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Diz o Negócios que o Governo vai alterar a lei bancária para poder recuperar alguns dos oito nomes que ficaram de fora da nova administração da CGD. A notícia é ilustrada com a carinha de Ricardo Mourinho Félix, Secretário de Estado do Tesouro e Finanças (o mesmo que queria que a CGD absorvesse o Banif, como solução para a insolvência do banco, no fim do ano passado).

Garante então o Secretário de Estado do Tesouro e Finanças que não houve problemas de conflitos de interesse nos administradores chumbados (aqueles que iriam ser administradores da CGD e acumulavam com os lugares de presidente de várias empresas). Foi apenas porque tinham muitos empregos e a lei bancária portuguesa não permite. Bem espreitem a administração do BPI, será que não foram aprovados pela lei bancária portuguesa. Será que António Lobo Xavier, para além de advogado, é administrador de várias empresas do Grupo Sonae não está a violar a lei invocada? Armando Leite de Pinho Presidente do Conselho de. Administração da Arsopi; Carlos Moreira da Silva (administrador) da Sonae Industria, entre outros investimentos, também não? Para já não falar de Isidro Fainé, o espanhol do CaixaBank que é administrador do BPI, reparem na lista de cargos "presidente de la Fundación “la Caixa” y de Criteria CaixaHolding. También ocupa la presidencia de la Confederación Española de Cajas de Ahorros (CECA). Además, es vicepresidente de European Savings Banks Group (ESBG), miembro titular de la Comisión Gestora del Fondo de Garantía de Depósitos en Cajas de Ahorros, vicepresidente de Telefónica, Abertis y Repsol. Asimismo es Consejero del Banco Portugués de Investimento, de Bank of East Asia y de Suez Environnement Company. Es también Presidente de la Confederación Española de Directivos y Ejecutivos (CEDE), del Capítulo Español del Club de Roma y del Círculo Financiero".

Interessante lista de um administrador de um banco português que acaba de ser reeleito apesar do "Regime Geral das Instituições de Crédito e das Sociedades Financeiras (RGICSF) impor um limite ao número de funções desempenhadas em órgãos sociais de outras sociedades. Um regime que é mais estrito que o imposto pela directiva comunitária", tal qual diz o comunicado das Finanças.

O Governo diz então que vai alterar a lei bancária portuguesa, que é mais restritiva do que a directiva europeia, para poder recuperar os oito nomes que acabou por retirar da lista proposta para a administração da CGD. Quase se fica a pensar que o BCE vai ter de aceitar, queira ou não, porque basta mexer na lei nacional e o regulador de Frankurt logo tem de obedecer.

Mas vejamos ainda que Mourinho Félix garante ao Negócios que não houve problemas de “idoneidade e conflitos de interesse” com os candidatos em causa. Bom vou colar aqui uma passagem do comunicado do Ministério das Finanças, do seu ministério portanto: "A nomeação dos restantes administradores não-executivos será feita num curto espaço de tempo já que não houve sobre estes qualquer objecção relativamente à adequação ou idoneidade, nem foram identificados quaisquer conflitos de interesses impeditivos", diz o comunicado. Em que ficamos senhor secretário de Estado?

 
Notícia do BCE aprova apenas 11 dos 19 administradores que queria o Governo para a CGD é esta.

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A casa ideal para quem não quer empobrecer, by PS

por Maria Teixeira Alves, em 03.08.16

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O Ministro dos Negócios Estrangeiros comentava a decisão de Bruxelas aplicar sanções zero em Portugal, e que o país teria de ter um défice de 2,5% em 2016, quando disse: "é preciso distinguir a austeridade e a lógica dita austeritária que tudo sacrifica a metas imaginárias de consolidação orçamental per si, do rigor que o Estado deve colocar na angariação e aplicação de despesas, na sobriedade com que o Estado se deve comportar e na necessidade que nós temos todos de aumentar o nosso saldo primário e chegar tão depressa quanto possível às metas do equilíbrio das finanças públicas de forma sustentável".  Alto e pára o baile! Mas essa necessidade de aumentar o nosso saldo primário e chegar tão depressa quanto possível às metas do equilíbrio das finanças públicas de forma sustentável era o desígnio de Vítor Gaspar, Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho. Oh Augusto Santos Silva, mas se há bandeira do anterior governo foi o aumento do saldo primário, foi em nome de esse feito que houve a austeridade!

Viva a retórica bacoca!

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Para acabar de vez com farsa do "joga culpas" na banca

por Maria Teixeira Alves, em 22.07.16

O BPN foi culpa de quem? De Oliveira e Costa, e de uma má legislação de supervisão bancária. Uma tradição tolerante e complacente na relação Banco de Portugal - Bancos, assente na diplomacia, e na resolução de problemas longe dos olhos públicos. A banca era considerada uma coisa para tratar dentro de portas. Sem criar alarme. 

A solução encontrada (nacionalização) foi uma boa opção? Não. Quem a fez o governo de Sócrates. Quem a pagou? Os contribuintes anos mais tarde, já com o governo seguinte. Mas vá lá conseguiu vender-se ao BIC, ainda que sob uma chuva de críticas.

O BES foi culpa de quem? De Ricardo Salgado e de uma má legislação europeia para conglomerados mistos. Quem descobriu? Carlos Costa - Governador do Banco de Portugal e o instrumento ETRIC. A solução? Foi tomada pelo supervisor nacional com base na legislação europeia. A Resolução foi uma boa decisão? Talvez não. Mas foi provocada pela extensão dos problemas. Podia ter sido diferente? Dificilmente. O Governo do PSD foi culpado de alguma coisa? Não. Reparem que se o Governo tivesse aceite a proposta de Ricardo Salgado de dar 2,5 mil milhões para financiar o BES/GES hoje a CGD estaria provavelmente em resolução, se não mesmo em liquidação.

Banif. A culpa foi de quem? Da administração do Grupo Banif. Da legislação permissiva do passado e da fraca supervisão à luz dessa legislação. A solução de intervencionar o banco foi boa? Não. Mas a alternativa em 2012 sairia mais cara. O desfecho. De quem é a culpa? Da situação de impasse que foi criada pela trilogia: administração do Banif, governo anterior e DG Comp. Bruxelas queria liquidar o Banif desde o principio. Para lutar contra um tornado destes tinha que se ter sido mais eficaz na gestão do banco. O banco foi paciente, o governo foi paciente, até que Bruxelas apertou e já não havia mais tempo para uma solução de mercado. A resolução? Responsabilidade do Governo de António Costa? Sim. Mas haveria alternativa para o Banif naquela altura? Provavelmente não. Tudo foi precipitado pela notícia da TVI.

Mas a caríssima intervenção do Estado para vender o Banif é apenas da autoria do actual Governo. O mesmo problema que teve Costa, tinha antes Passos. Costa decidiu agir, mas para uma solução tão cara Passos também o podia ter feito, mas andou à procura de uma solução mais barata. Foi isso que atrasou tudo. 

CGD. Culpa? De uma sucessão de gestões comandadas pelo Estado e sempre com a bandeira do benchmark do crédito à economia. "A Caixa Geral de Depósitos constitui um importante instrumento da política económica, prosseguindo uma função insubstituível de apoio estratégico às empresas e sectores de actividade que em cada momento são considerados decisivos para o desenvolvimento do país", lê-se na missão da CGD. Ora quando ninguém emprestava às empresas, ou emprestava a um juro alto adequado às circunstâncias de falta de financiamento, a CGD andava em contramão com o mercado, a emprestar para ajudar as empresas e as PME nacionais. 

Quando os bancos andavam a concentrar-se no seu core business a CGD mantinha a função equiparada a fundo soberano do Estado a entrar no capital de empresas em nome dos centros de decisão nacional. 

Hoje o resultado está à vista. 

De quem é a culpa? É do Governo anterior? Não, claro que não. A CGD não pagou os CoCo´s ao Estado porque tem uma série de erros do passado, na altura vistos como bons, a pesar-lhe na rentabilidade. 

A solução adoptada? Será responsabilidade deste Governo, da DG Comp e do BCE. 

Novo Banco. De quem é a culpa? Provavelmente da própria resolução. Da própria legislação europeia. Do estigma de ser um banco de transição, que é temporário por definição, de uma má carteira de crédito herdada da gestão de Ricardo Salgado. A solução? Se for vendido com perdas não será culpa de ninguém, mas será responsabilidade dos bancos, se não for vendido a responsabilidade será do actual governo. Bem como a eventual solução da liquidação será responsabilidade do Governo. Não há nenhuma factura por cobrar ao anterior governo aqui, a não ser a de não ter conseguido vender no primeiro concurso. Mas na altura toda a gente achou bem o adiamento (eu não), porque se iria vender com perdas e ainda podia acabar por atingir os contribuintes, etc, etc.

 

 

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O que separa Portugal de Espanha?

por Maria Teixeira Alves, em 12.07.16

Depois de o Ecofin ter confirmado a abertura de um processo de sanções a Portugal e Espanha por défices excessivos, eis a resposta que cada um dos primeiros-ministros deu:

O Governo de Mariano Rajoy respondeu com medidas:

Madrid propõe subir "imposto sobre empresas" para evitar sanções da União Europeia:

"Vamos propor uma medida para o imposto sobre empresas (...), uma medida forte" para conseguir uma receita adicional de 6 mil milhões de euros, declarou, numa conferência de imprensa em Bruxelas, ao apresentar os seus argumentos para evitar uma multa da Comissão Europeia".

O Governo de António Costa disse isto:

"Portugal vai responder e espero que haja bom senso na Comissão"

O primeiro-ministro afirmou hoje que Portugal vai responder nos próximos dez dias, formalmente, à decisão do Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin) de aplicar sanções ao país, alegando que são "injustificadas" e "altamente contraproducentes". E acrescentou: "Espero e confio que, na Comissão, nomeadamente através do presidente Juncker, impere o bom senso que não houve na reunião do Eurogrupo." Por outro lado, devolveu críticas à ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, dizendo que "mais injustas do que qualquer sanção são as suas palavras".

Voilá! Um país que em termos de PIB nem se compara a Espanha, mas não lhe falta soberba. Grande Costa, espere só pelo desaire da banca italiana para ter de pedir ajuda à troika e logo a soberba ficará na gaveta. Mas claro arranjará argumentos para culpar o anterior Governo.

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Sanções, a arma de Bruxelas

por Maria Teixeira Alves, em 12.07.16

A frase que ninguém ousa dizer: As sanções de Bruxelas a Portugal, que podem ser zero em multa mas com a exigência de regras orçamentais reforçadas, servem para a Comissão Europeia converter o Mario Centeno numa Maria Luís Albuquerque.

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Demissão da CGD é um pleonasmo

por Maria Teixeira Alves, em 05.07.16

José de Matos apresentou por carta ao Governo no dia 21 de Junho a demissão com efeitos a 31 de Julho. No dia 22 o Ministro das Finanças dá uma conferência de imprensa em que diz que a nova administração está concluída e deverá entrar em Julho, mas nada mais adianta. Ora é óbvio que a demissão a 21 de Junho foi uma forma de pressão ao Governo da parte de José de Matos. Legitima. Pois se estavam em gestão corrente desde Abril, que foi quando souberam que não iam ser reconduzidos, têm mais do que legitimidade para tomarem uma decisão de impor uma data para a sua saída. A administração da CGD tem estado em serviços mínimos, tem quatro administradores executivos dos quais um está doente. Obviamente que tinham de dar um murro na mesa. Ainda por cima têm sido enxovalhados pelo governo permanentemente quando este diz que agora é que vão ter uma administração profissional, eficiente, eficaz, e todo um conjunto de predicados que ofendem a administração actual que está a aguentar o barco há meses.

Ontem o e-mail enviado voltou a ser um grito de revolta, pois não se sabe se saem hoje ou no dia 31. Mas já estão feitas as despedidas.

 

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A lenta nomeação das administrações do actual Governo

por Maria Teixeira Alves, em 01.07.16

 

O que dizer quando os empregados de uma empresa fazem greve para ter chefes? Foi o que aconteceu com a NAV

Depois de meses a fio sem que o Governo conseguisse nomear uma administração, eis que foi preciso recorrer a medidas extremas: greve.

Só perante a ameaça da greve é que o Governo se deu ao trabalho de nomear administradores. O que levou à suspensão da greve.

"Os trabalhadores da NAV Portugal e sindicatos seus representantes congratulam-se com o anúncio do Governo indicando a composição da totalidade do novo Conselho de Administração da empresa, que abre perspectivas de normalização do funcionamento após meses de abandono". O comunicado da Nav Portugal diz tudo. Abandono!

O que se está a passar na CGD e na CMVM, é que com administrações cessantes, que já acabaram os seus mandatos, os trabalhadores sentem-se esquecidos.

Na CMVM, Carlos Tavares acabou o mandato em Setembro último e até hoje não há uma nova administração.

Na CGD, o caso é suficientemente mediático para não precisar de explicações.

A Caixa está quase no fim do primeiro semestre e os administradores que acabaram o mandato em Dezembro, continuam lá – os que sobram, porque alguns saíram – a perspectiva é que no fim de Julho haja novos administradores.Uma eternidade. Mas a isto ainda é preciso contar com o prazo da avaliação da idoneidade do BCE.

Nalguns conselhos de administração já há falta de quórum deliberativo.

Mas não há ninguém para gerir empresas e institutos neste país?.

 

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O Governo fez o brilharete do costume. Muito consenso, muitas soluções conciliadoras. Muitas fotografias de acordos. Mas espremido o que é o acordo? Até 3 de Agosto vão os lesados desatar a pôr acções em tribunal a torto e a direito, umas absolutamente mais justas e outras mais disparatadas, não importa, desde que haja um papel a dizer que a acção entrou em tribunal,  pois essas acções em tribunal contra o universo GES/BES serve para vender o hipotético crédito ao Fundo de Resolução. O que vai acontecer é que a grande maioria das acções judiciais não vão ser ganhas pelos lesados, logo aquilo que o Fundo de Resolução, leia-se os bancos, vão comprar aos lesados é palha. Os bancos, que António Costa tanto quer proteger vão levar com esta pesada factura quando as acções se desenrolarem nos tribunais. 

De quanto é que estamos a falar?

Esta é a solução para os mais de dois mil clientes lesados do BES que investiram 432 milhões de euros em papel comercial do GES e que passará pela criação de um veículo que adiantará dinheiro aos lesados em troca dos direitos judiciais de quem já avançou para os tribunais. Em causa está uma espécie de “fundo de indemnização” que poderá ascender a valores da ordem dos 250 milhões de euros e que será financiado por duas vias: por empréstimos, nomeadamente do Fundo de Garantia de Depósitos, e por uma compensação através do Fundo de Resolução que será paga ao longo de 5 a 10 anos.

Quanto ao modo como será financiado este fundo de indemnizações, a estratégia passa por o dinheiro vir do Fundo de Resolução bancário, que depois irá receber o empréstimo concedido em função das compensações que venham a ser decididas na Justiça. Em caso limite, poderão não ser suficientes para amortizar o empréstimo ao Fundo de Resolução que, nesse caso, teria de assumir essa perda. No entanto, há outra questão a resolver, uma vez que de momento o Fundo de Resolução não terá dinheiro para financiar o fundo de indemnizações. O cenário em cima da mesa é esse dinheiro vir do Fundo de Garantia de Depósitos. No entanto, segundo a proposta, enquanto o pagamento pelo veículo do empréstimo do Fundo de Resolução é contingente, o empréstimo do Fundo de Garantia de Depósito tem de ser obrigatoriamente reembolsado pelo Fundo de Resolução, receba este o dinheiro do veículo ou não.

O Fundo de Resolução bancário tem como participantes os principais bancos a operar em Portugal, que vão ser no fim quem vai  ficar com as perdas.

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Anti-Brexit (brilhante), by John Oliver

por Maria Teixeira Alves, em 26.06.16

Não evitou a (lamentável) vitória do Brexit, mas proporciona boa disposição.

Sobre a vitória do Brexit recomendo ler aqui

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Desta vez discordo de António Lobo Xavier quando diz que devia haver uma auditoria forense à CGD em vez, ou antes de, uma Comissão Parlametar de Inquérito. Registo também que o próprio diz que hesitou nesta posição.

O argumento de que é preciso apurar responsabilidades de gestão, ou mesmo judiciais é tão válido para a CGD, como para o Banif, para o BES, ou para o BPN. E em todos houve comissões parlamentares.

No limite todos esses casos são fruto de responsabilidades de gestão. Todos tinham gestores e são os gestores os primeiros responsáveis, os gestores que provocam o dano, mais até do que os gestores que o tentam reparar sem sucesso. Isto é de La Palice. E estamos a falar de bancos privados.

Ora sendo a CGD um banco público, e portanto os gestores sendo escolhidos pelo Estado, a gestão deixa de estar só na esfera das responsabilidades de gestão, e nas responsabilidades legais, ou mesmo criminais (eventualmente), para passar a estar na esfera política é a Caixa Geral de Depósitos. É o único banco que não pode passar sem uma comissão parlamentar.

Eu diria mais, espanta-me que até agora não tenha havido nenhuma. Nunca houve deputados a chamar a inquérito os protagonistas das compras de acções em empresas privadas para influenciar os seus destinos. Nunca ninguém chamou à razão o papel que a CGD teve como fundo soberano do Estado português.

 

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Não se perca muito tempo a tentar descobrir quem foram os "malandros" que geriram a CGD até este nível de prejuízos, de imparidades e de necessidades de capital. Ao contrário do que diz a senhora do Bloco de Esquerda o que levou a CGD até aqui é precisamente o ser um banco do Estado (e não a lógica privada na gestão da Caixa). O ser um banco público deu à Caixa uma missão muito concreta: dar o crédito à economia que os privados (na sua lógica de dar prioridade retorno ao accionista e como tal  apostar na rentabilidade) não puderam dar. 

Foi escrita uma Carta de Missão em 2013, que dizia que Caixa Geral de Depósitos era uma instituição imprescindível nesta nova fase do processo de ajustamento português. "A Caixa Geral de Depósitos pode – e deve – aspirar à posição de banco líder na concessão de crédito às pequenas e médias empresas (especialmente exportadoras); no fomento da atividade produtiva, em particular de bens e serviços transacionáveis; no apoio à internacionalização das empresas portuguesas". Quando os bancos privados estavam a retrair o crédito, a CGD estava a dá-lo porque tem uma missão. Era o banco de fomento do sistema. O resultado é este. 

Fala tudo muito do que não percebe. 

Em 2011, antes da intervenção da troika, Fernando Faria de Oliveira, então presidente da CGD, dizia isto: “Nos últimos três anos, a Caixa cumpriu cabalmente com as missões que lhe estão incumbidas, que são o financiamento da economia e estabilidade dos sistema financeiro”. Na conferência de apresentação de resultados de 2010 o banco, o responsável sublinhou que, nos últimos três anos, o crédito cresceu 20,9% e que “os resultados antes de impostos de 2010 são um terço dos de 2007".

Quando ninguém emprestava às empresas (2011, 2012, 2013), durante a crise financeira e depois durante a crise de dívida soberana, a CGD, por instruções do seu accionista, e por ser um banco público emprestava às empresas, e emprestava às PME e isso tinha um custo, na conta de resultados e no capital. A CGD concedia crédito às empresas com spreads mais baixos do que os bancos privados, mas financiava-se ao mesmo preço e isso degradou a margem financeira. Porque o fez? Porque ao ser um banco público era essa a sua missão.

Ora os bancos privados não seguem essa cartilha. O aumento do crédito é um objectivo dos bancos. Mas essa concessão de crédito não pode deixar de seguir critérios de avaliação do risco correctos e prudentes, sob pena de enfraquecerem os bancos, e os spreads reflectem o risco de crédito, não reflectem missões de apoio à economia.

A CGD por ser pública foi uma espécie de BCE da economia portuguesa antes do Plano Draghi vir ajudar à liquidez do sistema (quantitative easing começou no inicio de 2015).

Nunca se esqueçam disso. A Caixa está como está porque tem incumbências de banco público que custam caro.

P.S. Para além da actividade core a CGD serviu também durante anos como fundo soberano do Estado para a compra de participações em empresas estratégicas (whatever that means). Foi a golden share, e a blindagem de votos na gestão privada de empresas como por exemplo a PT. 

Durante anos a CGD era o banco que entrava no capital de uma empresa que o Estado queria condicionar os destinos. Isso é também uma vicissitude de ser um banco público e não o contrário.

Sei que hoje toda a gente tende a defender a CGD como banco do Estado, porque acredita que será a única maneira de ter um banco de grande dimensão no espaço europeu que convida às fusões e ao desaparecimento de bancos mais pequenos às escala europeia e menos rentáveis. Esse designio de que falou Nuno Amado, de haver um banco português de referência. Mas, será que ser do Estado garante esse estatuto à CGD? Não depende também ela das directizes de Bruxelas e Frankfurt?

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Marcelo, um discurso como só a elite pode fazer

por Maria Teixeira Alves, em 10.06.16

10 de junho: Comemorações pela primeira vez em território espiritual de Portugal

Coitadas das elites: Sempre à frente nas decisões dificeis, sempre à frente a assumir as responsabilidades, são sempre as criticadas quando tudo corre mal, e nunca as elogiadas quando tudo corre bem.

O Presidente da República disse hoje no discurso do 10 de Junho que: 

"O povo sempre a lutar por Portugal mesmo que algumas elites, ou melhor, as que como tal se julgavam, nos falharam. Em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, de altas contemplações deslumbradas, ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e decidir com visão e sem preconceitos", disse Marcelo, lançando assim uma farpa às elites criadas pela História.

Nos momentos de crise é "sempre o povo que assume o papel determinante". Depois de uma exposição histórica sobre o papel do povo ao longo da construção do país, eis que Marcelo elogiou a capacidade dos portugueses para aguentar "sacrifícios" em momentos de crise. "Foi o povo quem, nos momentos de crise, soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo". 

Este é um discurso que só a elite pode fazer, é um pensamento/sentimento que só a elite pode ter. Penso que Marcelo Rebelo de Sousa sabe isso.

"Amo aqueles que se envergonham quando os dados lhes são favoráveis", cito de memória, escreveu um dia William Blake 

A elite é aquela que se envergonha quando os dados lhe são favoráveis. E nesse aspecto são pessoas de uma enorme grandiosidade e nobreza, e essa grandiosidade é essencial para a humanidade. Porque a contagia.

Por muito que se critique as elites [já lá iremos] elas são louváveis, e são o motor do mundo. 

Pode dizer-se, e eu concordo, que as elites são fracas porque são elites numa coisa, mas não o são em tudo. O nível cultural das elites (nomeadamente das portuguesas) é lamentável e isso afasta as elites daquilo que deveriam ser. A cultura é a única receita contra o pensamento único, é a única arma contra a propaganda, é a única forma de se pensar pela própria cabeça mesmo quando se unem exércitos contra nós. Porque os movimentos de massa são poderosos, mesmo quando são movidos por ideias "estúpidas". A cultura e a inteligência são fundamentais para saber que caminho traçar, para se ser imune à alienação colectiva, para saber reconhecer os preconceitos e ultrapassá-los com o coração. Para isso é  preciso uma enorme dose de bondade. A sabedoria aliada à bondade é também um traço da elite.

Os preconceitos estão em todos os lados, não só na elites. Mas a elites têm de ter essa capacidade para os renegar, para os derrubar. Se o fizer outros se seguirão e o povo será melhor.

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Tino de Rans forma partido

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Caixa: Um Albergue Espanhol (O banco Too Big To Fail)

por Maria Teixeira Alves, em 07.06.16

Leonor Beleza e Rui Vilar vão ser vices da Caixa

A Caixa Geral de Depósitos é mais uma construção desse grande arquitecto de empresa publicas que se chama António Costa. A administração da CGD está a ser desenhada à imagem e semelhança do estilo do Primeiro-Ministro.

Especialista em geringonças, António Costa prepara-se para transformar a administração das Caixa num autêntico Albergue Espanhol. Todos lá representados, todas as "tribos" representadas para acabar com aquela coisa que o incómoda verdadeiramente: O confronto.

Vejamos o que se passa na Caixa. António Domingues, inteligente banqueiro, discreto, e especialista na área financeira (o que dá jeito à CGD que precisa de um presidente que salve a capitalização do banco), leva, segundo o Negócios e o Expresso, e outros que seguiram, Leonor Beleza* e Rui Vilar*. Uma social-democrata e um socialista. Ambos de um tempo antes da actual crispação esquerda direita.

Vamos cá a ver, António Domingues aceitou este desafio, muito provavelmente porque foi convencido a isso por Artur Santos Silva (chairman do BPI), socialista da velha guarda, e pelo primeiro-ministro, que mandou lá um emissário Diogo Lacerda Machado, nos tempos da importância diplomática para as negociações do banco com Isabel dos Santos. Tem por isso desempenhado o papel de escolher uma administração e uma comissão executiva. É uma tarefa árdua e de louvar!.

São apontados neste novo 'board' ainda, como não executivos,  Bernardo Trindade*, o ex-secretário de Estado do Turismo de José Sócrates e dirigente socialista, e Pedro Norton* o ex-CEO do grupo Impresa.

Não têm experiência em bancos mas representam "tribos", e isso é o que interessa nesta época "dos consensos" (ou não tivéssemos nós um presidente da republica "consensual").

*São bons gestores (que isso fique claro)

Há ainda entre os não executivos, dois estrangeiros, dizem os jornais. Mas nada se sabe sobre isso. Eu apostaria em alguém próximo da Comissão Europeia, ou quiçá mesmo alemão.

Leonor Beleza por seu turno, aceitou ir para a CGD, mantendo a sua presidência na Fundação Champalimaud, sem que para a nova função venha a ser remunerada. Ora o Conselho de Administração de um banco não é propriamente um órgão consultivo. É preciso fiscalizar e nalguns casos é mesmo preciso decidir. É uma actividade que deve ser remunerada para que seja possível exigir responsabilidades. Portanto isto parece uma coisa boa (é barato), mas a meu ver, não é. O barato sai quase sempre caro. A senhora vai fazer um favor. Não é um trabalho. 

Adiante. Todos os administradores de que falámos ainda haverá um do CDS (seguro) e quiçá uma Mortágua qualquer do BE, e uma comunista com inclinações económicas (que é como quem diz, capitalistas).

O novo Conselho de Administração do banco público terá 19 membros, dos quais seis gestores executivos.

Dos executivos pouco se sabe. Os executivos é que interessam, pois são os que verdadeiramente trabalham.

Há o presidente, fala-se de Emídio Pinheiro, presidente do BFA. Até pode ser que vá, mas será que vai já? Quem é que nesta altura (até ao desfecho da OPA do CaixaBank, e eventual spin-off do BFA), no seu perfeito juízo quer substituir o presidente do BFA, sem saber quem será o novo dono do banco? Vai Emídio Pinheiro para a CGD deixando o BFA à sua sorte?

Os não executivos da Caixa são fáceis de recrutar, os executivos é que são elas. António Domingues começou a escolher os melhores, mas recebeu recusas, a ver quem aceita este desafio de guiar um barco demasiado pesado (Too Big to Fail)  e sob vigilância apertada de Bruxelas.

Mas esperem lá 19 membros?! Mas como é que a António Costa pretende explicar aos portugueses que vão ter de contribuir com 4 mil milhões de euros para aumentar o capital da Caixa, um banco que vai ter de fazer muitos despedimentos, e depois «bota lá» 19 administradores, sendo apenas seis (sete com o presidente) que trabalham mesmo (os executivos)?

 

 

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Este equívoco da modernidade

por Maria Teixeira Alves, em 02.06.16

Eu sei que corro o risco de ser apelidada de "old fashion woman", mas alguém me consegue explicar o que leva um partido a achar que as pessoas podem inventar a sua própria natureza, contrariando a realidade natural, para mudar de sexo (mudar de sexo?! Mas o sexo não é escolha nossa, assim como a raça, ou a altura, por exemplo)? Porque carga de água é que alguém com menos de 18 anos tem maturidade para ir contra a sua natureza real, em nome de um realidade mental, e não tem maturidade para ser forcado, ou para ser alpinista, ou para jogar rugby?

É violenta a corrida de toiros? É violento para o toiro e para o toureiro? Até pode ser,. Mas por acaso há mais violento do que mudar a natureza? Nada é mais violento do que isso.

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A OCDE também persegue a geringonça?

por Maria Teixeira Alves, em 01.06.16

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Foto: Diário Económico (Paulo Figueiredo)

 

“Sim, sim, é geringonça, mas funciona. É uma grande vantagem, estão a ver? É geringonça mas funciona.” Disse uma vez, não há muito tempo, o Primeiro-Ministro.

Governar um país é como guiar um barco, roda-se o volante vigorosamente e nada acontece, e depois passado uns minutos, o barco responde rapidamente. Há um delay entre a acção e a reacção. 

Também acontece isso com um país, criam-se medidas, revogam-se as anteriores, devolvem-se os rendimentos, e num primeiro momento o equilíbrio não é afectado, até que de repente, zás, o resultado. Se forem acções bem pensadas o resultado é bom, se não forem o resultado abrupto será desastroso. A geringonça só se vê se funciona quando houver a resposta da economia à actuação do Governo.

O Ministro das Finanças também sabe isso. Pois disse-o à CNBC.  “A paciência é a essência para a recuperação económica”. Deve haver um alinhamento “na capacidade de esperar que elas [as medidas] surtam os seus efeitos”. Medidas? Quais Medidas? As do anterior Governo? Eis a resposta: [é preciso esperar] que as reformas estruturais feitas nos últimos anos se materializem”, o que ajudará a acelerar o crescimento e a redução da dívida. 

O ministro socialista, longe dos palcos políticos lá disse que o rácio de dívida pública “está a cair desde 2014” e que Portugal conseguiu “colocar o rácio de dívida (sobre o PIB) numa trajectória descendente”.

Centeno já antes tinha admitido que as previsões do Governo dependem da retoma do investimento.

O que diz hoje a OCDE?

A economia portuguesa só irá crescer 1,2% neste ano e 1,3% no próximo, e para este ano prevê um défice de 2,9% este ano.  O governo tem metas muito mais favoráveis, prevê no Orçamento de Estado para 2016 como um crescimento do PIB de 1,8% e um défice de 2,2%.

A Comissão Europeia prevê um crescimento de 1,5% e um défice de 2,7%; o Fundo Monetário Internacional 1,4% e 2,9%, respectivamente e o Banco de Portugal prevê 1,5% de crescimento do PIB (e não publica previsões para o défice). 

A OCDE diz ainda que o Orçamento de Estado de 2016 baseia-se mais em impostos sobre o consumo e menos em impostos sobre o rendimento.

"A redução da taxa do IVA dos restaurantes vai reduzir as receitas fiscais e provavelmente terá pouco efeito sobre o emprego”, refere o novo estudo Panorama Económico de hoje.

Em relação à ancora do crescimento económico do Governo de António Costa, isto é, o consumo interno, a OCDE admite que o consumo privado “pode compensar parcialmente os resultados negativos do investimento”. Mas avisa que não será sempre assim: “As políticas para impulsionar a procura interna não vão produzir efeitos duradouros”.

O aumento da despesa em consumo sofre limitações impostas por uma taxa de poupança historicamente baixa e uma reduzida criação de emprego, levando o consumo privado a perder o vapor. Quem o diz é a OCDE, não é a direita que está na oposição.

Já o INE disse que a evolução do PIB foi suportada apenas pela procura interna. O INE anunciou ontem uma ligeira revisão em alta do crescimento do PIB face às estimativas divulgadas a 13 de Maio último, mas o investimento caiu pela primeira vez desde 2013, numa altura em que as previsões económicas do Governo estão dependentes da retoma do investimento. Ao mesmo tempo, as exportações caíram, enquanto o consumo privado manteve o ritmo de crescimento que já vinha do último trimestre de 2015. 

Pois, o investimento diminui pela primeira vez desde 2013.

A OCDE lamenta ainda que “as reduções previstas nos impostos sobre as empresas, que poderiam aumentar o investimento e o crescimento" tenham sido "canceladas”. “Um aumento dos benefícios sociais apoiará as famílias de baixos rendimentos”. Mas “as reduções de despesa previstas estão sujeitas a riscos de implementação severos”. Isto é, a OCDE duvida destas medidas e da sua execução orçamental. 

Os riscos para o crescimento da economia “são maioritariamente internos e estão relacionados com o alto endividamento dos sectores público e privado”.

A organização também piorou a estimativa para o desemprego, esperando que represente 12,1% este ano e 11,5% no próximo, quando em Novembro apontava para taxas de 11,3% e 10,6%, respectivamente.

A geringonça funciona? Só se for na aparência, que é como quem diz no marketing. Mas o que parece tem muita força.

 

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A líder do Bloco perdeu o juízo de vez?

por Maria Teixeira Alves, em 26.05.16

Nem queria acreditar quando li, assim de raspão (porque já nem vale a pena ralar-me com esta espiral de loucura em que vivemos) que o Bloco de Esquerda quer legalizar a mudança de sexo aos 16 anos. Já para beber só aos 18, tal como guiar e comprar cigarros!

 

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A frase inédita de António Costa

por Maria Teixeira Alves, em 22.05.16

Pedro Mexia disse no Governo Sombra que António Costa, no dia da apresentação do Simplex, disse uma coisa que nunca tinha sido dita na história do socialismo (ele foi pesquisar): "Legisla-se demais em Portugal".

"Geralmente os Governos socialistas legislam à bruta", disse Pedro Mexia.

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Lido no Twitter

por Maria Teixeira Alves, em 21.05.16

Resumindo, o PS enterrou mais de 7 mil milhões no BPN, 2 mil milhões no Banif, prepara-se para injectar 4 mil milhões do Orçamento de Estado na CGD e ainda tem a lata de criticar a resolução do BES?

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