Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
As reformas são para políticos aborrecidos

Como pode uma pequena frase encerrar toda uma teoria sobre a prática política? A resposta encontra-se no último parágrafo.

Wolfgang Münchau, que assina a coluna de opinião sobre assuntos europeus do Financial Times, é o mesmo que já chamou a Barroso "o caniche de Angela Merkel" e que, nas vésperas da bancarrota portuguesa, escreveu que "não se pode gerir uma união europeia com gente como o Sr. Sócrates".

Mas Münchau é um analista a ler com atenção por motivos que vão para além do seu talento para os sound bites ocasionais. Este fim de semana, sobre as eleições francesas, a propósito de Sarcozy, fala de reformas, políticas e estruturais, e como (não) fazê-las.

"Sarcozy não se parece com um presidente, fala como um presidente ou age como um presidente. Mas há uma razão maior para que mereça ser rejeitado. Venceu a campanha de 2007 com a promessa de ambiciosas reformas ecónomicas, era um dos poucos políticos europeus eleito com um mandato para grandes mudanças e falhou, pelo motivo que já se tinha tornado aparente durante a campanha de 2007: foi hiperactivo. 
As reformas são para políticos aborrecidos
".

(Publicado originalmente aqui).

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publicado por Zélia Pinheiro às 14:15
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Domingo, 22 de Abril de 2012
Tribunal Constitucional, somas e subtracções

O problema do extraordinário caso da indicação de Conde Rodrigues para o Tribunal Constitucional é que há demasiadas razões que impediriam que alguém com o seu perfil fosse sequer cogitado para o lugar. E são tantas as razões que a sua adição produz um resultado complexo e o total é superior à soma das partes. Como os chumbos a matemática são uma realidade bem conhecida do quotidiano nacional, estão criadas as condições para perceber a confusão gerada. Mas tentemos simplificar.
A primeira razão é a da competência: Conde Rodrigues é indicado como candidato na qualidade de magistrado, quando não exerce a magistratura há seis anos e só a exerceu durante um ano e meio, num tribunal de primeira instância. Não li nenhuma das doutas decisões que terá produzido na sua passagem pelos tribunais administrativos, mas parece evidente que não reúne a experiência técnica exigivel a um juiz de um tribunal que é no nosso Direito o órgão supremo de fiscalização da constitucionalidade das leis.

A segunda razão é a da ética política e respeito pelo princípio da separação dos poderes: as actividades que Conde Rodrigues desempenhou nos últimos seis anos são funções políticas,  já que exerceu o poder executivo até há poucos meses como secretário de Estado da Justiça. Sendo o Tribunal Constitucional um órgão judicial - sublinhe-se, judicial - que é chamado, entre outras coisas, a fiscalizar preventivamente a constitucionalidade das leis aprovadas pelo Governo, no que a sua actividade tem inevitáveis efeitos políticos, é fundamental para a sua saúde e credibilidade que não se promova activamente a sua politização com a indicação de juízes de perfil demasiado partidário.

Confesso que não consigo perceber como é que o PS conseguiu escolher Conde Rodrigues, contra estes dois óbvios argumentos. A menos que, voltando à matemática, se entenda que os dois se anulam reciprocamente. A falta de competência de Conde Rodrigues é compensada pela sua incompatibilidade para a função, ou vice-versa. Mas admito que o problema seja meu, que ainda aprendi a fazer contas antes do acordo ortográfico.


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publicado por Zélia Pinheiro às 23:44
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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
O mecenato cultural em debate na RTP2

A cultura é "um  _____, de _____ e de _____, de _____ e de ______ e um ______ que se vai basear imenso na ______e na _____" (António Gomes de Pinho, presidente da Fundação de Serralves, RTP2).


Preencha os espaços vazios:

  1. 
criatividade

  2. factor estratégico

  3. inovação

  4. novo paradigma

  5. identidade

  6. coesão nacional

Nota: algumas palavras poderão ser utilizadas mais do que uma vez.


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publicado por Zélia Pinheiro às 01:31
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
2011: Coisas inesquecíveis ouvidas na TV e arredores

"A 'Three Gorgeous' vai assinar amanhã o contrato de compra da participação do Estado na EDP" (Mário Crespo).

 

"O ministro das Finanças não tem qualquer visão sobre como é que o país se há-de desenvolver, e tal" (António Costa, Quadratura do Círculo).

 

"A Europa não está a ser séria. Andam todos a fazer cada qual o seu joguinho. Os holandeses são capazes de vender a mãe se lhes pagarem bem. Os suecos julgam-se superiores. Os noruegueses (...), um rapaz que fazia Pilates comigo, foi à Noruega, deixou lá o curriculum e já o chamaram (...) O Sarkozy-Cosifantuti... é mau para os países terem líderes ridículos" (Raul Rosado Fernandes).

[Silêncio] "Deixe-me fazer-lhe uma ultima pergunta" (Ana Lourenço).

(...) "Eu conheci a Thatcher" (RRF).

"Um bom Natal" (AL).

 

"Aos 40 percebi que era imortal" (Diogo Infante).

 

Dou 13 à cimeira” (Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a cimeira europeia).

 

[Um homem que se] "passeia pelos salões dos poderosos, come pastéis de bacalhau na leitaria da esquina, frequenta seminários académicos, bebe um refresco em locais imagináveis e trata por tu grandes e pequenos" (António Barreto, sobre Gonçalo Ribeiro Telles).

 

"Já é uma tradição nas cimeiras dos países mais ricos do mundo" (Luís Delgado, sobre a presença de estrangeiros na manifestação da Assembleia da República).

 

"Christine Lagarde é uma encantadora, uma sedutora" (Braga de Macedo).

 

"Portugal não é monótono" (António Barreto).

 

(Continua) )

 



publicado por Zélia Pinheiro às 13:02
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
"Greve geral" e "empresas públicas"

O conceito de "greve geral" é uma degeneração da ideia de greve. A greve faz sentido se for particular e por motivos económicos, ligados à realidade de cada empresa, e não geral e politicamente motivada. Mas a "empresa" pública sustentada não por lucros mas por impostos e avais do Estado - e são os trabalhadores dessas "empresas" que fazem esta greve, é bom recordar - também é uma degeneração do conceito de empresa.


Só falta decidirmos de que lado do espelho é que queremos estar.



publicado por Zélia Pinheiro às 13:41
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011
A lógica invertida da televisão pública

Um excerto do debate na comissão parlamentar, em que o presidente da RTP responde a uma pergunta de Adolfo Mesquita Nunes sobre os custos da televisão pública na sequência do novo plano de reestruturação da empresa. Registo o exemplo da perfeita inversão de conceitos que contamina o "debate" sobre a RTP que ocorre por volta do minuto 5: Oliveira da Costa,  depois de num curioso aparte nos informar que "como gestor gosta muito de ter numeros que permitam o benchmarking das suas operações", lamenta a perda anual de 114 milhões sofrida pela RTP em resultado das restrições de publicidade a que está sujeita, considerando a gestão da televisão do Estado inteiramente por referência às lógicas dos operadores privados que lhe deviam ser alheias.



publicado por Zélia Pinheiro às 12:53
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2011
Pensamento do dia


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publicado por Zélia Pinheiro às 10:34
editado por João Távora às 10:51
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
Professores que não falam todos os dias

Uma opinião a ler hoje com atenção é a de Jorge Miranda, no Público, sobre os CTT e a RTP: "Contesto a privatização dos CTT, por causa do serviço público essencial que desempenha, presente nos lugares mais recônditos do país (que, muito provavelmente serão abandonados por quem os vier a tomar) e desempenham esse serviço com elevado nível, com excelentes instalações e dando lucros", escreve Miranda, acrescentando que nos Estados Unidos e no Brasil o serviço de correios está constitucionalmente reservado ao Estado.

Sobre a RTP, é lapidar: "apoio a privatização da RTP que em nada se distingue, para melhor, das outras estações de televisão. Sabendo-se que os proprietários se lhe opõem, ao que parece por temerem a concorrência na publicidade, o que aqui vier a ser decidido será esclarecedor sobre se prevalecem esses interesses ou a autoridade do Estado".

Há professores que, quando falam, dizem alguma coisa.


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publicado por Zélia Pinheiro às 09:48
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
Dez anos é muito tempo

Portugal (...) has had just 0.5% GDP growth over the past decade in spite of the large increase in government spending. Our calculations suggest that wages (which are half of GDP) need to fall 5-10% and that is bad news for GDP. Indeed, we believe that Portugal’s trend rate of growth excluding the government sector is negative and this of course makes the fiscal arithmetic much harder.

 

É claro que, dirão alguns, isto é só a opinião de Andrew Garthwaite, um analista de um banco suiço citado num jornal  "suspeito", mas se bem entendo,  encontra explicação para a nossa descida de rating no facto de termos tido uma década de crescimento económico zero, ao mesmo tempo que a despesa pública aumentava enormemente.

Estamos, portanto, a começar a pagar a factura de uma década de políticas económicas falhadas, pois a tal despesa pública que era suposto "defender a economia", afinal parece ter contribuido para a afundar.

A julgar pela análise de Garthwaite, isto será mesmo apenas o começo, pois também sugere a necessidade de promover cortes salariais de 5% a 10% e aposta numa tendencia de crescimento negativo para Portugal e em consequentes dificuldades acrescidas para o reequilibrio das finanças pela via da receita fiscal.



publicado por Zélia Pinheiro às 16:14
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Domingo, 19 de Junho de 2011
Há desilusões felizes

Reflexões de Domingo: o novo Governo é feito de pessoas reais, competentes e trabalhadoras e não de mitos que permitam alimentar ilusões de que este Governo vai "salvar a Pátria". Isto é muito bom, porque a Pátria nunca seria salva por quaisquer governantes. Vamos ser todos e cada um que nos vamos salvar a nós próprios, se o soubermos fazer.
Somos nós que temos que salvar-nos da incompetência, da preguiça, da desqualificação, do laxismo, do facilitismo, do porreirismo e de todos os vícios colectivos que são a soma das nossas faltas individuais. Do Governo só devemos esperar e exigir que façam bem feita a parte deles, e não a nossa parte.



publicado por Zélia Pinheiro às 20:34
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011
Deitados por uma causa

 

Parece que o movimento de protesto em Madrid se chama "os indignados". Será que o movimento de Lisboa são "os deitados"?

 

Foto: Pedro Cunha Público



publicado por Zélia Pinheiro às 23:44
editado por João Távora em 14/06/2011 às 11:08
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