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Dos cisnes (*)

por José Mendonça da Cruz, em 13.12.17

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Olim lacus colueram 

Olim pulcher extiteram

dum cignus ego fueram.

(Ontem pelo lago eu vogava

Ontem em beleza rebrilhava

Tal cisne então eu me mirava)

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Nunc in scutella iaceo, 
et volitare nequeo, 
dentes frendentes video

(Agora na travessa jazo

e esvoaçar nem a prazo

todos devoram o meu caso)

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Miser, miser modo niger

et ustus fortiter

(Pobre dele, pobre dele, negro como carvão,

assaram-no todo e a nós não) 

 

(*) Com vénia a Carl Orff e aos monges devassos; in memoriam do cisne genuíno e inocente

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Faz como o dono faz

por José Mendonça da Cruz, em 26.11.17

Que a data de dia 25 de Novembro -- em que militares, partidos democráticos e povo puseram fim à tentativa comunista de instaurar nova ditadura -- cause incómodo à geringonça é compreensível. O PS de Costa não quer ser recordado das diferenças em relação ao PS que combatia pela liberdade; o aliado comunista não quer ser recordado da derrota; e os acontecimentos ainda amarguram os fragmentos que acabaram por formar um Bloco.

Que a data de 25 de Novembro só lembre a jornais e televisões as cheias de Lisboa e os dois anos da geringonça é compreensível, também. Mas apenas se nas suas redacções não houver um único jornalista.

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A Ordem dos Médicos defende mais impostos (os media também)

por José Mendonça da Cruz, em 25.11.17

O «imposto da batata frita» foi chumbado. É um país imbecilizado aquele que ouve sem sobressalto uma Ordem dos Médicos lamentar que o facto de o novo imposto ter sido travado revela «mais preocupação com as questões económicas do que com as pessoas». Sobretudo, tendo em vista que o imposto fora concebido com a intenção «económica» de sacar ainda mais dinheiro às «pessoas».

Também diz muito sobre a natureza da comunicação social que ela salte em defesa do imposto, com entrevistas e reportagens sobre o sal e os custos do seu consumo.

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Saqueadores das casas ardidas

por José Mendonça da Cruz, em 25.11.17

A esquerda recusa que seja dada isenção de IMI às vítimas dos fogos de Pedrógão. A esquerda quer ir buscar dinheiro lá onde ele está. Se não estiver, arranjem-no.

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Infarmed - retrato dos oportunistas

por José Mendonça da Cruz, em 22.11.17

Enquanto todo o funcionalismo público é embalado com promessas de descongelamento de carreiras, tão irresponsáveis como obscuras, cerca de 400 funcionários do Infarmed foram vítimas directas e tomaram súbita consciência da soberba, do cinismo, da opacidade e da incompetência com que um colectivo de oportunistas desgoverna o país.

Compreendo o esforço que os mansos e os aliados da geringonça nos media fizeram ontem e fazem hoje para secundarizar a notícia da mudança do Infarmed para o Porto. Às indignações de ontem por questões de lana caprina teriam que suceder hoje, perante isto e comparativamente, aberturas de telejornais arrasadoras, reportagens especialmente condenatórias, títulos de primeira página ululantes e fúrias sagradas. 

Caso tivessem honra e espinha os alegados jornalistas não deixariam de registar e classificar os passos deste extraordinário processo.

Primeiro. Um chefe de governo e um presidente de câmara negoceiam um acordo que arruina as já módicas hipóteses de acolher em Portugal a sede de uma agência europeia. Lisboa poderia alimentar esperanças; o Porto não tinha nenhumas. O interesse nacional era evidente, mas os dois homens trataram do seu, e ficaram satisfeitos.

Segundo. Os mansos dos media alimentaram até à última hora a ilusão dessa vitória impossível. Mas o mesmo chefe de governo e o mesmo autarca, bem conscientes do logro, acertaram sigilosamente uma compensação para a derrota: o Porto não teria a agência, obviamente, mas ficaria com o Infarmed.

Terceiro. Sem conhecimento da direcção, sem conhecimento dos funcionários, sem conhecimento do público, sem consideração dos prejuízos financeiros, de funcionamento e de credibilidade é anunciado que uma instituição respeitada nacional e internacionalmente é mudada de sopetão da primeira para a segunda cidade do país. Costa chama a isto «descentralização» -- algo normal para quem chama «fim da austeridade» ao aumento de impostos indirectos que absorve largamente as supostas reposições de rendimentos.

Quarto. Aos 400 funcionários do Infarmed e respectivas famílias, chocados com a conspiração e a ligeireza do decreto, o ministro da saúde explica de que raça é o seu governo: se os trabalhadores não gostam, arranjam-se outros.

Temos, portanto: uma decisão ao arrepio do interesse nacional; opacidade e negociações de bastidores; outra decisão ao arrepio de considerações financeiras e do prestígio de uma instituição; e, por fim, um ministro que -- para ser-se tão brutal como ele - manda os trabalhadores à merda.

Visto isto, como reagem os mansos e os vendidos dos media?

A Sic faz a cobertura... do governo, entenda-se. Abre o telejornal das 13 referindo que os trabalhadores do Infarmed foram surpreendidos, após o que dá voz a um antigo director, ao autarca do Porto e ao ministro da Saúde para explicar que isto é descentralização, que é bom para todos, que tudo foi sopesado. Às 20 horas fez ainda melhor: só chegou a tempo do período de perguntas e respostas da conferência de imprensa dos funcionários do Infarmed. Chegou tarde porque antes teve que: a) deter-se demoradamente sobre a 5ª derrota do Benfica na Champions; b) misturar as críticas da Comissão Europeia ao OE com sonhos sobre o cargo estrangeiro de Centeno; e c) truncar afirmações do PR, de forma a que «o caminho que serve os portugueses», que Marcelo disse ser o da «sensatez orçamental», parecesse ser o caminho de Costa. 

A TVi é mais tímida. Fez um directo à porta do plenário dos trabalhadores, mais gaguejadamente e com a habitual menor competência, e passou pressurosamente à premente e fugidia questão da seca.

A RTP serviu o dono. Sem tempo para transmitir as objecções dos funcionários do Infarmed, às 20 horas, cortou o directo e anunciou que convidara para uma entrevista sobre o tema o autarca do Porto, Moreira.

O Público online escolhe para manchete a Bósnia; o Diário de Notícias, a prisão de agentes da GNR.

E, assim, ao menos 400 funcionários públicos ficam a saber o que muita gente sabia e outra vai aprendendo lentamente: que o governo que espolia a economia privada para alimentar as suas clientelas é capaz do mesmo desprezo por eles, funcionários públicos; e os alegados jornalistas que trazem o funcionalismo nas palminhas só o trazem assim enquanto e nos estritos casos em que isso favoreça a sua parcialidade, o seu interesse e a geringonça.

 

 

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De Espanha, bom vento -- mas não chega cá

por José Mendonça da Cruz, em 07.11.17

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Passei cinco dias em Madrid. Inesperadamente, senti o mesmo alívio, o mesmo oxigénio que sentia ao visitar qualquer país democrático da Europa no tempo de Salazar. É uma sensação mista de ar fresco e tristeza.

Gozei uma cidade aberta, arejada, limpa, uma cidade cosmopolita e monumental, e senti-me confortável num país regido por uma constituição referendada, que segue por respeito do voto popular, não de alvos eleitorais.

Na estrada, a caminho, e nas ruas da capital percebi o ambiente de ordem e progresso. Na estrada, na cidade, nos semáforos, no estacionamento, nos passeios, senti a ordem e a ausência de stress no cumprimento distendido da lei, de que resulta o bem-estar e conforto de todos -- o contrário dessa interpretação alarve em que «o meu direito» ao que é «de todos» atropela todos os direitos e deveres.

Fiz cinco dias de turismo em Madrid, mas Madrid não me cobrou «taxa turística» para se compensar de eu a visitar e gastar dinheiro lá. E não vi ninguém preocupado em dar publicidade à presidente da câmara, para além da curta notícia que anunciava que passa a estar sob vigilância porque gasta reiteradamente demais. Gastará. Mas não cobra taxa. E os serviços funcionam. Passeei por ruas asseadas e policiadas, viajei em táxis limpos com bandeirada a 2,40 euros até às 21 horas, 2,90 depois (e também no meu carro, com combustível mais barato 30 cêntimos por litro), ou em linhas de autocarros e metro práticas e funcionais, talvez por estarem viradas para o utente, não para o alimento de parasitas que nelas se tivessem alojado.

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 Verifiquei que, em Espanha, os vigaristas estão presos ou fugidos, e os media não se comovem com gritos de liberdade e democracia da parte de quem dolosamente as ataca e atacou. Tontos, na TV, só vi o Puigdemont, tão perseguido e calado que a entrevista dada no coito belga passou sem sobressalto em horário nobre; mas não vi que algum palhaço do Podemos fosse consultado durante 5 minutos de 15 em 15 minutos em cada telejornal, para fazer declarações falsas ou néscias sem escrutínio nenhum, e que sempre visam regular mais, taxar mais, paralisar a economia, e depois gastar mais do que o saque.

Revi obras-primas em museus nacionais, ou com nomes de realeza ou aristocracia, mas não vi Miró nenhum de saldo comprado com dinheiro dos impostos; nem colecção nenhuma arbitrária que o Estado guardasse a um amigo, pagando-lhe ainda pelo jeito, com o dinheiro dos impostos, outra vez. 

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 Li jornais e vi televisão, mas nos noticiários não vi uma Espanha sentada, não vi a bajulação a membros de autarquias ou governo, tanta que chegasse a ser menos notícia o próprio evento do que o facto terceiro-mundista e confrangedor de uns queridos líderes irem lá bolsar promessas falsas e inanidades; nem vi o golpe russo de 1917 encher páginas ou secções; nem li crónicas de namoradas de famosos aldrabões, as quais não repararam em nada, mas prosseguem sendo alegadas jornalistas; nem orgãos de comunicação dirigidos por quem tivesse promovido vigaristas e subscrito as suas vigarices como verdades sagradas. Talvez por isso tenha ficado com a impressão de que seria inconcebível para qualquer orgão de comunicação espanhol colocar-se ao lado do Estado contra as vítimas de alguma negligência ou opção criminosa pública, calando os queixosos e desculpando o autor.

Hospedei-me num hotel do bairro de Salamanca, e beneficiei do tom de orgulho e normalidade com que o bom serviço é prestado nas recepções, aos balcões, às mesas, até pela Polícia na rua. Em todos os restaurantes, a qualidade é a rotina; num dos 10 melhores de Madrid, o menu de degustação custou metade de um seu equivalente em Lisboa. Fui turista e bem recebido. Nunca me chamaram «pressão turística». E, mesmo depois de lerem o nome no cartão, ninguém me chamou «senhor José».

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 Passeei pela capital e por esse bairro de Salamanca onde fiquei; passeei pelo bom gosto, a malha intimista das ruas, as boas lojas, os sítios de tapas e restaurantes, a elegância que orgulha a zona e a cidade, em vez de as envergonhar, como sucede aos miserabilistas.

 Senti uma sociedade vibrante. O que não senti foi uma opinião pública e publicada amorfas, anémicas, submissas, caladas, cúmplices perante governações corporativistas, fogos que matam centenas, armas de guerra que desaparecem e reaparecem ao acaso, contas marteladas, dívidas suicidas, hospitais mortíferos, transportes que se degradam, barcos parados, insegurança nas ruas, tudo seguido de dóceis recomendações para «apurar» o que gritantemente se vê.

A fronteira entre Portugal e Espanha é aberta, ninguém nos detém, não é preciso preencher os formulários inquisitivos que a PIDE nos impunha. Mas faria sentido voltar a essa prática, porque a diferença de culturas é grande e agrava-se, e o clima de energia, liberdade e modernidade aumenta exponencialmente quando se passa para lá, para a Europa civilizada que dantes ficava além Pirenéus e agora é contígua (mas não chega cá).

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 A PIDE não existe, é certo, mas governo socialista e Autoridade Tributária não desdenhariam substituí-la nesse zelo burocrático e vigilante. Era só mais um pequeno passo no clima de asfixia e intromissão gerais. Um pequeno passo lógico e que lhes quadrava tão bem.

 

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O afã

por José Mendonça da Cruz, em 31.10.17

Ontem, a TVi fez uma «grande reportagem» para descobrir que a culpa dos 100 mortos nos incêndios florestais é do negócio de «privados» acerca dos Canadairs, e outras aeronaves a que eles chaman meios áereos, ou metades aéreas ou lá o que é, e que tudo remonta a quando  «estava em pleno governo de Passos Coelho».

Hoje o DN descobre, num título, que um «Pirocumulonimbo» foi «o fenómeno que pode estar na origem dos fogos de 15 de outubro», para, logo na mesma notícia, dizer de passagem que o pirocumulonimbo -- que o jornalista acha uma palavra difícil -- é um fenómeno provocado pelo fogo.

Saem duas confirmações de avença e dois cartões de partido para as mesinhas do fundo.

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O fogo iluminou Costa (pontualmente)

por José Mendonça da Cruz, em 25.10.17

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 Tiago Martins Oliveira foi nomeado, ontem, presidente da Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais. É doutorado em Engenharia Florestal e especializado em Gestão de Risco no Âmbito das Florestas.

 

Logo, as múmias do alegado partido dos alegados trabalhadores acha mal a escolha.

 

Tiago Martins Oliveira foi desde 2016 responsável pela área da Inovação e Desenvolvimento Florestal da The Navigator Company (ex-Portucel), uma dessas empresas de celulose cujas florestas praticamente não ardem devido à competência de quem as gere e defende.

 

Logo, os artistas de variedades do Bloco, cuja imunidade ao menor grau de escrutínio lhes permitiu elevar a demagogia a alturas galácticas de estupidez, consideram-no uma escolha má.

 

Donde se deve concluir que, por uma vez, em vez de amiguinhos e compadres, Costa conseguiu escolher uma pessoa competente para um lugar adequado.

 

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Certidão de carácter

por José Mendonça da Cruz, em 20.10.17

Para se apreciar plenamente os contorcionismos a que os aliados da geringonça são capazes de entregar-se, não perder esta pequena confissão involuntária 

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Lamiré para os canalhas

por José Mendonça da Cruz, em 19.10.17

Por uma vez, a incompetência ululante do governo e a sua negligência criminosa deixou coibidos os canalhas das redacções. Queriam apoiar os seus perigosos amigos, mas faltavam-lhes argumentos, não sabiam que dizer, tiveram muito medo ou um resquício de vergonha. Mas agora PS+PC+BE deram o mote: criticar a incompetência e a negligência criminosas é «aproveitamento político». E eis que já vislumbramos os canalhas a porem a cabeça de fora nas notícias e no comentário: é «aproveitamento político» criticar os responsáveis por 100 mortes, dizem eles; e «habilidade» política, dizem eles, dizer que as mortes vão repetir-se. São como os seus donos, os canalhas: fazem a cama falida em que hão de deitar-se.

(E sobre os 500 mil euros doados por cidadãos para as vítimas de Pedrógão e desviados abusivamente pela Caixa para hospitais públicos, sobre isso nem um sobressalto, nem uma palavra).

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Ardam e tenham paciência

por José Mendonça da Cruz, em 16.10.17

Costaantonio-costa.jpg, esse oneroso arremedo de primeiro-ministro, preocupa-se com a quantidade de sal no pão, com a felicidade dos cãezinhos nos restaurantes, com todos os aumentos de despesa necessários para manter os apoios que o mantêm lá. Mas garante que nada pode fazer quanto à segurança dos portugueses. Arderam mais de 60 em Pedrógão, arderam mais de 40 ontem... habituem-se, diz ele, não há varinhas mágicas, ele não tem culpa, diz que disse não sei quê em 2011. Arderam 100 pessoas... Por ele, «vai seguramente repetir-se». . Entretanto, benevolentemente, oferece aquilo de que considera merecedor o povo: três dias de luto.

Constanimages.jpgça, esse farrapo choroso que verte lágrimas pelas vítimas da sua própria inimputabilidade, essa nulidade fatídica que tutelou o trágico falhanço da Protecção Civil, diz que não se demite. Lamenta-se de não ter tirado férias, visto terem ardido 60 portugueses. Descansa as famílias dos mais de 40 que arderam agora, meses depois, dizendo que fica. Promete que é sob a tutela da sua competência e saber que decorrerão quaisquer mudanças que impeçam mais portugueses de arder.

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 «Auto-protejam-se», diz Gomes, o secretário de Estado nulo. Não esperem aviões nem bombeiros, não esperem protecção de ninguém, não deduzam que o Estado socialista cumpre as funções primordiais de um Estado. Protejam-se, fujam, salvem-se, tratem de vocês como nós tratamos de nós.

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 Patrícia Gaspar foi nomeada porta-voz da Protecção Civil. «Dura, inteligente, desenrascada, com perfil militar», chamou-lhe babadamente o Observador. Vinha para «centralizar» a informação -- a terminologia socialista para significar censura de informação. Mas, hoje, Gaspar não é mais do que a cara do fracasso e inoperacionalidade terminais (e irresponsavelmente criminosos) da chamada Protecção Civil. Nem «dureza», nem «inteligência», nem «desenrascanço» a salvam desse perfil. 

A Protecção Civil lança avisos laranjas de fogo, e, perante a previsão de aguaceiros, desde logo avisos amarelos contra a chuva. É escusado. Os portugueses necessitam acima de tudo de avisos vermelhos contra tais «Protecção» e governo. 

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Filosofia do crime

por José Mendonça da Cruz, em 13.10.17

Pergunta Sócrates: «Como é que provam que o dinheiro era meu?»

Resposta: Pensando.

Poderia perguntar Sócrates: E há esperança?

Resposta: Pouca. 1 568 168  pessoas votaram em si nas eleições de 2011; 1 568 168 pessoas não pensam, mas poucas estão no sistema judicial.

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Mais carga fiscal para alívio dos funcionários

por José Mendonça da Cruz, em 13.10.17

Sobem os impostos sobre as bolachas, os biscoitos, as batatas fritas, os cereais, tudo o que os socialistas considerem que tem «sal a mais» para efeitos de colecta. Sobem os impostos sobre o preço dos automóveis, sobre a circulação de automóveis, sobre os combustíveis dos automóveis, mais ainda do que os 65% de imposto por litro actuais. Sobem os impostos sobre os trabalhadores a recibo verde (não faz mal, os «ex-precários» da administração pública já estarão a salvo nas crescentes gorduras contratadas). Sobem os impostos sobre as bebidas açucaradas, sobre as bebidas alcoólicas, nomeadamente a cerveja. Sobem os impostos sobre as grandes empresas. É tudo a bem do ambiente e da saúde.

A isto, os travestis de jornalistas dos media semi-falidos -- como os de Balsemão, que em breve estarão a pedir subsídios «cólturais» aos mesmos a quem lambem as botas -- chamam «alívio fiscal».

São aliviados os funcionários administrativos da Avoila, os funcionários do Nogueira, os funcionários e dependentes do Estado socialista. É um alívio para pagar o aumento do número de funcionários públicos, o aumento dos mesmos funcionários públicos, a melhoria da carreira dos funcionários públicos, a diminuição do horário dos funcionários públicos, o aumento do pagamento das horas extraordinárias dos funcionários públicos que a diminiuição do horário de trabalho fez aumentar, a inamovibilidade dos funcionários públicos. É para os socialistas aliviarem o PCP e o BE do facto de terem sido varridos nas eleições autárquicas (o PAN contenta-se em impor pulgas, babas e mau cheiro aos restaurantes). 

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Fernandas Câncios

por José Mendonça da Cruz, em 12.10.17

Estes fizeram parte dos governos de Sócrates e fazem parte da choldra de Costa, que era um deles e agora é o primeiro. Nunca deram por nada. Como não podem ser corruptos nem burros, então são Fernandas Câncios.

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Uns e os outros

por José Mendonça da Cruz, em 12.10.17

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As recentes advertências do FMI e da Comissão Europeia, somadas ao afã patético com que o governo de Costa dá o nosso dinheiro ao PCP, em compensação da derrota, e as vértebras da sociedade ao BE, em pagamento da irrelevância, parecem começar a abrir fracturas nas hostes dos adoradores da choldra.

Hoje mesmo Paulo Baldaia escreveu no Diário de Notícias uma coluna a dizer que isto assim rebenta. Agora mesmo, na TVi, Graça Franco mostrou-se muito incomodada com a despesa crescente e os impostos novos disfarçados.

Dois membros da plateia de aplausos de Costa que resolveram publicar hoje o seu «seguro de pudor»: quando a bancarrota vier -- como virá indubitavelmente para assombrar os bandalhos que acham que existe «uma folga» --, estes dois podem dizer: «Já em Outubro de 2017 eu dizia...»

Eis, pois, uma boa oportunidade para distinguir as vozes do dono dotadas, ainda assim, de alguma inteligência e as vozes do dono asininas.  

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Novas ideias e velhas carcaças

por José Mendonça da Cruz, em 06.10.17

Velha esperança

Há quem deseje e defenda para Portugal «uma sociedade civil forte e aberta… suficientemente autónoma do Estado e dos grandes poderes» e «um poder político que saiba separar o interesse público do privado ou particular». Esta sociedade não toleraria a existência e a zelosa blindagem de centros de corrupção, roubo de dinheiros públicos e saque de dinheiro dos contribuintes como a Caixa Geral de Depósitos, a antiga Portugal Telecom, ou um estarrecedor número de sombrias fundações. Esta sociedade não toleraria um fisco voraz e abusivo, e toleraria ainda menos que os media silenciassem todos os abusos, e, ao invés, procurassem excitadamente os raros casos de «evasão» fiscal, que nas circunstâncias actuais mais parecem legítima defesa.

Há quem deseje e defenda para Portugal «uma economia competitiva, aberta, autónoma, socialmente responsável», que não esteja tolhida pelos pequenos poderes que se acoitam nas malhas da burocracia, por uma carga de impostos que a asfixia, e depois, com o produto da rapina, oferece «apoios», «isenções» e «incentivos» aos primos, amigos e companheiros de avental. Esta sociedade não toleraria a reversão de uma reforma maioritariamente subscrita do IRC; nem o domínio de uma petrolífera que, mediante o monopólio de refinação e armazenamento, define os preços de gasolina e gasóleo (e ainda ri, sarcasticamente, nos cartazes que «informam» sobre os preços das diversas gasolineiras); esta sociedade não toleraria um Estado que sorve 60% do preço de cada litro de combustível; nem os sinuosos e casuísticos arranjos que colocaram privados e empresas a pagar a electricidade mais cara da Europa; esta sociedade não toleraria que, demonstrada penosamente a falência das intervenções proteccionistas no mercado habitacional, a elas se regressasse com arcaicos argumentos de virtude.

Há quem deseje e defenda para Portugal umas «finanças públicas que fossem responsáveis» e não submeta presente e futuro a cangas financeiras. Um Portugal assim ficaria de cabelos em pé com uma dívida pública a subir para além dos 250 mil milhões de euros, e erguer-se-ia numa fúria sagrada contra algum troca-tintas que aventasse que a dívida pública está, na verdade, a baixar.

Há quem deseje e defenda para Portugal uma sociedade inspirada por «um sentimento de justiça e equidade», que acredite que nenhum dos objectivos anteriores o contraria ou bloqueia, e que, ao contrário, são esses objectivos que abrem caminho à justiça e à equidade, e agilizam o elevador social.

Há quem deseje e defenda «uma sociedade com sentido de exigência, e de rigor e disciplina». Essa sociedade não suportaria nem um mês do mais presunçoso, desclassificado e desclassificante consulado da Educação; nem o rastejante, porém despudorado, enjeitar de responsabilidades na Administração Interna, na Defesa, nos Negócios Estrangeiros, e na Assembleia, e em São Bento. Essa sociedade sentiria asco perante um chefe de governo relapso e contumaz nos seus acessos de boçalidade e ordinarice na própria «casa da democracia».

 

Velhos lacaios

A última vez que os valores acima foram a votos, venceram com 39%. Mas os travestis de jornalistas que dominam as redacções chamam-lhes valores «passistas». É justo, literalmente, pois tudo o que está entre aspas vem do discurso de despedida de Pedro Passos Coelho, é o seu testamento político. Politicamente, porém, a escolha terminológica dos travestis é pura fraude e propaganda. Tudo o que extravase ou contrarie o seu pequeno mundo de funcionalismo, servidão, e amanhãs que nunca cantaram nem cantam é «neoliberal» ou «passista». Não sabem o que dizem – é difícil quando não se pensa –, mas como propaganda resulta. Todos os iletrados querem «apoios do Estado», e nenhum repara que é «generosamente» … «apoiado» … com o seu próprio dinheiro.

O que convém aos travestis é o que não convém ao país. E, no entanto, na sua auto-suficiência, na certeza da sua superioridade e ideário, os travestis não se coíbem de revelar o que mais lhes conviria. Durante dois anos, os travestis silenciaram ou esqueceram todo e qualquer argumento da oposição (a menos que tomado desde logo pelo seu contraditório), preferindo sempre em alternativa algum dichote de alguma Catarina, alguma catilinária de algum Galamba, alguma falácia de Costa.

Agora, de súbito, o PSD enche as páginas dos jornais, sobretudo com notícias que, por um lado, nos aconselham Rui Rio, apelidando de «passistas» todos os outros (até no Observador, que se vai revelando um dos maiores equívocos da informação dos últimos tempos, com a ilha de inteligência do comentário sitiada pelo jornalismo de manada do costume); e, por outro lado, recomendando vivamente ao PSD que, para sobreviver, seja mais como o PS. Sobre este ponto, no que toca a comentários maliciosos de travestis de jornalistas e barões ultrapassados, vem previsivelmente Pacheco Pereira à cabeça, cada vez mais submarino, cada vez menos social-democrata. (Traz Ferreira Leite de arrasto.) (Invocam todos Sá Carneiro.)

 

Velhas carcaças

Foi Santana Lopes o líder que não temeu ir a votos para substituir quem decidira ir «para a Europa» e escapar à choldra? Foi eficaz e competente o seu Governo ou deu bastos argumentos à manobra anti-democrática de Sampaio? E, sobretudo – mais para seu bem do que nosso –, não está Santana Lopes confortável na Santa Casa, onde Costa o manteve, onde com Costa negociou tapar as habilidades do Montepio com um risco irresponsável para a Santa Casa? Devia continuar por aí.

Diz o Expresso de 31 de Julho de 2013: «Hoje, quem seriam o Soares e Mota Pinto do século XXI? Certamente António Costa e Rui Rio, dois amigos que se respeitam, com cumplicidades políticas e pessoais várias, compondo um dueto que até esteve presente no Clube de Bilderberg.» «Até» no clube… Pronto. Compreendemos.

Diz a Sic Notícias de 22 de Julho de 2014, que «numa conferência sobre "A política, os políticos e a gestão dos dinheiros públicos", organizada pela TSF e pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (…) foi notório o bom entendimento entre ambos (Rio e Costa)» e que «Rui Rio reforçou que "o acordo principal é o acordo de regime"». O Bloco Central, portanto, com um PSD obsequiante.

Diz Miguel Sousa Tavares, em 2 de Outubro, na Sic: «Quem é Rui Rio, eu não conheço Rui Rio, não lhe conheço ideias de espécie nenhuma.» Diz bem. Tirando a demonstrada pulsão para se aliar com Costa, ninguém conhece.

Restaria Rangel para a sucessão no PSD, se não tivesse invocado razões familiares para se afastar, hoje, da corrida. Reconhecendo-se-lhe a inteligência, a cultura, a capacidade política, e o espírito crítico e combativo demonstrados como líder parlamentar, entre ocasiões diversas, teria, porém, que explicar uma frase … (peço desculpa) … obtusa do que parecia o seu discurso de candidatura publicado esta semana no Público: «A liberalização não é nem pode ser a operação através da qual os interesses que opacamente colonizam o Estado passam abertamente a colonizar a sociedade. Por isso não somos liberais.» É que, não querendo a frase dizer nada, ela só pode ter como justificação o medo de declarar-se liberal, ou a tentação persistente na direita de parecer esquerda. As duas coisas são más, as duas coisas significam um PSD a reboque do PS. Por mim, nunca ponho o voto no CDS, porque aprendi que não sei para onde o leva. E deixaria de votar num PSD cujo anseio fosse ser um PS de segunda.

É estranho que a propósito de um rumo individualizado para o partido nunca se ouça citar Sá Carneiro.

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Quem queria o meu lugar virá que bom de mim fará

por José Mendonça da Cruz, em 21.09.17

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Paulo Trigo Pereira, que o Observador acolheu a título de cronista diversificador, veio com outros economistas propor mais outra solução de esquerda em alternativa à solução de esquerda que mantém o país na cepa torta. Consiste, basicamente, em gastar ainda mais com a função pública. Com tal iniciativa, Trigo Pereira prestou à geringonça um serviço inestimável: fez que Centeno parecesse um bom ministro das Finanças. Cruel e cristalinamente esclarecedor é o facto de Trigo Pereira o ter feito inadvertidamente.

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A nossa fotografia

por José Mendonça da Cruz, em 02.09.17

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Esta é a fotografia da casa portuguesa, com certeza. Ao centro - em espontânea saudação fascista que deixa à mostra o bracinho branco, sem tónus nem manga de camisa - o suspeito de corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais, recebimento indevido de vantagem, tráfico de influências e falsificação de documento. O homem que sabedoria política e literacia financeira do povo elegeram duas vezes Primeiro-Ministro: José Sócrates. Os jornalistas avençados aclamaram-no como animal feroz. Justamente. Nunca, sem ferocidade e apetite desmesurados, se concretizariam as suspeitas acima. Os jornalistas avençados celebraram o seu enorme dinamismo. Com justiça. Não conseguiria nem um défice de 11% - que os avençados juravam ser menos de 5% - nem uma bancarrota nacional quem não fosse dinâmico. E pressente-se-lhe o carisma. Ao menos o carisma suficiente para convencer os convertidos por avença, os cúmplices, os ignorantes, os iletrados e o gado ovino em geral. Foram maioria absoluta da primeira vez e mais de 39% da segunda. O nosso retrato.

Junto ao braço esquerdo do herói caminha – como soe dizer-se – um idoso. Foi um dos responsáveis pela implantação em Portugal de uma democracia representativa em economia de mercado. Contribuiu muito para esse feito. Ficou a seu grande crédito. Mas ao tempo desta fotografia, já não lhe devemos nada. Nesta fotografia já traz a boca aberta das dificuldades cognitivas, e a expressão perplexa com que, em fim de vida, renegou tudo e atacou «o capitalismo selvagem», o «imperialismo americano», os «privados» horrorosos, o «casino» dos mercados, e tudo quanto cheirasse a liberdade económica, social e política. Regrediu às ilusões e palermices da adolescência, como muitos senis fazem.

Sob o sovaco do herói segue um homem habilidoso, Costa, menos obeso do que é na actualidade, o sorriso ainda sem o esgar trocista, os beiços menos untados e ávidos. Mas já sonha suceder, e, por poucochinho e linhas tortas, sucederá. Na sua confusão de conceitos e na sua certeza das causas, os avençados chamam-lhe «hábil». É uma corruptela – passe a expressão sem segundo sentido. É, na verdade, habilidoso. Tem que ser habilidoso quem, durante anos, é braço direito e ministro do suspeito sem nunca suspeitar de nada. Tem que ser habilidoso quem, participando convicta e largamente na propagação da peste financeira, culpa a terapêutica pelas desgraças da falência. Foi habilidoso quem, com poucochinhos resultados eleitorais, equilibrou uma aliança que tem, num dos pratos, a sua sobrevivência pessoal, e, no outro, a entrega de sectores da sociedade e da economia a forças minoritárias e retrógradas.

Ao lado direito extremo da fotografia vai um tipo qualquer.

Falta um companheiro de estrada, uma figura - Marcelo, vindo para tirar uma selfie, alacremente.

Atrás dos três homens da primeira fila, mais abaixo, no putativo rasto de puns e mau hálito, fora de vista, agitados, saídos de debaixo de pedras ou pululando sobre fezes caninas avulsas, vão aos gritos os Galambas, os Cabritas, as Câncios, as Mortáguas, as Catarinas, os Teixeiras, os Baldaias e os avençados em matilha. Rosnam a quem não se junte à festa, mordem a quem descreia dela. A mesma fé de 2010.

Vem, depois, a mole indistinta (guarda-costas à parte) dos que apreciam ter um ministro das finanças para quem qualquer português que aufira mais de 1300 euros brutos mensais é altamente privilegiado. A mole invejosa concorda. A mole vive com 600 euros. Está contente, é maioria, sonha com «apoios do Estado» a que nunca chama o dinheiro dos outros. Vai vivendo, em vez de viver. Não ambiciona mais, não ambiciona muito. O que quiseram e não têm foi decerto por culpa dos outros, do liberalismo selvagem, dos privados, dos casinos, dos capitalistas, dos americanos, dos alemães, da vida. Basta-lhes o crédito para as férias, a praia de todos, esta política para as pessoas e um aumento de 50 cêntimos, a folga entre o abate do pau, uma vitória do Benfica.

 

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 Esta outra fotografia é um corolário. A reversão «estratégica» da TAP contentou sindicatos e fileiras de idiotas úteis. As reversões na educação e nos transportes devolveram verbas e protagonismo a parasitas. A reversão da reforma do IRC proclamou o programa: tirar aos produtivos para dar aos instalados. Uns tostões dados a parvos (parvos, do latim) alegraram-nos, e foram sobejamente compensados por aumentos de impostos em que os mesmos parvos não reparam. Outros agravamentos de impostos contaram com o apoio de legítimas herdeiras dos assaltos, das que querem ir buscar dinheiro aonde ele está. A dívida de Estado (a subir em flecha), empresas (estável), e privados (em queda) atinge os 725 mil milhões de euros. Mas é invisível para a mole, e os avençados só veem aquilo que lhes pagam para ver. E, por fim, a modernidade, a rentabilidade, o emprego, o contrato social da AutoEuropa, foram invadidos pelo que se vê na fotografia: o atraso, o bafio dos legítimos (embora não únicos) herdeiros de tiranos, assassinos em massa, torcionários e devastadores de economias. Eis o bafio, o sarro das cabecinhas comunistas, eis o negócio subscrito por Costa e acolhido pela mole, espelhados neste folheto. Uma das maiores empresas portuguesas, um dos maiores contribuintes para o PIB, um dos maiores empregadores e praticante de salários e regalias muito acima da média, é, afinal, para estes fósseis, o «trabalhador» com grilhetas, o «patrão» de chapéu alto em cima da bola de ferro que o agrilhoa. A mesma demagogia, o mesmo rumo à ruína. A mesma fé de 1917.

São fotografias portuguesas. Estas fotografias somos nós.  

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Sítios para respirar e onde encontrá-los

por José Mendonça da Cruz, em 03.08.17

No presente clima de spin, tolices de férias e vigarice geral -- de que Costa é o totem, César a coroa, Santos Silva o emblema, e Galamba a caricatura -- encontram-se espaços limpos e saudáveis que servem de magnífica alternativa à desinformação e omissão dos media avençados. A série Endeavour, na Fox Crime, é um desses espaços.

Titulada com o nome do protagonista, Endeavour Morse (seria como um português chamar-se, por exemplo, Empenho Marconi), a série Endeavour é medularmente séria, ao contrário da medular falta de seriedade de quem agora nos pastoreia: não ilude os problemas, não foge a eles, nem sugere que se resolvam com conversetas «sinceras» de cinco minutos, ou por se proclamar que estão resolvidos. 

Ao contrário da fina patine de cultura da canalha que por aí perora, e que estala ao primeiro tropeço ou sempre que é preciso usá-la como arma de arremesso, a série Endeavour é medularmente culta. Pode vir-lhe isso de uma cena de igreja em que uma harpa electrónica toca um estudo de Satie; ou do Wagner que o herói ouve intensamente; ou da família aristocrata que vive na grande casa (que não se chama Brideshead), e cujo apelido é Mortmaigne (não Marchmain), e cuja filha se confessa má e com maus desejos (embora não se chame Julia); ou pode vir de uma citação deliciosa de Jaws, em que a menina vai nadar à noite, o menino fica bêbedo em terra, mas quem morre às mandíbulas de uma fera é ele. O enredo policial e com gente verdadeira, contado num tempo e ritmo muito europeu e sábio, está salpicado destes adornos. Faz bem à alma e ali respira-se. A seriedade e a competência estão a léguas da indigência ética e mental que agora nos desregula.

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Estudiosos

por José Mendonça da Cruz, em 20.07.17

Agrada-me esta defesa do Sporting que vejo nos jogos de preparação. É rapaziada atenta, desejosa de aprender: seguem sempre os atacantes adversários até junto da baliza para verem de perto como é exactamente que eles metem golo. 

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