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O «sensacionalismo» de mostrar a fome

por José Mendonça da Cruz, em 06.07.20

É curioso constatar como a redacção da CMTV sai à rua a mostrar os autocarros e comboios cheios de gente obrigada a contrariar todas as normas de segurança e a colocar a saúde e a vida em risco; é curioso como a CMTV sai à rua a mostrar as filas de distribuição de alimentos, cheias de desempregados, de novos pobres mais ou menos envergonhados, de famílias com fome.

É curioso como as outras televisões generalistas se poupam a fazer o mesmo, a mostrar a pobreza, o desemprego, a desorganização, e o falhanço do governo socialista, preferindo perseguir «jovens» que saiam à rua, vão à praia ou conversem entre si.

É curioso pensar o que incomoda os instalados e os serventes quando acusam a CMTV de «sensacionalismo». A realidade é, de facto, uma maçada.

Maduro, o criminoso invisível

Venezuelan lifes doesn´t matter

por Jose Miguel Roque Martins, em 06.07.20

Nos tempos de violentos protestos em que vivemos, é um mistério como Maduro não é alvo de constantes manifestações a nível mundial. A sua interpretação da revolução Bolivariana, aprofundou o inevitável  desastre iniciado por Chavez.

A Venezuela, outrora um País prospero, mesmo sem contar com as suas imensas reservas de petróleo, é hoje um destroço económico, onde os direitos civis pura e simplesmente não existem. A fome, a falta de medicamentos e de bens essenciais e o jugo autocrático que esmaga os legítimos protestos das populações, é agora a nova e triste realidade Venezuelana. O único triunfo do regime será ter eliminado problemas de colesterol, já que o peso medio da população, na ultima década, baixou mais de 10 quilos.

Morre-se de fome na Venezuela. Não é por acaso que mais de 3 milhões de Venezuelanos fugiram para o exílio precário da Colúmbia, melhor do que a morte lenta a que estão condenados os Venezuelanos que não conseguiram escapar.

Ao contrario de outros regimes, em que não se entende como líderes se mantêm no poder, no caso da Venezuela a explicação é fácil. A autocracia apoia-se no Exercito, que vai tendo o que comer. Um modelo clássico, em que a força bruta garante a perpetuidade do regime, neste caso, a revolução bolivariana.

O desastre humanitário que se vive neste pais é tão grave que até o Bloco de Esquerda, deixou de apoiar formalmente este regime. Quando antes era, orgulhosamente,  por ele apoiado.

Pena é , que a generosidade dos ativistas, sempre tão prontos a demonstrar-se por causas nobres, não façam sua esta causa. Afinal são dezenas de milhões de seres humanos,  vitimas de um regime atroz, á beira de um genocídio.

 

 

PS: Não se ouve com frequência, nem criticas a Maduro, nem a denuncia de quem apoia este regime, como a Rússia, a China e Cuba. Insignificância de mais de 30 milhões de Venezuelanos? Ou uma causa incomoda para muitos por se tratar de quem assume uma bandeira da esquerda? Não consigo entender! 

 

Incompreensível

por henrique pereira dos santos, em 06.07.20

O Observador (tal como o resto da imprensa), continua a sua clara opção de aterrorizar pessoas a propósito de uma epidemia.

Desta vez é um longo texto - tão longo que consegue ter uma tese base e largas partes de declarações de terceiros que desmentem a tese, sem que os factos cheguem para alterar a opinião da jornalista - sobre o facto de em quatro meses de epidemia (mais ou menos) o Observador conseguir encontrar duas ou três pessoas à roda dos trinta anos que quase morreram, mas na realidade não morreram, com a covid.

O que é incompreensível é que o Observador não tenha aproveitado um texto tão longo para ao menos de passagem falar das 1 a 3 três pessoas, dessas idades, que morrem, mas morrem mesmo, diariamente em Portugal de outras causas, incluindo outras doenças.

Os próximos dias

por henrique pereira dos santos, em 05.07.20

No pressuposto de que as previsões meteorológicas se verificam, parece-me que os próximos dias podem ter alguns fogos de alguma dimensão, alguma complicação aqui e ali, mas não estão previstas condições verdadeiramente dramáticas.

É verdade que há temperaturas altas, mas a humidade e o vento são muito mais importantes na criação de condições para fogos dramáticos. Se é verdade que a humidade é bastante baixa em muitos dias, aparentemente à noite recupera e o vento será de maneira geral fraco.

Seria uma boa situação para ensaiar uma doutrina de combate que nos permitisse ir criando imunidade contra os mega incêndios: deixar arder o que não são povoamentos florestais, infraestruturas, casas e instalações de valor económico, e melhorando a capacidade de preparar a paragem do fogo onde queremos, protegendos os usos vulneráveis, isto é, os usos que não sendo forçosamente aqueles em que o fogo lavra mais facilmente, são aqueles em que os efeitos negativos do fogo são mais expressivos.

Pelo contrário se continuarmos com a doutrina de apagar os fogos o mais rapidamente possível, logo que eles são detectados, com o objectivo de quebrar as cadeias de contágio do fogo, mais ou menos como se fôssemos atrás das ignições e não dos prejuízos causados pelo fogo, o resultado só pode ser o que tem sido nos últimos anos: um território em que as cadeias de contágio do fogo são tão poderosas que quaisquer condições favoráveis ao fogo dão origem a mega incêndios dramáticos e socialmente desastrosos, para além de um permanente credo na boca de cada vez que há uma ignição, e haverá sempre ignições.

Finalmente escrevi um post que não é sobre a epidemia, já tinha saudades.

Ódio , Censura, Autoritarismo e Radicalismo

por Jose Miguel Roque Martins, em 05.07.20

Hoje, lá li, mais uma mudança de nome de uma estação de metro, neste caso na  Alemanha, que, de forma aparentemente sinistra, faz referencia á rua dos mouros. Não para meu alivio, o nome será mudado para outro qualquer num futuro próximo.

Desde a trágica morte de George Floyd, que se multiplicam iniciativas que considero perigosas e em muitos casos ridículas.

A brutalidade policial, pura e simples, não é menos frequente, nem menos grave,  que qualquer motivação racista. Esqueçamo-la para todo o sempre, neste caso, tal como aconteceu em todo o mundo.

Um movimento contrario ao racismo, parece ser sempre uma boa ideia. O problema é quando se transforma num movimento assente no ódio , na perseguição e erradicação de vultos e factos históricos, na simplificação excessiva da realidade e na imposição de uma nova e única forma de ver.

As discussões sobre se certos fenómenos são de esquerda ou direita são tão infindáveis como inúteis. Independentemente de rótulos, o que é mau deve ser rejeitado ou pelo menos denunciado com a violência possível.  E é isso que não está a acontecer, prolongando os efeitos deste movimento que atingiu proporções ridículas e que se desviou completamente do seu objectivo inicial: quem se lembra ainda de George Floyd e do racismo com consequências praticas?

Sempre me pareceu o cúmulo do racismo fazer de conta que alguém não pertence a determinada etnia. Como se essa pertença factual fosse vergonhosa ou um demérito para alguém. O meu Pai, nascido em África, durante anos, só teve amigos negros. Que lhe chamavam branco, simplesmente porque ele era branco. Não por qualquer tipo de racismo, que não nasce pelo nome.  

O racismo infelizmente ainda existe, apesar de um progresso lento ao longo do ultimo século. Nos EUA as coisas foram evoluindo. Nos sentimentos e sobretudo  nos nomes. Primeiro negro. Depois preto. Finalmente afrodescendente. Certo é que, enquanto não houver uma aceitação natural de que um ser humano é um ser humano, independentemente da sua etnia, religião, sexo e outras circunstâncias, estaremos mal. Mesmo que deixemos  de aparentemente reconhecer realidades óbvias e inócuas, como o facto de existirem varias etnias á face do planeta.

Odiar policias,  racistas e essencialmente todos os que são diferentes de nós, não faz os manifestantes melhores do que o que contestam. Afinal, só o objecto do odio muda de um lado e do outro. E não há nada pior do que o Ódio e as  generalizações selvagens.

Partir estátuas ou mudar o nome de ruas, estações de metro e outros,  parece-me mais digno de trogloditas do que de seres humanos contemporâneos. Revisionismo histórico, sempre foi uma pratica de governos totalitários e um empobrecimento das memorias colectivas, nunca um passo em frente ou reparação de erros passados.

Estranha e um pouco inquietante é a forma como este movimento se tem espalhado, como se fosse um franchising, sendo os protestos, em todos os locais, idênticos e pouco adaptados á realidade local. Claro que quem não tem a rua dos pretos ou de um esclavagista, como os Alemães, pode mudar a rua dos mouros!

Agora, em Portugal, anuncia-se a monitorização dos discursos de ódio nas redes sociais, o que nos tempos do antigo regime seria, justamente, contestado como um importante passo na direção da censura. Sou contra o ódio e sei das dificuldades de o definir. Será que o que é ódio para mim, é ódio para os outros?  Mas sou absolutamente contra a perda de liberdade de expressão que fatalmente se segue á introdução de limitações e monitorizações, mesmo que de aspectos (teoricamente) menos dignos e honrosos de partilha.

Nada disto, per-si, terá consequências devastadoras no futuro imediato. São apenas manifestações ainda moderadas de censura, autoritarismo e de radicalismo, ainda numa fase preliminar de afirmação. Mesmo que provoquem uma reação de radicalismos de sinal contrario. Que provavelmente não passarão de umas cabeças negras partidas por uns grunhos neonazis.

Mas é um exemplo muito preocupante de como o radicalismo está a atingir as democracias liberais. Não apenas por movimentos radicais de esquerda ou direita, mas também  por forças politicas teoricamente democráticas.  Preocupante.

Descartes faz muita falta por aqui

por henrique pereira dos santos, em 04.07.20

Quando a Organização Mundial de Saúde começou a sua campanha de gestão da covid assente na dramatização da doença - todas as semanas o seu secretário-geral insiste que a epidemia está em acelaração porque o número de casos aumenta, o que é verdade, nos últimos dois dias o número de casos diários está acima dos 200 mil, omitindo que desde meados de Abril, com máximos de mortalidade diária em torno das sete mil e quinhentas mortes diárias, as mortes diárias foram descendo até estabilizarem, desde meados de Maio, por volta das quatro mil e quinhentas, o que não deixa de ser uma estranha forma de aceleração de uma epidema - que há "duas escolas de pensamento" sobre o assunto.

As duas escolas divergem na forma como se deve lidar com a incerteza:

1) a escola dominante, fortemente turbinada pela Organização Mundial de Saúde e por modeladores que desenvolveram demonstrações matemáticas que apontavam para milhões de mortes em consequência da covid, entende que a melhor forma de lidar com a incerteza é acrescentar incerteza à incerteza adoptando medidas radicais de contenção da evolução da epidemia cuja utilidade nunca foi demonstrada mas é defensável a partir das modelações matemáticas referidas;

2) a escola minoritária, que defende que não se deve avançar para medidas com fortes impactos sociais negativos sem ter uma noção mínima de qual é o desvio que esta doença apresenta face ao padrão que é de esperar de doenças deste tipo, tendo em conta a história das epidemias conhecidas.

Penso que não será segredo que tenho alinhado com a segunda escola, essencialmente por me parecer sensato partir do princípio de que controlar processos naturais está para lá das nossas capacidades como sociedade quando não se conhecem os parâmetros de evolução desse fenómeno, e quando se pretende que esse controlo seja obtido através de comportamentos padronizados em comunidades humanas diversas e livres.

Infelizmente a discussão tem sido muito pouco racional no sentido em que a escola dominante tem assente grande parte do seu discurso no exarcebar de emoções, assentes no medo do futuro, desconsiderando moralmente toda a divergência, que considera uma irresponsabilidade potencialmente assassina.

Uma das formas mais frequentes de desqualificação dos argumentos dos outros (usados pelas duas "escolas de pensamento", embora de forma desigual dada a desproporção de meios da "escola" dominante face à minoria) consiste na demonstração dos erros de previsão que vão sendo feitos.

A avaliação das previsões face ao que posteriormente se verifica é um procedimento muito útil, fundamental para avaliar em que medidas os modelos mentais (incluindo os matemáticos) se adequam à realidade, mas é necessário ter em atenção que, por definição, as previsões estão erradas, o que interessa discutir é apenas se são úteis.

Daquilo que escrevi é muito fácil verificar que a realidade da covid tem diferenças grandes em relação às "previsões" que fui fazendo.

Os planaltos são muito mais extensos do que pensei, as descidas muito mais prolongadas que as subidas, o peso da transmissão directa muito maior que o que admiti - consequentemente a transmissão através das superfícies menos importante em termos relativos -, em especial a transmissão directa em contactos prolongados entre infecciosos e infectados. Embora seja difícil distinguir, em contactos prolongados, o que resulta de transmissão através das superfícies ou do ar, os mais de duzentos surtos em coros na Alemanha parecem não deixar muitas dúvidas sobre o peso da transmissão exclusivamente aérea em circunstâncias em que há projecção da voz.

A mortalidade global tem sido maior que o que admiti, a sazonalidade ainda não sabemos muito bem, mas parece menos acentuada que o que admiti, embora o movimento geográfico me pareça demasiado evidente para o atribuir ao ligar e desligar de medidas sociais de contenção e não às condições ambientais, dizendo já que me parece cedo para conclusões muitos firmes sobre isso.

Todos estes desvios entre o que se verifica e a realidade poder-me-iam fazer concluir que a segunda "escola de pensamento" errou demasiadas vezes e portanto estaria na altura de me bandear para a escola dominante, o que aliás me seria muito conveniente e cómodo.

E é isto que me têm dito sistematicamente os apoiantes da primeira "escola de pensamento".

Só que há um problema: estes desvios todos continuam a ser bem menores que os desvios da realidade em relação aos pressupostos da "escola de pensamento" dominante, a tal que insiste em dizer, como diz hoje Alexandre Martins no Público, que a situação no Arizona é dramática porque o números de casos cresce brutalmente, omitindo convenientemente as referências à evolução da mortalidade e descrevendo um calendário de medidas que sirva a "narrativa" aterrorizadora em que se especializou a imprensa, em que tudo se explica com confinamentos e desconfinamentos - como se o desconfinamento de Nova York, da Lombardia ou de Madrid, ou a evolução na Suécia, não desmentissem estrondosamente a "escola de pensamento" dominante e as suas previsões catastróficas com que justificam a defesa de medidas absurdas de controlo da epidemia.

Já existem empresas a propor aos ingleses voarem para Sevilha, que o transporte para o Algarve lhes será oferecido com todo o conforto, evitando a quarentena a que supostamente estariam obrigados se voassem para Faro, e é com base nesta incompreensão do mundo que me querem convencer que a melhor maneira de controlar uma epidemia é complicar as viagens entre sítios do mundo em que o vírus tem livre curso quer na origem, quer no destino.

Gabriela Gomes, informa-me o Público, está a finalizar mais um artigo que é uma evolução do seu anterior artigo, que confirma imunidades de grupo em torno dos 20% em vez dos 60 a 70%.

Não faço ideia sobre se tem razão ou não, o que sei é que a simples possibilidade de haver limites de paragem (paragem não quer dizer ausência de transmissão, quer dizer velocidades de transmissão compatíveis com a capacidade de resposta dos sistemas de saúde, haverá sempre infecção, internamento, mortes resultantes de doenças infecciosas, não chegam é para ser qualificadas como um surto relevante) natural da evolução da infecção a níveis mais baixos que o limite teórico de 60 a 70%, aliás nunca verificado empiricamente, nos deveria levar a racionalizar um bocadinho toda esta discussão e ver se conseguíamos discutir cada medida de gestão da epidemia com base no seu valor prático para gestão das nossas vidas e não com base em pressupostos morais, como tem acontecido.

Estou farto desta guerra de trincheiras, eu só quero estar de acordo com a senhora ministra da saúde quando, finalmente, diz que o problema dos lares não se resolve actuando sobre as visitas quando são os funcionários o principal vector de entrada do vírus nos lares.

Será assim tão complicado discutir cada uma destas medidas cartesianamente?

O futuro cheira a Ryanair

por João-Afonso Machado, em 03.07.20

Depois das furiosas ameaças de Pedro Nuno Santos, o mais tamanqueiro dos nossos ministros, assanhadíssimo em nacionalizar a TAP e reforçar os laços com o povo irmão do BE, eis finalmente algo de novo - uma seminacionalização, um enorme ponto de interrogação. E uma referência de Costa à redução de rotas que só pode deixar o Norte preocupado.

Contas feitas, o Estado abriu mão de 55 milhões de euros (decerto não a reinvestir em Portugal) para adquirir a posição de privados, reforçando em 22,5% a sua. Detém agora 72,5% do capital da nossa transportadora aérea. A seu lado ficaram apenas os próprios trabalhadores (5% das acções) e o império Barraqueiro.

Seria bom conhecer com que intuito, uma vez que se fala já na contratação de um grupo estrangeiro para estudar o futuro e a gestão,o relançamento da TAP!!! Onde estará a famigerada classe dos gestores públicos nacionais, ao longo dos tempos de memórias  tão tristes quão, às vezes, escandalosas?

Tenho para mim, o engenho do grupo Barraqueiro chegaria para relançar a TAP. Demonstraria uma especial sensibilidade para com as demais regiões do País, e mesmo para com as rotas tradicionalmente mais utilizadas. Talvez, até, não deixasse ir tão longe o desemprego na Companhia, que o próprio Costa temeu ocultar e lhe será pesado quando se concretizar.

Mas o Barraqueiro é um grupo privado, estando-lhe, como tal, vedado os louros do sucesso.

Depois "só" falta receber os 1200 milhões de euros vindo da UE para que, em definitivo, a esponja seja passada sobre o descalabro da TAP. É simples. Quase tão simples como a certeza que melhor será irmos ginasticando o ventre para cabermos no desconforto da Ryanair em qualquer voltinha que queiramos dar extra-fronteiras.

Duas nacionalizações* no mesmo dia!

por José Mendonça da Cruz, em 02.07.20

Vamos ser a inveja da antiga Albânia, de Cuba, da Venezuela. Não imaginam já as filas compactas de investidores estrangeiros a quererem criar cá empresas?!

 

*Na língua de trapos socialista parece que quando uma empresa passa de privada a detida pelo Estado em 72,5% isso se chama «reversão».

O Grande Irmão está de olho em ti

por José Mendonça da Cruz, em 02.07.20

Começa sempre com a linguagem redonda, abrangente, enrolada em algodão: a ministra de Estado e da Presidência informa que o Governo vai lançar «um projecto» para «monitorizar» o «discurso de ódio» nas redes sociais. Mais explicou a ministra que se pretende fazer o acompanhamento e identificação dos sites e dos autores.

«Um projecto» não será a mesma coisa que uma polícia de vigilância acoitada num observatório povoado de patrulheiros do partido, pois não? «Monitorização» não será a mesma coisa que Vigilância e Defesa do Estado, pois não? A identificação de sites e autores não é a mesma coisa que censura e perseguições, pois não?

É assim que começa, quando uns animais se consideram mais iguais do que os outros. E tendo em conta que o que é ou não é «discurso de ódio» é definido pelos porcos que mandam no «projecto» e na «monitorização», é evidente que este parágrafo me condenaria e a este blog. Bastava que algum tarado, ignorante ou monitorizador nunca tivesse lido Orwell.

Os socialistas obtiveram a TAP. Parabéns a quem vai pagar

por José Mendonça da Cruz, em 02.07.20

Agora sim, a promessa foi cumprida: a TAP foi revertida, o Estado tem 72,5% da empresa.

Seguidamente, os socialistas tentarão convencer os contribuintes, que durante anos vão pagar o desastre, de que:

- foi tudo culpa da pandemia;

- não são eles que vão despedir milhares de trabalhadores;

- não são eles que vão alienar aviões, cessar leasings, cortar voos e destinos, nem entregar a outras companhias aéreas rotas rentáveis;

- não são eles que vão dar de barato a outras empresas e outros países a plataforma América/Europa em que Lisboa se transformara , e que Madrid provavelmente assumirá;

- não são eles que vão reduzir a TAP a uma companhia aérea regional e cronicamente deficitária;

- que todo o comportamento deste lamentável governo e do lamentável ministro do pelouro ao longo do processo iniciado com a «reversão» não constitui um argumento poderosíssimo para afastar daqui qualquer intenção de investimento estrangeiro;

E tentarão convencer-nos, repete-se, que não são os contribuintes quem vai pagar o desastre criado pela cegueira ideológica de ter uma companhia aérea a que eles chamam «nossa». 

 

O essencial

por henrique pereira dos santos, em 02.07.20

"Temos de mudar, ir à procura do vírus e não do doente"

Esta frase de Filipe Froes resume o essencial e, infelizmente, é uma frase que reúne largos consensos entre profissionais de saúde que podem saber tudo sobre vírus, mas não sabem grande coisa sobre pessoas e sociedades.

A ideia é simples, apelativa e poderosa, mas tem um problema: não tem base factual nenhuma que garanta a possibilidade de ter algum sucesso.

Até hoje a humanidade conseguiu erradicar uma doença, a varíola, depois de anos e anos de programas de vacinação e muitas outras coisas.

Várias outras doenças, a humanidade conteve-as em níveis bastante aceitáveis, como a polio, o sarampo, e várias outras para as quais existem vacinas eficazes e cujo efeito é longo.

Em doenças infecciosas em que o efeito das vacinas é curto, como a família das gripes e afins - seis meses de validade, mais coisa, menos coisa - o mais que a humanidade conseguiu foi desenvolver complexos programas de saúde pública e vacinação que conferem algum grau de protecção maior a grupos mais vulneráveis, sobretudo nos anos em que se conseque acertar melhor com a vacina.

O que a OMS e grande parte dos serviços de saúde no mundo resolveram fazer, na sequência do que acham que foram os sucessos anteriores - sobretudo a MERS - foi promover a mudança de que fala Filipe Frois: concentrar-se em combater os vírus em detrimento do foco na doença.

Dentro de limites sociais aceitáveis, a ideia tem toda a validade, foi assim que se reduziram muito as infecções, mesmo antes dos antibióticos e das vacinas, ao promover a higiene dos espaços e das pessoas.

O que tem sido novo agora é a ideia de que é possível e razoável gerir as sociedades humanas em função do objectivo único de liquidar agentes infecciosos como instrumento para controlar doenças.

De tal maneira a ideia entrou na normalidade que houve, já há bastante tempo, uns académicos que suponho que são brilhantes - Harvard pode ter muitos defeitos, mas há um mínimo de qualidade académica que é sólido - que propuseram um sistema de vigilância que tinha como objectivo manter o desenvolvimento da doença dentro dos limites da capacidade de resposta dos sistemas de saúde.

A proposta era simples: fechava-se tudo até se atingir um limite de casos considerado gerível, depois abria-se a sociedade, acompanhava-se a evolução, quando os indicadores da doença - na verdade, da presença do vírus - atingissem de novo os níveis que se entendesse, voltava-se a fechar tudo e andava-se nete ió-ió até se encontrar uma vacina ou um tratamento eficaz.

Que estes investigadores desvalorizem os efeitos reais disto na vida das pessoas, o que isso significa de pobreza, disrupção, efeitos na saúde mental, etc., ao ponto de acharem normal determinar o funcionamento da sociedade com base neste modelo, é um bom indicador da loucura generalizada que faz um médico achar que ir atrás do vírus, e não da doença, não só é possível como é a maneira eficaz de gerir doenças infecciosas de elevada transmissibilidade.

E o essencial é mesmo isto: estamos a ser conduzidos por pastores que sabem tudo sobre como tratar as cabras do rebanho, mas nunca geriram rebanhos, o que lhes permite propôr medidas nunca testadas para que acabem as doenças no rebanho, sem ter a menor preocupação com o facto de, antes de tratar as doenças, ser preciso garantir que o rebanho é conduzido para onde haja pasto suficiente para que as cabras não morram de fome.

CZAR PUTIN

por Jose Miguel Roque Martins, em 02.07.20

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Ontem, por larga maioria, foram aprovadas mudanças constitucionais que, na pratica, eliminam barreiras de mandatos que permitem  a Putin candidatar-se a presidente até 2036.

Pode contestar-se que as outras alterações constitucionais, votadas em bloco, eram sedutoras e foram o prato forte da propaganda.  Ou invocar teorias de manipulação graves das eleições. Na verdade, as eleições já ganhas por Putin, não aparentam ser mais manipuladas do que o que acontece na generalidade dos Países Ocidentais.

Os Russos até já aceitaram que ele fosse formalmente o primeiro ministro , mantendo-se como presidente de facto, para “limpar” a impossibilidade de poder ser eleito, depois dos dois primeiros mandatos no poder supremo. 

Putin apresenta legitimidade democrática. Ao mesmo tempo, pelo tempo que ocupa o poder e pela forma como o exerce, assemelha-se a um ditador. É uma figura pouco amada no Ocidente, pouco confortável com o retomar do papel de super potencia militar pela  Rússia.

Mas o seu continuado apoio popular no seu País é difícil de contestar. Carisma próprio, trabalho exemplar ou será que a Rússia profunda exige um Czar?

 

PS: Por cá, ainda a propósito da TAP, a frase de ordem de ontem foi  “agarrem-me senão eu mato-o” .

A linha da frente e o Estado Maior

por henrique pereira dos santos, em 01.07.20

"Eu percebo os meus colegas. Mas eles não são de saúde pública e foram treinados para gerir doentes, não foram treinados para gerir epidemias. São coisas completamente diferentes, por mais que lhes custe ouvir isto. ... As pessoas que foram treinadas para gerir epidemias são de saúde pública e as que sabem de epidemiologia são principalmente da [especialidade] de saúde pública. Os outros são na sua maioria curiosos."

"Se se testar todas as pessoas, como sabemos que são assintomáticas na maioria dos casos, obviamente vamos apanhar mais, cinco ali, dez acolá, 20 ali, 30 acolá, 50 ali, chegamos aos 200 casos. Se não as testasse, estas pessoas eram todas assintomáticas e não surgiam nas estatísticas. Se testo notifico, aumento os números mas também aumento a probabilidade de quebrar cadeias de transmissão. Por exemplo, em Oeiras, onde neste momento está a ser efectuado um rastreio, os números vão obviamente aumentar. Isso já está a acontecer nos últimos dias. É um preço a pagar".

"a taxa de incidência tem a ver com o efeito dos surtos. Por exemplo, em São Domingos de Rana há agora um surto numa estrutura residencial [para idosos] e por isso Cascais vai aparecer com uma taxa de incidência enorme. No lar de São Domingos de Rana, em 46 pessoas, 41 estava infectadas. Mas se os surtos estiverem controlados as taxas de incidência querem dizer pouco. E as cadeias de transmissão? Aí é outra questão. Não será possível identificar tudo, como não é em ponto nenhum do país ... Os surtos são mais visíveis e alteram muito os números, mas os casos soltos são os que nos preocupam mais e obrigam a intervenções com mais recursos".

Estas citações são da entrevista de Rui Portugal hoje ao Público (declaração de desinteresses: nunca falei com Rui Portugal sobre este assunto, apesar de o conhecer, tanto mais que é meu primo) que espero que Filomena Martins e outros jornalistas leiam para ver se conseguem ter uma ideia de como devem ser interpretados os números.

Em parte são picardias normais e que sempre existiram entre os oficiais do Estado Maior e os operacionais no terreno. Os segundos são os que ganham as condecorações por actos de bravura, são os que se transformam em heróis e os que morrem, são os protagonistas principais dos principais filmes de guerra, os primeiros são os que ganham ou perdem a guerra.

Não é possível ganhar guerras sem bons desempenhos no campo de batalha, mas é na preparação desses desempenhos e na gestão anterior às batalhas que se ganham ou perdem as guerras, e essa é a função do Estado Maior.

É assim na guerra propriamente dita, é assim nos fogos, é assim nas epidemias e em muitas outras circunstâncias.

O que as epidemias novas têm de específico é que sabemos muito pouco sobre o "inimigo", embora saibamos que o "inimigo" não é o vírus, é a forma como impacta a sociedade.

É por isso que grande parte da informação de virologistas, intensivistas e outros operacionais da linha da frente não é muito útil para saber mais sobre a evolução da epidemia: estes operacionais estão concentrados no vírus, na doença, no doente que é preciso salvar, não estão concentrados em evitar que seja necessária a sua intervenção ou, no caso de ser necessária, na criação de condições para que seja feita nas melhores condições que seja possível criar.

É por isso que estou convencido de que Filipe Froes, e muitos outros, teriam mais a ganhar em ler, por estes dias, Sun Tzu que as revistas médicas em que todos os dias é produzida informação sobre o vírus, a doença, os tratamentos ou a epidemia.

Provavelmente já teriam concluído o que Rui Portugal aqui diz: "Não será possível identificar tudo, como não é em ponto nenhum do país" e, por isso, prosseguir uma estratégia - identificar todos os focos na fonte de forma a que seja possível quebrar todas as cadeias de contágio - cujo objectivo é impossível de atingir é um erro e um desperdício de recursos.

Infelizmente nem com os surtos a aparecerem em lares - tendo a sua origem nos funcionários, mas levando ao imediato cancelamento das visitas, uma medida sem efeito prático na gestão da doença e com muitos efeitos negativos - ou em hospitais, inviabilizando o discurso moral sobre o comportamento irresponsável das pessoas, parece abrandar a loucura dos que, habituados que estão aos laboratórios e às salas de cuidados intensivos, não compreendem que as sociedades e o mundo real em que todos vivemos é o que é, não sendo possível esterilizá-lo sem custos brutais e proveitos marginais.

Tal como os soldados no campo de batalha, ou os bombeiros no calor do combate ao fogo, também os profissionais da linha da frente na saúde estão convencidos de que com mais empenho, sabedoria e recursos, seria sempre possível fazer frente à natureza, baseando-se em frases de elevado valor intelectual como a imorredoira frase de penhor do valor dos bombeiros: "nunca nenhum incêndio ficou por apagar".

Só que na verdade o problema está na doutrina e não na linha da frente: "Portugal sem fogos" ou "vamos vencer o vírus" são a mesma mistura de arrogância e ignorância que nos caracteriza como espécie e nos faz pensar que tudo o que nos rodeia é controlado por nós.

"Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é."

Por alguma razão Álvaro de Campos é incomparavelmente mais popular que Alberto Caeiro.

A TAP , o Estado e o PS: humilhados e desesperados

por Jose Miguel Roque Martins, em 01.07.20

Há uns meses, escrevi um post sobre Neelman. Vaticinava a possibilidade de que pudesse perder o seu investimento. Estava muito mal informado. Não sabia ( nem imaginava como possível) que o governo PS, lhe tinha concedido aos privados, em troca da sua posição na TAP, para todos os efeitos, uma garantia de proteção do seu investimento. Num completamente incompreensível acordo, garantiu no caso de nacionalização da TAP, a possibilidade de reembolso do dinheiro investido pelos privados: um absurdo completo.

Se não o tivesse feito, apenas para cumprir uma promessa eleitoral já de si estúpida, neste momento, o Estado, teria todo o poder do mundo: os privados estariam na mão de quem os pudesse ajudar, sob risco de perderem irreversivelmente todo o seu investimento, numa falência ou nacionalização. Uma demonstração clara do que acontece quando o Estado decide subverter as regras de mercado.

À absolutamente idiota concessão inicial, juntou um discurso musculado em defesa da TAP e contra os privados, sem qualquer poder real. Neste momento, os privados só perdem se a TAP for á falência. O que sabem ser o ultimo cenário desejado pelo Estado.

E agora?

Ou o Estado deixa a TAP falir e assume o dito por não dito, com custos políticos enormes;

Ou o Estado cede na sua luta com Neelman,  assumindo uma humilhação publica; 

Ou o Estado Nacionaliza, assumindo um humilhante pagamento aos privados e a completa inabilidade para aventuras em empresas . E suporta o ónus adicional de uma restruturação com despedimentos inevitáveis; 

Ou, o mais provável, o Estado vai arranjar uns testas de ferro, para comprarem a posição de Neelman ( provavelmente por valor superior) , a serem compensados de forma “invisível”, para tentar mascarar a sua total incompetência.

Pior, nem podem invocar uma pesada herança de um governo anterior: tudo terá que ser assumido pelo governo PS: a reversão da nacionalização mal feita e o futuro da TAP. Um pesadelo mediático, um enorme prejuízo para Portugal. Neelman corta duas orelhas e um rabo e sai sempre em ombros!

 

PS: As intervenções publicas no privado são por norma um desastre. A TAP é apenas mais um exemplo.

O socialismo e os idiotas úteis acabaram com a TAP

por José Mendonça da Cruz, em 29.06.20

O senhor Neeleman, protagonista privado da aviação comercial, tem uma companhia aérea nos EUA, a Blue, uma companhia aérea no Brasil, a Azul, e tinha a TAP em Portugal. Tinha um plano a médio e longo prazo: aumentar o tráfego aéreo entre os seus hubs em Lisboa, nos Estados Unidos e no Brasil, recolher passageiros das rotas secundárias (os raios da roda) para alimentar os voos intercontinentais. Foi com esse plano que a TAP cresceu, pagou dívida, aumentou a frota, aumentou a receita e criou milhares de postos de emprego. 

Depois chegou a pandemia, que seria sempre um duro golpe no presente e futuro da companhia. Mas graças ao governo socialista e aos idiotas úteis, o golpe será fatal: a TAP vai regressar à insignificância e ao prejuízo crónico.

Pela mão dos socialistas e seus satélites, que abominam tudo o que seja privado e funcione, a privatização foi revertida. Soubemos desde logo que sem que o Estado mandasse, embora se responsabilizasse por prejuízos. (Os idiotas úteis aplaudiram.) E sabemos agora que com uma cláusula secreta assinada pelos socialistas que obriga o Estado português a indemnizar o accionista privado com uma penalização e mais o valor da empresa em caso de nacionalização.

A pandemia não seria necessariamente um golpe fatal, se o governo socialista tivesse sido célere no apoio à TAP, e tivesse sido competente na negociação com a UE, nomeadamente rejeitando a menorização da empresa. Em vez disso, o governo preferiu ser fraco com a UE e forte na hostilização dos privados que sanaram a situação da empresa e a fizeram crescer.

Obtendo a nacionalização da TAP, como desejavam, empurrando o accionista principal, os socialistas dispensam os hubs de Brasil e EUA, ou seja um futuro de crescimento e rentabilidade. Obtêm aquilo que sempre conseguem, a que se habituaram, e que propagandeiam como vitórias: uma companhia aérea pequena, irrelevante e deficitária, em resumo, uma empresa pública sem interesse económico ou social. Quanto aos idiotas úteis, os que em vez de uma empresa internacional rentável ansiavam por ter aviões a voar entre as suas capelinhas, obtêm exactamente aquilo contra que diziam protestar : uma empresa puramente regional, ou seja, provinciana. Podem todos limpar as mãozinhas à parede.

E já a seguir, já, jázinho, logo que chegue esmola do estrangeiro, os socialistas podem deitar-se a fazer o mesmo que o seu amigo Sócrates tanto amava: gastar rios de dinheiro em aeroportos sem aviões nem vivalma.

 

PS1. É tristemente divertido ver o debate público entre os dois herdeiros putativos de Costa, com o Medina das bicicletas a reforçar a posição do chefe na fuga a responsabilidades, através de críticas a DGS, ministra da Saúde e tudo quanto mexa; e o Nuno Santos do Porsche a enterrar a Tap e a si próprio com discursos de animal feroz sobre «intervenções assertivas»  e recusas de «ceder ao privado» (linguagem de troglodita que julgávamos ultrapassada), e sobre os «fanáticos» que não pensam como ele. Estamos nisto.

PS2. Lisboa estava a transformar-se numa interessante plataforma de distribuição de tráfego dos EUA e Brasil para a Europa, e da Europa para EUA e Brasil. Essa a utilidade de ter um aeroporto melhor. Quando constatarem quem nos substituirá nesse papel e nesse negócio, talvez socialistas e idiotas úteis tenham um pequeno vislumbre.

É a política que interessa

por henrique pereira dos santos, em 29.06.20

Os minoritários da covid não são uma massa uniforme de pessoas com ideias iguais, tal como os maioritários.

A clivagem essencial está entre os que defendem o que sempre foi feito para o controlo de epidemias e os que entendem que se justificam medidas extraordinárias nunca testadas antes à escala adoptada desta vez (e a outras escalas também não estão muito testadas mas vamos fugir dessa discussão).

A discussão técnica e científica da epidemia só interessa para nos permitir discutir as opções possíveis e a proporcionalidade de cada medida.

Se a epidemia matasse muito e se espalhasse rapidamente (normalmente não é o que acontece, mas vamos admitir que esta epidemia fugia ao padrão habitual em que uma expansão rápida não se compadece com mortalidades elevadas) talvez se justificassem medidas radicais de contenção da doença, se a epidemia se espalhar rapidamente mas tiver baixa mortalidade, então há medidas que devem ser evitadas por causa dos seus efeitos secundários na sociedade.

Isto não está muito longe do que fazemos com a prescrição de medicamentos, em que o que está sempre em causa é garantir que os efeitos positivos de cada medicamento é maior que os seus efeitos negativos.

A dificuldade numa epidemia é que a decisão não está centrada numa pessoa - o médico que acompanha o doente - e a informação necessária para tomar decisões não se consegue obter facilmente - por exemplo, quanto aumenta o risco de degradação da saúde quando aumenta a pobreza associada a uma medida com impactos económicos negativos e que parece razoável para gerir contágios?

Para o comum dos mortais não vale a pena perder muito tempo com a discussão estritamente científica, o que vale a pena é discutir política.

Ainda que assim seja, não é possível fugir à contaminação da discussão política por aspectos técnicos.

Por exemplo, se a infecção de transmite por aerossóis de forma relevante, há um conjunto de medidas que podem ser úteis ou necessárias ou as duas coisas, se se transmite essencialmente por grandes gotículas em contactos próximos frequentes e demorados, há outro conjunto de medidas, se se transmite principalmente por contacto com superfícies infectadas, há um terceiro conjunto de medidas.

Mas todas elas, se aplicadas à sociedade, com efeitos na gestão da epidemia, mas também na vida quotidiana das pessoas que não tem qualquer relação com a epidemia, são medidas de política, não são decisões técnicas.

É essencialmente por essa razão que a Direcção Geral de Saúde não deveria determinar coisa nenhuma, deveria fazer, como lhe compete, recomendações, com valor técnico, com certeza, mas sem valor legal, que seriam transformadas em normas legais, ou não, pelos processos normais de produção de legislação.

O que está em causa em toda esta discussão não é se a covid é muito mais impactante que a gripe (em Portugal, até agora, em mortalidade, manifestamente não me parece ser, com os números conhecidos, mas é uma mera opinião de quem não tem mais preparação que saber ler e usar o seu senso para formar uma opinião) mas sim se é razoável ou não ter casinos abertos e bares fechados.

Um exemplo concreto.

No Público de Sexta-feira há uma boa entrevista a Henrique Barros, presidente do Conselho Nacional de Saúde e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. Uma pessoa claramente mais qualificada que eu para discutir uma epidemia.

Nessa entrevista diz "Na fase anterior às vacinações generalizadas na infância, havia em relação a algumas doenças (que as pessoas assumima como pouco graves) uma espécie de entendimento que levava a que fossem encaradas como necessidade do crescimento. No sarampo, por exemplo, havia essa ideia de pôr os meninos todos juntos porque mais valia que se infectassem logo. E é esse tipo de discurso que se está a ouvir agora mas que é duplamente precipitado. Primeiro porque não sabemos sequer se a infecção dá imunidade duradoura. ... Em segundo, porque a maior parte das pessoas nessas idades são muito pouco assintomáticas (suponho que é um engano, deveria estar escrito são muito pouco sintomáticas) e isto pode querer dizer que estas pessoas que se consideram saudáveis ou têm os sintomas banais, como um cansaço ou uma tossiqueira, podem estar a transmitir a infecção a outras pessoas cujo prognóstico pode não ser tão benigno".

Por que razão, reconhecendo eu a autoridade de Henrique Barros nesta matéria e a minha falta de preparação, ao ler isto, fico de pé atrás?

Primeiro por uma evidente dissonância cognitiva (sem qualquer sentido pejorativo) ao falar da gestão de risco anterior à vacinação generalizada das crianças.

O problema não era a percepção das pessoas, o problema é que as doenças, como o sarampo, estavam na comunidade e, sem vacina, não havia maneira de evitar o risco de a contrair.

O que era uma questão de percepção generalizada, aliás correcta, é que havia um conjunto de doenças cujo risco era muito diferenciado com a idade, havendo um risco relativamente baixo de complicações na infância e um risco muito mais elevado na idade adulta (algumas com grandes riscos durante a gravidez).

E era essa análise de risco que fazia com que as pessoas, sabendo que não havia maneira de garantir que não apanhavam a infecção, preferiam controlar o que podiam controlar: ter a doença o mais cedo possível.

Uma pessoa que com todas as qualificações de Henrique Barros não entende o funcionamento da sociedade ao ponto de dizer o que disse sobre este assunto não me inspira grande confiança na discussão da melhor maneira de uma sociedade gerir o risco perante doenças que estão para lá do seu controlo.

Infelizmente, a minha disconfiança é acentuada com o que é dito posteriormente: reconhecendo que as pessoas mais novas não correm grandes riscos - acho extraordinária a utilização de casos de muito baixa probabilidade como demonstração de que não há risco zero, como tem sido frequente - sugere que a sua infecção deve ser evitada para não prolongar a cadeia de contágio até aos vulneráveis (ir à raiz do problema eliminando todos os contágios, defende Filipe Froes noutro lado, sem que ninguém lhe pergunte qual é a viabilidade de ter resultados com essa abordagem), sem que discuta se as medidas de política se devem concentrar em evitar todos os contágios ou se devem concentrar em reforçar a defesa dos mais vulneráveis.

Uma e outra opção são politicamente defensáveis, a primeira parece-me uma fantasia sem um único caso em que se demonstre a possibilidade de isso ser feito - liquidar todos os contágios com base em medidas não farmacêuticas -, a segunda parece-me mais viável, desde que não se tenha como objectivo reduzir o risco de contágio de pessoas vulneráveis a zero, porque isso é também impossível.

Em qualquer caso é de política que se fala e, para isso, os epidemiologistas, intensivistas, infecciologistas, virologistas, etc., não só também não pensam todos da mesma maneira, como não vejo razão para os considerar especialmente aptos a tomar melhores medidas de política que quaisquer outras pessoas.

Nesse aspecto concreto, António Costa tem razão em dizer que a informação técnica e científica que lhe é dada deixa muito a desejar.

O que escusa é de fingir que a sua obrigação não é tomar decisões, e assumir a responsabilidade dessas decisões, sem se esconder atrás da incerteza que é inerente ao conhecimento que temos da natureza e aos instrumentos de que dispomos para nos relacionarmos com ela.

É a vida António, é mesmo de política que se trata quando se discutem opções de gestão de uma epidemia, é ao governo que cabe fazer opções, não é à OMS, à DGS, às universidades e centros de investigação.

Eu sei que é injusto que se responsabilize o governo pelos efeitos das epidemias: é o vírus que infecta pessoas, não é o governo, tal como é injusto responsabilizar o governo de turno pela área ardida em cada ano, que depende essencialmente da meteorologia mas, mais uma vez, é a vida.

Já responsabilizar o governo por fechar administrativamente supermercados às oito ou às dez, ou optar por pôr a polícia a dispersar ajuntamentos ou fazer outras tarefas, ou ter bons ou maus transportes públicos, ou suspender ou não as consultas dos centros de saúde, isso é perfeitamente justo.

 

São muitos os mitos associados ao liberalismo. Os principais, de particular importância para a esquerda, são associar o liberalismo a capitalismo selvagem, á negação de politicas sociais e á “exploração do homem pelo homem”.

A ideia que pretendem vender é simples e até razoável, não fora assentar em falsos pressupostos:  que tudo é deixado á liberdade individual, que  o Estado não tem qualquer tipo de intervenção legitima, que o interesse próprio de cada individuo legitima a sua atuação e se sobrepõe aos interesses da sociedade, que não há lugar a proteger os mais fracos e a promover politicas sociais.

Até pode ser que alguém pense assim e se julgue um liberal. Há muitos liberalismos como há muitos socialismos e outros ismos.

O liberalismo, enquanto corrente,  assenta em pressupostos muito diferentes. Sendo, os mais essenciais, aqueles que defendem as liberdades individuais que não ofendem terceiros. Deixando ao Estado a obrigação de atuar quando é necessário. E só nessa circunstância se pede e exige que o Estado intervenha: o principio da subsidiaridade deve aplicar-se. Ora estes pressupostos, não apenas permitem mas obrigam á intervenção do Estado em muitas e variadas áreas. Da qual vamos focar apenas uma, a Economia.

A ortodoxia económica liberal, identifica claramente que o mercado e a liberdade dos agentes económicos é , de longe, o sistema económico mais eficiente. A liberdade individual permite, adicionalmente, ganhos adicionais ao desenvolvimento do cidadão. Mas também identifica patologias do mercado que compete ao Estado combater. É por isso  extenso o rol de exigências que um liberal impõe ao estado: correção de externalidades, regulação,  proteção da concorrência e atuação ativa em todas as falhas conhecidas de mercado . O que obriga a que um liberal não apenas seja adepto de Friedman mas também seja  Keynesiano. Ao contrario do que normalmente também é ventilado, as doutrinas de Keynes , não é uma “licença para matar” e intervir, em qualquer circunstância, pelo estado.

É pois ridícula a recorrente piada de mau gosto de que os Liberais são Estatistas quando as dificuldades apertam. O que se passa verdadeiramente é que os Liberais percebem, aceitam e exigem que, quando vem um maremoto, que impede o mercado de funcionar, lançando-o nas circunstâncias que Keynes descreveu ( na década de 30 ), se devam usar os instrumentos económicos preconizados, testados e validados, para evitar uma catástrofe prolongada. É exatamente em circunstâncias como a da pandemia  atual que se devem usar medidas de apoio e expansão por parte do Estado.

Alguns países, como a Alemanha, porque usaram no passado de contenção de medidas orçamentais, estão agora em condições ótimas para saírem mais rapidamente de uma crise e terem folga para reduzir ao mínimo a violência do impacto do sofrimento da sua população. Outros países, como Portugal, porque usaram políticas orçamentais injustificadas, estão agora numa posição frágil para enfrentar a crise, dependendo quase exclusivamente das ajudas Europeias para mitigar os cruéis efeitos da enorme depressão que ai vem.

Os Estatistas, porque exorbitam e não compreendem Keynes, gastam normalmente  mal e extemporaneamente os recursos produzidos pela sociedade. E quando chegam  momentos difíceis, não têm os meios para combater o sofrimento que sobre ela se abatem. É o caso Português: os Estatistas meios falidos e impotentes, o caso quase universal. 

 

 

PS: Esse é o drama de Portugal. Como os Estatistas nunca  admitem que o Estado tem limites á sua atuação, estamos a fazer de conta que existe capacidade para acudir á catástrofe económica e , em simultâneo, tentar conviver com infeções zero, que parece só ser possível com confinamento absoluto. Uma impossibilidade que conduz ao desastre. 

 

Filomena Martins versus Jorge Torgal

por henrique pereira dos santos, em 28.06.20

De vez em quando entretenho-me a ouvir os comentários diários de Filomena Martins sobre os números diários da covid que acho do mais divertido que existe nesta matéria, sempre gostei de non-sense em estado puro.

Só que Filomena Martins não é uma pessoa qualquer, é directora-adjunta do Observador.

Vou saltar por cima da opção editorial do Observador de pôr um jornalista a fazer comentários sobre números que é incapaz de interpretar em vez de pedir a alguém que perceba do assunto para fazer esse comentário - os jornalistas deveriam estar a fazer notícias, não vejo razão para passarem o tempo a fazer comentários para os quais não têm nenhuma preparação específica - e concentrar-me neste comentário, a partir do minuto 7.58. Note-se que dizer generalidades a partir de coisas sobre as quais não tenho preparação é o que faço aqui no blog, mas eu não tenho responsabilidade nenhuma, toda a gente que me lê sabe as limitações do que escrevo e consegue distinguir os assuntos sobre os quais sei mais, daquelas em que digo mais asneiras ou coisas mais imprecisas.

O que tem de interessante este comentário de Filomena Martins é que a jornalista que lhe faz perguntas refere explicitamente esta entrevista de Jorge Torgal em que comenta os mesmos números que Filomena Martins comenta.

André Dias, numa das várias trocas de mails que vamos fazendo (estive em férias no Facebook e portanto não tenho acompanhado o que por lá se passa, no principal canal de comunicação do André), chamou-me a atenção para esta outra entrevista de Jorge Torgal, também recente (ver a partir do minuto 40) que tem, em grande parte, as mesmas ideias da entrevista do Observador, mas em alguns aspectos, de forma mais clara.

Nesta entrevista à RTP3 Jorge Torgal diz uma coisa que ainda não me tinha ocorrido: no próximo Inverno, quando chegarem as constipações e gripes, vai ser bastante difícil gerir a percepção das pessoas das várias doenças, incluindo Covid, já que os sintomas são muito parecidos (por exemplo, digo eu, não Jorge Torgal, todo o mecanismo de separação covid e não covid no atendimento das urgências corre o risco de ruir às mãos das constipações e gripes que não se deixam distinguir facilmente da covid, na maior parte dos casos, pelo menos para as pessoas comuns).

Filomena Martins, que é uma jornalista que não sei se será especialista em saúde (não me parece, pela sua apresentação no Observador), resolve falar, falar, falar, sem dizer grande coisa, para não responder directamente ao que lhe é perguntado: como justifica o seu alarme face aos números da covid quando Jorge Torgal diz que os números em Lisboa mostram uma situação banal?

No pouco que acaba por dizer, essencialmente a sua justificação é a de que Jorge Torgal, médico, dermatologista com uma carreira inteiramente dedicada à epidemiologia e saúde pública, com formação e experiência no assunto, não está a perceber nada dos números, ao contrário de Filomena Martins, jornalista de generalidades.

Note-se que não tenho a menor simpatia por argumentos de autoridade e acharia normal se Filomena Martins questionasse os argumentos de Jorge Torgal (que são fortes, apresentando o contexto dos números, relacionando-os com outras doenças, articulando vários indicadores, etc., mas são evidentemente questionáveis), mas não, não é isso que Filomena Martins faz, o que faz é um processo de intenções - isto é tudo uma questão de perspectiva e Jorge Torgal quer é tranquilizar as pessoas, como as autoridades, e por isso diz o que diz - para concluir que Jorge Torgal (e todos os que não alinham no alarmismo de Filomena Martins), não tem a menor noção da realidade.

Uma demonstração fabulosa do jornalismo dominante, que jamais deixará que os factos influenciem o que o jornalista escreve ou diz.

Adenda, por causa de uma referência de Jorge Torgal, em que, aliás, acho que está a ser um bocado demagógico, fui ver os números da Nova Zelândia, aquele país em que a primeira ministra foi muito gabada por ter controlado, no fim do Verão, uma doença que será mais do meio e fim do Inverno. De facto, durante muitos dias não era detectado nenhum caso, a não ser um ou outro esporádico e com internalos grandes. Mas, na última semana, tem havido casos todos os dias, embora em número irrisório (2 ou 3, houve um dia em que foram quatro). O pico da época gripal na Nova Zelândia varia, mas o mais frequente é ser entre Julho e Agosto. Lá para Setembro ou Outubro teremos uma ideia mais clara sobre se a Nova Zelândia realmente venceu o vírus, como é frequente ouvir-se, ou se está na mesma situação que os outros: o vírus está em circulação e vai tendo flutuações, sendo provável que ocorram picos em circunstâncias que ainda conhecemos mal, bem como épocas de acalmia. A dimensão desses picos varia muito geograficamente, e ainda não sabemos bem que factores explicam essas variações.

Não é o PS, é o Regime

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.06.20

Um comentador do Corta-fitas enviou-me um artigo do observador que  me tinha escapado, e que poderá consultar, aqui

 O seu autor, Pedro Caetano, denuncia violentamente o que considera ser  o nepotismo e o domínio do aparelho do partido socialista, por uma “elite” . Subvertendo o sistema democrático. Promovendo pessoas sem competência. Sendo responsável ultima pela mediocridade nacional.

Nada de novo, mesmo que o autor seja membro do partido socialista há mais de 30 anos e de nada indiciar que necessite de qualquer patrocínio político para a sua vida.

Concordo com a generalidade dos comentários feitos por Pedro Caetano.

A única ressalva que gostaria de fazer é que, se substituirmos  o PS pelo PSD, o texto continua a fazer sentido.

O problema em Portugal não é o PS. É um regime que tem que ser alterado estruturalmente e que não dá as melhores respostas aos problemas da população. Partidos como o Bloco de Esquerda e o  Chega, são respostas de cidadãos á beira de um ataque de nervos, que continua a crescer em números.

Os 45 anos de Abril já provaram que , o que temos, não presta.

 

PS: Uma regeneração do sistema seria o mais desejável. Se não acontecer, poderá redundar numa verdadeira revolução.

Domingo

por João Távora, em 28.06.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: Não perderá a sua recompensa».


Palavra da salvação.



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