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Domingo

por João Távora, em 21.05.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique, e, pelo poder que Lhe deste sobre toda a criatura, Ele dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu glorifiquei-Te sobre a terra, consumando a obra que Me encarregaste de realizar. E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo com aquela glória que tinha em Ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu mos deste e eles guardam a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes comuniquei as palavras que Me confiaste e eles receberam-nas: reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e acreditaram que Me enviaste. É por eles que Eu rogo; não pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu; e neles sou glorificado. Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti».


Palavra da salvação.

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Sentido único

por João Távora, em 19.05.17

Entre 2011 e 2015, nunca pôde haver boas notícias. Depois de 2013, as exportações aumentaram, o desemprego caiu (de 16,2% em 2013 para 13,9% em 2014), o défice diminuiu, a economia voltou a crescer, o turismo começou a alastrar a Lisboa e ao Porto. Mas ai de quem se mostrasse animado. Eram só “números”. Se o desemprego caía, era porque os desempregados desistiam de procurar emprego. Os jornais e as televisões dispunham então de uma reserva inesgotável de “casos dramáticos” para desmontar as estatísticas. A economia estava destruída, o Estado social tinha acabado. Se Salvador Sobral tivesse ganho a Eurovisão em 2015, teria havido editoriais a lamentar a importância dada a um festival.

 

A ler Rui Ramos no Observador

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Alienação e pós verdade

por João Távora, em 16.05.17

pós-verdade.jpg

 Um sinal de alerta foi como senti quando há uns dias o meu filho de dez anos me manifestou o seu espanto e incredulidade por causa de umas imagens impressionantes que passavam no telejornal da tomada duma posição ao DAESH pelo exército iraquiano – “mas afinal existem guerras de verdade?” Fiquei com a sensação de que para o miúdo as guerras eram coisas do passado ou então entretenimento para os videojogos. Acontece que hoje em dia, por mais que os pais tentem convocar o Mundo para a mesa de jantar, os miúdos crescem dentro de um aquário mediático, a ver desenhos-animados em canais temáticos, a seguir os seus ídolos do Youtube a dizerem umas banalidades a propósito dos temas da moda ("youtuber" é o termo que define as estrelas que aglutinam multidões de seguidores nesta plataforma de vídeos auto-editados) e a brincar com jogos de consola, completamente a leste do mundo real. E não me parece que estejamos a poupar as crianças à crua violência: ela tornou-se um “bem de consumo” extremamente realista e brutal na forma dos jogos virtuais e nas séries e filmes de TV. É nesse sentido que sou levado a intuir que, com tanta tecnologia, além de mais preguiçosas, as novas gerações ficam a perder mundividência. A minha geração quando era criança, condicionada a dois canais de televisão e a pouco mais de meia hora por dia de programas infantis, era pedagogicamente obrigada a espreitar para o mundo dos adultos - certamente não muito atractivo. Além dos noticiários que espreitávamos mais ou menos involuntariamente, à segunda-feira levávamos com teatro clássico, à quarta havia “Noite de Cinema”, e em desespero, num domingo chuvoso até víamos o “TV Rural” enquanto esperávamos pela transmissão de um jogo de rugby ou duma corrida de Fórmula 1, já para não falarmos dos programas sobre a natureza e a bicharada. Mas principalmente, à minha geração era-lhe concedido o privilégio de longos momentos de “tédio”, que nos obrigava a fizermos acontecer alguma coisa, e nos dava muito espaço para exercitar a imaginação e para os livros.

Se é verdade que esta nossa era dos “media sociais” e dos canais temáticos e segmentados permite uma oferta muito alargada de informação e cultura (os blogs disso são exemplo), o outro lado da moeda é terrível. O completo alheamento da realidade. Sei por experiência própria como é difícil impingir aos jovens as preocupações e a consciência dos problemas e desafios complexos que grassam no mundo para lá do soundbite difundido pelas redes sociais. Nesse sentido desconfio que as novas gerações estão mais desprotegidas porque ausentes no menu dos “factos” que lhes interessam e das “verdades” que escolhem a cada momento consumir. Porque “a quem dorme, dorme-lhe a fazenda”.

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A lição do Tetra

por João Távora, em 14.05.17

Os não benfiquistas que me perdoem a sobranceria, mas creio existir alguma lição a aprender com a sucessão de quatro campeonatos ganhos pelo Benfica. Contém muito daquilo que rareia em Portugal, nomeadamente na governação ao mais alto nível. Estratégia de longo prazo, liderança, profissionalismo na gestão de topo, estabilidade, perseverança, e sobreposição do todo sobre a parte. A caminhada iniciou-se no início do século, não ontem.

Com frequência durante esta época fui dizendo aos meus amigos sportinguistas que a conquista destes títulos simbolizam mais a distribuição de dividendos resultantes da estratégia adoptada desde há anos e menos o rasgo de génio deste ou daquele. E que não vislumbro nada de substancial no horizonte que possa mudar o rumo dos acontecimentos. A Norte o passado não quer sair de cena, revelando por um lado o clássico problema de sucessão e a excessiva dependência num indivíduo. Do outro lado da Segunda Circular temos dois galos que se digladiam por objectivos de curtíssimo prazo e por palco, revelando quer o xico espertismo que tanto vilipendiamos mas que tanto premiamos, como também alguma incapacidade de trabalhar em conjunto numa óptica de complementaridade onde o defeito de um é ofuscado pela virtude do outro.

Descontando o calor da vitória que pode diminuir o discernimento, creio que o futebol português contém matéria suficiente para retirar algumas boas lições para os portugueses. Haja para isso frieza e pouca clubite.

Sugiro assim aos sportinguistas e portistas que façam bem o seu trabalho de casa. Não só para garantir campeonatos interessantes no futuro, mas também para dar bom exemplo aos nossos governantes. Não faço esta sugestão em jeito de provocação pois não quero atraiçoar o fair play e o objectivo deste texto, que mais não é que perceber de vez que pensar a longo prazo e com cabeça tende a produzir mais resultados.

E já agora sugiro aos benfiquistas que não embandeirem em arco sob pena de ter um dia de escrever um texto que não me apetece.

 

Pedro Bazaliza

Convidado Especial

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Domingo

por João Távora, em 14.05.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».


Palavra da salvação.

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Semente de civilização

por João Távora, em 13.05.17

Fatima.jpg

Neste tempo em que a religião é quase sempre relevada por uma só bitola, como assunto de ignorantes, fundamentalistas e fanáticos se tratasse, é reconfortante o testemunho dado por mais de meio milhão de pessoas que de forma serena e pacifica se reuniram em comunhão e oração à Mãe de Jesus. Definitivamente não é tudo a mesma coisa. Pela minha parte confesso-vos que nesta hora em que o Papa Francisco despede-se do “altar do Mundo” sinto um orgulho enorme de ser dos de Cristo, de pertencer a esta Igreja, obra divina e universal, tão humanamente rica, tolerante (misericordiosa) e diversa. 

Fotigrafia Reinaldo Rodrigies/Global Imagens 

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Bem-vindo a Portugal, Papa Francisco!

por João Távora, em 12.05.17

PapaFrancisco.jpg

Há muito tempo que queria que a esquerda deixasse a Igreja Católica em paz, por isso não me incomoda nada o fascínio que o Papa Francisco exerce sobre ela. A Igreja é universal e foi erguida para todos que se quiserem deixar converter ao exemplo de Jesus Cristo. E não haverá conversão se a sua mensagem não conseguir chegar às periferias, se o seu magistério não for exercido também no “Páteo dos Gentios” – e eu sei bem como isso incomoda alguns católicos  “puritanos”. Acontece que o colégio cardinalício que com uma sabedoria imensa elegeu Bento XVI foi o mesmo que elegeu o jesuíta Bergoglio, que teve o enorme mérito de mudar a tónica da mensagem da Igreja para a Misericórdia. De facto a vocação da Igreja não é ser um hotel para santos, é ser um hospital de campanha para os pecadores como eu. Havia um erro de percepção que vem sendo corrigido, a doutrina não mudou, mudou a sua percepção. Obrigado Papa Francisco, bem-vindo a Portugal.  

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O fenómeno

por João Távora, em 10.05.17

Vejo por aí nas redes sociais muita gente estranhamente agastada com o entusiasmo provocado por uma canção simples de 3 minutos que vai disputar um concurso internacional no próximo sábado. Pela minha parte não vejo o que isso possa incomodar, pois o facto não acontece em prejuízo de quaisquer outros temas que sejam considerados mais pertinentes ou importantes, ou lesando outras formas de expressão artística mais "nobres". O facto é que a cançoneta do Salvador Sobral é apenas uma bonita canção que na minha casa teve o condão de reunir a família toda na sala a ver televisão por uns minutos, coisa cada vez mais rara nesta era de fragmentação em que cada um vive virado para o seu ecrã. Isso não é pouco.

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Conversa de engraxador

por João Távora, em 04.05.17

- Ó chefe, então querem lá ver esta coisa agora da Baleia Azul, o pessoal corta-se todo e depois chega ali à ponte e atira-se?! A judiciária que descobre tanta coisa não é capaz de chegar ali e desligar a internet? É que a rapaziada depois não pode sair! Tá tudo maluco. Ó vizinho, quer saber a verdade? Isto é tudo derivado às comidas que a gente come. A gente vai ao talho, compra um bife, põe-o na frigideira e fica metade do tamanho. O pessoal que come bem é lá o da aldeia. São dois euros e meio, chefe, o sapatinho ficou um brinco! Acha que a gente volta para o escudo? É que isto do euro não vale nada.

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O melhor amigo do homem

por João Távora, em 02.05.17

omelhoramigo.jpg

Como refere o Henrique Raposo neste texto, o animalismo crescente que o ar do tempo nos revela, reflecte uma sociedade cada vez mais atomizada de gente só, magoada e ressentida.  Se é afectivamente compensador e salutar o convivio entre pessoas e animais, a frase “Quanto mais conheço a humanidade mais gosto do meu cão”, ao colocar em confronto a relação entre o dono e o seu cão ou entre a pessoa e um seu igual, seja marido, mulher ou amigo, diz mais sobre quem a profere do que a quem se dirige: uma relação entre o dono e o seu animal será de natureza de posse e domínio entre desiguais; pretender obter algo parecido das relações sociais parece-me no mínimo repugnante. As relações humanas são tão complicadas e desafiantes quanto o ser humano consegue ser complexo e fascinante. Prescindir do desafio de amar e ser amado entre iguais é certamente a mais indecorosa admissão da mediocridade e incompetência a que um ser humano se pode rebaixar – colocando cobardemente o ónus desse falhanço no outro que se recusa lamber-lhe a mão e abanar a cauda.

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Domingo

por João Távora, em 30.04.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou estes dias». E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.


Palavra da salvação.

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Como se fazem milagres?

por João Távora, em 28.04.17

(...) É simples: entre 2015 e 2016, o governo do Syriza cortou a despesa pública brutalmente, como nunca a direita se teria atrevido, de 95,2 mil milhões de euros para 86,1. O peso do gasto do Estado no PIB teria descido de 54,2% para 49%. Nem o mais esturrado neo-liberal alguma vez teria esperado tanto. Por outro lado, o Syriza aumentou os impostos com toda a ferocidade (sobretudo os indirectos) e deixou de pagar a fornecedores (calcula-se que deva uns 5 mil milhões de euros). De resto, aproveitou o ressurgimento do turismo. Mas tal como em Portugal, também na Grécia, apesar dos malabarismos orçamentais, a dívida não para de crescer (de 177% para 179%).

O que é que as oligarquias europeias descobriram com entusiasmo? Que para a austeridade pura e simples, isto é, a austeridade dos cortes e dos calotes, a extrema-esquerda é muito melhor do que a direita. Porque a extrema-esquerda pode cortar sem ter de aturar manifestantes na rua, sindicalistas em greve ou jornalistas histéricos com a “crise social”. Imaginem a faca orçamental do Syriza manejada por um governo da direita? Era o “neo-liberalismo”, a “destruição dos serviços públicos”, o fim do mundo. Em vez disso, a burguesia comove-se com o “sentido de responsabilidade” dos herdeiros de Lenine.

O truque é reduzir o Estado ao que importa para manter o poder – empregos, favores para amigos, controle sobre as actividades — e cortar tudo o mais sem piedade. (...)

 

Rui Ramos a ler na integra no Observador

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Do terror

por João Távora, em 27.04.17

 "Sem virtude o terror é nocivo, sem terror a virtude é impotente".

Robespierre

 

"Em tempos de paixões violentas, não se pode falar com razão pois corremos o risco de prejudicar a razão, pois os entusiastas excitarão contra as verdades que noutras alturas seriam acolhidas com a aprovação geral."

Malesherbes, parlamentar francês (bisavô de Tocqueville), guilhotinado em pleno Terror da revolução francesa na primavera de 1794 obrigado a assistir à execução da irmã, da filha, do genro e da neta.

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25 Abril 43 anos depois

por João Távora, em 25.04.17

Não podemos esquecer que nos dias seguintes à revolução dos cravos iniciou-se uma encarniçada luta pela Liberdade, que teve o seu auge a 25 de Novembro de 1975, mas que ainda hoje perdura, e perdurará enquanto imperar nas sombras e às claras uma casta omnipotente que se considera herdeira duma superioridade moral em relação aos demais.

Ao cabo de 43 anos deveria ser uma evidência que o socialismo, nas suas várias adaptações e intensidades, não é a única receita para a resolução dos problemas dos portugueses. De resto, aprender a conviver de igual para igual com os que pensam de maneira diferente é, neste País ainda hoje, uma longínqua meta civilizacional.

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Pendurados e agachados

por João Távora, em 24.04.17

No início da década de 90 explodiu em Portugal um tipo de perfil que faleceu no decorrer do programa de ajustamento. Circulavam pelos corredores das grandes empresas dos mercados não transacionáveis (obviamente…), pelos ministérios, bancos, ou ainda por uma qualquer autarquia mais atrevida. Consideravam-se o arauto e a referência do melhor que a gestão e a ambição podiam dar ao país (ou em rigor, a si e aos seus), projectando-se na sociedade como a nata e como sendo aqueles a quem todos deviam dar as graças pelos seus valorosos e inquestionáveis méritos postos ao serviço da Nação.

Falavam de alto, mais pelo que julgavam ser do que pelo que eram. Ele era milhões para aqui e para ali. Discorriam sobre estratégia e negócios com aquele à vontade próprio do parolo que brilha perante uma plateia mais desinformada. Cegos sobre os cenários que iam imaginando e quase sempre muito resolutos, viam-se como aqueles a quem a providência se lembrara para tomar em mãos os destinos estratégicos do país, e, por inerência, aqueles a quem o topo lhes deveria pertencer como consequência da sua condição.

Para muitos representavam aquilo que, erroneamente, muita esquerda sempre quis fazer acreditar como sendo a Direita. Desmedidamente ambiciosa, arrogante, inculta, impreparada, e sanguessuga. Nem faltava o fiel séquito que costuma gravitar à volta destes círculos, sempre bajulador e refém da sua ambição mais pequenina, embora útil. Desfilava também uma meia gente agachada que aceitava a troca do princípio pela prebenda, ao que não seria alheia a influência do sabor dos amendoins para a indistinção entre miragem e realidade.

Quis pois a realidade, esse incómodo dos ilusionistas, desmontar os mitos que andavam à solta. Com o baixar da maré muitos daqueles que outrora se passeavam alteados e davam entrevistas passaram a viver ou detidos, ou a solicitar perdões de dívida, ou ainda a fazer figuras tristes em comissões de inquérito.

Eram a Direita? Não. Eram Pendurados. Ou numa família, como Ricardo Salgado, ou num partido, como José Sócrates, ou num monte de dívida, como Nuno Vasconcellos, ou numa empresa leiteira, como Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. A lista é infindável.

Esta matéria mal organizada e desacreditada sugou muito ao país. Até naquilo onde provavelmente os próprios nunca se darão conta. Subtrairam à Direita, onde por perfil eles não cabem, argumentos para convencer a maioria dos Portugueses que existe uma Direita consciente, responsável, recta, que responde pelos seus actos, livre no pensamento, pouco dada a ilusões e outros jogos, e que pode ser bastante útil para a libertação de Portugal.

 

Pedro Bazaliza
Convidado Especial

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 O deputado socialista Ascenso Simões reconheceu na sua coluna da passada quarta-feira aqui no jornal i que a petição que por estes dias decorre online para a inclusão do Chefe da Casa Real Portuguesa no Protocolo de Estado “(…) não se apresenta recheada de problemas políticos ou institucionais, uma vez que D. Duarte é conhecido como herdeiro da coroa” e que “(…) o protocolo do Estado deve acomodar uma norma que permita aos mais altos representantes do Estado conferirem a D. Duarte, por tudo o que representa, uma dignidade única em circunstâncias especiais? A nossa opinião vai no sentido positivo.” Tirando a menorização dos monárquicos que pelos vistos Ascenso Simões execra, estamos de acordo com tudo o mais no seu artigo e é precisamente no sentido que afirma que a petição surge. De facto esta iniciativa não pretende "monarquizar" o regime republicano que nos coube em azar, e muito menos "republicanizar" a Instituição Real como receiam alguns monárquicos. A petição não pretende atribuir aos Duques de Bragança nenhum lugar na lista de precedências existente, essas constam do art.º 7.º da Lei e não se lhe pede alteração. O que se pede é que o representante dos reis de Portugal, quando convidado para qualquer cerimónia, nela tenha o estatuto honroso e digno, de "convidado especial", estatuto que não altera a lista das precedências do Protocolo. Implica apenas, e não é pouco, uma especialíssima relevância a conceder a um convidado que é, pelo que na verdade representa, “especial”. 

De resto as Reais Associações são por natureza e vocação uma “mixórdia”, no sentido de “misturada”, como lhes chama Ascenso Simões. Representam grupos heterogéneos, transversais, e por isso, talvez elas possam ser vistas pelos seus detractores como “mixórdias”. De facto as Reais Associações assentam na diversidade de que é feito o nosso país, nas várias regiões em que estão inseridas. Elas não se dirigem a um grupo em particular, facção ideológica, classe social ou elite cultural, antes se dirigem a todos os que não se conformam com a república a que chegámos em 1910 e que gostariam ver restaurados os valores permanentes da nossa portugalidade. Ora acontece que esses valores não sendo propriedade de ninguém, são seguramente protagonizados pelo Senhor Dom Duarte.
Finalmente, os defeitos que atribui aos monárquicos como eu, não nos impede de querermos ser cada vez mais e melhores. É por isso que estamos a trabalhar todos os dias.

 

Publicado originalmente aqui

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Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

por João Távora, em 16.04.17

 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus


Depois do sábado, ao raiar do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram visitar o sepulcro. De repente, houve um grande terramoto: o Anjo do Senhor desceu do Céu e, aproximando-se, removeu a pedra do sepulcro e sentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago e a sua túnica branca como a neve. Os guardas começaram a tremer de medo e ficaram como mortos. O Anjo tomou a palavra e disse às mulheres: «Não tenhais medo; sei que procurais Jesus, o Crucificado. Não está aqui: ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver o lugar onde jazia. E ide depressa dizer aos discípulos: 'Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis'. Era o que tinha para vos dizer». As mulheres afastaram-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e grande alegria, e correram a levar a notícia aos discípulos. Jesus saiu ao seu encontro e saudou-as. Elas aproximaram-se, abraçaram-Lhe os pés e prostraram-se diante d’Ele. Disse-lhes então Jesus: «Não temais. Ide avisar os meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me verão».


Palavra da salvação.

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Força, força, companheiro Vasco!

por João Távora, em 13.04.17

Há estudos científicos que, estatisticamente, confirmam que as pessoas de natureza gentil e bondosa são mais vulneráveis e atreitas às doenças oncológicas.

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Jogo Perigoso

por João Távora, em 11.04.17

O dia seguinte.jpeg

 

Os programas de debate futebolístico à segunda-feira nos canais de notícias vêm-se tornando numa autêntica aberração imprópria para crianças e gente civilizada - caio lá demasiadas vezes nos meus zappings à procura de notícias depois do jantar e fujo quando a coisa azeda, que nunca demora muito tempo. Na busca de audiências, que o mesmo é dizer, transpondo para a discussão verbal o mais básico fanatismo das claques, a conversa descamba com demasiada frequência para a insinuação e o insulto, que propicia cenas de algum embaraço quando a ténue fronteira do descontrolo emocional ameaça desabar entre os oponentes.
Sou do tempo em que no Sporting se debatiam fórmulas de atrair a família, nomeadamente senhoras e crianças para as bancadas do estádio, mas receio que o percurso feito nos últimos anos pelos clubes, através de políticas de comunicação extremamente agressivas, vem sendo inverso: a seguir a cada jogo, no espaço público que vai entre as televisões e as redes socias, toma lugar uma batalha verbal com pouco compromisso com a verdade e ainda menos com a boa educação. Voltando às televisões, desconfio que os responsáveis dos programas, que se não são os primeiros responsáveis, são cúmplices activos, estão simplesmente esfregando as mãos expectativa duma cena de descontrolo ou até de pugilato que exponencie as audiências, que por um dia catapulte o seu programa para os píncaros da popularidade, como se de um radical reality show se tratasse. Veja-se o caso do “Prolongamento” na TVI de ontem em que José de Pina e Pedro Guerra despudoradamente perderam a compostura (presumo que seja habitual).
Acontece que sou um amante do futebol, que preza a rivalidade acesa dentro das quatro linhas, transposta para as bancadas dentro dos limites mínimos das salutares regras de civilidade. Não compreendo que se critiquem os jogadores ou os espectadores quando se descontrolam e se aceite passivamente que esse jogo perigoso seja extrapolado para a televisão com um discurso que toca as raias do irracional como se fosse legítimo. 

Sou do tempo em que as televisões e o jornalismo tinham pretensões pedagógicas e sabiam o seu papel na sociedade. Não me parece que a busca de audiências justifique um espectáculo tão indigno quanto aquele que se vê nos serões das segundas-feiras por essas TVs.

Publicado originalmente aqui

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Copos e miúdas

por João Távora, em 10.04.17

Se a barracada dos nossos jovens que vieram recambiados de Torremolinos chega aos ouvidos de J. Dijsselbloem estamos tramados.

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