Como se provou ontem em Munique num improvável confronto desnivelado, uma final é uma final, resolve-se assim num detalhe, num minuto; e nem sempre ganha a melhor equipa. Não foi isso que aconteceu esta tarde no Jamor: apesar do antijogo praticado pela Académica a partir dos cinco minutos, a briosa deu jus ao nome e mostrou ter muito mais ganas de ganhar do que o Sporting. De resto, como sempre soubemos, o plantel do Sporting 2011/2012 jamais respirou ares galácticos, e só conseguiu sair da vulgaridade quando se superou com garra, vontade e... brio.
A Académica ganhou bem portanto; e a cidade de Coimbra, há longos anos em lenta decadência merece a festa e três minutos de fama. Quanto ao mais pouco serve consolo a figura do jogo ser um jogador leonino, o Adrien… e nos próximos dias vão sobrevoar rasantes os habituais abutres sobre Alvalade. Que não dêem cabo do que sobra é o que eu espero.
Publicado originalmente aqui.
Até há bem pouco tempo eu tinha o privilégio de ir ao fim-de-semana pacatamente a fazer as compras ao supermercado do Sr. Soares dos Santos literalmente a cinquenta metros de minha casa. Esse pacífico ritual acabou-se, kaput, finito! Agora, é uma aventura para a qual somos obrigados a uma preparação mental, e a um exigente exercício de vontade para enfrentar o povoléu a disputar carrinhos e reservar o lugar na bicha da caixa e outros expedientes. O lado bom da coisa é que esta manhã poupámos cerca 40,00 ao orçamento familiar, que valeram bem os 35 minutos passados naquele estabelecimento em profunda comunhão democrática.
(...) O amor na verdade — caritas in veritate — é um grande desafio para a Igreja num mundo em crescente e incisiva globalização. O risco do nosso tempo é que, à real interdependência dos homens e dos povos, não corresponda a interacção ética das consciências e das inteligências, da qual possa resultar um desenvolvimento verdadeiramente humano. Só através da caridade, iluminada pela luz da razão e da fé, é possível alcançar objectivos de desenvolvimento dotados de uma valência mais humana e humanizadora. A partilha dos bens e recursos, da qual deriva o autêntico desenvolvimento, não é assegurada pelo simples progresso técnico e por meras relações de conveniência, mas pelo potencial de amor que vence o mal com o bem (cf. Rm 12, 21) e abre à reciprocidade das consciências e das liberdades.
A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende « de modo algum imiscuir-se na política dos Estados »; mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação. Sem verdade, cai-se numa visão empirista e céptica da vida, incapaz de se elevar acima da acção porque não está interessada em identificar os valores — às vezes nem sequer os significados — pelos quais julgá-la e orientá-la. A fidelidade ao homem exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral. É por isso que a Igreja a procura, anuncia incansavelmente e reconhece em todo o lado onde a mesma se apresente. Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é irrenunciável. A sua doutrina social é um momento singular deste anúncio: é serviço à verdade que liberta. Aberta à verdade, qualquer que seja o saber donde provenha, a doutrina social da Igreja acolhe-a, compõe numa unidade os fragmentos em que frequentemente a encontra, e serve-lhe de medianeira na vida sempre nova da sociedade dos homens e dos povos.
Caritas in Veritate (Excerto da Introdução) - Papa Bento XVI 29 de Junho 2009

Em 1917 o Estado temia a Igreja que acossada se assustou com o fenómeno da Cova da Iria... que se impôs ao Mundo e não mais foi o mesmo. Hoje, mais de dois milhões de peregrinos visitam anualmente a pequena localidade de Aljustrel onde viveram os três pastorinhos. Por mais que aborreça as elites bem pensantes (católicas ou ateias), Fátima é um milagre visceralmente democrático.
Acabado de chegar de Fátima. Se Deus quiser, amanhã aqui publicarei uma pequena crónica.
A cada trimestre que passa quando chega a altura de pagarmos o IVA, que inclui facturação não cobrada (há clientes a exigir condições de pagamento a 60 e 90 dias), é sempre um susto que atinge a economia doméstica. Não entendo aqueles que defendem que o sector da restauração, que recebe sempre a pronto e em cash, deveria ser dispensado desta fatalidade.
A montante do flagelo do desemprego está uma economia débil, suportada pelo trabalho desqualificado, dominada pelo Estado e por um empresariado rústico, submisso e pouco empreendedor. Esta cultura não se muda por decreto e aguentar o estado de coisas teve as consequências evidentes e custos hoje impossíveis de cobrir. Acabado o folguedo dos fundos estruturais e de convergência, hipotecado o rendimento de várias gerações em betão, alactarão e outros delírios, os resultados são o choque e o pavor. E depois não há economia que se converta pela abertura no País de três lojas de moda, dois cafés, dois restaurantes por quarteirão... e um shopping em cada bairro.
Não me parece fazer sentido nenhum Peter Gabriel acompanhado pela New Blood Orquestra a encerrar a edição deste ano do festival Super Bock Super Rock na poeira da do Meco.
Quando passam 80 anos sobre a morte do último rei de Portugal no exílio, é publicado "D. Manuel II e D. Amélia. Cartas inéditas do exílio", obra organizada por Fernando Amaro Monteiro que se apresenta hoje às 18 horas no salão nobre da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, em Lisboa.
A propósito deste lançamento que revela documentação inédita que vem sendo organizada há cerca de três anos, o historiador afirmou afirmou à agência Lusa que a acção no exílio do rei D. Manuel II, "foi maldosamente escondida".
O investigador salientou a figura do monarca como "bibliófilo de nomeada internacional", e a sua "enorme tarefa desenvolvida na Cruz Vermelha inglesa, durante a I Grande Guerra, muitas vezes em prol dos soldados portugueses, como a criação de um pavilhão português num hospital militar em Paris, e isto tem sido escondido", afirmou.
Sobre as relações do monarca com Oliveira Salazar o autor refere que no início, D. Manuel II admiraria a governação de Salazar, mas depois veio a desiludir-se, e "na última carta é fortemente crítico do que se passava na sociedade portuguesa".
Oliveira Salazar, afirmou o investigador, "iludiu os monárquicos e também o rei com a possibilidade da restauração da monarquia", pelo menos de princípio, "mas fazia parte da sua estratégia". O investigador afirmou que "um rei seria complicado, pois Salazar não o podia despedir como fez com o Presidente da República, o general Craveiro Lopes, e D. Manuel II era uma personagem inquietante". Segundo Amaro Monteiro, "convinha a Salazar tratar a Casa Real e os monárquicos com uma atitude de deferência e de esperanças sempre dilatadas, e assim não encarar de frente um problema real que eram os bens da Casa de Bragança, que foram açambarcados em espírito de confisco pela Fundação da Casa de Bragança, após a morte de D. Manuel II".
É uma luz violenta qua espreita entre os cortinados que me desperta das profundezas do sono, confuso, desalmado, sem crer. Um canoro assobiar, repetitivo e melancólico ecoa nas paredes dos prédios e ressoa na casa anestesiada, sonolenta, estranhamente aquietada. Mais um dia se desvendará, com as Graças de Deus.
A Contra Revolução*
Trespassada por uma profunda crise por causa do refinamento da cultura individualista orientada para uma perspectiva niilista pela sociedade de consumo, a destruição do modelo de família judaico-cristão nas suas diversas adaptações deveria ser interpretado como um sério alerta sobre a decadência civilizacional a ocidente.
Talvez seja tarde para a inversão da vertiginosa atomização social de que somos testemunhas passivas, mas parece-me que vale a pena um sonoro alerta, na perspectiva dum movimento, de uma revolução para o resgate do conceito de família “compromisso”, muito para além da sua “fracção” nuclear.
Refiro-me à recuperação da família como emblema, marca a que aderem livremente os seus membros, a um modelo mais ou menos alargado que promove o sentido de pertença e a auto-estima, que seja, além de uma privilegiada rede de afinidades e solidariedade, um espelho de modelos, exigências e afectos, um centro de difusão de competências e vocações, com as suas lideranças naturais. Todos conhecemos apelidos e linhagens, em que um ou mais membros pelo seu mérito intelectual e profissional, vocação e coerência, vieram a tornar “marcas reconhecidas”, casos de sucesso que prevaleceram para as novas gerações.
Acontece que a família alicerçada como projecto perene, com todos os seus defeitos e potenciais arbitrariedades, constitui o mais salutar bastião do livre arbítrio do indivíduo. Falamos na defesa da liberdade. Para a sociedade, em termos latos, a família constitui o garante duma essencial diversidade estética e cultural: cada uma possuidora do seu legado de informação e património económico-cultural, afirma um insubstituível microcosmos, qual espelho e plataforma de mediação dos seus elementos com a comunidade e com o mundo, em que a liberdade é promovida no equilíbrio com a responsabilidade de uns em relação aos outros… e com a sua história. Este factor é extremamente útil para um privilegiado desenvolvimento das novas gerações. Além de tudo o mais, as estruturas familiares mais sólidas potenciam uma resistência inteligente à massificação e à submissão dos indivíduos aos mecanismos despóticos de controlo social emergentes, como as avassaladoras modas impostas pelo mercado e... pelos estados demasiado intrusivos.
É fácil entender porque é que as mais cruéis ditaduras do século xx sempre combateram os modelos tradicionais de família, que tendem a funcionar como autênticas bolhas de oxigénio numa sociedade sufocada pela pressão do controlo.
Finalmente, considero uma causa algo obscura o extremo individualismo promovido pelas correntes liberais de costumes, hoje em dia patrocinadas pela generalidade dos poderes políticos. Talvez porque sem referências sociológicas e culturais consistentes as pessoas se podem tornar mais vulneráveis, qual papel em branco fácil de ser preenchido e doutrinado por qualquer sinistro poder.
* Originalmente publicado no jornal i do passado dia 8 de Maio.
No dia do seu 67º aniversário, felicita-se Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte, Chefe da Casa Real Portuguesa, Duque de Bragança, descendente e representante dos Reis de Portugal! A Nação merece um Futuro.
São indisfarçáveis os arrepios de excitação dos cúmplices ou protagonistas da desgovernação das últimas décadas com manchetes tipo “o regresso dos indignados”. No caso é à Puerta del Sol em Madrid, mas poderiam referir-se às dezenas de campistas no Parque Eduardo VII ou a um qualquer grupelho de alienados na Praça Luís de Camões. O “cheiro a sangue” provoca uma reacção pavloviana no jornalismo tuga. Talvez seja afinal o caos a ignição da tão proclamada “Agenda do Crescimento”... nos primeiros tempos até ajuda a vender jornais.
A montante de tudo isto está o enorme equívoco que constitui para a Democracia, a proverbial insubordinação do regime à “realidade”. Como referia o historiador Rui Ramos Sábado na sua coluna do expresso (nutro infinitamente mais apreço por um analista político que consagre a sua vida à investigação da História) “a democracia não é só vontade e representação, esta não pode ser a negação da realidade”, uma perspectiva que fatalmente constitui a sua própria condenação. Acontece que "os cidadãos ocidentais foram educados na crença de que a realidade é uma construção ideológica, e que portanto, pelo singelo expediente de "fazerem ouvir a sua voz" está aos seu alcance tornar as coisas e as pessoas no que mais lhes convém." De facto, "os políticos" teimam vender promessas impossíveis para vencer eleições e foi essa lunática estratégia mais o crédito barato que nos trouxe à falência. Uma estratégia que descredibilizou o regime e hoje coloca em risco a nossa liberdade, à mercê de qualquer grupelho marginal mais aguerrido ou violento.
De facto acabou o dinheiro fácil, o emprego por decreto e o capitalismo popular que manteve as hostes expectantes ou acomodadas. Acabaram-se as certezas e é muito provável que esta ficção chamada Europa se desmorone mais cedo do que possamos imaginar. O colapso da moeda única encarregar-se-á disso.
Em vez de se atirar gasolina para o fogo, por estes dias deveríamos apelar aos valores mais perenes, assumindo-se reforçada a responsabilidade de defender o que se possa ainda salvar: a liberdade. Hoje o único apelo realista é ao estoicismo e sentido patriótico do cidadão. Citando uma vez mais Rui Ramos: “o rei Canuto mostrou um dia que não mandava nas ondas do mar*. Os manifestantes e eleitores europeus precisam de perceber que eles também não”. Uma inevitabilidade que abrange os socialistas portugueses.
* William J. Bennett
O Livro das Virtudes
Leitura dos Actos dos Apóstolos
Naqueles dias, Pedro chegou a casa de Cornélio. Este veio-lhe ao encontro e prostrou-se a seus pés. Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou um simples homem». Pedro disse-lhe ainda: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável». Ainda Pedro falava, quando o Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir a palavra. E todos os fiéis convertidos do judaísmo, que tinham vindo com Pedro, ficaram maravilhados ao verem que o Espírito Santo se difundia também sobre os gentios, pois ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus. Pedro então declarou: «Poderá alguém recusar a água do Baptismo aos que receberam o Espírito Santo, como nós?». E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então, pediram-Lhe que ficasse alguns dias com eles.
Da Bíblia Sagrada
Hoje ao almoço no Instituto Amaro da Costa a conversa não foi fiada, tanto mais que o orador convidado Pedro Braz Teixeira apresentou os fundamentos da sua convicção de que até ao fim do corrente ano há 90% de hipóteses de Portugal sair do euro e 60% de o euro acabar. Um tsunami que se agiganta no horizonte e cujas possíveis consequências convém serem equacionadas. A verdade é que a "moeda única" por estes dias vai semeando profundas fracturas na Europa de Jean Monet, que urge salvar o que inda haja para salvar.
* ditado alemão
... mas este é meu, novinho em folha da Fábrica de Chapéus ali à Rua da Rosa. A idade e a careca concedem-me o privilégio de usufruir este distinto artefacto. Assim se garante frescura nas sinapses para o estio que se prenuncia… e o gozo de o tirar respeitosamente a quem mereça.
The Book Of Love, dos Magnetic Fields - Stephin Merritt. Uma das várias pérolas escondidas entre as 69 canções de amor.
As eleições em França e na Grécia trouxeram novos elementos para um debate que é cada vez mais pertinente: E se o Euro acabar, ou de Portugal sair do Euro? Quem quiser debater com o Pedro Braz Teixeira este tema, está convidado para almoçar na sexta feira no Instituto Democracia e Liberdade. Inscrição através do envio de mail para endereço que está no convite.
Talvez seja tarde para a inversão da vertiginosa atomização social de que somos testemunhas passivas, mas parece-me que vale a pena um sonoro alerta, na perspectiva dum movimento, de uma revolução para o resgate do conceito de família “compromisso”, muito para além da sua “fracção” nuclear (...) a família como emblema, marca a que aderem livremente os seus membros, a um modelo mais ou menos alargado que promove o sentido de pertença e a auto-estima, que seja, além de uma privilegiada rede de afinidades e solidariedade, um espelho de modelos, exigências e afectos, um centro de difusão de competências e vocações, com as suas lideranças naturais. (...)
Talvez porque sem referências sociológicas e culturais consistentes as pessoas se podem tornar mais vulneráveis, qual papel em branco fácil de ser preenchido e doutrinado por qualquer sinistro poder.
Excerto "A Contra-revolução" um artigo meu publicado hoje no jornal i
Ilustração: elaborada pelo meu irmão José Abrantes (para a versão impressa).

Quaisquer eleições que decorram nos países mais influentes da geopolítica europeia deverão constituir motivo de interesse noticioso e análise doméstica. Mesmo assim, a repercussão mediática das eleições francesas pareceu-me desmesurada, por vezes intrusiva até. Tal como o voto em promessas impossíveis, a vontade dos nossos jornalistas e analistas não chega para que alterar a dura realidade de uma Europa em profunda crise.
O caso das promoções do Pingo Doce teve o mérito de denunciar a crendice mal disfarçada da cultura puritana de esquerda, o pensamento dominante com que somos amestrados há quarenta anos nesta madrasa laicista. Se não se tivesse dado o caso dos saldos de Soares dos Santos terem sido agendados para um dos seus principais dias de culto, o “Dia do Trabalhador”, simplesmente não teria havido escândalo, ampliado pelos neo-fariseus e suas virgens ofendidas que rasgam as vestes indignadas com tamanha blasfémia. Esses moralistas tratam-se afinal dos mesmos idolatras que dominam os Media onde usam vulgarizar a troça e a caricatura gratuita dos rituais, heróis e dogmas cristãos, com recomendações de tolerância e sentido de humor a nós, que nos querem acossados e de volta às catacumbas. Não lhes daremos esse gosto.
A Igreja não existe para si mesma e não é um ponto de chegada.
É uma Igreja enviada, peregrina, é movimento. Por isso, os retratos estáticos
são muito pouco significativos para avaliar a
sua fidelidade ou o seu sucesso.
A Igreja é parte da sociedade e a sua acção é visível no mundo. Há obras que vão ficando, valores que consistentemente propõe e se afirmam mais ou menos nas culturas em que está presente. É inerente à sua identidade procurar influência sobre o todo social, uma influência que pode ir aumentando ou diminuindo, ser mais ou menos bem acolhida ou levantar mais ou menos oposição. Historicamente, as formas de influxo sobre a sociedade têm evoluído, têm até sofrido conversões radicais, depois de derivas menos consentâneas com a salvaguarda da dignidade da pessoa humana – fundamento, fim e caminho da sua proposta social. A Igreja, para ser fiel à sua missão, vive numa permanente busca dos meios mais adequados e tem constantemente necessidade de purificação das suas atitudes. Porque deseja sempre ser mais coerente com a sua mensagem e os valores que promove. Para que os meios de que lança mão não se arrisquem a contradizer os fins que quer propor.
Mas a Igreja não existe para si mesma. Muito mais do que uma instituição à procura de segurança, ou um clube que quer sempre crescer em aderentes, ou uma associação que garante benefícios, a Igreja é responsabilidade e missão. Está ao serviço do Reino de Deus e da humanidade. E o Reino de Deus, diz-nos o Evangelho, tem uma forma muito própria de se expandir e afirmar: é como um grão de mostarda, assente em pequenos começos; funciona como o fermento, ou como o sal, tanto mais efectivos quanto menos centram a atenção em si mesmos.
Como se mede, então, o sucesso da Igreja? Numa perspectiva enformada pelos ideais de Cristandade, dá-se muita importância ao número de aderentes, aposta-se que a influência mais eficaz sobre o mundo passa por a Igreja incorporar a sociedade cada vez mais dentro de si. Por aqui, corre-se o risco de começar a identificar o Reino de Deus com a Igreja e abre-se a porta às tentações de poder que buscam a docilidade de um rebanho disciplinado, obediente e uniforme que dá imagem triunfalista de força, ao mesmo tempo que é facilmente vigiado e dirigido. A Igreja, nesta perspectiva, é um ponto de chegada, trabalha para trazer as pessoas para si e aderir e estar dentro dá todas as garantias, especialmente para a eternidade.
Contudo, a Igreja não é ponto de chegada, mas de partida. Não é porto de ancoragem, é plataforma de missão, de envio. Não é segurança de todas as garantias, mas responsabilidade de serviço e testemunho. Esta é a perspectiva apostólica da Igreja, “apostólica”, isto é, enviada, a quem foi entregue a responsabilidade de uma missão no mundo.
Certamente que a Igreja se faz, em cada tempo e em cada lugar, de homens e mulheres concretos. E só pode continuar a servir a sua missão se conseguir entusiasmar sempre novos seguidores de Jesus Cristo. A messe é grande e os trabalhadores são sempre poucos. Mas a busca, pela Igreja, de novos membros para a Igreja é movida sobretudo por um desejo que o caminho de desenvolvimento humano, realização pessoal e felicidade, no compromisso pela construção dum mundo justo (o que constitui o seguimento de Jesus), seja aproveitado por outros, porque acredita que pode ser o melhor para cada um. A experiência inequívoca dos seus membros leva ao desejo de espalhar essa boa notícia e partilhar essa salvação encontrada. A Igreja alegra-se com a adesão de novos cristãos porque isso é radicalmente bom para as vidas dessas pessoas, mais, muito mais, do que porque é útil para a Igreja crescer no número do seus membros. É um exercício de responsabilidade pelo outro, não de interesse próprio. Claro que os níveis de empenho e participação serão diferentes, mas isso é inerente ao respeito pelos ritmos, a sensibilidade religiosa e a capacidade de compromisso de cada um.
Maiores números não garantem necessariamente mais eficácia apostólica na sua missão. Importa olhar, não para os números que dão tamanho à Igreja, mas para a pujança da vida no interior da Igreja e o que essa vida faz aos seus membros e o que a Igreja, através dos seus membros, está a fazer no mundo e pelo mundo. Não é a dimensão da Cristandade que é sinal de eficácia da missão, mas a força testemunhal dos cristãos, homens e mulheres permanentemente transformados e motores de transformação do mundo.
A Igreja não existe para si mesma e não é um ponto de chegada. É uma Igreja enviada, peregrina, é movimento. Por isso, os retratos estáticos são muito pouco significativos para avaliar a sua fidelidade ou o seu sucesso. O que é determinante é o dinamismo, a pujança do espírito (alimentado pelo Espírito) que se vive no seu interior e extravasa apostolicamente para o mundo, a capacidade de adaptação e criatividade, a credibilidade das atitudes e a capacidade de continuar a propor de forma atractiva e relevante a sua mensagem. Estas serão as sementes da eficácia no serviço fiel e coerente à missão recebida de Jesus Cristo e agora encarnada em cada situação histórica.
Hermínio Rico, SJ daqui
Só se pode colocar, agora (a questão do regime), como o coroar do próprio sistema democrático. A democracia só estabiliza em Portugal com a União Europeia. Foi a Europa que pagou o que chamamos democracia. Agora a Europa deixou de pagar e vamos ver como é que conseguimos fazer sobreviver a democracia. Esta é uma fragilidade do nosso quadro constitucional, pela ausência de uma representação antropológica aglutinante, que permite distinguir o que é precário do que é duradouro. Os Governos não são para a eternidade. O País, a Nação, isso sim, é um projecto de longo curso. E alguém tem de acompanhar este processo dinâmico, mobilizando as energias nacionais para se vencerem os obstáculos. O que temos é antes uma permanente prova de existência. Das duas uma, ou o Presidente colabora com o Governo e se apaga ou está em conflito.
(...) os países precisam de um espelho limpo em que se possam reflectir, daí a necessidade da exemplaridade da Coroa, para que, quando deixarem de acreditar no imediato, continuem a ter a esperança de que, apesar de tudo, a mácula não tocou o coração das coisas, sendo possível voltar a construir tudo. E isso parte da figura do Monarca. Ele vive num quadro constitucional entre a auctoritas e a potestas. O Rei quer manter-se no território da auctoritas, no território do valor moral. A monarquia promove a junção harmónica do livre arbítrio com o que é imanente, que é exactamente o que existe no indíviduo. O que nos realiza na nossa dignidade é o livre arbítrio, e isso é essencialmente bom do ponto de vista ético, mas não é garantia de sucesso. Se fosse, não havia falências nem divórcios. As melhores intenções podem gerar resultados perversos e quando é assim temos de nos refugiar no que é imanente, na nossa identidade. Isso, não elegemos. Não elegemos o nosso ADN, não elegemos ser portugueses, nem os nossos pais nem o clima que temos. É fundamental a harmonia entre o que é imanente, o que não depende de nós, e aquilo que nós controlamos.
Excerto da entrevista de António Filipe Pimentel, director do Museu de Arte Antiga ao Correio Real nº 7, revista da Causa Real
Comprova-se como Portugal é um País dominado por marçanos quando a promoção duma cadeia de supermercados é controvérsia para abertura de vários telejornais, debates televisivos e radiofónicos, com honra de inflamadas alocuções no parlamento da nação.
* são do melhor que temos, concorrem com os melhores da Europa.
Já não é a primeira vez que lemos ou ouvimos falar de “verdadeiros fenómenos” em popularidade nas redes sociais, seja no Twitter ou Facebook ou nos blogs. Tirando o caso dos famosos produzidos pelos meios de massas que depois capitalizam a sua celebridade nas redes, o sucesso na Internet é bastante democrático. Mesmo tendo em conta que nem toda a gente é dotada da mesma capacidade de gerir as ferramentas social media, ou seja, de construir uma coerente rede de relações quantitativa e qualitativamente boa, convém realçar que o suporte desse sucesso dependerá sempre da matéria-prima. Entende-se aqui “matéria-prima” como “conteúdo” ou “substância”; a qual, sem uma boa concepção, sem que reúna originalidade na ideia e pertinência na informação, em nada resultará. Isto corresponde a uma velha e incontornável máxima dos primórdios dos motores de busca web: “na Internet o conteúdo é rei”. Ou seja, na Internet, o seu sucesso depende maioritariamente do mérito, nunca de estatuto, e muito pouco da sua história.
Texto editado, publicado originalmente aqui
Quem siga o debate político e acompanhe a Comunicação Social de referência, dificilmente encontra alusões à evidência de que navegamos no olho de um furacão, no centro de uma tempestade perfeita. Onde se entrecruzam as fragilidades do regime, o acumular de políticas criminosas, uma crise financeira exógena e determinantes transformações geoeconómicas. A algraviada de recados políticos que alimentam as manchetes dos jornais e abertura dos telejornais encobrem a crua realidade que vivemos: o fim de uma Era, de uma “construção” socioeconómica insustentável. Um aborrecido detalhe, cujo capítulo seguinte ninguém verdadeiramente quer saber, por respeito aos senadores e arquitectos de tão esplendorosa obra. É nesta ébria cegueira, em que os actores se recusam olhar para lá da espuma dos dias, entretidos que estão a discutir contas de mercearia, quem é o mais amigo do crescimento económico, do Estado Social, o mais socialista ou menos liberal, ou se será afinal o messias Hollande que nos vai salvar de Merkel e dos seus enfadonhos alemães.
Por pior que seja a sua arquitectura, qualquer regime se aguenta enquanto é regado pelo dinheiro. E quando a torneira se fecha?
Com o diagnóstico feito há muitos anos, nem a centímetros do precipício o sistema mostra vontade de se regenerar. Se os partidos se desligaram das comunidades em detrimento da plutocracia que os alimenta, se os deputados não representam os eleitores, se o sistema semipresidencialista se revela uma manhosa irrelevância política, se a economia não gera riqueza que pague os descomunais custos do Estado, o que é que deveria ocupar as mentes brilhantes das nossas elites? A sua preocupação é a de sobreviver mais um dia e mais outro, um de cada vez, do estatuto e privilégios conquistados, que hipotecaram irremediavelmente as gerações vindouras.
O que nos une hoje é a camarata de terceira classe do navio chamado Europa que mete água por todos os lados. Anestesiados pelas vagas alterosas, aos portugueses de pouco serve ou consola o mal dos vizinhos. É que, fiéis à nossa tradição ultraconservadora de nada mudar até tudo cair putrefacto, à trágica incapacidade de nos regenerarmos por nós mesmos, mesmo na evidência da catástrofe, corremos o sério risco de sermos o primeiro lastro a ir borda fora. E assim nos afundamos enroscados como lapas aos nossos "pais". Ao pai da Revolução, do Serviço Nacional de Saúde, da Constituição, do Socialismo, e de tantas outras ressequidas vacas sagradas.
Sublevação popular como não há muito não se via: o povo inconformado, largou o sofá... para ir às compras.
P.S.: Sobre o assunto, ler este texto de Carlos Guimarães Pinto
Assinala-se este ano o 80º aniversário da prematura morte do último Rei de Portugal, o Senhor Dom Manuel II.
Apesar de ter sido curto o seu reinado, não tendo sido também longa a sua vida, a figura de S.M.F. , nas diferentes facetas da sua acção pública, merece a atenção de todos os Portugueses.
Assim, a Real Associação de Lisboa organizará durante o corrente ano algumas iniciativas que visam dar a conhecer o reinado e a vida posterior deste nosso Rei, tendo procurado e obtido a colaboração de renomadas personalidades e instituições nacionais. A primeira dessas iniciativas será uma conferência sobre a dimensão política do reinado, com alocuções dos Profs.Drs. Maria Cândida Proença e José Miguel Sardica, que será já no próximo sábado, dia 5 de Maio, a partir das 15h30, no Centro Nacional de Cultura ( Largo do Picadeiro, ao Chiado ), lembrando o dia 6 de Maio de 1908, data da Aclamação de Dom Manuel II nas Cortes. A entrada é livre.
(...) Agora queria que me deixassem em paz. Se calhar já é tarde. Os cartuxos só admitem vocações até aos 40 anos, já tenho o dobro, não sei se tenho capacidades de viver sozinho. Mas pelo menos queria, com a liberdade pessoal suficiente e sem imposição de tempo, dedicar-me à oração. Mais do que isso: dedicar-me a descobrir o valor da palavra, o autêntico significado da palavra, no sentido de linguagem, de expressão da realidade, no sentido de logos. Encontrar-me na meditação da palavra como expressão do mundo, da existência, da história, e descobrir-lhe um sentido.
Sem repararmos, a tinta das paredes da casa, há muito escolhida num catálogo de infinitas tonalidades, empalidece aos poucos. As cortinas, os sofás, um dia imaculados num enxoval de expectativas, arruçaram-se com o uso. Uma torneira teima em pingar e não veda. E o tapete qualquer dia também já vai a restaurar. Na caixa das memórias, as fotografias perdem cor; e bilhetes com sentimentos vividos, cartas e postais ganham tons de pergaminho. São fragmentos de uma história já antiga.
O tempo, implacável, tudo desagrega e tudo corrompe. Habituámo-nos a festejar os aniversários dos miúdos todos os anos, sem contar que a existência passa sem que a possamos pausar. Para abarcarmos definitivamente aquela pele imaculada e aqueles olhos fundos e tão grandes, incondicionais, brilhantes de surpresa e expectativa, tão cheios como o céu, como a vida. O tempo escapara-se-nos entre rituais.
Vieram novos projectos, dias banais, aflições, trabalhos e tantas estações. Limpezas de primavera, roupas de Verão e roupas de Inverno. Mas ressuscitámos sempre o amor, ainda mais quando o frio apertava. Fazendo das misérias as forças, para não morrermos nem um bocadinho. Sempre atentos a juntar os pedaços, a compor e restaurar sempre o mesmo amor. Reinventando velhas harmonias, moldando uma obra divinal. Sem desistir da grande utopia de vencermos o tempo e o mal. Sem nunca renunciarmos a ser felizes e gente maior.
Texto reeditado.
Evangelho segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus: «Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge, enquanto o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário não se preocupa com as ovelhas. Eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a vida pelas minhas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. Por isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e de a retomar: foi este o mandamento que recebi de meu Pai».
Da Bíblia Sagrada
Everybody Loves You When You`re Dead, tema de um dos melhores álbuns dos Stranglers, que dedico a Miguel Portas. Sem mais.

O Diário de Notícias titula em manchete de capa que “a Extrema-direita activa em Portugal preocupa a Europol” e eu tremo de medo. Medo que uns quantos manifestantes de cara tapada invadam e escaqueirem uma qualquer esplanada a favor das vítimas da exploração capitalista, contra a perigosa ameaça liberal, medo que violem a propriedade privada para a instalação de clubes recreação psicadélica e comunidades alternativas, que incentivem à revolução contra os ricos e o governo eleito pela partidocracia, medo que se ponham para aí a queimar automóveis “de marca”, bancos e representações comerciais imperialistas, e que suportem movimentos terroristas na América do Sul ou "ditaduras do proletariado" como a Coreia do Norte. Tremam de medo da extrema-direita.

Quando a notícia de capa dum jornal chamado “de referência” sobre a efeméride do 25 de Abril é a discutível opinião das esquerdas na oposição sobre o discurso do Chefe de Estado no parlamento, está tudo dito. Dá ideia que o pessoal lá na redacção não descansa enquanto não tiver a malta na rua, uns bancos, carros e lojas a arder para fazer uns bons bonecos e manchetes. Ou então que aqueles que compram jornais se reduzam cada vez mais a um nicho de carolas masoquistas, agências de comunicação, gabinetes partidários, quadros do Estado e professores reformados.
* "Palavra de ordem" de uma claque de futebol do norte.
Não podemos esquecer que nos dias seguintes à revolução dos cravos iniciou-se uma encarniçada luta pela Liberdade, que teve o seu auge a 25 de Novembro de 1975, mas que ainda hoje perdura, e perdurará enquanto imperar nas sombras e às claras uma casta omnipotente que se considera herdeira duma superioridade moral em relação aos demais. O sequestro da Direita, ainda hoje envergonhada da sua natureza e ideias.
Ao cabo de trinta e oito anos deveria ser uma evidência que o socialismo, nas suas várias adaptações e intensidades, não é a única receita para a resolução dos problemas dos portugueses. De resto, aprender a conviver de igual para igual com os que pensam de maneira diferente é, neste País ainda hoje, uma longínqua meta civilizacional, o “25 de Abril” que nos falta cumprir e que acredito um dia nos redimirá.
Segundo um relatório de um espião da coroa britânica de serviço em Lisboa ao tempo da “questão inglesa” era nas manobras dos chefes políticos que estava a lógica dos acontecimentos, porque em Portugal “a animosidade dos partidos é mais poderosa do que o patriotismo”.
George Petre, oficio a lord Salsbury, 31.3.1890 In D. Carlos – Rui Ramos, Círculo de Leitores 2006
É lamentável que os numerosos “pais da revolução” (que falta faz uma mãe para serenar as excitações), alguns politicamente activos nos últimos anos, não tenham tomado uma posição assim assertiva quando, numa criminosa gestão política, percorríamos o caminho da insustentabilidade financeira que nos atirou para este atoleiro de miséria. Aos militares de Abril não sei, mas a Mário Soares certamente não seria suposto explicar que o dinheiro não nasce nas paredes dos multibancos, já que ele foi primeiro-ministro de dois resgates financeiros pelo FMI, em 1977 e 1983, tempos de austeridade e miséria, ocasião em que foi politicamente vilipendiado pela habitual aliança entre a extrema-esquerda e os sindicatos, mobilizados para incendiar a rua e restabelecer o seu processo “revolucionário” interrompido.
Estranho pois como gente com responsabilidades, sabendo o que está em jogo no acordo com a Troika, prefira capitalizar protagonismos estéreis com atitudes incendiárias. Après moi le déluge, ou apenas um fenómeno de senilidade?
Evangelho segundo São Lucas
Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?». Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles. Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».
Da Bíblia Sagrada
Deliciosa viagem no tempo: em Novembro de 1973 John Lennon lança Mind Games seu quarto LP o primeiro produzido inteiramente pelo próprio. Lembram-se desta pequena maravilha?
Muito nossos
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