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É capaz de ser um bocadinho redutor

por Maria Teixeira Alves, em 21.04.14

 

O congresso da Revolução do 25 de Abril parece o congresso dos pensionistas... Caramba, não foi assim há tanto tempo a Revolução (foi há 40 anos) e já só atrai os reformados.  
E depois, todos, mas todos, foram para o palanque atirar lanças contra o Governo. É só isto o 25 de Abril?

 

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A segunda pior profissão do mundo

por Maria Teixeira Alves, em 17.04.14

A conclusão é do portal norte-americano CareerCast que, desde 1988, elabora um ranking com as melhores e piores profissões, com base em métricas como remuneração, perigosidade, níveis de stress e contratação, e dados que recolhe de vários organismos de estatística nos Estados Unidos.

 

Mas se o estudo fosse feito em Portugal o resultado não poderia ser muito diferente. Ser jornalista no país da corrupção velada, não é nada fácil. 

Voltemos ao ranking da CareerCast:

TOP 10 das piores profissões em 2014:

1. Lenhador

2. Jornalista (imprensa)

3. Militares

4. Taxista

5. Jornalista (rádio e televisão)

6. Cozinheiro chef

7. Assistentes/comissários de bordo

8. Recolha de lixo

9. Bombeiros

10. Guardas prisionais

 

I wonder why a imprensa escrita aparece em segundo lugar...

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Foi nos últimos dois dias noticiado pelo Jornal de Negócios, uma novidade muito relevante. Passou despercebido, mas a transposição da directiva europeia sobre a solidez dos bancos (CRD IV, que significa Capital Requirements Directive IV) vai dar um poder quase absoluto ao Banco de Portugal. As alterações à lei bancária (RGICSF) que a transposição da directiva de capital vai trazer, prevê o aumento de sanções pecuniárias que a instituição hoje liderada por Carlos Costa pode aplicar aos banqueiros, e gestores de instituições financeiras que cometam irregularidades. Pode chegar aos 10 milhões de euros, imagine-se! Vamos ter uma geração de banqueiros potencialmente pobres. As coimas às pessoas colectivas (instituições financeiras) passam a ser ao nível do BCE. Isto é, passará a ser 10% do total do volume de negócios anual liquído do ano anterior à data da decisão condenatória. 

O Banco de Portugal vai passar ainda a publicar os condenados no site, e a infração cometida. Até agora o Banco de Portugal tinha a tradição de ser sigiloso. Era sempre uma tarefa árdua para qualquer jornalista de economia confirmar uma notícia de investigação e condenação que envolvesse a actividade de supervisão do Banco de Portugal. 

Mas o poder do Banco de Portugal vai mais longe: a nova versão da lei bancária (que ainda tem de passar pela Assembleia da República) vai dar ao Banco de Portugal o poder de avaliar os banqueiros e gestores de instituições financeiras de áreas chave como compliance; auditoria interna; controlo e gestão de riscos, etc, antes de serem admitidos. Ou seja a escolha dos gestores e administradores já não depende apenas dos accionistas e dos superiores hierárquicos, têm de passar no crivo do Banco de Portugal. Têm de ir a Deus saber se podem ou não ser aceites. Isto irá afectar já os sucessores dos banqueiros Ricardo Salgado (muito relevante este pormenor no processo de sucessão) e de Fernando Ulrich. 

O que é que vai estar em causa? Saber se o candidato a banqueiro (ou a gestor financeiro) actua de forma transparente e cooperante com a supervisão. Os maus resultados empresariais. Despedimentos no passado. Idoneidade em funções passadas. Características do seu comportamento e contexto em que decisões foram tomadas. No fundo, aquilo que hoje é feito sem base legal pelo Banco de Portugal vai passar a ser regra jurídica. Por exemplo, alguém que está a ser investigado num processo de corrupção, ainda que não tenha nada a ver com a sua actual actividade de banqueiro (ex: Armando Vara), até agora o Banco de Portugal apenas poderia dar "um conselho" de saída do banco. Tinha alguma força, mas não tinha base legal, no limite o banqueiro poderia não acatar. 
Uma investigação com base em suspeitas de inside trading, por exemplo, pode levar o Banco de Portugal a travar a pretensão de ser banqueiro se nessa altura ainda não houver um desfecho do caso que conclua pela inocência. 

O Banco de Portugal vai passar a fazer verdadeiras investigações aos gestores que se candidatem a banqueiro. Saber se no passado receberam kick-backs, mesmo que não tenha sido público; saber se receberam comissões de clientes por actividades de consultoria (se actuaram como banco de investimento por conta própria), tudo isto estará na folha do Banco de Portugal, que se encarregará de entrevistar os candidatos antes de serem propostos e eleitos para as funções. Restará alguém apto para sucessor de Ricardo Salgado e de Fernando Ulrich?

É uma revolução silenciosa. Porque poderá introduzir uma prática em desuso actualmente, que é a promoção de quadros internos a administradores. Hoje isso praticamente não acontece. Há um mercado de CEO que são sempre os mesmos. Mas no futuro poderão os discretos mas competentes Directores subir a administradores e a presidentes. 

 

P.S. O poder do Banco de Portugal passa pelo poder para entrevistar candidatos a gestores financeiros para avaliar a idoneidade e a adequação à função. A avaliação deve basear-se nas informações prestadas pelo interessado, pelo banco, e ainda pelas averiguações promovidas pelo supervisor bancário.

O parentesco pode determinar a falta de independência no contexto de administradores não executivos independentes. A detenção de uma participação qualificada (2%) na instituição também lhe retira a capacidade de independência. 

O pedido de licença bancária vai estar condicionado à composição do board, se o Banco de Portugal não considerar que são idóneos não concede a licença.

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Quem faz o que pode a mais não é obrigado

por Maria Teixeira Alves, em 15.04.14

No final da reunião extraordinária do Conselho de Ministros que durou quase seis horas, a Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, anunciou que a meta de redução do défice público para 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 vai ser atingida com medidas equivalentes a 1400 milhões de euros e que, "em larga medida, correspondem ao processo de reforma do Estado". 

O que quer isto dizer?

"Aquilo de que tanto se fala como a reforma do Estado é isto: à medida que nós vamos tornando os serviços mais eficientes, que vamos procurando que se preste a mesma qualidade de serviço gastando menos recursos, que investimos no passado em determinados meios tecnológicos que permitem que a relação com o cidadão não exija o envolvimento de tantas pessoas, tudo isso nos permite pensar nos serviços públicos de uma forma diferente, e é esse conjunto de medidas, que são muitas, de reorganização em todos os ministério, que permite ascender a esta poupança nesta ordem de grandeza", explicou a Ministra. 

A "redução de custos nos diversos ministérios com reorganizações, fusões, medidas de eficiência" deverá resultar numa poupança de 730 milhões de euros.

O Governo pretende ainda poupar 320 milhões de euros com a "redução de custos com tecnologias de informação e comunicação", com a "redução de custos com consultoria, pareceres, trabalhos especializados" e com "poupanças decorrentes do programa 'Aproximar'". Vai cortar nos advogados :)

Segundo a ministra, para além disso, "os processos de reorganização, fusões, concessões, redução de indemnizações compensatórias" no sector empresarial do Estado somarão 170 milhões euros e "a redução do número de funcionários públicos, mas através apenas de processos de ia aposentações e rescisões amigáveis" 180 milhões de euros.

Bom, não é a reestruturação da administração pública radical que todos esperavam, mas já é alguma coisa. É o que se pode fazer dada a Constitução e juízes do Constitucional.

Parece que a austeridade entra finalmente em curva descendente em 2015. O que é o culminar de uma estratégia que prova assim ter sido a adequada. 

Vejamos se quem vem a seguir não desarruma a casa.

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O jornalismo independente é tão mal visto cá como em Cuba

por Maria Teixeira Alves, em 01.04.14

Acabo de ler isto: Associação de Telespectadores critica "entrevista de emboscada" a Sócrates. Nem sabia que havia uma associação de telespectadores, aonde é que ela anda quando é precisa?
Não queria acreditar. José Sócrates que, enquanto primeiro ministro, telefonava directamente para os Directores dos jornais; tentou calar a Manuela Moura Guedes (que foi afastada do programa); tentou montar um esquema de comprar a TVI (com um tal de Rui Pedro Soares, da PT); que através de aliados entrou por outros jornais a dentro; não pode agora ser confrontado por um jornalista independente?

O Sócrates, que foi o último primeiro Ministro, torna-se comentador político no canal que é pago pelos contribuintes, em vez de estar a ser julgado pela má condução do país que nos levou à quase bancarrota e à intervenção do FMI, e nenhuma associação se indigna? Vem agora a ATV criticar "o comportamento de José Rodrigues dos Santos na condução do espaço de comentário de José Sócrates e pedir parecer ao provedor do Telespectador da RTP"? E não contente ainda "será também enviada uma queixa à ERC"? Isto é pior que Cuba, lá pelo menos é oficial. 

 

Todos os dias a liberdade de expressão é violada de forma encapotada. Há artigos que saem alterados e modificados sem a autorização dos autores das notícias. Há jornalistas que são saneados e afastados, sem motivo e sem fundamentação, e nada acontece. No outro dia o Pacheco Pereira disse que havia jornais ao serviço dos credores e nenhuma autoridade foi investigar? Há deputados a "insultar" opiniões públicas divergentes e ninguém diz nada. 

Nada impede que os jornais estejam ao serviço de interesses políticos, de interesses pessoais, de estratégias de poder de empresas (e até de pessoas que dirigem publicações). Não estão previstas coimas para violações da independência jornalística em nenhum código deontológico, nem sequer há espaço para queixas, quando não se trata de assuntos mediáticos.

Todos os sectores têm um código (com aplicação coimas) para regular a actuação dos agentes - ex: CMVM, ISP, etc. Mas na comunicação social não. A profissão de jornalista vive num limbo, algures entre legislações. 

Mas agora a ERC vai avaliar se o José Rodrigues dos Santos foi independente demais na entrevista ao Sócrates, por se tratar de um espaço de opinião?! Meu Deus!

Eu que acho que os pivots que conduzem o espaço televisivo de opinião política deviam ser mais como o José Rodrigues dos Santos e não menos. 

Mas neste país quem tem opiniões próprias e independentes, quem pensa pela sua cabeça e é corajoso e irreverente, quem não alinha no pensamento dominante, é castigado. De facto estamos muito longe da escola de jornalismo da BBC. 

 

 

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BES: A vez de António Mexia?

por Maria Teixeira Alves, em 01.04.14

Banco de Portugal e CMVM preferem gestão profissional no BES

 

Já não é segredo que a Ricardo Salgado sucederá um gestor profissional. O Banco de Portugal defende essa mudança. Ricardo Salgado também. 

Quem está na linha da frente para o lugar? António Mexia. Os mandatos acabam ao mesmo tempo, o do BES e da EDP. Até isso vem a calhar. 

Mas poderá ser antes, o Banco de Portugal tem pressa...

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O BESI não recebeu a carta... é a Crimeia do Grupo BES!

por Maria Teixeira Alves, em 31.03.14

Coisas verdadeiramente importantes da carta do BES aos colaboradores:

 

Mensagem do Presidente da Comissão Executiva aos Colaboradores do Grupo BES

 

(blá, blá, blá)

o Grupo tem um perfil elevado em termos de visibilidade e atenção. É alvo de uma permanente e impar curiosidade. Tudo o que tem dircta e indirectamente a ver com a marca Espírito Santo é sujeito a uma, muitas vezes desproporcionada, atenção por parte da comunicação social. A essa atenção também não é alheia a vontade de alguns de promover fugas de informações incendiárias para a comunicação social com o objectivo único de boicotar as soluções que estão a ser desenhadas.

 

Este fim de semana foi publicada uma informação relativa à possibilidade de extinção da BESPAR o que se traduziria em que tanto o GES como o Crédit Agricole passariam a ter participações directas no capital do BES.
(...)

A acontecer, será, portanto, uma evolução positiva e corresponde às recomendações da regulação. No entanto, a decisão de extinguir a BESPAR é uma decisão exclusiva dos accionistas e a ocorrer terá de ser devidamente comunicada ao mercado. Independentemente do que alguns dos nossos detratores possam dizer, o BES está bem e recomenda-se.
(...)

Somos o banco privado com maior envolvimento no financiamento à actividade empresarial e ao comércio externo. Essas serão apostas que nos farão crescer mais rapidamente que os nossos concorrentes.

Uma última palavra em relação ao Grupo Espírito Santo (GES). Dada a proximidade entre as designações - Grupo Espírito Santo e Banco Espírito Santo - há tendência para confundir uma com a outra. Mas sabemos todos que são dimensões empresariais diferentes. Jurídica e formalmente diferentes.


O GES está colocado perante a necessidade de fazer uma profunda reorganização e algumas mudanças estruturais. O modelo de organização em que o GES assentou tinha a sua razão de ser num processo histórico de todos conhecido e que começou há mais de 145 anos e que teve um momento fracturante em 1975 com as nacionalizações. Mas esse modelo está ultrapassado e o GES prepara-se para um novo horizonte de desenvolvimento. Entretanto, terá de fazer uma reestruturação que não será isenta de dor e que passa por dimensões de deleverage, de redução do perímetro de actuação em termos de sectores de actividade e de recapitalização. Este trabalho está a ser feito e haverá no curto prazo mais novidades sobre o GES. Não vos escondo que, entretanto, haverá desafios muito exigentes para ultrapassar. O GES está a preparar-se para todos eles e enfrentá-los-á de frente, sempre defendendo os interesses dos colaboradores e dos investidores, como é apanágio do Grupo.

Algumas das notícias publicadas podem gerar dúvidas e perguntas. Gostava desde já de vos deixar um repto: enviem-me por email as vossas questões. Se há algum tipo de questão que entendam por oportuno colocar, enviem-me sem qualquer constrangimento ou reserva. Eu tentarei responder a todas com o maior grau de informação possível. A explicitação das vossas dúvidas agora contribuirá para construir o nosso futuro mais próximo tal como construímos o passado recente: coesos e firmes!

Ricardo Espírito Santo Salgado

Presidente da Comissão Executiva

31 de Março de 2014



Mistérios por descodificar:

Mistério número 1: porque razão a carta é dirigida aos colaboradores do Grupo BES e os colaboradores do BESI não a receberam?

P.S. O BESI é uma espécie de Crimeia do Grupo...

Mistério número 2: O que quer Ricardo Salgado dizer com "a vontade de alguns de promover fugas de informações incendiárias para a comunicação social com o objectivo único de boicotar as soluções que estão a ser desenhadas". Está a falar de pessoas do Grupo BES? Do Grupo BES, com ou sem o BESI?

Essas pessoas querem boicotar solução que estão a ser desenhadas para quê? As soluções que estão a ser desenhadas prejudicam quem? 

Mistério número 3: "Independentemente do que alguns dos nossos detratores possam dizer, o BES está bem e recomenda-se". A quem se referirá? Aos jornalistas? Ou a quem faz as alegadas fugas de informação?

Mistério número 4: "Algumas das notícias publicadas podem gerar dúvidas e perguntas. Gostava desde já de vos deixar um repto: enviem-me por email as vossas questões. Se há algum tipo de questão que entendam por oportuno colocar, enviem-me sem qualquer constrangimento ou reserva. Eu tentarei responder a todas com o maior grau de informação possível". Porque razão Ricardo Salgado opta por esta "presidência aberta"? Qual será a resposta a este repto? Milhares de mensagens? Ou nenhuma, tal o medo?

 

Mas pode ser que nas respostas pessoais por mail, algumas das charadas da carta sejam desvendadas.

 

P.S. O BES esclareceu que a carta não foi enviada, ao contrário do que sugerem as notícias publicadas, mas sim publicada na intranet do Grupo e como tal qualquer pessoa podia ter acesso.

 

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Um Banco de Fomento, para quê?

por Maria Teixeira Alves, em 27.03.14

Fiquei sempre a "encucar" na questão da criação de um novo banco para financiar a economia. Todos os leigos perguntam porque não usar a CGD?

Mas finalmente soube a resposta.

Para este papel de Banco de Desenvolvimento tem de ser um banco grossista e a Caixa não o é. A CGD está em concorrência comercial directa com os outros bancos, e por isso seria altamente irregular que a CGD recebesse os projectos de bancos concorrentes e os escolhesse para canalizar o dinheiro que será depois distribuído aos projectos empresariais. Isto é, quem vai ao Banco de Desenvolvimento negociar o dinheiro para os projectos de investimentos são os bancos comerciais que depois os entregam aos seus clientes empresas. Se fosse a CGD a fazer isso haveria um risco de incompatibilidade, uma vez que se poderia pôr em causa a independência da escolha da CGD. 

O que ganham os empresários (empresas) com este financiamento dado pelo Banco de Desenvolvimento? O Banco de Desenvolvimento vai buscar fundos ao BEI e ao KFW a taxas mais baixas, logo pode financiar as empresas a taxas mais baixas do que a banca comercial, e a longo prazo, que hoje praticamente desapareceu do crédito a empresas. 

O Banco de Desenvolvimento é um banco, está neste momento em curso o processo de pedido de uma licença bancária, e terá de cumprir rácios de capital, por imposição do Banco de Portugal. Mas ao contrário do que acontece com a banca comercial, terá de ter um rácio entre os 25% e os 30% (os bancos têm de cumprir 10%) pois o grau de risco é maior. Mais um motivo para não ser a CGD.

Julgo que o Banco de Desenvolvimento irá também dar apoio técnico na engenharia financeira das empresas.

Os Fundos comunitário são fundamentais em países com baixo Orçamento de Estado, como é o caso de Portugal.

É importante este banco para dinamizar o financiamento à economia, pois não nos podemos esquecer que a economia ficou sem 20 mil milhões de euros nos últimos quatro anos.

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Please!

por Maria Teixeira Alves, em 27.03.14

A ouvir o Pedro Silva Pereira a ser entrevistado pela Ana Lourenço na SIC Notícias. Zzzzzz... Socorro! Chamem urgentemente o José Rodrigues dos Santos.

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Ricardo Salgado

Ironia do BES: A holding do Grupo Espírito Santo (ESFG), que teve de registar provisões de 700 milhões de euros, escolheu a data 25 de Abril para realizar a AG. Será que equiparam esta auditoria do Banco de Portugal a uma Revolução?

 

A Espírito Santo Financial Group (ESFG) anunciou hoje que agendou a assembleia geral anual de acionistas para o próximo dia 25 de abril. O anúncio surge um dia depois da holding ter revelado que constituiu uma provisão adicional de 700 milhões de euros para garantir o reembolso do papel comercial que os investidores subscreveram.

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Acabo de ler esta notícia no Jornal de Negócios online:

 

BES adia assembleia-geral devido às inspecções aos grandes clientes 

A avaliação do Banco de Portugal aos grandes clientes da banca, que atrasou a divulgação dos resultados do BES, terá estado por trás do segundo adiamento da reunião de accionistas, o que não implica qualquer alteração nas contas de 2013. Assembleia agendada para 28 de Abril poderá ainda trazer pequenos ajustamentos no conselho de administração, mas a ordem de trabalhos ainda não é conhecida.

Uma alteração da AG por causa de uma inspecção às imparidades dos grandes cliente que não implica qualquer alteração das contas?! Só pode querer dizer que o BES vai anunciar um aumento de capital e que o levará à votação dos accionistas ou então, que haverá eleições no cúpula do BES

A mim, habituada a estas andanças, parece-me óbvio.

 

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Resposta de José Rodrigues dos Santos aos maldicentes

por Maria Teixeira Alves, em 24.03.14

Vale a pena ler a resposta inteligente e educada (coisa rara) que José Rodrigues dos Santos dá às críticas de que foi alvo por ter confrontado o Sócrates com as suas contradições.

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O pior Primeiro Ministro da História

por Maria Teixeira Alves, em 24.03.14

Nunca vi um homem tão manipulador como este. Quando começa a ver que está a ser entalado pelo confronto com as suas contradições, começa a falar em cima da voz do jornalista a tentar calá-lo com insinuações. A sensação que dá é que vai sair da entrevista e telefonar aos capangas para "darem cabo" do José Rodrigues dos Santos.

 

Algumas das respostas que não foram dadas pelo jornalista às perguntas de defesa do Sócrates: a dívida pública não é de 130% do PIB, porque uma parte está em reservas para amortizações de emissões soberanas que vençam no curto prazo. Uma boa parte da dívida emitida (de memória diria que para aí 20%) é uma almofada financeira para o país não ficar 'à pele' nas suas necessidades de financiamento.

A única maneira de reduzir a dívida (que é um stock, e portanto 100% de dívida sobre o PIB existia quando o Sócrates saiu do Governo) é ter saldos primários positivos. Isto é, receitas superiores às despesas, sem os juros da dívida. É um processo lento. A redução da dívida para os níveis do Tratado de Maastricht (que existiam quando Sócrates chegou ao Governo) demorará muitos anos, duas décadas... por aí.

A grande aposta deste Governo? Pergunta o Sócrates. Ora uma vez que estamos sob intervenção do FMI (obviamente que a recessão é inevitável neste contexto) a aposta só pode ser o controlo das contas públicas e o aumento das exportações para equilibrar a balança comercial de pagamentos, e que já é positiva, pela primeira vez desde os anos de Salazar. Isto é, as exportações são superiores às importações (sim já sei que vão falar da quebra da procura interna para tentar desvalorizar este facto). O crescimento económico será feito pelas empresas, não pelo investimento público, porque este representa mais dívida.

A crise soberana de 2010, disse o Sócrates, não é uma crise dos Estados mas uma crise dos bancos que afectou os Estados. Gostava de recordar o senhor Sócrates que Portugal subiu a dívida pública para cima dos 80% do PIB em 2009, e em parte fê-lo para ganhar as eleições, pois nunca Portugal foi chamado a intervencionar nenhum banco nessa altura. Até o buraco do BPN, nacionalizado pelo Sócrates, foi alargando alegremente até que fosse o Governo que veio a seguir a ter de o contabilizar nas suas contas públicas. Até no caso BPP o Banco de Portugal pediu que fossem os outros bancos a absorvê-lo para tentar fugir à ajuda do Estado, sem sucesso. O Estado acabou por ajudar através de garantias estatais prestadas aos empréstimos bancários ao BPP. Claro que há o factor dos juros da dívida acumularem ao déficit, e por aí poderá atirar algumas culpas para a crise internacional, mas apenas algumas, porque se o país não estivesse excessivamente endividado, não teria sofrido a fuga dos investidores e a subida dos juros.

 

No fim disto tudo ainda acusou a direita de desonestidade intelectual, tem cá um topete...

A lata é o seu grande activo. Um espertalhaço, este Sócrates.

 

 

 

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Já percebi...

por Maria Teixeira Alves, em 21.03.14

Já percebi porque é que 74 economistas estrangeiros assinaram o manifesto anti-pagamento da dívida soberana, foi porque não perceberam nada da carta do Louçã: 

 

louca-ingles

 

Tirada daqui.

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Putin entrou pela Crimeira adentro sem grande sobressalto. 

«A República da Crimeia é considerada como integrada na Federação da Rússia a partir da data da assinatura do acordo», indicou o Kremlin num comunicado, divulgado nesta terça-feira. 

Está a cumprir-se o veredicto. Há uns dias ouvi o José Milhazes, jornalista especialista em Rússia, dizer que Vladimir Putin ia esperar pelo resultado do referendo e ocupar a Crimeia. Foi exactamente assim. Milhazes dizia que Putin iria tentar ocupar também a Ucrânia Oriental, onde a maioria da população é também pró-russa. O Ocidente não tem alavancas para pressionar Putin. Se acabarem os vistos, a Europa também vai sofrer com essas sanções porque perde os turistas. O turismo russo é um dado importante. 

No entanto Putin já disse a alto e bom som que não vai entrar pela Ucrânia. Mas neste seu sonoro anúncio lê-se um aviso subtil, como que a dizer ao Ocidente e à Ucrânia, se não levantarem ondas a esta "anexação" isto pode ficar por aqui. «Quero que me oiçam: não acreditem naqueles que receiam que, depois da Crimeia, outras regiões se seguirão. A Rússia não quer dividir a Ucrânia. Não precisamos disso», disse Putin, referindo-se às regiões do leste e sudeste da Ucrânia, de população maioritariamente russa, as quais, afirmou, serão defendidas por meios políticos e diplomáticos.

Putin quer a Crimeia e tem a Crimeia, mesmo que comece por dizer: «No que diz respeito à Crimeia, sempre foi e será russa e ucraniana e crimeo-tártara»,  acrescentando que a república autónoma «deve estar sob soberania da Rússia».

 

 

No mesmo programa da SIC, Carlos Gaspar (professor) lembrava que o tratado de Budapeste, se for rompido, a Ucrânia pode voltar a ser um Estado com armas nucleares. O Tratado é rompido a partir do momento que a Rússia invade a Crimeia e agora os Estados Unidos e a União Europeia serão chamados a defender militarmente a Ucrânia. O Tratado foi rompido. 

 

Em poucas horas, o novo Conselho de Estado da República da Crimeia pediu formalmente a integração na Rússia, anunciou a nacionalização de duas grandes empresas de gás ucranianas (a Chornomornaftogaz e a Ukrtransgaz) e deu três opções aos militares ucranianos: integrarem as forças armadas da Rússia, partirem para a Ucrânia ou mudarem de profissão. 

 

O presidente russo, Vladimir Putin, assinou hoje um tratado bilateral de união com o primeiro-ministro da Crimeia, Sergui Aksionov, e outros dirigentes da península, na presença dos membros das duas câmaras do parlamento russo, dos governadores e dos membros do governo russo. Tudo aparentemente limpo, mas a verdade é que um soldado ucraniano já foi morto a tiro durante uma invasão a uma base militar ucraniana nos arredores de Simferopol, capital da Crimeia e o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniuk, já disse que "o conflito passou da fase política à fase militar". "Hoje as tropas russas começaram a atirar sobre os nossos soldados - é um crime de guerra", disse o governante.

 

Será improvável que o ministro russo se sente à mesa com o seu congénere ucraniano, uma vez que Moscovo insiste na ilegitimidade do novo Governo de Kiev. Por isso agora espera-se qual será a resposta da Ucrânia e dos seus aliados (segundo os acordos de Budapeste, os EUA e a UE terão de defender a Ucrânia de qualquer invasão russa)?

Para já, a UE e Estados Unidos anunciaram o congelamento de bens e a revogação de vistos de vários políticos russos e ucranianos. Barack Obama tinha dado uma autorização executiva para a aplicação de sanções a 11 cidadãos russos e ucranianos, seguindo a mesma lógica de Bruxelas. Mas o vice-primeiro-ministro russo, Dmitri Rogozin foi o primeiro a desvalorizar as sanções: "Camarada Obama, e o que fará àqueles que não têm contas nem bens no estrangeiro? Ou não pensou nisso?",  "Acho que o rascunho da ordem do Presidente dos EUA foi feito por algum brincalhão".

 

O impacto das sanções foi praticamente nulo. Os mercados financeiros também não acusaram o anúncio das sanções sobre a Rússia. Durante a tarde, a Bolsa de Moscovo contabilizava ganhos de 3,7% e o rublo tinha recuperado algumas perdas iniciais.

A reacção reflectia o sentimento dos investidores em relação ao carácter apenas simbólico das sanções, uma vez que não incluíram administradores de grandes empresas russas como se chegou a antecipar. Na sexta-feira, o jornal alemão Bild noticiava que Alexei Miller, presidente executivo da Gazprom, e Igor Sechin, presidente da Rosneft, estariam na lista da UE. 

O que quer isto dizer? Que a reacção dos EUA e da UE é apenas simbólica. Ninguém se quer meter com os russos.

 

A União Europeia está numa situação mais delicada que os Estados Unidos, pois tem no seu seio movimentos separatistas (nomeadamente em Espanha e Reino Unido). A fraca actuação sobre a Rússia na "emancipação" da Crimeia, poderá levar a que outros povos com impulsos separatistas se sintam tentados a autonomizar-se. Por exemplo a Catalunha. Hoje saiu o resultado do último inquérito do Centro de Estudos de Opinião da Generalitat (o governo regional) que mostra que quase 60% dos catalães querem que a Catalunha seja um “novo estado da Europa”.  A Geografia está a mudar.

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Há os que sabem e os que têm voz mediática

por Maria Teixeira Alves, em 17.03.14

Ainda sobre o Manifesto dos 70 (ou 74):

 

Vale a pena ler o que escreve o Pedro Lino da DIF Broker o que diz a economista-chefe do JP Morgan.

 

Ora leiam o Pedro Lino:

Quando um país tem défice orçamental, os aumentos salariais acima da inflação e os gastos supérfluos têm que ser financiados por dívida. Alguns dizem que os culpados são os banqueiros que nos aliciam e emprestam a juros absurdos. Ora qualquer agente económico rejeitaria um empréstimo caso a taxa de juro proposta não fosse por si comportável, algo que não acontece no sector público. Na realidade, os políticos habituaram-se a utilizar a máquina de impressão de dinheiro para camuflar a sua incompetência de gestores da causa pública, pois não existe a prestação de contas pela dívida que contrataram

ou

Portugal tem como principais credores a 'troika' a quem deve 80 mil milhões de euros e o BCE que detém 22 mil milhões de Obrigações do Tesouro, ou seja combinados detêm 47% do total da nossa dívida. O que o manifesto defende é o incumprimento ou para com a 'troika' ou para com os restantes credores, onde se incluem bancos, famílias, e o próprio estado, através da segurança social.

É irresponsável falar em reestruturação de dívida acima dos 60% relativamente ao PIB quando todos os meses temos que pedir dinheiro aos nossos credores para pagar salários e pensões. Muitos dos subscritores, que são pensionistas, deviam saber que é dinheiro de dívida que lhes está a ser pago, e que será suportado pelas gerações futuras.

Se este documento fosse lei, ninguém emprestaria ao estado português, ou a outro agente económico português, com receio de confisco da propriedade.

 

E agora a economista-chefe do JP Morgan, Elga Bartsch:

O banco Morgan Stanley vê pouca margem de manobra para uma restruturação da dívida portuguesa, pois tal afectaria o sistema financeiro nacional: "Em termos de restruturação da dívida soberana, penso que já não haveriam muitos benefícios em Portugal porque, se se decidisse reduzir o valor [writedown] das obrigações do Governo, desencadear-se-ia quase imediatamente uma recapitalização do sistema bancário. Ou seja, o resultado não seria uma redução do valor da dívida do país, mas uma transferência de um lado para outro", disse hoje à agência Lusa durante um briefing para jornalistas em Londres. 

e

"Uma grande parte da dívida de Portugal - e ainda mais da Grécia -  foi beneficiada pela extensão de maturidades e redução dos juros e isso não é considerado nessas análises".

Outra opção segundo Elga Bartsch, "seria a possibilidade de Portugal beneficiar de algum alívio por parte da 'troika'", ao que acrescentou: "Mas tendo em conta que os empréstimos do Mecanismo Europeu de Estabilidade já são bastante baratos e as maturidades longas, não penso que seja possível fazer algo mais".

 

A economista-chefe para a Europa do banco de investimento norte-americano considera possível que Portugal tenha uma "saída limpa" do Programa de Assistência Financeira, embora não esteja em tão boas condições como estava a Irlanda quando terminou o programa: "A Irlanda tinha um sistema financeiro que detinha muito pouca dívida pública e também tinha fundos de pensões e de seguros com pouca dívida irlandesa. Noutras palavras, no sistema financeiro irlandês há bastante procura de dívida, que penso ter sido esgotada em Portugal porque os bancos portugueses possuem muitos títulos do tesouro [portugueses]"

 

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Boa notícia

por Maria Teixeira Alves, em 14.03.14

Co-Adopção por pessoas do mesmo sexo foi chumbada.

Boa decisão!

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EDP à porta da AG ganha novos accionistas

por Maria Teixeira Alves, em 14.03.14

A dia 10 de Abril de 2014 realiza-se a Assembleia Geral da EDP.

Os chineses da China Three Gorges, maiores accionistas da EDP com 21,35%, querem reduzir os custos com os órgãos sociais da EDP e aumentar a sua influência junto da gestão da companhia (o que não é nada absurdo tendo em conta que pagaram cerca de 3 bi de euros para entrar numa empresa para qual não têm sequer poder para escolher o presidente executivo).

Este mandato da equipe de António Mexia acaba em 2015 (curiosamente o mandato da gestão do BES também), e os chineses vão querer ter um papel importante na definição da gestão executiva da EDP no próximo mandato. Para isso terão de ser alterados os estatutos da empresa (em AG). O que exige uma maioria de dois terços.

Já foi notícia que a maior accionista da EDP vai propor aos outros investidores de referência a redução do número de membros do conselho geral e de supervisão (CGS), hoje presidido por Eduardo Catroga (que vai sair!), e está no horizonte também a mudança do modelo de ‘governance', para o clássico Conselho de Administração (em vez do CGS) e Comissão Executiva. Hoje a gestão executiva da EDP é escolhida pela Assembleia Geral, contra o que diz o Código das Sociedades Comerciais.

Portanto, como se poderão processar as mudanças na EDP que os chineses querem? Com votos na Assembleia Geral.

Como se poderão travar as mudanças que os chineses querem? Com votos na Assembleia Geral.

Tendo isto como pano de fundo o que vos parece estas compras súbitas de acções EDP?

 

O Capital Group comprou em Março 6.529.070 acções da EDP, passando a deter uma participação qualificada de 370.584.953 acções, representativas de 10,13% do capital social da EDP e 10,13% dos respetivos direitos de voto. 

 

BES compra acções a 6 de Março e reforça posição na EDP para 0,05%

 

Mais compras de acções EDP são esperadas nos próximos dias.

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Morreu o Senhor Dom José Policarpo

por Maria Teixeira Alves, em 12.03.14

Morreu Dom José Policarpo, Patriarca emérito de Lisboa, um homem da igreja e nessa condição um homem da sociedade. Seguir Jesus Cristo é ser um homem cristão em todas as horas da nossa vida, o que não é a mesma coisa que ser santo. É saber sempre destinguir o bem do mal, defender o amor e ter o sentido do belo. Esse é o grande legado de Dom José Policarpo.

Era um homem culto, inteligente, com um enorme sentido estético no conceito mais amplo, não só na arte e cultura, como também na vida. Um homem que, tal como Bento XVI, considerava que todos deviamos fazer das nossas vidas lugares de beleza. 

Tinha uma preocupação com a reserva moral das sociedades. Era um homem com uma preocupação com o caminho da solidão que as sociedade humanas, sobretudo, ocidentais, estavam a tomar. Preocupava-o a actual situação "amoral" das sociedades. Essa preocupação sociológica com a evolução das sociedades estava patente nas suas teses académicas. 

Estudou filosofia e teologia nos seminários de Santarém, Almada e Olivais, em Lisboa, tendo-se licenciado (2º grau canónico) em Teologia Dogmática, em 1968, pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, com uma tese intitulada Teologia das religiões não cristãs. Prosseguiu os seus estudos na mesma universidade, tendo-se doutorado também na área da Teologia Dogmática com a tese "Sinais dos Tempos. Génese histórica e interpretação teológica". </p>

Esta preocupação com a evolução dos valores acompanhou toda a vida do anterior Cardeal Patriarca de Lisboa.

A sua generosidade, lucidez e bondade marcam o seu trabalho enquanto Homem da Igreja. 

A missa é sexta-feira às quatro da tarde na Sé de Lisboa

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Irresponsáveis há à esquerda e à direita

por Maria Teixeira Alves, em 11.03.14

Não se me acaba o espanto quando leio este artigo: «Notáveis da esquerda e da direita apelam à reestruturação da dívida portuguesa
Manifesto subscrito por 70 personalidades, de diferentes quadrantes políticos, inclui Ferreira Leite e Louçã e apela à reestruturação da dívida, mesmo a "contragosto da Alemanha".» 

O manifesto partiu do João Cravinho, ex-ministro socialista das Obras Públicas, em articulação com Eduardo Paz Ferreira, Bagão Félix e José Reis da Universidade de Coimbra. Mais tarde juntou-se Francisco Louçã. Na lista dos subscritores, também fazem parte Adriano Moreira, Freitas do Amaral, Manuela Ferreira Leite e António Capucho, Ferro Rodrigues e Manuela Arcanjo. E ainda Carvalho da Silva, João Galamba e pessoas ligadas ao mundo empresarial, como António Saraiva da CIP, João Vieira Lopes da CCP, Esmeralda Dourado, Henrique Neto e o também ex-ministro Ricardo Bayão Horta. O manifesto também é subscrito por constitucionalistas como Joaquim Gomes Canotilho, Jorge Novais ou Pedro Bacelar de Vasconcelos. Alfredo Bruto da Costa, António Sampaio da Nóvoa, Boaventura Sousa Santos, José Silva Lopes, Adriano Pimpão, o ex-ministro da Economia Luís Braga da Cruz e Adalberto Campos Fernandes são outros nomes no manifesto.

A lista de "notáveis" notavelmente fora da realidade, defende uma reestruturação "responsável" da dívida pública que, com os valores actuais, dizem ser "insustentável".
Na prática defendem a "extensão das maturidades da dívida para 40 ou mais anos", recordando que a nossa dívida "tem picos violentos". De agora até 2017, calculam, "o reembolso da dívida de médio e longo prazo atingirá cerca de 48 mil milhões". E qual a dívida a ser reestruturada? O grupo dos 70 sugere que incida sobre a dívida em excesso e que ultrapasse o limiar dos 60% do PIB. E como os juros da dívida pública directa absorvem 4,5% da riqueza nacional, o manifesto também sugere uma redução significativa da taxa média de juro do stock da dívida nacional.

Bem, mas comecemos pelo mais importante. Quem é que vai negociar a dívida? Os parceiros europeus? Mas a dívida de que estamos a falar é a dívida ao BCE, FMI e Comissão Europeia? É porque só assim se explica que este grupo de "notáveis" apelem em uníssono para que Portugal "encete esforços junto dos seus parceiros europeus para preparar uma reestruturação da dívida pública". Mas esta dívida, em parte, já foi alongada, e é apenas de 78 mil milhões de euros. Não chega para os 130% de dívida pública sobre o PIB de que falam os notáveis, sendo que parte desta dívida emitida está estacionada (depositada) para ser usada em necessidades imediatas, como o pagamento de dívida que vença entretanto.
A maior parte da dívida emitida está em investidores dos quatro cantos do mundo que não são reuníveis numa sala de reuniões para dizer, «meus senhores ou aceitam que esta emissão a 10 anos seja a vinte ou ficam a arder». Melhor dizendo, se Portugal não cumprir e entrar em default, deixa de poder emitir nos tempos mais próximos, e fica novamente numa situação de crise de liquidez. A não ser que a União Europeia se disponha a comprar toda a dívida portuguesa aos investidores institucionais para depois ser o único credor do país, o que não me parece viável, não estou a ver que isto seja uma saída.
Não se pode pedir à Goldman Sachs, à Pimco, à Morgan Stanley, aos fundos internacionais desse mundo fora, etc, que perdoem a dívida a Portugal ou que o país a pague noutra encarnação. A que propósito é que os reformados, por exemplo da Alemanha (muitos dos investidores em OT são Fundos de Pensões), hão-de encaixar as perdas de países com gastos públicos irresponsáveis? A não ser que queiramos ficar sem liquidez novamente, e já se viu bem o que acontece quando os investidores nos viram as costas, ou este manifesto não faz sentido.
Se quiserem que a Europa assuma a dívida acima dos 60% terá a Europa de mutualizar a dívida, emitir dívida com risco Europa (leia-se Alemanha) para cada país da UE ir reembolsando a dívida soberana à medida que os prazos vencem. Também me parece utópico, mas aí já depende da vontade dos parceiros europeus e respectivos eleitorados.

 

 

 

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