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O título do momento

por Maria Teixeira Alves, em 21.05.15

Pais do Amaral concorreu à TAP com carta de 4 páginas

Na proposta não vinculativa que apresentou, o empresário pedia mais seis semanas para apresentar uma oferta firme pelos 61% da TAP.

Ou seja, Miguel Paes do Amaral concorreu a dizer que concorria mais tarde! Acho Lindo!

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Selvagens

por Maria Teixeira Alves, em 19.05.15

Acho inacreditável que no Marquês de Pombal, uns doidos do Benfica tenham desatado a atirar garrafas de vidro para cima das pessoas ( via-se nas imagens da SIC, autêntico terrorismo) e de repente a Polícia começa a empreender e passa a ser a culpada. Agora só se fala da violência da polícia. Incrível! Se a polícia tivesse ficado quieta e as pessoas fossem todas parar ao Hospital com garrafas espetadas na cabeça a polícia era incompetente e não tinha feito nada, assim a polícia é que é a má da fita. Acho que se houver autoridade neste país ficam já proibidas as "festas" no Marquês. 

Já em Guimarães estes selvagens benfiquistas destruiram o Estádio de Guimarães, pegaram fogo até às casas de banho. Arrancaram as cadeiras. É lamentável!!!! Selvagens!!!

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Pedagogia (Taxas de Juro versus Yields)

por Maria Teixeira Alves, em 18.05.15

Vale a pena ler este artigo sobre a diferença entre taxas de juro das emissões de obrigações e yields.

 

A taxa fixa refere-se ao que foi estabelecido entre o emitente das obrigações e o seu portador, mas o portador das obrigações pode mudar durante o período de vida da obrigação (via mercado secundário).

Vamos supor que o Agente A comprou 10 obrigações do Estado (ou de uma empresa), a 10 anos, a 100€ cada obrigação com taxa fixa de 5% ao ano (que é o mesmo que dizer com um cupão de 5€), e decide vender essas obrigações ao Agente B. Só que o Agente B acha que receber 5% ao ano é pouco atendendo a que ouviu umas notícias de que emprestar dinheiro ao Estado português (ou à empresa) se está a tornar mais arriscado podendo o Estado (a empresa), no final do prazo do contrato, não ter dinheiro para devolver a totalidade ou pelo menos parte daquilo que pediu emprestado.

Imagine-se que, devido a isto, o Agente B não está disposto a pagar 100€ por cada obrigação (conforme o valor nominal inicial inscrito no contrato da obrigação) mas apenas 80€.

Neste caso, o Agente B fica com as mesmas 10 obrigações que dão direito aos mesmos 5€ ao ano sobre o valor nominal inicial do contrato. Só que, então, a taxa de juro que ao Agente B obtém já não será de 5€ por cada 100€ investidos (os tais 5%), mas 5€ por cada 80€ investidos (aquilo que ele de facto pagou pelas obrigações ao agente A). Na prática, uma taxa de juro bruta de 6,25%. A esta taxa de juro chama-se yield e, como se vê, tenderá a aumentar sempre que o preço das obrigações no mercado secundário desça.

Depois nas emissões seguintes o mesmo emitente terá de oferecer uma taxa de juro inicial (no mercado primário) próxima da yield do mercado secundário. 

É simples, mas nem toda a gente sabe.

 

 

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É obrigatório o acordo ortográfico?

por Maria Teixeira Alves, em 13.05.15

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O Desacordo Ortográfico

por Maria Teixeira Alves, em 13.05.15

Estávamos em 2008 (muito dos grandes males foram gerados nesse fatídico ano)  quando o Conselho de Ministros do Governo do Sócrates (who else?) aprovou um acordo que estava assinado desde 1990 (imagine-se!) entre os países de língua portuguesa. A ideia deste acordo era uma maior uniformização ortográfica entre os países da CPLP. Uma má ideia, diga-se, que foi reforçada em 2004, e implementada em 2009 (ver aqui).

Passado todos estes anos o único país de língua portuguesa que introduz o acordo é, claro, Portugal – sempre pioneiro no que não deve e atrasado no que deve. Talvez seja ignorância, mas ainda que mal me pergunte se o português é nosso, porque é que os outros países não acordaram escrever português como se escreve em Portugal? Porque carga de água é que este acordo impõe o português do Brasil como uniforme?

Em Angola o acordo ainda não foi ratificado por qualquer órgão político, enquanto em Moçambique já foi aprovado em Conselho de Ministros, mas falta ainda a ratificação pelo parlamento. E até no Brasil a moratória para a aplicação plena adia o Acordo Ortográfico para Janeiro de 2016. Em África, Guiné Bissau, Cabo Verde e São Tomé ratificaram o acordo. Mas ainda não está em vigor.

Depois surge Timor Lorosae que também aprovou a nova ortografia, mas como não falam praticamente português, é-lhes igual ao litro aplicarem este acordo.

Mais recentemente a Guiné Equatorial aderiu ao CPLP , e não ratificou ainda o acordo, mas a população não fala português, pelo que é caricato o acordo para este país.

Portanto, neste momento, Portugal está acordado e uniformizado na ortografia consigo próprio.

A partir de hoje, 13 de Maio, as regras do Acordo Ortográfico são obrigatórias. Acabou oficialmente o período de transição. Mas vejamos, uma determinação governamental – fundamentada numa Resolução parlamentar – funciona, na prática, como uma “ordem por escrito”, mas que apenas diz respeito e se circunscreve, em termos de efeitos e de eficácia, aos serviços e organismos do Estado ou deles dependentes (e ao Ensino público); ou seja, afecta somente os funcionários públicos e, mesmo quanto a estes, apenas no âmbito das suas competências e enquanto no exercício das suas funções. Nada mais. Ninguém pode ser obrigado a escrever ato em vez de acto, para em vez de pára. Ninguém. 

P.S. Este post escrito a 13 de Maio está escrito com erros. Mas é óptimo que assim seja. 

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Mapa político de Inglaterra

por Maria Teixeira Alves, em 08.05.15

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 É mesmo a cara da Maggie Simpson.

Tirado da SIC

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Justo elogio de Pinto Balsemão a Pedro Passos Coelho

por Maria Teixeira Alves, em 06.05.15

Francisco Pinto Balsemão a elogiar a perseverança, coragem, a capacidade de trabalho, a coerência e a boa educação de Pedro Passos Coelho. Bom e justo elogio. Nos 40 anos do PSD.

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José Sócrates ter um testa de ferro que se chama Rui Mão de Ferro é demasiado cómico para ser verdade. Parece um filme do 007 em que as bond girls tinham todas nomes sugestivos como Ontop, Honey Ryder, Pussy Galore, Bonita, Mary Goodnight e afins. A sério, este país é uma séria cómica. Desde reuniões secretas entre parentes de um grupo familiar (GES) que eram afinal gravadas, a um ex-Primeiro-Ministro a quem o chauffeur de nome João Perna ficou encarregado de ir buscar guito, para dar uma perninha ao patrão. Até ao Mão de Ferro que escondia provas contra-Sócrates. Isto nem o melhor escritor arranjaria um enredo tão bom. 

Sócrates e Grupo Espírito Santo são quase tão incríveis como uma história de ficção. No meio disto tudo há 12 milhões de euros que foram transferidos para o ex-primeiro ministro por duas empresas de Hélder Bataglia (presidente de uma empresa do grupo GES, ESCOM), e cinco milhões transferidos pela construtora Lena (3 milhões), a mesma que cria este jornal I em 2008, mesmo em vésperas das eleições que deram vitória ao segundo mandato de Sócrates, (o jornal foi depois vendido a angolanos), e ainda há 2 milhões transferidos para Sócrates por um empresário holandês Jeroen van Dooren.

Todos os caminhos vão dar aos mesmos nestas histórias.

 

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Viva a privatização da TAP, fora a Greve!

por Maria Teixeira Alves, em 29.04.15

A ouvir a excelente entrevista que José Gomes Ferreira está a fazer ao Secretário de Estado, Sérgio Monteiro, sobre a privatização da TAP. É cada vez mais evidente que a privatização é urgente e que é preciso acabar com esta soberba do sindicato dos pilotos. 

É assustador a irresponsabilidade dos pilotos que não se importam de pôr em causa a viabilidade económica da companhia só para tentarem que o Governo lhes venda parte da TAP, ou que a privatização seja travada.

Boa atitude esta de o Governo não ceder. O Governo vai privatizar a TAP. 

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A rivalidade subtil entre Nuno Amado e Fernando Ulrich

por Maria Teixeira Alves, em 29.04.15

Amanhã é a primeira Assembleia Geral onde se vão defrontar dois accionistas do BPI. La Caixa e Santoro são apenas o suporte de uma rivalidade subtil: Fernando Ulrich/ Nuno Amado. 

A grande luta faz-se entre os dois banqueiros. Fernando Ulrich defende a sua gente, o seu BPI, a sua administração, sabe que se a fusão vingar o BPI é absorvido pelo BCP.

Para Fernando Ulrich a melhor solução é a OPA do Caixabank. Porque é a que mantém a identidade do BPI. O La Caixa está claramente com a administração de Fernando Ulrich. Esteve sempre, de resto.

A OPA vai durar até ao fim. Vai estar viva até ao último momento, mesmo que a desblindagem não passe na Assembleia Geral a OPA continuará. Pois a desblindagem, senhores, é apenas condição de eficácia e não de lançamento. O La Caixa vai esperar. Tem quase todo o tempo do mundo. A OPA pode durar e durar. Vão vencer a Santoro pelo cansaço do impasse. É assim que se vencem adversários, cansando-os. Foi assim que a Rússia venceu a Alemanha do Hitler.

A Santoro quer ser a maior accionista de um mega banco português, de um grande banco europeu, com Nuno Amado à frente desse banco. A Santoro consegue essa proeza com uma fusão amigável  entre os dois bancos e com a consequente compra da participação da Sonangol (que hoje é a maior accionista do BCP). 

Nuno Amado quer a fusão. Será o presidente de um banco de dimensão ibérica.

Fernando Ulrich não quer a fusão, quer a OPA. Isto resume tudo.  

Depois o BPI tem soluções para resolver a pressão de reduzir o peso da exposição a Angola no capital, logo pode alinhar na estratégia do La Caixa de esperar. A OPA está para durar, porque a fusão não agrada a Fernando Ulrich e não agradando a Fernando Ulrich não se fará. Nuno Amado é o banqueiro mais importante do país, e cada vez mais é assim, mas nem isso chegará para vergar Fernando Ulrich. Fernando Ulrich é o BPI, é a alma e coração do BPI. 

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Ena Tantas Heranças!

por Maria Teixeira Alves, em 28.04.15

O tema do imposto sucessório que o PS introduz no seu documento de propostas económicas deixou-me a pensar que o partido socialista pensa que o país é Downton Abbey. Reparem: O Estado encaixará 104 milhões de euros com o imposto sucessório, caso a proposta dos economistas do PS seja aprovada e transposta para um orçamento do estado para 2016. São essas as contas feitas na simulação com as medidas apresentadas nas propostas feitas pelos economistas coordenados por Mário Centeno. Vem isto a talho de foice como grande medida de compensação de parte da perda de receita com a descida da taxa social única. Ora encaixar 100 milhões de euros em imposto de sucessões é esperar que haja Antonios Champalimauds a morrer cinco vezes por ano. Parece-me, parece-me. Nós somos um país pobre senhores. As heranças normalmente são dívidas e encargos ou imóveis a cair de podres sem obras e com pesados IMI às costas.

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Se a culpa não é de Ricardo Salgado é de quem?

por Maria Teixeira Alves, em 24.04.15

«O maior erro é achar que isto é culpa do Ricardo Salgado», acabo de ler na primeira página do Jornal de Negócios, atribuído à deputada do BE. 

Revejamos os factos:

A 3 de Dezembro de 2013, o BdP emite um conjunto de determinações, estabelecendo: a) A eliminação até 31 de Dezembro de 2013 da exposição do Grupo ESFG ao GES que não estivesse coberto por valorizações prudentes dos activos dados em colateral; b) A criação de uma conta escrow, que deveria ser alimentada até 31 de Dezembro de 2013 por recursos alheios ao Grupo ESFG, com um montante equivalente ao papel comercial da ESI detido por clientes de retalho do BES; c) A insuficiência de fundos nesta conta escrow, para fazer face ao papel comercial colocado em clientes de retalho do BES, obrigaria à constituição de uma provisão, nas contas consolidadas da ESFG, de 31 de Dezembro de 2013, correspondente às imparidades que viessem a ser estimadas com base na avaliação da situação financeira da ESI.

A 4 de Fevereiro, o Banco de Portugal informa a ESFG e o BES que, em face das conclusões extraídas pela KPMG, no relatório preliminar de progresso, relativo aos trabalhos de revisão limitada sobre as demonstrações financeiras da ESI, referentes a 30 de Setembro, seria necessária a constituição de uma provisão nas contas consolidadas do BES ou da ESFG, com referência a 31 de Dezembro de 2013.  A 7 de Fevereiro, a KPMG apurou a necessidade de constituição de uma provisão de 700 milhões, tendo em consideração a sua apreciação crítica sobre o Business Plan apresentado pelo GES, nomeadamente os critérios de valorização dos activos e as várias iniciativas de reforço dos capitais próprios.

A 12 de Fevereiro – a ESFG comunica a sua decisão de assumir a provisão e os riscos decorrentes da situação do GES. Desta forma, a ESFG emite uma garantia consubstanciada numa conta margem e num mandato de venda irrevogável da Tranquilidade, através da qual, em caso de incumprimento da ESI, a ESFG se substituiria a esta no reembolso de papel comercial (nessa data, a exposição dos clientes de retalho BES ao papel comercial da ESI era de 799 milhões de euros, valor que, embora ainda significativo, era já consideravelmente inferior aos cerca de 1,7 mil milhões de euros subscritos pelos clientes em Novembro de 2013). Um aspecto muito importante para a compreensão de um conjunto de dimensões deste problema, prende-se com a diferença formal e substantiva entre a ESFG e o BES. Na verdade, a ESFG era uma holding financeira, que detinha, entre outras participações, uma participação de 27,2% no BES, sendo o seu principal accionista. Tratavam-se, pois, de entidades autónomas, com estruturas accionistas distintas, cada uma com os seus próprios órgãos sociais e possuindo realidades económicas diferenciadas, sendo a ESFG considerada a cabeça do grupo financeiro e, por isso, a entidade sujeita à supervisão em base consolidada do Banco de Portugal. Neste enquadramento, é fácil perceber da importância de aplicar a ambas as organizações um conjunto de mecanismos que permitissem a efectiva implementação de politicas de ring- fencing. 10. A 26 de Fevereiro, foi determinado pelo Banco de Portugal a necessidade de se proceder a um conjunto de alterações significativas ao nível do governo interno da ESFG e do BES, nomeadamente ao nível de tratamento de situações de potenciais conflitos de interesse, de avaliação de transacções com partes relacionadas e do acompanhamento e avaliação da execução do Plano de Negócios do GES. 11. A 17 de Março, o Conselho de Administração do BES aprova um conjunto de medidas relacionadas com mecanismos de aperfeiçoamento do governo interno do BES, nomeadamente através de alterações no código de conduta e de alterações no regulamento da Comissão de Corporate Governance. Foi igualmente decidida a criação de duas comissões : - comissão de acompanhamento do Plano de Negócios do GES, presidida pelo Presidente da Comissão de Auditoria, Horácio Afonso e contando com a participação de António Souto, de Isabel Megre e de Joaquim Goes; - comissão de controlo de transacções com partes relacionadas. (CCTPR) presidida igualmente por Horácio Afonso e contando com a participação da Dra. Rita Amaral Cabral e de Joaquim Goes; 12. Em 22 de Abril, a comissão de acompanhamento do Plano de Negócios do GES solicita uma actualização do Plano de Negócios do GES. Na verdade, não obstante, à data, já terem sido reembolsados 1,2 mil milhões de euros de papel comercial dos 1,69 mil milhões de euros de papel comercial subscrito pelos clientes de retalho, não se tinham verificado os aumentos de capital previstos no plano de negócios do GES nem algumas das vendas de activos planeadas. A comissão estabeleceu como prazo limite para a apresentação dessa actualização o dia 15 de Maio, data do Conselho de Administração do BES. 13. Início de Maio – A Comissão de Controlo de Transacções com Partes Relacionadas (CCTPR) dedicou o mês de Abril a divulgar junto de todo o Grupo BES (incluindo subsidiárias no estrangeiro) os novos procedimentos a adoptar na apreciação de transacções com partes relacionadas. No início de Maio, a comissão foi confrontada pela primeira vez com um pedido de financiamento à ESFG. Na altura, o montante de exposição do BES à ESFG cifrava-se em 533 milhões de euros, tendo registado um crescimento significativo nos meses precedentes. Sob proposta de Joaquim Goes, a comissão aprova uma política mais restritiva de exposição à ESFG. Essa política passava pelas seguintes medidas: a) Redução da exposição não colaterizada para 400 milhões de euros, até final de Junho (que era a média da exposição do BES à ESFG dos últimos seis meses); b) Condicionamento de qualquer financiamento adicional à existência de colaterais. Esta nova política foi aprovada no CA de 15 de Maio e comunicada ao BdP em 19 de Maio. 

Mas:

17. Maio/Junho – ESFG aumenta o seu nível de endividamento global e a sua exposição ao GES. A Tranquilidade empresta 150 milhões de euros à ESFG e, em 9 de Junho, a ESFG aumenta o seu endividamento em mais 160 milhões de euros, com um financiamento adicional contraído junto da Nomura, baseado no penhor de acções do BES, para permitir à ESFG acorrer ao aumento de capital do BES. Este financiamento da Nomura incluía mecanismos de reforço automático de garantias em face da evolução da cotação do BES (margin calls). Todas estas operações foram decididas e executadas sem qualquer intervenção do BES.

Nesta altura (a 7 de Maio) a Comissão Executiva do BES toma conhecimento da atribuição à ESAF de um mandato para a gestão de activos da PDVSA – Petróleos da Venezuela de 3,5 mil milhões de euros, onde expressamente constava a intenção de investimento de até 700 milhões de euros num aumento de capital na Rio Forte. Nessa reunião, foi comunicado à Comissão Executiva do BES de que havia a expectativa de que o aumento de capital pudesse ocorrer até ao final de Junho.

Começa então a emissão forte de dívida da Rioforte, a contar com um aumento de capital que vêm aí até ao fim de Junho. 

Mas 

22. Em meados de Julho, a PDVSA comunica que, face à degradação da situação do GES, não existiam condições para a concretização da referida operação de aumento de capital na Rio Forte.

E sobre o papel comercial?

A partir de Setembro de 2013, o BES começou a comercializar directamente papel comercial da ESI e da Rio Forte junto da sua base de clientes particulares. O processo de aprovação da comercialização do papel comercial deveria ter sido mais aprofundado. Em primeiro lugar, porque dada a natureza e a relevância desta operação, ela deveria ter sido apresentada e discutida em sede da Comissão Executiva do Banco como, aliás, acontecia, por exemplo, com propostas de colocação de obrigações de certos emitentes através das redes comerciais. Em segundo lugar, porque na proposta apresentada não foram mencionados os montantes máximos associados aos programas de papel comercial - no caso até 1500 milhões para a ESI e até 600 milhões para a Rio Forte – aspecto da maior relevância para uma correcta avaliação do que estava em causa. Mas a questão determinante neste processo, é o facto da decisão de comercialização de papel comercial ter subjacente uma situação económico financeira da ESI baseada nas contas de Dezembro de 2012, nas quais os capitais próprios da sociedade reportados eram significativos, elevando-se a 855 milhões de euros, representando 20% dos activos totais.

O momento que altera de forma significativa a percepção de risco da ESI dá-se com a identificação do valor real do seu passivo financeiro no quadro do ETRICC2 ( +2,3 mil milhões de euros relativamente a Dezembro de 2012), ou seja, o BES colocou papel comercial da ESI junto dos seus clientes de retalho com base em contas materialmente incorrectas [falsas], as quais, devidamente corrigidas, agravavam de forma muito significativa o perfil de risco do emitente.

Em Maio e Junho dados os atrasos verificados na alienação de um conjunto de activos e da postecipação do aumento de capital previsto no Plano de Negócios do GES, aumentou a pressão de tesouraria sobre a área não financeira. Neste contexto, a ESFG, como se veio a constatar à posteriori, aumenta a sua exposição ao GES, não tendo funcionado os mecanismos de ring fencing impostos pelo Banco de Portugal ao nível da ESFG. Na verdade nunca chegou a ser constituída na ESFG uma comissão de controle de transacções com partes relacionadas e a determinação do Banco de Portugal que proibia a concessão de novos financiamentos sem garantias ao GES não foi cumprida. Recorde-se que o BES nunca possuiu exposição directa à ESI, sendo ao nível da ESFG que a exposição à ESI se materializava. O aumento do endividamento da ESFG até final de Junho, determinou a rápida degradação da sua situação de liquidez, conduzindo a uma situação de incumprimento, a partir de meados de Julho.

Depois as notícias constantes sobre o BES e o GES levam a um aumento das taxas de não renovação de divida emitida pelo GES, colocada em investidores institucionais, bem como uma acentuada desvalorização das acções do BES, levando ao despoletar automático de chamadas de garantias adicionais do financiamento da Nomura à ESFG (as denominadas margin calls) e conduzindo a uma situação de ruptura de tesouraria no GES e na ESFG, em face do muito curto ciclo de financiamento existente.

Já com a nova Comissão Executiva do BES, com as entradas de Vitor Bento, José Honório e João Moreira Rato. Na segunda quinzena de Julho – dá-se a identificação pelas equipas do BES, em estreita articulação com a KPMG, de um conjunto de operações associadas à emissão de obrigações de muito longo prazo e posterior recompra a preços superiores aos valores de mercado por clientes de retalho do BES através de vários produtos, e da emissão de cartas de conforto, que não eram do conhecimento da maior parte dos membros da CE, que conduziram à necessidade de reforçar as provisões em 1,5 mil milhões de euros com referência a 30 de Junho e fazendo com que o rácio de Common Equity Tier 1 se situasse nos 5%.

Ou seja, os ajustamentos decorrentes da consolidação de veículos e demais contingências associadas às emissões de obrigações de muito longo prazo do BES detidas por clientes de retalho bem como os compromissos assumidos junto de credores institucionais do GES, por membros da Comissão Executiva do BES, através da emissão de cartas de conforto, que não eram do conhecimento dos restantes membros da Comissão Executiva, determinaram um fortíssimo acréscimo das provisões a constituir, (1,5 mil milhões de euros), fazendo com que os rácios de capital do Banco ficassem, a 30.06.14, claramente abaixo do mínimo regulamentar. Isto é, falido.

 E como é que isto surgiu?

O contabilista do Grupo Espírito Santo, Francisco Machado da Cruz, revelou aos deputados da comissão de inquérito ao BES que havia um documento de contabilidade paralela com os dados da real situação financeira da Espírito Santo International, actualizado todos os meses. As contas oficiais, que escondiam o buraco na ESI de 1,3 mil milhões de euros, foram criadas pelo próprio Ricardo Salgado, que depois lhe deu uma ordem directa para não o assumir – e tratar como um mero erro – perante um órgão de auditoria interno. Estes dados constarão do relatório preliminar da comissão, publicados esta semana, mas sem as partes que estão sob sigilo ou segredo de Justiça – decisão assumida no início da reunião pelo presidente, Fernando Negrão.

Na reunião que pediu para ser à porta fechada na Assembleia, Francisco Machado da Cruz assumiu que foi chamado à comissão de auditoria da Espírito Santo Finantial Group (ESFG), a quem disse o que Ricardo Salgado lhe exigiu: que o problema nas contas era um erro, logo não premeditado. Disse também que não podia contrariar o pedido de Ricardo Salgado, sob pena de fazer implodir todo o GES – não era possível chegar lá e dizer que a culpa era do senhor do 15º andar.

A ocultação do passivo começou com a crise de 2008, com a omissão nesse ano de 180 milhões de euros – feita a pedido do próprio Ricardo Salgado e no escritório do líder do GES, com uma folha de Excel aberta (e com outro elemento do banco presente, a cumprir a ordem directa de Salgado). O método não era complexo: as obrigações de longo prazo foram recalculadas, tendo em conta o que valiam no fim desse ano (ou seja, como se naquele momento tivessem valor de encaixe nas contas da ESI). O procedimento foi depois repetido diversas vezes, até 2012 – aumentando o buraco real nas contas, até atingir os 1,3 mil milhões em 2013. Como este: todos os meses era feito um relatório em que constava a contabilidade correcta de todas as holdings do grupo, elaborado por um trabalhador da ES Services, Pierre Butty, e que esse documento com as contas certas era enviado mensalmente não só a Ricardo Salgado, como ao controller financeiro do Grupo Espírito Santo, José Castella – que não as revelava ao Conselho Superior do grupo.
 
Se a culpa não é de Ricardo Salgado é de quem?

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Christian Marclay, The Clock, a instalação de 24 horas

por Maria Teixeira Alves, em 19.04.15

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Uma recolha de cenas de filmes com referência às horas foram sincronizadas meticulosamente e articuladas na perfeição como se o tempo (epicentro de toda a instalação) na verdade não existisse. Há por exemplo uma cena em que aparece Alain Delon, num filme a ir ter com alguém apressadamente e a olhar para o relógio, e a seguir aparece uma cena de um filme com a Juliette Binoche à espera de alguém e a olhar para o relógio. Dá a sensação que o jovem Alain Delon se vai encontrar com uma jovem Juliette Binoche, anulando o facto de serem de gerações diferentes e de os separar em idade algumas décadas. Uma espécie de quarta dimensão em forma de arte.

É uma instalação de 24 horas sincronizada em tempo real, que atravessa o cinema através da sua referência ao tempo.

Os relógios (vários) são o actor principal deste vídeo de 24 horas. Quando um relógio retirado da cena de um filme bate as cinco horas da tarde, olhamos para o nosso relógio e são também 5 horas da tarde. Todas as cenas de filmes, mesmo de épocas diferentes coexistem numa sequência como se fosse um filme só. 

Muito bom. Não dá para ver tudo porque é preciso ficar lá o dia todo.

Esteve até hoje no CCB. 

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O poder dos CEO e o reino das reciprocidades

por Maria Teixeira Alves, em 17.04.15

António Horta Osório disse na conferência organizada pelo Negócios que «o caso do BES, mas também o da PT são duas boas lições que se deviam tirar em Portugal (...) tem a ver com a governance das empresas, em Portugal não temos um sistema de governance, em termos gerais, ao nível do que melhor se pratica em termos internacionais, como em Inglaterra ou Estados Unidos. Tem de haver "check and balances". Em Portugal damos excessivo poder ao presidente executivo, desvalorizando-se o papel do 'chairman' e dos administradores não executivos». Isto remete-nos para um fenómeno muito importante que nos últimos anos floresceu em Portugal e que agora começa a ter os dias contados. Os CEO absolutistas acabam a dar asas ao reino das reciprocidades.

Ricardo Salgado chegou a confessar no Parlamento que quando foi pedir um apoio institucional (!) ao Governo para financiar o GES, foi pedir uma reciprocidade, pois o BES tinha feito muito pelas finanças públicas e tinha criado 30 mil empregos. Só uma instituição com poderes concentrados numa ou pouco mais do que numa pessoa pode alimentar uma lógica de reciprocidades. Há aqui uma relação dialéctica, perversa se assim quisermos chamar, porque um CEO forte tem poder absoluto para tomar decisões de apoio a outros, e por outro lado o sistema em reciprocidade promove a eternização do poder do CEO.

Ainda há casos de CEO absolutistas a pairar no nosso sistema. Veja-se os casos em que excepções à lei permitem que os administradores executivos sejam eleitos directamente pela Assembleia Geral [a guerra de poder do BCP em 2007 surge dessa excepção que existia na lei e que mudou quando entrou a Sonangol no capital do banco]. Essa excepção perverte a lógica da existência de modelos de governo porque esvazia o poder dos não executivos de fiscalizar os gestores executivos. Sem o poder de destituir a administração executiva o papel dos administradores não executivos fica vazio. Mas não são apenas as excepções à lei que criam CEO absolutistas e duradoiros. O facto de os modelos de governo não passarem de pro-formas cria uma situação fictícia de gestão independente e deixa ao CEO o poder totalitário. Como se combate isto?

António Horta Osório dá sugestões:

Desde logo falta em Portugal a ligação dos administradores executivos aos reguladores: «nunca em Portugal um regulador, como se faz em Inglaterra, tem reuniões com 'chairman' ou com não executivos ou ainda com presidentes dos comités»

Sugere o presidente do Lloyds: «O conselho de administração deve ser representante dos accionistas na fiscalização da gestão. As empresas têm de ter conselhos de administração de alto nível, com 'chairman' responsável por nomear CEO e assegurar boa governação. E os casos BES E PT são evidentes: uma empresa empresta 900 milhões a uma empresa duvidosa. E o BES faz personalização das decisões, pois as decisões são tomadas por uma pessoa. Ora se isso é boa governação estamos falados. São duas boas lições que se deviam tirar em Portugal. Temos pessoas óptimas, mas com boas governances seriam ainda mais».

 
 

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O Vítor Constâncio nunca viu nada assim

por Maria Teixeira Alves, em 15.04.15

Uma mulher (miúda?) alemã interrompeu a conferência de imprensa de Mario Draghi, em Frankfurt, ao saltar para cima da mesa, gritando “acabem com a ditadura do BCE“. 

Vestia uma camisola preta onde se lia “ECB dick-tatorship". 

Em Portugal, nem um caso BES provocou tamanho atrevimento. Vítor Constâncio (adoro o ar de espanto) ainda se arriscou a tal coisa quando era a Governador do Banco de Portugal e estoiraram os casos BPN e BPP (sobretudo este último onde chegou a vir a público em defesa do banco de João Rendeiro). Mas o povo português é sereno...

Ver vídeo:

 As imagens ficam para a história

 

 

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Era previsível. Sem o suporte do La Caixa o BPI nunca poderia comprar o Novo Banco. O preço até onde poderia ir exigia um aumento de capital com forte suporte do seu maior accionista: o banco catalão com 44%. É que apesar de só ter 20% dos votos o esforço financeiro exigido ao La Caixa é de 44% 

A OPA, que foi lançada em Fevereiro pelo Caixabank, tinha em vista essa compra. Era finalmente o passo para o crescimento por aquisições. Ao longo da vida o BPI foi tentando crescer por aquisições, mas depois das privatizações do Fonsecas & Burnay e do Fomento e Exterior, nunca mais teve sucesso nas várias tentativas em que participou. Desta vez foi Isabel dos Santos que estragou a tentativa de aquisição do Novo Banco. Ao propor uma fusão com o BCP, em que os angolanos ficariam os maiores accionistas, divorciou-se de um acordo para a OPA, boicotou as saídas do BPI para crescer e condicionou as saídas para ultrapassar a questão do BCE ter passado a considerar o Banco Nacional de Angola como contraparte não-equiparável à banca europeia. É sempre preciso recordar que mesmo esta decisão do BCE pode ser alterada no futuro, uma vez que é avaliada todos os anos.

Com a fusão BPI/BCP comprometida e a OPA do La Caixa sem condição de sucesso verificada (desblindagem de votos), o BPI terá de se desdobrar em soluções inventivas para ultrapassar o peso  de Angola no ponderador de risco para efeitos de capital. Terá de vender dívida pública angolana, que é uma fonte de receita essencial, ou terá de vender acções do BFA e descer abaixo do domínio e assim deixar de consolidar integralmente o banco comercial angolano nas suas contas e isso é um forte revés nos resultados.

A fusão com o BCP parece cada vez mais distante. A OPA do La Caixa parece estar num impasse. Assim cada um dos dois accionistas terá de abdicar do braço-de-ferro. Os braços-de-ferro são sempre coisas pouco inteligentes porque levam a becos sem saída e todos perdem. O BPI está a caminhar para um beco sem saída. 

O BPI parece estar condenado a ser o mais pequeno dos grandes. É um karma. É uma malapata. Desta vez foi Isabel dos Santos que comprometeu o sonho do BPI.

P.S. Sou eu na fotografia com Fernando Ulrich

 

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Manoel de Oliveira é que sabia

por Maria Teixeira Alves, em 02.04.15

"Não tenho medo da morte. A vida é que tem perigos - a inveja, o ódio, o mal. A morte é um descanso"

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Morreu Manoel de Oliveira, aos 106 anos

por Maria Teixeira Alves, em 02.04.15

 «cuidado com as vitórias, porque podem redundar em derrotas»

«É a derrota. A vida é uma derrota. A gente vive na derrota. Nasce contra vontade, e não é senhor do seu destino».  


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José Guilherme contraía crédito a interesse de terceiros

por Maria Teixeira Alves, em 31.03.15

De tudo o que respondeu José Guilherme, por escrito, à CPI do BES, de longe o mais relevante é isto:

«Ao longo do tempo investi em acções, obrigações e unidades de participação de diversas entidades do GES e do BES. Creio que nunca investi em papel comercial. Com a Resolução determinada pelo Banco de Portugal já perdi cerca de 25 milhões de euros, podendo vir a perder muito mais».

«No final de 2012 era devedor do BES, a título pessoal, em cerca de 85 milhões de euros. Parte dos referidos financiamentos foram por mim pedidos para fazer face a necessidades pessoais e de empresas de que era sócio. Numa outra parte, mais de metade, os referidos financiamentos não foram por mim pedidos, mas foram-me concedidos para realizar operações no interesse de terceiros».

«No final de 2012, a dívida pessoal somada à divida e responsabilidades de entidades por mim dominadas ou de terceiros mas que avalizei ou garanti pessoalmente, era de 204 milhões de euros. Em Agosto de 2014, antes da Resolução, o montante daquela dívida era de cerca de 121 milhões de euros, tendo o remanescente sido pago, e servida a dívida à razão de cerca de 12 milhões de euros/ano, entre 2012 e Agosto de 2014.

Por razões atinentes, por um lado, ao não cumprimento – em decorrência da Resolução do BES e subsequentes insolvências das empresas do GES – de compromissos que haviam sido assumidos comigo pelo BES e empresas/responsáveis do GES relativamente a negócios realizados com crédito do BES concedido ou mantido a pedido e no interesse daquelas entidades, e da situação em que, pelas mesmas razões, caíram pessoas e empresas terceiras cujas responsabilidades avalizei pessoalmente perante o BES e, por outro, em face da situação económica de Angola, país em que se concentra actualmente a minha actividade e negócios e da dificuldade de exportação de capitais de Angola, constatei como imperiosa a necessidade de encontrar uma solução de acordo de reestruturação da dívida perante o Novo Banco. Essa necessidade foi, pouco tempo depois a Resolução do BES, e por minha iniciativa, expressamente comunicada ao Novo Banco. De lá para cá foram mantidas conversações com o Novo Banco e prestadas todas as informações solicitadas para encontrar uma solução. Aguardo, neste momento, uma proposta do Novo Banco com vista à determinação da dívida pela qual devo efectivamente ser considerado responsável perante o Novo Banco, e à reestruturação da mesma.»

 

 

 

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Tesourinhos deprimentes

por Maria Teixeira Alves, em 31.03.15

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