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Mais um prego no Caix(ão)

por José Mendonça da Cruz, em 23.03.17

A procura de obrigações da Caixa foi, diz a Sic num acesso de estupidez ou desinformação galáctico, «4 vezes superior à oferta».

Será por causa dos juros de 11%? (os depósitos a prazo dão quanto?)

E quem vai pagar «só» os juros, quem é? (na mesma altura em que PS, Bloco e PCP hão de bramir por «solidariedade» dos credores e gritar contra os compradores/emprestadores desta operação criminosa). 

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... e o álcool

por José Mendonça da Cruz, em 22.03.17

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As mulheres...

por José Mendonça da Cruz, em 22.03.17

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Uma Caixinha sem fundo

por José Mendonça da Cruz, em 21.03.17

Ficámos a saber esta semana que o PSD e o CDS também consideram que a Caixa Geral de Depósitos não deve guiar-se por critérios estritamente financeiros. 

Os contribuintes que são chamados a pagar «só» dois mil milhões de euros para tapar os roubos e assaltos da Caixa devem estar ainda mais felizes agora (os iletrados financeiros, esses, estão sempre) que até os partidos da direita e o Presidente lhes garantem que mais tarde ou mais cedo terão que pagar «só» uns milhões mais.

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Mais títulos reais ou futuros de Público, DN e Sic

por José Mendonça da Cruz, em 19.03.17

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Quando Passos Coelho se ri do apoio de PS, PCP e BE a despedimentos e eliminação de balcões na Caixa, previstos antes da entrada de Paulo Macedo:

Passos Coelho critica antigo ministro do seu governo

 

Quando o governo de Jerónimo Martins e Costa despede e privatiza na Caixa:

Descoberto medicamento que pode curar o cancro em 2050

 

Quando Trump espirra enquanto o carro de Merkel chega:

Incidente diplomático: Trump mostra alergia a Merkel

 

Quando a esquerda perde eleições na Holanda, a direita as ganha e a extrema direita cresce, mas menos do que diziam as sondagens:

Extrema direita derrotada na Holanda

 

 

Quando os juros da dívida de longo prazo sobem em flecha:

Juros de curto prazo estáveis

 

 Quando as agências de rating mantêm a cotação portuguesa no lixo:

António Costa confiante no futuro

 

Quando há inundações na Lisboa de Costa & Medina:

Canais são alternativa a ciclovias em ruas de Lisboa

 

Quando um ministro de PSD ou CDS volta à sua carreira numa empresa privada:

Ministro de Passos Coelho regressa a empresa que processou Estado por dívidas

 

Quando um ministro do PS regressa à federação de onde veio:

Ex-ministro socialista investe na política de proximidade

 

Quando a dívida pública sobe mais 10 mil milhões em poucos meses:
Marcelo confirma que dívida está melhor do que há um ano

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Saudades dos títulos canalhas

por José Mendonça da Cruz, em 18.03.17

A ministra da Justiça disse ao Observador que «há processos que demoram muito tempo» e deu razão aos «que se queixam da lentidão da justiça. Obviamente as pessoas têm razão».

Seguidamente, uma manchete copiada daquelas que o Público ou uma abertura do noticiário da Sic escolheriam, embora só as apliquem a governos que não são do seu consolo:

Ministra da Justiça ataca

independência judicial 

e solidariza-se com corruptos

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Odeia o conhecimento e o debate? A FCSH é o lugar para si

por José Mendonça da Cruz, em 07.03.17

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O reitor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas aceitou o ultimato de um grupo de extrema-esquerda para cancelar uma conferência de Jaime Nogueira Pinto sobre populismo e a situação na Europa e EUA. A FCSH não tem, portanto, um reitor.

Os alunos da FCSH ameaçaram com distúrbios, caso alguém insistisse em proporcionar-lhes um tema e uma conferência actuais. A FCSH não tem, portanto, universitários, aquele tipo de gente que até nos tempos de Salazar também estudava Rousseau e Marx. 

Uma Faculdade é uma instituição de saber, virada para a curiosidade, o estudo e a pesquisa. A FCSH não é, portanto, uma Faculdade, é um coito de extremistas que só aceitam que se estude e debata aquele ínfimo núcleo de dogmas que estatuiram e amam.

Constava, e dizia-o, aliás, a própria FCSH, que a FCSH tinha como objecto as ciências sociais, por definição um «ramo das ciências que estuda os aspectos sociais do mundo humano, ou seja, a vida social de indivíduos e grupos humanos», incluindo «antropologia, estudos da comunicação, marketing, administração, arqueologia, geografia humana, história, ciência política, contabilidade, estatística, economia, direito, psicologia, filosofia social, sociologia e serviço social». A FCSH, portanto, além de não ser uma Faculdade, também não é, e apesar do nome, de Ciências Sociais, porque muitos dos objectos fundamentais do seu estudo, ela, por crença e inclinação própria, não pode nem quer estudá-los.

Então, o que é ao certo a FCSH?

Não se sabia, mas agora sabemos. Um grupelho de fanáticos à sombra de um Caramelo.

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Primeiro foi a «re-notícia» do Público, cuidadosamente enviesada e com cuidadosas omissões, sobre transferências para offshores. O poder socialista fez-se apanhado de surpresa, coisa que os media obsequiosos beberam e ampliaram, e todos juntos, fizeram esquecer tão convenientemente as perguntas sobre as manobras e falcatruas que deram cabo da Caixa. Pagaremos 2,5 ou 5 mil milhões, ainda não nos disseram. 

Agora, é uma reportagem da Sic, uma peça em episódios, em estilo kitsch e gongórico -- mas venenosa --, que nos vende que a culpa do caso BES, a culpa de tudo, é do governador do Banco de Portugal, não dos socialistas que tão bem lidaram e se concertaram com Salgado, e decerto lhe dariam os 2,5 mil milhões dos contribuintes, que ele pedia que lhe dessem para tapar as vergonhas. O poder socialista finge acordar e indigna-se: é o governador, sempre o dissemos, queremos lá alguém de confiança, um Vara, um Louçã, uma Mortágua.

E nós, leitores, público espectador, povo, devemos tomar isto como se fossem verdades e processos limpos e honestos, e não o resultado de haver mandantes políticos e servos nos media.

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Um jornal de reverência

por José Mendonça da Cruz, em 02.03.17

Mais uma oportunidade para verificar o nível de independência e seriedade do Público. É o Público a noticiar que o juiz Carlos Alexandre pediu emprestados e pagou 10 mil euros a um amigo.

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É a revolução, estúpido!

por José Mendonça da Cruz, em 02.03.17

Trump, Brexit, Le Pen, despedimento de Renzi, a alternativa alemã, o medo holandês, o susto austríaco, as reviravoltas francesas... o que se passa é que o Mundo mudou, que está em curso um aggiornamento ou uma revolução tão importante como a revolução industrial. Aos sustos e aos tropeções vamos perguntando para onde havemos de ir a partir daqui.

A minha opinião, ontem, no Observador

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A casa da 5 de Outubro

por José Mendonça da Cruz, em 18.02.17

Conta o Expresso que o «ministério da educação» pretende alterar profundamente os curricula escolares, retirando substancial carga horária às disciplinas de Português e Matemática, para intoxicar as criancinhas que não possam escapar com «consciência e domínio do corpo», «educação cívica» e «ciências sociais». O governo Costa propõe-se, portanto, formatar hostes de especialistas em generalidades e questões fracturantes, peritos em vulgata marxista, e ignorantes destituídos das principais ferramentas do conhecimento.

Diálogo entre dois grandes educadores da classe operária nos corredores da 5 de Outubro:

- Eh pá, tu preferes ir ás putas, para dominar o corpo, ou a masturbação para teres consciência dele?

- Pá, prefiro ir às putas. Convive-se, conhece-se gente, são as ciências sociais.

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Costa escondido com Centeno de fora

por José Mendonça da Cruz, em 15.02.17

Desculpem se mal pergunto, mas...

... as promessas que Centeno fez a Domingues;

... as alterações legislativas ao gosto e à medida dos administradores convidados para a Caixa;

... a retenção de diplomas até a AR ir para a praia...

... tudo isso veio tão só da cabecinha do hábil Centeno e foi feito por sua alta recreação e poder?

O primeiro-ministro nem teve a ideia, nem sabia, nem autorizou?

As galinhas já têm dentes?

 

 

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Ó patego, olhó comboio!

por José Mendonça da Cruz, em 15.02.17

A Sic fez hoje uma reportagem especial sobre o mau serviço das linhas de comboios. As linhas de comboios-tema eram as de Sintra e Cascais, porque, como se sabe, a Sic é em Lisboa e, hélas!,  Porto ou Coimbra (ou Faro, ou Viana, ou Évora, ou Castelo Branco, ou Torres Vedras, ou Beja, ou Santarém) não existem.

Diz a reportagem da Sic que as linhas de Cascais e Sintra registam perdas de passageiros de 1/3 em poucos anos, enquanto a A5 e o IC19 registam aumentos de tráfego substanciais.

A Sic ouviu (é claro) sindicatos, oficinas, e mais quem dissesse que (vá, todos em coro, agora) «faltam meios», «falta contratar mais gente», «falta investimento».

O que a Sic (e o país da Sic) nunca pergunta nem sublinha é que:

Primeiro, as pessoas abandonam o transporte ferroviário em favor do automóvel no exercício da sua liberdade de escolha porque é mais cómodo, mais eficiente e melhor.

E, segundo e sobretudo, o que a Sic e opequeno país da Sic nunca consideram é que um operador privado das linhas de Cascais ou Sintra nunca se autorizaria, por questões de racionalidade e gestão, uma perda de passageiros daquela ordem. Trataria de os manter e ampliar, sem pedir dinheiro a ninguém.

Mas a Sic (e o país da Sic) tem esta fé nas empresas públicas. Quer que elas sejam felizes, que os contribuintes não tenham opções nem escolham livremente, e que paguem para que seja assim.

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Avença gente se entende

por José Mendonça da Cruz, em 09.02.17

O Diário de Notícias será um diário de notícias?

O Diário de Notícias será um jornal?

Se o Diário de Notícias for um jornal, será um jornal de referência?

De quê?

Para ajudar nessas avaliações é indispensável ler esta opinião do ex-director do referido coiso, André Macedo, hoje. Depois da declaração de Sérgio Figueiredo, da tv, no mesmo jornal e ao mesmo ministro, esta será a segunda melhor cantiga de amor.

Vale a pena ler. É mesmo leitura obrigatória para quem ainda se canse com coisas como a crise da imprensa e o problema da credibilidade dos jornais. 

Depois de prestar vassalagem ao ministro das Finanças (e durante), Macedo explica por que razão e em que casos uma notícia não deve ser notícia.

Eis algumas das frases que, de caminho e curiosamente, brande contra outros com a elevação possível:

«O sentido de exigência deve ser incentivado.»

«...preguiça mental e falta de sentido de exigência.»

«...falar de barriga cheia recusando compreender o contexto.»

« Não vale a pena fazer uma estátua a Centeno, nem exagerar nos elogios, mas reconhecer o talento e o esforço, à esquerda ou à direita, é cumprir os mínimos jornalísticos.»

«A carta secreta (uuuuu, que sexy)...»

«...carta secreta - que coisa ridícula e falsa - de Mário Centeno.»

Visto isto, o mesmo Diário de Notícias não gasta tempo com notícias assim e assim.

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A frase seguinte é do comentário de Miguel Sousa Tavares, hoje no jornal da Sic. Ela surgiu a propósito de Trump, mas extravasa em muito o tema. É uma frase importante e cristalinamente reveladora sobre os conflitos de ideias actuais. A citação é juradamente fidedigna e literal. Disse MST (sublinhado meu): «Quando a vontade do povo é qualquer coisa que vai contra aquilo que nós temos como o bem comum e as melhores ideias, não é preciso ceder à vontade do povo, é preciso resistir à vontade do povo.»

E, então, porque é que a frase de MST é reveladora e importante?

Primeiro, porque o que a esquerda chique e nonchalante pensa e diz em público é o mesmo que a esquerda dura e profissional pensa mas cala: que a sua superioridade intelectual e ética a desobriga de acatar a vontade democrática, visto ser ela, esquerda, que entende, defende e promove o «bem comum» e as «melhores ideias».

Segundo, porque a esquerda debonnaire e vocal (e a dura, também, mas pela calada) compreendeu que há uma revolução em curso e que essa revolução é contra ela:  contra o relativismo, contra o muliculturalismo, contra a tolerância da intolerância, contra a tirania do politicamente correcto, contra as políticas legislativas, económicas e laborais celebradas nos salões e nos media, mas empobrecedoras e produtoras de servidão no terreno.

A guerra centra-se, agora, em Trump. A esta luz compreende-se bem o zelo diário de desinformação, omissões, invenções e mentiras dos nossos media. Esse combate vocal é feito de forma mais cordata, como com MST; ou de forma boçal e néscia, como na generalidade dos noticiários, ou nas crónicas do correspondente da Sic em Washington, um Ribas segundo o qual Trump é «um construtor civil que chegou à presidência» e, portanto, «não tem noção» do efeito das suas decisões.

A batalha seguinte é em França. Em França onde a esquerda se ilude com o lirismo arcaico de Hamon e aponta baterias a Marine Le Pen, sem perceber, por enquanto, que o perigo (para ela, esquerda) não vem tanto do ideário estatista a que antigos comunistas aderiram com tão grande facilidade, mas mais dos que, como Fillon, querem quebrar o sistema estatista e assistencialista por dentro do sistema. A esquerda doméstica e os Benoitzitos desta vida ainda não compreenderam nada. Deviam ler mais o Canard Enchainé. O Canard Enchainé tenta assassinar Fillon porque já percebeu tudo.

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Jornais com causas mais altas do que a prosaica notícia

por José Mendonça da Cruz, em 25.01.17

Dois pequenos episódios para o debate sobre se o Diário é realmente de Notícias e se a opinião Público-ada tem a ver com os factos:

Por razões misteriosas DN e Público decidiram combater o presidente eleito de um país democrático estrangeiro. Assim, todos os dias apresentam historinhas sobre Donald Trump com que pensam demonstrar o bom fundamento da sua irritação e nojo. Ontem e hoje foram mais duas.

A primeira história tem a ver com «dois oleodutos controversos» cuja construção Trump autorizou, os quais, segundo os dois jornais, Obama vetara, e que agora vão prejudicar populações e ambiente. Esta é a história.

Agora, a realidade que DN e Público ignoram ou que, caso não ignorem, omitem deliberadamente: os dois oleodutos foram, de facto, chumbados por Obama, mas foram-no contra a opinião do seu próprio departamento de Estado e do estudo científico mandado fazer por este, segundo o qual a construção das condutas teria impacto desprezível sobre solo, áreas pantanosas, recursos aquíferos, vegetação, peixes, vida selvagem, e efeito de gases de estufa. A construção dos oleodutos tinha ainda o apoio de sindicatos e da maioria dos americanos (em sondagem), embora não de Obama e da militância ambientalista. O primeiro ministro da Energia de Obama, Steven Chu, explicou mesmo que «a decisão sobre a construção foi política e não científica». Os dois oleodutos transportariam (transportarão) 1,4 milhões de barris diariamente, de forma muito mais segura do que por camião ou comboio, como actualmente.

Mas, claro, Obama é santo e os nossos media seus profetas, pelo que contrariar a ciência, os sindicatos, o próprio governo e a maioria da população só revela sabedoria e visão.

A segunda  história é sobre o muro entre EUA e México. A julgar pelos media portugueses não existe qualquer muro ao longo da fronteira entre México e EUA, é apenas a perfídia trumpiana que pretende erigi-lo. Esta é a história.

Agora a realidade: a fronteiro mexico-norte-americana tem 3094 km de comprimento. O muro completo separaria (separará) o México dos estados americanos da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas. A extensão da fronteira com a Califórnia é de 220 km; a vedação estende-se, hoje, ao longo de 185 km. A extensão da fronteira com o Arizona é de 597 km; estão construídos 490 km de vedação ou muro. A fronteira com o estado do Novo México tem 290 km; estão construídos 186 km; é no estado do Texas que há menos muro construído (e mais policiamento): a fronteira estende-se ao longo de 1980 km, estando construídos 184 km de muro.

Assim, e segundo os nossos media, as centenas de quilómetros de muro construídos ou não existem apesar de se verem, ou, caso existam, são de geração espontânea. É isto que dizem aos seus leitores.

Eis, pois, em duas pequenas historinhas, dois pequenos instantâneos sobre preguiça ou desinformação (escolha que deixo ao gosto de cada um).

Eis, ainda, uma terceira historinha: já sabemos que segundo os nossos media a oposição ao governo não deve fazer oposição, e se os partidos apoiantes do governo não o apoiam a culpa é da oposição. Na esteira deste credo, a Sic contou e mostrou-nos que, hoje, na AR, PS, PCP, Bloco e Verdes zurziram o PSD devido às «contradições» sobre a TSU. A Sic deixou-nos ouvir e ver governantes e deputados do PS, do PCP, do Bloco e dos Verdes. Do PAN e do PSD é que não. Donde, a crer na Sic, o PSD entrou mudo e saíu calado. A menos que não tenha sido assim, e, então, deve-se a «erro técnico» ou a critério editorial (de novo, escolha cada um).

 

 

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A Sic tem obrigação moral de poupá-lo

por José Mendonça da Cruz, em 20.01.17

A Sic devia poupar o pobre Luís Costa Ribas a mais intervenções em directo de Washington. Não por ele ser incapaz de informar (que isso a Sic também é); não para evitar que ela própria, Sic, insulte a inteligência dos espectadores (que, isso, os espectadores não esperam outra coisa); não, é pelo pobre pateta, para o pouparem a figuras confrangedoras como a que fez no início do jornal das 20.

 

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«Que horror, Trump prometeu na posse o mesmo que na campanha!»

por José Mendonça da Cruz, em 20.01.17

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Reina grande desconforto entre os comentadores das nossas televisões acerca do discurso de tomada de posse do presidente Trump. É que o senhor insistiu agora nas mesmas ideias com que ganhou a corrida à Casa Branca : prioridade ao interesse nacional americano, prioridade ao emprego, investimento em infra-estruturas, combate ao crime internamente e ao terrorismo externamente, e uma «política para as pessoas» (peço desculpa, não resisti à piada) em vez de centrada nos círculos de Washington. 

Amanhã, Público, DN, Expresso, Sic, Tvi e RTP indignar-se-ão também patetica e necessariamente: é que o embrião de socialismo a que eles chamavam «o legado de Obama» levou uma corrida em pelo. 

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O congresso dos jornalistas que não há

por José Mendonça da Cruz, em 17.01.17

Antes mesmo do encerramento, o chamado congresso dos jornalistas já tinha desaparecido dos noticiários. Lê-se  este papelinho precioso e compreende-se porquê. São as conclusões, e, apesar do mal-estar que possa suscitar em qualquer pessoa medianamente letrada e razoável, vale a pena ler até ao fim. É um arrazoado breve sobre questões laborais, salários, sindicalismo, burocracia das redacções, participação em organizações estaduais, e essa coisa que o mundo próspero e moderno já esqueceu, mas que indigna os cultores do atraso: a precariedade.

Lavradas as queixas, arrumada a função, os alegados jornalistas regressaram às redacções. Foi como se nunca tivessem saído desse seu pequeno mundo.

Na RTP3, Manuel Carvalho, ex ou actual vice-director do Público, tanto faz, profetizava a propósito de Gates, Zuckerberg e outros visionários que ganharam milhões, que são as contradições do capitalismo (lembrou até saboreadamente que a frase é de Marx) e que assim o capitalismo morre (o que deve acontecer pela vigésima vez, digo eu).

Na Sic, o jornal das 20, a propósito do debate parlamentar sobre a TSU, alegrava-se porque «Costa trazia a resposta preparada contra uma oposição com telhados de vidro». Mais tarde, uma menina lamentava de Bruxelas que a direita, maioritária no Parlamento Europeu, tivesse elegido para presidente um deputado do PPE, porque isso não «reequilibra» (diz ela) as forças. E mais tarde ainda, o mesmo noticiário celebrava as palavras do presidente chinês, que, em Davos, atacava o proteccionismo, logo, Trump (a China celebrada por atacar o proteccionismo, palavra de honra -- já não há limite para as piadas involuntárias em que as redacções caem).

Público, DN, Expresso, TVi e a mesma Sic prosseguem a sua campanha patética contra o presidente eleito de outro país, tendo agora descoberto que as mesmas sondagens que tinham Hillary por eleita vislumbram agora que Trump é muito pouco popular.

E todos em uníssono batem em Passos Coelho por não fazer o que Costa diz.

Alegremo-nos, portanto, o Congresso foi leve, a pequena reunião trabalhista pelos vistos não estragou quem lá foi. Felizmente para todos, e para nosso entretenimento, sairam de lá como entraram: a debitar as mesmas ideias, enviesamentos e sentenças que o público recusa pagar.

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A oligarquia nas ruas fechadas, no mosteiro e no cemitério

por José Mendonça da Cruz, em 09.01.17

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A Mário Soares, que em relação à área política que defendo era um adversário, devemos em muito o caminho da democracia, contra o caminho da servidão comunista. A Mário Soares devemos a admiração que merece qualquer político de talento, qualquer homem que respira, come, vive política, a quem a política corre no sangue e no cérebro, mesmo quando é contraditório, ou grosseiro, ou um pouco perdido.

A João Soares, antigo e bom colega de direito, «tipo porreiro», pessoa estimável, devo sentidos pêsames. Como a Eduardo Barroso, que não conheço, mas cuja atitude sempre humorada e cavalheiresca me encantava num defunto programa de futebol.

Dito isto:

O espectáculo a que assistimos hoje, em Lisboa e nas televisões, é obsceno. Hoje, em Lisboa e nas televisões, a oligarquia (que a si própria se intitula «Estado») declarou sonoramente a total indiferença a que vota os portugueses, as pessoas a que as televisões chamam «anónimos», ou «populares», ou «povo». Hoje temos aqui um teatro nosso em que se exige que participemos todos. Vocês, não. Trabalhem ou não trabalhem, andem pelas ruas ou não andem, fiquem em casa se sentirem as ruas tolhidas, adiem afazeres e compromissos que tenham, vão à merda com as vossas pequenas ocupações e os vossos incompreensíveis horários, estamo-nos cagando (assim mesmo), hoje as ruas são nossas, as ruas são sempre nossas.

Usaram para esta declaração o cadáver de Mário Soares, que foi enviado confrangedoramente, tontamente, a passear dentro de um caixão por Lisboa, para Norte e para Sul, agora para Oeste, agora para Norte outra vez, agora para Sul, agora para Sul e Sueste, agora para Leste, para Norte outra vez agora. Foi ao ralenti ou a passo de cavalo pelo meio de ruas vazias, que as televisões unanimemente declaravam pejadas de gente, de «populares», de «povo», de «anónimos», mesmo quando as imagens brutalmente as desmentiam. Hoje a oligarquia juntou-se para chorar umas lágrimas de crocodilo, dar uns abraços e aprazar negócios, e demonstrar a sua importância perante as serviçais câmaras. As «multidões» com que as televisões sonhavam, abstiveram-se. A abstenção cresce, cresce a apatia. Mas para isso, também, a oligarquia está-se cagando.

Menos mal que tenha estado ausente o primeiro-ministro António Costa. Aquilo que Soares combateu com risco da pele e da vida em defesa da democracia e do país, este acolheu e presenteou em nome da sobrevivência política. 

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