Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Anti-Brexit (brilhante), by John Oliver

por Maria Teixeira Alves, em 26.06.16

Não evitou a (lamentável) vitória do Brexit, mas proporciona boa disposição.

Sobre a vitória do Brexit recomendo ler aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

Desta vez discordo de António Lobo Xavier quando diz que devia haver uma auditoria forense à CGD em vez, ou antes de, uma Comissão Parlametar de Inquérito. Registo também que o próprio diz que hesitou nesta posição.

O argumento de que é preciso apurar responsabilidades de gestão, ou mesmo judiciais é tão válido para a CGD, como para o Banif, para o BES, ou para o BPN. E em todos houve comissões parlamentares.

No limite todos esses casos são fruto de responsabilidades de gestão. Todos tinham gestores e são os gestores os primeiros responsáveis, os gestores que provocam o dano, mais até do que os gestores que o tentam reparar sem sucesso. Isto é de La Palice. E estamos a falar de bancos privados.

Ora sendo a CGD um banco público, e portanto os gestores sendo escolhidos pelo Estado, a gestão deixa de estar só na esfera das responsabilidades de gestão, e nas responsabilidades legais, ou mesmo criminais (eventualmente), para passar a estar na esfera política é a Caixa Geral de Depósitos. É o único banco que não pode passar sem uma comissão parlamentar.

Eu diria mais, espanta-me que até agora não tenha havido nenhuma. Nunca houve deputados a chamar a inquérito os protagonistas das compras de acções em empresas privadas para influenciar os seus destinos. Nunca ninguém chamou à razão o papel que a CGD teve como fundo soberano do Estado português.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não se perca muito tempo a tentar descobrir quem foram os "malandros" que geriram a CGD até este nível de prejuízos, de imparidades e de necessidades de capital. Ao contrário do que diz a senhora do Bloco de Esquerda o que levou a CGD até aqui é precisamente o ser um banco do Estado (e não a lógica privada na gestão da Caixa). O ser um banco público deu à Caixa uma missão muito concreta: dar o crédito à economia que os privados (na sua lógica de dar prioridade retorno ao accionista e como tal  apostar na rentabilidade) não puderam dar. 

Foi escrita uma Carta de Missão em 2013, que dizia que Caixa Geral de Depósitos era uma instituição imprescindível nesta nova fase do processo de ajustamento português. "A Caixa Geral de Depósitos pode – e deve – aspirar à posição de banco líder na concessão de crédito às pequenas e médias empresas (especialmente exportadoras); no fomento da atividade produtiva, em particular de bens e serviços transacionáveis; no apoio à internacionalização das empresas portuguesas". Quando os bancos privados estavam a retrair o crédito, a CGD estava a dá-lo porque tem uma missão. Era o banco de fomento do sistema. O resultado é este. 

Fala tudo muito do que não percebe. 

Em 2011, antes da intervenção da troika, Fernando Faria de Oliveira, então presidente da CGD, dizia isto: “Nos últimos três anos, a Caixa cumpriu cabalmente com as missões que lhe estão incumbidas, que são o financiamento da economia e estabilidade dos sistema financeiro”. Na conferência de apresentação de resultados de 2010 o banco, o responsável sublinhou que, nos últimos três anos, o crédito cresceu 20,9% e que “os resultados antes de impostos de 2010 são um terço dos de 2007".

Quando ninguém emprestava às empresas (2011, 2012, 2013), durante a crise financeira e depois durante a crise de dívida soberana, a CGD, por instruções do seu accionista, e por ser um banco público emprestava às empresas, e emprestava às PME e isso tinha um custo, na conta de resultados e no capital. A CGD concedia crédito às empresas com spreads mais baixos do que os bancos privados, mas financiava-se ao mesmo preço e isso degradou a margem financeira. Porque o fez? Porque ao ser um banco público era essa a sua missão.

Ora os bancos privados não seguem essa cartilha. O aumento do crédito é um objectivo dos bancos. Mas essa concessão de crédito não pode deixar de seguir critérios de avaliação do risco correctos e prudentes, sob pena de enfraquecerem os bancos, e os spreads reflectem o risco de crédito, não reflectem missões de apoio à economia.

A CGD por ser pública foi uma espécie de BCE da economia portuguesa antes do Plano Draghi vir ajudar à liquidez do sistema (quantitative easing começou no inicio de 2015).

Nunca se esqueçam disso. A Caixa está como está porque tem incumbências de banco público que custam caro.

P.S. Para além da actividade core a CGD serviu também durante anos como fundo soberano do Estado para a compra de participações em empresas estratégicas (whatever that means). Foi a golden share, e a blindagem de votos na gestão privada de empresas como por exemplo a PT. 

Durante anos a CGD era o banco que entrava no capital de uma empresa que o Estado queria condicionar os destinos. Isso é também uma vicissitude de ser um banco público e não o contrário.

Sei que hoje toda a gente tende a defender a CGD como banco do Estado, porque acredita que será a única maneira de ter um banco de grande dimensão no espaço europeu que convida às fusões e ao desaparecimento de bancos mais pequenos às escala europeia e menos rentáveis. Esse designio de que falou Nuno Amado, de haver um banco português de referência. Mas, será que ser do Estado garante esse estatuto à CGD? Não depende também ela das directizes de Bruxelas e Frankfurt?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Marcelo, um discurso como só a elite pode fazer

por Maria Teixeira Alves, em 10.06.16

10 de junho: Comemorações pela primeira vez em território espiritual de Portugal

Coitadas das elites: Sempre à frente nas decisões dificeis, sempre à frente a assumir as responsabilidades, são sempre as criticadas quando tudo corre mal, e nunca as elogiadas quando tudo corre bem.

O Presidente da República disse hoje no discurso do 10 de Junho que: 

"O povo sempre a lutar por Portugal mesmo que algumas elites, ou melhor, as que como tal se julgavam, nos falharam. Em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, de altas contemplações deslumbradas, ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e decidir com visão e sem preconceitos", disse Marcelo, lançando assim uma farpa às elites criadas pela História.

Nos momentos de crise é "sempre o povo que assume o papel determinante". Depois de uma exposição histórica sobre o papel do povo ao longo da construção do país, eis que Marcelo elogiou a capacidade dos portugueses para aguentar "sacrifícios" em momentos de crise. "Foi o povo quem, nos momentos de crise, soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo". 

Este é um discurso que só a elite pode fazer, é um pensamento/sentimento que só a elite pode ter. Penso que Marcelo Rebelo de Sousa sabe isso.

"Amo aqueles que se envergonham quando os dados lhes são favoráveis", cito de memória, escreveu um dia William Blake 

A elite é aquela que se envergonha quando os dados lhe são favoráveis. E nesse aspecto são pessoas de uma enorme grandiosidade e nobreza, e essa grandiosidade é essencial para a humanidade. Porque a contagia.

Por muito que se critique as elites [já lá iremos] elas são louváveis, e são o motor do mundo. 

Pode dizer-se, e eu concordo, que as elites são fracas porque são elites numa coisa, mas não o são em tudo. O nível cultural das elites (nomeadamente das portuguesas) é lamentável e isso afasta as elites daquilo que deveriam ser. A cultura é a única receita contra o pensamento único, é a única arma contra a propaganda, é a única forma de se pensar pela própria cabeça mesmo quando se unem exércitos contra nós. Porque os movimentos de massa são poderosos, mesmo quando são movidos por ideias "estúpidas". A cultura e a inteligência são fundamentais para saber que caminho traçar, para se ser imune à alienação colectiva, para saber reconhecer os preconceitos e ultrapassá-los com o coração. Para isso é  preciso uma enorme dose de bondade. A sabedoria aliada à bondade é também um traço da elite.

Os preconceitos estão em todos os lados, não só na elites. Mas a elites têm de ter essa capacidade para os renegar, para os derrubar. Se o fizer outros se seguirão e o povo será melhor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tino de Rans forma partido

Autoria e outros dados (tags, etc)

Caixa: Um Albergue Espanhol (O banco Too Big To Fail)

por Maria Teixeira Alves, em 07.06.16

Leonor Beleza e Rui Vilar vão ser vices da Caixa

A Caixa Geral de Depósitos é mais uma construção desse grande arquitecto de empresa publicas que se chama António Costa. A administração da CGD está a ser desenhada à imagem e semelhança do estilo do Primeiro-Ministro.

Especialista em geringonças, António Costa prepara-se para transformar a administração das Caixa num autêntico Albergue Espanhol. Todos lá representados, todas as "tribos" representadas para acabar com aquela coisa que o incómoda verdadeiramente: O confronto.

Vejamos o que se passa na Caixa. António Domingues, inteligente banqueiro, discreto, e especialista na área financeira (o que dá jeito à CGD que precisa de um presidente que salve a capitalização do banco), leva, segundo o Negócios e o Expresso, e outros que seguiram, Leonor Beleza* e Rui Vilar*. Uma social-democrata e um socialista. Ambos de um tempo antes da actual crispação esquerda direita.

Vamos cá a ver, António Domingues aceitou este desafio, muito provavelmente porque foi convencido a isso por Artur Santos Silva (chairman do BPI), socialista da velha guarda, e pelo primeiro-ministro, que mandou lá um emissário Diogo Lacerda Machado, nos tempos da importância diplomática para as negociações do banco com Isabel dos Santos. Tem por isso desempenhado o papel de escolher uma administração e uma comissão executiva. É uma tarefa árdua e de louvar!.

São apontados neste novo 'board' ainda, como não executivos,  Bernardo Trindade*, o ex-secretário de Estado do Turismo de José Sócrates e dirigente socialista, e Pedro Norton* o ex-CEO do grupo Impresa.

Não têm experiência em bancos mas representam "tribos", e isso é o que interessa nesta época "dos consensos" (ou não tivéssemos nós um presidente da republica "consensual").

*São bons gestores (que isso fique claro)

Há ainda entre os não executivos, dois estrangeiros, dizem os jornais. Mas nada se sabe sobre isso. Eu apostaria em alguém próximo da Comissão Europeia, ou quiçá mesmo alemão.

Leonor Beleza por seu turno, aceitou ir para a CGD, mantendo a sua presidência na Fundação Champalimaud, sem que para a nova função venha a ser remunerada. Ora o Conselho de Administração de um banco não é propriamente um órgão consultivo. É preciso fiscalizar e nalguns casos é mesmo preciso decidir. É uma actividade que deve ser remunerada para que seja possível exigir responsabilidades. Portanto isto parece uma coisa boa (é barato), mas a meu ver, não é. O barato sai quase sempre caro. A senhora vai fazer um favor. Não é um trabalho. 

Adiante. Todos os administradores de que falámos ainda haverá um do CDS (seguro) e quiçá uma Mortágua qualquer do BE, e uma comunista com inclinações económicas (que é como quem diz, capitalistas).

O novo Conselho de Administração do banco público terá 19 membros, dos quais seis gestores executivos.

Dos executivos pouco se sabe. Os executivos é que interessam, pois são os que verdadeiramente trabalham.

Há o presidente, fala-se de Emídio Pinheiro, presidente do BFA. Até pode ser que vá, mas será que vai já? Quem é que nesta altura (até ao desfecho da OPA do CaixaBank, e eventual spin-off do BFA), no seu perfeito juízo quer substituir o presidente do BFA, sem saber quem será o novo dono do banco? Vai Emídio Pinheiro para a CGD deixando o BFA à sua sorte?

Os não executivos da Caixa são fáceis de recrutar, os executivos é que são elas. António Domingues começou a escolher os melhores, mas recebeu recusas, a ver quem aceita este desafio de guiar um barco demasiado pesado (Too Big to Fail)  e sob vigilância apertada de Bruxelas.

Mas esperem lá 19 membros?! Mas como é que a António Costa pretende explicar aos portugueses que vão ter de contribuir com 4 mil milhões de euros para aumentar o capital da Caixa, um banco que vai ter de fazer muitos despedimentos, e depois «bota lá» 19 administradores, sendo apenas seis (sete com o presidente) que trabalham mesmo (os executivos)?

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Este equívoco da modernidade

por Maria Teixeira Alves, em 02.06.16

Eu sei que corro o risco de ser apelidada de "old fashion woman", mas alguém me consegue explicar o que leva um partido a achar que as pessoas podem inventar a sua própria natureza, contrariando a realidade natural, para mudar de sexo (mudar de sexo?! Mas o sexo não é escolha nossa, assim como a raça, ou a altura, por exemplo)? Porque carga de água é que alguém com menos de 18 anos tem maturidade para ir contra a sua natureza real, em nome de um realidade mental, e não tem maturidade para ser forcado, ou para ser alpinista, ou para jogar rugby?

É violenta a corrida de toiros? É violento para o toiro e para o toureiro? Até pode ser,. Mas por acaso há mais violento do que mudar a natureza? Nada é mais violento do que isso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A OCDE também persegue a geringonça?

por Maria Teixeira Alves, em 01.06.16

ConselhoMinistrosCosta07PF.jpg

Foto: Diário Económico (Paulo Figueiredo)

 

“Sim, sim, é geringonça, mas funciona. É uma grande vantagem, estão a ver? É geringonça mas funciona.” Disse uma vez, não há muito tempo, o Primeiro-Ministro.

Governar um país é como guiar um barco, roda-se o volante vigorosamente e nada acontece, e depois passado uns minutos, o barco responde rapidamente. Há um delay entre a acção e a reacção. 

Também acontece isso com um país, criam-se medidas, revogam-se as anteriores, devolvem-se os rendimentos, e num primeiro momento o equilíbrio não é afectado, até que de repente, zás, o resultado. Se forem acções bem pensadas o resultado é bom, se não forem o resultado abrupto será desastroso. A geringonça só se vê se funciona quando houver a resposta da economia à actuação do Governo.

O Ministro das Finanças também sabe isso. Pois disse-o à CNBC.  “A paciência é a essência para a recuperação económica”. Deve haver um alinhamento “na capacidade de esperar que elas [as medidas] surtam os seus efeitos”. Medidas? Quais Medidas? As do anterior Governo? Eis a resposta: [é preciso esperar] que as reformas estruturais feitas nos últimos anos se materializem”, o que ajudará a acelerar o crescimento e a redução da dívida. 

O ministro socialista, longe dos palcos políticos lá disse que o rácio de dívida pública “está a cair desde 2014” e que Portugal conseguiu “colocar o rácio de dívida (sobre o PIB) numa trajectória descendente”.

Centeno já antes tinha admitido que as previsões do Governo dependem da retoma do investimento.

O que diz hoje a OCDE?

A economia portuguesa só irá crescer 1,2% neste ano e 1,3% no próximo, e para este ano prevê um défice de 2,9% este ano.  O governo tem metas muito mais favoráveis, prevê no Orçamento de Estado para 2016 como um crescimento do PIB de 1,8% e um défice de 2,2%.

A Comissão Europeia prevê um crescimento de 1,5% e um défice de 2,7%; o Fundo Monetário Internacional 1,4% e 2,9%, respectivamente e o Banco de Portugal prevê 1,5% de crescimento do PIB (e não publica previsões para o défice). 

A OCDE diz ainda que o Orçamento de Estado de 2016 baseia-se mais em impostos sobre o consumo e menos em impostos sobre o rendimento.

"A redução da taxa do IVA dos restaurantes vai reduzir as receitas fiscais e provavelmente terá pouco efeito sobre o emprego”, refere o novo estudo Panorama Económico de hoje.

Em relação à ancora do crescimento económico do Governo de António Costa, isto é, o consumo interno, a OCDE admite que o consumo privado “pode compensar parcialmente os resultados negativos do investimento”. Mas avisa que não será sempre assim: “As políticas para impulsionar a procura interna não vão produzir efeitos duradouros”.

O aumento da despesa em consumo sofre limitações impostas por uma taxa de poupança historicamente baixa e uma reduzida criação de emprego, levando o consumo privado a perder o vapor. Quem o diz é a OCDE, não é a direita que está na oposição.

Já o INE disse que a evolução do PIB foi suportada apenas pela procura interna. O INE anunciou ontem uma ligeira revisão em alta do crescimento do PIB face às estimativas divulgadas a 13 de Maio último, mas o investimento caiu pela primeira vez desde 2013, numa altura em que as previsões económicas do Governo estão dependentes da retoma do investimento. Ao mesmo tempo, as exportações caíram, enquanto o consumo privado manteve o ritmo de crescimento que já vinha do último trimestre de 2015. 

Pois, o investimento diminui pela primeira vez desde 2013.

A OCDE lamenta ainda que “as reduções previstas nos impostos sobre as empresas, que poderiam aumentar o investimento e o crescimento" tenham sido "canceladas”. “Um aumento dos benefícios sociais apoiará as famílias de baixos rendimentos”. Mas “as reduções de despesa previstas estão sujeitas a riscos de implementação severos”. Isto é, a OCDE duvida destas medidas e da sua execução orçamental. 

Os riscos para o crescimento da economia “são maioritariamente internos e estão relacionados com o alto endividamento dos sectores público e privado”.

A organização também piorou a estimativa para o desemprego, esperando que represente 12,1% este ano e 11,5% no próximo, quando em Novembro apontava para taxas de 11,3% e 10,6%, respectivamente.

A geringonça funciona? Só se for na aparência, que é como quem diz no marketing. Mas o que parece tem muita força.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A líder do Bloco perdeu o juízo de vez?

por Maria Teixeira Alves, em 26.05.16

Nem queria acreditar quando li, assim de raspão (porque já nem vale a pena ralar-me com esta espiral de loucura em que vivemos) que o Bloco de Esquerda quer legalizar a mudança de sexo aos 16 anos. Já para beber só aos 18, tal como guiar e comprar cigarros!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A frase inédita de António Costa

por Maria Teixeira Alves, em 22.05.16

Pedro Mexia disse no Governo Sombra que António Costa, no dia da apresentação do Simplex, disse uma coisa que nunca tinha sido dita na história do socialismo (ele foi pesquisar): "Legisla-se demais em Portugal".

"Geralmente os Governos socialistas legislam à bruta", disse Pedro Mexia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Lido no Twitter

por Maria Teixeira Alves, em 21.05.16

Resumindo, o PS enterrou mais de 7 mil milhões no BPN, 2 mil milhões no Banif, prepara-se para injectar 4 mil milhões do Orçamento de Estado na CGD e ainda tem a lata de criticar a resolução do BES?

Autoria e outros dados (tags, etc)

A notícia que o Económico dá no seu site: ERC condena TVI a pagar 459 euros por notícia sobre o fecho do Banif vem por a nu várias das vicissitudes da profissão de jornalista. Num mundo cada vez mais regulado e regulamentado, o jornalismo é a excepção.

Reparem a ERC concluiu que a TVI violou o Estatuto de Jornalista e o Codigo Deontológico e a decisão condenatória leva-a a castigá-la ao pagamento de taxas administrativas de 459 euros, a obrigá-la a ler o comunicado da ERC (sempre são uns minutos de fama para o regulador) na TVI. Exige a "exibição e leitura do texto [da deliberação] no serviço noticioso de maior audiência do serviço de programas TVI24" e a publicar no site o comunicado do regulador.

Depois passa a bola à Comissão da Carteira, cuja lei prevê contra-ordenações com coimas para tudo menos para a violação do artigo 14. n.1. O máximo das coimas são 15 mil euros, sendo que para quem se esquece de pagar os mais de 50 euros pela carteira sujeita-se a uma coima de sete mil euros. Mas para violar as regras deontológicas do jornalismo não há coima, há talvez uma suspensão da carteira por 12 meses.

Para além de serem organismos com horários muito simpáticos, a CCPJ está disponível das 10 horas às 16 horas; e a ERC dá um bocadinho mais, fecha às 17:30.

Depois, a probabilidade de a ERC ter olhado para este caso da notícia sobre o fecho do Banif, por causa do mediatismo inerente, é elevadíssima. Se não fosse um tema que até é matéria de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a ERC nem o analisava. Dizia logo que era matéria para ser tratada com a Comissão da Carteira (e eu sei do que falo).

Sindicatos e ERC têm a prioridade indexada ao mediatismo do caso.

No fundo, conselhos deontológicos de sindicatos, ERC, Comissão da Carteira, são tudo coisas que sabemos que existem mas não sabemos bem com o que contar se precisarmos. 

O jornalismo vive numa espécie de limbo regulamentar, no meio de alguma subjectividade e relatividade, o que não é bom para ninguém, e como se pode ver, pelo caso Banif/TVI, também não é bom para os próprios jornalistas, porque ninguém sabe muito bem as regras e regulamentos e até que ponto se está a cumprir ou não as regras de bom jornalismo.

E no fim do dia há a lei geral, e essa funciona sem complacências de camaradagem.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O diferendo dos contratos de associação

por Maria Teixeira Alves, em 13.05.16

Estou a ouvir António Lobo Xavier, e como não tenho pruridos em receber explicações de quem sabe (ao contrário do Jorge Coelho), finalmente percebi o diferendo em relação ao cumprimento dos contratos de associação com escolas privadas.

"Os liberais aqui o que querem é que o Governo cumpra os contratos", disse Lobo Xavier, para imediatamente Jorge Coelho responder "e vai cumprir". "E respeite as expectativas criadas quando assina esses contratos", completou António Lobo Xavier.

"Quando António Costa diz que cumpre os contratos [na entrevista à SIC] o que ele está a dizer é que cumpre a interpretação dele dos contratos. Em cada ano, esses colégios poderão abrir no primeiro ano turmas do sétimo ano; no segundo ano turmas do oitavo ano; no terceiro ano turmas do nono ano. A interpretação das escolas é que isso é uma visão restritiva que não está lá nos contratos, e que os contratos o que prevêem é que possam abrir no primeiro ano turmas do sétimo; no segundo ano turmas do sétimo e do oitavo; e no terceiro ano turmas do sétimo, oitavo e nono". Ao lado desses contratos de associação, e o diabo está nos detalhes, as escolas foram obrigadas a assinar contratos de continuidade", continua Lobo Xavier. 

O que António Costa o que quis foi povoar as escolas públicas de um tipo de alunos, melhores, que estavam a ir para os colégios. Nalguns casos as escolas públicas estavam a ficar despovoadas. A qualidade do ensino nalguns casos é melhor nos colégios e isso atrai os alunos de todas as classes sociais. "O que o Governo vai fazer é proteger a coutada das escolas públicas impondo restrições de origem geográfica dos alunos às escolas privadas.

A liberdade de escolha é afectada porquê? Porque até agora quem chegasse aos colégios em primeiro lugar entrava, e só se ia ao critério geográfico em caso de procura, maior do que oferta e lotação dos lugares disponíveis.

Agora o Estado sabe, e por isso é que fez os contratos de associação, que gasta menos com os contratos de associação do que fazendo escolas e pagando escolas, por turma. 114 mil euros por turma no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues; 85 no tempo do anterior Governo, que foi reduzido a certa altura para 80; ao passo que esse custo nas escolas por turma é muito superior.

Ontem em entrevista à SIC, António Costa queixou-se de que há "muito ruído e pouco esclarecimento" em torno do assunto dos contratos de associação com as escolas privadas.. Disse que há apenas 79 colégios apoiados (3%) pelo Estado, garantindo que o governo vai "cumprir escrupulosamente os contratos assinados com todos eles". "Todas as crianças cumprirão o ciclo em que estão", insistiu. No próximo ano ano, sublinhou, "até vai haver mais turmas apoiadas".

Depois disso, "os contratos só serão renovados se houver necessidade". E esclareceu porquê. Porque "não faz sentido que o contribuinte pague duas vezes uma escola na mesma área geográfica".
Em todo o caso, abriu uma excepção. "O critério para apoiar um colégio privado não é só o da proximidade. Há colégios que são, também, lares para as crianças que estão institucionalizadas. E esses casos são diferentes. Terá de feita uma avaliação caso a caso"

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os tais dos "outros interesses"

por Maria Teixeira Alves, em 11.05.16

IMG_5352.JPG

A SIC acabou por dar a resposta, de forma velada é certo, que toda a esquerda procura. A que se referia Pedro Passos Coelho quando falou do Ministro da Educação dizendo: "começamos a ter dúvidas que ele seja mesmo o Ministro da Educação, parece que ele representa outros interesses que não os da comunidade em geral"?

O que será?

Piadas à parte. Não há uma dúvida de que tudo o que tem associado fortes sindicatos acaba politizado. Este assunto do fim dos contratos de associação tem todos os condimentos para se tornar numa guerrilha esquerda/direita. É daqueles temas que até tem como stakeholders alunos e famílias, que é uma coisa que toca a uma grande maioria da população. Tem dimensão e é ideológico q.b.

Eu, claro, concordo com Pedro Passos Coelho quando diz:"Essas organizações têm investimentos realizados que o Estado rentabiliza [contrata] impondo regras e condições, e desde que essas estejam asseguradas, não há nenhuma razão para que o Estado esteja a substituir essas escolas privadas, por escolas públicas que irão construir, despendendo mais dinheiro dos contribuintes, quando existem equipamentos que estão disponíveis nessas organizações e que não são mais caros do que os do Estado".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ricardo Mourinho Félix

Resumindo a participação de Ricardo Mourinho Félix é esta, todos os caminhos do Banif vão dar a: 'Nós [o governo socialista] somos uns santos que tinhamos imensas soluções óptimas para salvar o Banif (como integrar o Banif e o seu buraco na CGD), mas que os malandros da DG Comp europeia não deixaram porque dizem que a Caixa já tinha ajuda do Estado e não a pagou, imagine-se, como é possível que alguém leve o dinheiro público a sério, como se fosse capital privado, e não o deixe usá-lo para um governante sair bem politicamente, pelo menos numa legislatura. Quem propõe integrar o buraco do Banif na CGD depois diz-se indignado com a intervenção no Banif de 1.100 milhões de euros feita em 2012? Tem algum nexo?

A DG Comp tinha tudo combinado com os espanhóis e isto tudo foi de propósito, pois já tinha um fato à medida para vender ao Santander, e o Popular devia estar também combinado com Bruxelas e Espanha pois só isso explica que tenham apresentado uma proposta tão má.

O Banif, qual banco péssimo, é culpa exclusiva da Maria Luís Albuquerque e de todos esses malandros da direita, que tinham obrigação de ter soluções miraculosas para o Banif, soluções essas que o PS não conseguiu ter, mas tudo porque apenas teve pouco tempo. O Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, esse culpado de tudo e mais alguma coisa, porque, entre outras coisas, não propôs o banco de transição para a resolução ao Banif, mesmo que não houvesse possilidade nenhuma de ser aceite, isso agora não interessa nada, o que interessa é apontar culpas políticas ao Governador do Banco de Portugal e transformá-lo no culpado disto tudo ( a ver se liberta o posto).

Na prática tudo serve para fazer oposição política, e o Banif também. Nada mais do que isso, de resto os argumentos de acusação ao BdP e ao Governo anterior são puras balelas, e falsas questões, algumas delas não passam de formalidades e tecnicalidades.

Portanto para o secretário de Estado tudo o que aconteceu ao Banif foi... político. Não teve nada a ver com má gestão privada, nada. Foi político. É tudo político. Só que as perdas, quer dos lesados da resolução, quer dos contribuintes, é sempre real, palpável e pragmática. A política é coisa de diletantes.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A nova lei materializada pelo Decreto-Lei n.º 20/2016 publicado ontem, dia 20 de Abril, sobre as desblindagens de votos, segundo o qual, a partir de 1 de Julho e até ao fim do ano, os bancos que tiverem os votos blindados têm de convocar uma Assembleia Geral (AG) para deliberar a manutenção ou revogação desses limites de voto é uma lei tão condicionada, mas tão condicionada, que o resultado é o seguinte:

1- É só para bancos (e só há dois com votos blindados)

2- Dá um enorme poder aos administradores de bancos, porque tem esta minudência (escandalosa a meu ver): «a deliberação sobre a manutenção ou revogação desses limites [de voto], quando proposta pelo órgão de administração, não está sujeita a quaisquer limites à detenção ou ao exercício de direitos de voto, nem a quaisquer requisitos de quórum ou maioria agravados relativamente aos legais. Logo, quando não é proposta pelo órgão de administração está sujeita a quaisquer limites à detenção e ao exercício de direitos de voto, assim como a quaisquer requisitos de quórum ou maioria agravados relativamente aos legais.

3- Favorece os accionistas que se anteciparem à convocatória, se o objectivo for manter a blindagem.

4- Favorece o BCP porque basta que a proposta seja remetida por um accionista para aumentar as probabilidades de a manutenção dos limites de voto.

5- Pretende favorecer o CaixaBank porque permite que a administração do BPI proponha o fim de blindagem de votos e nesse caso o CaixaBank volta a alteração de estatutos com 44,1% dos votos, e ainda para a aprovação basta que 66% dos votos expressos seja favorável

6- Cria o sério risco de a Santoro de Isabel dos Santos se antecipar à convocatória e nesse caso, reparem nesta pérola, a probablidade de a blindagem cair no BPI é praticamente nula. Pois se for um accionista a propôr a desblindagem o CaixaBank só pode votar com 20% de votos e a maioria necessária para alterar os estatutos é de 75%.

Uma pérola esta lei, uma pérola!

Mas quem é que se lembrou de criar condições que só se aplicam quando a proposta é feita pela administração? Que advogados estes! 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografia do Público

Não deixo de me indignar com esta notícia:

Marcelo Rebelo de Sousa admite que lei foi retida à espera de acordo entre BPI e Isabel dos Santos. Mas então o Presidente da República tem uma lei para promulgar e não promulga para ajudar a empresária angolana? Adiaram-na por um mês, para que entretanto Isabel dos Santos vendesse uma posição de maior valor (porque assim que a blindagem cair os 20% da Isabel dos Santos valem mesmo 20%, não servem para muito)? Isto é legitimo? 

“Retivemos a lei à espera que houvesse acordo”, disse Marcelo, considerando que a opção encontrada foi a “possível”, não a desejável. 

“É com pena que eu verifico que depois de haver um esforço por parte do Governo e do Presidente da República” de adiar a decisão durante um mês para que ambas as partes pudessem chegar a um acordo “isso não foi possível”, lamentou Marcelo.

E isto tudo com a cumplicidade do Primeiro-Ministro?

Promulga agora? Como quem diz, não te portaste bem Isabelinha, lançamos a bomba atómica.

Mas isto é normal?

Se o Presidente da República tem uma lei para promulgar, promulga-a, ou não. Agora isto de arranjar aqui uma artimanha para forçar a negociações, parece-me surrealista. Espero que a Quadratura do Círculo, não deixe passar em branco.

E para acabar em beleza ainda diz: "esta legislação tem, ainda assim, uma vantagem, que é a de só entrar em vigor no dia 1 de Julho deste ano", salientou o chefe de Estado, acrescentando que "ainda dá um tempo" que pode ser aproveitado para "haver uma solução".

Mas porque carga de água há-de o CaixaBank aceitar um acordo com Isabel dos Santos se tem o caminho livre para dominar o BPI e deixar a empresária angolana agarrada a 20% de um banco que será quase 70% dos espanhóis, com os votos em pleno?

Mas isto é algum jogo de xadrez?

O que vai fazer agora Marcelo promulgar uma lei que revoga a anterior que acaba de promulgar, só para dar uma mãozinha a Isabel dos Santos? Vai pressionar Carlos Costa a dar idoneidade aos administradores angolanos do BIC Portugal para criar condições para um acordo?

E isto tudo em aliança com o primeiro-ministro com quem funciona em perfeita sintonia, ao nível de um Dupond e Dupont, ou de um Senhor Feliz, Senhor Contente (Diga à gente, diga à gente como vai este país!)?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A guerra fria entre Portugal e Angola

por Maria Teixeira Alves, em 18.04.16

Há muito que se sente, mas ninguém se atreve a assumir.

É tão grande a vontade da elite Angolana conquistar a Europa, como parece ser a vontade da Europa de afastar Angola do poder económico europeu.

Isabel dos Santos é a guerreira de Angola. Não aceita de ânimo leve que não reconheçam Angola como equiparada à Europa em supervisão e legislação. 

Mas a Europa é muito forte unida e nessa medida é imbatível.

O que se passa no BPI é só a expressão dessa guerra fria. 

Contemos a história recente: Angola tinha imposto uma regra lá que obrigou o BFA, tradicionalmente 100% do BPI, a entregar uma parte a sócios angolanos. Surge Isabel dos Santos com a Unitel para ficar com 49,9% do BFA.

Uma coisa leva à outra e a Santoro entra como sócia do BPI em Lisboa.

Isabel dos Santos começou por entrar "a bem" no BPI quando, com a crise financeira pós-Lehman Brother, o brasileiro Itaú quis saltar fora e a empresária angolana fica com 18,58%. 

Isabel dos Santos que já dominava outras empresas portuguesas (NOS, por exemplo) entrava com chave de ouro na Europa.

Mas em Angola a parceria de Isabel dos Santos com a Sonae é rompida,  e em vez do lançamento dos hipermercados Continente em Angola, é lançada uma marca sua de hipermercados. Começa aí a mancha no seu estado de graça em Portugal.

A quebra brutal do preço do petróleo numa economia excessivamente dependente dele, deita Angola  a uma crise económica como há muito não se via. 

No inicio do mês de Dezembro de 2014, no rescaldo do caso GES em Portugal, a supervisão única europeia, exercida pelo Banco Central Europeu exclui Angola da lista de territórios com uma regulamentação e supervisão financeiras equivalentes às dos países da União Europeia. Até aí, os investimentos dos bancos nacionais em Angola tinham um risco igual aos da Alemanha, depois disso o risco passou a ponderar a 100% no rácio de capital dos bancos. A exposição dos bancos a Angola é medida tanto pelas participações accionistas em bancos como pela carteira de dívida soberana angolana que o banco detém. Este foi um duro golpe para a actividade do BPI pois tem por imposição do BCE de reduzir a sua exposição aos grandes riscos de Angola, e uma facada para o orgulho magoado angolano.   Esta decisão da Europa foi conhecida quatro meses depois de a exposição a Angola ter sido uma das razões para o Banco Espírito Santo ter sido alvo de uma medida de resolução por parte do Banco de Portugal.

Talvez seja apenas coincidência temporal com o caso BESA, onde sob a liderança do banqueiro da família Madaleno, o banco vê-se a braços com o desaparecimento de dinheiro.

Ontem, depois do turbilhão no BPI, eis que o Expresso anuncia que a Procuradoria Geral da República de Angola reabriu a investigação aos acontecimentos que levaram à queda do Banco Espírito Santo de Angola (BESA). As autoridade judiciais querem saber o que levou à criação de um buraco de quatro mil milhões de dólares na instituição e estão a pedir novas informações, estando a ser “ajudadas” por autoridades judiciais portuguesas.

Desde que Bruxelas excluiu Angola do estatuto que dava aos seus bancos o mesmo risco que a qualquer país europeu, que Isabel dos Santos tem sido especialmente dura e intransigente em tudo o que seja Europa, com quem tem uma relação de amor/ódio.

Quando o CaixaBank lançou a primeira OPA sobre o BPI, na tentativa de  recapitalizar o BPI para ir ao Novo Banco, Isabel dos Santos revelou-se: Opôs-se com todas as forças. Primeiro porque a OPA era barata demais, dizia (eu sempre achei que era um falso argumento) e queria antes uma fusão com o BCP em que sem gastar dinheiro ficava a dominar o BCP+BPI através da troca de acções e com a aliança à Sonangol. Essa operação servia-lhe pois retiraria o BPI da esfera CaixaBank e ainda se livraria de um incómodo presidente chamado Fernando Ulrich. O peso subtil de Ulrich é uma coisa com que Isabel dos Santos não contava. As elites portuguesas ainda têm força, mesmo que às vezes essa força não se veja ou seja propositadamente ignorada. Há uma subtil luta de classes que subsiste no nosso país e resiste ao tempo e a que Angola é particularmente sensível, até porque é um modelo que foi sempre reproduzido em Angola. Portugal por onde passa deixa a sua marca, para o bem ou para o mal.

Isabel dos Santos chumba a desblindagem de votos, a OPA do CaixaBank cai e o Novo Banco escapa às mãos do BPI. Mas o problema dos grandes riscos continua lá. 

Num ano não houve progressos negociais. Pelo contrário a tensão entre ambos aumentou. Mas o BCE não dorme e começa a perceber o entrave que pode ser para a gestão de um banco um investidor como Isabel dos Santos. Há que admitir que o BCE está subtilmente a tentar criar bancos grandes europeus e a restringir ao máximo o peso de accionistas de países que não consideram com risco semelhante ao Europeu. Angola não vai ter a vida facilitada no sector bancário europeu. o BCP poderá ser o próximo alvo de atenção do BCE, pois que lá tem um accionista relevante, a Sonangal. Mais um aumento de capital e a Sonangol fica à beira de diluir a sua posição. O dinheiro deixou de abundar em Angola.

O BPI apresenta mais tarde um spin-off dos activos angolanos em que o BFA sai debaixo do BPI (onde este tem 50,1%) e passa para a posse directa dos seus accionistas. Não mudava nada e ajudava ao BPI a cumprir os grandes riscos. Mas Isabel dos Santos volta a arranjar uma alternativa que sabe ser impossível de aceitar e com esse pretexto chumba o spin-off. Parece estar a tourear o BCE como castigo por ter votado os bancos angolanos à categoria de alto risco.

O prazo dado para o BCE para o BPI aproxima-se do fim e as negociações a sério começam, com advogados e um embaixador político do Governo. A primeira tentativa de chegar a acordo falha. Mas ainda há tempo. Tenta-se novo acordo. Paralelamente o Governo, o BCE e a CMVM preparam um plano B. Já todos perceberam que o mood de Isabel dos Santos é instável e que pode mudar de ideias em cima do acontecimento. O plano B é alterar a lei de modo a que as blindagens de votos deixem de ter eficácia, e a blindagem de votos cair na pendência de uma Oferta. Se tudo correr para o torto, acciona-se o plano B e em 24 horas é lançada uma OPA.

No último dia do prazo do BCE, o CaixaBank e a Santoro chegam a acordo. Mas não anunciam qual é. Parece este segredo indicar um mau prenuncio. Faltam autorizações dos reguladores. 

Entretanto Isabel dos Santos ainda tem o BIC Portugal, um banco pequeno, dominado pelo seu amigo Fernando Teles. O mandato da administração de Mira Amaral chega ao fim numa altura crítica das relações com Angola. Os órgãos sociais são aprovados em AG, mas nunca mais são aprovados pelo Banco de Portugal. Estranho.

A uma semana de serem anunciados os detalhes do acordo, zás, Isabel dos Santos altera as condições do acordo. Fica tudo parvo. No fundo já toda a gente temia que isso acontecesse sem o admitir. Ficámos a saber que a meio da semana Isabel dos Santos foi chamada ao Banco de Portugal para lhe dizer que não iria ser dada idoneidade nem a Jaime Pereira, nem a Fernando Teles. Isabel dos Santos faz depender o acordo com o BPI da aprovação dos seus homens de confiança no BIC Portugal. Mas o Banco de Portugal não é em Luanda. O Banco de Portugal de Carlos Costa não cede (nem a Ricardo Salgado cedeu e era bem mais difícil). O capricho cumpriu-se então. Isabel dos Santos desfaz o acordo, mais uma vez com uma exigência que leva ao rompimento do acordo

Isabel dos Santos queria era estar na banca em Portugal, ao ponto de querer cotar o BFA em Lisboa. 

O resultado deste braço de ferro pode bem ser a nacionalização (lá arranjarão um pretexto mais profissional) do BFA. Mas perdido por 100, perdido por mil. No que não podes ser feliz não te demores ó BPI.

O Estado avança com a alternativa, com o plano B. Amanhã há a OPA do CaixaBank. Tudo a postos para o controlo do banco liderado por Fernando Ulrich.

Uma acção um voto e o CaixaBank passa a dominar o BPI. Pode ser que até o spin-off dos activos angolanos passe. Mas a guerra fria, que será perdida para Isabel dos Santos e para Angola, ainda vai continuar. Há um board para escolher no BIC, e os motivos da recusa da idoneidade aos dois gestores angolanos são uma procissão que ainda vai no adro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Faço minhas as indignações de António Lobo Xavier

por Maria Teixeira Alves, em 15.04.16

Partilho completamente das indignações de António Lobo Xavier proferidas na Quadratura do Círculo:

"Diogo Lacerda Machado, o grande amigo do primeiro ministro que é mandado a negociações. Não é possível numa democracia ter representantes de um primeiro-ministro que não estejam integrados nalgum modo no aparelho do Estado. É possivel ter advogados. Agora representantes mandatários, através de um mandato não escrito e não formalizado, que vivem de um poder de facto, que vivem de uma influência de facto que é expressamente invocada como tendo por base uma grande amizade, é uma coisa que não se pode passar numa democracia. Só não falo mais alto é porque há aqui uma certa ingenuidade. A explicação de que era melhor como estava porque era mais barato para o Estado, é confrangedora. 

Reparem que Pedro Passos Coelho teve um consultor para as privatizações, que foi António Borges. Mas esse nunca ninguém se lembrou de dizer que foi escolhido com base na amizade e confiança, e nunca ninguém se lembrou de o mandatar sem contrato, e mesmo assim, o uso desses instrumentos pelo Governo que depois saem fora de qualquer controle, são inaceitáveis".

Eu acrescentaria que Diogo Lacerda Machado deve ser o único homem na história que assina contrato quando os trabalhos já acabaram. Agora que a TAP já é 50% do Estado, que os Lesados do BES já assinaram memorandos de entendimento com reguladores, e que a Isabel dos Santos chegou a acordo com o CaixaBank no BPI, é que lhe assinam um contrato? Agora o que vai o senhor fazer? Ir à procura de negócios privados para dar uso ao contrato? Vai disputar terreno na venda do Novo Banco com Sérgio Monteiro?

Esta então é de gritos:

Diz António Lobo Xavier: "O presidente do sindicato dos impostos, pressionado pelos jornalistas para explicar porque que é que tinham sido apanhados uma série de funcionários do fisco em corrupção e fraudes, disse: 'Bom, é preciso ver, a austeridade imposta pelo anterior governo depois tem estas consequências' [adorei o tom]. E ninguém se indigna".

Concordo, claro! Faço minha a indignação do António Lobo Xavier. E eu sou jornalista.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Irónico mesmo é a Maria Luís ter sido convidada a ser consultora da Arrow por 5000 euros e o Antonio Costa propor-se a pagar 2000€ bruto + IVA ao seu amigo Diogo Lacerda Machado para ser consultor de vários negócios dificílimos em Portugal. Que miséria de país! O Diogo Machado vai ter dez vezes mais trabalho a dar conselhos a negociações tipo TAP, Lesados do BES versus reguladores e BPI entre CaixaBank e Isabel dos Santos, do que o aconselhamento do mercado de dívida que a Maria Luís será chamada a dar à firma britânica. Em Portugal trabalha-se muito e ganha-se pouco!

Autoria e outros dados (tags, etc)



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
Oje
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia

Comentários recentes


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2015
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2014
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2013
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2012
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2011
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2010
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2009
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2008
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2007
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2006
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D

    subscrever feeds