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Palavras sábias de Reagan

por Maria Teixeira Alves, em 31.10.14

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O Fim da Era Espírito Santo (Aletheia)

por Maria Teixeira Alves, em 29.10.14

 

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A carteira de crédito do BES, por Fernando Ulrich

por Maria Teixeira Alves, em 29.10.14

A carteira de crédito do Banco Espírito Santo é o retrato do percurso do banco. Fernando Ulrich principal candidato à compra do Novo Banco, expôs de forma clara o que todos comentam em surdina e ninguém se atreve a dizer às claras. Para isso baseou-se mais uma vez nas informações oficiais.

«A carteira de crédito a empresas do BES era de 40,3 mil milhões de euros. Mas, destes, 23,6 mil milhões de euros estava concedido a empresas de cinco sectores: Construção e Obras Públicas; Activos Imobiliários; Actividades Financeiras (aqui são sobretudo holdings); Serviços Prestados às empresas (engloba muitas coisas, não sei bem o que é); Outras Actividades de Serviços Colectivos, que também engloba muitas coisas, incluindo clubes de futebol. Nestes segmentos o BPI tinha apenas 3,5 mil milhões de euros em crédito e eu fico muito contente de só termos 3,5 biliões nestes sectores onde o potencial de risco de crédito é significativo, maior do que o resto». O banqueiro continua: «Quando vamos ao resto às PME Exportadoras (texteis, calçado, papel, metalomecânica) o crédito e garantias do BES é de 16,7 mil milhões e o do BPI é de 10,2 mil milhões. É maior no BES, mas essa diferença não é tão grande, quando se olha com mais atenção. O BPI é maior no crédito a particulares (um tem 13 bi e o outro 12 bi). No crédito que interessa o BES não era muito maior que o BPI.

«Além disso em Imóveis, Unidades de Participação em Fundos de Recuperação, e em Fundos de Imobiliário que estão nas carteiras das seguradoras, o BES tinha 5,8 mil milhões e o BPI só 300 milhões e eu fico muito contente porque é uma zona que eu também não gosto. Por isso até vermos o balanço do Novo Banco auditado, e até fazermos uma due-dilligence, porque sendo nós um dos bancos interessados, vamos ter de fazer uma due-dilligence, não podemos garantir que os 4,9 mil milhões são suficientes, e se não forem haverá algum dano para a economia portuguesa, e afectaria todos os bancos do sistema».

Atentem a estas sábias palavras. Há muita informação aqui nas entrelinhas.

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Big Brother was watching GES

por Maria Teixeira Alves, em 26.10.14

Quanto mais leio o jornal I, mais me convenço que as reuniões do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo eram uma espécie de Big Brother ou de Casa de Segredos.

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O meu livro

por Maria Teixeira Alves, em 24.10.14

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Paradoxo

por Maria Teixeira Alves, em 17.10.14

Fico sempre a pensar que há um paradoxo entre a apologia da redução do IRS feita por António Costa líder do PS, e a subida galopante da minha taxa de IMI, um imposto autárquico da autarquia que tem António Costa por Presidente da Câmara. Para já não falar da taxa de esgoto.

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António Costa, na Quadratura do Círculo, a criticar as medidas orçamentais do Governo. Evidentemente que o moderador fez-lhe a pergunta que se impunha, sendo ele o candidato a substituir Pedro Passos Coelho no Governo, e não querendo pedir um orçamento alternativo, pergunta-lhe:

Qual o caminho que devia o Governo ter seguido [no Orçamento]? Patinou, como era de esperar... «Vamos lá a ver, o caminho que temos de seguir não passa só pelo Orçamento»... Ora assim também eu. A responder clichés também eu.

Programa de recuperação económico que o país precisa, blá, blá, blá, e lá fala dos Fundos Comunitários.

Finalmente lá chega a uma alternativa orçamental: Devolver ao IRS e não ao IRC. O caminho da subsidiação das pessoas e não de criar condições de emprego. Vamos voltar a subsidiar o consumo? Vamos voltar à política do crédito? 

«Lá voltamos nós tudo para trás para o jogo de julgar que é a favorecer a procura interna que se resolviam os problemas do país. Estimular o caminho da procura interna, já se fez tudo e nada funcionou», respondeu António Lobo Xavier. 

Porque o IRC é que cria emprego.O principal problema de Portugal é de facto não haver investimento, porque não há capital, o imposto mais delicado para o crescimento é o imposto sobre as empresas.

P.S. Suspeito que António Costa vai precisar muito de António Lobo Xavier quando for Governante... 

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Não percebo esta histeria

por Maria Teixeira Alves, em 11.10.14

Pedro Passos Coelho e José Maria Ricciardi estiveram juntos em público, pela primeira vez, desde o escândalo do BES

Não percebo esta histeria das indignações por Pedro Passos Coelho se ter sentado à mesa com José Maria Ricciardi. Mas há alguma coisa contra o presidente do BESI que o impeça de ser banqueiro? Ou só por se chamar Espírito Santo tem de passar a usar uma marca na lapela? Porque não pode o Primeiro Ministro jantar na mesma mesa com vários banqueiros incluindo o José Maria Ricciardi, que é presidente do banco de investimento? Será que ainda se lembram que José Maria Ricciardi foi um dos que denunciou o caso BES e que foi um dos que quiseram tirar de lá Ricardo Salgado «por motivos que se dispensou de revelar»? Arranjem motivos válidos para indignação, please!

P.S. Alguém se indigna por Ricardo Salgado e Mário Soares se visitarem?

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As Comissões de Inquérito querem mesmo saber do BES?

por Maria Teixeira Alves, em 09.10.14

Começam hoje os trabalhos de Comissão de Inquérito ao caso BES. Bem sei que ficou definido que, no prazo de dez dias, ou seja, até 19 de Outubro, os partidos terão de entregar requerimentos e pedidos de audição. Havendo 10 dias para que sejam apresentadas as pessoas que os partidos querem ouvir nesta comissão de inquérito. Mas até agora o que se ouviu é que se vai chamar os elementos da troika. Quer tudo saber quando é que a Comissão sabia que o BES teria de ser alvo de uma Resolução. O Bloco de Esquerda vai apresentar requerimentos para ouvir os membros da 'troika' na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, anunciou hoje a deputada Mariana Mortágua. Querem todos saber quando é que o Governo sabia, quando é que o Governador sabia. 

Mas pergunto interessa alguma coisa saber como chegou o BES até esta situação de ruptura? Como é possível que Ricardo Salgado não seja o primeiro a ser nomeado para uma Comissão de Inquérito ao caso BES? Como?

Mas alguém quer mesmo saber o que se passou ou querem arranjar pretextos políticos para tentar entalar o Governo?

Como é que não está tudo já a pedir aos banqueiros, Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, Ricardo Abecassis Espírito Santo, e outros como Manuel Fernando Espírito Santo que era chairman da Rioforte e João Pena CEO para irem ao Parlamento. Como não chama o contabilista da ESI, Francisco Machado Cruz? Como não se chama o presidente do ISP, para saber o que foi feito nas companhias de seguros Tranquilidade, ES Seguros e BES Vida (atentem a esta)? Como não chamar os administradores envolvidos no caso Tranquilidade? Como não chamar os da PT, Zeinal Bava, Henrique Granadeiro, Luís Pacheco de Melo? Até diria mais, como não se chama Álvaro Sobrinho que contribuiu para a ruína do BES com os créditos marados no BESA? Mas  aonde é que pensam que o BESA se financiava para dar crédito? Como é que não convocam os que assistiram áquilo? José Maria Ricciardi já se disponibilizou caso quisessem para responder. Ou será que o caso BES, para os deputados, passa ao lado dos banqueiros da família? Se forem sérios, a troika, o Governo, o Banco de Portugal são os figurantes do verdadeiro caso BES. Ou no limite para chegarem a até eles, muitos inquéritos têm de fazer antes. 

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As agruras do capitalismo português

por Maria Teixeira Alves, em 25.09.14

A competição pela compra da ES Saúde, empresa dona dos hospitais, de entre os quais o mais emblemático é o Hospital da Luz, prova mais uma vez o quão dificil é ser capitalista em Portugal. Reparem, todos nós temos simpatia pelo Grupo Mello, e todos nós preferiámos que o Hospital da Luz acabasse nas mãos de um grupo português. Mas é isso possível?

Ora se o Grupo Mello precisa do crédito para comprar o Hospital da Luz (simplifiquemos e chamamos-lhe assim) e se os bancos condicionam o crédito ao parecer da Autoridade da Concorrência, porque obviamente querem saber quais os activos finais com que podem contar para a hipoteca, porque é a Concorrência que decide quais os remédios a aplicar, e nessa medida os activos que terão de ser vendidos. E se, por via dessa exigência dos bancos, o Grupo Mello teve de incluir no anúncio preliminar da oferta a condição da NÃO OPOSIÇÃO DA AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA, não pode esperar que a CMVM, passe por cima da lei, e toca de registar a oferta. Depois do que aconteceu ao Grupo Espírito Santo já vai sendo tempo de não nos rendermos a charmes e seguirmos as premissas legitimas. A CMVM não pode cometer ilegalidades para favorecer favoritos de coração. Os únicos interesses que a CMVM pode seguir são os dos investidores e os do Código de Valores Mobiliários. Assim como os bancos, os únicos interesses a que devem atender são os dos seus clientes e os dos seus accionistas, por esta ordem. Têm de saber até onde podem correr riscos, mas não podem, nessa gestão, pôr em causa e descurar o risco de crédito. Ora se esta operação é mais uma vez, como foi aliás a última operação com a Brisa, uma estratégia de obter mais colaterais para os empréstimos enormes que já concederam ao Grupo Mello (quase seis mil milhões o passivo bancário) é um mau prenúncio para todos, para os próprios Mello, para os próprios bancos, e para o mercado em geral. Se não for assim, então os bancos não podem facilitar créditos que os possam encalacrar mais tarde. 

Se o Grupo Mello quiser mesmo comprar a empresa do Hospital da Luz, merece ter as mesmas condições de partida que os outros candidatos, merece ter a OPA registada, mas então que altere o anúncio preliminar retirando a condição da oferta que impede o registo. Negoceie com os bancos. Os bancos que vejam até onde é que podem ir. Ou então, em alternativa, que apostem na negociação directa (para uma compra fora de bolsa) com a Rioforte Investments, que está em gestão controlada e que o crédito seja depois concedido, ou não, em função da resposta do juiz luxemburguês. 

 

Como diz a CMVM, ver aqui,"Na pendência do referido processo, todos os procedimentos ou actos, mesmo os iniciados por credores privilegiados estarão suspensos. De igual forma, quaisquer transacções relativas aos activos de uma sociedade sujeita a este processo [de gestão controlada] no Luxemburgo deverão ser propostas pelo Conselho de Administração da mesma e autorizadas individualmente pelo juiz delegado, que para o efeito nomeia dois peritos independentes. O prazo expectável de decisão do juiz delegado rondará os dez dias.

Nos termos do referido comunicado, prevê-se que o juiz do processo "tome a sua decisão sobre a ESFG no dia 6 de outubro de 2014".

 

Eu diria já que a probabilidade de o Grupo José de Mello comprar a ES Saúde em bolsa, ou fora dela, é muito baixa, infelizmente, porque seria sempre a decisão de coração de qualquer português.

Isto vai acabar na Fidelidade, suspeito, que os chineses não são de subestimar. 

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O Presidente da Câmara de Lisboa onde andará?

por Maria Teixeira Alves, em 22.09.14

 

Lisboa está completamente inundada. Porque as saídas de água estão entupidas. A quem é que nós os lisboetas, que pagamos taxas de esgoto, e tudo o mais, pedimos contas? É que o Presidente da Câmara de Lisboa anda por aí à procura de um novo emprego.

 

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Os Conselhos de Administração

por Maria Teixeira Alves, em 06.09.14

Há na entrevista do jornal I ao ex-administrador não executivo do BES, Nuno Godinho Matos, conclusões importantes a tirar. Reparem nisto que diz, "Os não executivos não têm nada a ver com a vida diária do banco. Vão às reuniões do conselho de administração quando são convocados, quatro ou cinco vezes por ano. O que conhecem da vida do banco é o que é reportado nessas reuniões pelos quadros superiores. E o reporte, nessas circunstâncias, é a referência dos grandes problemas, dos grandes números, das operações internacionais, se estão a dar lucro ou prejuízo. Agora, saber se o banco em Angola está a fazer crédito garantido ou não a favor do cliente x ou y, isso nunca chega a uma reunião do conselho de administração".

"Em seis anos nunca abri a boca, entrava mudo e saía calado. Bem como todos os restantes administradores".

O presidente do conselho de administração [Alberto Pinto], que abria os trabalhos de acordo com a ordem, sujeitava-os a deliberação, e os funcionários do banco que iam introduzir os temas. Nem sequer o dr. Ricardo Salgado [vice-presidente e presidente da comissão executiva] falava nas reuniões do conselho de administração, que é diferente da comissão executiva. Não havia perguntas não porque não pudesse haver, mas porque jamais alguém as fez.

As reuniões são um mero pró-forma?

No fundo é um pró-forma, exactamente. É algo que tem de existir para ratificar as deliberações nas questões fundamentais tomadas pela comissão executiva.

Neste tempo, o Banco de Portugal comunicou-lhe o que quer que fosse?

O Banco de Portugal não me comunicou rigorosamente nada, estou até convencido de que nem sabe quem eu sou ou que existo. O que fez, e só vim a saber disso dias mais tarde, quando li o email que me foi endereçado a 4 ou 5 de Agosto, foi escrever uma carta ao presidente do conselho de administração na qual indicava que os nossos valores iriam ficar bloqueados e pedia que desse conhecimento aos restantes membros.

Para que serve, afinal, um administrador não executivo?

Os administradores não executivos são verdadeiros verbos de encher.

E os conselhos de administração alargados?

Também.

Como advogado, como administrador não executivo, como cidadão, como explica a existência de um conselho de administração, uma comissão executiva, auditores internos, auditores externos, Banco de Portugal, CMVM, um Conselho Nacional de Supervisão de Auditoria, uma Ordem de Revisores Oficiais de Contas, entre outros organismos de controlo e supervisão, se, na prática, há falhas tão flagrantes e não há responsáveis?

(Ri-se um bom minuto) A sua pergunta encerra mil e uma perguntas. Ainda sobre os não executivos e independentes - que eu entrei pela quota dos independentes: teoricamente, estes administradores foram concebidos para serem pessoas que, não dependendo de qualquer interesse do banco, por isso têm outras fontes de rendimento, têm uma capacidade de controlo diferente. Só que para ter capacidade de controlo, é necessário trabalhar no local. Se eu tiver um gabinete, os funcionários tiverem o dever de me reportar o que fazem, se eu tiver a faculdade de pedir esclarecimentos, inspeccionar e discutir o que está a ser feito, se for um fiscal, aí poderei aperceber-me de eventuais irregularidades. Se nada disto acontecer, e nada disto acontece, é óbvio que os administradores não executivos são um detalhe, um acessório na toilette de uma senhora.

No caso do BES, que é o que conheço, recebiam a senha de presença, que dava, líquido, cerca de 2400 euros por reunião de conselho de administração, ou seja, entre 10 a 12 mil euros por ano. Os executivos é diferente mas, esses sim, estão dentro da vida inteira do banco.

Quanto aos auditores?

Com as auditoras, o problema é semelhante, por uma questão muito simples: se quiser ter consultoras financeiras a auditar os bancos, elas não podem ser pagas pelos bancos, o cliente tem de ser uma outra entidade, seja o cliente o Banco Espírito Santo, seja o Banco de Portugal ou outro qualquer. Porque, obviamente, vão fazer o que o cliente quer, é a ele que cobram os honorários, e nunca darão tiros no cliente sem primeiro os combinar com ele, porque dependem da facturação que lhe emitem e que querem que ele pague.

É preciso mudar o modelo?

Com esta vinculação económica e subsistente, o que tenho de fazer é o seguinte: os bancos todos contribuem com uma verba para um qualquer fundo que é criado - que não tem de ter 30 funcionários, basta ter dois -, e esse fundo contrata e remunera as auditoras. Tem de ser uma entidade totalmente independente.

Não pode ser o Banco de Portugal?

O próprio Banco de Portugal tem dependências. Se as auditoras forem pagas pelo Banco de Portugal, o que se passa é que vão fazer o que o Banco de Portugal quer e pôr nas suas mãos um instrumento que lhe permite dizer, liquidem as contas de A, favoreçam as contas de B. Dir-me-á que o Banco de Portugal não está interessado em fazer isso. Não está até ao momento em que passa a estar.

 

Esta entrevista é importante porque toca num ponto muito fraco na gestão das empresas. Tantos códigos de corporate governance, tanta supervisão do governo das sociedades, tantos relatórios, e vai-se a ver e os administradores não executivos que em teoria (pelo Código das Sociedades Comerciais) têm a função de fiscalizar os executivos, e de os demitir até, não passam de meros figurantes. E quanto mais independentes pior. 

Devia ser obrigatório relatórios de administradores não executivos sobre os temas do banco, cada um devia ter um pelouro de fiscalizar o executivo x ou y, para que a responsabilidade e a co-responsabilidade não sejam aplicadas a pessoas que estão a leste do paraíso do que se está a passar. Vão lá ganhar umas senhas e gozar de um estatuto. 

Este senhor é advogado, sabia com certeza que era co-responsável pela administração, nunca fez perguntas de nada e um dia o Banco de Portugal, antes das conclusões da auditoria forense a apurar responsabilidades de gestão, congelou-lhe as contas e o homem ficou sem o dinheiro que ganhou honestamente. É irónico!

 

Alguma coisa tem que mudar para que os administadores que não executam não deixem de administrar. 

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Espectacular a rapidez da decisão

por Maria Teixeira Alves, em 04.09.14

Título do Negócios às 15 horas e 32 minutos: Será Maria Luís Albuquerque a decidir o melhor momento para a alienação dos CTT
04 Setembro 2014, 15:32 por Jornal de Negócios com Lusa

Título do Negócios às 17 horas e 10 minutos: Governo avança para venda acelerada dos 31,5% dos CTT a investidores institucionais
04 Setembro 2014,  17:10

 

Foram, assim, necessárias menos de quatro horas, após o anúncio por parte do Governo de que a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, estava mandatada para definir "o momento mais adequado" e "as melhores condições de mercado" para a venda da fatia de 31,5%, para que ficasse definida a modalidade de alienação da fatia que remanescia nas mãos do Estado português.

O Governo, através da Parpública, anunciou a decisão de vender a restante participação que ainda detém nos CTT através de investidores institucionais. A alienação será feita através de um processo de "accelerated bookbuilding".

Espectacular!

Mais accelerated que o bookbuilding a Maria Luís Albuquerque!

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Incongruências

por Maria Teixeira Alves, em 25.08.14

Acho lindo andarem a mudar a designação em todo mundo de BES para Novo Banco como se de banco transitório passasse a definitivo

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Li este inteligente artigo de Alexandre Homem Cristo, no Observador, com o título Há terroristas entre nós, sobre o acto bárbaro de um anglo-saxónico muçulmano de nome Abdel-Majed Badel Bary, de 23 anos, que abandonou a casa da família no bairro londrino de Maida Vale, na zona oeste da capital britânica, em 2013.

o objectivo é dissuadir a administração americana de intervir militarmente no Iraque. Talvez assim seja. Mas sendo certo que não terá esse resultado, o verdadeiro efeito é outro: reafirmar a percepção de que os nossos inimigos vivem entre nós. Ou seja, o homem que matou Foley, em nome do fundamentalismo religioso e de uma certa ideia de poder, terá crescido no coração da civilização ocidental, terá usufruído das liberdades que são o pilar dos nossos regimes democráticos, terá sido parte das nossas comunidades ou, até, nosso vizinho. E, apesar de tudo isso, odeia-nos. É isto, e não o acto bárbaro do assassinato, que gera medo.

Diz-se jihadista como se isso fosse um clube de futebol, uma profissão, uma religião, um clube privado. Em nome dessa pertença a um clube mata. Para ser um deles, para provar que pertence à seita, que pertence aos bons, que pertence aos superiores. É um perigo este tipo de pensamento e um engano, claro. Nem as ideias que achamos que são nossas o são verdadeiramente. And, you know, there is no such thing as society. There are individual men and women, and there are families. A inteligência é fundamental para não se deixar seduzir por estas ideias colectivas. Pelos estereotipos. Não existem, são meras simplificações mentais. 

Pensar que um miúdo que cresce em Londres e canta rap, pode ter a perversão de cortar uma cabeça a outro ser humano, que nunca lhe fez mal nenhum, a sangue frio, é pensar que há um potencial monstro sempre ao virar da esquina, que toma banho todos os dias e vai à escola ou vai trabalhar. Os sinais têm de estar lá. Porque ninguém começa a odiar alguém em nome de um povo de um dia para o outro, por decreto. Este ódio que se propaga muito pela Europa nas conversas informais contra o povo norte-americano, ou contra os judeus, ou contra outros quaisquer, não importa, são sementes de violência latente. Todas as pessoas com ódios irracionais a povos, grupos, culturas, religiões, classes são potenciais terroristas. Porque odeiam tanto e têm esse ódio de pele que levado ao extremo de uma alucinação colectiva (agregados em grupo) poderia perfeitamente levar a barbáries. Ninguém se choca quando se ouve alguém dizer que odeia esta pessoa porque é deste grupo, deste povo, deste meio, desta raça, mas isso é o que sentem todos aqueles que fazem do terrorismo modo de expressão desse ódio. Cada um de nós devia combater esses ódiozinhos irracionais. Está em cada um de nós essa tarefa. Só assim os ódios colectivos se dissipam e não têm terreno fértil para prosperar. 

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A Europa sempre preparada para a crise que passou

por Maria Teixeira Alves, em 25.08.14

O que se passa fora da Europa é assustador e de uma gravidade incomensuravel, é para lá de todos os entendimentos para quem tem uma cultura ocidental. A Europa, virada sobre si mesma e distraída com as suas próprias contradições, não presta grande atenção às movimentações que se estão a processar. 

Vale a pena ler este artigo do Público, que começa assim: «Um velho e experiente diplomata português costumava dizer que a Europa estava sempre preparada para a... crise anterior. Esta simples frase resume razoavelmente a história da relação da União Europeia com o mundo desde que caiu o Muro de Berlim, varrendo de uma só vez as circunstâncias em que nasceu e se desenvolveu o projecto europeu»

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Sentido de humor do português

por Maria Teixeira Alves, em 22.08.14

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PT boa e PT má

por Maria Teixeira Alves, em 15.08.14


O que falta à Portugal Telecom é um Carlos Costa que a parta em duas e ponha de um lado os maus e do outro os bons!


 


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Ricardo Salgado já começou a pôr a nú tudo o que sabe, e sabe porque o viveu. A troca de mails revelada pelo Expresso, é apenas a ponta de um iceberg de compromissos, e acordo "de cavalheiros", que foram assumidos sem prova jurídica, ao longo do tempo. Sempre houve a sensação que a PT e o BES eram a união que faz a força. Para que a união fosse mais do que acordos tácitos entre os boards de ambas, há uma troca de participações accionistas a legitimar a confluência de interesses económicos. O BES controla 10,05% da PT e esta controlava 2% do BES.

O que revelam a troca de e-mails divulgada pelo Expresso? Revelam que a fusão com a Oi, serviu, entre outras coisas para resolver o passivo dos accionistas da Oi, em primeiro lugar. "Certamente que o Sérgio [Andrade] se lembra de que o Grupo Espírito Santo teria uma contrapartida equivalente ao benefício das holdings privadas brasileiras no aumento de capital". Terá escrito Ricardo Salgado ao, na altura, presidente do accionista da Oi - o grupo brasileiro Andrade Gutierrez. Que contrapartida seria essa? Bom o Pedro Guerreiro sabe que o aumento de capital da Oi, um passo para a fusão com a PT, serviu para os accionistas da empresa brasileira limparem as dívidas junto do banco BNDES. Em troca a Oi tinha prometido que a PT/Oi investisse o mesmo montante em papel comercial das empresas do GES. 

O mesmo mail segue dizendo: "tive o cuidado de falar com o presidente da Oi no ínicio das aplicações que têm vencimento a 15 e 17 de Julho, uma vez que deveriam ser sucessivamente renovadas por prazos de três meses até um ano a contar desde o inicio de Fevereiro". O presidente da Oi é Zeinal Bava. Ninguém pode jurar pela veracidade deste mail, a não ser os próprios, mas que entra pelos olhos adentro que um investimento de cerca de 900 milhões de euros não pode ter passado despercebido a Zeinal Bava, isso entra.

Continua o interessante e-mail, "Esse assunto foi também abordado pelo Dr. Amílcar Morais Pires na reunião de Steering Comitee de 14 de Abril, em Lisboa". Isto é, num comité de acompanhamento das negociações entre a PT e a Oi, onde estão todos os protagnistas da fusão das duas empresas. Amílcar Morais Pires sempre presente.

Claro que o Sérgio Azevedo, um brasileiro de gema, responde de uma forma diplomática e cheio de cuidados jurídicos. Vê-se logo que os advogados estavam a escrever o e-mail. "Prezado Ricardo, tenho a certeza de que o assessores da Oi estão procurando uma solução que minimiza ao máximo os danos da operação, decidida conforme facto relevante da PT, por seu comité executivo". E dá-lhe a tacada, a insinuar que não pode ter feito esse tipo de acordo (ilícito?): "creio que o seu e-mail faz referência a um mal entendido, pois os aportes de capital foram realizados na cadeia societária da Telemar [Oi] foram feitos, exclusivamente com bases em interesses legítimos das partes". 

A Andrade Guiterrez, tem a faca e o queijo na mão, porque não havendo nada escrito e contratado o acordo de cavalheiros, fica com eles. Morre com eles. E remata a reforçar que "Cabe ressaltar que os sócios brasileiros não tinham qualquer conhecimento dessa operação, realizada emtre a PT e o GES".

A saída de Henrique Granadeiro, que foi imolado como um cordeiro, é acompanhada de uma insinuação: "Convivo bem com os meus actos, mas não com os encargos e responsabilidades de outros". 

Cabe à auditoria forense à PT revelar quem se comprometeu com o quê?

Ricardo Salgado não sai bem deste caso, mas não é o único protagonista de negociatas.  

  

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