Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
O Público aos gritinhos

O Público é aquele orgão que escreve, na 1ª página, no lead da manchete,  que a actual taxa de desemprego é causada pelas medidas de austeridade deste governo, branqueando o desgoverno passado.

Público é aquele orgão que relaciona o caso das secretas com o ministro Relvas, deixando zelosamente em claro que todos os factos se passaram no consulado Sócrates e são, aliás, emblemáticos dele (como recentemente lembrou António Lobo Xavier).

O Público é aquele orgão que tem como referências o «crescimento» de Sócrates e Seguro, o senhor Hollande e sua amante, e a intragável Moreira.

O Público não é, como se sabe, um orgão de informação, mas apenas um agente de interesses partidários (com a excepção contrastante do lado esquerdo em baixo da última página de sexta a domingo).

O Público merece, portanto, muito menos credibilidade do que o ministro Relvas, que é o que diz ser e foi eleito.

E até prova em contrário, portanto, aquilo que o Público pretende apresentar como defesa da liberdade de informação não passa, vindo de quem vem, de mais que novo ataque da oposição contra o governo.



publicado por José Mendonça da Cruz às 02:33
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A melhor equipa na final da Champions

Pedro Proença fez, anteontem, na final Chelsea-Bayern da Champions, uma arbitragem imperial.

Foi discreto, apagando-se e deixando jogar, mas esteve sempre presente, decidindo depressa e bem sempre que foi preciso. Não errou uma vez, nem uma. Não errou nem por acção, nem por omissão. Teve sempre o jogo controlado, sem ter que mostrar um cartão. Fez uma grande arbitragem, uma arbitragem de classe. E - certamente sem sequer pensar nisso - terá provocado grandes estragos na tosca versão dos dirigentes benfiquistas de que se deve às arbitragens, e não às insuficiências de gestores e treinador, a derrota no campeonato. Areia nos olhos cada qual toma a que quer.



publicado por José Mendonça da Cruz às 02:02
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
Não foi nisto que eu votei e não é para isto que eu pago

Não me surpreende nem indispõe a austeridade. Depois de anos de irresponsabilidade alarve e de gestão satisfeitamente danosa nem era possível outra coisa. Mas surpreende-me e indispõe-me que a política governamental seja norteada pelo persistente e exclusivo desejo de confiscar bens e colectar ainda mais dinheiro.

Não sinto a falta (e, aliás, agradeço a recusa) de «políticas de crescimento» tal como o PS as entende - os gastos em rendas «solidárias» e infraestruturas que produzem ilusões passageiras e nos trazem aonde agora estamos. Mas indigna-me a inexistência de políticas de crescimento tal como as prometeu o partido do governo, o programa do governo e o primeiro-ministro: a reforma da Justiça, a reforma do fisco, a reforma da legislação imobiliária, as reformas para mudar este Estado falsamente assistencialista e abusivamente intrometido.

Não me agrada, mas compreendo, a geral poupança em prestações sociais, um nível de impostos «insustentável» (diz Passos Coelho), um geral aperto. Mas aliena-me, talvez irremediavelmente, que este Governo «liberalizante» não tenha um pensamento, um gesto, uma medida para promover a concorrência, antes preservando e promovendo monopólios ou oligopólios, como o papel dominante e asfixiante da Galp nos combustíveis ou da EDP na energia.

Não me preocupa que um liberal com obra publicada seja titular de uma pasta «demasiado grande», «ingerível», «mastodôntica». Mas envergonha-me ver esse liberal classificar, sem um estremecimento, de «momento histórico» o anúncio dos cortes de rendas no sector energético que, mais uma vez, deixam incólume a EDP - e me fazem tomar como realmente justa a frase de Seguro sobre um governo «forte com os fracos e fraco com os fortes».

Não temo - e, aliás, desejo - uma economia livre, e não encaro, em teoria, as privatizações como acções de lesa-pátria. Mas desgosta-me um governo que (por avidez de dinheiro, sempre, e tomando os eleitores por parvos) proclama as excelências da venda da EDP à Três Gargantas, e depois cala as gravosas cedências e compromissos que desvalorizam substancialmente o negócio. E considero sombrias, altamente suspeitas e inaceitáveis as negociatas cimenteiras de bastidores - anti-democráticas, obscuras e lesivas, até prova em contrário. 

Não tenho saudades de ladrões de gravadores, mentirosos compulsivos, gestores daninhos, clones presunçosos ou piores ministros da Europa. Mas dói-me ver uma ministra defender como futuro a protecção do lince, enquanto, com inultrapassável cinismo, lança «taxas de segurança alimentar» para sacar mais uns cobres ao que ainda sobrevive e mexe.

Não tenho saudades - e tenho, aliás, ainda nojo - dos erros e negociatas do anterior executivo, sempre expedito no disparate e sonoro na respectiva propaganda. Mas desilude-me que uma das poucas decisões razoáveis, a da mudança da lei do arrendamento, agora arraste pés e acumule adiamentos - com assinalável desprezo pelos planos e necessidade de previsibilidade de senhorios e inquilinos.

Não compreendo ainda hoje como foi reeleito um primeiro-ministro socialista que já deixara bastamente claro que tinha a irresponsabilidade como método e a ilusão como política. Mas nem por isso me parece mais tolerável a abulia perante acontecimentos graves, como a manutenção do director dos serviços secretos no lugar, a não atribuição de responsabilidades e (como se nada se tivesse passado) a ausência de uma reorganização profunda e séria, de uma refundação, mesmo.

Não tenho o menor respeito por quem gere como se o dinheiro aparecesse sempre. E vou-o perdendo a quem permite que as autarquias não só não poupem, mas contratem ainda mais gente, e a quem deixa murchar até morrer uma alegada «reforma do poder autárquico».

Não culpo o actual governo - e culpo o governo anterior inteiramente - pelo presente nível de desemprego. Mas não considero normal que a um primeiro-ministro falte tão gritantemente a formação humana e cultural que lhe evitasse dizer brutalidades e parvoíces.

Gosto de ver Sócrates e seus capangas no limbo político - embora preferisse vê-los politicamente mortos e enterrados.

Mas não foi a isto que eu dei o voto.    



publicado por José Mendonça da Cruz às 16:11
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
Jornalismo de reverência

Comprei,hoje, o Público, num impulso de curiosidade: será que ainda é o orgão oficial do Partido Socialista? Li o Público e a curiosidade passou-me logo: sim, ainda é feito no largo do Rato. Para aproveitar a compra, li depois o artigo humorístico com chamada à 1.ª página intitulado «O poder nunca impressionou a anti-Carla Bruni, Valérie», que é, como calculam, sobre a «companheira» de Hollande. Começa, o Público, por celebrar, entre outros achados, ela não ser casada com Hollande, o que, obviamente, é muito mais virtuoso do que ser. Mais descobre o Público que Valérie não vai ser «um jarrão» (o que é uma escolha terminológica curiosa como contraponto a Carla Bruni), e que foi ela que «despertou no socialista as possibilidades de um "cisne negro", um acontecimento-surpresa», e que tem «determinação» e que «não hesita em dizer o que pensa quando acha que o deve dizer», e que é vista como «a anti-Carla» que, diz o Público, «se travestiu de várias personagens ao lado do presidente Sarkozy», porque esta, a Valérie, tem «uma beleza discreta mas sem ostentação de marcas e atavios». Além de que Valérie é jornalista, como as pessoas que escrevem estas coisas no Público.

A estes fundos de ridículo e jornalismo cor-de-rosa chegou, portanto, a imprensa «de referência».



publicado por José Mendonça da Cruz às 14:01
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Estratégias de crescimento da dívida

Era previsível, mas é confrangedor à mesma. Ei-los eufóricos, como se tivessem ganho alguma coisa e a falência em que nos lançaram se esfumasse porque houve eleições noutro país.

Soares quer rasgar compromissos e honra, Seguro ufana-se de reapresentar adendas, Peres Metelo (em representação dos media rosas) diz que «Merkel teve uma grande derrota» e que «há um grande movimento na Europa». E todos agitam as bandeiras das «estratégias de crescimento» e dos gastos públicos para, como Sócrates dizia, «reanimar a economia». Adivinham-se as histéricas ilusões dos Barrosos, dos Vitor Ramalhos, dos Santos Silvas, dos Silva Pereiras, dos Galambas, dos Públicos, do Expressos, quando alguém perder tempo a ouvi-los ou lê-los. 

Com a habitual sem-cerimónia, Medina Carreira explica: «Essa gente quer é dinheiro»

E logo lembra que nunca entrou tanto dinheiro em Portugal como nos anos de Sócrates, e viu-se o que fizeram com ele e o resultado que deu.

Comentando este sonho socialista de que a austeridade já chega e o que é preciso é voltar à bancarrota, José Ribeiro e Castro usou anteontem, na tv, de humor mais fino mas igualmente certeiro: «Quando eu cheguei aqui estava a chover. Eu não ralhei com a chuva, porque não adianta. Nem optei por estratégias de fato de banho e havaianas para ver se a chuva parava.»

Pois não. Essas contorções são especialidade do largo do Rato.

 

 

As-saudá-des-queu-já-tinha-da-minha-ve-lha-casi-nha, junt`à-árvor`-das-patacas



publicado por José Mendonça da Cruz às 02:05
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
Hollande e os ecos

Em Deus querendo, dá-se a hipótese boa de Hollande ser mentiroso.

Mentiroso, ele, presidente, não baixará a idade da reforma em França.

Mentiroso, ele, presidente, não aumentará SMIC, nem pensões, nem subsídios de desemprego, nem outras prestações sociais.

Mentiroso, ele, presidente, não engordará ainda mais um Estado Social insustentável.

Mentiroso, ele, presidente, não fechará centrais nucleares seguras e baratas em honra de ambientalistas e «apostas renováveis» altamente subsidiadas.

Mentiroso, ele, presidente, não repetirá que o adversário «é a alta finança», ou «os mercados» como dizem os pobres cá.

Mentiroso, ele, presidente, não gastará rios de dinheiro dos contribuintes, nem aprofundará o défice, nem cavará a dívida pública, para «investir» em «estratégias de crescimento», que é o novo nome socialista para PPPs e o controlo público opaco da economia privada.

Em Deus não nos protegendo, Hollande fala verdade.

E, ele, verdadeiro presidente, conduzirá a França ao desastre e, com ela, a Europa a uma crise que fará parecer brincadeira a de 2008.

Hollande mentiroso pela graça de Deus, ou Hollande verdadeiro para mal dos nossos pecados?

Não se sabe.

Não se saberá antes de Julho, antes de passarem as eleições legislativas francesas. Iremos sabendo depois.

Mas há coisas de que podemos ter a certeza: de que os socialistas portugueses se vão julgar justiçados, e vão clamar sonoramente (e os media todos com eles) pelas tais «estratégias de crescimento», e contra «os mercados», e contra «a austeridade», e por uma «Europa da solidariedade».

E, perguntarão: A direita preparou-se para este resultado eleitoral francês tão previsível?

Não se sabe. Mas eu tenho uma pergunta pior: Qual direita? A que ainda não levou à prática uma reforma estrutural? A que continua envolvida em negócios eléctricos e cimenteiros? A que lança taxas de «segurança alimentar» sobre o pouco que ainda mexe? Pois. Essa, não. 

 



publicado por José Mendonça da Cruz às 02:17
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
Que o cargo lhe seja excessivamente pesado

É verdade que François Hollande ganhou o debate com Sarkozy, sobretudo com aqueles três minutos de «Moi, président, je serai» e «Moi, président, je ne serai pas».

É verdade que tem um ar respeitável, seguro, sereno, como Guterres tinha.

É verdade que promete mudanças na França, na Europa e no Mundo pela simples presença da sua augusta pessoa, como Sócrates prometia.

Mas, ou as propostas de Hollande são mentira (aumentar as prestações sociais, borrifar-se no défice e na dívida, pôr tectos artificiais nos preços, fechar centrais nucleares para agradar aos ambientalistas, incumprir o tratado europeu, gastar à doida o dinheiro dos contribuintes naquilo a que os socialistas agora chamam «estratégias de crescimento»), e se forem mentira não vem grande mal à França ou ao Mundo; ou então, as propostas de Hollande são verdade, e, após um breve período de aparente recuperação, lançarão a França, e depois a Europa, num desastre sem precedentes. 2008 vai parecer uma brincadeira.

Mas é verdade que parece sereno, e seguro e sério. Tal qual como Guterres e Sócrates. E é verdade que já não tem uma Ségolène (embora não tenha uma Carla). E sendo assim, que assim seja: de muito proveito para os Franceses e de excessivo peso para o novo chefe de Estado.



publicado por José Mendonça da Cruz às 21:01
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Que a vida civil lhe seja leve

É verdade que, quem lesse Temoignage, o livro que Nicolas Sarkozy publicou pouco antes de se candidatar à presidência, reconheceria nele uma lufada de ar fresco.

É verdade que as propostas que fazia prometiam uma França regenerada, a França higienizada do jacobinismo, menos complacente, mais arejada e moderna e competitiva, menos gastadora e garantista. Menos socialista, em suma.

É verdade que dessas propostas poucas foram levadas à prática -- sequer na forma tentada.

É verdade que muitas das idiossincracias Sarkozianas podem ser irritantes, e, após longa exposição, até insuportáveis (mas a Carla não).

É verdade que Sarkozy vai, amanhã, perder a 2.ª e decisiva volta das eleições presidenciais.

Mas é verdade, também, que a alternativa é sombria.

Também Guterres era mais jovial, e convincente, e seguro, e promissor e propagandeado do que Fernando Nogueira. Era, também, como vimos e ainda pagamos, infinitamente mais pernicioso.

Também Sócrates era mais dinâmico, e persuasivo, e promissor, e moderno do que Manuela Ferreira Leite. Era, também infinitamente irresponsável, manipulador, incompetente e carente de seriedade, como ainda duramente nos custa e pagamos.

Mais, la Fraaaaaaaannnnce, decidiu mudar. Que a terra lhe seja leve. E a vida, a Sarkozy, leve (e a Carla também).

 

 



publicado por José Mendonça da Cruz às 20:47
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
Sont`ils fous, ces français?

Se as sondagens francesas estivessem correctas seria eleito próximo presidente de França o sr. Hollande que, neste momento, discute com o presidente Sarkozy (FranceTV). E a França começaria a percorrer um caminho de desgraça que nós, aqui, conhecemos muito bem, e que viria de ricochete prejudicar-nos e à Europa..

Para além do facto de Sarkozy ser articulado, ter os dossiers na ponta da língua e ser um polemista feroz, eis o que, do outro lado, Hollande propõe, a mero título de exemplo: um tecto para o preço dos combustíveis.

O tecto é, evidentemente, diz Hollande, para a venda ao público. O barril no mercado internacional continuaria a subir ou a variar, sem que um senhor Hollande presidente pudesse fazer fosse o que fosse. Mas enquanto o barril subia no mercado, as empresas estariam limitadas internamente por um tecto. E quem pagaria o preço artificial? Ora, as empresas, claro, que são «ricas» e «poderosas» (e pouco depois falidas, com desemprego, empobrecimento etc.) E quem mais pagaria a diferença? Ora, os contribuintes, sempre.

Poder-se-ia julgar que esta medida aparentemente benfazeja -- mas na realidade demagógica -- revela uma enorme irresponsabilidade. Mas não, ela é apenas uma medida caracteristicamente socialista: gastar o que não há para parecer «social» e bonzinho. O dinheiro, como eles sabem, cai do céu e nasce nas árvores. E, aliás, arranja-se sempre (até nos virem pedir a conta).



publicado por José Mendonça da Cruz às 21:01
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Pingo Doce e voos baixos

A atitude de pequenez mental e ressabiamento («ranhosa», ocorre-me a expressão) com que a comunicação social portuguesa atende em geral os acontecimentos ficou evidente no tratamento do desconto de 50% do Pingo Doce sobre todas as compras, durante o dia de ontem.

Todos os canais televisivos partiram para o terreno com uma agenda pre-determinada: relatar «a confusão», e «os distúrbios». Helas, a perspectiva negativa esbarrou sempre com a alegria de consumidores (a estupidez esbarrou com a esperteza, ocorre-me agora).

Porque é que as reportagens foram «pequenas», «ressabiadas», «negativas», «estúpidas»?

Porque quem quisesse realmente ir além da pura fotografia do que estava a acontecer (e que era bom para os consumidores), quem procurasse informar mais fundo e analisar as facetas menos alegres da inciativa da Jerónimo Martins, tinha duas questões importantes e esclarecedores a colocar:

Primeira, viola ou não esta iniciativa os princípios da concorrência?

Segunda, é a Jerónimo Martins que paga esta promoção, ou será ela transferida com grandes custos para os fornecedores?

Mas para que estas perguntas fossem feitas era necessário que o que as televisões fizeram fosse reportagem, realmente; e era necessário que os jornalistas no terreno não fossem meros pés de microfone com preconceitos levados de casa. 



publicado por José Mendonça da Cruz às 16:22
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
Dúvida Cândida

Vale ou não vale a pena ter uma sensação de incómodo perante uma procuradora que investiga o governo madeirense com tanta pompa e fanfarra, mas tem tanta pressa em arquivar o processo sobre a espécie de licenciatura de Sócrates sob pretexto de que pode «prejudicar outros estudantes»?



publicado por José Mendonça da Cruz às 00:10
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Uma boa ideia

Soares, Alegre e uns militares que, da mesma forma, constantemente proclamam a sua importância resolveram não aparecer em público, porque não gostam dos governantes eleitos, não gostam das políticas referendadas por maioria, não gostam de ter sido afastados do poder, e, depreende-se, não gostam do povo. Que bela ideia! Que magnífico precedente! Quantas vezes será preciso desagradar-lhes para que se abstenham mais permanentemente?



publicado por José Mendonça da Cruz às 00:03
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
Isso não, «Dr. Judite»

Alguém pede, se faz favor, à Dr.ª Judite de Sousa para não tratar os convidados pelo título e o primeiro nome, como Dr. João (João Cantiga Esteves) ou Dr. José Maria (José Maria Ricciardi)? Obrigado.



publicado por José Mendonça da Cruz às 22:01
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Rabos escondidos com gato de fora

Diz a TVI 24, no seu jornal, que a esquerda «ganhou a 1.ª volta das eleições presidenciais francesas». Não ganhou. A esquerda teve uma votação pior que nas presidenciais em que Sarkozy foi eleito pela 1.ª vez e os votos de direita são mais, somados. Mas a TVI24 não existe para dar notícias.

Dizem a Sic e a TVI que «é a primeira vez que um presidente francês não ganha na 1.ª volta». É verdade. Aliás, a informação verdadeira e completa é que é a primeira vez que a Frente Nacional tem 19% dos votos e que a esquerda teve menos votos do que há 5 anos. Mas nem Sic nem TVI existem para dar informação completa e verdadeira.

Titula alguém da SicNotícias que as «sondagens dão já 54% a François Hollande». Não dão já. Dão, simplesmente. O rabo escondido com o gato de fora acrescentou «já» porque deseja que a pontuação de Hollande suba. O rabo esperará em vão, enquanto se entretém a distorcer notícias.

Proclama alguém na TVI que as bolsas europeias reagiram em queda às eleições francesas, «sobretudo devido à votação da extrema direita». Quem escreveu isto não tem, evidentemente, maneira de saber que foi «a votação da extrema direita» que assustou as bolsas. Mas, assim, já não tem que pensar se o susto não resultará de o vencedor da primeira volta querer pôr em causa o acordo europeu para travar o défice, querer diminuir a idade de reforma, querer aumentar salário mínimo e subsídios, e, em geral, fazer tudo o que os socialistas fazem tão bem, que consiste em gastar o que não há naquilo que não é preciso.

 



publicado por José Mendonça da Cruz às 21:44
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Domingo, 22 de Abril de 2012
Notícias onde há jornalistas

Os jornalistas de televisão que, julgando-se relevantes, se entretiveram, durante todo o dia de hoje, num exercício de absoluta falta de seriedade e competência, tratando das eleições francesas mediante a emissão de episódios cómicos sobre Sarkozy, alguns até manipulados quando não eram maus, podiam receber agora a parte que lhes cabe da bofetada de Marie Le Pen, que, de cima dos seus 19% e 3º lugar na 1.ª volta das presidenciais francesas, clamou (com exagero próprio, ça va de soi): «Os Franceses fizeram-se hoje convidados, com grande dignidade, para a mesa das elites.»

Os pobres que, nas redacções das televisões portuguesas, se julgam elites, ainda por cima influentes em França, não compreenderão, evidentemente, que a frase se lhes aplica reflexamente. Como não compreenderão que a 2.ª volta das eleições presidenciais se arrisca a não correr conforme os seus declarados gostos, mas, de qualquer maneira, serão extremamente interessantes em termos políticos e noticiosos. Hollande com 28%, Sarkozy com 26,9%, passam à 2.ª volta. O exercício, agora, é calcular para qual deles irão em maioria os votos de Marine Le Pen, 19%, de Bayrou, 8,5% e de Melenchon, 11% (ooohhh, a esquerda comunista afinal ficou na mesma). O interessantíssimo combate pode ser seguido nos canais 208 (em inglês) ou 209 (em francês) da TvCabo. Para palermices, desinformação, peçazinhas piadistas e ignorância, pode sempre ver-se os canais portugueses.



publicado por José Mendonça da Cruz às 20:24
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
Piadas vindas de Espanha para pôr humor em manifs futuras

(Contém grosserias. Mentes sensíveis, abster-se)

 

Estes são os textos verídicos de alguns cartazes empunhados por manifestantes espanhóis ou afixados nas ruas:

Mãe com bebé ao colo: «Não me fodam que acabei de dar à luz.»

Jovem adulto: «Quem termina um curso aqui tem 3 saídas: por terra, por ar e por mar.»

Homem adulto: «Decidam-se! Não podemos apertar o cinto e baixar as calças ao mesmo tempo.»

Cartaz à porta de uma loja em liquidação: «Vendo tudo! Vou à merda!»

 

 



publicado por José Mendonça da Cruz às 04:04
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É vantajoso para o PS lembrar o PS?

Involuntariamente, o PS sempre nos ameniza ocasionais (e razoáveis) irritações com o governo.

Ontem fê-lo mostrando no Rato três velhos representantes de ideias mumificadas - e práticas que não deixam saudades - que do alto dos pedestais em que se imaginam, e dos epítetos com que os alcunham alguns jornalistas mais zelosos, peroraram umas coisas.

Soares, «o pai da democracia», Arnaut, «o pai do serviço nacional de saúde», Almeida Santos (o pai dos negócios?), e Jaime Gama, o pai da indisponibilidade, lá cominaram a governação com umas manias sobre estratégias de crescimento, também chamadas défice e dívida pública.

Mas foi bom vê-los e recordá-los, assim, todos juntinhos, eles, «os pais da ruína».



publicado por José Mendonça da Cruz às 00:16
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2012
As vacas frias

Andou o governo nos últimos tempos a entreter os papalvos com a ideia de proibir o fumo de cigarros em carros com crianças, mais uma habilidade politicamente correcta e saída da costela totalitária que o Estado português não descarta nem quando os governos são de direita.

Agora que o governo já tentou distrair as atenções, como sempre acontece quando não vai bem a governação, voltemos às vacas frias:

... e é para quando a renegociação das Parcerias Publico-Privadas em vez do saque aos contribuintes?

... e é para quando a verdadeira liberalização do mercado de combustíveis em vez do saque aos contribuintes?

... e é para quando a verdadeira liberalização do mercado de electricidade e o fim das rendas para amigos em vez do saque aos contribuintes?

... e é para quando a lei do arrendamento e outras medidas liberalizantes em vez do saque ao contribuinte?

Não inventem, se faz favor, outra patetice como o fumo nos carros. Nós, contribuintes, não nos distraímos do saque.



publicado por José Mendonça da Cruz às 23:02
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
Cem Anos de Regressão

Continua activa a demagogia de esquerda, onde ainda é tolerada, na Argentina, agora com a nacionalização da YPF, controlada pela espanhola Repsol. O ideário artrítico do «100% público, 100% nosso» lá conduzirá os argentinos à inevitável ruína. Com muitos vivas aos sonhos das lamentáveis Cristinas que sobrevivem.



publicado por José Mendonça da Cruz às 00:46
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
A direita da direita está à esquerda

Foi delicioso, foi um refresco intelectual o debate quizenal desta manhã, na Assembleia da República.

Delícia e refresco porque foram o PCP, pela voz de Jerónimo de Sousa, e o BE, pela voz de Francisco Louçã, que atiraram ao governo, representado pelo primeiro-ministro, os argumentos mais contundentes da direita contra o rumo nada liberalizante e, aliás, a cheirar a ranço que as coisas levam.

E o preço dos combustíveis?, lembraram eles. E o monopólio de facto da Galp que transforma numa piada de mau gosto a suposta «liberalização» do mercado? E o Estado - supostamente regulador e garante da concorrência - de braços cruzados, recolhendo proveito fiscal dos abusos?

E as rendas do sector de energia? E as rendas das PPPs?

E as gorduras do Estado, que afinal ou não há ou não são cortadas?

E a intervenção telecomandada da Caixa Geral de Depósitos, que continua a não ter dinheiro para a economia, mas tem para negócios de privilégio?

É claro que tanto PCP como BE adornam depois estas perguntas com conselhos para que se paralize ainda mais a economia, e se desfiram saques ainda mais gravosos sobre tudo o que ainda mexe e lucra. Mas, ainda assim, que perplexidade há-de ter perpassado a bancada do PSD, eleito com um programa liberalizante (e uma decepção, crescentemente). E que inveja há-de ter varrido a bancada do CDS que, não fora governo, teria feito aquelas perguntas mesmo. 



publicado por José Mendonça da Cruz às 12:54
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
A quem é pé de microfone todo o som parece notícia

Os pés de microfone, por definição carentes de memória, descobriram hoje, através de Francisco Louçã, que está em curso a reorganização do sector de obstetrícia e que a Maternidade Alfredo da Costa vai fechar. Não tendo sequer a iniciativa ou a competência de consultar as notícias por si próprias recolhidas há poucos meses, os pés de microfone apenas transmitem as palavras de Louçã (que veneram, ao contrário de 95% dos eleitores) e alucinam despedimentos, sem recordarem, também, que o que fecha da Alfredo da Costa são apenas as paredes. 



publicado por José Mendonça da Cruz às 13:24
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ti-ti-ti-ai-ui-ai-ai

O Chelsea FC tem interesse premente e directo, e o Real Madrid e o Bayern de Munique têm interesse provável e reflexo em estudar o jogo do Barcelona, e, mais que o jogo do Barcelona, as arbitragens dos jogos internacionais do Barcelona.

Anteontem, do jogo Barcelona-AC Milan, nomeadamente da segunda grande penalidade favorável ao Barcelona, que tanto jeito lhe deu quando perdia a eliminatória, já poderiam ter tirado um ensinamento útil.

E o primeiro ensinamento útil das arbitragens de jogos internacionais do Barcelona é que todos os cantos favoráveis ao Barcelona acabam em grande penalidade favorável ao Barcelona.

Em todos os pontapés de canto em todos os jogos em todas as partes do Mundo, os jogadores empurram-se e puxam-se, em busca das melhores posições respectivamente defensivas e ofensivas. Faz parte da jogada. Mas com o Barcelona, não. Quando os jogadores se empurram e puxam, os ti-ti-tis do Barcelona -- grandes estrelas e, portanto, frágeis -- caem. Caem como as prime donne que são, contorcendo-se de sofrimento e estampando no rosto esgares de dor sucessivos. E o árbitro não tem remédio senão acreditar que dói muito e a dor é sincera. E marca penalty.

O segundo ensinamento útil é que toda a queda de qualquer ti-ti-ti do Barcelona justifica grande penalidade favorável ao Barcelona, mesmo que a queda seja fora da área. Por exemplo, o desarme de Sergio Ramos a um atacante do Apeol, ontem, aos 20 minutos de jogo, foi a mais de 1 m da grande área, viril, in extremis, e inteiramente legal. O árbitro não marcou livre, e o jogador do Apoel que caíu, mas era viril e bruto, levantou-se e seguiu o jogo. Não seria assim com um ti-ti-ti do Barcelona. Um ti-ti-ti do Barcelona, que é frágil, teria voado, aterrando dentro da área, ainda por cima contorcendo-se, ainda por cima estampando esgares de dor sucessivos no rosto. E o árbitro teria marcado penalty. E Sergio Ramos teria protestado. E o árbitro tê-lo-ia expulso.

Chelsea, Real Madrid e Bayern devem, portanto, estudar bem como poderão desarmar ou travar os ti-ti-tis do Barcelona, sem causar sombra de dor ou dói-dói a qualquer ti-ti do Barcelona. E, em não havendo maneira, devem ou conformar-se ou então juntar-se a Mourinho na questionação dos mistérios da arbitragem (dos jogos internacionais do Barcelona).  

 



publicado por José Mendonça da Cruz às 01:02
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
Benfica mal fica

Contente por ser «uma das 8 melhores equipas da Europa» juntamente com o Apoel, o Benfica confirmou agora mesmo a sua eliminação da Champions --

 frente ao Chelsea, a equipa que Jesus preferira para desistir.

Agradece-se o apontamento humoristico da entrada de Yannick a 30 minutos do fim -- nomeadamente pela nota do comentador da RTP, segundo o qual seria «a finalização o grande problema deste atacante».

Lamenta-se a desconsideração por quem pagaria um bilhete na Luz para ver os ti ti ti jogar.



publicado por José Mendonça da Cruz às 21:30
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Viva o Tribunal Constitucional! Viva a oposição! Viva a democracia!

Momentos como o chumbo pelo Tribunal Constitucional do diploma sobre enriquecimento ilícito que consagrava a inversão do ónus da prova fazem-me festejar a democracia e agradecer o facto de termos oposição (embora eu prefira sempre que a oposição seja o PS).

Eu, que não sou rico, nem venho cometendo ilícitos aplaudo muito este chumbo.

Pode parecer tentador levar alguém à justiça sem presumir a sua inocência - e pode parecer tentador, sobretudo, quando se pensa em algum ranhoso ou vigarista que tenha exercido algum alto cargo e que tenha enriquecido muito e inexplicavelmente.

Mas eu não tenho confiança nenhuma nos orgãos deste Estado, e deixá-los à solta empunhando ameaças põe-me em pé os cabelos.

O Estado já goza da arma de um fisco ávido e abusador, e da ausência de garantias de defesa do contribuinte (roubadas). A prioridade é pôr rédea na besta. Não é, com certeza, criar novas formas de ameaça e saque.



publicado por José Mendonça da Cruz às 19:31
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Mais esquerdista que a esquerda

Grande Basílio! Basílio enorme! Progressista Basílio! Sagaz, impoluto Basílio! Veloz Basílio que prossegue o seu caminho de verdade à esquerda! Ímpar Basílio que ultrapassa já Seguro e Zorrinho, mais socialista que os socialistas de sempre, mais libertário que os fracturantes, mais livre que o PS na sua defesa do desalinho (desalinhamento?) de Isabel Moreira. Advertência à socratista e, no pouco que resta, independente Isabel Moreira? Não senhor, diz Basílio, nada, nada. Bravo Basílio. Ah Basílio estupendo, o PCP só te vislumbrará de passagem no teu rumo relampejante até ao Bloco. Em havendo lá, é claro, alguma coisa interessante.



publicado por José Mendonça da Cruz às 19:27
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Sábado, 31 de Março de 2012
Única e legítima tralha

 

É um prazer raro ver a alarvidade de José Lello, o biquismo-dos-pés de Isabel Moreira, o fracturantismo de Sérgio Sousa Pinto contorcerem-se tanto por quererem, por um lado, continuar a incensar o mentor e a obra que tanto amam, e, por outro lado, quererem rejeitar Memorandos e legislação que só a obra do mesmo mentor tornou possíveis e obrigatórios. É um prazer ainda maior ver os três causar embaraços e perdas ao partido em que militam ou os alberga, e de cuja ideologia e prática se proclamam agora únicos e legítimos campeões e representantes.



publicado por José Mendonça da Cruz às 00:57
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Notícias das eleições que sumiram das notícias

Apesar da recente desmotivação dos orgãos de comunicação portugueses para darem notícia das eleições presidenciais francesas, as eleições presidenciais franceses ainda existem e continuam marcadas para o mês de Abril que agora entra.

Notícias, então:

- O actual presidente e candidato da direita, Sarkozy, ultrapassou o candidato socialista, Hollande, nas sondagens da 1ª volta. Hollande continua à frente nas sondagens da 2ª volta, mas mantendo o score, enquanto que Sarkozy está em subida;

- O candidato da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, também está a subir nas sondagens, o que põe um problema novo;

- O problema novo é que os conselheiros de Hollande se interrogam sobre que deve fazer o seu candidato: continuar com um discurso ao centro e esperar que não seja nada? Ou radicalizar o discurso de esquerda para cobrir campo relativamente a Mélenchon, e, do mesmo passo, alienar na 2ª volta os eleitores do centrista Bayrou que são condição necessária para uma vitória?

Vale a pena estar atento e ler acerca (mas, infelizmente, não na nossa imprensa)



publicado por José Mendonça da Cruz às 00:25
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012
Para recordar os inocentes com quem a Polícia foi «violenta»



publicado por José Mendonça da Cruz às 13:57
editado por João Távora às 16:28
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Mais confusões entre rigor e técnica, falta de seriedade e política

Logo a seguir à entrevista do primeiro-ministro Passos Coelho, ontem, na TVi, aprendemos imediatamente as deixas da esquerda, seguidamente entoadas pelos jornalistas e comentadores do costume: «a entrevista não tem nada de novo», «a entrevista foi muito técnica e nada política».

É compreensível.

Passos Coelho explicou detida e claramente o que se passou com os cortes de 13º mês no funcionalismo e nas empresas públicas, mas é compreensível que muitos jornalistas não vejam nisso nada de novo. Admiti-lo seria confessar que o tema estava muito mal explicado ou intencionalmente confundido. Isto aconteceu, aliás, a propósito de muitos temas levantados por Judite de Sousa, que foram explicados e não o estavam.

Passos Coelho explicou detida e claramente o que se passou e vai passar-se nas negociações para acabar com «rendas excessivas» no sector energético e nas PPPs em geral, mas é compreensível que muitos jornalistas considerem o tema velho. Considerá-lo novidade seria admitir que ele estava incompetente ou intencionalmente confundido, favorecendo a rábula segurista de que o governo é forte com os fracos e etc. (Quem, aliás, visse a entrevista sobre este tema, ontem à SicNotícias, do secretário de Estado dos Transportes teria tido amplas oportunidades de ficar animado e esclarecido).

Passos Coelho foi, depois, rigoroso, acerca de execução orçamental, despesa e receita, venda de dívida pública, cumprimento do memorado de entendimento e condições de extensão de prazo ou empréstimo, défice, desemprego e reformas estruturais. Mas compreende-se que esse rigor e secura sejam vistos como «técnica». Vê-los como política séria seria confessar que política era o mercado abastecedor de ilusões, irresponsabilidade e mentiras em que se constituiu o governo Sócrates.

Passos Coelho foi rigoroso ainda ao afirmar que o pior ainda não passou, e ao insistir que evoluções económico-financeiras alheias à nossa vontade podem exigir novas medidas. Sublinhou sempre que era um último recurso, e que nada faz prever tais medidas no momento. Mas a dificuldade em lidar com a língua portuguesa quando despojada de artifícios e usada de forma exacta levou a que muitos jornais abrissem com a afirmação de que Passos Coelho não garante que não haja novas medidas de austeridade -- uma total inversão lógica.

E é claro que nenhum dos jornalistas ou comentadores mais rosados compreendeu que esta possibilidade longínqua e condicional de mais austeridade é uma espada de Damocles, é o melhor instrumento de contenção das ilusões almofadísticas do PS, e é, portanto, «política» da mais evidente.

Por fim, foi só timidamente apontado aquilo que esteve por demais evidente: que Passos Coelho está muito sólido e informado. É compreensível que doa a muitos jornalistas e comentadores verificar isso mesmo, e que o calem. Felizmente que não parecemos correr o risco de ter Ricardo Salgado a dizer outra vez que «temos um grande primeiro-ministro» -- desse-se esse caso, e a certos jornalistas e comentadores ia doer demasiado. Já lhes basta terem que inflamar-se (ou dar provas de um intrigante nervosismo) de cada vez que alguém explica como é que chegámos à beira da ruína, ou seja, como é que governou o PS.

    



publicado por José Mendonça da Cruz às 11:05
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Quarta-feira, 28 de Março de 2012
Um e os onze

Há equipas de futebol que nos dão a sensação de que fariam muito melhor com outro treinador. Os sub não sei quantos de Carlos Queirós (Figo, Peixe, Rui Costa, etc) parece-me que ganharam um campeonato mundial apesar do treinador. O Benfica de Jorge Jesus parece-me, também, muito melhor que o treinador que tem, e perde por causa dele. O Inter de Mourinho era o oposto deste Benfica: a equipa ganhava tudo por causa de Mourinho. E o actual Real Madrid parece-me um caso singular de equilíbrio: treinador e equipa merecem-se, e valem um com o outro. E não deve ser indiferente aos resultados aquilo que o treinador espera e ambiciona: Jorge Jesus jogou contra o Chelsea muito contente por ser «umas das melhores 8 equipas da Europa». Mourinho jogou de olhos na final, como uma das melhores equipas do Mundo.



publicado por José Mendonça da Cruz às 13:58
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Golos fora: Real Madrid 3 - Chelsea 1

Ontem dei por mim emocionalmente Madrilista. Sem pensar, foi o jogo Apoel-Real Madrid que me apeteceu ver em directo. O jogo do Benfica das minhas vagas simpatias contra o Chelsea notável quando era de Mourinho, esse, gravei para ver depois, caso fosse interessante. Foi uma boa decisão: diverti-me muito, vi o treinador tomar opções decisivas, e vi em directo marcar 3 golos fora de casa. Se tivesse escolhido a outra opção, só tinha visto 1 golo fora ...



publicado por José Mendonça da Cruz às 13:50
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Domingo, 25 de Março de 2012
Têm medo, têm muito medo

Notem como vários comentadores, alegados jornalistas e membros do antigo governo se mostram incomodados e receiam a perspectiva de que o governo Sócrates e a forma como arruinou o país venham a ser pomenorizadamente escrutinados. Reconhecerão esse incómodo e esse medo nas afirmações de que «não é oportuno», «os juízos fazem-se em eleições», «é uma campanha», «é a justicialização da política». Segundo se depreende, participam nessa inoportunidade, nesse juízo, nessa campanha, o Tribunal de Contas, os revisores oficiais de contas, os juízes, o governo, os cidadãos, alguns jornais, os factos, a realidade e a vida.



publicado por José Mendonça da Cruz às 02:47
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«Sim, mas o que ele não disse foi (inserir aqui)» ou novo contributo para a cartilha da desinformação

Uma das formas mais comuns que a comunicação social socialista tem de apresentar como irrelevante qualquer notícia do actual governo é juntar a essa notícia um parágrafo final dizendo que há outra coisa qualquer que o governo não disse. A tal coisa «que ele não disse» pode ser até descabida, despropositada, essa omissão pode até ser mentira. Não interessa. O que interessa é deixar a ideia de que o governo não faz o seu trabalho ou só o faz com graves lacunas.

Podemos praticar com alguns exemplos.

Há dias, o primeiro-ministro anunciou que o projecto do TGV era um projecto arrumado, e o ministro da Economia voltou a anunciar que será feita uma linha rápida (não de alta velocidade) para transporte de mercadorias entre Sines e a Europa. Pois o Público de ontem logo descobriu na última página que aquilo de que o governo não falou foi de como é que se faz essa linha e que a Espanha não se comprometeu com ela. Pouco interessa que Álvaro Santos Pereira já tenha descrito várias vezes o projecto, que tenha tido encontros sobre ele com o governo espanhol e esteja mandatado para isso, e que a ministra dos transportes de Espanha tenha concordado que a bitola seja a europeia. O que interessa é que o Público diz que ele não falou disso, e pronto.

Ontem, após o discurso de abertura de Passos Coelho, no Congresso do PSD, Teresa de Sousa gabou o empenho europeu do primeiro-ministro, mas logo acrescentou que pena é que não se ouça uma palavra nem se veja um gesto de aposta na nossa opção atlântica. Pouco interessa que evidências recentes e repetidas desmintam ululantemente Teresa de Sousa (acaso se farão através do Pacífico os investimentos portugueses no Brasil, os investimentos brasileiros em Portugal, as crescentes relações económicas com Angola, as visitas oficiais?). O que interessa é que Teresa de Sousa diz que não há Atlântico.

Ontem ainda, na TVi - e vejam como o zelo pró-socialista pode ser engraçado - Constança Cunha e Sá dizia o exacto contrário de Teresa de Sousa, e encrespava-se (está, hoje em dia, permanentemente encrespada) porque ao primeiro-ministro Passos Coelho não se tinha ouvido uma palavra sobre a Europa. Não são vapores de distracção. É mesmo como a cartilha manda. É verdade que, minutos depois, Constança disse que o Congresso também não tratara do país, do desemprego, da economia, dos problemas, dos portugueses. Mas para isso já tem a desculpa da hora tardia.

E, há pouco, Pedro Adão e Silva, que passa por comentador na SicNotícias, acusou Passos Coelho de não ter dito nem falado de tantas coisas que me passa de momento quais essas coisas foram. Mas Adão e Silva é conhecido por ser um dos participantes da redacção do programa do governo Sócrates. Ele, ao menos, sabe-se de onde vem, não está escondido com o rabo de fora.  



publicado por José Mendonça da Cruz às 00:39
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Sábado, 24 de Março de 2012
O problema do PS com os ventos que mudam

«Neste momento, a maioria dos analistas diz que Portugal não vai reestruturar a sua dívida, como o fez a Grécia, e que vai precisar de um novo empréstimo que vai ser concedido sem problemas. São cada vez menos os que dizem que será necessário reestruturar a dívida. Mas começa a surgir no pólo oposto quem diga que Portugal nem vai precisar de um segundo empréstimo. As profecias sobre Portugal estão a mudar. E a prova disso é, mais do que as análises, o dinheiro que está a ser investido em dívida pública que já não poderá ser paga com este empréstimo da troika. O custo do ajustamento pode mesmo ser mais baixo do que se esperava.»

Isto escreveu ontem Helena Garrido, directora-adjunta do Jornal de Negócios, um dos poucos sobreviventes dos orgãos de informação (de informação mesmo) portugueses (que são todos da área da informação económica).

E este é, exactamente, o problema do PS.

Quem queira rever brevemente as afirmações de Sócrates durante o debate com Manuela Ferreira Leite para as legislativas de 2009 confirmará que o PS, através de Seguro, não se afastou um milímetro do credo com que nos trouxe à ruína: não há dinheiro, mas aparece sempre (agora chamam-lhe «as pessoas estão primeiro»); o investimento público (a que agora chamam «estratégia de crescimento») é a alavanca do progresso; e quem alerta para a bancarrota que está no fim das suas teorias é derrotista, pessimista ou velho do Restelo (agora dizem que é «insensível social»).

Mas, para além dos seus slogans pueris (os slogans do PS lembram-me sempre aquelas misses que dizem que se mandassem faziam a paz mundial e matavam a fome às criancinhas), o problema do PS é aquele que Helena Garrido enuncia: a probabilidade crescente de que a seriedade com que este governo aplica austeridade e reformas produza bom efeito.

Quando produzir, o PS dirá (como Seguro já disse hoje que haveria de acontecer) que o governo aderiu às suas propostas. O que o escusará de constatar a distância enorme percorrida até hoje, em 9 meses apenas, desde a altura em que, por exemplo, o Financial Times escrevia que «you can`t have a monetary union with the likes of M. Sócrates» («Não se pode ter uma união monetária com gente da laia do Sr. Sócrates») ou a revista The Economist classificava Teixeira dos Santos como o pior ministro das Finanças da Europa.



publicado por José Mendonça da Cruz às 23:51
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Congresso do PSD - é a actualidade, mas eu tinha aqui um guião...

Compreendemos muito bem que uma porção grande dos jornalistas e dos orgãos de comunicação social pendem fortemente para a esquerda e sofrem por o governo não ser o deles. Daí resultam surpreendentes notícias que não são notícias (todas as que favoreçam os socialistas), e ainda mais surpreendentes omissões (de tudo o que possa favorecer o governo).

Às vezes, porém, é só incompetência e estupidez. Como hoje, no Congresso do PSD.

Hoje, por volta das 13 horas, Pedro Passos Coelho subiu à tribuna para revelar ao Congresso que tinha feito uma asneira de contornos monumentais: tinha acabado de votar uma proposta segundo a qual os orgãos nacionais já não seriam eleitos em Congresso (tinham, portanto, votado que aquele Congresso, ali, não podia eleger ninguém) e que esses orgãos só podiam ser eleitos em directas. «Entretanto, não podemos ficar no limbo», sem orgãos, alertava Passos Coelho para o enorme disparate.

Tudo isto se passou perante as câmaras a transmitir em directo.

Seria esse, portanto, o tema dos jornais? Não. Como se nada se passasse, porque o guião que os jornalistas tinham é mais importante que a realidade mais gritante, passaram ao guião velho de que as suas cabecinhas dispunham: que Marcello, ontem, e tal ...  que Marques Mendes etc.... que o discurso de Passos Coelho ontem não sei quê...

Extraordinária distracção. Rara incompetência. Ou pura estupidez. 



publicado por José Mendonça da Cruz às 13:43
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Já não bastam os alunos que têm que o suportar?!

Fiquei, agora, com um arranhão de dúvida na conta de alta credibilidade em que tinha Vítor Gaspar. Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças da bancarrota, para administrador não executivo nomeado pela Caixa Geral de Depósitos para a Portugal Telecom???!!!

Fiquei, agora, confortado com as decisões finais que resultam de conselho de ministros -- que chumbou a ideia -- e com o facto de o governo ser de coligação, pois o CDS foi muito contra muito vocalmente.



publicado por José Mendonça da Cruz às 13:42
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Sexta-feira, 23 de Março de 2012
Rosa shocking

 

Do discurso de Passos Coelho, hoje, no Congresso do PSD (sobre quem trouxe o país à crise, sobre a génese deste governo e a coligação, sobre austeridade e reformas estruturais, sobre humildade perante as decisões do eleitorado e como o PSD acerta quando o respeita, sobre Açores e Madeira, sobre a reformulação do programa do partido) o director da Sic Notícias, António José Teixeira, em comentário, reteve que Passos Coelho «preparou os militantes para maus resultados» e que «as eleições autárquicas podem ser um cartão amarelo». Teixeira trazia uma gravata cor-de-rosa berrante, mas não precisava de sinalizar tanto. A suave mistura de wishfull thinking e frustração à moda do Largo do Rato transpirava alucinadamente por todo o lado.



publicado por José Mendonça da Cruz às 23:26
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Ohhhh, que pena

No seguimento das suas intervenções durante o cerco e morte do terrorista islâmico em Toulouse, Sarkozy ultrapassou, anteontem, o candidato socialista nas sondagens da 1ª volta das eleições presidenciais em França.

Isto terá duas consequências:

1.ª Durante uns poucos dias, e a partir de agora, as notícias sobre as eleições em França passarão para as páginas pares em baixo (ou para o 29.º lugar no alinhamento telejornalístico), e, nelas, alguns vão falar de ... como é que é? ah... «deriva securitária». E vão sugerir que Sarkozy se «contradisse» porque há semanas se propunha controlar a imigração, e agora insistiu com os Franceses para que não confundissem os seus «compatriotas muçulmanos» (foi assim que lhes chamou) com terroristas e fanáticos.

2.ª Depois, não haverá mais notícias das eleições presidenciais em França. Deixaram de ter interesse, e, aliás, os Franceses não merecem. (E os Espanhóis também não. E os Ingleses também não. E os Alemães também não.)



publicado por José Mendonça da Cruz às 18:34
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Quinta-feira, 22 de Março de 2012
Arménio aos papéis

Vejo regaladamente Arménio Carlos aos papéis, agora, na TVI24, tentando justificar o fiasco da «greve geral» perante os argumentos de António Saraiva, da CIP, e os factos apresentados por Paulo Magalhães. Diz que foi o medo, que foi a falta de dinheiro, apesar de ter começado por responder que a greve correu bem. E solta pálidas ideias desgarradas, que ele é que tem uma solução para as empresas e os trabalhadores, que o empobrecimento, e que ele é que chama as coisas pelos nomes. De rastos. É um bom sinal político. Assisto regaladamente.



publicado por José Mendonça da Cruz às 22:14
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Sentido das proporções

Pergunto-me o que irá na cabeça da nossa informação quando a violentíssima condenação pelo Tribunal de Contas do negócio TGV de Sócrates&Mendonça (a má gestão de fundos públicos, a vitória de uma proposta contratualmente inadmissível) passa como notícia de somenos e curta vida. Pergunto-me, mas não precisava perguntar, porque o que vai nessas cabeças há-de ser uma sopa cor de rosa já um pouco azeda.

Pergunto-me o que irá na cabecinha de muitos jornalistas que referem apenas en passant que os juros do último leilão de dívida baixaram para menos de 3% e que a procura ultrapassou três vezes a oferta. Pergunto-me, mas não era preciso. O arcaico Arménio e sua ideologia defunta hão-de ser muito mais interessantes. 



publicado por José Mendonça da Cruz às 21:32
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