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O grande problema que aí vem

por Maria Teixeira Alves, em 24.08.15

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O grande problema da Europa, mais do que a falência da Grécia, ou do que a crise da China é a imigração ilegal que vem dos países como a Síria, Turquia, Afeganistão, Iraque, Eritreia e até do Bangladesh, e que entram desenfreadamente nas ilhas gregas, na Macedónia e Itália. É um problema humanitário e é um problema de segurança. Porque entre os refugiados podem estar membros dos terroristas.

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Pedro Adão e Silva e a criação de emprego

por Maria Teixeira Alves, em 20.08.15

Acabo de ouvir Pedro Adão e Silva a criticar Paulo Portas por este dizer uma verdade (que ele apelida de La palice) que é a de que são as empresas que criam emprego e não os partidos e os políticos. Ora, diz Pedro Adão e Silva, que Paulo Portas está a dizer que as políticas públicas são irrelevantes. Diz que Paulo Portas, que elogia o papel do Governo no aumento das exportações, está a dizer uma falsidade (aquela falsidade que antes começa por dizer ser verdade e não só verdade como verdade de La palice). 

Ora não é isso que Paulo Portas diz, ou quer dizer. As políticas dos governos têm impacto no mercado trabalho, claro, mas actuam directamente nas empresas, é isso que Paulo Portas quer dizer. Não é com políticas avessas às empresas que se cria emprego. As empresas criam emprego, mas se em vez de um governo reduzir o IRC, aumentar as políticas sociais, não tem condições para o fazer. O que Paulo Portas quer dizer é que a criação de emprego não é uma determinação directa do OE. Não é o Estado que consegue sozinho criar emprego. Pode aumentar o investimento público, e aí aumenta o emprego directamente, mas também se endivida para tal e mais tarde paga o preço da austeridade que terá de impor para corrigir as contas públicas. Não é por decreto que se cria emprego, é não impedindo os lucros das empresas, não impedindo a capacidade de financiamento das empresas, não criando situações que tornem as empresas avessas aos custos. É isso que Paulo Portas quis dizer e é por isso que António Costa, líder do PS, que apesar de ser socialista não é nada parvo, veio corrigir a promessa dos 207 mil empregos em 4 anos, Não pode prometer, até porque parte de um pressuposto que é um crescimento do PIB que muitos consideram irreal. É com políticas inteligentes que se leva as empresas a criar emprego. Não há nenhuma falsidade no que diz Portas, mas há alguma superficialidade no que diz Pedro Adão e Silva.

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Sinceramente é confrangedor ouvir a Ana Lourenço noticiar, a talhe de foice, todos os dias, mais uma falhazinha detectada pelos socialistas nos cartazes da coligação. Soa a léguas a vingança. Patético os factos que detectam que as fotografias são de um banco de imagem, ou que as fotografias foram usadas antes da formalização disto e daquilo, patético.  

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Ou a história é falsa, ou o protagonista é falso, ou ambos são falsos. Tipicamente à PS. Esta barraca dos cartazes é capaz de dar cabo das esperanças dos socialistas de chegar ao poder. Não há mais revelador do modus operandi deste partido que a histórias dos cartazes com histórias falsas e às vezes com caras falsas. Ora as datas dos cartazes apontam para o tempo de Sócrates, ora põem a cara de uma senhora a contar uma história falsa (a senhora não está no desemprego) tendo mesmo usado a fotografia para um cartaz sem autorização.

Mas nada disto é novo neste partido. Quem se lembra desta notícia em 2011?

"PS paga apoio com refeições"

Seguem José Sócrates para todo o lado, de norte a sul do País, em autocarros pagos pelo PS. Depois são usados para compor os comícios, agitar bandeiras, e puxar pelo partido, apesar de muitos deles não perceberem uma palavra de português e não poderem votar. Em troca têm refeições grátis. Trata-se de imigrantes provenientes da Índia e Paquistão, trabalhadores nas lojas do Martim Moniz, Lisboa, e na construção civil. Estiveram com José Sócrates em Beja, Coimbra e no comício de ontem em Évora, onde deram nas vistas ao exibir os seus turbantes. Até à porta da RTP, no dia do debate com Passos Coelho, realizado na sexta-feira, estiveram de bandeiras em punho.



 

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O Novo Banco e o déficit

por Maria Teixeira Alves, em 07.08.15

Há para aí muita informação e contra-informação sobre o impacto do deficit do Fundo de Resolução, caso a venda do Novo Banco se faça, como é esperado, abaixo do capital que foi injectado no Fundo que detém o banco bom do BES. Isto é, que seja vendido abaixo dos 4,9 mil milhões de euros. Vamos lá a ver...

O dinheiro do Fundo de Resolução é responsabilidade dos bancos e instituições financeiras do sistema português. O Fundo é relativamente recente e foi criado por regras europeias para que sejam os bancos a acautelar falências ou quase, das instituições financeiras do sistema (é mais ou menos como o Fundo de Garantia de Depósitos ou o Sistema de Indemnização aos Investidores). É por isso uma entidade pública, juridicamente falando, uma vez que é gerida pelo Banco de Portugal. 

Quando o Tribunal de Contas veio dizer que a diferença que venha a existir entre o capital injectado e o capital recebido da venda pode vir a ter de ser contabilizado no deficit público referia-se a isto: O Fundo de Resolução é público e fez uma transferência para um banco que depois da venda será privado. O deficit que daí resultar tem de ser contabilizado no deficit público de 2014 (ano da Resolução do BES). Mas esse acréscimo não conta para as metas de Maastricht ou da troika, é uma operação meramente contabilística. Isto é, não tem de haver mais impostos  e outras receitas para fazer face a esse acréscimo contabilístico do deficit. 

É importante dizer que este impacto não tem nada a ver com o empréstimo que o Estado fez (com a linha financeira da troika) ao Fundo de Resolução e que este deve ao Estado, sendo por isso uma dívida de todos os bancos e instituições financeiras do sistema. Mesmo que o Fundo tivesse capital suficiente (que as contribuições dos bancos acumuladas já fossem suficientes para injectar no Novo Banco), à mesma a diferença entre o valor da venda e o valor injectado pelo Fundo de Resolução no Novo Banco teria de ir ao deficit porque o Fundo de Resolução é uma entidade pública juridicamente e aplicam-se as regras gerais de registo de injecções de capital em empresas públicas.

Por outras palavras, o Fundo de Resolução é uma entidade pública, e ao pôr dinheiro no Novo Banco, por ser uma saída de dinheiro de entidade pública tem de ser contabilizada no deficit (de um único ano), mas como operação meramente contabilistica, não pesa nos contribuintes porque não altera o deficit que tem de servir de referência para a UE.

“Sem impacto” no défice caso a receita com a venda “for igual ou superior” ao montante injectado, ou, por outro lado, caso a receita for inferior “haverá um impacto negativo” no saldo, “correspondente à diferença entre o valor da injecção e o valor da venda”, já disse o Eurostat. Não tem nada a ver com o empréstimo que o Estado fez ao Fundo de Resolução.

O empréstimo do Estado é outro departamento.

O empréstimo terá de ser pago pelo Fundo de Resolução, isto é, pelos bancos do sistema.

São os bancos quem paga o deficit do Fundo de Resolução e a lei que rege esse pagamento é europeia. Ou seja, o Estado é que decide quanto é que os bancos em cada ano têm de contribuir (contribuições ordinárias e extraordinárias), uma vez que é um imposto. Mas a lei europeia impõe um tecto a esse imposto a cobrar aos bancos. Isto é, não pode de maneira nenhuma pôr em causa a solvabilidade dos bancos. Por isso o Banco de Portugal vai balizar essa contribuição anual que o Estado impõe aos bancos, de maneira a que não tenham de fazer aumentos de capital por causa disso. 

Não há nenhum prazo definido para esse pagamento porque depende obviamente destas condicionantes (o valor do gap da venda e a capacidade de os bancos pagarem o imposto que o Estado vai exigir). 

Desta forma, não é pela venda do Novo Banco que os contribuintes vão ser penalizados. Porque não há acréscimo de impostos, taxas, perda de regalias, perda de benefícios por causa disso. 

Só seriam afectados se a CGD fosse obrigada a fazer um aumento de capital por causa das perdas com a venda do Novo Banco (perdas essas mais do que esperadas).

Já não sei se haverá algum impacto por via do BES. Não sei quem vai suportar o buraco de (situação líquida negativa) de 2,4 mil milhões do velho BES.

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Se há uma coisa que sai das duas conferências de imprensa de apresentação dos resultados dos bancos é que quer o BCP, quer o BPI já sabem que o impacto que os bancos terão de assumir pela diferença entre o valor da venda do Novo Banco e o valor que o Fundo de Resolução deve ao Estado, vai ser pago através do imposto extraordinário que a banca paga e que já tem como destino o Fundo de Resolução. Será uma extensão dessa contribuição extraordinária que servirá para pagar esse GAP.

Mais, lê-se nas entrelinhas que o comprador pagará um valor nominal alto e que os ajustamentos a serem feitos ao preço serão à posteriori, depois das vicissitudes se confirmarem, e não à partida quando essas circunstâncias surgem apenas enquanto cenário.

Tudo ficará decidido a meio de Agosto. Os bancos, donos do Fundo de Resolução, sabem disso.

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Temos um Papa americano

por Maria Teixeira Alves, em 28.07.15

O Obama anda em visitas de Estado como se fosse o Papa, prega sempre qualquer coisa de moral (da sua) em cada país que visita.

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Ao menos isso

por Maria Teixeira Alves, em 22.07.15

PSD e CDS aprovam taxas moderadoras no aborto

Era uma vergonha as benesses que eram dadas para matar embriões. Uma vergonha!

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O socialista Hollande, e a sua equipe, propõem que o caminho da União Europeia passe por um Governo, um orçamento e um Parlamento comum. Mas apenas constituído pelos países fundadores: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda.

Ainda bem que foi Hollande a avançar com a ideia, se fosse a Angela Merkel era logo apelidada de nazi.

 

Reparem na notícia do Expresso:

«Revigorado com o seu recente papel determinante para a continuação da Grécia na zona euro, o Presidente francês François Hollande desenvolveu este domingo as suas propostas para “relançar a Europa” – a criação de um Governo da zona euro, com um orçamento comum e um Parlamento específico.

O chefe de Estado – que se exprimiu através de um artigo publicado no semanário “Journal du Dimanche” – falou no nascimento de uma “vanguarda” na zona euro “com os países que o decidirão”, mas sem desenvolver os contornos exatos das suas ideias.

Acabou por ser Manuel Valls, primeiro-ministro francês, que se encarregou disso, falando em Avignon, à margem de um festival de teatro a que assistiu na tarde deste domingo. Para ele, a “vanguarda” será composta pelos “países fundadores da União Europeia: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda”».

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Viva o Krugman e a sua versatilidade

por Maria Teixeira Alves, em 20.07.15

Acabo de ler que Paul Krugman, – o economista gauche que defendeu o Governo da Grécia contra os malvados países europeus que financiam a Grécia, o economista que enalteceu o referendo-Varoufakis, que veio para os jornais dizer que votaria não no referendo que votava as medidas inerentes a um terceiro resgate, – vem agora reconhecer que afinal “talvez tenha sobrestimado a competência do Governo grego”, durante uma entrevista à cadeia de televisão CNN.

O prémio Nobel da economia norte-americano, Paul Krugman, que se destacou como um dos mais virulentos críticos das medidas de austeridades impostas a Atenas, reconheceu hoje ter “talvez sobrestimado a competência” do Governo grego. Vai mais longe, quando diz que "nem calculei que pudessem tomar uma posição sem ter um plano de urgência, caso não obtivessem a ajuda financeira que solicitavam", explicou. Descobriu a pólvora, afinal os gregos são inconsequentes, porque fazem braço de ferro sem ter alternativa ao que combatem. “Acreditaram que podiam simplesmente exigir melhores condições sem ter um plano alternativo”, disse o Krugman. Viva a versatilidade. Ora se o tinhamos levado a sério...

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O PS no multibanco (greek style)

por Maria Teixeira Alves, em 19.07.15

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Porque o humor é soberano

 

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Top das preocupações mundiais

por Maria Teixeira Alves, em 16.07.15

ISIS é a maior preocupação em quase todo o mundo excepto na Turquia e no Pakistão que estão preocupados antes de mais com... as alterações climáticas. 

Polónia, "top concern": Russia

Israel top concern: Irão

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Não há remédio para a Grécia

por Maria Teixeira Alves, em 14.07.15

A Grécia há cinco anos comprometeu-se em assegurar a independência do instituto de estatísticas grego (ELSTAT) (tipo INE). É importante porque foram eles que martelaram os números da Grécia que os guiaram até aqui. Em todos os resgates os vários Governos gregos prometem cumprir esta medida e agora voltaram a prometer.

Eu aposto que à primeira avaliação da troika voltam a chumbar. Não há remédio para a Grécia. É um sorvedouro de dinheiro dos outros. Esta suposta nova austeridade serve apenas para obter dinheiro para os bancos no imediato. Não vai ser cumprida. Obviamente. Tudo é um teatro, assim como o referendo foi um teatro.

A solução para a Grécia é a ajuda humanitária tipo Banco Mundial, e a moeda dracma a acompanhar. 

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Moral da história

por Maria Teixeira Alves, em 13.07.15

O referendo da Grécia convocado pelo Governo do Syriza foi um mero golpe de teatro. Na verdade quando não há dinheiro, há falta de liberdade e de autonomia. Não podemos ter o melhor dos mundos. Gastar como queremos e precisar de pedir emprestado para gastar.

O resultado prático do referendo foi o despedimento do Ministro das Finanças grego. Nada mais do que isso.

Depois constata-se que quem manda na Europa são os Estados Unidos por causa do problema da segurança. A Europa sempre investiu em Estados Social e descurou a segurança, delegando essa tarefa nos Estados Unidos e agora Obama não quer a Grécia fora da União Europeia e a saída do euro poderia levar aí.

Foi uma ginástica olímpica, mas lá se conseguiu um acordo apalavrado entre a Grécia e os credores. Mas com austeridade claro. O Syriza engoliu um sapo e conseguiu um acordo de 86 mil milhões de euros que envolve um pacote "duríssimo" de austeridade.

Até quarta-feira, o Parlamento grego tem que aprovar medidas como o aumento do IVA e o alargamento da base tributária para aumentar as receitas fiscais, a reforma do sistema de pensões - incluindo a garantia da sua sustentabilidade a longo prazo -, o assegurar da independência do instituto de estatísticas grego (ELSTAT) e a aplicação integral das principais normas previstas do Tratado de Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária.

O acordo para um terceiro resgate foi alcançado por unanimidade e inclui ainda um fundo de 50 mil milhões de euros para pagar a recapitalização dos bancos, que será sediado em Atenas, mas deverá ser gerido por entidades europeias. 

Há privatizações de embarda.

Até dia 22 de Julho, os deputados em Atenas têm ainda que aprovar a adopção do Código de Processo Civil que inclui disposições que aceleram os processos judiciais e reduzem os seus custos e que transpor para a legislação nacional.

Em troca recebem a eventual reestruturação da dívida e o dinheiro que a bem dizer é fundamental.

Da minha parte, alheia a outros interesses, acho que se é para subsidiar a Grécia, então ajude-se humanitariamente e deixemo-nos de tretas de Grécia na eurozone. 

 

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Resultado do Referendo da Grécia

por Maria Teixeira Alves, em 06.07.15

Eurogrupo despede Varoufakis

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Afinal este referendo serviu para quê?

por Maria Teixeira Alves, em 05.07.15

"Greek ‘No’ does not mean Grexit, but better deal, Tsipras says

Isto é uma anedota. Então faz-se um referendo para obter o chumbo das medidas de austeridade, vence o não, e a consequência é que vão negociar medidas de austeridade?! Depois deste referendo Tsipras dizer que quer manter a Grécia no euro e que vai fazer tudo para chegar a acordo com os credores e que precisa de resolver o problema dos bancos (que estão sem liquidez). Afinal este referendo é um embuste, e serviu apenas para a popularidade do primeiro ministro grego?!

 

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Grécia: Jogo de sombras

por Maria Teixeira Alves, em 02.07.15

Tudo o que se tem passado na Grécia tem qualquer coisa de teatral. Há um jogo de sombras.Terão as negociações entre os representantes do Governo Grego e os representantes dos credores, Comissão Europeia, BCE e FMI sido verdadeiras negociações? Não me parece. Houve troca do que cada lado pensa e as exigências dos credores para darem mais dinheiro à Grécia, com os gregos a tourear os credores, porque estão protegidos pela certeza que na Europa ninguém quer expulsar os gregos e aliás não há na legislação forma de o fazer contra a vontade do Governo grego. A saída da Grécia do euro teria de ser feita por iniciativa desta, passando a emitir dracmas e a transaccionar nesta moeda.

Para os líderes gregos, uns rapazes que estão inebriados com os holofotes do mundo, esta situação dá-lhes a força negocial que o dinheiro, que não têm, não lhes dá. Por isso desafiam permanentemente os líderes do Eurogrupo. Quando tudo está à beira do colapso, Tsipras ainda atiça mais os gregos contra as medidas de austeridade e apela ao voto do Não no referendo de domingo. Para mostrar quem manda ali. Os gregos querem ficar no euro, mas se não lhes fazem a vontade votam em referendo contra a Europa. 

Pedro Passos Coelho confidenciou um dia que se fosse Alexis Tsipras estaria preocupadíssimo, porque não há dinheiro nos bancos, nem nos cofres do Estado grego para pagar salários da função pública, para pagar pensões, para já não falar em pagar aos credores. O problema é que com quase 200% da dívida publica sobre o PIB, a Grécia não consegue pagar, não consegue produzir (não exporta quase nada) e precisa de dinheiro. Portanto o que a Grécia quer é ser subsidiada pelos credores europeus, mas continuar com a sua irreverência, para não perder o charme.

Mas consta, que ao contrário dos credores ricos, e dos credores que têm cofres cheios, o primeiro-ministro grego não está preocupado. Todos estão preocupados com a Grécia menos Tsipras e Varoufakis. Quando hoje Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha, revelou que tinha pena do povo grego era disso que falava, dessa irreverência irresponsável dos seus governantes. Evidentemente que todos esperam um novo perdão de dívida à Grécia. Mas o problema é que a Grécia quer que lhe emprestem mais, mas para voltar a não pagar. De hair-cut em hair-cut até ao infinito. A Grécia nunca mais será autónoma financeiramente. Nunca mais voltará aos mercados, acreditem.

Mas o mais engraçado de tudo isto é ver que paradoxalmente a Grécia tem um dom raro: que é o de cativar a simpatia e a caridade. O mistério da emocionalidade. Não que a emocionalidade não seja provocada por interesses egoístas, que é, mas a Grécia tem o dom que algumas pessoas têm e outras não conseguem ter, que é o de inspirar a caridade, de inspirar a simpatia, de inspirar o amor. Não tem nada a ver com a razão. Muitas vezes quem tem razão não inspira o amor e não o consegue cativar. Mesmo que esteja certo e faça tudo bem.

As emoções (que nem sempre nascem de nobres actos) são um mistério insondável.

Todos querem ajudar a Grécia. Então assistimos a um fenómeno curioso: pessoas em todo o mundo estão a mandar dinheiro para a Grécia. Mesmo que nos seus próprios países se revoltem cada vez que os seus governos lhes peçam dinheiro (em impostos e taxas) para ajudar o país a pagar as suas próprias dívidas aos seus credores.  Mas a Grécia tem este dom, que não se explica. Qualquer líder se transforma num Che Guevara, e todos se apaixonam pela Grécia, que é um país pouco cumpridor e cheio de manhas. Até os credores cedem ao charme dos gregos. Não há país que tenha recebido tanta tolerância dos credores europeus como a Grécia, tanta benevolência. E perante tudo isto não pagam e querem mais dinheiro. Por seu turno os parceiros europeus, que é quem menos se devia preocupar, tentam a todo o custo manter a Grécia no euro. Vá lá a gente perceber isto.

Portugal não tem essa sorte. Ninguém se apaixona por Portugal e a caridade não nos bate à porta, A Irlanda não tem essa sorte. Não cativa o amor que os Gregos cativam. 

Noutros pontos do globo, a Islândia não cativou simpatias do mundo quando foi à falência. 

Mas os gregos sim, todos querem tirar os gregos do  sufoco que os próprios criaram, eles sabem disso e tiram disso vantagem.

Lucky Bastards!

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The world is going mad II

por Maria Teixeira Alves, em 29.06.15

Os facínoras do Estado Islâmico estão às portas da Europa. A Grécia à porta da rua do euro e em convulsão social. A Inglaterra céptica em ficar na União Europeia, que parece estar a desintegrar-se. A Rússia de Putin à espera para ver como se posiciona. Mas o Obama é um herói porque pôs os homens a casar com homens e as mulheres a casar com mulheres no seu país e sente-se o arauto do progresso.  Ena!

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Para quem defendia que havia alternativa à austeridade

por Maria Teixeira Alves, em 28.06.15

Ponham os olhos na Grécia, ponham. Ponham os olhos no que acontece a um país endividado que não quer austeridade porque não quer ceder a esse poder merkeliano. Ponham.

Nos países, tal como na nossa vida, a autonomia tem um preço, que é não precisar do dinheiro dos outros, ou pelo menos não precisar exclusivamente do dinheiro dos outros. É preciso criar condições para que isso aconteça, pelo menos, mais cedo ou mais tarde.

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The world is going mad

por Maria Teixeira Alves, em 27.06.15

The world is going mad, definitely!

Os gregos precisam do dinheiro dos credores e querem que os credores lhes emprestem a fundo perdido e sem regras de corte de gastos que permitam à Grécia pagar no futuro, e os maus da fita são os alemães. Os alemães que sofrem com o estigma do seu passado histórico são os carrascos, ninguém se lembra de ver que a Alemanha é vítima de preconceitos, tanto como outros que são oficialmente vítimas. Mas todos olham para coitados dos desorientados dos gregos, como desgraçados, como vítimas desses carrascos europeus, dessa Europa germânica. Os gregos são vítimas sim, mas deles próprios. 

Os analistas portugueses acham que Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque é que são maus governantes. Os gregos do Syriza eram bons, agora são mais ou menos, e se a Grécia ficar no euro, então passam a heróis e a argumento para crucificar o Governo da coligação. Este governo que tirou Portugal de uma situação à grega, que era onde estávamos em 2011, não se esqueçam, é que é mau. Porque bons são as políticas da tolerância, tolerância com os gregos. Tolerância essa palavra mágica que inebria e esconde as maiores injustiças. Tolerância aqui significa dar dinheiro à Grécia, a fundo perdido, e quem dá, são os contribuintes dos países maus, dos alemão, que para além de ricos ainda têm uma governante de direita. Imperdoável. 

Ainda agora ouvi alguém dizer que se a Grécia chegar a acordo com o Eurogrupo que Pedro Passos Coelho fica mal visto porque afinal podia ter negociado a austeridade. Apetece perguntar: mas por acaso queríamos estar na situação em que a Grécia está agora? Por acaso queríamos estar a referendar as propostas dos credores e em risco de sair da zona euro? Por acaso queríamos continuar a depender da caridade dos parceiros da União Europeia sem capacidade de nos financiarmos nos mercados? 

Se a Grécia sair do euro, saiu, pronto. No big deal.

Este mundo está de pernas para o ar. Basta olhar para as notícias da última semana para perceber que o mundo está a enlouquecer. 

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