Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
Jorge Jesus no Barcelona?

 

Acho que o Barcelona não devia deixar passar esta oportunidade de contratar Jorge Jesus. Além de treinador genial, o "Mourinho encarnado" já está até habituado a balneários onde só se fala espanhol.



publicado por Duarte Calvão às 17:30
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
O que se passa na TVI?

Começo a ver poucas diferenças entre o que diz a Constança Cunha e Sá e o Arménio Carlos. 



publicado por Duarte Calvão às 11:22
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
A última selecção?

Grande alegria com o resultado e a exibição de hoje da selecção portuguesa, que soube reagir a uma arbitragem miserável, mas ocorreu-me perguntar como será daqui a uns anos, quando estes jogadores, formados na sua grande maioria nos clubes portugueses (os melhores no Sporting, evidentemente…), decidir pendurar as chuteiras? Temos jogadores juniores que já brilharam lá fora em importantes competições, mas que não conseguem ser titulares nos nossos maiores clubes, preteridos em favor de uma multidão de argentinos, brasileiros, espanhóis, chilenos, peruanos, colombianos, paraguaios, holandeses e de mais não sei quantas nacionalidades. Vamos aproveitar a selecção portuguesa enquanto há.



publicado por Duarte Calvão às 23:54
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Domingo, 30 de Outubro de 2011
Domingo de manhã nos museus portugueses

Os tempos são propícios aos profissionais da indignação e nada melhor para mostrar virtude do que o campo da cultura, com a pretensa "indiferença" da Direita perante os "valores culturais". Hoje, num entrevista ao "Público", Francisco José Viegas cita um estudo do Igespar de 2009 que refere que das 400 mil pessoas que nesse ano aproveitaram as entradas gratuitas em museus e palácios portugueses aos domingos de manhã, 377 mil eram estrangeiros. E que se essa receita fosse cativada representaria um milhão de euros. E que vai manter entradas gratuitas uma ou duas vezes por mês aos domingos à tarde. Seria bom que perante esses dados, a berraria e a energia dos nossos "cultos" indignados se voltasse para assuntos verdadeiramente importantes em vez de repetirem estúpidos e ultrapassados clichés materialistas, que relacionam tudo com ter muito ou pouco dinheiro.



publicado por Duarte Calvão às 11:42
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Sábado, 22 de Outubro de 2011
Se com o Cavaco já é assim...

...imaginem se fosse com o Manuel Alegre. E, no entanto, mesmo gente inteligente continua a achar que o nosso semi-presidencialismo "funciona".



publicado por Duarte Calvão às 02:10
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Domingo, 11 de Setembro de 2011
Posições fracturantes

Confesso que não disse toda a verdade no post anterior: ontem já tarde da noite fiz zapping e apanhei um directo do congresso do PS em que se via Sérgio Sousa Pinto, tendo ao lado um não menos enfadado Francisco Assis, na importante mesa principal do conclave socialista, repousando as pernas cruzadas sobre a cadeira ao lado (aquela onde Assis não estava sentado, bem entendido...), enquanto ouvia alguém que discursava para uma sala vazia. As coisas que os génios da política têm que aturar das bases cansam qualquer um.



publicado por Duarte Calvão às 23:25
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Acredite se quiser
Estive fora e não acompanhei o congresso do PS. Hoje, ainda tentei ouvir o discurso de António José Seguro que, segundo anunciavam os comentadores e jornalistas, marcava a "renovação" do partido. Quando liguei a televisão, Seguro indignava-se com o facto da "geração mais qualificada" da história do País ter de o abandonar em busca de emprego. Foi freneticamente aplaudido pela plateia, onde estavam dezenas e dezenas de responsáveis pelo Governo de Portugal nos últimos seis anos. Com excepção dos últimos três meses, quando, na aparente versão do PS renovado, os jovens terão começado a fugir da governação do centro-direita.... Desliguei a televisão. Estava tudo visto.


publicado por Duarte Calvão às 19:51
editado por João Távora às 18:52
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
Habituem-se

Os jornalistas da política devem estar a sentir falta da "máquina de comunicação" do Governo PS. Hoje, à hora do almoço, fora os encontros institucionais entre Paulo Portas e os partidos, as notícias eram todas da hora do almoço de ontem.



publicado por Duarte Calvão às 16:15
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
Nova oportunidade

Nos últimos anos, têm surgido em Portugal muitas pessoas, sobretudo na faixa dos 30/40 anos, mais à direita, com um pensamento bem fundamentado, naturalmente democrático, actualizado com as ideias que se discutem no mundo ocidental, geralmente com vidas profissionais de mérito, quando não brilhantes. O grande problema dessas pessoas (é claro que tudo isto é uma generalização, há muitas excepções) tem sido a recusa em entrar na vida partidária, quem sabe se por reacção ao excessivo envolvimento da geração anterior, que viveu o 25 de Abril, deixando espaço para políticos profissionais muito menos preparados do que eles, contentando-se em brilhar nos blogues, na Comunicação Social e em pequenos círculos protegidos.
Mas o principal dano que esta recusa de participação causou foi a incapacidade destas pessoas em agir de acordo com o momento fatal que Portugal viveu nos últimos cinco anos. Isso ficou bem patente no excessivo criticismo ou na indiferença com que a direcção de Manuela Ferreira Leite foi acolhida, sem perceberem que, independentemente dos erros que ela possa ter cometido, era a última oportunidade de travar o caminho para o abismo em que nos encontramos.
Essa “geração” tem agora a oportunidade de participar numa espécie de “refundação” da nossa sociedade, que poderá ir muito mais além da mudança de ciclo político, sem olhar a cargos ou assessorias no futuro Governo, mas contribuindo com o seu saber para a melhoria do país. É claro que convém que o PSD e o CDS estejam abertos a estes apoios e contributos, e vamos esperar que Passos Coelho consiga fazer frente aos apetites do aparelho laranja (para isso foi óptimo o Governo ser de coligação e não de maioria absoluta), mas não vale a pena ficar a idealizar outros protagonistas para dirigir o novo ciclo. É com Passos Coelho e Paulo Portas que teremos superar a situação em que nos encontramos e aproveitar a oportunidade para que o país volte a aproximar-se dos padrões de desenvolvimento pelos quais a geração anterior se bateu.



publicado por Duarte Calvão às 17:08
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
Vou votar no PSD

Tinha prometido a mim mesmo esperar pela divulgação do programa do CDS para decidir se votaria neles ou no PSD, mas foi difícil adiar a resolução quando vi Paulo Portas, no debate com Passos Coelho, usar da mesma demagogia de que se acusa Sócrates a propósito da Taxa Social Única (TSU). Afinal, o PSD, o único partido que teve a decência de tentar levar a sério o compromisso que assinou com a “troika”, estava a ser atacado pelos dois outros partidos que também se tinham comprometido a descer a TSU por não “explicar” bem onde ia buscar os recursos para tal, mas eles (PS e CDS) nem se dão ao trabalho de o fazer, com medo de desagradar e perder votos. Aqui está uma maneira de fazer política que me repugna, ainda mais na situação em que o país está.
Por isso (e por outras atitudes de Portas no debate que agora não vale a pena abordar), não foi de forma isenta que ouvi no dia seguinte a divulgação do “manifesto” do CDS, mas acho que mesmo que fosse a decepção dificilmente seria menor. Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve particularmente brilhante no seu comentário da TVI no domingo passado, definiu aquilo como um conjunto de slogans e eu não poderia estar mais de acordo. Só me espanta que o CDS, com a reconhecida qualidade dos seus quadros dirigentes, não se envergonhe de apresentar medidas avulsas (muitas das quais até correctas, não é isso que está em causa) quando precisamos em Portugal de aproveitar esta crise para renascer e mudar as políticas que nos trouxeram até este triste estado. Parece-me que o CDS, partido pelo qual tenho apreço, faz mal em estar dimensionado à figura de uma só pessoa, no caso Paulo Portas, que tem certamente muitas qualidades, inclusive a de ser “combativo”, mas que tem também muitos defeitos, nomeadamente o de não saber resistir ao apelo do populismo. Além disso, mil vezes a “barafunda” do PSD, o confronto de personalidades, os “tiros no pé”, o questionamento permanente, do que ver, como no CDS e no PS, gente adulta a obedecer cegamente ao “chefe”….
Não sou liberal, nunca fui, mas reconheço que o programa do PSD não só está muito bem feito, como faz o tal aproveitamento da crise para tentar alterar os caminhos que nos conduziram ao desastre actual. Confesso que fiquei surpreendido com a qualidade deste programa, assim como com o modo como Passos Coelho tem agido, sobretudo conseguindo atrair pessoas como Eduardo Catroga, Carlos Moedas, Rui Ramos ou Francisco José Viegas para essa mudança de que Portugal tanto precisa. Mesmo que os políticos que as propõem corram o risco de perder votos, admiro muito mais esta atitude do que a dos políticos “habilidosos” e “maquiavélicos” a que os jornalistas se submetem (toda a gente fala da “máquina de comunicação” do PS, mas ninguém refere que ela só funciona com a cumplicidade, consciente ou não, de quem seria responsável por dar a verdade a conhecer ao público) e que até enaltecem.
Não tenho simpatia pela actual direcção do PSD, foi por ela ter ganho as eleições internas que saí do partido, continuo a recear que Passos Coelho, quando for chamado a formar Governo, não consiga resistir às pressões do tenebroso “aparelho” laranja, acho que fizeram muito mal em não aceitar a coligação pré-eleitoral proposta por Portas, mas é para o PSD que vai o meu voto, não apenas para ser “útil”, mas sim porque considero que é o partido que o merece.



publicado por Duarte Calvão às 11:03
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
Pedido de esclarecimento

Nem sempre as pessoas que servem para ganhar eleições internas num partido servem para ganhar eleições nacionais. Nem sempre as pessoas que servem para ganhar eleições nacionais servem para governar. E ponham aí todos os "vice-versas" que couberem. Político experiente, Pedro Passos Coelho sabe disso perfeitamente. O problema é se tem poder para fazer as imprescindíveis distinções entre essas pessoas. Desse poder dependerá em grande parte a sua vitória nas eleições e a qualidade de um futuro Governo liderado por ele. Até agora, ainda não percebi bem "quem é quem" neste PSD, dúvida que creio partilhar com muitos eleitores. Além das tais "propostas" que tardam a aparecer, era bom que também nesse aspecto o PSD desse indicações mais claras sobre o que pretende para o país.



publicado por Duarte Calvão às 10:32
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Quinta-feira, 24 de Março de 2011
É assim que se perdem eleições

Não tinham ainda passado 12 horas sobre a demissão de Sócrates para a tradicional nabice comunicacional do PSD se revelar no seu esplendor. Logo de manhã, na TSF, já se falava que, aproveitando umas declarações atabalhoadas de Miguel Relvas, o PSD ia “subir os impostos”. E lá vinha Santos Silva em dose cavalar na sempre benevolente rádio socialista. Só à noite vi os telejornais dos canais por cabo e já estava estabelecido que os juros da nossa dívida tinham batido recordes devido à demissão do Governo. Ninguém, claro, referia, que já andavam a bater recordes há não sei quantos meses precisamente porque este Governo estava funções. Ninguém pensou que, se calhar, “os mercados” terão ficado mais preocupados por se descobrir que afinal o défice de 2010 tinha ultrapassado os 8% e, na verdade, ninguém perceber qual é a nossa real situação financeira. A Fitch cortou dois níveis no nosso ranking, e os nossos jornalistas relacionaram logo com a queda do Governo, mas uma outra agência cortou também dois níveis ainda antes do anúncio do PEC 4… Ninguém deu valor ao facto da Bolsa portuguesa ter subido bem mais do que 1%, sem qualquer “pânico” provocado pela partida dos nossos sábios governantes. Nos jornais das 22h da TVI24 e da SIC Notícias, anunciaram, respectivamente, o incansável Santos Silva e Silva Pereira. Não tenho paciência para os ouvir, é claro. Será que é desta vez que o PSD perceberá que conta com uma Comunicação Social que oscila entre a despreparação e uma atitude pró-socialista e que se não reagir corre o risco de perder de novo as eleições, por muita razão que tenha? Que, 24 horas depois da demissão de Sócrates, os socialistas já construíram uma narrativa para se livrarem de culpas do estado desastroso a que conduziram o país, enquanto o PSD tem que responder, na defensiva, porque quer aumentar os impostos, como se fosse o verdadeiro responsável pelo descalabro?



publicado por Duarte Calvão às 22:43
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Quarta-feira, 23 de Março de 2011
Alegria, alegria!



publicado por Duarte Calvão às 22:08
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Um dia de alegria

Cai, cai



publicado por Duarte Calvão às 10:08
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Sábado, 12 de Março de 2011
Prudências que nos arruinam

O discurso que Cavaco Silva fez na Quarta-Feira de Cinzas veio com três anos de atraso. As declarações de Passos Coelho na noite de ontem vieram com um ano de atraso. Cavaco sabia, ou devia saber, em 2008, que o caminho pelo qual os socialistas conduziam o país iria levar-nos à situação de hoje. Se não sabia, perguntasse à sua amiga Manuela Ferreira Leite que, mesmo contra a má vontade dos jornalistas e comentadores, lá ia avisando. Ou então, o que é ainda pior, pensou que se saísse do seu comportamento “institucional” iria prejudicar a sua reeleição para presidente.
Passos Coelho, em nome do “interesse nacional”, não quis derrubar Sócrates há um ano, quando ainda estava em estado de graça após a categórica vitória para a liderança do PSD, defendendo que Portugal ia beneficiar perante os mercados. Ou então, o que é ainda pior, considerou que Sócrates tinha que sofrer até à última consequência os resultados da sua governação, com medo que os eleitores portugueses mais uma vez não percebessem (como aconteceu com o governo de Durão Barroso quando tentou reparar os erros de Guterres ou com a reeleição de Sócrates) quem era o verdadeiro responsável pelo desastre actual. Hoje, com os juros a 8%, com novas medidas de “austeridade” que aumentam impostos e cortam nas pensões do reformados, sem dúvida a geração mais à rasca do país, com o Governo a continuar a prever obras públicas absurdas, percebeu finalmente que foi enganado.
Seja como for, faltou rasgo tanto a Cavaco quanto a Passos Coelho. É claro que mais vale terem agora despertado para o que deviam fazer do que nunca. Mas os danos que causaram ao país com os seus comportamentos “prudentes” são irreparáveis por muitos anos. E não deixa de ser quase cómico que as mesmas pessoas que na altura elogiavam estas prudências como se fosse a única atitude possível, venham agora pedir a Cavaco e a Passos Coelho que salvem o país da bancarrota há tanto tempo anunciada.



publicado por Duarte Calvão às 14:50
editado por João Távora às 14:53
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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011
Um país sem pressa

Parece que era Deng Xiao Ping, quando a China começou a liberalizar a economia, que dizia que “desde que cace os ratos, não importa se o gato é branco ou preto” (Luís Fazenda é que deve saber ao certo). A moção de censura do Bloco de Esquerda é uma asneirada na forma como foi apresentada, mas poderia derrubar o Governo. Não concordo com Pacheco Pereira, que na “Quadratura do Círculo”, considerou que “ao contrário do que se pensa”, o mais importante numa moção de censura é “o contexto” e não derrubar um Governo. Se não serve para derrubar um Governo sem apoio parlamentar e, neste caso, levar a novas eleições, para que serve então? Outros tipos de “censuras” ao Governo aparecem todos os dias, em toda a parte, sem consequências de maior.
No entanto, a coisa correu bem a Sócrates, porque é evidente que quer o CDS quer o PSD não vão votar a favor da moção do BE. A actual direcção do PSD é especialmente responsável por isso. Poderia, há quase um ano, ter derrubado o Governo, antes do presidente de República estar impedido constitucionalmente de dissolver o Parlamento. Pensava-se que iria aproveitar esse tempo para se preparar para assumir o poder assim que fosse possível, mostrar aos eleitores que propostas tinha, que gente conseguia convocar para a tarefa de recuperar o País. Mas nada, só agora anuncia uns Estados Gerais e (esperando o melhor) vamos ver o que sai dali. Ou seja, era preciso criar um “sentido de urgência” para a mudança de Governo e de rumo do País e não ficar a fazer comentários dispersos à “notícia do dia”, a seguir a agenda que, como ninguém, os socialistas estabelecem nos “media”. Se isso tivesse sido feito, poderia entender-se agora uma convergência de todos os partidos da oposição para mudar de Governo, fosse apresentada por quem fosse.
Assim, como os partidos de direita não votam nas moções de censura da esquerda, os partidos de esquerda também não deverão votar eventuais moções da direita. Seja qual for a cor do gato, nenhum caçará o rato. Dizem os comentadores que talvez Cavaco exerça a sua “magistratura activa” e isso leve à queda do Governo. Outros dizem que não e a mim também me parece. Outros dizem que lá para Maio, com mais um PEC, será a altura. Outros que afinal o FMI sempre vem e então é que é. Outros, que será quando o Orçamento for votado, lá para o fim do ano. O que são mais uns meses para um País que se anda a endividar diariamente a juros absurdos e com uma economia em recessão?
Entretanto, os socialistas vão ganhando tempo e aproveitam todas as notícias para mostrar que sem eles é o caos. Mesmo assim, seja quando for que elas aconteçam, o mais provável é que o PSD ganhe as próximas eleições, não porque as pessoas percebam bem o que quer, nem estejam cativadas por uma “vontade de poder” que parece não existir entre a actual liderança laranja, mas sim porque “pior do que está não fica”. Porém, com Sócrates a ultrapassar cada obstáculo que vai surgindo, conseguindo apagar da memória dos portugueses quem governou (quatro anos em maioria absoluta)  nos últimos tempos e é responsável pela crise, já não me espantaria que o PS voltasse a ganhar. Afinal, os portugueses já reelegeram Guterres e o próprio Sócrates.



publicado por Duarte Calvão às 17:52
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011
Sexta feira, mais vale à tarde do que nunca

Jessica Alba



publicado por Duarte Calvão às 18:28
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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011
O "jeito" das urnas

 

 

É bastante significativo o argumento que o Bloco de Esquerda e outros esquerdistas utilizam para não votar numa moção de censura ao Governo. Parece que isso seria fazer "o jeito à direita". Ou seja, até parece que se está a falar de uma espécie de golpe de Estado e não num processo democrático de derrubar um Governo, que não cumpriu o que prometeu aos eleitores e está a governar mal, para convocar novas eleições. Quem ditará se o processo dará "jeito" à direita ou à esquerda serão os votos nas urnas, democraticamente expressos, e até o PS pode voltar a ganhar. Mas a verdade é que os bloquistas desconfiam muito destas coisas da democracia representativa, a "burguesa", a única que existe.



publicado por Duarte Calvão às 10:29
editado por João Távora às 11:13
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
Por uma Aliança Democrática permanente

Muito boa e corajosa a iniciativa de hoje de Paulo Portas de defender uma coligação pré-eleitoral PSD-CDS. Não só pelo que isso significa em termos se soma de votos, não se desperdiçando a votação dos círculos em que cada um dos partidos concorre sozinho e que não chega para eleger mais um deputado, mas sobretudo pelo que pode significar para uma reorganização do espaço não socialista, a exemplo do que aconteceu em vários países europeus. É claro que Portas tem que se precaver contra a “clubite” (e os interesses instalados em ambos os partidos) e esclareceu que os dois partidos devem continuar a existir. Já eu acho que não, acho sim que se deve criar um novo, que tem já nome escolhido pela história, Aliança Democrática, e terminar com uma divisão que hoje não faz sentido. E não ter respeito pelo estafado argumento de que o CDS apanha os votos da direita e o PSD do centro…Todas estas ideias estão ultrapassadas. Parece-me que um novo partido, desde que defenda aquilo de que o país precisa urgentemente, com clareza e determinação, é capaz de motivar eleitores de todos os quadrantes. Não fosse a nossa situação tão desesperada e talvez pudéssemos continuar atolados em conceitos velhos e prudentes, mas no estado que estamos é preciso arriscar em ideias novas e rupturas.



publicado por Duarte Calvão às 22:35
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011
Cem anos e três meses depois

Candidatos despreparados, uma campanha "suja" e sem discutir nada de importante, uma abstenção recorde, um clima já anunciado de guerra entre o chefe de Estado reeleito e o Governo, ajustes de contas prometidos. Tudo isto num país falido e sem futuro. Cem anos e três meses depois do nascimento da república portuguesa, não poderia haver melhor demonstração da sua ineficácia do que estas eleições presidenciais. Mas lá prosseguimos, incapazes de mudar de vida, rumando firmemente para dias piores, à espera da próxima "escolha" para Belém.



publicado por Duarte Calvão às 13:21
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011
São os custos da república...

Não gosto de falar do dinheiro que se gasta em eleições democráticas, mas como há muita gente que se escandaliza com os gastos das casas reais nas monarquias europeias, faço saber que, segundo notícia discreta no Público de ontem, as presidenciais vão custar-nos 9,5 milhões de euros. E isso se for só uma volta. Sem contar com os quatro milhões de subvenções aos candidatos. Tudo para andarmos a discutir questões fundamentais para o País como acções do BPN e anúncios do BPP.



publicado por Duarte Calvão às 15:02
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Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010
Astrologia política

Maria João Avillez escreve hoje na Sábado que metade dos eleitores de Cavaco vão votar nele achando que como presidente reeleito vai “actuar” e a outra metade (na qual ela se inclui) achando que não. Eu, que me vou abster, não sei. A julgar pelo lado “institucional” em que Cavaco tem refugiado a sua falta de capacidade para ser chefe de Estado (não seria óptimo que ele tivesse tomado conta do PSD em 2005 e tornasse a ser primeiro-ministro? O País hoje seria outro), é verdade que só perante uma moção de censura vitoriosa, que o PSD provavelmente apresentará, ele dissolverá o Parlamento e convocará novas eleições. No entanto, se quiser remediar o terrível estado em que Portugal está e estará, muito também por culpa da sua “cooperação estratégica”, das suas “reuniões de trabalho” com Sócrates na mesa com pé de galo às quintas-feiras e dos seus “recados” em discursos solenes a que ninguém no Governo ligava, motivos não lhe faltam para convocar novas eleições. A começar pelo facto do Governo não estar a cumprir o programa com que se apresentou às eleições de 2009, sabendo, aliás, já que Sócrates sucedeu a Sócrates, que não tinha condições para tal.
Perante as eleições quase certas em Abril ou Maio, tudo indica que o PSD ganhará e formará governo com o CDS. Não deixa de ser extraordinário que face a esta fortíssima possibilidade a elite laranja esteja tão calada e não promova discussões e debates sobre o que é preciso fazer para tirar Portugal desta crise. Fora a direcção do partido e de meia-dúzia que têm lugar cativo na Comunicação Social (Pacheco Pereira, Morais Sarmento, Marcelo, Marques Mendes) ninguém diz nada. Será por “adesismo”, essa segunda natureza dos portugueses, por medo de desagradar ao chefe e virem a ser afastados dos lugares de poder que se avizinham? O PSD não costumava ser assim, mas hoje já não digo nada. Entretanto, Passos Coelho tem-se reunido discretamente com figuras interessantes da sociedade portuguesa, na sua maioria sem militância partidária, que poderão dar bons ministros e secretários de Estado. Vamos ver é se na altura de formar Governo ele vai conseguir resistir aos apetites do aparelho que, mesmo que não consiga os principais cargos, vai querer invadir tudo quanto é assessoria e gabinete (e será que essas figuras que vêm de fora da política conseguem aguentar o convívio com estes ávidos laranjnhas?)
Quanto ao PS, duvido que Sócrates se reapresente a eleições se as sondagens continuarem como até aqui. Fica melhor no papel de vítima, que fez tudo o que pôde pelo País, mas não o deixaram continuar a sua obra. Também é verdade que ninguém está a ver no PS quem terá vontade de concorrer a umas eleições praticamente perdidas. No entanto, era bom que surgissem socialistas novos, com outra atitude, que soubessem governar, porque o País é de esquerda e será durante mais uma ou duas gerações, pelo menos. Portanto, o PS acabará por voltar ao poder mais cedo ou mais tarde e só tínhamos a ganhar se viesse mais bem preparado do que Guterres e Sócrates.
São estas as minhas previsões políticas para 2011 (ou, pelo menos, para o primeiro semestre) que não deixariam envergonhada a astróloga Maya. E nem sequer precisei de falar do FMI.



publicado por Duarte Calvão às 18:17
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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
O tempo que não podíamos perder

É suposto que a política ajude a sociedade a desenvolver-se e melhorar. Ou, pelo menos, que não atrapalhe. Pois em Portugal não só temos uma classe política que é muito pior do que a sociedade que deveria representar, como há um sistema que impede a resolução dos seus problemas, e até os agrava, como está à vista com estas eleições presidenciais e o estúpido prazo de seis meses sem possibilidade de dissolução do Parlamento que elas impõem, num momento em que precisávamos de clarificação política como de pão para a boca.
Mesmo quem não é monárquico como eu, como, por exemplo, António Barreto ou Pedro Lomba, já aventaram a possibilidade de termos eleições indirectas para a presidência, tal como acontece em repúblicas europeias como a Alemanha ou Itália. Creio que nunca houve tanto descrédito neste regime republicano de chefia de Estado como agora, como o demonstram os debates. Uns dizem que vão fazer, mesmo sabendo que os seus poderes não dão para isso, outros, como Cavaco, dizem que não têm poderes, mas que mesmo assim devemos tornar a votar nele em nome da melhoria do País, quando ele não soube ou não pôde evitar o descalabro em que nos encontramos. Nenhum deles tem, como é evidente, capacidade de assumir a representação de “todos os portugueses” e tudo o que fazem (mesmo o “independente” Fernando Nobre, suspeito de “soarismo”) é analisado do ponto de vista da sua origem partidária. E, o que é mais espantoso, a maioria dos eleitores irá votar sem saber bem para quê, porque no fundo percebe que nenhum dos candidatos com hipóteses de ganhar vai resolver coisa nenhuma.
Quer isto dizer que algo vai mudar em Portugal? Claro que não, Cavaco vai ser reeleito, fará o mínimo do que se espera dele, nós continuaremos a considerar que este sistema de dupla legitimidade eleitoral (a do presidente e a do Parlamento), uma originalidade que quase mais ninguém tem no mundo, “funciona” e até que não é mau, tudo ficará na mesma, com os jornais entretidos com as relações entre Belém e São Bento. Seja por falta de qualidade intelectual seja por inércia, a nossa incapacidade em modificar aquilo que comprovadamente não dá certo tem muito a ver com o tristíssimo estado da centenária república portuguesa.



publicado por Duarte Calvão às 10:12
editado por João Távora em 30/12/2010 às 13:17
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Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010
Sempre "a caminho do socialismo"

A notícia, assinada por Nuno Simas, saiu ontem no Público e dava conta do início da discussão na comissão parlamentar para a revisão constitucional que começou pelo famoso preâmbulo que prevê o nosso “caminho para uma sociedade socialista”. O mais elementar bom senso faria prever que a expressão datada dos tempos exaltados de 1976 deveria ser retirada. Pois bem, parece que só o CDS o defendeu, bem como, a título pessoal, o deputado laranja Bacelar Gouveia. Os restantes deputados do PSD citados, como Mota Amaral, Guilherme Silva e Marques Guedes, acham que não faz mal nenhum e têm-lhe até um certa ternura, um “legado” como dizem, como se fossem loucuras da juventude da época, como as calças à boca de sino ou a bigodaça com patilhas.
O PS, para variar, é “socialista” mas não muito e Vitalino Canas acha que a expressão “tem apenas um significado histórico", enquanto Ricardo Rodrigues, com a elegância que o caracteriza, faz saber ao centrista Telmo Correia que só quando o CDS tiver dois terços dos deputados deixaremos de “caminhar para o socialismo”... Já o Bloco de Esquerda e o PCP mantêm-se obviamente defensores do preâmbulo achando bem impor constitucionalmente à sociedade portuguesa (embora, como diz Guilherme Silva, ele não tenha “alcance normativo”) um “caminho” que os portugueses têm rejeitado absolutamente nas dezenas de eleições dos últimos 35 anos.
E assim, à oitava vez que revemos a Constituição, que deveria ser o texto político mais importante do país, vamos manter um preâmbulo ridículo, pelo qual, pasme-se, há uma espécie de carinho por parte de políticos adultos, que sabem perfeitamente que o tal “caminho” nunca se concretizará nem eles gostariam que se concretizasse. Se isto não é surrealista, não sei o que será.



publicado por Duarte Calvão às 22:36
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Domingo, 28 de Novembro de 2010
Duarte Marques ganha JSD com 61%

O nosso João Távora acaba de dar uma notícia em "primeira mão" ao Corta-fitas. Ainda não é oficial, mas Duarte Marques é o novo presidente da JSD. Ganhou com 61% dos votos.



publicado por Duarte Calvão às 14:44
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010
Como bois para o matadouro

Épocas de crise aguda como a que vivemos em Portugal têm por vezes um lado positivo: despertam uma certa inquietação criativa entre artistas, intelectuais, gente dos negócios, das profissões liberais ou da política, que procuram novos caminhos perante a constatação do esgotamento de um modelo. Sem perder tempo com a mesmice da esquerda marxista, a verdade é que no espaço não socialista português também não se vê nada de novo.
Com o PSD tomado por um aparelho que não vê um palmo adiante dos seus interesses pessoais (dou de barato que Passos Coelho é melhor do que esses apoiantes das “bases”, mas é verdade é que lhes deve a sua tomada de poder interna e dificilmente poderá deixar de lhes retribuir) e com um CDS sempre dependente do seu líder e sempre obcecado pela “sobrevivência” e pela necessidade de se distinguir dos sociais-democratas, seria natural que surgissem novas formações e movimentos com propostas para o País.
Não há dia em que não surja alguém na Comunicação Social a lamentar que a classe política tenha descido tanto de nível, que os partidos já não conseguem atrair os melhores entre nós (eu diria até que os repelem) que estão tomados por interesses e gente sem categoria. E é verdade, neste momento a sociedade portuguesa é melhor do que os políticos que a deveriam representar e não é difícil encontrar em diversos sectores pessoas que pensam bem, que têm boas intenções, carreiras profissionais brilhantes (algumas até fora de Portugal), que estão muito actualizadas com as tendências políticas internacionais, que poderiam romper com o estado das coisas e mostrar que há futuro para o país.
No entanto, se tentarmos puxar essas pessoas para a acção concreta, para a formação de um partido político ou de um movimento, vêem-nos falar, fatais e superiores, do PRD (!) ou do Movimento da Esperança, de Rui Marques (!!) como exemplos de que é impossível alterar um sistema partidário com mais de 35 anos que reconhecem anquilosado e mesmo nefasto. Nuns é nítido que se estão a guardar para a perspectiva, cada vez mais próxima, de o PSD (provavelmente coligado com o CDS) tomar o poder, e aspiram sobretudo a serem “éminences grises” de Passos Coelho, de serem influentes sem darem a cara nem meterem a mão directamente na política, numa demonstração surpreendente de que preferem ser “serviçais” do poder a serem os protagonistas que a sua inteligência e estatuto fariam supor. Noutros, o brilho fácil das intervenções nos blogues ou na Comunicação Social é suficiente para satisfazer a noção de que estão a contribuir para o bem da Nação. Noutros ainda, a resposta é mais do género “tenho dois filhos a estudar, uma casa para pagar e tenho é que trabalhar”. Acham que se desempenharem bem a sua profissão e pagarem os impostos já estão a dar um bom contributo para a nossa sociedade. São os que compreendo melhor e o que fazem seria realmente suficiente se a desastrosa situação portuguesa não exigisse muito mais.
E assim vamos marchando como bois para o matadouro, sem reagir, incapazes de passar das palavras para os actos, maldizendo os políticos e o povo que os elegeu, mostrando que a geração (que é a minha) que hoje está na força da vida, que deveria estar a solucionar os problemas do país, não só é muito pior do que a anterior (que apesar dos excessos de alguns durante o período revolucionário era muito mais empenhada e consequente) como deixará um Portugal tenebroso para os seus filhos. A nossa falência não é só financeira.



publicado por Duarte Calvão às 18:08
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Boa frase

De António Lobo Xavier, na Quadratura do Círculo (SIC Notícias): "José Sócrates anda furioso com a realidade".



publicado por Duarte Calvão às 15:14
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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010
O fim da era Sócrates

A era Sócrates acabou neste fim-de-semana. Com um processo de negociações do Orçamento que lhe correu muito mal e duas sondagens esmagadoras, sem margens de erro que lhe valham, terá agora que liderar a contragosto um Governo que se vai arrastar durante seis meses a tentar executar um Orçamento de miséria, com uma derrota nas presidenciais pelo meio, até às eleições antecipadas que darão uma vitória certa ao PSD, caso o PS torne a apresentá-lo como candidato a primeiro-ministro. O que, porém, parece que não é certo.
Apesar de eu não ter simpatia pela actual direcção do PSD, tenho de reconhecer que jogou bem nas negociações do Orçamento. Mas tenho a impressão de que a intervenção de Cavaco Silva foi essencial para o triunfo de Passos Coelho (logo ele, tão enfático em querer ultrapassar o “cavaquismo” no seu partido…), não só pela sugestão de Eduardo Catroga, mas sobretudo porque quando Sócrates, na terça-feira, deu ordens a Teixeira dos Santos para provocar a ruptura nas negociações com o PSD, o presidente deverá ter feito saber a Sócrates que não aceitaria a sua demissão. Ou seja, trocou as voltas ao primeiro-ministro que, como me parece evidente, se preparava para seguir o exemplo do seu mentor António Guterres: depois de deixar o país de pantanas, ir embora e culpar o futuro governo do PSD pela crise económica criada pelos socialistas.
Entretanto, graças ao nosso sábio sistema republicano, vamos ter que agonizar mais de meio ano até termos de novo um Governo a sério, num momento em que vivemos a maior crise pós-25 de Abril. Sabem porquê, sabem porque é que o presidente não pode dissolver o Parlamento nos seis meses anteriores às eleições presidenciais? Porque o nosso sistema semi-presidencial “funciona” tão bem que desconfia que o mais alto magistrado da Nação pode usar isso como trunfo para a sua reeleição ou para favorecer um candidato que apoie… Com destaque para Jorge Sampaio, que só depois de dois mandatos presidenciais e de ter sido secretário-geral do PS “descobriu” que este prazo constitucional não serve, há agora uma série de pessoas a clamar contra a estupidez desta disposição. Como se agora adiantasse alguma coisa.
Vamos portanto aguentar impotentes a ver o país a cair durante o Inverno e a Primavera, mas sempre nos podemos ir divertindo com as mudanças de opinião de comentadores, empresários, banqueiros, jornalistas e por aí fora, que até há menos de um ano não hesitavam em considerar José Sócrates como “o melhor primeiro-ministro” para esta época de crise e que agora lhe vão virar as costas e culpá-lo por tudo e mais alguma coisa. As suas qualidades passarão a ser defeitos, as “reformas” passarão a ser causas da crise, o que era branco passará a ser preto. Um espectáculo repugnante já visto com o Cavaco primeiro-ministro e com Guterres, que mostra bem que também esses “opinadores” e “influentes” são culpados pela desgraça de país em que vivemos.



publicado por Duarte Calvão às 17:36
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
Um treinador que nos dá sorte

Reza a lenda que ter sorte era condição essencial para se ser general de Napoleão. Não há dúvida que a selecção portuguesa não fez hoje muito para merecer os dois golaços de Nani, mas também é verdade que a partir daí, em vez de recuar queirosmente, manteve o ritmo de jogo e o perigo de ataque. Mesmo perante a sorte dos dinamarqueses com o golo contra de Ricardo Carvalho, em vez de se acautelar à defesa, continuou a pressionar, com bons resultados. Paulo Bento pode ter tido a sorte do jogo, mas como é bom voltar a ver Portugal a jogar solto, sem medo, com confiança e alegria. E, sobretudo, sem o pior do futebol, que são os "intelectualismos", tácticas, esquemas e demais pomposidades à Carlos Queirós.



publicado por Duarte Calvão às 22:49
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Entrevista com o monárquico

Henrique Raposo entrevistou para o Expresso o nosso João Távora e constatou que, cem anos de República depois, o movimento monárquico está mais forte. A ler aqui.



publicado por Duarte Calvão às 15:47
editado por João Távora em 09/10/2010 às 13:38
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010
Agora é que descobriram

 

 

Se há coisa ridícula na actual situação portuguesa é tanta gente achar que não merece o que lhe está a acontecer. Há uns bons três anos que havia avisos contra as consequências do endividamento, das obras públicas megalómanas (houve até um ministro socialista, Campos e Cunha, lembram-se, que se demitiu três meses depois de tomar posse por discordar desta “via” para o crescimento económico), do aumento da despesa do Estado. Ninguém ligou, rejeitaram e ridicularizaram quem avisava, preferiram reeleger os actuais governantes ou acharem que eram muito espertos ao dizer que “os políticos são todos iguais”, que tanto fazia.
As SCUT são um bom exemplo desta falta de previsão. Há talvez dez anos que se diz que seriam insustentáveis, mas de que vale isso perante o dinheirinho que se poupa ao andar a acelerar à borla na autoestrada? O orçamento que se lixe, poupem noutras coisas, que o meu carrinho é sagrado. Agora, não há dinheiro sequer para manter as estradas em boas condições.
E os funcionários públicos, secretamente satisfeitos com o aumento de 2,9% dado pelo Governo em ano eleitoral , que agora levam uma ripada de 5% ou 10%?
De quem é a culpa do que está a acontecer a Portugal, que fará com que pessoas com 40 ou 50 anos dificilmente vejam, no seu tempo de vida, o país alcançar níveis de vida europeus? É nossa, é toda nossa, que votamos mal, que premiamos incompetentes, que rejeitamos quem é sério, que não participamos na vida política, que somos preguiçosos, que nos deixamos manipular por qualquer título de jornal “plantado” por assessores e jornalistas indignos, que mergulhamos num cinismo rasca e num hedonismo de terceira categoria. Agora é que descobrimos que isto está mal. Está mesmo muito mal. Só que agora há pouco, ou mesmo nada, a fazer.



publicado por Duarte Calvão às 19:38
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010
Eu, sportinguista de pouca de fé

Passei todo o jogo Brondby x Sporting a vociferar contra Paulo Sérgio por não substituir o Djaló, por quem tenho um certo ódio de estimação. Aliás, também andava a embirrar com o próprio treinador e os resultados estavam a dar-me razão. Pois hoje tudo mudou. Bem, quase tudo. Continuo a achar que o Djaló, fora o golaço, não jogou nada e devia ser despachado para a II Divisão inglesa, onde a parolada local deve admirar os seus penteados. E que o Sporting teve bastante sorte, para variar. Mas, para já, o Paulo Sérgio até que...



publicado por Duarte Calvão às 22:38
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O futuro é inevitável...

Vejo Marcelo Rebelo de Sousa na TVI e dizer o que se deve fazer quanto aos incêndios, ao ensino, à justiça., à economia e penso que ele, se tivesse querido, tinha fortes possibilidades de hoje ser primeiro-ministro. Em vez de falar, estava a fazer. Penso depois no discurso do Pontal, do palavreado inútil que se seguiu da parte do PS e do PSD. Se tivesse querido, Passos Coelho poderia hoje ser primeiro-ministro, aproveitando a onda que levou à sua eleição para líder do PSD, não aceitando o engodo do “interesse nacional” que o PS usou para em poucos meses mudar o discurso que levou à reeleição há um ano, sem pagar os custos políticos.
Agora, parece que a actual direcção do PSD percebeu que isso do “interesse nacional” pode ser usado em qualquer altura e quer ir para o poder antes que Passos Coelho perca de vez o estado de graça e caia mais nas sondagens. Agora é tarde, ninguém está a ver Cavaco dissolver o parlamento nos próximos 15 dias. Vamos esperar mais um anito.
Até lá, o PSD tem que fingir que precisou deste tempo para reflectir sobre as soluções para os grandes problemas nacionais. No entanto, na época em que estavam na oposição interna, os actuais dirigentes mostravam com sobranceria que sabiam exactamente o que tinha que ser feito... A revisão constitucional servia para essa grande “reflexão”, mas saiu mal. Fazer política com telefonemas para os jornalistas amigos pode servir para destruir, mas dificilmente serve para apresentar propostas sérias, como deveria ser o caso da revisão constitucional. Entretanto, é preciso ir entretendo as “bases” ansiosas por voltar ao poder. No Pontal, só a boa imprensa conseguiu ver mais do que anónimos arregimentados pelo aparelho, que nem sequer se entusiasmaram com o líder vindo de Massamá, como explicitou Mendes Bota, e não de um condomínio fechado, e do grupo de meia-dúzia de fiéis da actual direcção, ornamentado pelo ex-líder Luís Filipe Menezes.
Como é possível que o PSD, onde continua a existir gente de grande qualidade, assista a isto sem reagir, sem sequer surgirem alternativas internas, apenas com uma ou outra voz “desalinhada”, como Morais Sarmento ou Pacheco Pereira, ou com as análises inconsequentes do Prof. Marcelo? A resposta talvez me tenha sido dada por uma amiga de esquerda que me dizia há poucos dias que pela primeira vez  na vida ia votar no PSD, tão farta está dos actuais governantes. Lembrei-me então do discurso de um “jovem” laranja da minha antiga secção, por sinal a mesma de Passos Coelho, que assegurava que “o futuro é inevitável”…



publicado por Duarte Calvão às 12:25
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010
Paridade duplamente musculada

Arnold Schwarzenegger (à direita), fotografado por Annie Leibovitz


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publicado por Duarte Calvão às 10:03
editado por Corta-fitas às 09:42
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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010
Paridade não tem idade

Clint Eastwood



publicado por Duarte Calvão às 11:46
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Terça-feira, 17 de Agosto de 2010
A clareza de Paulo Portas

Gostei de ver Paulo Portas afirmar-se claramente como monárquico no último Expresso. Está inclusive inscrito na Real Associação de Lisboa, com as quotas em dia. Percebo que ele não faça alarde destas suas convicções pessoais, já que é representante máximo de um partido onde têm que caber também republicanos e indiferentes, mas quando perguntado responde sem as evasivas que tantas vezes vemos noutros políticos e figuras públicas ao serem questionados publicamente sobre o assunto. Afinal, ser político e monárquico em Portugal é pouco "popular", dá ideia que só defendem os da "alta", que querem voltar ao passado e, pior de tudo, que desperdiçam tempo numa "causa perdida". Para essa gente, as convicções monárquicas, as declarações de que são "até descendentes" de não sei quem, as afirmações de que a república portuguesa está podre, essas ficam para ocasiões privadas, perante a plateia adequada. Ainda bem que Paulo Portas não é desses.



publicado por Duarte Calvão às 13:03
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Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010
Paridade, O Regresso

Cristiano Ronaldo



publicado por Duarte Calvão às 11:09
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010
A não ler neste Verão

A não ser que nos paguem para os interpretar, não há nada mais chato do que nos contarem sonhos. Sonhos mesmo, daqueles que temos quando dormimos. Pois bem, estava pela página 150 do calhamaço 2666 e o autor Roberto Bolaño já tinha descrito uns cinco ou seis. É claro que os três últimos já os tinha “passado”, não percebendo o que a leitura dos dois primeiros tinha contribuído para a narrativa. Quando verifiquei que o romance tinha 1030 páginas e que me estava a maçar, desisti. Não duvido do génio literário que gente muito mais capacitada do que eu atribui ao autor chileno, que morreu em 2003, mas aquela escrita em bruto, que parece que poderia ser reduzida, pelo menos, para metade, cheia de pormenores sem importância nenhuma ou especial qualidade de escrita (de que os sonhos são só um exemplo) não me interessa. Lembrei-me de uma frase, creio que de André Breton, que dizia que um autor que não compreendemos é certamente um imbecil e senti-me mais confortado por não conseguir aguentar esta “obra-prima dos nossos tempos”. Cada vez mais prefiro as obras-primas do passado. Mesmo no Verão.



publicado por Duarte Calvão às 18:12
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Segunda-feira, 2 de Agosto de 2010
Uma pessoa de categoria

Acordei com a triste notícia da morte de Mário Bettencourt Resendes, que foi meu director no Diário de Notícias e uma das pessoas a quem mais devo profissionalmente. Recordo-o como alguém extremamente bem educado, inteligente, alegre.  Sempre preocupado com a qualidade do seu jornal, compreendia como ninguém a importância da tolerância, de respeitar os vários pontos de vista, do equilíbrio. Era uma pessoa de categoria, que perdemos numa altura em que elas tanta falta fazem. Sobretudo no jornalismo.  Gostaria de dizer que ele influenciou as novas gerações de jornalistas, mas não vejo quase ninguém a seguir o seu exemplo.



publicado por Duarte Calvão às 10:03
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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
Uma boa medida do Governo, para variar

Os hipers poderão abrir ao domingo. Até que enfim, cada comerciante tem liberdade para estabelecer o seu horário semanal. O PSD de Cavaco não teve coragem, o PS de Guterres também não e até perdeu Daniel Bessa por causa disso, creio que o PSD de Durão/Santana nem tocou no assunto. O PS de Sócrates do primeiro mandato ignorou-o igualmente. O que se terá passado? Cá para mim foi a necessidade urgente de criar empregos.



publicado por Duarte Calvão às 18:00
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