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A casa da 5 de Outubro

por José Mendonça da Cruz, em 18.02.17

Conta o Expresso que o «ministério da educação» pretende alterar profundamente os curricula escolares, retirando substancial carga horária às disciplinas de Português e Matemática, para intoxicar as criancinhas que não possam escapar com «consciência e domínio do corpo», «educação cívica» e «ciências sociais». O governo Costa propõe-se, portanto, formatar hostes de especialistas em generalidades e questões fracturantes, peritos em vulgata marxista, e ignorantes destituídos das principais ferramentas do conhecimento.

Diálogo entre dois grandes educadores da classe operária nos corredores da 5 de Outubro:

- Eh pá, tu preferes ir ás putas, para dominar o corpo, ou a masturbação para teres consciência dele?

- Pá, prefiro ir às putas. Convive-se, conhece-se gente, são as ciências sociais.

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Costa escondido com Centeno de fora

por José Mendonça da Cruz, em 15.02.17

Desculpem se mal pergunto, mas...

... as promessas que Centeno fez a Domingues;

... as alterações legislativas ao gosto e à medida dos administradores convidados para a Caixa;

... a retenção de diplomas até a AR ir para a praia...

... tudo isso veio tão só da cabecinha do hábil Centeno e foi feito por sua alta recreação e poder?

O primeiro-ministro nem teve a ideia, nem sabia, nem autorizou?

As galinhas já têm dentes?

 

 

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Ó patego, olhó comboio!

por José Mendonça da Cruz, em 15.02.17

A Sic fez hoje uma reportagem especial sobre o mau serviço das linhas de comboios. As linhas de comboios-tema eram as de Sintra e Cascais, porque, como se sabe, a Sic é em Lisboa e, hélas!,  Porto ou Coimbra (ou Faro, ou Viana, ou Évora, ou Castelo Branco, ou Torres Vedras, ou Beja, ou Santarém) não existem.

Diz a reportagem da Sic que as linhas de Cascais e Sintra registam perdas de passageiros de 1/3 em poucos anos, enquanto a A5 e o IC19 registam aumentos de tráfego substanciais.

A Sic ouviu (é claro) sindicatos, oficinas, e mais quem dissesse que (vá, todos em coro, agora) «faltam meios», «falta contratar mais gente», «falta investimento».

O que a Sic (e o país da Sic) nunca pergunta nem sublinha é que:

Primeiro, as pessoas abandonam o transporte ferroviário em favor do automóvel no exercício da sua liberdade de escolha porque é mais cómodo, mais eficiente e melhor.

E, segundo e sobretudo, o que a Sic e opequeno país da Sic nunca consideram é que um operador privado das linhas de Cascais ou Sintra nunca se autorizaria, por questões de racionalidade e gestão, uma perda de passageiros daquela ordem. Trataria de os manter e ampliar, sem pedir dinheiro a ninguém.

Mas a Sic (e o país da Sic) tem esta fé nas empresas públicas. Quer que elas sejam felizes, que os contribuintes não tenham opções nem escolham livremente, e que paguem para que seja assim.

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Avença gente se entende

por José Mendonça da Cruz, em 09.02.17

O Diário de Notícias será um diário de notícias?

O Diário de Notícias será um jornal?

Se o Diário de Notícias for um jornal, será um jornal de referência?

De quê?

Para ajudar nessas avaliações é indispensável ler esta opinião do ex-director do referido coiso, André Macedo, hoje. Depois da declaração de Sérgio Figueiredo, da tv, no mesmo jornal e ao mesmo ministro, esta será a segunda melhor cantiga de amor.

Vale a pena ler. É mesmo leitura obrigatória para quem ainda se canse com coisas como a crise da imprensa e o problema da credibilidade dos jornais. 

Depois de prestar vassalagem ao ministro das Finanças (e durante), Macedo explica por que razão e em que casos uma notícia não deve ser notícia.

Eis algumas das frases que, de caminho e curiosamente, brande contra outros com a elevação possível:

«O sentido de exigência deve ser incentivado.»

«...preguiça mental e falta de sentido de exigência.»

«...falar de barriga cheia recusando compreender o contexto.»

« Não vale a pena fazer uma estátua a Centeno, nem exagerar nos elogios, mas reconhecer o talento e o esforço, à esquerda ou à direita, é cumprir os mínimos jornalísticos.»

«A carta secreta (uuuuu, que sexy)...»

«...carta secreta - que coisa ridícula e falsa - de Mário Centeno.»

Visto isto, o mesmo Diário de Notícias não gasta tempo com notícias assim e assim.

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A frase seguinte é do comentário de Miguel Sousa Tavares, hoje no jornal da Sic. Ela surgiu a propósito de Trump, mas extravasa em muito o tema. É uma frase importante e cristalinamente reveladora sobre os conflitos de ideias actuais. A citação é juradamente fidedigna e literal. Disse MST (sublinhado meu): «Quando a vontade do povo é qualquer coisa que vai contra aquilo que nós temos como o bem comum e as melhores ideias, não é preciso ceder à vontade do povo, é preciso resistir à vontade do povo.»

E, então, porque é que a frase de MST é reveladora e importante?

Primeiro, porque o que a esquerda chique e nonchalante pensa e diz em público é o mesmo que a esquerda dura e profissional pensa mas cala: que a sua superioridade intelectual e ética a desobriga de acatar a vontade democrática, visto ser ela, esquerda, que entende, defende e promove o «bem comum» e as «melhores ideias».

Segundo, porque a esquerda debonnaire e vocal (e a dura, também, mas pela calada) compreendeu que há uma revolução em curso e que essa revolução é contra ela:  contra o relativismo, contra o muliculturalismo, contra a tolerância da intolerância, contra a tirania do politicamente correcto, contra as políticas legislativas, económicas e laborais celebradas nos salões e nos media, mas empobrecedoras e produtoras de servidão no terreno.

A guerra centra-se, agora, em Trump. A esta luz compreende-se bem o zelo diário de desinformação, omissões, invenções e mentiras dos nossos media. Esse combate vocal é feito de forma mais cordata, como com MST; ou de forma boçal e néscia, como na generalidade dos noticiários, ou nas crónicas do correspondente da Sic em Washington, um Ribas segundo o qual Trump é «um construtor civil que chegou à presidência» e, portanto, «não tem noção» do efeito das suas decisões.

A batalha seguinte é em França. Em França onde a esquerda se ilude com o lirismo arcaico de Hamon e aponta baterias a Marine Le Pen, sem perceber, por enquanto, que o perigo (para ela, esquerda) não vem tanto do ideário estatista a que antigos comunistas aderiram com tão grande facilidade, mas mais dos que, como Fillon, querem quebrar o sistema estatista e assistencialista por dentro do sistema. A esquerda doméstica e os Benoitzitos desta vida ainda não compreenderam nada. Deviam ler mais o Canard Enchainé. O Canard Enchainé tenta assassinar Fillon porque já percebeu tudo.

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Jornais com causas mais altas do que a prosaica notícia

por José Mendonça da Cruz, em 25.01.17

Dois pequenos episódios para o debate sobre se o Diário é realmente de Notícias e se a opinião Público-ada tem a ver com os factos:

Por razões misteriosas DN e Público decidiram combater o presidente eleito de um país democrático estrangeiro. Assim, todos os dias apresentam historinhas sobre Donald Trump com que pensam demonstrar o bom fundamento da sua irritação e nojo. Ontem e hoje foram mais duas.

A primeira história tem a ver com «dois oleodutos controversos» cuja construção Trump autorizou, os quais, segundo os dois jornais, Obama vetara, e que agora vão prejudicar populações e ambiente. Esta é a história.

Agora, a realidade que DN e Público ignoram ou que, caso não ignorem, omitem deliberadamente: os dois oleodutos foram, de facto, chumbados por Obama, mas foram-no contra a opinião do seu próprio departamento de Estado e do estudo científico mandado fazer por este, segundo o qual a construção das condutas teria impacto desprezível sobre solo, áreas pantanosas, recursos aquíferos, vegetação, peixes, vida selvagem, e efeito de gases de estufa. A construção dos oleodutos tinha ainda o apoio de sindicatos e da maioria dos americanos (em sondagem), embora não de Obama e da militância ambientalista. O primeiro ministro da Energia de Obama, Steven Chu, explicou mesmo que «a decisão sobre a construção foi política e não científica». Os dois oleodutos transportariam (transportarão) 1,4 milhões de barris diariamente, de forma muito mais segura do que por camião ou comboio, como actualmente.

Mas, claro, Obama é santo e os nossos media seus profetas, pelo que contrariar a ciência, os sindicatos, o próprio governo e a maioria da população só revela sabedoria e visão.

A segunda  história é sobre o muro entre EUA e México. A julgar pelos media portugueses não existe qualquer muro ao longo da fronteira entre México e EUA, é apenas a perfídia trumpiana que pretende erigi-lo. Esta é a história.

Agora a realidade: a fronteiro mexico-norte-americana tem 3094 km de comprimento. O muro completo separaria (separará) o México dos estados americanos da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas. A extensão da fronteira com a Califórnia é de 220 km; a vedação estende-se, hoje, ao longo de 185 km. A extensão da fronteira com o Arizona é de 597 km; estão construídos 490 km de vedação ou muro. A fronteira com o estado do Novo México tem 290 km; estão construídos 186 km; é no estado do Texas que há menos muro construído (e mais policiamento): a fronteira estende-se ao longo de 1980 km, estando construídos 184 km de muro.

Assim, e segundo os nossos media, as centenas de quilómetros de muro construídos ou não existem apesar de se verem, ou, caso existam, são de geração espontânea. É isto que dizem aos seus leitores.

Eis, pois, em duas pequenas historinhas, dois pequenos instantâneos sobre preguiça ou desinformação (escolha que deixo ao gosto de cada um).

Eis, ainda, uma terceira historinha: já sabemos que segundo os nossos media a oposição ao governo não deve fazer oposição, e se os partidos apoiantes do governo não o apoiam a culpa é da oposição. Na esteira deste credo, a Sic contou e mostrou-nos que, hoje, na AR, PS, PCP, Bloco e Verdes zurziram o PSD devido às «contradições» sobre a TSU. A Sic deixou-nos ouvir e ver governantes e deputados do PS, do PCP, do Bloco e dos Verdes. Do PAN e do PSD é que não. Donde, a crer na Sic, o PSD entrou mudo e saíu calado. A menos que não tenha sido assim, e, então, deve-se a «erro técnico» ou a critério editorial (de novo, escolha cada um).

 

 

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A Sic tem obrigação moral de poupá-lo

por José Mendonça da Cruz, em 20.01.17

A Sic devia poupar o pobre Luís Costa Ribas a mais intervenções em directo de Washington. Não por ele ser incapaz de informar (que isso a Sic também é); não para evitar que ela própria, Sic, insulte a inteligência dos espectadores (que, isso, os espectadores não esperam outra coisa); não, é pelo pobre pateta, para o pouparem a figuras confrangedoras como a que fez no início do jornal das 20.

 

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«Que horror, Trump prometeu na posse o mesmo que na campanha!»

por José Mendonça da Cruz, em 20.01.17

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Reina grande desconforto entre os comentadores das nossas televisões acerca do discurso de tomada de posse do presidente Trump. É que o senhor insistiu agora nas mesmas ideias com que ganhou a corrida à Casa Branca : prioridade ao interesse nacional americano, prioridade ao emprego, investimento em infra-estruturas, combate ao crime internamente e ao terrorismo externamente, e uma «política para as pessoas» (peço desculpa, não resisti à piada) em vez de centrada nos círculos de Washington. 

Amanhã, Público, DN, Expresso, Sic, Tvi e RTP indignar-se-ão também patetica e necessariamente: é que o embrião de socialismo a que eles chamavam «o legado de Obama» levou uma corrida em pelo. 

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O congresso dos jornalistas que não há

por José Mendonça da Cruz, em 17.01.17

Antes mesmo do encerramento, o chamado congresso dos jornalistas já tinha desaparecido dos noticiários. Lê-se  este papelinho precioso e compreende-se porquê. São as conclusões, e, apesar do mal-estar que possa suscitar em qualquer pessoa medianamente letrada e razoável, vale a pena ler até ao fim. É um arrazoado breve sobre questões laborais, salários, sindicalismo, burocracia das redacções, participação em organizações estaduais, e essa coisa que o mundo próspero e moderno já esqueceu, mas que indigna os cultores do atraso: a precariedade.

Lavradas as queixas, arrumada a função, os alegados jornalistas regressaram às redacções. Foi como se nunca tivessem saído desse seu pequeno mundo.

Na RTP3, Manuel Carvalho, ex ou actual vice-director do Público, tanto faz, profetizava a propósito de Gates, Zuckerberg e outros visionários que ganharam milhões, que são as contradições do capitalismo (lembrou até saboreadamente que a frase é de Marx) e que assim o capitalismo morre (o que deve acontecer pela vigésima vez, digo eu).

Na Sic, o jornal das 20, a propósito do debate parlamentar sobre a TSU, alegrava-se porque «Costa trazia a resposta preparada contra uma oposição com telhados de vidro». Mais tarde, uma menina lamentava de Bruxelas que a direita, maioritária no Parlamento Europeu, tivesse elegido para presidente um deputado do PPE, porque isso não «reequilibra» (diz ela) as forças. E mais tarde ainda, o mesmo noticiário celebrava as palavras do presidente chinês, que, em Davos, atacava o proteccionismo, logo, Trump (a China celebrada por atacar o proteccionismo, palavra de honra -- já não há limite para as piadas involuntárias em que as redacções caem).

Público, DN, Expresso, TVi e a mesma Sic prosseguem a sua campanha patética contra o presidente eleito de outro país, tendo agora descoberto que as mesmas sondagens que tinham Hillary por eleita vislumbram agora que Trump é muito pouco popular.

E todos em uníssono batem em Passos Coelho por não fazer o que Costa diz.

Alegremo-nos, portanto, o Congresso foi leve, a pequena reunião trabalhista pelos vistos não estragou quem lá foi. Felizmente para todos, e para nosso entretenimento, sairam de lá como entraram: a debitar as mesmas ideias, enviesamentos e sentenças que o público recusa pagar.

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A oligarquia nas ruas fechadas, no mosteiro e no cemitério

por José Mendonça da Cruz, em 09.01.17

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A Mário Soares, que em relação à área política que defendo era um adversário, devemos em muito o caminho da democracia, contra o caminho da servidão comunista. A Mário Soares devemos a admiração que merece qualquer político de talento, qualquer homem que respira, come, vive política, a quem a política corre no sangue e no cérebro, mesmo quando é contraditório, ou grosseiro, ou um pouco perdido.

A João Soares, antigo e bom colega de direito, «tipo porreiro», pessoa estimável, devo sentidos pêsames. Como a Eduardo Barroso, que não conheço, mas cuja atitude sempre humorada e cavalheiresca me encantava num defunto programa de futebol.

Dito isto:

O espectáculo a que assistimos hoje, em Lisboa e nas televisões, é obsceno. Hoje, em Lisboa e nas televisões, a oligarquia (que a si própria se intitula «Estado») declarou sonoramente a total indiferença a que vota os portugueses, as pessoas a que as televisões chamam «anónimos», ou «populares», ou «povo». Hoje temos aqui um teatro nosso em que se exige que participemos todos. Vocês, não. Trabalhem ou não trabalhem, andem pelas ruas ou não andem, fiquem em casa se sentirem as ruas tolhidas, adiem afazeres e compromissos que tenham, vão à merda com as vossas pequenas ocupações e os vossos incompreensíveis horários, estamo-nos cagando (assim mesmo), hoje as ruas são nossas, as ruas são sempre nossas.

Usaram para esta declaração o cadáver de Mário Soares, que foi enviado confrangedoramente, tontamente, a passear dentro de um caixão por Lisboa, para Norte e para Sul, agora para Oeste, agora para Norte outra vez, agora para Sul, agora para Sul e Sueste, agora para Leste, para Norte outra vez agora. Foi ao ralenti ou a passo de cavalo pelo meio de ruas vazias, que as televisões unanimemente declaravam pejadas de gente, de «populares», de «povo», de «anónimos», mesmo quando as imagens brutalmente as desmentiam. Hoje a oligarquia juntou-se para chorar umas lágrimas de crocodilo, dar uns abraços e aprazar negócios, e demonstrar a sua importância perante as serviçais câmaras. As «multidões» com que as televisões sonhavam, abstiveram-se. A abstenção cresce, cresce a apatia. Mas para isso, também, a oligarquia está-se cagando.

Menos mal que tenha estado ausente o primeiro-ministro António Costa. Aquilo que Soares combateu com risco da pele e da vida em defesa da democracia e do país, este acolheu e presenteou em nome da sobrevivência política. 

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A dívida segundo Costa, Ferro e a Sic

por José Mendonça da Cruz, em 06.01.17

Diz a Sic no espaço das 20 horas onde putativamente dá notícias que os juros da dívida pública portuguesa ultrapassam os 4% já por vários dias

mas

diz a mesma Sic que não faz mal, porque isso «não preocupa o primeiro-ministro», cujo esclarecimento  a Sic atenta e venerandamente buscou em terras indianas.

mas

sabemos nós (a Sic se soubesse noticiava, certamente) que os 4% são a fronteira em que a última agência de rating que mantém as finanças portuguesas fora do lixo ameaça juntar-se às outras

mas 

segundo a Sic não faz mal, porque Ferro Rodrigues, pressurosamente ouvido, diz que é uma situação «para a qual nada contribuimos»

é claro que

os juros da dívida portuguesa atingem níveis que não atingem os da dívida espanhola (que estão nos 1,5%, mas não digam a ninguém, nem à Sic, que não sabe de certeza, senão dizia)

mas

não faz mal, segundo a Sic, a qual sem revelar (Deus nos livre) algum número que permitisse comparar os juros da dívida dos «países periféricos», logo junta, obsequiosamente, que há «pressão dos mercados» mas que «a tendência é geral», é uma coisa assim não sei se estão a ver

é claro que

nem Espanha, nem Itália tremem com a possibilidade próxima e séria de o Banco Central Europeu reduzir a compra de dívida soberana, porque nem Espanha, nem Itália dependem dos balões de oxigénio do BCE como o governo português depende

mas

segundo a Sic estas coisas são gerais porque (diz a Sic na sua linguagem tão própria e letrada) nestas situações quem «leva por tabela» são «os países perfiféricos»

embora

nós saibamos (como a Sic lembraria seguramente, se acaso lhe ocorresse) que só Portugal, de entre os tais «periféricos» da «tabela», se arrisca a ficar sem o balão do BCE caso a tal agência de rating classifique como lixo a nossa dívida 

mas

não faz mal, porque, tal como decerto a Sic dirá futuramente, eventuais falências ou bancarrotas não terão nada a ver com este governo; elas serão responsabilidade de «tendências gerais» para as quais «não contribuimos em nada» e que se abatem sobre nós «à tabela» por sermos um dos «países periféricos».

Guardem e lembrem-se. Isto é informação de qualidade vinda de uma «sociedade independente».

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Diz a Sic que os estabelecimentos de saúde portugueses foram avaliados.

Quem avaliou foi a Entidade Reguladora da Saúde.

E como é que a Entidade Reguladora da Saúde avaliou?

A Entidade Reguladora da Saúde solicita dos estabelecimentos de saúde resposta a questionários que, todos eles, se poderiam resumir na pergunta: «E tu, funcionaste bem, prestaste serviços de grande categoria?».

Ao que cerca de 80% dos inquiridos respondem que «sim, sim, senhora (entidade reguladora da saúde), funcionei bem, foi uma coisa de categoria, funcionei mesmo excelentemente».

E tem esta avaliação alguma contribuição por parte dos utentes?

Tem sim. A Entidade Reguladora da Saúde pergunta aos estabelecimentos de saúde se inquiriram os utentes sobre a sua satisfação.

E cerca de 80% dos estabeleciments de saúde respondem que «sim, sim senhora (entidade reguladora da saúde), consultámos imenso e está toda a gente contentíssima».

Após o que a Entidade Reguladora da Saúde conclui que avaliou o sistema e que o sistema é excelente.

E a servil, obsequiosa Sic, por sua vez, conclui sem rir nem pestanejar que isto é uma excelente notícia.

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Do riso e das hienas

por José Mendonça da Cruz, em 22.12.16

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Este homem que serve de primeiro-ministro ri muito, está sempre a rir, ou seja, pode dizer-se que não é uma pessoa séria. Mas ao contrário das hienas ele sabe porque ri. O outro, mais à esquerda, ri também, mas, embora ria menos, não pode ser chamado sério também.

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A nuvem negra brilhará para todos nós

por José Mendonça da Cruz, em 22.12.16

Publica-se e emite-se para aí celebratoriamente que os gastos dos portugueses nesta «quadra festiva» (como uns chamam à data de nascimento de Cristo) estão a bater recordes de décadas.

É um sintoma da pusilanimidade e indigência da informação portuguesa que um índice altamente preocupante seja apresentado como motivo de festa.

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Um exercício interessante é pegar nos Trump dos EUA, Le Pen e Fillon de França, Hofer da Áustria, Wilders da Holanda, Orban da Hungria, Grillo de Itália, e perguntar se, embora com contornos tão diversos, o seu protagonismo não resultará do mesmo desassossego, do facto de os eleitores, e não apenas os silenciosos e/ou abstencionistas, terem-se fartado, terem-se disposto a revoluções e incómodos por não quererem mais o que está e não se sentirem ouvidos.

O comentador/humorista/entertainer americano Bill Maher, um não-Trumpista, fez uma observação interessante sobre um dos aspectos da eleição de Trump. Dizia ele que as vítimas de atentados terroristas estão fartas de que lhes digam para não serem más para os muçulmanos; preferiam ouvir como é que se acaba com as bombas. E o mesmo para o desemprego, o crime, a imigração descontrolada.

Nos temas do emprego, do comércio, do Estado-Nação, das políticas sociais, das práticas e da linguagem estaremos perante a revolta da maioria silenciosa ou abstencionista. Estaremos perante sinais do princípio do fim do politicamente correcto, imposto por uma esquerda que faliu ideologicamente mas arranjou maneira de assim dominar social e culturalmente. Neste sentido, a surpresa da esquerda ao verificar que as memórias hagiográficas de Fidel esbarravam com um inusitado nojo quererá dizer alguma coisa.

É verdade que a esquerda já percebeu o perigo. É por isso que o seu braço armado, o politicamente correcto, anda num frenesim a disparar epítetos de homofobia, xenofobia, racismo, populismo, fascismo contra toda a voz crítica.

 

Entusiasmo é o que sente qualquer pessoa que se interesse por política ao observar o que se passa em França. É que François Fillon, o vencedor destacado das eleições primárias do centro-direita francês, o homem que vai enfrentar e provavelmente derrotar Marine le Pen nas presidenciais de Maio de 2017, aparece da direita -- direita católica, liberal na economia e conservadora na sociedade -- com um programa libertário, de desestatização, «brutal» e «irrealizável», como dizia Alain Juppé, seu adversário derrotado por larga margem. A questão é se aquele programa é de facto brutal e irrealizável em França, ou se, ao contrário, era desejado e realizável, o que seria sinal de que os ares do tempo mudaram, esses sim brutalmente.

O contraponto divertidíssimo é o facto de Fillon enfrentar, vindo da direita e com um programa de direita, uma candidata vinda da extrema-direita e com um programa de esquerda (nacionalizações, barreiras alfandegárias, funcionalização do país, assistencialismo, anti-europeismo), nacional-socialista propriamente, que a esquerda de cá subscreveria sem pestanejar… se não lhe fosse revelada a origem.

Interessante ainda como comédia … aliás, peço desculpa, como farsa, será ver como os mesmos serventuários que nos media portugueses festejam nacionalizações, defendem a funcionalização do país, atacam a EU e aplaudem o assistencialismo conseguirão atacar furiosamente as nacionalizações, o antieuropeísmo, a funcionalização e o assistencialismo que Marine Le Pen defende para França. Será difícil compreender porquê, mas talvez lhes tenham explicado que ela é de direita, e, como bons praticantes amestrados, eles cumprirão. Não escaparão, porém, à dura prova de engolir o «neoliberalismo» de Fillon em defesa de um mal menor.

 

Sombria é a perspectiva de que Portugal venha a ser o sítio mais sossegado (pobre, triste, desesperançado, sem outro futuro que a sobrevivência na mediocridade) para assistir a isto tudo. Nunca mais haverá centrão, e nisso, mais uma vez, talvez tenha razão Passos Coelho e talvez aposte mal Marcelo. Mas haverá – imerso no proverbial e tépido banho de 30 anos de atraso – este tipo de governação demagógica e resignada, esmoler, a empurrar com a barriga, a culpar os outros das próprias desgraças e insuficiência. Mais tarde, perante as mudanças internacionais e o nosso imobilismo, talvez alguém venha dizer outra vez que foi como com Salazar: faltou-nos entrar na guerra.

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Santana Lopes faz análise política

por José Mendonça da Cruz, em 02.12.16

Santana Lopes recusou candidatar-se pelo PSD à Câmara de Lisboa nas autárquicas de 2017. Essa recusa é a sua análise política, e ela diz-nos que Santana pensa...

... que não é possível uma aliança PSD/CDS para a CML;

... que a inexistência de aliança autárquica equivale a uma derrota, até porque, como opina, Fernando Medina «não é fácil de bater»;

... que, passando assim incólume pelas autárquicas, a geringonça está garantida pelo menos até 2019, termo do mandato do próprio Santana à frente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Foram duas punhaladas em Passos Coelho num mesmo fim-de-semana. Uma, de quem analisou o futuro e optou pelo pássaro na mão. Outra, de quem se esqueceu do passado, e resolveu que a bancarrota nunca sobreveio e o memorando de entendimento nunca existiu.

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Estão a destruir o Serviço Nacional de Saúde

por José Mendonça da Cruz, em 30.11.16

Da Imprensa: «Os hospitais de Cascais, Hospital de Braga (ambos PPP), o Centro Hospitalar Gaia/Espinho e o Centro Hospitalar do Porto e Unidade Local de Saúde de Matosinhos são os cinco vencedores do ranking TOP 5 da empresa espanhola IASIST. Entre os critérios avaliados estão a mortalidade, as complicações, custos e tempo de internamento. Se todos os hospitais conseguissem os mesmos valores, a poupança para o SNS seria o equivalente aos custos operacionais de sete hospitais, ou seja mais de 700 milhões de euros.»

Apoiado por rankings enganosos que ainda não aderiram às técnicas do ministério Nogueira da Educação que finalmente coloca no topo as escolas mais miseráveis, o governo PS/PCP/BE está a destruir o SNS. As preocupações economicistas de alguns hospitais que, embora apresentando números alegadamente magníficos, no entanto obedecem a princípios de gestão capitalista põem em risco o futuro de todo o sistema e, aliás, dos próprios hospitais apresentados como exemplo.

A saúde não deve guiar-se por EBIDTAs nem poupanças, a Saúde é um serviço para as pessoas. Pela contratação de mais 3000 médicos, 30 000 enfermeiros e a abertura de 50 000 vagas de pessoal auxiliar, rumo à libertação das grilhetas da tecnocracia e das visões contabilísticas, e pela representação democrática dos conselhos de administração, lutemos contra a racionalidade nos hospitais. 

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Em França, entretanto, uma direita mais inteligente...

por José Mendonça da Cruz, em 27.11.16

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 ... escolheu François Fillon como candidato às presidenciais do próximo ano. François Fillon, católico praticante e declarado, tem um programa de reformas e desfuncionalização para França, além de uma política de imigração, que o seu rival de área política, Alain Juppé - aliás, o preferido de Marques Mendes (et pour cause) - considerava «brutais» e «irrealizáveis». Mas parece que foi Fillon quem melhor entendeu a vontade de mudança e melhor leu os ares do tempo.

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Qual é a diferença entre equidistância e cobardia?

por José Mendonça da Cruz, em 27.11.16

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Ontem...                                  ... como hoje.

 

«Um dia se se investigasse, muita gente ia ficar mal na fotografia», diz, sem nomear partes ou nomes, Marques Mendes na Sic, sobre o lamentável caso da Caixa Geral de Depósitos. Após o que se atira a António Domingues por se ter atrasado a ir-se embora, para poupar o escrutínio às condições em que foi convidado e às garantias que lhe foram dadas. A culpa é, portanto, da vítima.

A confusão entre equidistância e pusilanimidade é uma das mais generosas fontes de toxinas no ambiente político português.

Outra, é a mixórdia de interesses titulados pela mesma pessoa. Por exemplo, a mixórdia do interesse particular de um comentador que se dispõe a colocar inteligência e juízo crítico entre parentesis, a bem de uma aparência de equilíbrio que lhe garanta as audiências e os proventos de uma aparição semanal em horário nobre televisivo; com o interesse partidário do mesmo comentador, interessado em poupar Costa para melhor proporcionar o afastamento de Passos Coelho; com o interesse jornalístico de gerir simpatias em todos os quadrantes, de forma a manter a disponibilidade das fontes do governo.

E é claro que tivemos direito a considerações sobre o «carisma», o «heroísmo romântico» e a qualidade do «contador de histórias» Fidel Castro.

É o protagonismo de personagens pardos assim que em alguns locais conduz à eleição de Le Pens e Trumps.

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Mundo melhor

por José Mendonça da Cruz, em 26.11.16

Morreu Fidel Castro, revolucionário, inimigo da liberdade, torcionário, assassino, ameaça à paz mundial, tirano que durante décadas aferrolhou um pequeno país na miséria e no atraso político, económico, intelectual, cultural e social. A nossa imprensa celebra-o e o PR endereça condolências aos escravos do ditador. O povo que se libertou celebra nas ruas de Miami.

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