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Hoje é dia de pensar nas crianças

por Maria Teixeira Alves, em 22.01.15

Hoje é dia de pensar no supremo interesse das crianças. As modas podem mudar mas só há filhos porque há pai e mãe. Essa realidade é imutável porque é a única verdadeira. Os filhos adoptados são crianças iguais às outras. Merecem ter direito ao mesmo. É nelas que se tem de pensar. Dar a cada criança um pai e uma mãe. Amar uma criança é querer isso para ela, não é querer tê-la sob a alçada custe o que custar. Tudo o resto são campanhas mais ou menos políticas e nada mais do que isso.

O PSD tem de ser responsável.

Tenho dito e aguardo o espírito Charlie que tantos apregoam para respeitar as opiniões divergentes. Elas são muito mais do que se pode pensar. A opinião da moda só domina nos jornais.

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Vejo que depois da notícia do Wall Street Journal que dá conta que os portugueses José Luís Arnaut e António Esteves intervieram de forma decisiva para desbloquear empréstimos e investimentos da Goldman Sachs ao BES em vésperas do colapso do banco, ficou tudo muito entusiasmado. Como se tivessem finalmente apanhado um do PSD a prevaricar. Ora não há aqui nenhuma prevaricação política. Se alguma coisa fez José Luís Arnaut foi dar maus conselhos à Goldman Sachs. Agora cabe ao banco norte-americano lidar com esse assunto.

Repare-se a história é esta:

A Goldman Sachs tornou-se accionista relevante do BES e emprestou 835 milhões de dólares (681 milhões de euros à data) ao banco português, quando já nenhum banco o fazia, ou seja, em Junho.

Já no meu livro O Fim da Era Espírito Santo eu referia a intervenção do Goldman Sachs por intermédio do seu gestor português, José Luís Arnaut: «Mas surgira também o norte-americano Goldman Sachs, certamente por ter como consultor José Luís Arnaut e este ter sido convencido a estudar a compra de uma participação significativa no BES. O banco norte-americano chegara a ter 2,27% do capital social do BES, depois de ter comprado a 15 de Julho acções do banco, para mais de 127,6 milhões. Por sorte conseguiram vender essas acções antes da derrocada de dia 31 de Julho…» e ainda: «Mas porque raio haveria o banco de investimento Goldman Sachs de querer comprar uma fatia do Banco Espírito Santo? Isso era deveras intrigante. Mas rapidamente surgiu à ideia a razão, Mas rapidamente surgiu à ideia, seria mais uma vez um espírito de missão de ajudar o país? Diz-se que o estudara porque fora feito um convite ao advogado e político José Luís Arnaut que é consultor do banco norte-americano. Se era mesmo assim ou não, não se consegue desvendar. No dia 1 de Setembro chegara, uma notícia por intermédio do Wall Street Journal. No dia 3 de Julho, quando o banco de Ricardo Salgado já não se conseguia financiar no mercado através dos meios normais e cada vez mais perto do colapso, quando os mercados já se fechavam para os títulos de dívida do banco, e se estava a esgotar o limite de financiamento junto do BCE, o BES encontrou um aliado em Wall Street, o Goldman Sachs emprestou 835 milhões de dólares (635,6 milhões de euros) ao BES, através de um veículo especial criado no Luxemburgo, a Oak Finance, para que o banco financiasse a construção de uma refinaria na Venezuela. Um lema parecia estar sempre pendurado na porta do BES: ajuda-me tu que eu te ajudarei. O BES financiava a construção de uma refinaria da Venezuela, e entidades ligadas à Petróleos da Venezuela compraram papel comercial da ES International no valor de 267,2 milhões de euros». 
José Luís Arnaut foi nomeado membro do comité de aconselhamento internacional da Goldman Sachs pouco tempo antes do colapso do BES, no início de 2014, "por causa da sua grande agenda de contactos", diz o WSJ. "Estabeleceu contactos com Ricardo Salgado" e "ofereceu a ajuda da Goldman para conseguir dinheiro emprestado". Já António Esteves, o português sócio da Goldman Sachs, reuniu uma equipa em Londres para "criar uma estrutura complicada para obter o empréstimo", escreve o jornal.

What´s the big deal? Ora se estão descontentes só têm uma solução: despeçam o advogado português. Fim da história. Se foi um mau conselheiro cabe ao banco norte-americano despedi-lo. 

 A Goldman Sachs e Banco de Portugal estão agora em conflito por este empréstimo ter sido transferido, no final do ano passado, para o "banco mau". Se a culpa é de José Luís Arnaut quem tem de lidar com isso é a Goldman Sachs. 

Mas o banco norte-americano não está propriamente isento de pecado. Reparem, a Goldman Sachs criou uma sociedade veículo, a Oak Finance, para estabelecer o financiamento ao BES. A Oak Finance terá sido usada para financiar um projecto na Venezuela de forma encapotada. Esse seria o interesse da Goldman Sachs: ganhar negócios da Venezuela com pele de BES. 

Aqui é que reside o busílis da questão. O importante é o esquema descrito aqui. O resto são detalhes sem importância. 

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Que país este!

por Maria Teixeira Alves, em 19.01.15

A PT sob a presidência de Zeinal Bava e pelas mãos de Rui Pedro Soares tentou comprar ou ter uma participação importante na TVI. Depois de uma guerra mediática entre Manuela Moura Guedes e José Sócrates.

O então presidente da comissão executiva da PT chegou a garantir na comissão de inquérito que o interesse na compra de uma participação minoritária na Media Capital era «estritamente empresarial».

Em 2010 Zeinal Bava dizia que Rui Pedro Soares entrou no negócio PT/TVI porque era o administrador «mais à mão» no dia 19 de Junho à entrada para uma reunião com a Prisa.

A Controlinveste foi a senhora que se seguiu. Os bancos (incluindo o BES) converteram créditos em capital. Logo a gestão dos jornais e da empresa sofreram alterações. O que até podia ser normal. O advogado que é o chairman da empresa é por coincidência o advogado de Sócrates, de Ricardo Salgado, entre outras. Agora surge a notícia que o Director do JN foi escolhido por Sócrates e concretizado pelo presidente da Controlinveste diz o Correio da Manhã.

Mas havia mais lugares no grupo Controlinveste em que houve tentativas de sugerir nomes dos quais não vou falar aqui porque ainda não foram notícia.

O BES financiou a compra de jornais, deu empréstimos sem qualquer racionalidade económica. Eu se for pedir 5 milhões para comprar uma casa que vale um milhão a mim ninguém me dá, mas a imprensa é uma área especial. 

Os jornalistas muito independentes e irreverentes começaram a ser mal vistos, quando não mesmo afastados. 

Não se sabe por que milagre, mas talvez este Governo, ou a troika também, tenham alguma coisa a ver com isso, mas de repente esse mundo começou a ruir. Ainda não acabou totalmente a queda, mas está nesse caminho.

Zeinal Bava já não está. Ricardo Salgado já não está. Os aliados de Ricardo Salgado no BES já não estão. Sócrates está preso. E as notícias e as escutas começam a trazer à luz do dia as ligações perigosas que estavam encapotadas. 

Este mundo era um lugar estranho. 

O mundo mudou e até às eleições ainda mudará mais. 

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Coincidências

por Maria Teixeira Alves, em 16.01.15

O esquema de offshores* usado na distribuição dos 27 milhões de euros das comissões dos submarinos teve dois objectivos: fugir ao fisco e esconder o rasto das verbas recebidas pela família Espírito Santo. «Foi com o objectivo de dificultar a informação sobre a distribuição do dinheiro e aproveitar melhores dias para trazer o dinheiro para Portugal», disse ontem na CPI Luís Horta e Costa, administrador da Escom. 

Diz mais: «Há uma lei aprovada aqui na Assembleia da República e foi essa que a gente aproveitou…» Essa lei, que classificou de “amnistia fiscal”, é o Regime Excepcional de Regularização Tributária (RERT). Criado pelo primeiro governo de José Sócrates, em 2005, este mecanismo tinha, para Luís Horta e Costa, a virtude de permitir «ocultar o mais possível esse tipo de transferências».

Ora a distribuição foi feita no fim de 2004 e em 2005 o socialista José Sócrates ganha as eleições e das primeiras medidas que toma é a criação do RERT...

Bem podem andar à procura de Paulo Portas que estão sempre a passar ao lado do verdadeiro malandro...

 

*O pagamento foi feito através de um fundo (Feltree) com sede no Panamá e criado pelo banco brasileiro Pactual.

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O triângulo PDVSA - BES - Goldman Sachs ou Bank of America

por Maria Teixeira Alves, em 14.01.15

António Souto explicou à deputada Mariana Mortágua, mas não foi bem entendido. Esta é uma operação complexa e que permitiu três coisas: que o BES financiasse as elevadas necessidades de tesouraria da PDVSA; que os intervenientes investissem em papel comercial do GES; e que os bancos norte-americanos financiassem a petrolífera venezuelana contornando o embargo dos Estados Unidos à Venzuela. 

Vejamos:

Mariana Mortágua falou de uma operação especifica de uma construtura chinesa e de uma operação com a Goldman Sachs. Mas essa foi apenas uma delas. Há outras feitas nos mesmos moldes com o Bank of America. 

O que se fazia?

A PDVSA precisava de pagar a fornecedores a um prazo longo, mais ou menos ao longo de três anos. O BES assumia o risco PDVSA para pagar aos fornecedores. Emitia cartas de crédito que garantiam o pagamento da PDVSA ao seu fornecedor. O BES assumia o risco PDVSA, mas não tinha liquidez e por isso estabelecia um acordo de contraparte com outro banco que assegurasse a liquidez e esse era a Goldman Sachs ou o Bank of America. 

Estas operações foram aprovadas em conselho do banco e dada a elevada exposição foram pedidos colaterais à PDVSA.

O que disse António Souto?

A certa diz que a Goldman Sachs quis tomar parte do risco e desta forma partilhou com o BES essa função. Dividiam as comissões. Mas por causa do embargo dos Estados Unidos à Venezuela, a Goldman Sachs não quis aparecer na operação e negociou com o BES uma operação de financiamento back-to-back. À medida que o BES era obrigado a financiar o fornecedor da PDVSA pedia à Goldman Sachs para desembolsar o dinheiro. Depois à medida que a PDVSA pagasse ao BES, mais ou menos ao fim de um ano e meio, o BES pagava à Goldman Sachs.

O que não disse António Souto?

Que estas operações com a PDVSA eram comuns, isto é, o financiamento a fornecedores da PDVSA. Algumas fizeram-se com o Bank of America em vez de ser com a Goldman Sachs. O circuito era o mesmo. O BES assumia o risco PDVSA ou partilhava-o com o banco contraparte, que disponibilizava a liquidez. Os bancos americanos é que ficavam no fundo a financiar a PDVSA sem o assumirem. Mais. Os fornecedores da PDVSA podiam receber mais cedo se investissem em papel comercial das empresas do GES. A PDVSA podia ter um desconto no pagamento da carta de crédito ao BES se investisse em papel comercial do GES o remanescente.

A proporção de dinheiro que em cada operação ia parar ao GES ia desde os 30% aos 50%. Isso ninguém disse. Mas era sempre aí que tudo ia parar. Muitas operações de financiamento de grande dimensão tinham por contrapartida um investimento na dívida ou capital da ESI, ES Control, Rioforte, etc.

 Outra coisa interessante que disse o administrador do BES que tinha o pelouro do crédito a empresas, é sobre o mesmo mecanismo das cartas garantia, mas desta vez aos clientes do BES Angola. Segundo António Souto a confirmação de cartas de crédito e sua liquidação nunca pesaram mais do que 500 milhões de euros num total de exposição de 3,3 mil milhões de euros do BES ao BESA. A desmentir Álvaro Sobrinho portanto.

Havia importadores angolanos que abriam cartas de crédito a favor de exportadores portugueses o BES confirmava as cartas de crédito. Os exportadores exportavam e o BES pagava aos exportadores. O BES debitava de seguida ao BESA esse dinheiro que tinha adiantado e este ia pedir o dinheiro ao importador angolano. Alguns, muitos, não pagaram, mas nunca estes créditos justificaram mais do 500 ou 550 milhões de euros. O BESA é que tinha de ir cobrar aos importadores angolanos. Essa responsabilidade de analisar o risco dos clientes era do BESA. 

Ou seja há muito mais do que o crédito a empresas exportadoras a justificar os créditos malparados do BESA. 

Mais uma vez é preciso ver que operações estão ligadas ao financiamento do GES.

Sendo que é conhecido que os accionistas do BESA eram também investidores na ESI, na Control, quiça Rioforte e ESFG. 

Sobre o argumento de o dinheiro nunca ter saído de Portugal que Álvaro Sobrinho, o rico angolano como se intitulou, usou para explicar que o crédito do BES ao BESA favoreceu o BES. António Souto riu-se do disparate: «O dinheiro estar cá ou lá é irrelevante o que interessa é a que balanço é que pertence»

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O complexo de culpa do Ocidente

por Maria Teixeira Alves, em 13.01.15

Culpa.jpg

O livro é de 2008, e o autor é Pascal Bruckner. Acabo de saber da sua existência e ainda não o li. Mas o título estava nas minhas notas para uma futura análise ao que se passa com a Europa e com os Estados Unidos, neste tempo em que eu vivo. Pensei sempre que há um complexo de culpa neste ocidente, desde o pós-segunda guerra mundial e que explica estes valores em que vivemos. Esta tirânia da compaixão pelas minorias e a tolerância com tudo o que soe a desfavorecido, quer o seja ou não. Olha-se para o Médio Oriente e o que se vê são os judeus ricos e os palestinos pobres, logo não há uma dúvida em que lado se está. A culpa leva a que os Europeus se projectem nas minorias e nos desfavorecidos. Os ocidentais só se sentem bem na identificação com os "fracos e oprimidos".

A paz e o bem estar no mundo ocidental criou um complexo de culpa na Europa tal (com o epicentro em França) que lhe deu para esta caridade por tudo o que mexe, e que vê tudo o que é diferente ora com paternalismo (uma soberba do avesso) ou com desconfiança pelo o que lhe soa superior. É uma forma de expurgar a culpa, parece-me, esta identificação com as causas das minorias. Assim assistimos ao exagero de ver em cada banqueiro um bandido e em cada emigrante (e quanto mais ilegal melhor) um mártir e santo. Em cada pessoa bonita, loira, bem sucedida, e inteligente recai sobre ela uma série de desconfianças. Já as minorias são imediatamente imaculadas. É o resultado de um complexo de culpa histórico.

Sempre achei isso e sempre achei que os Estados Unidos imitaram a Europa nessa mentalidade de ver tudo pelos olhos dos injustiçados. Este Ocidente que só consegue ver injustiça nos pobres e culpa nos ricos, injustiça nos diferentes e culpa nos comuns, é um Ocidente que se apaixona pelos supostos fracos e oprimidos e culpa os bem sucedidos. Há chavões e palavras criadas para condenar quem não alinha com estes valores.

Mas há uma tirania nesta visão deturpada. Por exemplo, se alguém se levanta a pedir para se ser mais rigoroso na recepção de emigrantes, atiram-lhes logo com as acusações violentas de xenofobia. É quase a fogueira dos tempos modernos a intriga e má língua. Mas quando se olha para categorias e não para pessoas há o risco de se ser cego aos detalhes.

Fomos assistindo a uma Europa que quer ser outra coisa, que quer ter outra pele, que recusa o passado.

O Ocidente despreza facilmente o cristianismo em que foi construído para se apaixonar e adoptar imediatamente um budismo. O Tibete faz as delicias deste Ocidente culpado, pois tem todos os ingredientes para fazer os ocidentais sentirem-se identificados e compreendidos.

Voltemos ao livro. O autor deste livro, tem outro que se chama A Tirania da Inocência, o que também é um título interessante.

Sobre «O complexo de culpa do Ocidente». O que diz o resumo do livro de Pascal Bruckner? «Todo o mundo nos odeia e eles têm toda a razão: é esta a convicção da maioria dos europeus e, a fortiori, dos franceses. Desde 1945 que o nosso continente vive dominado pelo tormento e pelo arrependimento. Martirizando-se com as atrocidades do passado, as guerras constantes, as perseguições religiosas, a escravatura, o fascismo, o comunismo, a sua História não foi senão uma longa cadeia de carnificinas, o que culminou nas duas Guerras Mundiais, ou seja, num suicídio fanático. Face a este sentimento de culpa, uma elite de intelectuais e políticos entrega os seus títulos e vota-se à manutenção da chama dessa culpa, à semelhança do que fizeram os guardiães do fogo: deste modo, o 'Ocidente' passou a estar em dívida para com tudo o que ele não representa, a ser suspeito em todos os acontecimentos, condenado a reparar todos os males. À medida que se vão remoendo, os países europeus esquecem-se que eles, e só eles, fizeram esforços para vencerem, reflectirem e se isentarem desta barbárie. E se o acto de contrição não fosse senão a outra face da abdicação?»

Voilá. Alguém já escreveu esse livro que eu um dia imaginei ao de leve.

P.S. Há apesar de tudo uma diferença entre a Europa e os EUA. Enquanto a Europa é hipócrita, porque defende as minorias em público e em privado continua a ser a mesma snob de sempre, os Estados Unidos levam a sério a defesa das minorias e são elas que dominam hoje, a política, a indústria da música, o cinema. Os Estados Unidos são hoje o paraíso das minorias.

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Polémica da moda

por Maria Teixeira Alves, em 10.01.15

O timing é importante. Virem AGORA falar do mau gosto da revista francesa Charlie Hebdo, é de igual mau gosto.

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O que há de importante sobre a Portugal Telecom?

por Maria Teixeira Alves, em 09.01.15

A CMVM considera, tal como o presidente da mesa da Assembleia Geral da PT, que a via de resolução da fusão com a Oi deve ser estudada, até porque a PT SGPS tem poder de veto e existem indícios de incumprimento da Oi suficientes para avançar com a quebra de contrato.

Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, defendeu isso mesmo em entrevista à Reuters: "Espanta-me que ninguém faça nada para travar esta fusão, que é uma tragédia para os accionistas da PT SGPS".

Mas há mais. A PriceWaterhouseCoopers (PwC) assumiu no relatório sobre as aplicações financeiras no Grupo Espírito Santo, que a Portugal Telecom (PT) lhe recusou vários documentos, que “há depoimentos contraditórios” e que o trabalho por si desenvolvido “não constitui uma auditoria conduzida de acordo com as Normas Internacionais de Auditoria”.

Algumas passagens do Relatório da PwC à PT (a tal auditoria forense encomendada pela PT SGPS:

Sobre os investimentos nas obrigações emitidas pelo GES (Grupo Espírito Santo):

1) Na informação recolhida junto da PT sobre obrigações BES não constava a taxa de juro ou a maturidade do investimento. [Para quê? Não era preciso para nada já que, fosse que taxa fosse ou maturidade fosse, o investimento tinha de ser feito]

2) Os investimentos na ESI foram feitos sem documentação informativa de base, a qual chegou apenas dias depois da subscrição. [Para quê, não era preciso informação já que o investimento era obrigatório na lógica que prevalecia ]

3) Para os investimentos na Rio Forte a documentação de 9 dos 10 investimentos feitos de Fevereiro a Abril de 2014 só chegou a 30 de Junho de 2014! [Para quê? Eram apenas formalidades ]

4) Os investimentos na Rio Forte ou na ESI foram feitos sem qualquer análise de risco.[Para quê? O risco era uma formalidade]

5) Em Maio de 2013 a PT emitiu €1.000 milhões de dívida para subscrever €500 milhões de obrigações da ESI. [ESI  já não a tinha capacidade para ir ao mercado... por isso tinha de ir... à PT]

6) Não fosse a necessidade de manter o financiamento à Rio Forte e a PT não necessitaria de um nível de endividamento tão elevado. [Para que servia a PT afinal? Para quê senão para financiar o GES]

Hoje parece claro que a fusão PT/Oi serviu para resolver o problema da dívida do GES e dos accionistas da Oi.

Mais. A PT SGPS pediu, por escrito, à PriceWaterhouseCoopers (PwC), para retirar do relatório final da auditoria ao empréstimo de 897 milhões de euros à Rioforte as referências a responsabilidade de actuais e ex-administradores na operação que se veio a revelar ruinosa para a empresa.

Na prática, a PT pediu para que fosse retirada a identidade de detentores de cargos em órgãos sociais da empresa, responsáveis pelos ruinosos actos de gestão, como constava de uma das primeiras versões do relatório, discutida no conselho de administração a 13 de Novembro.

Se os brasileiros da Oi sabiam da exposição da PT à Rioforte não se justifica a revisão das condições de fusão entre as duas empresas, aprovada em Setembro. A PT, que inicialmente ficava com uma participação de 37% da Oi, viu a participação cair para 25,6% na sequência do “buraco” gerado pelo investimento na Rioforte... Houve até administradores da PT que se bateram pela reversão das condições da fusão.

Caso Rioforte

O documento divulgado pela PT SGPS com as conclusões da auditoria da PwC às relações de financiamento com o BES dá conta de uma reunião entre a PT e o BES, em Março de 2014, sobre a renovação do investimento em papel comercial da Rioforte. Encontro onde estiveram presentes o administrador financeiro da PT SGPS, Luís Pacheco de Melo, o director financeiro da empresa, Carlos Cruz, e o administrador financeiro do BES, Amílcar Morais Pires.

À auditora PwC Luís Pacheco de Melo relatou "que o encontro ocorreu a pedido de Henrique Granadeiro [presidente executivo]". Amílcar Morais Pires disse que "a reunião aconteceu a pedido de Ricardo Salgado e ainda que este teria afirmado que, no essencial, já estaria tudo acordado sobre o tema entre Ricardo Salgado, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava". Este último era na altura já presidente da Oi.

A AG que decide a venda da PT Portugal à Altice é já na segunda-feira. A PT SGPS tem direito de veto, mas parece que não o vai usar, em troca recebe uma participação na PT Portugal em aliança com a Altice e fica com lugares na administração.

 

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Ironia trágica

por Maria Teixeira Alves, em 08.01.15

O último cartoon de Charb

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Argumento desonesto

por Maria Teixeira Alves, em 22.12.14

Disse Rui Silveira, ex-administrador do BES com o pelouro jurídico e de auditoria: 

Quanto ao papel comercial colocado na rede de retalhos, o risco era do emitente. E desata a ler o prospecto que foi entregue a quem comprou os títulos de papel comercial da ES International, falando dos seus riscos: “Não envolve qualquer compromisso ou garantia pelo BES, quanto à veracidade ou qualquer juízo de valor quanto à situação da entidade emitente.”      

Não há argumento mais desonesto do que este dos avisos em nota de rodapé em que se desresponsabilizam perante os clientes                                                                                                                          

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Álvaro Sobrinho e os segredos

por Maria Teixeira Alves, em 19.12.14

Álvaro Sobrinho: 'Faço parte de uma família com posses'

Álvaro Sobrinho contou quase tudo, e o que não contou deu pistas (sempre remetendo para o relatório da KPMG). Respondeu à questão sobre as misteriosas cinco empresas (de construção?!) que foram beneficiárias de crédito documentário (crédito por assinatura, chamado crédito por desembolso, para os quais não há contrato), diz-se de 1,6 mil milhões de euros – Socidesa, Sociedade de Desenvolvimento de Angola; Govest Empreendimentos; Saimo; Vaningo e Cross Fund remetendo sempre para o relatório da KPMG Angola e dizendo que não podia falar sobre clientes por causa do sigilo bancário. O que eram estas empresas? Álvaro Sobrinho não disse. Mas sobre a Vaningo, angolana, que comprou à ES International a Legacy Investments Asset Group por um valor simbólico de três euros, remeteu mais uma vez para o relatório da KPMG. Como que a dizer que a chave da sua propriedade se desvenda nos factos descritos no relatório da auditoria da KPMG à ESI (primeiro em Setembro e depois em Dezembro): Álvaro Sobrinho invoca sigilo para não responder à pergunta dos deputados sobre garantia concedida à empresa Legacy porque se trata de um cliente, “mas posso ajudá-lo. O relatório de auditoria da KPMG à Espírito Santo Internacional sobre os ajustamentos de Setembro de 2013 diz que o grupo vendeu a Legacy por três euros.(…) empresa que tinha uma situação financeira negativa. O documento conclui que há um financiamento contínuo do grupo (Espírito Santo) a esta empresa»

Dizem as más linguas que a Legacy era um banco mau da Escom e que a Vaningo, que a compra, tinha ligações a Ricardo Salgado. Aliás quem pediu a garantia do BESA ao BES foi a Vaningo, a empresa que teria comprado a Legacy em Dezembro de 2012 por três euros. 

Álvaro Sobrinho diz que não pode ir mais longe quando questionado sobre quem pediu ao BESA essa garantia. Destaca dois pontos fundamentais no relatório da KMPG: a Eurofin e a Espírito Santo Internacional (ESI). “Angola foi sempre um bode expiatório”

O relatório da KPMG descreve ajustamentos feitos pela auditora às contas da ESI, e cita a página 6. Houve ajustamentos ao passivo, mas também ao activo. Aqui, no activo, citou os ajustamentos Eurofin e sublinhou os ajustamentos a activos imobiliários angolanos, "os hipotéticos investimentos em Angola". Propostas de investimentos de 692 milhões de dólares e projectos de investimento de 1.136 milhões de dólares e ainda a Legacy, que foi vendida em 2012 à Vaningo. Estes ajustamentos feitos numa primeira fase (redução do activo), segundo Álvaro Sobrinho é que deitam abaixo a ESI. Só dos projectos imobiliários de Angola os ajustamentos eram de 1.800 milhões de euros, num total de 2.300 milhões. Numa segunda fase passa para 4 mil milhões porque há reavalização (ajustamento em baixa) ao valor das Rioforte, ESFG e Opway).

 Em Setembro de 2011 o BESA prestou uma garantia de 253 milhões de dólares ao BES, para que o BES concedesse um financiamento à Legacy Investments Asset Group (os juros foram pagos pelo GES). A correspondência trocada na altura entre o Banco de Portugal e a administração do BES, numa carta datada de 12 de Fevereiro, do BES ao regulador, Ricardo Salgado explicava que a situação da Legacy não era preocupante para o BES (banco correspondente), já que o financiamento de 253 milhões de dólares estava coberto pela garantia prestada pelo BESA. 

Álvaro Sobrinho parecia querer dizer que essa compra foi financiada, com garantia do BESA. Houve um financiamento à Vaningo quem pediu a garantia ao BESA foi a Vaningo. Se a Legacy era da ESI e a Vaningo de Ricardo Salgado isso significaria que a venda era intra-grupo, financiada pelo BES e garantida pelo BESA. Será?

Álvaro Sobrinho disse que o dinheiro que o BES emprestou ao BESA ficou em Portugal? Em parte eram cartas de garantia de crédito que eram dadas a empresas de direito angolano que exportavam. O BES era o banco correspondente do BESA. Logo as sociedades (a que acresce a Escom e outras sociedades de construção) recebiam o produto e o exportador para garantir que recebia do importador abria uma carta de crédito em Angola no BESA, mas essa carta-garantia tinha de ser confirmada por um banco de primeira linha que era o BES, logo se o importador não pagasse ao exportador era o BES que pagava, mas o crédito ficava registado no BESA

O crédito ficava no BESA, mas o BES é que emprestava enquanto banco correspondente. Mesmo a operação das obrigações, o dinheiro não saiu do BES para o BESA” e foi directamente para o Banco Nacional de Angola (BNA), “foi meramente contabilística”. Deste investimento de 1.500 milhões de euros, o BES recebeu 700 milhões de euros de juros, sugerindo Sobrinho que esta operação serviu para aumentar as receitas do BES. 

As operações com cartas de crédito também foi feita com a PDVSA (Petróleos da Venezuela) numa operação que em breve descreverei. Trata-se de um circuito ainda desconhecido. Finalidade? A mesma de sempre: financiar empresas da família. 

Notava-se muito a preocupação do angolano em proteger os nomes dos generais Kopelipa e Leopoldino. Notou-se também uma reserva em relação a criticar Ricardo Salgado, até parecia que tinha sido recomendado pelos angolanos a não criticar o ex-banqueiro português.

“Sabe se algum dos créditos ao BESA se destinavam a financiar o GES?” – Se forem entidades angolanas, reservo-me o direito do sigilo bancário (angolano), não-angolanas não”, garante Álvaro Sobrinho. Ora o GES estava cheio de accionistas e investidores angolanos (É o próprio Álvaro Sobrinho que o confirma quando lhe perguntam se é um dos accionistas).

Há um outro assunto enigmático. O BESActif e (gestora de fundos de investimento e José Guilherme). O deputado do PSD, Carlos Abreu Amorim (o ilustre jurista, como lhe chamou Ricardo Salgado) pergunta e diz: «O construtor José Guilherme tem alguma relação com a BesaActif (uma empresa que era liderada por Álvaro Sobrinho)?  O deputado diz que foram transferidos quase mil milhões de dólares sem qualquer garantia real.

 “São aquelas coisas muito complexas de responder porque em relação a essa matéria também estou obrigado pelo regulador angolano ao sigilo”. Mas Álvaro Sobrinho diz que esta sociedade tinha um fundo chamado Fundo Valorização, quase totalmente subscrito pelo BESA. “Estes fundos investiam em imóveis, eu não posso fazer desagregação dos clientes que beneficiaram destes imóveis”.
 

“O dr. Ricardo Salgado sabia da existência do BesaActif?” – “Sabia, sem dúvida, e conhecia quem eram os clientes, garante Sobrinho. “É óbvio que sim”, que este era um dos muitos fundos imobiliários sobre os quais Sobrinho e Salgado falavam nas suas reuniões mensais.

Sobre a idoneidade de Álvaro Sobrinho, perguntaram-lhe. Disse que não perdeu a idoneidade. Ora a idoneidade só se avalia em funções de gestor bancário. Álvaro Sobrinho saiu da gestão do Banco Valor, por isso a idoneidade deixou de ser avaliada. 

 

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Reality Show Espírito Santo

por Maria Teixeira Alves, em 15.12.14

Confesso que não consigo ver na Comissão Parlamentar de Inquérito outra coisa se não um reality show. Não sei se faz muito sentido estas comissões serem transmitidas em directo. Qual é a utilidade disto? Será que fazem sentido estas comissões?

Ricardo Salgado, arguido, explica-se ao público e aos jornalistas e tenta criar uma onda de indignação política e pública contra o Governador Carlos Costa, e indirectamente contra a Ministra das Finanças e contra o Primeiro Ministro.  

Carlos Costa, que o está a investigar, viu-se obrigado a escrever uma carta para desmentir Ricardo Salgado. O banqueiro reage com carta reafirmando o que disse. Esta troca de encíclicas é um paradigma do estado de reality show a que o assunto chegou.

José Maria Ricciardi foi atirar uma pedrada ao charco, foi desmentir Ricardo Salgado, foi acusar a família de não o ter apoiado a tirar Ricardo Salgado da chefia do BES, foi desabafar com sinceridade sobre a sua mágoa e foi-se defender da acusação de traidor (limitou-se a cumprir o dever de diligência) e foi-se defender da suspeita da solidariedade enquanto administrador. 

Amílcar Morais Pires foi ajustar contas (a meu ver foi a pior prestação, mostrou facetas menos boas). Veio dizer que Ricardo Salgado diz que não mandava mas mandava. José Maria Ricciardi era do risco e tem culpa. Joaquim Goes era responsável do risco e também assinou as emissões de obrigações (a partir do BES Londres) que descapitalizaram o banco. Parecia estar sempre a dizer olhem para aqueles e não para mim que subi a pulso no banco. O CFO que queria ser o sucessor de Ricardo Salgado (apesar da "tempestade perfeita" que se aproximava) vem agora dizer que era praticamente um mero gestor da carteira de dívida soberana. Isabel Almeida, sua subordinada directa, era afinal autónoma e até reportava a Ricardo Salgado muitas vezes e até a venda do papel comercial das empresas falidas do GES aos clientes do BES era afinal culpa dos gestores dos balcões. Depois tentou rebater os deputados com a soberba do conhecimento técnico. Sabendo que os deputados não são especialistas tentou ridicularizá-los como estratégia de defesa. Lamentável.

Pedro Queiroz Pereira teve muita graça. Aproveitou a arena para revelar o que pensa de Ricardo Salgado, para explicar o quão mais esperto que o banqueiro é. Disse que avisou José Maria Ricciardi da situação dramática (ainda sem saber  o passivo escondido) que ameaçava o BES. Foi brilhante na maneira como se demarcou daquele mundo da política, e até se fez de desentendido (é tão bom passar por parvo sem ser) quando ouviu o deputado do PCP no seu melhor estilo de camarada chamar Fernando Ulrix ao Fernando Ulrich. 

Fez a piada do dia quando desmascarou as boas intenções de Ricardo Salgado quando comprou as participações da irmãs do industrial na Semapa. Ajudar as minhas irmãs? As irmãs dele ficam à noite a fazer bolos para restaurantes e ele não se preocupa com isso

Não faltou quem fizesse logo a graça de dizer que é Pêquêpê quem come os bolos todos das irmãs Salgado. 

Agora vem aí Manuel Fernando e José Manel Espírito Santo, depois Álvaro Sobrinho (que irá explicar onde pára o dinheiro do BESA, se tiver liberdade, autonomia e coragem para isso) e ainda vamos ter o contabilista Francisco Machado da Cruz que deverá dizer como é que conseguiu esconder aquelas dívidas todas.

Pelo meio surgem os deputados, verdadeiros gladiadores, autênticas estrelas deste show. As perguntas são pertinentes. O confronto é espectacular. Isto tem todos os ingredientes de um espectáculo.

É um verdadeiro circo romano esta comissão de inquérito. Um autêntico reality show. Imperdível porque tem o glamour da história de uma família de banqueiros que remonta ao século XIX. Melhor que Downton Abbey.

 

 

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Commissaire aux comptes

por Maria Teixeira Alves, em 11.12.14

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Francisco Machado da Cruz ofereceu-se para ir à Comissão Parlamentar de Inquérito responder. O homem que possui a chave da derrocada do Grupo Espírito Santo é fundamental para perceber tudo sobre o GES.

Há muitas perguntas a fazer ao contabilista da ES International, entre elas:

1 - Quais eram os vários cargos que desempenhava nas empresas do GES? 

2 - O que era e o que fazia a ES International, ou seja, qual era a actividade desta sociedade?

3 - Que tipo de operações fez na ES International? 

4 - Como escondeu o passivo?

5 - Quem lhe pediu para fazer essas operações?

6 - Com quem discutia as contas?

7 - Qual era o papel de Ricardo Salgado na gestão da ESI?

8 - Qual era o papel de José Castella na gestão da ESI?

9 - Quais são os accionistas da ESI?

10 - Os accionistas da ESI recebiam crédito dos bancos do grupo para ir aos aumentos de capital?

10 - Qual é a relação da ESI com a Control? Financiou-a?

11 - Há quanto tempo fazia operações para esconder passivo?

12 - Porque nunca consolidaram as contas?

13 - Qual a relação da ES International com a Eurofin? Há cerca de 800 milhões que foram pagos pela ESI à Eurofin, porquê?

14 - Quando se demite? Porque é que se demite nessa altura e porque assume as culpas sozinho? 

15 - Ricardo Salgado prometeu-lhe uma indemnização? De quanto? 

16 - Sabemos que não recebeu logo a indemnização, recebeu mais tarde?

17 - Porque muda de depoimento entre as declarações aos advogados e as declarações à comissão de auditoria da ESFG?

18 - Quem financiava a ESI? 

19 - O que era a ES Enterprises? 

 

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Com a verdade me enganas

por Maria Teixeira Alves, em 10.12.14

Vinha com alvos marcados. Carlos Costa (Governador do Banco de Portugal); Pedro Passos Coelho e a Ministra das Finanças. Vinha também mentalizado para não atirar à família, quase conseguiu. Enquanto assisti na televisão, Ricardo Salgado fugiu sempre às perguntas sobre José Maria Ricciardi e assim foi durante toda a tarde. Ao fim do dia fui ao Parlamento assistir ao vivo. Logo por coincidência foi nessa altura que se deu o rompimento do compromisso de não agressão. As promessas foram feitas para se quebrarem e Ricardo Salgado lá perdeu às tantas as estribeiras com as questões sobre as denúncias do primo ao Banco de Portugal. «O doutor Ricciardi teve um comportamento, no mínimo, curioso face ao que deveria ter tido. Se José Maria Ricciardi fez alguma denúncia ao Banco de Portugal é capaz de ter tido alguma contrapartida por isso». «Infame», respondeu mais tarde o primo. 

"As denúncias ao Banco de Portugal decorrem do dever de diligência que compete a qualquer administrador", justificou José Maria Ricciardi.

Ricardo Salgado, nunca perdeu a calma, manteve o mesmo estilo de sempre, agora menos eficaz, é certo, de elogiar os adversários, para os aveludar. O mais óbvio em Ricardo Salgado é a educação perfeita que passa quase a fronteira para uma espécie de um cinismo cómico. Carrega-se de elogios aos adversários a fazer lembrar as crónicas de Camilo Castelo Branco.

Ricardo Salgado aproveitou todas as oportunidades para atingir Carlos Costa. Apostou em duas coisas: na quantidade de críticos ao Governador que se acumulam pelas perdas do caso BES e na vontade dos deputados da oposição de entalar Carlos Costa como forma de fragilizar o Governo. Apostou ainda nos lamentos de Vítor Bento e da sua equipe à Resolução do BES. «O BES não faliu, foi obrigado a desaparecer». De todas as coisas que disse quase todas iam parar ao Governador do Banco de Portugal esse seu grande inimigo, esse grande inimigo do BES. 

As mais evidentes são quando diz que "nunca o Governador me disse que me queria retirar idoneidade". O Governador acabou por desmentir Ricardo Salgado por carta à Comissão de Inquérito. Esta afirmação é paradigmática da táctica de Ricardo Salgado. Carlos Costa nunca lhe disse de caras e de frente: saia do BES porque não lhe vou dar a idoneidade agora que fui chamado a reavaliá-la por causa das eleições no BESI. Por isso a frase de Ricardo Salgado não é inventada. Mas evidentemente que a insistência de Carlos Costa em mudar o modelo de Governo, a insistência para que fosse em Maio (depois adiado para depois do aumento de capital), a insistência em tirar a família do board do BES, a dificuldade em revalidar a idoneidade aos administradores da família no BESI (mais tarde revalida-a apenas para José Maria Ricciardi), eram sinais evidentes de que a idoneidade estava em causa. Aliás o pedido de pareceres jurídicos a catedráticos, apoiado em jurisprudência do STA, a defender a sua idoneidade é a prova cabal de que havia a ameaça de perda de idoneidade. 

«Nunca por nunca pus obstáculos à mudança de Governance» disse o banqueiro. Mas a verdade é que em Maio estava a dizer que não sentia que devesse sair do BES, numa entrevista no Jornal de Negócios. 

Depois quando aceitou ser sucedido sugeriu Amílcar Morais Pires. Aproveitou para entalar o Governador dizendo que nunca Carlos Costa vetou o nome do CFO para presidente do BES. Citando de memória que Carlos Costa sempre lhe garantiu que era competência sua a escolha do sucessor. Mais à frente diz que levou dois nomes ao Governador: Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes e acaba por revelar uma coisa que contraria o que tinha dito anteriormente sobre a aceitação de Morais Pires. Diz que o Governador lhe disse que a área da supervisão preferia Joaquim Goes. Mas Ricardo Salgado argumentou com a instabilidade financeira e com a aproximação de um aumento de capital do BES para defender Amílcar Morais Pires como CEO. Ou seja, Joaquim Goes estava ali para disfarçar.

Ricardo Salgado nunca desarmou na sua luta contra o Governador, disse que, depois de Março de 2014, o Banco de Portugal iniciou "persuasão moral" para a sua saída da liderança do banco. Mas que seria mais uma pressão. O que contraria a ideia anterior que nunca soube que o Banco de Portugal queria que saísse, se soubesse «tinha saído na hora». «Bastaria um sinal [do Banco de Portugal] para eu abandonar a liderança do banco». Penso que não faltaram sinais.

"Um nome pode ser apagado da fachada de um banco, mas não da memória de uma família com 145 anos" e "Lamento que se tenha trocado uma marca com 145 anos por uma marca branca", foram as frases célebres do Ricardo Salgado. 

Depois desmentiu que fosse o autor da falsificação das contas da ES International: "Posso garantir aos senhores deputados que nunca dei indicações a ninguém para ocultar passivos do Grupo". Francisco Machado da Cruz é que escondeu o passivo. O contabilista da ESI chegou a garantir que Ricardo Salgado sabia desde 2008 da ocultação de passivos do grupo, mais tarde disse o contrário na comissão da auditoria da ESFG, voltou à mesma tese inicial nas declarações ao Banco de Portugal e ao Ministério Público. 

Ricardo Salgado diz que o contabilista fez isso para bem do grupo. É caso para dizer que o contabilista deu um jeitão.

Bom, aqui voltamos ao com a verdade me enganas. Poderá Ricardo Salgado ter pedido para esconderem passivos? Talvez não. Mas poderá ter pedido ao Francisco que visse uma maneira de não serem (BES) intervencionados pelo Estado. Francisco Machado Cruz quis agradar, e Ricardo Salgado gostou de ser agradado. Sem se comprometer com medidas concretas.

Sabia das dívidas escondidas? Muito provavelmente sim.

Sabia que as contas da ESI não eram consolidadas? Sabia.

 

Foi no entanto desmentido rapidamente por José Maria Ricciardi que diz ter falado com Francisco Machado Cruz, em Lisboa, e que este lhe disse que não actuou por sua iniciativa. Depois de Ricardo Salgado ter falado, Francisco Machado Cruz, que estava incontactável, apressou-se a contactar a Comissão de Inquérito e vai lá. O circo vai pegar fogo.

No dia a seguir Pedro Queiroz Pereira disse que discutiu várias vezes a falta de consolidação de contas nas holdings Espírito Santo com Ricardo Salgado, desmentindo assim o que disse ontem o banqueiro. 

Outra contradição. Ricardo Salgado disse que nem sabia que estava a ser gravado. José Maria Ricciardi apressou-se a ironizar. «Acho extraordinário não se saber, pois as reuniões do Conselho Superior eram gravadas no centro da mesa, onde havia um gravador visível». José Castella usava as gravações para fazer as actas. 

 

Várias vezes, o ex-presidente do BES disse que "ninguém se apropriou de um tostão, nem na administração, nem na família", penso que ninguém acha que houve uma apropriação pessoal de dinheiros por parte da família. O problema é outro, é até onde se foi e o que se fez e quantas pessoas se prejudicou para manter o Grupo Espírito Santo nas mãos da família. 

Ficámos a saber também que não houve nenhum político a receber uma comissão pela venda dos submarinos, com muita pena da oposição. "A garantia que tenho dos administradores da Escom é que não foram pagas comissões a quem quer que seja a nível político", disse.

De Angola e do caso BESA pouco se soube. O banqueiro argumentou com uma regra bancária angolana de obrigatoriedade de sigilo.

Ricardo Salgado disse também não se lembrar de quem eram os accionistas minoritários da ESI. Eu não acredito nisto.

Parece haver uma protecção aos generais angolanos em todo o discurso de Ricardo Salgado.

Álvaro Sobrinho vai à comissão responder aos deputados. Mas terá liberdade para falar do que se passou o BESA? Eis a questão. 

"Houve um erro de julgamento na indicação da pessoa que foi para Presidente da Comissão Executiva do BESA [Álvaro Sobrinho]", disse Ricardo Salgado, sugerindo que foi atacado pelos jornais (Sol e i) que são detidos pelo empresário angolano. A propósito disto disse que ter jornais ia contra a "tradição/regra" do grupo BES, disse o banqueiro lembrando que "apenas" tinha ajudado Balsemão a montar a SIC e o coronel Luís Silva com os jornais DN e JN. Sobre isto não comento. 

Ricardo Salgado revelou ainda que foram feitas ameaças físicas quando teve de tirar Sobrinho do BESA.

O banqueiro atirou a matar também ao primeiro ministro Pedro Passos Coelho porque este recusou dar-lhe uma ajuda ao GES - uma ajuda "temporária". Passos Coelho devolveu a carta enviada por Ricardo Salgado quando em Março o quis alertar para o risco sistémico e os riscos de Angola perder a garantia bancária. 

Ricardo Salgado tem a convicção profunda que estiveram a um passo de salvar o Grupo. Faltou o aumento de capital da Rioforte que esteve quase a ser concretizado. "A sentença de morte veio quando não foi possível fazer o aumento de capital da Rioforte", disse. Enfim, a mesma convicção que o levou a meter toda a gente à última da hora naquele buraco. O ring fencing é que matou o GES, pensa e diz Ricardo Salgado.

"Perdoarão pois que ouse continuar a pensar que, modestamente servi, com idoneidade, nas tarefas que me foram confiadas no exercício da minha profissão ao longo de 40 anos", disse o banqueiro. 

 

Ricardo Salgado recusou mais uma vez falar sobre os 14 milhões recebidos do construtor José Guilherme, invocando segredo de justiça (nunca o Monte Branco lhe deu tanto jeito). Mas disse que o construtor era seu amigo desde os anos 70 e que é mais credor do que devedor do BES. 

Faltou falar sobre os clientes. Porque é que depois de ser conhecida a proibição da venda de papel comercial aos balcões do BES a ESFG continuou a distribuí-los nos seus bancos da Suíça, Dubai, Miami, etc? Ninguém parece quer saber dos clientes. 

Faltou ainda perguntar a Ricardo Salgado porque é que a Tranquilidade investiu em papel comercial da Rioforte acabando por levar a companhia a uma situação de insolvência? De quem partiu a ordem para esse investimento e a quem foi dada?

 

Ricardo Salgado explicou e bem, e depois José Maria Ricciardi completou, o circuito das obrigações de longo prazo a cupão zero. O acordo de recompra foi já executado no reinado de Vítor Bento. A recompra permitiu salvar os clientes que estavam numa SPV do Crédit Suisse e por isso não iam ser abrangidos pela provisão imposta pelo Banco de Portugal. Mas porquê aqueles clientes? Porque não todos? Quem eram aqueles clientes que Ricardo Salgado teve a preocupação em salvar, criando um buraco no BES de 780 milhões?

«O BES não faliu. O BES foi forçado a desaparecer». Foi forçado? A tese é que as provisões eram exageradas para criar um prejuízo de 3,6 mil milhões de euros no BES, o que levou à situação de insolvência do banco (capitais abaixo dos mínimos). Mas e a que se devem tantas provisões?

É preciso não esquecer que as provisões foram recomendadas pela auditora. 

Outras frases a reter:

"Tenho uma carga pesadíssima em cima de mim. Há responsabilidades do nosso lado. Mas também há responsabilidades de outros lados", disse sem explicar para não atacar a família. 

"Nunca fui uma pessoa presunçosa", disse o banqueiro e isso parece-me bastante sincero.

 "Esta classificação do 'dono disto tudo' é irrisória. Para mim, 'dono disto tudo' é o povo português", é uma frase de campanha. 

 

José Maria Ricciardi veio a seguir com aquela sinceridade desconcertante que eu descrevo no meu livro (que aliás tem muito do que se tem revelado nesta comissão de inquérito). Pedro Queiroz Pereira chega a dizer que é uma pessoa aberta «não tão aberta como José Maria Ricciardi», disse em tom irónico. Por aí podem ver a fama que o banqueiro Ricciardi tem. Mas a verdade é que Pêquêpê também disse aos deputados que as irmãs de Ricardo Salgado faziam bolos para fora, o que não abona nada a favor da discrição. É certo que foi dito para desmentir as boas intenções de Ricardo Salgado em ajudar as irmãs, quando entrou pelas holdings Queiroz Pereira a dentro. Na verdade para Pêquêpê, que disse que Ricardo Salgado tinha um problema com a verdade, o banqueiro queria era usar o cash flow das suas empresas para salvar o universo GES então enterrado em dívidas, e ainda nem se tinha descoberto o passivo oculto. Mas é preciso que se diga que Ricardo Salgado sempre ajudou as irmãs. Pedro Queiroz Pereira não tem razão aqui.

As audições de Álvaro Sobrinho e de Francisco Machado da Cruz serão muito importantes. 

Os motivos políticos que precederam esta comissão correm o risco de ficarem esvaziados. 

 

 

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Um pergunta para Vítor Bento

por Maria Teixeira Alves, em 02.12.14

Ao ler esta frase de Vítor Bento (por quem tenho um respeito e admiração inquestionáveis): "Eu ainda hoje não sei se havia investidores privados", não pude deixar de fazer logo esta pergunta: Mas como é que havia investidores privados para um banco que de repente tinha 3,6 mil milhões de prejuízos e tinha um rácio de capital de 5% abaixo do mínimo legal. Como é que o banco voltaria à vida sem um aumento de capital para aí de 7 mil milhões de euros?

É que sem a Resolução teríamos um banco com imparidades acima de 4 mil milhões de euros, uma participação maioritária num banco em Angola falido e a precisar de capitais. Uma série de bancos por esse mundo fora falidos e com litigâncias (por exemplo Miami). Quem é que ia comprar o BES nessas circunstâncias?

Infelizmente a gestão de Ricardo Salgado e dívida galopante contraída pelo Grupo familiar que sustentava o BES estava disseminada por todos os bancos do Grupo.O Grupo BES (o que inclui os bancos dos BES, já sem contar com os bancos da Suíça e Dubai que eram da ESFG) era um queijo suíço. Assumir aquele banco por inteiro representava pôr mais dinheiro do que aquele que estava disponível na linha da troika para ajudar bancos. 

Ia ser impossível uma solução totalmente privada para o BES. Se já assim é difícil vender o Novo Banco, imaginem o BES!

O que Vítor Bento esperava e todos preferiam era uma solução mista, entre investidores privados e linha de capitalização sob a forma de Coco´s. Se o Estado assumisse todo o risco talvez houvesse um privado a alinhar na aventura. Mas isso era um enorme risco para o Estado, porque a probabilidade de o banco não pagar ao Estado ia ser enorme e acabaria numa nacionalização. 

P.S. Fui alertada para o contexto da frase. O contexto é este: Vítor Bento disse «Nós não dissemos que não haveria investidores privados interessados porque, em rigor, eu ainda hoje não sei se haveria ou não. Não tive tempo de averiguar. Só sei que nunca disse que não havia».

Está reposta a semântica :)

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Só com Sócrates é que se indignaram

por Maria Teixeira Alves, em 28.11.14

Alguém se insurgiu contra a violação do segredo de justiça nas buscas de hoje ao BES? 

Até estranhei, já me estava a habituar a indignações.

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Este país era uma Sicília

por Maria Teixeira Alves, em 24.11.14

1- Ricardo Salgado deixou as instalações do Central de Instrução Criminal sob caução, de três milhões de euros. O ex-presidente do BES seguiu para casa como arguido, sob acusação de burla, falsificação de documentos e branqueamento de capitais e abuso de confiança, após cerca de sete horas de audição.

2- Três dos arguidos no caso dos vistos gold estão em prisão preventiva desde sexta-feira à espera de uma decisão do juiz de instrução criminal Carlos Alexandre para saberem se podem ir para casa com pulseira electrónica. Ex-director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras deverá ir para casa com pulseira electrónica, tal como ex-secretária-geral do Ministério da Justiça e empresário.

3- José Sócrates vai aguardar julgamento em prisão preventiva. O ex-primeiro-ministro é acusado de fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais, no âmbito de um processo por crimes económicos. Esta é a primeira vez que é aplicada prisão preventiva a um ex-primeiro-ministro em Portugal.

4- Duarte Lima foi hoje formalmente acusado de homicídio pelo Ministério Público brasileiro. Na acusação, a que a SIC teve acesso, o ex-deputado é apontado como o autor dos disparos que mataram Rosalina Ribeiro. O Brasil quer a prisão preventiva de Duarte Lima e já pediu à Interpol para pôr o nome na lista dos procurados internacionais, ao abrigo do artigo 121 do Código Penal brasileiro. Isto porque não existe acordo de extradição entre Portugal e Brasil.

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O fim da Era Sócrates

por Maria Teixeira Alves, em 23.11.14

O Grupo Lena começa a soar campainhas pela primeira vez em 2009, quando toda a gente falava de um novo jornal de um belo design que surgiria no mercado, na altura com uma equipe de jornalistas de luxo. Quem seria o dono do jornal I, quem seria? Todos se perguntava. Era um grupo de construção de Leiria denominado grupo Lena o dono do jornal I. Ninguém estranhou na altura que um grupo de Construção fosse o dono do I. O novo jornal diário generalista da imprensa portuguesa, cujo primeiro número foi lançado em 7 de Maio de 2009, viria a ser vendido em Junho de 2011 a Jaime Antunes.

Hoje vem se a saber das ligações entre o Grupo Lena e Sócrates e reparem na coincidência, 2009 é quando Sócrates precisa de ganhar o segundo mandato e 2011 é quando Sócrates sai do Governo, chega a troika e Pedro Passos Coelho, por esta ordem.

O grupo Lena foi uma das empresas que mais beneficiou das viagens oficiais do governo liderado por Sócrates, tendo ficado famosos os contratos assinados na Venezuela, ainda durante a presidência de Hugo Chavez. O ex-administrador do grupo Lena, Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Ferreira e João Perna, motorista, foram os outros detidos, a par com Sócrates, segundo uma nota da Procuradoria-Geral de República.

Estão a ver o estilo? PT tenta comprar TVI, Grupo Lena com jornais, etc, etc, etc, não falemos de outros casos.

Este estilo Sócrates/Salgado está a acabar. Graças a Deus, mas ainda não acabou totalmente, é certo.

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  Sócrates foi detido esta sexta-feira no Aeroporto da Portela, em Lisboa, quando chegava de Paris. Uma das causas da detenção está relacionada com a casa avaliada em três milhões de euros onde o ex-primeiro-ministro residiu quando tirou um curso na capital francesa, depois de deixar o governo. Os investigadores querem saber de onde veio o dinheiro para comprar a habitação. Sócrates disse sempre que pediu um empréstimo ao banco para poder pagar o aluguer do apartamento. PGR confirma que Sócrates é suspeito dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção. Resultados paralelos: Sócrates detido, RTP ganha uma vaga para comentador e há um blog em risco de ficar mudo, se não mesmo inactivo. O que será feito do Câmara Corporativa?

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