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Bruno de Carvalho, Rua!

por João Távora, em 24.05.18

Ao mesmo tempo que Bruno de Carvalho faz uns malabarismos para se acorrentar ao poder (difícil é entender como Augusto Inácio e Fernando Correia se sujeitam a estas coisas), começo a ouvir algumas vozes de comentadores a afirmar que irá ser difícil demitir esta direcção e convocar eleições, que o presidente tem tudo minado e que facilmente manipulará uma assembleia geral com as suas claques fiéis. Que mais vergonhas têm os sportinguistas de passar e desgraças são precisas acontecer para que o doidinho nos desampare o Clube?
Vamos ou não vamos expulsar o usurpador, Dr. Marta Soares? Onde é que eu tenho de assinar?

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Não, não é ironia e muito menos surreal. O Ministro da Ciência assinou um documento de protesto contra a sua própria política. É difícil de acreditar mas o Manifesto Ciência Portugal 2018 foi assinado por 2400 investigadores (e pelo próprio ministro). Verdadeira cereja no topo do bolo da geringonça. Imaginem o que seria se fosse num governo liderado por Passos Coelho!

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Qual é a pressa?

por João Távora, em 22.05.18

Qual é a pressa de legislar a despenalização da eutanásia e do suicídio assistido? Quem corre atrás de quem? Há alguém à espera do sim da maioria dos deputados para dar asas ao negócio? Para reforçar o lobbying e o networking para poder começar a angariar clientes rapidamente? Alguém para quem é importante estabelecer business plans e definir estratégias de marketing para projectos cuja eficácia se mede exclusivamente através da garantia de que todos os clientes morrem e nenhum fica vivo? Pergunto, porque não percebo a pressa. 

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Aguarda-se o desempate de Costa

por Vasco Mina, em 21.05.18

O ex-ministro da Economia — personagem central de uma investigação que envolve Ricardo Salgado, o 'saco-azul' do GES e quatro contas offshore — revela que foi António Costa que o apresentou a José Sócrates, no camarote do BES, durante um jogo do Euro 2004 no Estádio da Luz.

 

“Eu não estava no camarote do BES”, segundo José Sócrates.

 

Neste campeonato do “Quem Mente Mais?” aguarda-se o desempate de Costa

 

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A nossa claque no castelo de Windsor

por João-Afonso Machado, em 20.05.18

POLÍCIAS.JPG

A  nossa comitiva chegou a Londres um pouco macerada do voo na Ryanair, mas com um entusiasmo furioso. Eram umas largas dezenas.

- Please,

começou uma senhora ilustrada, sonhando a arquibancada, e o policeman, olhando em redor, a voz naquele microfone tamanino,

- Portugueses...

apontando ao colega a chusma, como quem endossa o assunto. Porque era muita gente de Almada e do Seixal. Altos, de cabeça rapada e a pele bem tisnada do sol (e não só); ostentando bandeiras americanas, a discutir o basquetebol. E os mais, aloirados, decerto da banda de cá do Tejo, a espanejarem a velha flag britânica.

- This way, please...

E todos seguiram ordeiramente o cordão policial criado em sua volta. quarteirão após quarteirão.

- Olhe que nós queremos uma vista de primeiro plano para o castelo de Windsor!

- Sorry?!

E ele sorriu. O agente também, tudo sem incidentes. O destino previsto era uma junção com madeirenses radicados na Grã-Bretanha que se associavam ao delírio do evento. Ali ficaram todos, descendentes de Viriato.

Decorreu o tempo bastante para trazer a nossa proverbial impaciência. Percebeu-se, finalmente, o novo casal real vinha aí e passou ante o gáudio dos seus súbditos, a loucura total.

Escutando o clamor levantado, os nossos não quiseram ficar por menos:

- Olé. olé, olé, olá!!!

- Alé, alé alé!!!

E houve até um barreirense a intentar um beijo na bela Meghan, mas um polícia encorpado deu-lhe a entender - educadamente - o peso do bastão. De resto, lera algo sobre o Buiça e o Costa... O nosso compatriota  logo voltou ao seu lugar.

O cortejo findara. A expressão ruiva do Principe Harris permaneceu. Tal como a da nova duquesa de Sussex.

- Um sucesso, é verdade, um sucessso,

confirmou a velhinha da Baixa da Banheira.

Depois, foi uma noite de muita cerveja e uma manhã mal acordada. Mas... tratasse-se de um neto de Marcelo, quem iria lá? Assistir a quê? Os lusos caíam em si, inquiriam-se, nada percebiam já.

(E Portugal não gosta de vergonhas - o grupo rejeitou a inscrição de um senhor Bruno, que teve o azar de proclamar - no aperitivo da Royal Academy, raparia o gin todo e os After Eight também, num badamerda para o planeta inteiro).

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Domingo

por João Távora, em 20.05.18

Leitura dos Actos dos Apóstolos 


Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus». 


Palavra do Senhor. 

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A Eutanásia e os Médicos

por Vasco Mina, em 19.05.18

A grande maioria dos médicos é contrária à prática da eutanásia e, consequentemente, não concorda com os projecto lei que irão a debate na AR no próximo dia 29. Evidência disto é a tomada de posição dos bastonários (atual e anteriores) da Ordem dos Médicos e vão pedir uma audiência ao Presidente da República para apresentar uma carta conjunta em que se manifestam contra a despenalização da eutanásia e para o sensibilizar para o tema. Ainda ontem e em entrevista à Rádio Renascença o ex-bastonário Germano de Sousa afirmava que “a eutanásia vem introduzir a capacidade de um médico de matar alguém. Mesmo que seja sob intuitos piedosos ou sob a desculpa de intuitos piedosos, a eutanásia é a morte de alguém que pede ao médico para o matar”. E acrescentou que “isso vai contra todos os alicerces da nossa profissão, independentemente de, no entender da própria Constituição Portuguesa, a vida humana ser inviolável”. Caso a legislação venha a ser aprovada será ao médico que caberá a responsabilidade de praticar o acto que levará à morte do doente e daí que a posição dos profissionais de saúde sobre esta matéria é de particular relevância. Mas para os defensores da eutanásia e em concreto para um dos seus arautos, o deputado José Manuel Pureza, os argumentos contra enfermam de terror e considera até “que eles venham de pessoas com responsabilidade institucional na área médica é motivo para especial preocupação e repúdio adicional” (afirmação em artigo da revista “Visão” esta semana publicado). Ou seja, para este deputado (e suponho que para o Bloco de Esquerda e a larga maioria dos deputados do PS) os médicos não passam de terroristas argumentativos que convém acautelar. Está tudo dito!

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Compensa Desviar 2 Milhões de Euros

por Vasco Mina, em 18.05.18

Reitor da Fernando Pessoa condenado com pena suspensa

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Eutanásia

por João Távora, em 18.05.18

(...) Se podemos consentir na violação da vida, há algum mal que não possamos consentir? Por exemplo, porque não podemos consentir na mutilação genital feminina, a pedido?
E com a legalização da morte a pedido, não estamos a introduzir na prática a pena de morte para os prisioneiros que a peçam? E porque não para um rapaz de 16 anos, idade suficiente para a autodeterminação sexual?
As hipóteses podem multiplicar-se, como têm vindo a multiplicar-se na prática doutros países. Uma vez autorizada para uns, porque não para os outros? Quem sou eu para o negar? É o que tem sucedido num fenómeno que foi batizado como a rampa deslizante. Os números falam por si. Na Holanda, por exemplo, já se cometem mais de 20 eutanásias por dia. (...)

 

A ler Filipe Anacoreta Correia na integra aqui no Observador

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Um choro pelo meu Sporting

por João Távora, em 17.05.18

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Foi ao início do recente derby, na cena macabra das tochas arremessadas para a baliza de Rui Patrício, que eu pela primeira vez na minha já longa vida me senti a mais no Estádio de Alvalade. Na sequência dos acontecimentos prévios, o estranho à vontade e o descaramento com que essa acção foi perpetrada, demonstrava à evidência como os bárbaros tinham definitivamente tomado conta do nosso clube.

Em minha defesa tenho a dizer que nunca votei em Bruno de Carvalho, cujo discurso e estilo desde a primeira hora me assustaram. Mas confesso que nos primeiros tempos da sua presidência, perante o facto consumado, e por causa do meu amor ao Sporting, tentei assimilar o personagem, desculpando-lhe os excessos com a esperança em resultados, e diga-se em abono da verdade que alguns sinais até pareciam prenunciar as almejadas vitórias. Pus-me em causa: talvez o problema fosse os meus preconceitos, uma pessoa que tivera uma rígida educação votada para uma estética (ou ética, como lhe queiram chamar) aristocrática, um exercício que a minha vida prática e quotidiana me obriga fazer demasiadas vezes. Infelizmente, como eu receava, a coisa vai acabar muito pior do que a minha imaginação alguma vez poderia conceber, mesmo nos mais negros pesadelos.

Esta semana tem sido muito penosa para mim. Basta dizer que não tenho maneira de explicar os insanos acontecimentos que tomaram conta do nosso Sporting aos meus filhos, que na antiga tradição familiar com orgulho formei como sportinguistas e para o carácter: sempre souberam que a condição do nosso amor e lealdade não eram dependentes ou recompensa de vitórias. Acontece que a dedicação de um verdadeiro Sportinguista é fundada no carácter que só o esforço forma, na resiliência e pele rija daqueles que perdendo batalhas se reforçam e reforçam para voltar à luta apenas pela glória que só um grande amor imprime.  E a recompensa de uma pertença maior, legado que nos chegou das pessoas de bem que nos esculpiram este coração de Leão que hoje sangra e chora.

Vai dar muito trabalho, no meio dos escombros e deste caos que não nos deixa ver o dia de amanhã, juntar os cacos para voltarmos de cabeça erguida a competir pelo lugar que é nosso: o de um grande clube português, de gente decente e lutadora. O resgate do nosso Sporting tem de começar hoje, expulsando de vez o usurpador.

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Momento Histórico

por Vasco Mina, em 17.05.18

Encontro Inter-Religioso.jpg

 

Aconteceu ontem um momento histórico na Academia das Ciências em Lisboa: a grande maioria das confissões religiosas sediadas em Portugal reuniu-se para a assinatura de uma declaração conjunta conta a eutanásia. O documento designado “Cuidar até ao fim com Compaixão” foi subscrito pelas seguintes entidades: Aliança Evangélica Portuguesa, Comunidade Hindu de Portugal, Comunidade Islâmica de Lisboa, Comunidade Israelita de Lisboa, Igreja Católica, Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, União Budista Portuguesa e União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia.

Esta posição conjunta resulta dos esforços de entendimento comum realizados no âmbito do Grupo de Trabalho Inter-Religioso para as questões de saúde. Estre grupo reúne as confissões acima indicadas e ainda a Comunidade Bahá’i e o Conselho Português das Igrejas Cristãs (sendo que estas duas não assinaram o documento). Foi constituído em 2009 na sequência da legislação sobre o direito dos doentes internados em estabelecimentos de saúde do SNS a serem assistidos espiritual e religiosamente por membros das comunidades religiosas de pertença.

Com toda a clareza as confissões religiosas declararam que perfilham “um modelo compassivo de sociedade e, por estas razões, em nome da humanidade e do futuro da comunidade humana, causa da religião, nos sentimos chamados a intervir no presente debate sobre a morte assistida, manifestando a nossa oposição à sua legalização em qualquer das suas formas, seja o suicídio assistido, seja a eutanásia.”

Histórica também foi a quase total ausência da comunicação social neste acontecimento. Canais de televisão nem um apareceu, o que é bem revelador dos conteúdos informativos marcados pela repulsa jornalística dominante a tudo o que tenha a ver com religião ou com outras abordagens dos chamados temas fracturantes.

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“Toy” , Israel e parada gay

por Vasco Mina, em 16.05.18

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A canção vencedora do Festival da Eurovisão tem sido alvo de diversas controvérsias nos últimos dias. Ainda antes da vitória e já Salvador Sobral considerava que  “de repente, o YouTube achou que eu iria gostar da canção de Israel, e então abri aquilo e saiu-me de lá uma música horrível”. A letra é algo de muito original e até a lembrar um comentário recente de um político português que considerou que “é muito difícil, às vezes, interpretar a arte moderna”. Os adereços e o vestuário igualmente originais pois recorreu (e já alguns se queixaram conforme aqui é noticiado) a elementos orientais (como o cabelo, o quimono, os gatos da sorte e o Pokémon) que nada têm a ver com a cultura israelita ou judia. A cantora, Netta Barzilai, afirmou, no seu discurso de vitória: "Muito obrigada por escolherem diferente. Muito obrigada por aceitarem as diferenças entre nós. Obrigada por celebrarem a diversidade". Mas tudo ficou mais claro quando o Embaixador de Israel em Lisboa considerou que o próximo Festival, em Israel, “será uma grande celebração, uma grande festa para a comunidade LGBT e será uma outra oportunidade para a comunidade LGBT receber e celebrar com gays de toda a Europa, e nós damos as boas-vindas a todos na Gay Parade, do próximo mês [e onde Netta estará] e na Eurovisão do próximo ano." Nunca pensei que o lobby gay tivesse esta capacidade de fazer vencedora uma canção vencedora mas os factos assim evidenciam. Curioso é a Gay Parade se realizar, este ano, em Telavive mas a Eurovisão terá lugar em Jerusalém. Porquê em lugares diferentes? Mistérios indecifráveis de um Estado laico e de um povo maioritariamente religioso. País que vive em guerra mas que convive, em simultâneo, com o mais moderno do mundo actual (o negócio das barrigas de aluguer é praticado em Israel e até será instalada em Portugal uma empresa israelita ) e com o mais ancestral modelo de casamento (apenas o religioso é permitido e quem queira casar pelo civil tem de ir para fora do país).

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O Dia em que o Rei faz anos

por João Távora, em 15.05.18

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Quis o destino que o chefe da Casa Real Portuguesa, o senhor Dom Duarte de Bragança nascesse naquele que é hoje oficialmente o Dia Internacional da Família. Por sinal, a Família Real Portuguesa constituiu a melhor propaganda para o modelo familiar tal como eu o usufrui: um projecto perene, crivo cultural com história própria, território protector do grande monstro igualitário da cultura dominante para a formação de seres críticos e livres.

De facto a família assim entendida atravessa uma profunda crise: cada vez há menos casamentos, no sentido da formação de novas “casas”. Segundo a Pordata, no ano passado, das poucas crianças nascidas, mais de metade terão sido fora do casamento. Também no meu círculo noto que são cada vez mais frequentes as relações amorosas “liberais” prolongadas, assumidas com um pé dentro e com outro fora da casa dos pais. Ironicamente são as famílias sobreviventes o porto de abrigo desses deambulantes jovens adultos, eternos filhos pródigos que adiam compromissos, por troca dum prato de lentilhas ou um smartphone de última geração, símbolo da sua “liberdade individual”. Toda a precariedade dos vínculos dos dias de hoje convida a uma sociedade de indivíduos isolados e frágeis com pertenças difusas, efémeras. 

É também em virtude da minha profunda crença num modelo de sociedade fundada em famílias livres e orgulhosas da sua história que eu sou tão convictamente monárquico. Nesse sentido os meus votos de parabéns ao senhor Dom Duarte é reforçado pelo orgulho que tenho na Família Real e que tão bem reflecte o modelo das minhas mais profundas convicções. Longa vida ao rei dos portugueses! 

 

Publicado originalmente no jornal i

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Claro que estavam avisados

por henrique pereira dos santos, em 14.05.18

"Resgatar esta entrevista de Seguro e o contexto das eleições internas do PS de 2014 serve, sobretudo, para assinalar dois pontos. Primeiro, que não foi preciso Sócrates ser preso para que, dentro do PS, fosse identificada a existência de um «partido invisível» particularmente forte no governo de Sócrates: tudo o que António José Seguro descreveu foi confirmado pelos factos apurados pelas investigações judiciais e jornalísticas. Segundo, que a relação entre negócios e política foi tema de campanha interna logo em 2014 e consequentemente foi assunto de discussão entre os socialistas. Ou seja, tendo em conta estes dois pontos, não há como gente experiente, com cargos destaque no PS e acesso à entourage de José Sócrates (por exemplo: Vieira da Silva e Augusto Santos Silva) poder alegar surpresa ou desconhecimento total quanto aos casos que envolvem Sócrates, Pinho e outros governantes actualmente sob investigação. Todos estavam avisados."

Um dia destes, uma pessoa que não conheço pessoalmente, ligada aos jornais, mas que me parece sensata e séria pelo que lhe leio, criticava as críticas aos jornalistas que durante anos olharam para o lado para não ver o que não queriam ver no tempo de Sócrates.

O seu argumento é que se não fossem os jornalistas e os jornais, nada do que hoje se passa sobre Sócrates estaria a acontecer.

Esse argumento é verdadeiro mas omite o essencial: se aos poucos que exerceram dignamente a sua profissão se tivessem juntado os muitos outros que olharam para o lado, provavelmente Sócrates teria acabado politicamente muito mais cedo e o país teria pago um preço muito mais baixo pela loucura normal que se instalou.

E assentar o exercício do poder na herança que Sócrates deixou, mudando algumas coisas para manter o essencial, seria impossível, ao contrário do que hoje acontece.

É por isso que ler o artigo de hoje de Alexandre Homem Cristo, de que retirei a citação com que começo este post, nos deveria levar directamente à pergunta que me parece mais importante para prevenir a captura do Estado por grupos de interesses: como é possível que António Costa, Vieira da Silva, Santos Silva, Pedro Silva Pereira, João Galamba não sejam, todos os dias, confrontados pelos jornalistas com a evidente impossibildade de não saberem de nada, quando António José Seguro disse o que disse e, por isso, foi defenestrado sem ponta da devida suma piedade?

Há com certeza um problema de responsabildiade individual (José Sócrates fez escolhas que são da sua inteira responsabilidade), de responsabilidade partidária (o PS fez escolhas que são da sua responsabilidade), de responsabilidade das instituições (a sociedade fez escolhas em relação à arquitectura institucional e às regras que formatam a decisão pública) mas há, inequivocamente, um problema de responsabilidade por um ambiente mediático que permite que nenhum dos citados seja incomodado com perguntas incómodas sobre o que fizeram e como se posicionaram face à escolha explícita de que resultou a eleição de António Costa para secretário-geral do PS.

Se o jornalismo mantiver este padrão de escrutínio suave, podemos estar certo de que é uma questão de tempo até aparecer um outro Sócrates qualquer, em qualquer um dos partidos existentes.

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A direita virtuosa

por henrique pereira dos santos, em 13.05.18

Há um pequeno grupo de pessoas que se reclamam da direita, mas de uma direita ideal e pura, não da que existe, que insistentemente malharam e malham (a propósito e a despropósito) em Passos Coelho, muito mais que nos seus adversários.

Um dia, espantado por tanto empenho em malhar em Passos Coelho, e tantas cautelas na crítica a Costa e outros defensores da alternativa à austeridade, perguntei a Nuno Garoupa, talvez o mais preparado e sólido dos integrantes deste pequeno grupo, por que razão se encarniçava tanto com Passos Coelho ao mesmo tempo que convivia tão discretamente com as inacreditáveis fraudes políticas de Costa e afins, explicando eu que me parecia que este grupo estaria a desempenhar o típico papel do "idiota útil" tão frequente nas frentes populares da esquerda do século XX. Tive o cuidado de explicar que usava a expressão "idiota útil" nesse estrito sentido histórico porque idiota é seguramente coisa que Nuno Garoupa não é e, bem pelo contrário, quando sai do registo da canelada em Passos Coelho, tem muita coisa escrita bem interessante, incluindo diversas propostas úteis de reforma do Estado e das instituições que é pena que não sejam levadas mais a sério (penso ser a mágoa por essa desvalorização por parte de Passos Coelho que justifica essa militante necessidade de atacar Passos Coelho, seja qual for o pretexto para isso).

A resposta, sendo aceitável, esteve longe de me satisfazer: o que interessaria a Nuno Garoupa era contribuir para uma direita que tivesse qualidade política e desempenhasse bem o seu papel, e portanto não lhe interessaria discutir a esquerda e as suas políticas, que consideraria inerentemente más (ressalvo que sendo esta a minha interpretação da resposta, pode não traduzir exactamente a resposta, cordata e civilizada, de Nuno Garoupa).

Ontem tive a confirmação de que a fixação na crítica a Passos Coelho e afins era tão excessiva que acabava por levar este grupo, e Nuno Garoupa em concreto, a argumentações simplesmente absurdas de vez em quando.

Cinco deputados do PSD publicaram um texto, bem interessante, em que explicitamente pretendem enquadrar as responsabilidades políticas do socratismo para além de Sócrates. São claros no seu propósito: "o que dizer de nós, que mantivemos um regime durante anos a fio que padecia dos mesmos vícios graves – na intromissão na comunicação social privada, na instrumentalização das grandes empresas e banca para fins de domínio político de um partido, na manipulação do sistema judicial, e por aí fora – e, não obstante, com a impavidez moral e política dos cínicos nos colocamos para exemplo dos outros?".

E por isso defendem, ao contrário de Rui Rio, uma coisa bastante simples: "Neste caso, essa missão é simples: levar até às últimas consequências o apuramento das responsabilidades políticas de todos os envolvidos; contribuir para a regeneração da nossa cultura política rumo a mais responsabilidade, mais transparência, mais robustez institucional, mais resistência às sucessivas tentativas de infantilização e manipulação da opinião pública, com o recurso sistemático à mentira, à propaganda e à opacidade. Neste cenário, seria inaceitável e até suspeita a não recondução de Joana Marques Vidal na PGR."

Em nenhum momento do texto há qualquer defesa dos casos de corrupção no PSD (ou no CDS, ou no PCP, que com frequência esquecemos de existem nas autarquias), mas isso não impede Nuno Garoupa de se limitar a ler o texto como sendo um "animado o debate “o teu corrupto é mais corrupto que o meu” ou “o teu partido tem um ADN mais desonesto que o meu”...", concluindo, inacreditavelmente, com a defesa objectiva de que falta legitimidade aos outros partidos para discutir as responsabilidades políticas do PS no contexto político, mediático e administrativo que permitiu a Sócrates ser o que foi e fazer o que fez: " isto é circo puro.... a luta contra a corrupção começa sempre em casa, não na casa do vizinho".

Se uso Nuno Garoupa para ilustrar a profunda doença social do sectarismo que nos impede o verdadeiro escrutínio do uso do poder, é porque reconheço em Nuno Garoupa uma qualidade intelectual e uma independência de espírito que não me parece que exista em dezenas de outras pessoas que vão dando opiniões públicas sobre o país.

Mas essas qualidades não o impedem de, neste caso, para atingir Passos Coelho e o passismo, acabar a defender o indefensável: enquanto não houver uma putativa perfeição nos outros partidos, cada partido só pode falar de corrupção no seu próprio seio, mesmo que, como acontece com Sócrates, o problema só seja partidário na medida em que o PS fechou voluntariamente os olhos a todos os sinais evidentes do que se passava, ao ponto de António Costa ter sido o coordenador da moção de estratégia de Sócrates em 2011 no congresso em que Socrates foi eleito com 93,3% dos votos.

Em tese o que se passou com Sócrates e o PS poder-se-ia ter passado em qualquer partido, sendo disso um bom exemplo o cavaquismo, com a diferença fundamental de Cavaco não ser Sócrates e a esmagadora dominância estatista do cavaquismo, que durou dez anos, ter gerado situações de corrupção e captura do Estado relevantes, mas longe, muito longe da estratégia de captura do Estado executada por Sócrates.

Mas não distinguir o aproveitamento que Sócrates fez de um contexto, incluindo partidário, favorável à corrupção, do não aproveitamente que Passos Coelho fez do mesmo contexto, a pretexto de que, ainda assim, o passismo gerou situações de corrupção, é objectivamente estar do lado da corrupção, contribuindo para a diluição de responsabilidades sob o chapéu, errado e injusto, de que "são todos iguais".

Não, não são todos iguais. Todos têm defeitos, com certeza, todos, aqui ou ali, terão cedido onde provavelmente teria sido melhor não ceder, mas Costa não é igual a Sócrates que não é igual a Passos Coelho.

E, factualmente, do ponto de vista da captura do Estado por grupos de interesses, Costa está muito mais próximo de Sócrates que de Passos Coelho.

Distinguir isto deveria ser um consenso sólido entre todos os que se opõem à captura do Estado por grupos de interesses, isto é, ao caldo de cultura em que prospera a corrupção.

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Domingo

por João Távora, em 13.05.18

Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da «classe média da santidade».

Papa Francisco, da Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate.

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Descobertas

por João Távora, em 12.05.18

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A questão da denominação do futuro Museu das Descobertas não é uma simples questão semântica, mas antes mais uma batalha da guerra cultural em que não podemos capitular, que com obscuras intenções políticas pretende o apoucamento do legado e valores em que assenta a nossa cultura e identidade como Nação. É nesse sentido que eu decidi associar-me a esta esta importante petição e apelo aos meus amigos a sua subscrição.

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EDP: Uma OPA mais do que esperada

por Maria Teixeira Alves, em 11.05.18

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A China Three Gorges lançou hoje uma OPA - Oferta Pública de Aquisição - à EDP para ficar com pelo menos 50% mais uma ação.  Entre muitas outras condições, os chineses, que já têm (directa e indirectamente) 28,25% disseram no anúncio preliminar divulgado ao mercado, que a OPA sobre a EDP está condicionada à não oposição do Governo de Portugal. Tratando-se a EDP de uma empresa privada, esta condição dá algumas pistas sobre esta operação.

Ainda estamos longe do desfecho desta operação que foi hoje preliminarmente anunciada, mas parece bastante óbvio que está a ser preparada nos bastidores há meses. Há mais de um mês o Jornal Económico escreveu que os Chineses iam reforçar na EDP até ao fim do ano, para enfrentar a vaga de fusões que se estava a desenvolver na Europa. Isso teria ser feito através de uma OPA (até porque os chineses já estão perto do limiar mínimo de 33,3% da OPA obrigatória). Os chineses podiam ter comprado em bolsa até ultrapassarem os 33,3% e a OPA nessa circunstância surgiria por imposição da CMVM, mas isso não estava nos planos dos chineses. Os chineses não iam lançar uma OPA em confronto com o Governo, ou não fossem os chineses por ADN reverentes ao seu Governo.

É mais do que expectável que as conversas com o Governo português não começaram há dois dias. Os chineses nunca avançariam para esta OPA sem o conforto do primeiro-ministro.

Isso explica a rapidez de reação à Reuters de António Costa: "O Governo não tem nada a opor", disse António Costa e adiantou mesmo que os chineses "têm sido bons investidores em Portugal".

Agora o que se  vai passar?

Há uma bateria de autorizações a serem concedidas (incluindo a DG Comp europeia, que não morre de amores por acionistas chineses em empresas europeias) para que a OPA seja registada. Há uma Assembleia Geral a ser convocada para alterar os estatutos (os votos da EDP estão blindados a 25%). Falta ainda a posição formal da administração da EDP (a posição de António Mexia é uma incógnita porque pode não se manter como presidente se a OPA tiver sucesso). Há os fundos internacionais que são acionistas da EDP (o BCP que tem 2,44% está com os chineses, pois é o intermediário financeiro) e que os chineses têm de convencer a vender na OPA (o prémio oferecido é baixo, 4,82%, devemos assistir no futuro a uma revisão do preço). 

Esta OPA tem uma caracteristica que em tempos vimos na OPA da Sonae sobre a PT. É que se vai decidir numa Assembleia Geral para votar a mudança de estatutos. 

Depois esta é uma OPA transformacional. Vai mudar a sociedade portuguesa e vai ser o tema dos debates políticos e dos jornais durante largos meses.

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Câmara de Lisboa afinal não anulou leilão de casas em que até empresas entraram

Conforme aquiaqui referi, a CML lançou, via Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU Ocidental de Lisboa), um leilão para arrendamento de 7 andares de tipologia T1 e um andar T2. Os valores das licitações mais elevadas atingiram 700€ para os T1 e 900€ para o T2. Tudo preparado para a celebração dos contratos de arrendamento e eis que a Câmara, confrontada com os valores que nada têm ver com o tão apregoado arrendamento acessível, decidiu anular o leilão. Hoje soube-se, por esta notícia, que afinal a CML suspendeu o concurso para futura anulação; ou seja, o leilão não foi ainda anulado e está instalada a confusão. Vai a CML indemnizar aqueles que ganharam o leilão? O que vai fazer com os andares em causa? Será que vai sortear e, se sim, por quem? Agora que no PS corre uma súbita onda de vergonha será que não se envergonham com este caso? E, já agora, o que pensa deste caso a Arqª Helena Roseta? (que é Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, também deputada pelo PS e que recentemente apresentou uma Proposta de Lei de Bases da Habitação?)

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Sigilo para os calotes, transparência para os pagantes

por José Mendonça da Cruz, em 10.05.18

Se eu bem compreendi o senhor Presidente, o sigilo bancário era da essência enquanto os contribuintes pagavam a gestão negligente e/ou criminosa de uns quantos gestores bancários e seus camaradas. Sobre eles e suas actividades, era fundamental que se fizesse segredo. Agora, que os contribuintes pagaram, é altura de levantar o sigilo -- sobre eles, contribuintes, apenas -- para saber quanto dinheiro têm, de onde lhes vem e quanto sobra para o saque. É isto?

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