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A desventura do Ventura

por João Távora, em 21.08.17

ventura.jpg

Lançar umas quantas imbecilidades para a comunicação social rendeu a André Ventura um protagonismo inusitado nesta campanha para as eleições autárquicas de Outubro próximo, de que o candidato do PSD à Câmara Municipal de Loures é sem dúvida nenhuma a grande revelação. Confesso que não sigo os debates de futebol e talvez por isso este candidato, de quem se fala ter outras ambições dentro do PSD, tem-se revelado para mim uma má surpresa. Certo é que o personagem, com o seu discurso securitário e racista, granjeou enorme atenção por parte dos média, e de caminho cativou muita gente do meu círculo de quem eu imaginava mais algum critério de avaliação. As pessoas andam zangadas…
Mas no meu entender mais grave que o juízo proferido sobre todos os ciganos, foi a defesa da “prisão perpétua para os delinquentes”, algo que me parece inadmissível para um democrata-cristão, que defende a dignidade do recluso porque “todo o Homem é maior que o seu erro”. Que estas patacoadas, à maneira dum taxista com o grão na asa satisfaçam a exigência do eleitor e substituam um programa politico e uma estratégia de gestão de um concelho como o de Loures é que ainda tenho dúvidas. Mas o certo é que o comentador benfiquista já ganhou o primeiro desafio: está nas bocas do mundo e quando abre a boca tem logo uns quantos microfones à frente. Tiro-lhe o meu chapéu!

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Domingo

por João Távora, em 20.08.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada. 


Palavra da salvação. 

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Algumas notas sobre a espuma destes dias de brasa

por João Távora, em 19.08.17

costa.jpg

A soberania...

…não deveria ser apenas uma arma de arremesso para quando o País é financeiramente intervencionado por incúria da governança. A notícia hoje destacada no Expresso de que um contingente militar espanhol atravessou a fronteira em apoio aos bombeiros que acorriam ao grande incêndio de Pedrógão Grande à revelia do Estado português deve-nos deixar apreensivos. A entrada de forças armadas estrangeiras num estado soberano, por uma questão de principio deve obedecer a rígidos protocolos.  Instado pelo mesmo semanário o ministério da defesa não esclareceu a situação. Dá ideia de que estamos entregues aos bichos, é o que é.

Menos mal

No contexto da tragédia do ataque terrorista em Barcelona, parece um sinal de bom decoro a presença sem polémicas separatistas do Rei Filipe VI e do primeiro-ministro Rajoy na manifestação de repúdio e pesar ocorrida na Praça da Catalunha. Já os movimentos anti-turismo não se fizeram notar, ultrapassados que foram na proporção da força aplicada pelos radicais islâmicos com quem comungam alguns dos intuitos.

A piada da semana

Finalmente uma nota sobre a entrevista de António Costa à revista do Expresso, uma bela borla para um toque de charme no tiro de partida para a rentrée política. Nela o primeiro-ministro afirma que não disputa popularidade com Marcelo, dizendo sem se rir que “quem toma medidas difíceis são os governos”. Não estaria certamente a referir-se às suas “reversões”, mas sim ao governo de Passos Coelho que teve de assumir o resgate de um país em bancarrota, a cumprir um pesado programa austeridade e de duras reformas para recuperar o crédito internacional.

 

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Quinze de Agosto

por João Távora, em 15.08.17

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 Rubens

(1577-1640)


Magnificat

 

A minh'alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador
Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva:
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração 
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço
E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
E aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais,
A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre.

Amém.

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A onda terrorista

por João Távora, em 13.08.17

Patricia Gaspar.jpg

Com meio país em chamas descontroladas não é com espanto que vejo na televisão Patrícia Gaspar a porta-voz da desgraça oficial que nos coube em fado, no velho choradinho da culpa dos pirómanos. Afinal a culpa é dos pirómanos responsáveis pela ignição de 90% dos incêndios, não é do clima, do ordenamento da floresta ou das políticas de prevenção. Trata-se de uma onda terrorista, segundo Marta Soares. Um discurso irracional que convida o pessoal escolher a sua teoria da conspiração e montar umas milícias populares, contra os empresários da madeira queimada ou do aluguer dos helicópteros que pagam os incendiários, contratados a troco de um maço de tabaco e uma garrafa de vinho num recanto da tasca da aldeia. É a fuga para a frente do poder impotente confrontado com a sua proverbial incompetência. Já todos sabíamos que a culpa do nosso triste destino sempre foi dos privados, das bruxas e dos maluquinhos. Contra esta insanidade não há nada a fazer, o que é muito conveniente.

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Domingo

por João Távora, em 13.08.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus 


Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus». 


Palavra da salvação. 

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A anomalia

por João Távora, em 10.08.17

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Quaquer criança ao ver estas três variantes, vai dizer que há duas que não encaixam. Há dois cintos que não vão cumprir na plenitude as suas funções. 

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Má Consciência?

por João Távora, em 10.08.17

O Filipe Nunes Vicente, velho amigo desta casa, está de volta com um novo blogue, o Má Consciência. Perdido ou encontrado durante meses na modalidade de trincadelas sonoras com140 carateres o Filipe concede de novo à velha fórmula da conversa de sala. Eu já reservei o meu lugar. 

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Ganhámos um jogo de treino

por João Távora, em 06.08.17

jesus18.jpg

É no mínimo preocupante quando uma equipa que tem ambições de vencer o campeonato faz mais de metade do seu primeiro jogo com um adversário que almeja a manutenção, empastelado no meio campo com baixíssima produção atacante, perdida numa experiência de última hora. O Bruno Fernandes no lugar de Podence, desaparecido nos mesmos terrenos de Adrien, foi um enorme equivoco que nos podia ter custado o empate na primeira parte. Com a equipa assim encolhida o futebol leonino claramente só desemperrou já na segunda parte com Podence à solta no último terço do terreno – o miúdo traz velocidade e rebeldia fundamental naquela zona do campo. É preocupante que Jorge Jesus teime em fazer experiências como se não estivesse em competição, mas está-lhe na massa do sangue protagonizar “surpresas” para mostrar que existe, que é ele que manda. Não havia necessidade - está claro para todos que é ele que manda - e podia ter corrido muito mal. 

À parte dessa inquietação, e para além de não termos sofrido golos, é de destacar o extremo esquerdo Acuña, que exibe uma generosidade excepcional a defender, umas ganas bestiais a atacar, e um faro de golo raro. Temos Leão para atacar o título. Só espero que não percamos o Gelson Martins.

 

Texto publicado originalmente aqui

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Domingo

por João Távora, em 06.08.17

Evangelho (Mt 17,1-9)

 

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias”. Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus toda a minha complacência. Escutai-o!” Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. Jesus aproximou-se, tocou neles e disse-lhes: “Levantai-vos, e não tenhais medo”. Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.

 

 

Palavra da Salvação.

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SOS Turismo

por João Távora, em 05.08.17

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O Instituto Nacional de Estatística divulgou ontem os números relativos à actividade turística em 2016 em Portugal que espelham o sucesso deste sector de actividade económica: as receitas do turismo cresceram 10,2%, significando um total de 12,7 mil milhões de euros de exportações, que correspondeu a um aumento de 10,7% na oferta, onde se inclui hotéis, turismo rural e alojamento local, correspondendo o peso deste último a 11% do total nacional em dormidas.

Tudo isto significaria apenas boas notícias não fora os problemas que se antevêem com a massificação do Turismo nos maiores destinos turísticos da Europa como é exemplo o caso de Barcelona de onde nos chegam sinais de falência do modelo de negócio. Se é certo que há um aproveitamento político pelos movimentos de extrema-esquerda cuja intenção é tão só a contribuição para um caos que favoreça o crescimento da insatisfação popular, esse facto por si alerta-nos para a fragilidade desta indústria que se sustenta fundamentalmente na paz social… e no bom acolhimento. Um caso preocupante é aquele recente que li algures do apedrejamento de um autocarro panorâmico de turistas por um grupinho de radicais em Barcelona. Um artigo publicado hoje no Expresso enumera uma quantidade de problemas que esta cidade enfrenta, quando as consequências da invasão turística parecem estar a tornar-se numa ameaça real à tranquilidade dos seus habitantes, que já entendem o Turismo como o segundo maior problema da cidade, depois do desemprego. E cá pelo burgo, quem andar atento às redes sociais apercebe-se de uma onda crescente de insatisfação de muitos lisboetas com aquilo que entendem como uma invasão, principalmente oriunda de residentes ou frequentadores de zonas mais emblemáticas da cidade.
Como liberal que sou, isso não me impede de constatar que a prazo teremos um problema grave a enfrentar. Recomendam-se políticas contra a gentrificação dos centros das nossas cidades e a sua consequente descaracterização e abandono (fenómeno que antecede em muito o crescimento do turismo), e preocupa-me a costumada incapacidade dos governos agirem preventivamente com reformas que nos salvaguardem de futuros problemas previsíveis. Políticas de regulação terão de ser empreendidas quanto antes, por forma a preservar a oferta turística existente, diversificando-a e valorizando-a de modo a aumentar o seu rendimento, em vez do seu número. A aposta deverá ser na qualidade no lugar da quantidade. O turismo é uma actividade económica demasiadamente importante para deixarmos que, a prazo, se autodestrua.

 

Fotografia minha.

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Mais uma crónica na Estação Tola

por João Távora, em 04.08.17

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Se há altura do ano em que a conversa fiada e a especulação sobre a bola é legítima e até recomendável é nesta época estival, também conhecida como tola, em que as equipas se preparam e os adeptos se enchem de expectativas para as competições que tardam em recomeçar. Na verdade por estes dias o calendário futebolístico inicia-se cada vez mais cedo, um fenómeno que também vem acontecendo com o ano lectivo que roubou o mês de Setembro aos nossos miúdos que nem sonham como era ocioso e estruturante o longo Verão dos seus pais. Este ano o Campeonato Nacional que modernamente se chama “Liga” (os portugueses são peritos em mudar os nomes às coisas convencidos que dessa forma as mudam) começa na primeira semana de Agosto, entrando pelas nossas férias adentro, quando os adeptos deviam estar, não nas bancadas dos estádios, mas à beira-mar a ler preguiçosamente novidades sobre reforços milagrosos e as tácticas inexpugnáveis que dizimarão os adversários, atrasando a leitura do clássico que estava prometida para estas férias. 

Mas a verdadeira e grande novidade da época futebolística que se avizinha é sem dúvida o vídeo-árbitro. Este novo actor, mais do que revolucionar o futebol que passará a ter mais uma ou outra paragem inócua, que estou convencido trará mais justiça e transparência à disputa, acima de tudo promete incendiar ainda mais a indústria do comentário futebolístico em grande expansão nos canais da televisão por cabo. A coisa promete, pela simples razão de que muitas das decisões dos árbitros, mesmo com a ajuda do vídeo, continuarão a ser subjectivas e falíveis, dependendo da perspectiva (da cor da camisola) do observador: o milímetro a mais ou a menos do fora de jogo indefinido, a bola na mão ou a mão na bola dentro da grande área - ou a milímetros do seu limite; já para não falar da apreciação à intensidade do contacto do defesa que derruba – ou não - o atacante e da (in)justiça do consequente castigo máximo. Com a agravante das decisões de agora em diante provirem de uma análise ponderada. Por isso não vão faltar teorias da conspiração e toda a sorte de condenações e pressões sobre… o vídeo-árbitro. Se é previsível que o uso das tecnologias irá beneficiar a justeza das decisões em campo e o futebol atacante em geral, o vídeo-árbitro passará ele próprio a ser mais um inevitável protagonista do espectáculo, condenado umas vezes, exaltado outras tantas, em debates insanos por essas televisões afora.
Pela parte que me toca, continuarei a privilegiar o espectáculo do futebol dentro das quatro linhas, onde ele possui uma inegável e entusiasmante beleza. O seu prolongamento será feito à maneira antiga, ao vivo e com alma, à boa conversa ao balcão do café com os vizinhos, ou com os amigos numa aprazível esplanada. Venha daí então o campeonato que desta vez é que vamos ganhar.

 

Publicado originalmente por simpático convite no blogue Delito de Opinião

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Domingo

por João Távora, em 30.07.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?» Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas». 


Palavra da salvação. 

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Férias

por João Távora, em 27.07.17

Submerso em ociosa leitura no areal ardente de sal e de sol, ao som do estalar das ondas e das vozes das crianças exaltadas em volta de um dique esfalfado que não trava a maré, assalta- me a dúvida estremeço de inquietação...
Será que a senhora das bolas de Berlim volta a passar aqui?

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Domingo

por João Távora, em 23.07.17

 

 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

 

Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a espigar, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?’. Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’. ‘Não! ­­– disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’».

 

Palavra da salvação.

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A lista de Constança

por João Távora, em 23.07.17

Se é chocante a mesquinhez da subtracção de uma senhora morta atropelada na fuga ao fogo em Pedrogão Grande (que nos faz temer o pior), estranho mesmo é a inexistência de uma lista nominal de todos os malogrados. Faz lembrar velhos métodos de controlo da comunicação. Quantos mortos foram noticiados nas cheias de 1967 em Lisboa?

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Não gosto que me chamem estúpido

por João Távora, em 17.07.17

cruz.jpg

Neste artigo publicado na semana passada no jornal i sobre  abandono da religião pelos millennials (a geração que atinge a idade adulta no novo milénio, agora entre os vinte e os trinta anos), o fenómeno é justificado num destaque como tendo origem no acesso a mais informação por essas novas gerações. Sem querer contrariar aquilo que me parece ser uma evidência, o declínio da religiosidade na Europa e em Portugal, atribuo as causas disso mais à decadência do próprio Ocidente do que à proclamada "facilidade de acesso ao conhecimento", que me parece um mito - o verdadeiro "conhecimento" é por natureza difícil de aceder e equacionar. Pretender que a prática religiosa é proporcional à ignorância (ou à falta de informação) parece-me um equívoco recorrente e pouco inocente. Para tanto basta verificar como ao longo dos tempos o conhecimento conviveu pacificamente com a religiosidade de boa parte das elites culturais. Não me parece intelectualmente honesto afirmar que Santo Agostinho, Bacon, Burke, Dostoiévski, Kierkegaard, Pascal, Roger Scruton, ou Galileu Galilei, C. S. Lewis ou J. R. R. Tolkien ou Chesterton fossem pessoas pouco informadas. Ou que dizer do poeta Ruy Belo, da escritora Agustina Bessa Luís, ou dos recém-convertidos ao catolicismo, o encenador Luís Miguel Cintra ou a jornalista Clara Ferreira Alves? A verdade é que chegados aos nossos dias a religiosidade apresenta-se frequentemente parceira da erudição. Era Afonso Costa que afirmava acreditar que a prática religiosa se extinguiria numa geração informada"? A perda de religiosidade dos povos europeus pode ter diversas causas, mais ou menos directas, mas nenhuma estará ligada ao acrescimo de “conhecimento”. Atrevo-me a afirmar, "antes pelo contrário". Qual será afinal a origem da perda de exigência filosófica, num mais profundo questionamento existencial por parte das novas gerações? Não será o inalienável direito ao entretenimento e à leviandade? 

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Domingo

por João Távora, em 16.07.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

 

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça». Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Porque lhes falas em parábolas?». Jesus respondeu: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: ‘Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas sem ver. Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure’. Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem! Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. Escutai, então, o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».

 

Palavra da salvação.

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O horror feito belo

por João Távora, em 11.07.17

O Meças.jpg

O Meças, de José Rentes de Carvalho trata-se em minha opinião de uma obra de uma beleza superior, na forma encontrada – sublime, diga-se - para descrever os meandros mais obscuros da condição humana. Para mim, essa narração encontra o seu cúmulo no capítulo em que o Meças, do interior do seu predilecto Mercedes observa uma família feliz a fazer um picnic ruminando um ódio explosivo, emergente da conjugação desordenada dum cocktail de sentimentos chamados de “baixos”. Ou de como afinal o leitor “inocente” possuí a intuição natural de descodificar tamanha malvadez, e assim embalar numa inquietante tensão que se nos cola do principio ao final da novela. Há no Meças um mergulho profundo nos interstícios de uma mente perturbada, do potencial de violência que um individuo pode (não) conter. Tão plausível quanto o retrato dum café incaracterístico de província. Ou de diferentes misérias contrastantes, como o caso da figura flacidamente vulgar e cândida do filho do Meças.

E terminamos esta leitura densa com a sensação de termos assimilado um quadro próximo do perfeito, assim sendo do Belo. Há uma mestria sublime de Rentes de Carvalho na construção frásica, na utilização da palavra e da tensão que ela gera. Em que cada palavra é escolhida para a construção dum sentido próprio, uma coloração, uma textura, uma sonoridade meticulosa que nos revela cada poro que dá forma a um retrato profundamente humano da gente com que nos arriscamos cruzar nos abismos de nós próprios. Pois que se assim não fosse toda a leitura resultaria num nonsense.

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Domingo

por João Távora, em 09.07.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

 

Palavra da salvação. 

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