifou milhões de vidas. Os comunistas começaram por matar nobreza e alta burguesia, monárquicos e liberais, socialistas de direita e de esquerda, anarquistas e outros “aliados descartáveis”. Depois, como é sabido, deram início ao extermínio mútuo e à criação de “inimigos do povo”, pois a máquina do terror não podia parar."

 

 

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Quase mártires da liberdade

por João-Afonso Machado, em 12.07.18

UBER.JPG

O episódio é verídico, rigoroso, ocorrido em plena Lisboa. Eles eram três democratas com a cabeça a prémio. A fuga tornara-se imperiosa. Valendo-se de alguns sofisticados meios tecnológicos (felizmente ao dispor), o mais novo, mais afoito, conseguiu estabelecer contacto com um resistente destacado para auxiliar a evacuação (salvo seja) dos aflitos.

A cidade dormia quando o operacional surgiu silenciosamente, num automóvel vulgar, conquanto limpo e dotado de boa música na telefonia, completa a ausência de futebol no seu habitáculo. A viagem para o aeroporto decorreu sem sobressaltos, rapidíssima. Nada de palavras de ordem, de diatribes políticas, de populismos travessos. Tudo fora combinado, o desembarque processou-se discreto, instantâneo, mesmo nas barbas das viaturas verde-negras ou bejes dos guardiões do regime.

A ditadura taxista sofrera mais um revés, sobretudo quando, muito ao longe, ouviu gritar:

- Uber alles!!!

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A globalização da humanidade

por João Távora, em 09.07.18

campeões do mundo.jpg

A meio da semana passada, impressionado com as notícias que vinham da Tailândia, perguntei aos meus filhos pequenos se sabiam do que se estava a passar. Não sabiam: como a maioria dos jovens e das crianças, hoje em dia conseguem viver numa bolha onde convivem com a “realidade” que escolhem seguir, por via do Youtube, do Instagram ou dum qualquer canal de séries ou desenhos animados sempre ao dispor. A razão por que nesse dia os obriguei a ver um noticiário da TV foi por considerar que aquele “caso” era definidor do que é uma autêntica “notícia”, além disso capaz de comover o mais empedernido adolescente. Esta história de 13 destemidos jovens sepultados vivos nas entranhas impenetráveis da terra e a obstinação de uma comunidade quase planetária disposta a tudo fazer para os salvar concentra em si o dramatismo mais profundo da condição humana seja na sua fragilidade ou nobreza. A complexidade de todas as histórias que daí se ramificam, da angústia dos pais e familiares aos heróicos mergulhadores que arriscam a vida num diabólico labirinto de corredores e câmaras rochosas submersas pelas impiedosas águas das chuvas…  E a eventualidade da humanidade por uns instantes expurgar a sua alma colectiva com o sucesso desta operação, coroada com uma triunfal presença dos rapazes Domingo que vem na final do Mundial em Moscovo? Um final que se faça hino ao que de melhor é capaz o ser humano.

Os meus miúdos já acompanham as notícias que nos chegam das grutas do norte da Tailândia que depois debatemos e aprofundamos à mesa em família. Não como uma novela ou um torneio de futebol como sugeria há dias no Facebook um “intelectual” sempre enfastiado. Uma comoção verdadeiramente global que espelha a humanidade que somos todos independentemente da geografia, história e da língua com que nos fizemos gente (desculpa lá o mau jeito John Lennon). Porque o que está em jogo é o simples duelo entre as trevas e a luz, e nisso (quase) todos sabemos de que lado somos.

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Toiradas e fogos

por henrique pereira dos santos, em 07.07.18

Procurar discutir racionalmente qualquer coisa relacionada com touradas é "em esforço inútil, um voo cego a nada" porque ninguém está interessado numa discussão racional sobre o assunto.

Há dias em que me dá para causas perdidas e hoje é um desses dias.

Argumento 1: direitos dos animais e questões conexas

Do ponto de vista dos direitos dos animais elegar a proibição de toiradas como prioridade é simplesmente absurdo. Os toiros de lide têm três a quatro anos de vida em que a sua natureza é respeitada, a sua liberdade é quase integral e a sua condição essencial de criatura viva é profundamente mais digna que a dos cães e gatos que toda a vida são sujeitos aos interesses e natureza dos seus donos, sem oportunidade para o desenvolvimento da sua condição de animal com valor intrínseco (curiosamente a primeira pessoa que li e me chamou a atenção para este aspecto foi Jane Godall). Penso que nem vale a pena argumentar sobre os animais de produção, deste ponto de vista. É certo que essa vida acaba (ou não) numa tarde sangrenta, mas isso não anula o argumento base de que o toiro de lide, no conjunto da sua vida, tem o seu valor intrinseco como ser vivo, e a possibilidade de desenvolvimento da sua natureza própria, muito mais respeitado que qualquer dos cães e gatos cujo dia a dia, da alimentação à reprodução, passando pelas tempos limitados de liberdade condicionada e de possibilidade de relação com a natureza e outros seres vivos, incluindo os da sua espécie, é totalmente subordinada ao arbítrio e interesse dos seus donos.

Argumento 2: tradições e significado da toirada

O toiro e os rituais associados ao toiro e à vaca são transversais a toda a bacia do mediterrâneo e bastante mais além, sendo muito relevante na Índia, como é do conhecimento comum. Os rituais da luta entre toiro e homem, de maneira geral relacionados com a fertilidade, são muito generalizados, assumem muitas formas e estão profundamente embebidos na nossa matriz cultural, mesmo que não demos por isso. Pretender que a tourada é um mero divertimento, esquecendo toda a história que a precede é demasiado pueril para ser levado a sério. Por outro lado, pretender que todos os rituais em que se funda a nossa cultura e identidade actuais se devem manter como se as sociedades não evoluíssem, é igualmente pueril. O relevante, neste aspecto, é apenas não desvalorizar quer o significado profundo dos rituais colectivos, quer a necessidade de os adaptar (reconhecendo-os) às sociedades que esses rituais servem. Neste caso é útil notar a clivagem evidente entre um ritual de base rural, e como tal ainda reconhecido (mesmo que não racionalmente) nesse contexto (Barrancos é um bom exemplo, mas está longe de ser o único, como se poderá ver na capeia arraiana ou nas chegas de touros nortenhas) e uma visão estritamente urbana que não reconhece qualquer legitimidade a culturas alternativas, em especial, não tem o menor respeito por culturas rurais que considera arcaicas, sem fazer o menor esforço por compreendê-las.

Argumento 3: sociedades mais humanas não fazem espectáculos públicos que impliquem o sofrimento de outros seres vivos

Este é verdadeiramente o único  argumento ético que tem um fundamento sólido para a eventual proibição de touradas, se se reconhecer que os rituais ancestrais de fertilidade associados ao touro deixaram de ter significado, sobrando apenas o espectáculo que, enquanto espectáculo, é indigno de sociedades mais humanas. É um argumento que levanta dificuldades quando são tidas em atenção as questões que tratarei depois, na medida em que levanta um conflito de valores relevante, sobretudo quando aceitamos sofrimentos inacreditáveis noutros espectáculos (costumo dar o exemplo das corridas de bicicleta, sobretudo as desumanas etapas de montanha) feitos com pessoas, porque aceitamos que as pessoas (por exemplo, os ciclistas) têm o direito a optar por ser sujeitos às condições desumanas desses espectáculos, opção essa que está vedada ao touro porque não se lhe pode perguntar, em pequenino, se quer viver toda a vida num estábulo, totalmente dependente de terceiros para comer e se reproduzir, acabando num talho em que é morto com o mínimo de sofrimento possível, ou se prefere ser um touro de lide, com total liberdade e autonomia durante três a quatro anos, para se preparar para um combate final que pode ser mortal e doloroso.

Admitindo-se que o argumento 3 é sólido e justifica a proibição de touradas, avaliemos o que isso significa em termos práticos.

Ao contrário do que muitas vezes se ouve, o fim das touradas não significa o fim do sofrimento de muitos toiros que assim podem ser felizes, significa sim o fim dos toiros de lide, que são produtos económicos que só existem em função da economia que os gera.

Na ausência dessa economia, as explorações são reconvertidas e deixa de haver toiros dessa raça, a menos que se faça com os toiros de lide o que agora se faz com os burros das raças que perderam utilidade, das vacas de trabalho que são menos produtivas em leite e carne, das raças de ovelhas que produzem menos leite, lã e carne, das raças de cabras menos produtivas, etc.: montamos pesados e caros sistemas de transferência de recursos dos contribuintes para os produtores para nos substituirmos à economia que gerava essa diversidade biológica.

Mas ainda que se arranje maneira de manter uns quantos toiros de lide para garantir a manutenção da diversidade biológica, isso não garante a economia que hoje mantém geridos os territórios em que são produzidos toiros de lide e, com elevada probabilidade, porque de maneira geral estamos a falar de terrenos de baixa produtividade, a principal alternativa de gestão é o abandono.

Essa probabilidade tem duas consequências socialmente negativas: por um lado diminui a área do país que está sujeita a uma exploração de muito baixa intensidade e de elevado valor para a conservação da natureza que está associado à produção de toiros de lide, por outro lado o abandono aumenta a área de risco de incêndio, reforçando as circunstâncias que nos fizeram perder o controlo sobre o fogo, por falta de controlo social e económico do território.

Pessoalmente tenho sobre esta matéria sentimentos mistos: compreendo a ideia de que um espectáculo que implica sofrimento é um sintoma de desumanidade (estou aliás convencido que, sendo a sensibilidade e cultura urbanas esmagadoramente dominantes, só a desastrada actuação das associações animalistas e afins, com a sua habitual cegueira em relação ao outro, com a sua habitual irracionalidade que as leva a preferir as emoções à razão, e com a sua assumida superioridade moral e desprezo pelo mundo rural, tem sustentado uma reacção que estancou a progressiva decadência da tourada como espectáculo), mas também sei que as consequências sociais e económicas do fim das touradas acentuam os fundamentos da decadência de um mundo rural que não temos sabido integrar no património colectivo, com os resultados que conhecemos, o mais visível dos quais é o padrão de fogo que temos.

Também aqui me impressiona a forma extremada, emocional e sectária como discutimos o que pode definir o que é o nosso chão comum como sociedade e o que é a normal divergência de interesses e pontos de vista dentro da comunidade.

Aparentemente, deixámos de reconhecer o outro na sua imensa liberdade de ser diferente para nos concentrarmos na tarefa de levar o outro a ser o mais igual possível a todos os outros.

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O atrevimento da... má fé

por João Távora, em 06.07.18

Se o fito de Fernanda Câncio for esclarecer a opinião pública, então deve parar um pouco para se informar melhor. Mas se a sua intenção for flagelar Portugal, torná-lo responsável por muito do que de mau existiu na história, fazê-lo campeão das iniquidades, se o seu propósito for culpabilizar os actuais portugueses, fazendo-os crer que os seus antepassados eram invulgarmente nocivos e cruéis, então não precisa de se informar, é só continuar na mesma senda.

 

A ler aqui na integra o artigo do Historiador João Pedro Marques 

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Eucaliptos e teorias da conspiração

por João Távora, em 05.07.18

(...) A sociedade, tendo o bode expiatório do eucalipto e dos grandes interesses económicos associados, só dificilmente se mobiliza para disponibilizar os recursos necessários para resolver a falha de mercado que tem permitido a expansão, em algumas áreas claramente excessiva, do eucalipto.

Pôr a tónica na espécie, em vez de a pôr no verdadeiro problema, isto é, na ausência de gestão, é andarmo-nos a enganar sobre a melhor forma de resgatar o mundo rural da armadilha de fogo em que está metido. (...)

 

A ler o nosso Henrique Pereira dos Santos aqui na integra.

 

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A República sem ter de fazer

por João-Afonso Machado, em 03.07.18

Eis um Verão dos mais cinzentos dos últimos anos: sem sol e sem incêndios. Sem esse drama terrível que, em política, serve basicamente para trocas recíprocas de acusações e responsablizações.

Um Verão, ainda, que se esperava apimentado pelo Mundial de futebol onde Portugal não foi além dos oitavos-de-final. Como festejar assim, a classe política, os "nossos herois", indo ao aeroporto, abraçando-os, passeando-os em autocarro aberto na Capital, recebendo-os nos salões camarários, condecorando-os?

Um Verão que nunca mais é Outono, para reatarmos o "caso Sócrates". E um Sócrates, por maldade e casmurrice, há meses calado e escondido.

Um Verão sem Bruno de Carvalho e com um Sousa Cintra tomado por essa complicada doença que é o bom senso.

Um Verão em que o Governo aparenta paz e tranquilidade, sabe que os portugueses para nada querem saber da discussão orçamental que lhe sucede. Por isso António Costa não perde o sono, e vive pacatamente um dia de cada vez.

Assim sendo este Verão, como não encontrá-los todos, de todos os orgãos de soberania da República, aos pulos no concerto dos Xutos? Coitada dela, espreguiça-se e quase vai morrrendo de tédio.  Fez muito bem a República em sair à noite para se divertir e a nós também. Gostei - como sempre - particularmente de Catarina Martins e de Ferro Rodrigues. Que speed, meu!

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Marcelo foi infantil, superficial, soberbo e absurdo. Foi superficial quando trouxe o tema do vinho da Madeira para a conversa, como que a querer situar o seu interlocutor na importância de Portugal na história dos Estados Unidos. Foi infantil quando trouxe o tema Ronaldo para a conversa, como quem traz na lapela uma medalha de honra. Foi soberbo quando reagiu à piada de Trump (que esteve bem em entrar no tom jocoso, uma vez que Marcelo não levou temas sérios para a conferência de imprensa) querendo insinuar que a política portuguesa é que é a sério ao contrário da norte-americana, e foi absurdo (e isto foi mesmo o pior) quando fez questão de dizer em conferência de imprensa que tinha estado com Putin e que este lhe mandara cumprimentos (como se o presidente russo precisasse de Marcelo para enviar cumprimentos a Trump), claramente a pôr-se em bicos de pés entre dois gigantes mundiais.

Via-se claramente que Marcelo se esforçou para se tornar importante aos olhos Trump, o que é uma reacção típica de quem não é. 

Resta a  Marcelo a interpretação favorável que se fez cá no burgo. Marcelo em Portugal foi aplaudido e elevado em ombros pela sua prestação na conferência de imprensa com Trump (o que é um sinal de como Portugal vive numa espécie de Caverna de Platão, que toma as sombras pela realidade). 

Vejam a conferência de imprensa do Primeiro-Ministro holandês Mark Rutte com Trump que se seguiu e comparem a postura e maturidade do chefe de Governo da Holanda com a do nosso chefe de Estado.

P.S. Só o penteado de Trump (o que é que o senhor fez ao cabelo?) no encontro com Mark Rutte retira seriedade ao momento. 

 

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Domingo

por João Távora, em 01.07.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 


Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e Ele deteve-se à beira-mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que O apertava de todos os lados. Ora, certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-Lhe por detrás no manto, dizendo consigo: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada». No mesmo instante estancou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo. Voltou-Se para a multidão e perguntou: «Quem tocou nas minhas vestes?». Os discípulos responderam-Lhe: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: ‘Quem Me tocou?’». Mas Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado. A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade. Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou». Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé». E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava. Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talita Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: Levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina. 


Palavra da salvação. 

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Não temos escapatória

por João Távora, em 29.06.18

Vejo estupefacto o Professor Marcelo, a Catarina Martins, o Ferro Rodrigues e o António Costa no palco aos saltos a cantarem com os Xutos e Pontapés perante o povo em delírio e, com o sentimento de vergonha alheia, certifico-me que o meu reino não é deste mundo. Pensava eu que a principal virtude do bom e velho Rock n’ Roll era o pressuposto que não se avassalava a estas personagens e ao que simbolizam. Não temos escapatória, até nos nacionalizaram a rebeldia.

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Ainda os porcos, as pessoas e os fogos

por henrique pereira dos santos, em 29.06.18

Quando tive de escrever uma tese, acabei por produzir uma série de mapas, dos quais reproduzo aqui umas versões preliminares que servem para o que quero dizer, referentes à produção de porco por concelho.

porcos1920.jpg

No primeiro mapa está a densidade de porcos por hectare, por concelho, ali por volta de 1920.

porcos1999.jpg

 Neste segundo mapa é exactamente a mesma coisa, mas em 1999, isto é, os dois mapas comparam a densidade de porcos por hectare, por concelho, no início do século XX e no fim do século XX.

porcosporpessoa1920.jpg

 Por curiosidade este terceiro mapa mostra a número de porcos, agora já não por área, mas por pessoa, também em 1920.

O que os mapas mostram é que no início do século XX a produção de porco era estreitamente dependente do território, havendo dois sistemas diferentes de produção:

  • o porco está estabulado e funciona como a central de tratamento de resíduos orgânicos da exploração, o que acontece na metade Norte, havendo tanto mais porcos quanto mais produção e mais gente existe (isso é verificável nos mapas de densidade populacional, produção de cereais, etc.), por isso há uma densidade apreciável de porcos no Noroeste do país, a sua região mais produtiva;
  • o porco é criado de montanheira, isto é, em varas que andam livremente no montado, em especial no montado de azinho (não é visível no mapa, mas usando uma escala de cores mais fina é fácil verificar que a densidade é maior no Alentejo interior, isto é, no domínio da azinheira).

Se a diferença dos sistemas de produção não é visível quando se olha para o número de porcos por área, ela é muito evidente quando se olha para o número de porcos por pessoa, no terceiro mapa.

O que me interessa é olhar para a comparação para o fim do século XX e verificar que a produção de porco deixa de ter grande relação com o território e concentra-se no litoral, na envolvente de Lisboa, nos sítios onde hoje ouvimos as histórias das descargas de efluentes em ribeiras  e coisas que tais, porque a produção passou a ser feita com base em rações vindas de qualquer lado do mundo, e não a partir da produção do território.

Para além da peste suína africana, que em meados do século XX liquidou a produção de montanheira, com efeitos desastrosos da gestão do montado de azinho, esta alteração de modelo produtivo responde a tendências globais, quer de consumo (“Entre os quinquénios 1980-84 e 1999-03 a capitação diária de calorias aumentou 20%*; aumentou a capitação diária de proteínas (+34%), de hidratos de carbono (+11%) e de gorduras (+6%)*;… a capitação bruta anual de leite e produtos lácteos aumentou de 76 para 125 kg. * Sem bebidas” “Portugal Agrícola 1980-2006”, (INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA, 2007, pág. 4)), quer de comércio, quer tecnológicas, quer de comércio mundial, progressivamente mais aberto, quer ainda demográficas, como a emigração maciça dos anos sessenta e setenta.

Pretender que a rarefacção populacional do interior é uma consequência do abandono do Estado é não perceber nada das alterações económicas e sociais que se foram sucedendo ao longo do século XX. E não perceber que são estas alterações que induzem a falta de gestão do mundo rural onde nasce o padrão de fogo que temos (por uma evidente acumulação e disponibilidade de combustíveis) é também não perceber nada do mundo que nos rodeia.

Aqui chegados, ter uma política pública agrícola que mantém um caracter dirigista que pretende apoiar o rendimento dos agricultores só pode resultar na armadilha de fogo em que estamos: o Estado gasta os seus recursos para o mundo rural apoiando fileiras produtivas (porco, leite, regadio, etc.), em vez de usar o dinheiro dos contribuintes para resolver as falhas de mercado que existem e que induzem a falta de gestão que permite o livre curso do fogo, independentemente da nossa vontade e dos aviões que alugamos para o apagar.

Perante este quadro, o Estado legisla (é bastante conhecido o gráfico da tese de doutoramento de Tiago Oliveira que relaciona a área ardida e a produção legislativa), como se um problema de ausência de gestão fosse um problema legal.

Mas não só legisla como legisla aumentando as obrigações dos proprietários, que o mesmo é dizer, a sua despesa, ao mesmo tempo que reduz o rendimento, obrigando a compassos de plantação completamente absurdos do ponto de vista da economia e da gestão de combustíveis, agravando as causas do problema, em vez de as atacar.

O Estado faz ainda mais e vale a pena ler este bocadinho, de um desesperado consultor, sobre a forma como o Estado aplica os dinheiros disponíveis para a prevenção estrutural dos incêndios:

"Veja-se a forma como o PDR funciona , através da escolha e medição dos parâmetros, critérios, e ponderação que usa para determinar a VGO (Valia Geral de Operação), sempre com uma enorme tendência para se desviar do dificil minifúndio. E o problema é que tem sido um processo crescente de desvalorização dos, já de si dificeis de elaborar e concretizar, projectos em minifúndio, como se pode constatar por exemplo, pelo facto de que as mesmas candidaturas teriam uma pontuação muito alta com os critérios do PRODER e muito baixa com os do PDR, como se vê para o caso concreto da candidatura XPTO:

  • 2010-2014 – PRODER – VGO = 19,5 com critérios:90% risco de incêndio, 10% outros: dimensão, pertença a ZIF, áreas críticas
  • 2015-2017 –primeiros concursos PDR2020 – VGO = 14 com critérios: 50%! maior que 1 ha (irrelevante já que não existirão candidaturas menores que 1 ha), 20% pertença a ZIF,(sendo muito mais facil a criação de ZIF fora do minifúndio ), 20% pertença a rede natura, 10% ter certificação florestal,(especialmente dificil em minifúndio)
  • 2018 – actual concurso PDR2020 – VGO = 7 com critérios: 40% (perigosidade – utiliza uma carta extraordinária que classifica grande parte dos concelhos de Centro e Norte de inequívoca perigosidade alta, na mesma classe que todo! o Alentejo, ver mapa em anexo), 30% em rede primária ( exclui mais de metade das áreas minifundiárias onde a rede Primária da responsabilidade do ICNF nunca foi traçada), 15% pertença a ZIF, sendo muito mais fácil a criação de ZIF fora do minifúndio, 20%pertença a rede natura, 10%território de baixa densidade ( é um critério quase oposto ao grau de minifúndio, já que a maior parte das áreas de baixa densidade surgem nos territórios de grande propriedade)"

O que seria normal, reconhecendo que o país tem um problema sério de falta de gestão em grande parte do país e que isso gera um padrão de fogo social e economicamente insustentável, reconhecendo que essa falta de gestão decorre da falta de competitividade das actividades que podem gerir combustíveis e reconhecendo o papel dos poucos que ainda gerem o território, é que o Estado em vez de traçar redes primárias que não se sabe como, por quem e com que custo serão geridas, fosse simplesmente ter com as pessoas que estão no mundo rural, e gerem território, e lhes perguntasse o que seria necessário para gerir mais 10% da área que gerem actualmente.

O que seria normal seria o Estado desenhar programas simples, usando o dinheiro dos contribuintes para pagar a gestão de combustiveis em função de resultados pré-estabelecidos, trabalhando com as pessoas que existem, e não com abstracções que fazem lembrar a célebre reposição da circulação de comboios exigida pelas populações, dando origem à circulação de comboios completamente cheios de ausentes.

Mas para isso o Estado teria de ter o mínimo de interesse e respeito pelas pessoas e pela sua vida quotidiana.

O que é muito duvidoso que seja o caso.

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Estamos assim...

por José Mendonça da Cruz, em 29.06.18

Na conferência de imprensa subsequente ao encontro dos presidentes americano e português uma jornalista portuguesa fez a Marcelo Rebelo de Sousa uma pergunta cujo sentido se resume a «O que é que achou dele?»

O Expresso online titula a notícia do encontro com «Marcelo empata na Casa Branca. Mas afinal o jogo era amigável».

Jornais de Portugal e de todo o mundo publicaram a fotografia de uma criança que teria sido separada da mãe pelo pérfido Trump, a qual criança afinal não foi separada da mãe, nem tem nada a ver com Trump, pois a foto tem 4 anos, é do tempo de Obama (a quem a farsa de jornalismo hoje reinante atribuiria a culpa se não o amasse) . 

Os telejornais de quinta feira noticiaram que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde estão em vésperas de contratar mais 2000 funcionários, esperando apenas luz verde do Ministério das Finanças. E entrevistaram responsáveis que esclareceram que, para a normalidade do funcionamento dos hospitais, a necessidade de contratações resultante do horário de 35 horas decidido por este governo monta a 6000 novos funcionários, não 2000. Nenhum telejornal recordou as garantias deste governo de que o horário de 35 horas não acarretaria nem novas contratações nem aumento da despesa.

Decorre uma investigação sobre negociatas em autarquias, a mais importante delas, Lisboa. Ontem, porém, a TVi «apurou» que os investigados são todos do PSD.

Numa ilhota de inteligência fulgurante José Miguel Júdice vai advertindo, na TVi, contra a falta de saúde da nossa democracia, contra a abulia, contra a conformação, contra a funcionalização e o controlo da sociedade pelo Estado, contra o desaparecimento da classe média, contra a sagração da precariedade, contra o esmagamento do leque de salários, contra a ideologia do empobrecimento, contra a falta de ambição, contra a falta de oposição e debate.

50% do eleitorado português está sem representação. Mas o líder do principal partido da oposição admoesta quem se opõe ao governo e propõe como certeza e objetivo sair derrotado das próximas eleições para melhor ajudar este governo.

50% do eleitorado está sem representação mas Santana Lopes propõe-se formar um novo partido, não para a representar, mas para se expressar politicamente.

Não importa. Em Julho há só futebol. E a silly season de Agosto será tão silly e desinformada como todo o resto do ano.

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A pastelaria Suíça e o futuro da cidade

por João Távora, em 28.06.18

Pastelaria Suiça, esplanada.jpg

Confesso que me faz um pouco de confusão o coro de lamentos e indignação a propósito do anúncio do fecho da pastelaria Suíça no Rossio, oriundo provavelmente da parte de quem nunca lá pôs os pés. Eu não tenho pena nenhuma: acontece que há muitos anos que aquele espaço perdera o charme de outrora, o seu serviço e oferta eram absolutamente indiferenciados, bastante medíocres. É assim a vida de muitos negócios: com o passar dos anos entram em decadência e fecham. Curioso foi ouvir esta manhã o testemunho de um velho engraxador da Rua da Palma a uma reportagem da Rádio Renascença que se queixava disto agora ser só "estrangeirada". O populismo nacionalista tem muita freguesia na nossa praça. 
Mas quem se lembra da ruína que a baixa pombalina atingiu há 10 ou 15 anos, não só desertificada de habitantes mas com os serviços em debandada? Ser um conservador não é o mesmo de ser resistente à novidade, muito menos gostar de decadência e do cheiro a ranço das “mercearias tradicionais” onde a proximidade era pretexto para explorar os fregueses incautos e reformados carentes. Ou exigir chapelarias, cutelarias e tabernas abertas a cada esquina ao som de pregões de aguadeiros e varinas. São incontáveis os negócios e as lojas que fecharam nas nossas cidades fruto da mudança dos tempos. Assim como são incontáveis os negócios que os novos contextos proporcionaram aos mais atentos empreendedores. Um conservador gosta desta dinâmica pois são essas mudanças que vão evitar a ruína e viabilizar a continuidade da sua cidade. E a propósito, já repararam nas dezenas ou centenas de novas lojas elegantes e nos sofisticados cafés, bares, restaurantes de conceituados chefes nacionais e estrangeiros que animam por estes dias as ruas de Lisboa? 

Sem dúvida que a grande revolução que está a reabilitar os centros das nossas velhas cidades traz efeitos colaterais perniciosos que é necessário precaver politicamente. Mas trazer o sentimentalismo e o saudosismo para alimentar a discussão é a melhor forma de meter a cabeça na areia e não enfrentar os desafios que o problema comporta. E de servir obscuras agendas políticas.

 

Fotografia Arquivo Municipal de Lisboa

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Porcos e fogos

por henrique pereira dos santos, em 26.06.18

Ao que parece, acaba hoje mais um período de candidatura aos apoios para a suinicultura.

5 milhões de euros neste concurso que acaba hoje, abrindo um segundo período de candidatura logo, logo a seguir, ou seja, no dia seguinte.

5 milhões de euros para reduzir os impactes ambientais das suiniculturas, alavancando um investimento de 12 a 14 milhões em melhoria das instalações nas explorações suínas (redução dos cheiros, diminuição do consumo de água e melhora da eficiência energética).

O lombo de porco, hoje, no Pingo Doce, anda pelos três euros e meio.

Qual é a razão para todos os contribuintes financiarem a produção de carne de porco para que tenha preços desta ordem?

Por que razão a redução de cheiros, a diminuição do consumo de água (que beneficia o produtor) e a melhoria da eficiência energética (que beneficia o produtor), devem ser pagas pelos contribuintes e não pelo mercado, isto é, pelos consumidores de carne de porco (em que me incluo).

Qual é o bem colectivo que está implicado neste financiamento dos contribuintes a uma fileira produtiva com ampla presença no mercado?

Eu não vejo nenhuma razão para que estes produtores, que essencialmente têm fábricas de carne em que entra ração de um lado e sai porco do outro, sejam financiados pelo contribuinte.

E por isso a minha posição é simples: pegue-se nesses cinco milhões de euros e pague-se um prémio à produção extensiva de cabra, isto é, aos rebanhos que nos prestam o serviço de gestão de combustíveis que nos permitem ganhar controlo sobre o fogo.

A mim parece-me de uma sociedade doente andar a financiar produtores que têm um impacto negativo nos bens colectivos, permitindo um preço artificialmente baixo de um produto que vai competir com outros produtos cuja produção tem um impacto positivo nos bens colectivos difusos dificilmente apreensíveis pelo mercado.

Que o Estado contribua para resolver falhas de mercado, nada contra, que o Estado contribua para distorcer os mercados a favor dos produtos que têm impactos negativos nos bens comuns, isso é que não entendo de todo.

Deixem lá de falar do interior, deixem lá de fazer missões para o interior, estratégias para o interior e coisas dessas e paguem os serviços prestados que o mercado não remunera, seja quem for que os preste, isso sim, era de valor.

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Depois da tempestade

por João Távora, em 26.06.18

Tudo indica que Bruno de Carvalho passou à história, e passou a fazer parte do mais negro passado do Sporting. Do seu legado desastroso, para lá do desmantelamento da equipa de futebol profissional e o desastre económico que isso significa, o maior flagelo foi divisão infligida entre os adeptos com a luta de classes que trouxe a terreiro para alimentar uma guerra civil num clube que sempre foi profundamente democrático e interclassista: o Sporting fundado pela burguesia endinheirada do final da monarquia construiu o seu sucesso aglutinando no seu seio e à sua volta pessoas das mais diversas origens sociais e culturais durante mais de cinco gerações. Trazer o preconceito social e estratagemas bolcheviques para a conquista e manutenção do poder foi o mais hediondo crime de Bruno de Carvalho. A liderança que assumir a direcção dos destinos do Sporting tem um trabalho hercúleo pela frente para manter o universo Sporting coeso e a marca atractiva às novas gerações. De todas as classes, culturas e geografias.  

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Domingo

por João Távora, em 24.06.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 


E completou-se para Isabel o tempo de dar à luz, e teve um filho. E os seus vizinhos e parentes ouviram que tinha Deus usado para com ela de grande misericórdia e alegraram-se com ela. E aconteceu que, ao oitavo dia, vieram circuncidar o menino e lhe chamavam Zacarias, o nome de seu pai. E, respondendo sua mãe, disse: Não, porém será chamado João. E disseram-lhe: Ninguém há na tua parentela que se chame por este nome. E perguntaram, por acenos, ao pai como queria que lhe chamassem. E, pedindo ele uma tabuinha de escrever, escreveu, dizendo: O seu nome é João. E todos se maravilharam. E logo a boca se lhe abriu, e a língua se lhe soltou; e falava, louvando a Deus. E veio temor sobre todos os seus vizinhos, e em todas as montanhas da Judeia foram divulgadas todas essas coisas. E todos os que as ouviam as conservavam em seu coração, dizendo: Quem será, pois, este menino? E a mão do Senhor estava com ele.

 

Palavra da salvação

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Imigração e identidade nacional

por João Távora, em 22.06.18

As elites ocidentais continuam a tratar a imigração com aquela arrogância colonial que fazia da “integração” e da “assimilação” o método de lidar com povos de culturas diferentes. Não conseguem admitir que as novas comunidades migrantes possam manter a sua cultura de origem e recusar os valores das sociedades de acolhimento. Não percebem, sequer, que o relativismo e a má consciência desarmaram os ocidentais para efectuar integrações e assimilações. E não se atrevem, por fim, a reflectir na hipótese de o modo de vida ocidental – a democracia, o Estado social, a tolerância, etc. — depender da coesão nacional, e poder não sobreviver à transformação das sociedades ocidentais numa justaposição de comunidades estranhas entre si. Não, a questão identitária não é simplesmente um vício dos “nacionalistas”.

 

A ler na integra Rui Ramos aqui

 
 

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