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Outro "erro de percepção mútua", este logo resolvido

por João-Afonso Machado, em 07.05.17

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Ana Catarina Mendes abriu a goela e quis tragar Rui Moreira para  um próximo sucesso eleitoral do PS. Um sufoco de que Rui Moreira não gostou. Com três ditos contundentes seus, os socialistas já forjavam à pressa um candidato próprio à Câmara do Porto.

(Interessante será constatar até onde irá Manuel Pizarro na sua campanha, auto-justificando-se e demarcando-se de Moreira... Se Louçã é exemplo, talvez avance pela tradição comercial da família do seu agora opositor...)

Todavia, e desde logo, - o alívio de quantos sofrem os males do monopólio partidário às Autárquicas. Mais a constatação de que o PS (pela voz da sua Catarina) quer eleitoralmente tudo ser, mesmo as candidaturas que se apresentam como independentes.

Depois, a noção de que a reeleição de Rui Moreira se afigura mais problemática (embora obra feita seja obra feita...), devido precisamente aos "carneirinhos" das urnas.

Finalmente, uma nota: o senhor do PSD (cujo nome não fixei) que anda por aí em campanha autárquica, bem podia repensar. O próprio PSD também. Não seria pior desistirem da candidatura, recomendando o voto em Moreira.

Mas, é claro, sem reivindicarem o segundo lugar na hierárquia da edilidade...

 

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"O Combate dos Chefes"

por João-Afonso Machado, em 24.04.17

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Uma maçada, a gente acorda logo de manhã massacrado pelas eleições francesas. Ao que parece um momento político muito nosso. (Pelo menos muito televisivamente nosso.)

Macron, Fillon, Mélenchon, Hamon, Le Pen. Preferiria Asterix, Obelix, Eautomatix, Ordalfabetix, Ielosubmarine. Também não se entendem mas são imensamente mais divertidos.

Em Goscinny e Uderzo, Aplusbegalix é o inimigo neste combate de chefes. O aliado dos romanos. Na União Europeia todos (menos os seus milhões de eleitores) se viram contra Marine Le Pen, xenófoba, racista, enamorada por Putin. Posssivelmente, duas histórias a acabar bem, outra vez, - uma cheia de humor, a outra de intriga e escandalo políticos.

Mas a já anunciada criação de uma «Frente Republicana» para «patrioticamente» derrotar os «nacionalistas» é uma equação de três incógnitas que os meus parcos conhecimentos de matemática nunca alcançarão. E, ou é de mim, ou a máquina de rotulagem política necessita ser substituida por uma nova,  destas que haverá jamais, modernas e isentas.

 

 

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Amigos amigos, negócios à parte

por João-Afonso Machado, em 11.04.17

Emmanuel Macron deu uma entrevista à televisão portuguesa. Parece que é, em França, o esperançoso candidato da Esquerda. Sem embargo, é claro, das suas parecenças com Passos Coelho, aliás reforçadas pelo seu elogio aos nossos esforços de recuperação económica no tempo da governação da coligação da Direita. Depois disso, referiu algumas banalidades sobre os EUA e a Alemanha, o Brexit, a Hungria e a Polónia, e falou do futuro. Do projecto europeu.

Aí foi subitamente claro. Mutualização da dívida? Jamais no que toca à do passado; apenas quanto à superveniente.

Ora, salvo melhor opinião, a dívida constituenda é inevitável, mas o elo de uma cadeia. Não apenas porque o Governo do amigo Costa continua sem forças para soprar o arranque da economia nacional, mas sobretudo porque (sem tais meios) urge criar dívida... para solver a dívida que vem de trás.

Com amigos assim, os socialistas portugueses não vão a lugar algum. A França, afinal, pertence à Europa do Norte. A dos ricos. Um desmancha-prazeres, este Macron.

 

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O Marco do Canelas

por João-Afonso Machado, em 05.04.17

Em suma, confrontado com o cartão vermelho que lhe foi exibido, agarrou a cabeça do árbitro, puxou-a para baixo e fracturou-lhe o nariz com uma joelhada. Avançado do F. C. Canelas, de sua graça de guerra - o Orelhas. A seu lado, não se percebe bem se a encobri-lo, se a acalmá-lo, o capitão da equipa, o Madureira - o Macaco, para os amigos.

Este, o chefe da claque portista; aquele, um seu fiel assessor. Ninguém sabe do que vivem exactamente (será do ordenado pago pelo Canelas?), mas vivem como proficientes gestores públicos.

Depois foi aquele andar engorilado do Orelhas à chegada ao tribunal, com o Macaco e outros que tal a escoltá-lo. E as declarações do seu advogado (no meu tempo, num "caso" destes, um advogado fugiria rapidamente a qualquer tipo de declarações...), a saída tranquila, adeus até qualquer dia, e a esperança nossa em que haja julgamento e condenação condigna.

Porque tudo isto é sinal de muito mais. E de que a Justiça não é cega mas anda de olhos fechados. O futebol é a política dos portugueses e, como tal, tende a tornar-se mais um território de impunidade. Acontece que eu gosto do F. C. do Porto, gosto de Portugal, gosto do azul-branco, que são as cores da "naçom" e da Nação, e não gosto nada desta mafiosidade permanentemente encavalitada nelas.

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E se ele tivesse falado em Ferraris?

por João-Afonso Machado, em 28.03.17

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Gostei do imortal dito do tal cavalheiro holandês - Jeroen Dijsselbloen - sobre a apetência dos europeus do sul para os copos e as mulheres. Ele saberá porque fala: do que assiste, quando tem tempo, nos fins de semana na sua terra; e do que não se percebe se já provou, ansiaria ter provado, ou não consegue provar - refiro-me à companhia de senhoras, é claro.

E gostei, até, pela onda geral de histeria que provocou. Provavelmente em Portugal apenas, ou sobretudo.

O mais é quase nada. Se adivinho onde o ratinho Dijsselbloen queria chegar, talvez fosse mais acertado falar em Ferraris e na CGTP.

Isto é: nos patos-bravos que transformaram em cavalos, cavalinhos e cavalões (de potência automóvel) os dinheiros - ditos "fundos estruturais" - caídos em Potugal para activar uma economia quase nula. (Vão lá 30 anos...). E no pagode sindical ao serviço da ideologia leninista, sempre implacável quando se trata de fazer qualquer coisinha mais além do horário.

De cima a baixo, na realdade, somos o que somos porque não queremos ser mehor. O irrequieto Djsselbloen (fora ser socialista) é o que é mas, principalmente, os holandeses são o que são.

E o noso estoico Costa continua - igual a si mesmo, sempre no seu melhor. Agora quer "varrer" o seu camarada... Como se não o fosse.

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Notas sobre a novela socratina

por João-Afonso Machado, em 19.03.17

Apontamentos soltos.

1. Sócrates tentou ontem citar Platão em Coimbra. O despropósito e o pedantismo são tais que apetece lembrar: historicamente foi o contrário, Platão é que citou Sócrates (o genuíno, o filósofo).

2. Pacheco Pereira, na última Quadratura do Círculo afirmou, alto e bom som, como cidadão não lhe restam dúvidas acerca das trafulhices de Sócrates. Presunção de inocência à parte...

3. O Procurador Rosário Teixeira tem cara de pessoa honesta. É daquelas impressões imediatistas difíceis de contrariar.

4. A comédia desempenhada pelos advogados de Sócrates na passada segunda-feira, quando em conferência (reproduzida pelas televisões) proclamaram "oficialmente" o fim do inquérito sem a acusação do seu patrocinado. Uma interrogação: quando as coisas forem a sério, isto é, quando chegarmos ao julgamento, quem representará na barra o "engenheiro"?

5. Enfim, a questão fundamental - e Santos Silva? Em que se consubstanciará a sua defesa? Confiada a quem? Assumirá ele a propriedade dos 30 e tal milhões que foram parar às suas contas bancárias?

 

A novela é apaixonante. E é muito mais do que isso. O futuro de Portugal tem bastante a ver com o seu desfecho. Já o "caso Freeport" poderia esclarecer o que é realmente a política portuguesa, mas Pinto Monteiro e Noronha Nascimento não deixaram. Oxalá (com Rangel fora da corrida) o nosso sistema judiciário seja finalmente independente e fiável.

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De regresso às "amplas"

por João-Afonso Machado, em 10.03.17

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Valia a pena esperar pela inevitável discussão parlamentar sobre o boicote à conferência de Jaime Nogueira Pinto (JNP), na FCSH da Universidade Nova, antes de dizer algo. Só para confirmar o remake.

Vão lá mais de 40 anos era assim a discursata comicieira. O 25/A trouxera as «mais amplas liberdades», mas essas amplas liberdades eram cerceadas à «extrema-direita». E quem era a «extrema-direita»? Obviamente, o CDS e o então PPD, ou quem estes partidos acobertavam. Foi necessário o 25 de Novembro, a iminência de uma guerra civil para pôr cobro a estes desmandos. A tanta tolice revolucionária.

Só agora, quatro décadas volvidas, o fenómeno se repete. À descarada... Mas, afinal, qual a mensagem de JNP?

Não sabemos. A Esquerda não deixou. Talvez fosse prudente e humana, não? Pergunta: porque Garcia Pereira e o seu MRPP, invectivarm explicitamente à morte dos... fascistas (creio eu...), em garridos cartazes, sem terem sido distinguidos com idêntica onda de horror?

A Esquerda é o que é. É assim. Basta proporcionar-se a oportunidade. Bastou Costa se lhe vender por 30 moedas.

A terminar: uma palavra de louvor pela tomada de posição da Associação 25 de Abril. Bem vistas as coisas, talvez ressurja nela o espírito do Grupo dos 9. Há males que vêm por bem. Será sempre oportuno as novas gerações tomarem o pulso a esses anos agitados da nossa História.

Ao perigo que sempre representou, e representa, o leninismo-trotskismo.

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Sócates e o "jesuitismo"

por João-Afonso Machado, em 02.03.17

Cavaco Silva não tem por onde se queixar: pôs-se a jeito, escreveu um livro que eu não vou ler e não tardou a levar a resposta. Como o assunto nem sequer vale delongas, ficou sem a última palavra.Coube esta a Sócrates, e Sócrates, em tais querelas, traga Cavaco como este talvez hoje já saiba deglutir uma fatia de bolo-rei.

Quer dizer: depois da entrevista do grande estadista da Covilhã a Judite de Sousa, nada mais houve a acrescentar. O assunto das quintas-feiras morreu ali.

Subsistiu um pequeno "apenas" -  a célere alusão do entrevistado ao «jesuitismo». Algo, aliás, que o próprio logo se apressou a amenizar, intentando traduzi-lo como sinónimo de perseguição, espírito inquisitório, hipocrisia.

Algo, enfim, -  a expressão - que a política portuguesa não ouvia seguramente há 90 anos. Desde os assumidamente jacobinos tempos da I República. Só porque Sócrates morre como os peixes - pela boca.

E só porque - enquanto a Companhia de Jesus educa e se solidariza com os desfavorecidos da sorte - a República e esta sua face (Sócrates) são e estão o que sempre foram na sua perpétua caçada. Preconceituosos e  rancorosamente persecutórios.

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Um PS antidarwinismo

por João-Afonso Machado, em 25.02.17

De algum modo, gosto de o ver alapado naquela cadeira, ele é o verdadeiro rosto do tagarelismo republicano. Ainda assim, os socialistas deviam ter vergonha.

E a História do seu Partido também, contada desde o maçonarismo antonioarnautsista à batota joãogalambista. Porque ao absoluto de um discurso (muitas vezes adverso à portugalidade) coerente e leal, sucedeu o imenso relativismo da verdade oportunista-revolucionária.

Traduzindo em titulares do segundo cargo na hierarquia do Estado, o de Presidente da Assembleia da República:

O PS pode invocar nomes como Henrique de Barros, Vasco da Gama Fernandes, Teófilo Carvalho dos Santos, Tito de Morais, Almeia Santos ou Jaime Gama. Aprecie-se ou não, gente de saber e compostura. Com maneiras, digamos assim.

Com a dignidade que não se vislumbra agora. O PS de Costa mugiu lá para cima Ferro Rodrigues - para um Olimpo onde não é suposto ruminar as palavras, mas desde o primeiro instante da "era Geringonça" lhe apetecia à boçalidade como o pasto ao bandulho vazio.

E o resultado está à vista, Recordem Almeida Santos ou Jaime Gama, por exemplo, e façam a comparação.

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Vem aí o Código da Percepção Mútua

por João-Afonso Machado, em 15.02.17

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Depois do Código da Conduta, o Governo de Costa (António) está compondo - e fará aprovar em cavalgada desabrida - o novo Código da Percepção Mútua. A tempo de o diploma entrar em vigor antes da deslocação do seu ministro Centeno ao Parlamento.

Assim o grande mago das Finanças ficará obrigado a intercalar três minutos de reflexão entre cada palavra proferida, bem meditada, nada comprometedora, totalmente imune a gaffes.

Será só por isso que Centeno voltará a titubear, a gaguejar e a dizer que não disse que tinha dito que não tinha dito. Sem margem de erros de percepção mútua.

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Eutanásia? Porque não?

por João-Afonso Machado, em 10.02.17

As Catarinas (Ocatarinetabellatchitchix) são, como os corsos do Asterix na Córsega, acima de tudo individualistas. O BE não estará seguramente tão preocupado com os doentes terminais em sofrimento, quanto em suscitar mais causas ditas «fracturantes».E acerta em cheio, a avaliar pela reacção dos auto-proclamados «defensores da Vida».

Ponto primeiro: se uma pessoa quer morrer, quem e porquê há de lhe tolher esse desejo?

Nunca percebi a posição da Igreja Católica - note-se bem: a Igreja onde inquestionavelmente me filio - ao interferir, por norma, em estas e outras questões do Direito Positivo. Até porque sai sempre a perder - a desinformação e a demagogia são triunfantes... - quer na contagem dos votos, quer depois na manutenção dos seus fieis.

Ponto segundo: a eutanásia envolve um "pacto" entre quem quer morrer e quem se predispõe a ajudá-lo nesse desiderato.

Ora, como longe vão os tempos em que aos barbeiros, de permeio, competia sangrar os doentes, assim distendendo as suas normais funções, o referido auxílio, não provindo de qualquer carniceiro, só poderá ser prestado por um médico. O célebre "juramento de Hipócrates" e a experiência e os escrúpulos do corpo clínico em geral - tudo já proclamou não se entusiasmar com a "proeza".

(A gente gosta de ir a um médico que nos acalente a esperança na vida; não aos que façam coro com o nosso desalento...)

No mais...

Ponto terceiro: no mais o tempo dirá. Dirá, provavelmente, que as Catarinas (Ocatarinetabellatchitchix) são somente umas tontas. Que legislar por legislar é, afinal, apenas gastar papel. Que o Direito Positivo bate a pala ao Direito Natural. Que há, naturalmente, um lugar nelas para guardarem as suas «causas fracturantes». E que era bom os portugueses percebessem, de uma vez por todas, isto tudo.

 

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El-Rei

por João-Afonso Machado, em 01.02.17

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O pior de tudo são os discursos. Por isso, o essencial apenas. D. Carlos, um rei amado pelos portugueses e o alarme em consequência generalizado entre os republicanos. A sua morte e a do Princípe Real. Traiçoeiramente baleados à Sua chegada a Lisboa.

Foi em 1908. Em 1921, no famigerado episódio da "camioneta fantasma", eram igualmente assassinados alguns dos principais fazedores da República. Quem se lembra deles, quem os chora ou sufraga?

A resposta a estas interrogações está em nós. Na Nação portuguesa. Não, não falo em titânicos lances históricos de bravura, sequer em alguma maçadora lista de valores e deveres pátrios pelos quais é forçoso morrer, se necessário... Disse - falo em nós. Nos nossos dias, ontem, hoje e amanhã. No muito que a pessoa do Rei nos segreda ao coração de opositores do Estado e dos seus próceres. Jamais em repúbica um presidente conseguirá (mas parece haver os que tentam...) o povo siga voluntariamente um ideal e se sacrifique por si mesmo. Por aquilo em que já não acreditamos - o nosso futuro, enfim. 

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A propósito de livros

por João-Afonso Machado, em 29.01.17

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Não sei se fará muito sentido divulgar num blogue um trabalho que se destina apenas a subscritores. Já na 2ª edição, sempre com todos os exemplares numerados, em conformidade com o seu adquirente devidamente identificado em lista integrante. Mas, de qualquer modo, aí vai:

Trata-se da correspondência de Camilo Castelo Branco, ao longo de quase 20 anos, com uma família minhota. Depois da descoberta de dúzia e meia de cartas inéditas do grande escritor, num arquivo em recuperação.

Por isso Memórias Redivivas. Porque elas eram já do filho de um dos correspondentes -  a quem Ana Plácido escrevia: «Camillo queria-lhe muito».

Não me limito a reproduzir cartas com uma ou outra nota de rodapé. Contextualizo-as, tento dar-lhes vida, restabelecer o diálogo (as outras fui buscá-las ao Centro de Estudos Camilianos...) entre quem as escreveu. Está lá o Camilo da ironia, do sarcasmo, do sofrimento, da gratidão. A relação de amizade vinha, senão da Maria da Fonte, pelo menos da boémia romântica portuense e anti-cabralista. Por isso estão lá, também, os seus amigos, a fidelidade e o empenho deles.

Talvez interesse aqui a ninguém. Ocorrendo alguma excepção, sempre acrescento: a 2ª edição está no prelo, a lista de subscritores vai aumentando... - procurem no Facebook o João Sem Terra, ele poderá adiantar algo mais.

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Afinal não descobriu a galinha dos ovos de ouro

por João-Afonso Machado, em 26.01.17

António Costa é assim. Com a mesma cara com que louva a sua «maioria parlamentar de esquerda», lança veneno sobre o PSD por lhe ter negado o voto favorável na pretensão de descer a TSU, em iniciativa - parlamentar -  dos seus parceiros - de maioria - contra essa mesma... descida da TSU. E, sempre com a mesma cara ainda, converteu o voto do PSD em voto contra o aumento do salário mínimo. E, e, e... geringonçando por aí.

Para isso, apareceu diante dos jornalistas com ares de beata ofendida com as «cambalhotas» do PSD. Como se a primeira cambalhota não fosse do próprio PS, antes de ser Governo e de «virar a página da austeridade» um feroz opositor à descida da TSU preconizada pelo Governo da coligação da Direita.

Entretanto parece que até se encontrou alternativa melhor: o fim dos pagamentos especiais por conta, de resto a mais feroz abordagem da pirataria tributária -o Estado a saquear, sequer esperando o contribuinte aufira rendimentos.

Seja como for, impunha-se uma tomada de posição do PSD. Já é tempo de Costa aprender a não «malhar na Direita» às segundas, quartas e sextas rogando-lhe amparo nas terças, quintas e sábados. Se escolheu o caminho da esquerda, que peça então à Esquerda o mapa emprestado.

E agora, provavelmente, - ou será que não? De Costa tudo se pode esperar... - vê-lo-emos menos tranquilo, já sem o assobiozinho regalado de quem recebe a féria certa à hora certa do mesmo dia, todos os meses. 

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Alguém empresta um dicionário da Porto Editora?

por João-Afonso Machado, em 17.01.17

Costa chama-lhes usualmente "Oposição", ao PSD e ao CDS. E "parceiros", ao PCP e ao BE. (Enquanto Manuel Alegre se comove e chora ao ver a Esquerda unida.) Num país normal, atento e informado, seria quanto bastava. Em Portugal não.

Em Portugal, os parceiros (PCP e BE) servem para votar contra a Oposição (PSD e CDS) e a Oposição pretende-se sirva para bombo de festa ou para - subitamente - acudir ao partido minoritário no Governo, quando os parceiros batem o pé e dizem não.

Tudo isto a flagrante propósito da "discussão TSU". Desce ou não desce? Creio bem, a abundancia dos argumentos dos economistas, a favor ou contra, são de momento o menos importante. Até por isto: Costa persiste em afirmar está tudo a correr pelo melhor.

E se está, está. Se não está, Costa mente e urge os portugueses se apercebam disso.

O ruído é imenso. Talvez a Oposição seja, no imediato, a grande perdedora por não votar ao lado do PS na "questão TSU". Tanto Passos como Cristas ficam a anos-luz da falácia e do descaramento de Costa, que já lhes lançou à cara a ignomínia toda. Mas não haja pressa! É de esperar o programa educativo do imparável ministro Brandão Rodrigues dê frutos e o eleitorado aprenda finalmente a distinguir (agora e nas urnas) a oposição dos parceiros do Governo.

Enquanto não, Costa continuará a jurar que os gatos são lebres. Mas, costuma dizer-se, à primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer.

 

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O célebre debate e o que nada mudou. Homenagem a Soares

por João-Afonso Machado, em 09.01.17

Faz bem rever o inesquecível debate de há 42 anos entre Soares e Cunhal. Basicamente por duas razões.

A primeira porque nele se confirma o apego de Mário Soares ao pluralismo político, que é quase tudo da liberdade.

A segunda é a empedernida cegueira de Cunhal. Nessa altura, ainda a sua triunfal cegueira. Igualzinha à de Jerónimo de Sousa, se então fosse este o interveniente no debate. Uma cegueira sem hipóteses argumentárias - contra os factos há todos os argumentos, nem que seja apenas  o perpetuado (e revolucionariamente displicente) "Olhe que não! Olhe que não!".

Isto posto, Mário Soares terá muitos senãos mas este não é, seguramente, o momento do seu julgamento perante a História. Antes se trata agora de manifestar o respeito pela pessoa e pela memória de um homem que deixou a sua marca nos destinos de Portugal. Um republicano, laico e socialista que curiosamente foi à trincheira oposta (a nossa) buscar, para a chefia da sua Casa Militar, um general monárquico, católico e de direita, como o próprio se definiu.

Que descanse em paz!

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Prognóstico antes do jogo

por João-Afonso Machado, em 28.12.16

O grande vencedor político de 2016 foi, sem dúvida, António Costa. Não apenas sobreviveu - tornou-se popular. Está radiante, passeia por aí de mãos nos bolsos e um sorriso de gozo com todos nós, o sorriso de quem roubou um chocolate a todos nós e não foi descoberto. Porque, de resto, nada mais fez, além de reunir com o PC e o BE e participar regularmente nos seus próprios comícios. Em suma - acordos tacticos, muito teatro e a vidinha em dia. Sabendo que nunca será o que ainda ninguém se lembrou chamar-lhe - um estadista. (Com aquela expressão?!...)

Tentou - catastroficamente - falar a sério no Natal. Num jardim de infância laico, decorado a pais-natal para estimular o consumo. Nada disse, como é óbvio.

Assim chegámos a Marcelo. Na noite de Natal em visita solidária à Re-Food e aos seus beneficiários. A uma instituição que não esconde a imagem enorme de Nossa Senhora onde as câmaras televisivas se detiveram. A uma IPSS, um dos muitos espinhos cravados na garganta da Esquerda, como Marcelo bem sabe.

Não parece a Esquerda se escangalhe a si mesma e à "gerinçonça". Nem parece que a actual Oposição chegue para Costa. As gracinhas dos presentes no Parlamento revertem sempre a favor dele, com muito mais "parlapié" do que Passos ou Cristas. 

Mas a Esquerda e Costa já nada podem, diante a opinião pública, contra Marcelo. Em 2017, creio será o tempo de Marcelo deixar as alfinetadas da IPSS vs. jardim de infância laico e começar a dizer coisas mais sérias, claras e duras. Para além da economia e das finanças, até. Ou então Marcelo é esquerdista e a gente não sabia.

Um Ano Novo excelente, cheio de saúde, para todos!

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O menchevique e a social-democrata!

por João-Afonso Machado, em 12.12.16

O sentido crítico de Rui Tavares, na sua crónica de hoje sobre a Rússia, no Público, é notável. Lê-se e não se encontra com que discordar! Acresce um comentário seu, há tempos, no programa televisivo semanal, moderado por João Adelino de Faria, onde contracena com Adão e Silva e José Eduardo Martins - dizia então Rui Tavares, em resposta ao tweet de um espectador, «não era bolchevique, quando muito menchevique»...

Acresce um outro comentário que também ouvi na televisão, este de Ana Drago, confessando-se «social-democrata».

Antes e depois da queda do Muro de Berlim, a História do socialismo tem destas coisas espantosas. Antes - quando o reformismo era ainda e sempre «fascista», camuflagem «burguesa», aleivosamente «capitalismo» puro e duro. Depois - quando leninistas e trotskistas, estalinistas e maoistas, já incapazes de esconder a careca, tomaram as dores da liberdade e abraçaram as «causas fracturantes», a sua nova ferramenta para dar conta do modelo social que juraram fracturar: o nosso.

E incomodados com a presença da Direita (social-democrata ou democrata-cristã) no lugar certo do Personalismo, empurraram-na aos berros - sempre aos berros, revolucionariamente, - para a gafaria «neo-liberal». Subindo eles, como se o século XX não tivesse acontecido, ao galarim dos justos.

Para a Revolução, a verdade (e mesmo a realidade) é apenas circunstancial. A Esquerda não muda: maniqueista, exclusivista, expropriadora. Sempre aos berros.

 

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Bloqueios

por João-Afonso Machado, em 01.12.16

Ao contrário, se calhar, de como a maioria dos portugueses reagiu, fiquei encantado com a atitude do BE na visita do Rei de Espanha ao Parlamento português. Por tudo quanto ela evidencia.

Fica claríssimo o que vai nas ideias daqueles pobres de espírito que medem o seu democratismo pelos colarinhos desapertados ou pela despreconceituosa t-shirt e a barba de dois dias; daquela duzia de rabos que se ergueram do assento, entretanto, em sinal de pesar pela morte do ditador Fidel.

Quanto à patriótica justificação que apresentaram para o seu comportamento (a não elegibilidade do monarca), havemos de saber se os pablos iglesias todos, lá em Espanha, procedem assim também. E se, portanto, tem o BE invocáveis razões de "solidariedade anti-fascista".

Além do mais óbvio. A Constituinte espanhola de 1976 foi eleita democraticamente e democraticamente aprovou uma Constituição que consagra o princípio dinastico na chefia do Estado. Aos espanhois bastará por isso, caso o pretendam, rever a Constituição, fazer uma nova Constituição, e mandar embora a Monarquia.

Na certeza de que a Monarquia não arrastará, na sua queda, os milhares e milhares de vidas como Fidel tratou da saúde aos seus opositores.

(P.S. Na argumentação-tipo do fenómeno "esquerda", talvez não faltem aqui os comentários sobre a Guerra Civil espanhola e a ditadura franquista...) 

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Fidel à luz da Estatistica

por João-Afonso Machado, em 26.11.16

Ao longo dos seus 49 anos no poder, Fidel parece ter sido responsável pelo triplo das mortes - fuzilamentos, desaparecimentos, encarceramentos desumanos... -  imputadas ao nefando Pinochet.

Acresce outra circunstância: que se saiba, Pinochet não exportou tropas chilenas para guerras alheias; já Fidel enviou cubanos para Angola (onde combateram ao lado do MPLA) como quem avia charutos e cigarrilhas na tabacaria.

Qual o tamanho desta outra banheira de sangue?

Continuemos atentos à escrita do "livro branco" de Fidel. O happy end parece evidente - Fidel, um revolucionário romantico apenas. Com muitas mulheres na sua vida, ao invés de Pinochet, um nojento concupiscente.

Esta continua a ser a força da Esquerda. O seu maniqueísmo. Os maus estão sempre todos do lado oposto ao dela.

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