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E do aqueduto, ninguém quer saber?

por Vasco M. Rosa, em 05.06.17

Obra extraordinária ao tempo da sua construção, o aqueduto das águas livres, de Lisboa, é quase um símbolo da cidade, que H. C. Andersen desenhou na sua vinda a Portugal.

Está brutamente escurecido pela poluição rodoviária e urbana, embora a taxa turística pudesse ser usada para restaurá-lo (se CML e EPAL assim quisessem), mas pior ainda é que o passeio tão agradável que ali se pode fazer está fortemente condicionado a um horário de funcionalismo (das 10h às 17h30), quando deveria ter um horário de verão, permitindo visitas até ao pôr do sol, e estar aberto aos domingos e às segundas-feiras, que não está. E também fecha aos feriados, quando poderia ter visitantes.

Parece impossível, mas é verdade!

Se o Museu Gulbenkian, por exemplo, adaptou — e muito bem — o seu dia de fecho para captar visitantes logo após o fim de semana, obtendo rendimentos adicionais com isso, é da mais gritante incompetência o que ali se passa num monumento urbano único.

Nem sei mesmo em que condições se fazem actualmente visitas ou se no pequeno jardim de entrada há sequer condições adequadas (bancos, toldos, bebedouros, wc, informação histórica) para espera (não havia muito da última vez que lá fui), dado o limite de visitantes por percurso.

Sempre que olho para o aqueduto, desde perto de Sete Rios ou na descida para a avenida de Ceuta, não vejo passeantes nas faixas laterais, o que me surpreende, de facto.

Uma coisa parece-me certa — que alguém faça algo sensato por aquilo. Não custa muito...

Lisboa cidade de turismo? Enfim!...

 

 

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Balas que são bolas de sabão

por Vasco M. Rosa, em 05.06.17

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 O sr. ministro da cultura tem muito mais que fazer do que ir ao parlamento dar explicações ao Bloco de Esquerda, que se preocupa com o património cultural quando lhe dá jeito para fazer mais propaganda e obter sound bytes. De resto, não considera.

O PCP conseguiu fazer regredir projecto para o forte de Peniche, chantageando um compromisso que terá gastos públicos incontroláveis e difíceis de fixar, e agora Catarina Martins quer aparecer como defensora de algo que afinal deplora: templários?! Um domínio monopolista de vinha, olival e sal e outras coisas que serviu de financiamento a um expansionismo colonialista, esclavagista... Mas lá aparecem os bloquistas, com a mão na testa pesarosos com mais este atentado à cultura. Se não vamos rir, também não queremos chorar.

Entretanto, quando o senhor ministro se desviar dessas balas bolas de sabão, trate de ir ver a Biblioteca Nacional e os seus gravíssimos problemas — e já agora evite fotografias como a que aqui se publica.

Mais cedo ou mais tarde, em registo memória futura, pode calhar mal. Um homem de estado não dá o braço a figuras que o podem comprometer. Um homem de estado, nao um homem que está...

 

 

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O estranho caso dos danos causados por filmagens no convento de Cristo em Tomar (e dos gravíssimos riscos permitidos), e dos denunciados desvios de dinheiro na bilheteira desse monumento — uma tradição de anos, segundo consta! —, objecto de reportagem de Soraia Ramos, ontem na RTP, é tão chocante que espero que haja uma rapidíssima averiguação dos  factos e sua responsabilização, senão mesmo uma audiência parlamentar (se é que a política patrimonial e cultural passa por lá, em tempo de mínimos legislativos).

Mas além disso, seria vantajoso verificar que tipo de publicações são hoje disponibilizadas a turistas seja em Tomar, Alcobaça, Mafra e Batalha — para falar apenas nestes grandes monumentos portugueses.

Verificar, ler, comentar o grau de competência, ilustração e actualidade científica e linguística em que foram feitas e caso seja tudo uma desgraça pegada, produzi-las rapidamente, porque há na comunidade académica e museológica portuguesa gente bem capaz das melhores coisas.

O sr. ministro da cultura não pode fazer por merecer o cargo que aceitou? 

 

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Linguagem e abusos

por Vasco M. Rosa, em 03.06.17

No Diário de Notícias João Céu e Silva intitula comentário ao lançamento de livrinho de José Rentes de Carvalho com um título bombástico, que diz que o escritor «inicia cruzada pela homossexualidade transmontana».

Dito deste modo, dá impressão de que: há uma homossexualidade típica daquela região recôndita do país; que JRC assumiu finalmente, tardiamente a defesa duma liberdade que lhe é muito pessoal; que o cepticismo típico deste «velho sábio» deu em fazer dele um aventuroso espadachim de direitos íntimos.

Depois vai ler-se o que ele de facto disse e é só um aspecto a considerar, com a dignidade que merece, mas mesmo assim...

Deve ser duro e irritante para um escritor tão cuidadoso com o rigor das palavras ver-se enganado por esta tendência de fantasiar para captar a atenção de leitores que habitualmente viram páginas distraidamente, em folhas de papel ou ecrãs de tablet.

Para o jornalista, será um deslize como qualquer outro num mundo cheio de tantas palavras descartáveis (amanhã haverá muitas mais, e assim por diante). Mas que o não seja para todos nós, por respeito ao que merece ser respeitado!

 

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A defesa da cultura

por Vasco M. Rosa, em 02.06.17

Ninguém parece confrontar governo, municípios e instituições privadas sobre a precária, irrelevante  oferta de exposições permanentes que possam dar aos magotes de turistas um sinal de nós próprios, o país mais antigo da Europa.

Enquanto em outras capitais europeias a produção de grandes exposições chama visitantes, por aqui o que estes podem ver é muitíssimo fraco. E o que nós próprios podemos ver é «o costume»...

A agenda de museus no país é de indigentes.

A Torre do Tombo, por exemplo, não tem programa expositivo digno de registo, embora o seu espólio pudesse sugerir curiosidades, o Palácio de Mafra, um dos mais visitados, e em vésperas de tricentenário, também não, e salvo o MNAA não parece haver ideias, equipas motivadas, meios — é uma pobreza e uma incapacidade que dão dó.

E se isto é assim na capital, pois imagine-se o que será naqueles recantos de província aprazível onde é bom passear. O deserto cultural...

Uns são «alegres», outros «menos alegres». É isso, é só isso.

 

Leão.jpg

 

 

 

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Na próxima, todos!

por Vasco M. Rosa, em 14.05.17

Por causa da tolerância de ponto de sexta-feira passada, João Miguel Tavares escreveu no Público relatando o problema que isso constituiria para muitas famílias sem substitutos para deixar os seus filhos em idade escolar, e desafiou o primeiro-ministro a receber e entreter os seus filhos.

O desafio era retórico, porque teria de ser multiplicado por muitos milhares de casos. Mas AC preferiu brincar com tudo isso, recebendo as crianças e fazendo disso uma notícia e um cartaz da sua «agilidade para resolver problemas».

O quotidiano dum estadista — espera-se! — não deve ser algo comparável ao de uma sala de aula ou infantário, mas a infantilização de todos nós não é obstáculo para o chefe do governo. 

Vamos todos rir, sorrir e brincar, que o bom caminho se abrirá diante dos nossos pés. Muito simples!

No futuro, em situação análoga, sugiro que muitos milhares apareçam sem aviso à porta do senhor com os seus petizes. Afinal, um jornalista mediático não é mais do que um honesto padeiro, carteiro, contabilista, bibliotecário ou peixeira, cozinheira ou condutor de autocarro da carris. 

Contra essa discriminação positiva, marchar, marchar!

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A verdadeira revolução

por Vasco M. Rosa, em 08.05.17

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A actividade editorial de livros é hoje de alto risco económico, num país preso à televisão, ao facebook e ao futebol, mas também pouco consciente de si enquanto comunidade historicamente vetusta.

O imediatismo de tudo e os cuidados com a vida prática também pesam na redução do tempo mental de cada um para ocupações valorativas de longo prazo. E as bibliotecas com empréstimo domiciliário são fraca e tardiamente abastecidas e nunca se implantaram como um serviço público essencial, ao nível dos hospitais e dos transportes.

Deste modo, tudo está fora do seu lugar sem criar uma mola de desenvolvimento humano que também não é apetecido por quem cresceu a só ouvir reivindicações economicistas e a só exigir direitos colectivos, em vez de entender a importância dos deveres individuais.

Donde a equação de tudo isso represente uma deriva colectiva de difícil correcção, a menos que cada qual ponha a mão na consciência e mude de vida. Mas isso demora longos anos até dar prova de efectiva mudança geral, que ninguém parece querer — a vida material prevalecerá sempre.

Enquanto isso, é preciso força para contemplar sem desmurecimento a decadência nacional que políticos sem escrúpulos e mentirosos também promovem pelo seu exemplo às avessas, cientes de que a população está entretida com likes, sms e selfies e não se prepara para a verdadeira revolução que importa fazer: a da nossa qualificação rumo à liberdade.

 

 

 

 

 

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Ai não fica sem resposta...

por Vasco M. Rosa, em 07.05.17

O bizarro caso de Pizarro-Mendes no Porto é só o início das surpresas autárquicas do PS. Em Lisboa, revelaram fontes bem informadas ao CF (em primeira mão!!), num gesto sem precedentes nem tradições partidárias o nunca eleito presidente Medina vai ceder o seu lugar ao efectivo presidente arquitecto Manuel Salgado, o homem que realmente decide — desde Costa — na CML.

Nos bastidores do renovado pavilhão Carlos Lopes (e quanto pagou o PS pelo uso?..), num assumo de sinceridade e clarificação, ambos protagonistas decidiram vestir as suas próprias roupas e calçar os seus próprios sapatos, dedicando-se doravante Fernando Medina è redacção de intervenções políticas do mais fino recorte, de que só havia podido fazer pequeninos ensaios em cerimónias públicas, e pelas quais pretende distinguir-se a breve trecho para assim aceder a mais altos e nobres cargos de estado condizentes com a sua qualidade de filho de resistentes clandestinos a uma ditadura.

AC disse-lhe logo que sim, pois também ele — algures num passado distante — se considerou digno dum lustroso futuro político, como herança directa e legítima de opositores estigmatizados.

O anúncio deste rearranjo foi considerada pelo lúcido e prudente Carlos César como a mais vibrante resposta à «arrogância independentista» de Rui Moreira, que dispensou o apoio do partido socialista. Costa quis demonstrar — confirmou César — que também ele tem um independente em Lisboa e quando quiser coloca-o na chefia declarada do município. Porque, como disse o outro coelho, quem se mete com o PS leva...

 

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Fraco compromisso

por Vasco M. Rosa, em 04.05.17

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A tremenda situação de crise no Brasil e na Venezuela — dois países onde também vivem muitos portugueses — não está a ter nas páginas dos jornais a atenção que merece. E apesar do fluxo de turistas europeus nas principais cidades (quanto mais não fosse só por isso), é muito raro encontrar-se em bancas de rua sequer os principais jornais europeus, o que diz bastante do nosso profundo alheamento, e é lícito supor-se que muito poucos portugueses se interessam em lê-los, em papel pelo menos.

Com este grau de iliteracia e pasmaceira, somos portanto uma comunidade nacional facilmente vergável a domínios políticos nefastos, desde que — no imediato! — haja pão e circo, benesses, sol e feriados.

Pouco vale portanto o que Idálio Revez e Luísa Schmidt denunciaram, há dias, no Público e no Expresso, sobre novos e muito graves atentados ao meio ambiente na serra algarvia e no litoral alentejano, casos muito raros de preserverança e coragem, porque o que domina as páginas dos jornais é o jogo político e muito menos o valor do país como património a conservar e conhecer, de que a paisagem é um dos principais, como bem ensinou Gonçalo Ribeiro Telles.

Estamos muito longe de sermos um país «quase perfeito», e tudo o que for dito — entre sorrisos e afectos — para baixar a guarda do rigor e nos enfraquecer no compromisso pessoal e comunitário, é uma pedra a mais no caminho da nossa decadência, menos brutal do que a brasileira e a venezuelana certamente, mas ainda assim inexorável decadência, um sono perpétuo embalado pela doce almofada do bom clima e da boa mesa. E — não esquecer — com ciclovias a armar ao pingarelho...

 

 

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Galveias, para quando?

por Vasco M. Rosa, em 03.05.17

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Ninguém percebe mas também ninguém aponta o dedo e reclama emergência. É o ar do tempo, muito provavelmente: uma indiferença, uma apatia que beneficia certo domínio e conquista política...

E no entanto, salta à vista de quem por ali passa, que o Palácio Galveias, biblioteca municipal central, concluiu há bem três meses as suas aliás demoradíssimas obras de restauro (fechou portas em Março de 2015...), sem de imediato abrir as portas às centenas de estudantes e outros leitores que ali têm um apoio decisivo no seu quotidiano — para já não falar dos leitores a domicílio, que requisitam livros que querem ler sem comprar. 

Pelo caderno de encargos, as obras deveriam ter concluído em Agosto do ano passado. Desde então — nove meses!! — nada. Dá que pensar...

Não comento sequer a qualidade do restauro realizado, reduzindo a branco a fachada que sem dúvida foi diferente, como assumidamente prevaleceu na recente reabilitação do Palácio de Queluz, de que creio este seja contemporâneo.

Não há no website municipal qualquer informação sobre reabertura, que não parece ser prioridade da sempre «distraída» vereadora cultural, mas não precisamos de ser cáusticos nem pessimistas para verificar que esse agendamento ficou claramente subordinado à conveniência eleitoralista da candidatura do presidente em exercício.

Bem, se isso pode ser considerada boa gestão autárquica, já cá não está quem falou...!

( Enquanto isso, não houve o mínimo atraso na inauguração — ontem ou hoje — duma escola primária na Baixa, que recebeu o nome de Maria Barroso certamente em homenagem partidária-politizada que seria dispensável que aceitássemos que há mais vida — e mais portugueses de mérito — para além disso. O pm lá apareceu, porque certamente tem pouco que fazer...)

 

 

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António Ferro, por Rita Ferro

por Vasco M. Rosa, em 08.01.17

Importa elogiar abertamente a afeição, a coragem e o desassombro de Rita Ferro em chamar o avô a um aqui e agora que teima em ser-lhe tão indiferente.

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Geringonça

por Vasco M. Rosa, em 26.12.16

O cenário da comunicação ao país do sr. PM na noite de natal é o verdadeiro exemplo da geringonça. Que linda sinceridade!!!

Que dirão daquela indigência visual os «artistas plásticos» e «os agentes culturais» que correram a um almoço em cervejaria de beira-rio a festejá-lo? Não poderiam eles, se contratados, fazem melhor? Certamente que sim.

Ah, e como devem estar aborrecidos agora, que em tantos aspectos foram abandonados como restolho que já não serve pois o assalto político foi consumado? Eles sim, ajudaram a montar a geringonça que os deixou para trás, em favor do aparelho politico.

O MNE refere-se à concertação social como «feira de gado» e continua em funções? Claro, basta que AC venha sorrir e dizer umas graças à moda dele, para que tudo siga adiante, sem arestas.

QUe 2017 seja melhor para todos nós, senão estaremos fritos.

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O banco da verdade

por Vasco M. Rosa, em 20.12.16

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Não é dia de chover no molhado, porque felizmente não cai chuva e Lisboa livra-se por isso de mais complicações do que as que já tem em matéria de trânsito.

As obras do dr. Medina não são já um teste à paciência dos lisboetas, mas um teste à sua capacidade de tolerância diante duma ocupação do espaço público por obras que avançam por toda a parte ao mesmo tempo mas sem aquela rapidez e finalização que seria desejável. Quem sabe, o motivo é demorar para que se perceba que coisas estão a ser feitas... Infantilidades políticas, irresponsabilidades de todo o tamanho...

Por exemplo, não se entende que bancos colocados entre Campo Pequeno e Entre Campos, libertos dos plásticos que os envolviam há dias, fiquem agora sujos de pó e lama sem que um único e simples operário, numa hora ou duas de trabalho, no máximo, os limpe convenientemente, do primeiro ao último!

Isso simplesmente prova que as obras decorrem sem qualquer supervisão que as obrigue a resultados efectivos e consolidados para benefício imediato do povo. Havendo direcção de obra por parte da CML,  jamais seria tolerável, mais que umas horas decorridas, que os bancos que as fotografias apresentam ainda estivessem por limpar. (Mas que profissionalismo é esse?!...)

Quero ver o dr. Medina todos os dias a acompanhar a obra que deixa à Cidade para se fazer eleger (pela primeira vez), como espera conseguir. Sem isso, é um magnífico demagogo que não sente a vida do quotidiano da cidade que ele pretende governar. Ora isso...!

Vá lá com o paninho limpar os bancos — se não tiver quem o faça por si...

 

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No Brasil não há pesar que lhes diga respeito

por Vasco M. Rosa, em 04.12.16

Não há que duvidar: a fotografia das exéquias de Fidel Castro mostra tudo e todos, a quem queira ver. Lula e Dilma no seu melhor. E sempre bem acompanhados.

 

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Do carisma

por Vasco M. Rosa, em 01.12.16

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Amigo meu fotografou JS na gare do Oriente à espera dum comboio para o Porto. Apanhei-lhe esta fotografia para a mostrar aqui porque acho que ela demonstra a falácia narrativa, ou a narrativa falaciosa, do soi disant carismático político e filósofo político.

Quem conhece o lugar perceberá ainda melhor, mas temos à direita o resguardo da escada rolante, significando que por ali sobem os passageiros, que tendencialmente esperam a chegada do comboio para perceberem onde entrar (raramente há assistentes da CP no cais). Seria natural que algumas pessoas se ficassem por ali mesmo, nessa expectativa. Todavia, o desagrado pela figura do político acusado de corrupção e por aí fora, é tão forte e evidente, que ninguém quis ficar por ali. Foram para longe: umas, perto das outras por afinidade, ou não, mas ninguém está perto de Sócrates — e a menos duma meia dúzia de metros. 

Havendo carisma, não restem dúvidas: é do mais negativo que pode haver. 

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O poder ilusório

por Vasco M. Rosa, em 10.11.16

Veio na honorável secção «Gente» do semanário Expresso da semana passada, mas ninguém ainda veio responder, talvez porque o silêncio e o deixar passar sejam o bom remédio para as maleitas habituais de quem pretende manipular este mundo e o outro.

A propósito do lançamento do inacreditável livro de JS, promovido aos sete ventos e com autocarros transmontanos despejados de gente que vinham numa excursão benemérita à capital, como o CM provou, diz então o Expresso que o livro da Sextante foi anunciado a uma mailing list partidária que compreensivelmente não poderia conhecer.

E isso é algo que devia incomodar o editor, seja ele João Rodrigues ou o chefe supremo Manuel Alberto Valente, mas nem dum nem de outro veio um pio de esclarecimento ou refutação, talvez porque toda a manobra mediática seja ela mesma mais determinante do que o livro em si, qualquer que seja o seu verdadeiro redactor.

Não é possível encarar seriamente o sector editorial e livreiro sem uma resposta capaz a esta dúvida lançada pelo maior semanário português. Pode ser, e acredito que seja, que a cumplicidade política — de anterior, curto ou longo prazo — tenha decidido certas coisas que devem repugnar homens livres.

Mas a liberdade, importa dizê-lo, não é sonho ou verdade de quem apenas ambiciona uma coisa: poder. Por mesquinho, inútil, vil, covarde, insignificante que seja.

É triste, é fado — mas é uma merda. A merda que temos e prevalece. Sem carisma de espécie nenhuma, afinal.

Estão bem uns com os outros, riem, abraçam-se, continuam. São a nossa vergonha, mas abeiram-se dos panteões, porque não sabem nem sonham para lá de si mesmos, numa voracidade delirante. 

Não ter a mínima ilusão sobre eles é indispensável a gente livre e recta, correcta.

O Sextante, invenção portuguesa, é desonrado por eles. Envergonhar-se-iam se fossem capazes! Mas simplesmente não são... A louca presunção de que são Alguém impede-os dessa honestidade sincera. 

A ambição dos pequenos é serem grandes. Os grandes são-no simples, modestamente. É a diferença que não podem entender. Por mais livros que digam ter lido...

 

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A pilhagem do bom senso

por Vasco M. Rosa, em 20.10.16

Vindo da Junqueira pelas 19h demorei exactos 100 minutos, 1h40, a chegar ao meu destino, pelas Portas de Benfica, apanhando dois autocarros, 742 e 746, via São Sebastião.

O tempo que demoraria caso morasse em Coimbra e apanhasse o alfa pendular... Coimbra!!

Depois, li no Público do dia 15 — que tinha aqui para refolhear e deitar para o lixo — a explicação disto tudo dada pelo sr. conselheiro de estado Prof. Francisco Louçã: «os serviços públicos estão a sofrer o preço da pilhagem pela troika».

É uma frase e tanto. Justificá-la já pode demorar uma eternidade, mas não sejamos exigentes... A demagogia política não exige fundamentação.

O que nós não queremos sofrer é a loucura desta geringonça, as 35 horas de privilegiados e impávidos funcionários do estado e outras serventias eleitoralistas com as quais se podem vencer eleições mas com as quais certamente não se faz um país onde prevaleça o bom senso e onde seja agradável viver.

A luta continua!

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Da dignificação profissional

por Vasco M. Rosa, em 08.10.16

Uma vez mais, ninguém deu o devido valor a José Sócrates. De facto, ao «pagar» 100 000 € a um escritor-fantasma, muito fez ele pela dignificação de uma profissão pouco reconhecida socialmente quando ela tanta se esforça por contrabalançar a mediania, a mediocridade ou o colapso na academia e na literatura do país.

Se o dinheiro não era dele, pois que o livro não o fosse também, decidiu; mas ajudou quem o podia escrever sem que ele se incomodasse demasiado, bastou-lhe decidir o título — o que é quase tudo.

Quem vai d'A Confiança do Mundo ao Carisma, merece mais do que o pouco lhe querem dar os invejosos deste cantinho... 

Que acrescente a bibliografia nacional com uma centena de novos tratados filosóficos e outros, e aumente ainda mais a recompensa desses discretos, fiéis e competentes serviçais.

Se não quiser transferir no banco, aceite-se pagamento em espécie. É até mais porreiro, pá!

 

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Lições brasileiras

por Vasco M. Rosa, em 21.09.16

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Por culpa da corrupção, do comunismo «moderno» e do PT/Lula, o Brasil vive uma situação desesperada que seria difícil de imaginar, mas mantém um único forte pilar democrático, que é uma imprensa livre, não estatizada, capaz de acolher diferentes posições ainda que, na guerra civil instaurada pelo radicalismo esquerdista, os grandes jornais sejam atacados em acções de rua que sob aparência de protestos acolhem destruidores da propriedade privada alheia (claro).

A Folha de São Paulo mostra com esta charge de Allan Sieber que acolhe posições que desmentem o rápido rótulo de imprensa golpista.

Imaginemos que seria José Sócrates (ou AC) no lugar de MT, e saltariam virgens histéricas a atacar um dos mais importantes jornais de língua portuguesa.

E quando digo virgens histéricas não me refiro a FC, BB ou ALC.

A cada qual a sua liberdade.

Prognósico só no fim do jogo.

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O caso fede

por Vasco M. Rosa, em 10.09.16

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Pelos vistos, JS acusa o juiz CA de «abuso de poder».

É curioso.

Também há quem perca eleições e diga que as ganhou...

Não admira, por isso, que quem seja acusado queira ser acusador. É parecido.

E há ainda mais: a memória duríssima do que JS fez enquanto governante. Grandes tempos... em que o abuso de poder nunca foi cometido. Quem esqueceu esse paraíso na terra?!

Que ele indique alguém como abusador de poder dá-nos uma boa ideia da sua total irresponsabilidade, para dizer o mínimo.

Diga-se o mínimo, que no caso já basta.

O assunto fede. Ainda que alguns não lhe sintam o cheiro...

 

Ah, outra coisa: muito interessante, que o ministro ASS tenha sido — de acordo com a imprensa — figura de grande destaque no aniversário de JS. Já ninguém se surpreende, já ninguém se indigna com um ministro na festa privada dum político indiciado de crimes graves?

Eh pá, isto está mesmo lindo... Que democracia nunca vista!

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Corta-fitas

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