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Ir ao Encontro...

por Vasco Mina, em 12.02.17

Lancamento Livro.png

 

O encontro com o outro é o que marca uma vida mesmo quando tal não acontece. Ir ao encontro do outro é o valor que acrescentamos nas nossas vidas. Ontem, o João Távora veio, uma vez mais, ao encontro comigo e com todos aqueles com quem ele procura encontrar-se. Escrevo sobre o lançamento do livro “Crónicas Moralistas” no qual o João reúne uma seleção de textos que escreveu entre 2013 e 2106. Lá encontrei a sua mulher, os seus filhos e enteados, os irmãos, os familiares, os amigos de sempre, o padre, os companheiros da política, os monárquicos, os companheiros de bancada do futebol… todos ao encontro com o João Távora. O livro foi apresentado por Pedro Mota Soares, Eduardo Cintra Torres e o cónego Carlos Paes e com eles o convite à leitura das crónicas, o que é o mesmo que dizer ao encontro da leitura da Vida que o João partilha com o outro. Ler as suas crónicas é saborear a elegância de uma escrita e, sobretudo, mergulhar nos valores que o fazem correr. É mais do que o sonho que comanda a vida, é a própria vida que caminha ao sabor do sonho.

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Capas do "i"

por Vasco Mina, em 19.01.17

Há capas dos jornais que falam por si e sem serem necessários comentários adicionais. Apenas recordar que Nuno Godinho de Matos é fundador do PS e foi administrador não executivo do BES na era Ricardo Salgado. Deu em 2014 uma entrevista ao "i" que aqui pode, em parte, ser consultada. No célebre debate televisivo entre António José Seguro e António Costa o ainda Secretário Geral do PS considerou o referido fundador do PS como exemplo da "promiscuidade total entre o sistema financeiro e o sistema político". Os apoiantes de Costa atacaram violentamente estas afirmações de Seguro que poucos dias depois seria derrotado pelo atual Primeiro Ministro. Nuno Godinho de Matos foi apoiante de Costa em Lisboa mas parece que já se arrependeu, segundo entrevista ao "i" em Janeiro de 2016, de nele ter votado nas legislativas.

 

Nuno Godinho de Matos.png

Capa I Ricardo Salgado.png

 

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Uma das grandes vantagens da Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD (convém lembrar que foi iniciativa de Passos Coelho e muito contestada pelo PS) é a informação prestada por todos os envolvidos, ao longo dos anos, nos processos deste banco. Pouco importa se teremos, ou não, conclusões mas ficamos a saber como foram tomadas algumas das decisões que geraram concessões de crédito que todos nós pagaremos e bem caro. Vale a pena ler as declarações de Teixeira dos Santos que diz exatamente o contrário do seu antecessor Luis Campos e Cunha. Claro que Sócrates nega tudo. Cada um que tire as suas conclusões mas fica para o anedotário a afirmação de Teixeira dos Santos a propósito daquilo considerou como “coincidência” a indicação dos nomes  de Vara e de Santos Ferreira: “são da minha responsabilidade. Foram uma decisão minha que transmiti ao primeiro-ministro.” E para cereja em cima do bolo no que à escolha de Vara diz respeito: “Fez carreira na Caixa, era diretor. tinha conhecimento dos cargos de direção da Caixa e capacidade de liderança. Fazia a ligação entre a administração e a Caixa e sinalizava que os quadros da Caixa poderiam chegar à administração”.

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Mário Soares e a Imprensa

por Vasco Mina, em 08.01.17

Capa DN Mario Soares.png

 

Capa Publico Mario Soares.png

 

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O Correio da Manhã é o jornal com maior números de tiragens. Ou seja é o jornal preferido pela grande maioria dos portugueses e, de alguma forma, reflete a relevância dada pelo povo à política e aos políticos portugueses. 

 

 

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A Paz e a Não-Violência

por Vasco Mina, em 01.01.17

Em Dezembro de 1967 o Papa Paulo VI exortou todos os homens e mulheres, de todos os povos e de todas as religiões, a celebrar o “Dia da Paz” e assim o  01 de Janeiro de 1968 se tornu o primeiro Dia Mundial da Paz. Quase cinquenta anos após, o texto da exortação permanece atual e na Mensagem para este ano 2017, o Papa Francisco assim o assinala. Falar e escrever sobre a Paz é quase um cliché ou mero wishfullthinking. Quem não é pela Paz? A questão central não é, pois, ser contra ou a favor, mas sim qual o caminho. Sim, a Paz resulta de uma construção! O Papa Francisco salienta a não-violência: “Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais”. E acrescenta:  “possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas”. Menciona ainda testemunhos notáveis da não-violência como foram Madre Teresa, Martin Luther King, Mahatma Gandhi e o Papa João Paulo II. Termina com um desafio para cada um de nós: “Todos podem ser artesãos da Paz”.

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Desejos e “New Year’s Resolutions”

por Vasco Mina, em 31.12.16

A tradição em Portugal, na noite de hoje,  é comer  12 passas e associar um desejo a cada uma delas. Não só no nosso país mas em muitos outros de cultura e língua latina, é o desejo que marca as intenções individuais e coletivas. Nos países de cultura anglo-saxónica a tradição é algo diferente, ou seja, as intenções são marcadas por um (ou vários) propósitos e daí a expressão “New Year’s Resolutions”. Generalizando (e assumindo as injustiças que as generalizações comportam) os latinos exprimem sonhos e os anglo-saxónicos manifestam empenhos. Recordo a velha expressão de JF Kennedy: Antes de perguntares o que pode o teu país fazer por ti, pergunta primeiro o que podes fazer pelo teu país”. Sou latino com muito orgulho e por isso desejo a todos um Feliz Ano Novo e partilho a minha decisão (no que à política diz respeito) para o ano que amanhã se inicia: escrever mais e contribuir, com mais conteúdos, para a leitura dos acontecimentos políticos que nos acompanharão a cada dia.

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Acolhimento e Santo Natal

por Vasco Mina, em 23.12.16

A agenda vai ficando carregada e estamos em pleno Advento com o dia de Natal cada vez mais próximo. Concerto de Natal em favor de uma associação que apoia os mais desfavorecidos, noite de fados para apoiar outra obra, jantar de Natal da empresa, encontros de amigos, reuniões familiares, compras por fazer… Muita azáfama mas… e o Natal? Eis que por via desta nova forma de comunicação que é o WhatsApp me chega o seguinte diálogo:

Luísa: Vai chegar, no dia 20, uma família da Síria. Temos uma casa que nos foi cedida e precisamos ainda de candeeiros, talheres, cesto e tabuleiro para roupa, aspirador, utensílios de cozinha, caixas parra arroz e massa, balde com esfregona,…

Antónia: Ofereço os candeeiros. Onde se entrega?

Marta: Tenho cestos de roupa cá em casa. Ofereço.

Jaime: Dou o aspirador       

Teresa: Luísa, tenho imensa roupa das miúdas. Será que vão necessitar?

 

O diálogo assim foi continuando e até dia 20 se encontrarão soluções para as necessidades de acolhimento desta família que chega. Vêm de um país destruído pela guerra, arriscaram as vidas na viagem de fuga e foram parar a um campo de refugiados na Grécia. Sabe-se pouco ou nada sobre eles mas, na verdade, o que importa é que chegam até nós. O que podemos fazer por eles é a questão que nos é colocada neste Natal. Olhando para o Presépio que nos recorda o Nascimento de Jesus fica também outra pergunta: o que posso fazer por este Menino?

Jesus nasceu para nos acolher e até nos disse que sempre que acolhêssemos os mais pobres seria a Ele quem acolheríamos. No meio das múltiplas tarefas típicas deste período do ano, nas quais muitas vezes perdemos o sentido profundo do Natal, talvez que o gesto mais básico seja o acolhimento. Acolher quem? Aqueles que nos batem à porta! Mas quem são? Não importa! Como fazer? Basta estar atento!

 

Votos de um Santo Natal para todos aqueles e suas famílias que aqui nos visitam no Corta-Fitas!

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Ser Ministro é um problema

por Vasco Mina, em 21.12.16

Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix foram, à direita, dos mais duros críticos da medidas económicas e financeiras implementadas pelo Governo de Passos Coelho. Não faltaram as críticas destes dois destacados economistas às medidas impostas pela troika e à obsessão pelo défice. Agora que decorre, na AR, o inquérito à CGD e os mesmos são confrontados com o que fizeram no passado, então ou não respondem (caso de Ferreira Leite) ou, como acontece com Bagão Félix, reconhece que era contrário à medida (transferência do Fundo de Pensões da CGD para a CGA) mas, como bom comentador futebolístico, chutou a bola: “Já estava previsto que fosse transferido". Mais, assumiu que "na altura, o procedimento por défices excessivos era impiedoso". E no Governo de Passos não era? Se era contra uma medida que permitiu salvar as contas públicas do tal procedimento, porque não se demitiu? Ser comentador é fácil, ser Ministro é um problema!

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Os Pobres de Estimação

por Vasco Mina, em 11.12.16

Li, há muitos anos, o Livro “Peregrinação Interior” de António Alçada Baptista. Nesta obra, autobiográfica, o autor descreve, ente vários outros temas, a sua relação com a Fé e como esta caminhou ao longo da sua vida; o testemunho partilhado no livro marcou-me muito na altura e várias foram as reflexões que ainda permanecem na minha memória; uma destas refere-se à forma como a sociedade (no caso, as senhoras de famílias abastadas da Covilhã) tratava a pobreza e em concreto aqueles viviam nesta realidade e, neste contexto, encontrei a expressão “pobres de estimação”; o autor destacava, com muita ironia, a “defesa” que cada senhora fazia dos pobres que cuidava e depois discorria uma reflexão sociológica que vale a pena ler e por isso sugiro a leitura do livro. Tudo isto a propósito de uma entrevista de Maria Filomena Mónica (MFM) ao Público em que fala quer do livro “Os Pobres”, que recentemente publicou, quer sobre a sua relação com os pobres. É interessante ler (Maria Filomena Mónica é uma brilhante investigadora) a perspetiva das elites da esquerda sobre a pobreza e, sobretudo, sobre a forma de lutar contra esta situação em que muitos se encontram. Não li ainda o livro e por isso escrevo a partir da leitura da entrevista. Nesta, a autora refere que “em Agosto de 2014, pela primeira vez desde há muitos anos, dei uma esmola (um euro) a um pobre” e acrescenta que “provavelmente, o que me fez abrir a carteira foi ter chegado à conclusão de que, após um interlúdio a seguir à revolução, tínhamos voltado ao cenário atroz da miséria”. Ou seja e para a esquerda (sim, Maria Filomena Mónica sempre se assumiu de esquerda), a miséria terminou com a Revolução e reapareceu nos anos da recente crise e em resultado das medidas da troika. Por outras palavras, a pobreza (para a esquerda) é resultado das políticas quer do Estado Novo quer dos governos que se sujeitam às imposições do FMI. Não por acaso a pobreza em Cuba é explicada, pelos movimentos de esquerda, como sendo resultado do embargo económico americano e não pela política revolucionária de Fidel. Para todas estas abordagens, a leitura histórica parte de teses (tal como acontecera com os Românticos) e depois procuram-se factos que as suportem. E a tese é a de que as políticas de esquerda eliminam a pobreza e a as políticas de direita (a que agora apelidam de neoliberais) conduzem as populações à miséria. Mas regressemos à entrevista e para Maria Filomena Mónica “o que falha em Portugal não é apenas o Estado, mas a Igreja, as classes altas e até os pobres”. As elites de esquerda consideram sempre (está na essência do seu posicionamento ideológico) a Igreja como uma das principais responsáveis da miséria das populações e por isso (seja a propósito ou despropósito) malham em grande nos católicos; curiosamente, no mesmo artigo do Público, é relatado um caso (acompanhado por MFM) em que um jovem desprotegido consegue apenas apoio numa instituição católica (a Casa do Gaiato) mas desde logo apelidada pela jornalista (suspeito que também de esquerda) de vetusta; antiquada ou não, a verdade é que foi numa instituição da Igreja que o tal rapaz teve apoio; não se percebe qual o apoio dado em concreto pela Investigadora mas apenas que recebe cartas do rapaz nas quais informa que está a tirar um curso de fisioterapia. As elites de esquerda nunca assumem qualquer responsabilidade nos males do Mundo pois, para elas, as responsabilidades são sempre dos outros. Também a responsabilidade de contribuir para a solução dos problemas compete, em exclusivo, aos Estados. Não por acaso a participação de cada um (seja a nível individual seja a nível coletivo) nunca é defendida (e muito menos aplaudida) pois é sempre vista como uma presença ou da Igreja ou de qualquer outra atitude burguesa com aspeto social. Um exemplo do que escrevo é o Banco Alimentar que é sempre, mas sempre, criticado pela esquerda. Outro exemplo disto é também contado aqui por MFM no seguinte episódio: “tendo notado que em minha casa existia um armário com objetos a que as minhas netas já não ligavam, decidi oferecer o espólio ao infantário local. Num gesto altruísta, fui até à junta. Por detrás do balcão, duas meninas olhavam as moscas voando sobre as suas cabeças. Expliquei-lhes ao que ia. Que não, a junta não recebia brinquedos para os meninos pobres. Se o desejava fazer, que fosse ao infantário, algures no bairro. Respondi-lhes que ou elas aceitavam os brinquedos ou os deitaria no primeiro caixote do lixo. A ameaça deixou-as indiferentes, pelo que os objectos acabaram num contentor.” Ou seja, ou o Estado intervém ou de nada adianta a ajuda!

Regressando à expressão “pobres de estimação”, temos que a mesma se aplica também para a nossa elite de esquerda. Apenas com uma ligeira diferença: nos tempos das elites do Estado Novo, os pobres não eram objeto de estudo académico e apenas recebiam uma míseras esmolas (mas lá iam recebendo qualquer coisa). Nos tempos das elites de esquerda ou Estado protege ou então nada para os pobres.

Vou ler o livro pois, academicamente (não confundo posicionamento ideológico com trabalho sério de investigação), será uma obra imprescindível para todos aqueles que prestam atenção aos problemas da pobreza.

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Barrigas Aluguer.png

“Portugal pode tornar-se numa ilha na Europa para quem decidir recorrer à gestação de substituição conhecida como barriga de aluguer”. Assim se inicia o artigo do Expresso ontem publicado na edição semanal impressa. Refere o artigo (cuja leitura se recomenda pois apresenta várias informações até agora desconhecidas) que a regulamentação em curso admite o acesso de cidadãos não residentes em Portugal. Ou seja, os casais beneficiários podem ser estrangeiros e a mãe gestante (a “barriga”) pode ser portuguesa ou vir com eles. Para além, da prova de infertilidade, o único requisito será a realização dos tratamentos em Portugal, num centro acreditado, com o contrato entre o casal e a gestante em português.  Portugal vai, assim, tonar-se um concorrente direto da Ucrânia e da Geórgia, países onde a gestação de substituição se encontra autorizada e sem restrições significativas. Mais, a Ucrânia tem já uma empresa  - a Successfull Parents Agency – que gere todo o processo e que, segundo o mesmo artigo do Expresso, engloba “as barrigas” disponíveis, a recolha de material genético dos pais, fertilização in vitro, implantação dos embriões, acompanhamento da gravidez, parto e questões jurídicas”. Será isto um negócio? Obviamente que sim! Em Portugal os dirigentes do PS, do BE e do PSD (sim o Presidente do PSD votou a favor) defendem que não, que tudo será numa base genuína de ajuda e sem qualquer pagamento à grávida gestante. Definitivamente e com a internacionalização da atividade, agora em fase final de regulamentação, fica a porta aberta para a mercantilização do corpo da mulher

 

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Lisboa e o PSD

por Vasco Mina, em 03.12.16

O PSD tem, desse as autárquicas de 2013, uma grande dificuldade em se afirmar em Lisboa. Recorde-se que nessas eleições (em coligação co o CDS-PP) apenas conquistou 5 das atuais 24 freguesias de Lisboa (recorde-se que nas eleições anteriores a mesma coligação tinha ganho 26 das 53 freguesias). O último candidato à CML foi Fernando Seara que, na altura, concluía 3 mandatos sucessivos em Sintra e que esteve meses a aguardar a confirmação da admissibilidade da sua candidatura (em virtude da polémica em torno do limite de mandatos autárquicos). Depois desta colossal derrota o PSD deveria ter construído uma alternativa a pensar nas eleições do próximo Outubro 2017; mas não, optou por não ser uma oposição permanente e contundente de Fernando Medina e ficou à espera de Santana Lopes. Conforme aqui referi, no Corta-Fitas, o atual Provedor da Misericórdia já tinha sido “geringonçado”  por António Costa. Após o necessário tempo para manter a sua notoriedade na praça pública (verdadeiramente fóbico nesta matéria) assume agora (não com surpresa) que não é candidato. A Distrital de Lisboa fica sem candidato e, pior, sem alternativa e a recusar o apoio a Assunção Cristas que, dadas as circunstâncias, seria a melhor solução para todos aqueles que se opõem a um município socialista. Os interesses pessoais e a pressão do caciquismo local vão levar o PSD ao suicídio político em Lisboa e, por junto, à não construção de uma alternativa não socialista. O mesmo já aconteceu em Sintra (recordam-se da colossal derrota de Pedro Pinto?) e em Oeiras (ao ponto de a Distrital de Lisboa ter recentemente contactado Isaltino Morais). Com esta estratégia fica garantida a vitória socialista em Lisboa!

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São necessários 900.000 imigrantes

por Vasco Mina, em 19.11.16

Quando li aqui esta notícia pensei que se tratava de uma deturpação de declarações do atual Presidente do Conselho Económico e Social, Correia de Campos. Mas não, ao ver o vídeo constatei que este destacado socialista considera mesmo serem necessários 900.000 (sim, é este o número) trabalhadores imigrantes para que Portugal consiga ter um crescimento em torno de 3%. Esta afirmação passaria bem ao lado se fosse feita por alguém com menores responsabilidades políticas mas sendo assumida por quem é obriga a ser questionada. Em que estudos e análises se baseia esta explicação sobre os recursos humanos necessários para um crescimento de 3%? O famoso Documento  "Uma década para Portugal" apresentado pelo então economista e hoje Ministro das Finanças Mário Centeno, apontava para um crescimento de 2,6% em 2016 e em resultado do aumento do consumo interno; ou seja bastaria dar mais rendimento aos portugueses para estes gastarem mais dinheiro e assim garantir uma economia a crescer. Em lado nenhum deste tal documento se refere a necessidade de contratar novecentos mil imigrantes. Ainda há dias se soube que no 3º trimestre o PIB cresceu 1,6% face ao período homólogo e, segundo a explicação oficial, à custa das exportações. Será que as empresas exportadoras conseguiram contratar 450.000 trabalhadores? Costuma dizer-se que a ignorância é a mãe de todos os disparates e por isso aconselho o Sr. Presidente do CES a estudar mais e melhor o assunto das migrações (vale a pena ver o vídeo) e assim evitar afirmações à toa e sem qualquer fundamentação.

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Até quando vão maquilhar as contas?

por Vasco Mina, em 28.09.16

Governo quer cortar dívida dos hospitais a fornecedores em 262 milhões até Dezembro

Assim se percebe a serenidade de António Costa em afirmar que alcançará a meta do défice de 2,5%. Talvez até inferior. Simples: basta não pagar a fornecedores. Na linha da sua mestre em política, Mariana Mortágua, basta perder a vergonha de não se pagar!

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A trapalhada das obras da segunda circular

por Vasco Mina, em 06.09.16

Segundo esta notícia publicada no dia 30 de Agosto, dava-se conta de um atraso explicado pelo próprio Presidente da CML: "A empreitada maior está em avaliação pelos serviços. O concurso está em fase de resposta por parte do júri a essas questões e aguardamos por essa resposta". As questões referidas tinham sido colocadas por três dos vinte e sete candidatos à realização da obra; segundo aqueles, por um alegado erro de cálculo no processo de definição da proposta vencedora. Note-se que esta seria a 2ª fase do projecto de requalificação daquela via e cujas obras deveriam arrancar em Outubro. Três dias depois, ou seja a 31 de Agosto, em conferência de imprensa, Fernando Medina anuncia a “ anulação do Concurso Público Internacional relativo à requalificação da 2ª Circular entre o Nó da Buraca e o Aeroporto bem como a suspensão da empreitada já em curso relativa à intervenção na 2ª Circular no troço entre o Nó do RALIS e a Avenida de Berlim.” Motivo: “o júri do concurso ter detetado indícios de conflito de interesses, pelo facto de o autor do projeto de pavimentos ser também fabricante e comercializador de um dos componentes utilizados".  Hoje, esta notícia do Observador acrescenta mais alguns pontos mas a confusão e a falta de transparência são por demais evidentes. Mas porquê toda esta trapalhada? Como aqui bem referiu o João Távora, Fernando Medina pressentiu “ que trágicas consequências daquelas obras na já precária mobilidade da cidade poderiam comprometer a sua eleição para a câmara”. Mais, a possibilidade de Assunção Cristas avançar com uma candidatura trará dificuldades acrescidas ao atual herdeiro da Câmara. É que pode alguém ser Presidente da CML por “herança” mas numa eleição o cargo não se herda – conquista-se!

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Amigos do Senhorio

por Vasco Mina, em 01.09.16

Os “amigos do senhorio” são uns pregos pequenos que provocam menores estragos às paredes dada a sua reduzida dimensão. O comércio de materiais da construção civil inventou esta designação para passar a mensagem de pregos suave (na linguagem moderna pregos light). Os buracos continuarão a existir, os senhorios serão sempre prejudicados mas cai bem (é simpática e politicamente correta) a expressão “amigos do senhorio”. Ora os partidos da geringonça inventaram agora uma nova versão: “o senhorio de cariz social”. Ou seja, pretendem o Governo e os seus aliados que sejam os senhorios os promotores de rendas baixas paras as famílias com menores rendimentos. Acenam com benefícios fiscais e seguros de renda para atrair tais senhorios mas começam (com muita amizade ) por prolongar o congelamento das rendas por mais cinco anos. Como aqui bem refere Vital Moreira é a privatização do estado social que agora é lançada por um governo socialista.

Estamos, assim, no arrendamento urbano, com a nova versão dos “amigos do senhorio”. Vale a pena ler o artigo da Helena Matos aqui publicado pois explica bem a natureza desta nova categoria socialista designada por “senhorio de cariz social”. Bem expressivo o título: Estão a gozar, não estão?

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O IMI e a cegueira ideológica

por Vasco Mina, em 30.08.16

IMI e BE.png

Percebe-se bem, com a imagem acima, a cegueira ideológica denunciada por Assunção Cristas. Como bem refere a dirigente centrista, “o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) está a tornar-se no imposto de eleição deste Governo…A cegueira ideológica e a preferência pela tributação do património está a chegar longe de mais!” Mas o BE refere também o Estado, os partidos políticos, os clubes desportivos,… Sim mas a prioridade é a Igreja e não por acaso a opção ideológica passou por uma imagem de Fátima. Também para o Governo a prioridade não passou por enviar as notificações ao Sporting, ao Benfica e ao Porto a questionar sobre a situação patrimonial destes clubes com a justificação sobre a isenção fiscal; não, o Governou optou pela Igreja e por isso, segundo esta notícia, “dezenas de paróquias estão a receber notificações do Ministério das Finanças para pagarem o Imposto Municipal sobre Imóveis relativo a bens e equipamentos que estão isentos pela Concordata”. A geringoça vive de acordos entre o PS e os partidos à sua esquerda e em tempos de grandes desafios negociais (o Orçamento para 2017 está aí à porta) António Costa tem de oferecer algo ao BE. Nada melhor para a cegueira ideológica dos bloquistas do que aplicar o IMI à Igreja!

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Santana e a geringonça

por Vasco Mina, em 29.08.16

A geringonça vai fazendo o seu caminho e vai até conseguindo a adesão de muitos daqueles de que se pensava que não estariam alinhados com o percurso de António Costa. Desta vez é Santana Lopes quem se rende ao encanto: "Vamos de geringonça em geringonça, construindo várias soluções um pouco surpreendentes. Há aqui uma marca indelével do primeiro-ministro. Parece haver ao menos a sua inspiração política de procurar construir soluções engenhosas". Para os que ainda esperam pela candidatura a Lisboa do atual Provedor da Santa Casa Misericórdia de Lisboa, será melhor procurarem outro candidato pois António Costa já conseguiu que Santana permaneça onde está. Esta sim uma verdadeira geringonça: manter a “chama viva” de um candidato que nunca o será.

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A criatividade fiscal neo-marxista do Governo de António Costa ficou bem patente nas alterações ao IMI. As contas da Administração Pública (não me estou a referir às maquilhadas apresentadas esta semana mas sim às reais) apontam para novas abordagens criativas. Vale a pena ver o sketch dos Monty Python pois ilustra bem o Taxation Way of Life socialista.

 

Monty Python.png

 

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A dialética socialista do Incumprimento

por Vasco Mina, em 24.08.16

Lembram-se do Cenário Macroeconómico apresentado ao PS por um conjunto de reputados economistas? Recordam-se que foi com base neste documento que António Costa e o PS se apresentaram como alternativa política e económica ao Governo PSD-CDS? Recentemente o Carlos Guimarães Pinto, o André Azevedo Alves e o Alexandre Homem Cristo apresentaram com muita clareza o balanço entre o que tinha sido projetado e aquilo que é hoje, nua e crua, a nossa realidade económica. Ontem, o economista e deputado do PS, Paulo Trigo Pereira, também ele um dos subscritores do citado Cenário Macroeconómico, apresenta a sua abordagem da situação económica e financeira do País. Começa humildemente por reconhecer o seguinte: “O crescimento económico é fraco há década e meia, não sendo por isso imputável nem a este nem ao anterior governo”. Assim sendo, por que subscreveu a tese de um crescimento de 2,4%? Ou seja, quando se é oposição (era o caso em 2015) então crescer é fácil e demonstrável num documento; quando se passa à governação, então o problema é do passado e resulta de uma observação estatística. Quanto ao défice apenas refere a única medida efetuada até agora pela governação socialista: ajustar, coma Comissão Europeia, a meta do défice. Ou seja, quando não se consegue pela via das reformas muda-se a meta. Muito ainda estaremos para ver o que vai ser feito nesta gin´sstica da meta variável. Sobre a dívida, o Deputado do PS reconhece, uma vez mais, que “enquanto permanecerem as necessidades de recapitalização da banca e das empresas públicas, não há forma de o seu peso no PIB diminuir”. Pergunta: mas não sabia isto quando redigiu o Cenário Macroeconómico? Porque projetou uma redução da dívida pública? É que a realidade dos números mostra, sim, um aumento da referida dívida. Não conseguindo explicar o porquê da diferença entre o projetado eo real, o Professor de Economia derrapa para a já conhecida dialética socialista justificativa do fracasso: “O terreno económico e financeiro é obviamente importante para o debate político, mas este não pode reduzir-se a crescimento económico, défice e dívida”; o que a seguir escreve é a habitual conversa da treta que já nem vale apena mencionar. O final do texto é, simplesmente, delicioso: do Governo aguarda a apresentação do Orçamento para 2017 e do PSD espera a apresentação de propostas alternativas e a definição do caminho alternativo. Mas, afinal, qual é o caminho da atual governação? É esta questão que o deputado socialista se recusa a explicar pois tudo o que foi apresentado no tal Cenário Macroeconómico se resume no seguinte: Incumprimento!

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Simples, estariam todos (Governo, partidos de esquerda, comunicação social, comentadores) a atirar pedras a Carlos Costa. Mas não, quem decide é Mario Draghi e até o Governo vai rever a lei bancária para recuperar alguns dos oito nomes rejeitados pelo BCE. É fácil bater em quem está desprotegido mas quando se trata dos que estão do lado da “Força” então toca a cumprir…

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