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PT boa e PT má

por Maria Teixeira Alves, em 15.08.14


O que falta à Portugal Telecom é um Carlos Costa que a parta em duas e ponha de um lado os maus e do outro os bons!


 


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Ricardo Salgado já começou a pôr a nú tudo o que sabe, e sabe porque o viveu. A troca de mails revelada pelo Expresso, é apenas a ponta de um iceberg de compromissos, e acordo "de cavalheiros", que foram assumidos sem prova jurídica, ao longo do tempo. Sempre houve a sensação que a PT e o BES eram a união que faz a força. Para que a união fosse mais do que acordos tácitos entre os boards de ambas, há uma troca de participações accionistas a legitimar a confluência de interesses económicos. O BES controla 10,05% da PT e esta controlava 2% do BES.

O que revelam a troca de e-mails divulgada pelo Expresso? Revelam que a fusão com a Oi, serviu, entre outras coisas para resolver o passivo dos accionistas da Oi, em primeiro lugar. "Certamente que o Sérgio [Andrade] se lembra de que o Grupo Espírito Santo teria uma contrapartida equivalente ao benefício das holdings privadas brasileiras no aumento de capital". Terá escrito Ricardo Salgado ao, na altura, presidente do accionista da Oi - o grupo brasileiro Andrade Gutierrez. Que contrapartida seria essa? Bom o Pedro Guerreiro sabe que o aumento de capital da Oi, um passo para a fusão com a PT, serviu para os accionistas da empresa brasileira limparem as dívidas junto do banco BNDES. Em troca a Oi tinha prometido que a PT/Oi investisse o mesmo montante em papel comercial das empresas do GES. 

O mesmo mail segue dizendo: "tive o cuidado de falar com o presidente da Oi no ínicio das aplicações que têm vencimento a 15 e 17 de Julho, uma vez que deveriam ser sucessivamente renovadas por prazos de três meses até um ano a contar desde o inicio de Fevereiro". O presidente da Oi é Zeinal Bava. Ninguém pode jurar pela veracidade deste mail, a não ser os próprios, mas que entra pelos olhos adentro que um investimento de cerca de 900 milhões de euros não pode ter passado despercebido a Zeinal Bava, isso entra.

Continua o interessante e-mail, "Esse assunto foi também abordado pelo Dr. Amílcar Morais Pires na reunião de Steering Comitee de 14 de Abril, em Lisboa". Isto é, num comité de acompanhamento das negociações entre a PT e a Oi, onde estão todos os protagnistas da fusão das duas empresas. Amílcar Morais Pires sempre presente.

Claro que o Sérgio Azevedo, um brasileiro de gema, responde de uma forma diplomática e cheio de cuidados jurídicos. Vê-se logo que os advogados estavam a escrever o e-mail. "Prezado Ricardo, tenho a certeza de que o assessores da Oi estão procurando uma solução que minimiza ao máximo os danos da operação, decidida conforme facto relevante da PT, por seu comité executivo". E dá-lhe a tacada, a insinuar que não pode ter feito esse tipo de acordo (ilícito?): "creio que o seu e-mail faz referência a um mal entendido, pois os aportes de capital foram realizados na cadeia societária da Telemar [Oi] foram feitos, exclusivamente com bases em interesses legítimos das partes". 

A Andrade Guiterrez, tem a faca e o queijo na mão, porque não havendo nada escrito e contratado o acordo de cavalheiros, fica com eles. Morre com eles. E remata a reforçar que "Cabe ressaltar que os sócios brasileiros não tinham qualquer conhecimento dessa operação, realizada emtre a PT e o GES".

A saída de Henrique Granadeiro, que foi imolado como um cordeiro, é acompanhada de uma insinuação: "Convivo bem com os meus actos, mas não com os encargos e responsabilidades de outros". 

Cabe à auditoria forense à PT revelar quem se comprometeu com o quê?

Ricardo Salgado não sai bem deste caso, mas não é o único protagonista de negociatas.  

  

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Podia tudo ser diferente no BES?

por Maria Teixeira Alves, em 08.08.14

Tenho estado a tentar perceber esta intervenção inovadora (bail-in do BES). Começo por dar o braço a torcer porque da leitura do relatório e contas do BES do semestre, não se discorria a verdadeira natureza dos problemas. Faltou essencialmente esta informação, que agora é descrita pelo Governador do Banco de Portugal:

Na segunda metade de Julho, foram identificadas pelo auditor externo as seguintes operações:
i. A emissão de duas cartas-conforto dirigidas a investidores institucionais não residentes, em violação dos procedimentos internos de aprovação deste tipo de operações e das determinações do Banco de Portugal. Estas cartas-conforto conduziram ao reconhecimento de uma perda nas contas do Banco Espírito Santo no valor de 267 milhões de euros, com referência a 30 de Junho de 2014; [eu sei quem são os destinatários das duas cartas mas dispenso me aqui de revelar]
ii. A realização de operações de emissão e recompra de obrigações próprias, envolvendo o Banco Espírito Santo, o Grupo Espírito Santo e a Eurofin Securities, que determinaram um registo de perdas nas contas do Banco Espírito Santo no valor total de 1249 milhões de euros, com referência a 30 de Junho de 2014.
Estas operações tiveram um impacto negativo de cerca de 1500 milhões de euros na conta de resultados do 1.º semestre. Face às perdas apuradas, o BES deixou de cumprir os rácios mínimos de capital em vigor, verificando um rácio de Common Equity Tier 1 de 5 por cento, abaixo do mínimo de 7 por cento exigido pelo Banco de Portugal e do mínimo de 8 por cento para as instituições que entram no exercício de avaliação abrangente promovido pelo BCE

 

Estas duas informações são essenciais. E delas decorre a intervenção do Banco de Portugal, que foi em tempo record. Basta ver que entre quinta-feira à noite e domingo tiveram de pedir autorização a Bruxelas, que assim, com o BES, testa o novo mecanismo de intervenção dos bancos.  Este "novo esquema" baseado no mecanismo único de resolução dos bancos que foi aplicado ao BES faz com que Portugal seja o primeiro país a testar as bases da união bancária.  Para o concretizar o Governo teve de fazer aprovar um decreto-lei que altera a lei bancária, para dar poderes ao Banco de Portugal. A CMVM teve de suspender o BES na sexta. Carlos Costa disse aos deputados que "A única coisa que sabíamos na sexta-feira ao almoço era que, em reunião por teleconferência entre os membros do Conselho de Governadores [do Banco Central Europeu, BCE], na segunda-feira tínhamos uma data limite até à qual tínhamos de ter uma solução e tínhamos de ser nós a encontrar a solução".

 

O Conselho de Administração do Banco de Portugal deliberou no passado dia 3 de Agosto aplicar ao Banco Espírito Santo a medida de resolução. Esta medida consistiu na criação do Novo Banco, para o qual foi transferida a generalidade da actividade e do património do Banco Espírito Santo. O BES foi durante este fim-de-semana separado em dois bancos, o bom e o mau. O Novo Banco, que é o bom, tem um capital social de 4.900 milhões euros, integramente subscrito pelo Fundo de Resolução. O Fundo de Resolução pertence aos bancos, e a linha da troika emprestou o remanescente que são 4.400 milhões, mas que afinal podem ser apenas 3.900 milhões porque os bancos fizeram contas aos juros que vão pagar pelo empréstimo (2,95%) do Estado e preferem ser eles a emprestar mil milhões de euros. A brincadeira de Ricardo Salgado sobrou para os outros bancos.

O Novo Banco, devidamente capitalizado e expurgado de activos problemáticos, salva os clientes, depositantes e empresas com empréstimos, nada muda. Mas deixa cair os accionistas para o velho banco. Muitos deles investiram acreditando que BES tinha fundos próprios suficientes para acomodar eventuais impactos, tal como tinha garantido o Governador do Banco de Portugal. Carlos Costa chegou a garantir, o que é inédito, que havia investidores para entrar no capital. Antes de a lei ser mudada, o Governador já a punha em prática. O BdP já anunciava a venda do banco. Mas depois da apresentação dos prejuízos brutais (e recordo que Carlos Tavares anunciou no Parlamento, um tempo antes, que iam haver surpresas nos resultados do BES, não era por isso totalmente desconhecido que ia haver um impacto negativo), no dia 31 de Julho, o Banco Espírito Santo, comunicou ao Banco de Portugal a impossibilidade de promover uma solução de recapitalização do banco, nos termos e nos prazos solicitados pelo Banco de Portugal.

Eu sei que tudo isso foi feito para evitar a corrida aos depósitos e a venda massiva de acções. Eu sei que foi com a realidade que se conhecia e com boa intenção. Mas se ainda decorria a auditoria da KPMG não teria sido melhor esperar pelos resultados dessa auditoria antes de dar garantias em público? É que assim foi pior a emenda que o soneto porque os accionistas perderam tudo, o mercado de capitais português foi profundamente abalado. A confiança minada. Os investidores institucionais desataram a vender acções do BCP, com o pânico do contágio. Quem irá dizer a um fundo institucional que entrou no BES a acreditar nas garantias do Governador para voltar a investir em Portugal? 

Para o sistema no seu conjunto, o novo BES é um banco mais sólido alvo de aumento de capital realizado pelo Fundo de Resolução. Mas mesmo os depositantes não ficaram totalmente sossegados e alguns tiraram os depósitos do Novo Banco. 

O banco mau, que vai ficar com o nome do BES, passa a deter todos os activos de empresas em dificuldades, nomeadamente as dívidas do grupo GES, assim como a participação accionista no BES Angola. Os empréstimos ao BESA ficam no banco bom que levou com ele provisões.

O governo e o Banco de Portugal tomaram esta decisão porque já não era possível manter o mesmo BES com as portas abertas. Tinha perdido o acesso a empréstimos do BCE depois dos resultados que apresentou no primeiro semestre. 

Os accionistas do BES assim como os detentores de obrigações subordinadas perdem tudo, ficando donos do 'bad bank', ou 'BES mau' que perde a licença bancária e entra em liquidação e passará a ser gerido por um administrador de falências.

O Novo Banco mantém a administração que entrou recentemente no banco e é um banco que será vendido o mais depressa possível pelo Fundo de Resolução onde participam todos os bancos do sistema. Carlos Costa já voltou a dizer que há investidores interessados neste novo banco. O melhor é não dizer nada e apresentar os factos consumados. Até porque há mais uma auditoria encomendada, desta vez à PwC.

 

Podia o BES ter sido salvo?

Parece que não. Esgotada a solução de capitalização privada e afastada, por razões de estabilidade financeira, a hipótese de liquidação da instituição, restavam duas alternativas: a recapitalização pública e a aplicação de uma medida de resolução.

A recapitalização pública, mesmo na modalidade de capitalização obrigatória, não seria viável, dada a situação de urgência decorrente do risco iminente de incumprimento das obrigações do BES, e não asseguraria nem a necessária segregação em relação ao Grupo Espírito Santo, nem a protecção dos recursos públicos relativamente aos riscos próprios da atividade bancária.

 

Na audição de 7 de Agosto Carlos Costa respondeu a três questões:

O que se alterou desde a minha audição nesta Comissão no dia 18 de Julho e que conduziu à aplicação da medida de resolução ao Banco Espírito Santo? 
Em que consiste a medida de resolução e quais as consequências para as principais partes interessadas?
Quais são os próximos passos?

 

Responder, respondeu. Mas terá sido suficiente para a recuperação da confiança?

 

Outra coisa referida no Parlamento pelo Governador. "Os auditores auditam as contas, não o que não está lá. A ocultação é sempre um problema para todos". Ora se os auditores não detectam a ocultação nas contas, para que é que as contas são auditadas? Para saber se as contas maquilhadas estão bem contabilizadas? E isso de a ocultação ser um problema para todos é como diz o George Orwell, para uns mais que outros. 

Tenho ainda a perguntar porque é que sendo a ESFG uma holding que estava sob supervisão da EBA, não foi obrigada a provisionar a exposição dos seus bancos todos, e não apenas do BES, ao papel comercial? O Banco de Portugal podia ter deixado essa sugestão quando forçou o BES a uma provisão de 700 milhões.

 

P.S. Ricardo Salgado perdeu uma excelente oportunidade de ter recapitalizado o BES nas mesmas condições em que o fizeram o BCP e o BPI. Foi o engodo e  a soberba que o tramaram. Tinha entregue o BES à ajuda da troika e hoje, talvez ele não fosse o presidente do BES, por via do que se iria lá descobrir, mas talvez o banco ainda fosse Espírito Santo. Quem tudo quer, tudo perde. Lá diz o ditado.

 

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Não ficará pedra sobre pedra, Banco de Portugal arrasa

por Maria Teixeira Alves, em 30.07.14

 Ao longo de anos a analisar resultados de bancos, nunca tinha visto nada assim. Onde foram os auditores encontrar tantas imparidades escondidas?

O BES apresentou prejuízos semestrais, sim semestrais, de 3.577,3M€ (-3.488,1M€ só no 2º trimestre). Só em Portugal o prejuízo foi de -3.414,6 M€. O custo com imparidades e contingências atingiu 4.253,5M€ influenciado pelos factores de natureza excepcional", diz o banco. Valores surpreendentes.

 

Neste momento faltam biliões de capital no BES para cumprir os rácios. Depois de durante o mês de Junho se ter concretizado uma operação de aumento de capital do BES de 1.045M€, fazendo elevar o capital social para 6.085M€, representado por 5.624.962 mil acções. O rácio de Common Equity Tier I (capital puro e duro) era, em 30 de Junho de 2014, de 5,0% (mínimo fixado pelo Banco de Portugal: 7%). O BES tem hoje capitais abaixo dos mínimos. Está insolvente.

 

Já lá vamos aos motivos destes números. Mas o mais obvio é que o Conselho de Administração decidiu constituir provisões para imparidades no montante de 1.206M€ para fazer face às eventuais perdas relativas às empresas do Grupo Espírito Santo. 

A provisão representa deixar dinheiro de lado para cerca de 77% da exposição de 1,571.8M€ que o BES tem ao grupo. Dos quais 823M€ para a exposição ao ESFG; 144M€ para Rioforte e 239M€ para outras entidades, nomeadamente a Escom.

Esta rubrica parece-me excessivamente prudente, penso que isto será uma almofada para qualquer coisa, ou então um pretexto para mudar toda a administração.

O presidente do BES está concertado com o Governador do Banco de Portugal. Pois a mais significativa (e imediata) consequência disto é a carta branca que Carlos Costa tem para dizimar todo o passado do banco.

Reparem no comunicado do Banco de Portugal: "factos supervenientes, identificados pelo auditor externo apenas na segunda quinzena de julho e com um impacto negativo de cerca de 1,5 mil milhões de euros, vieram alterar substancialmente o valor das perdas a reconhecer na conta de resultados do primeiro semestre, pondo em causa o cumprimento dos rácios mínimos de solvabilidade vigentes. Estes factos, anteriores à  nomeação dos novos membros da Comissão Executiva, indiciam a prática de actos de gestão gravemente prejudiciais para os interesses do BES e um claro incumprimento das determinações emitidas pelo Banco de Portugal.

 

A auditoria forense determinada pelo Banco de Portugal, que já está em curso, permitirá avaliar responsabilidades individuais, incluindo as do anterior Presidente da Comissão Executiva, anterior administrador com o pelouro financeiro e outros membros da Comissão Executiva que entretanto renunciaram aos cargos exercidos. Caso se confirme a prática de ilícitos, serão extraídas as necessárias consequências em matéria contraordenacional e, porventura, criminal.
Independentemente da avaliação das responsabilidades individuais no âmbito da auditoria forense, o Banco de Portugal considera que os indícios da prática de actos prejudiciais aos interesses do BES e em violação das determinações emitidas não são compatíveis com a manutenção em funções dos titulares dos órgãos de administração com os pelouros de auditoria, compliance e gestão de riscos, bem como dos titulares do órgão de fiscalização. A estes titulares incumbiam deveres reforçados de vigilância.

 

Soluções do Banco de Portugal:

 

A realização de um aumento de capital por parte do BES, incumbindo a sua administração de apresentar um plano de capitalização cuja execução permita, a curto prazo, o reforço dos fundos próprios para níveis adequados de solvabilidade; Inibir os direitos de voto inerentes à participação qualificada que a Espírito Santo Financial Group, S.A. e a Espírito Santo Financial (Portugal) - SGPS, S.A. detêm no BES, ao abrigo do disposto nos artigos 13º nº7º, 13º-A e 106.º do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (RGICSF); Suspender, com efeitos imediatos, os membros dos órgãos de administração com os pelouros de auditoria, compliance e gestão de riscos, bem como os titulares do órgão de fiscalização. A substituição destes membros deverá ser assegurada por proposta dos accionistas, com eventual cooptação pelos membros em funções; Designar uma comissão de fiscalização composta por quadros superiores da PricewaterhouseCoopers & Associados – Sociedade de Revisores Oficiais de Contas, Lda., nos termos e para os efeitos previstos no artigo 143.º do RGICSF, até que os accionistas promovam a substituição dos membros da Comissão de Auditoria.

 

Vão ser afectados administradores como Joaquim Goes e Rui Silveira, António Souto e mais, muito mais. É uma razia.

 

Segundo as contas havia um veículo especial onde era concedido crédito às empresas do Grupo de forma ilícita. Fugindo às recomendações do Banco de Portugal. Mas a verdade é que a administração também não o conhecia.

 

Vamos aos resultados:

 

Os resultados do Grupo BES no primeiro semestre de 2014 foram significativamente influenciados pelos seguintes factores de natureza excepcional: (i) constituição de provisões para fazer face à exposição perante as empresas do Grupo Espírito Santo; (II) anulação de juros incobráveis sobre crédito concedido no BES Angola (BESA) e constituição de provisões para contingências fiscais nesta filial; (iii) agravamento do risco da carteira de crédito; (iv) reconhecimento da imparidade na participação na Portugal Telecom; (v) consolidação de SPE e contingências sobre dívida emitida; e (vi) situações específicas a seguir discriminadas.

 

O primeiro caso: A exposição do Grupo BES às sociedades que pertencem ao Grupo Espírito Santo deve ser analisada em duas componentes distintas: 1)crédito concedido e garantias prestadas pelo Grupo BES, e 2)subscrição de dívida por clientes do Grupo BES.

 

No primeiro caso, o crédito concedido e garantias prestadas pelo Grupo BES às empresas do Grupo Espírito Santo, deve ser abordado tendo em conta os distintos subgrupos sectoriais: (i) exposição para com as companhias de seguros; (ii) a exposição para com a ESFG e suas filiais bancárias e financeiras; (iii) a exposição para com o Rio Forte e suas subsidiárias; (iv) exposição para com a ESCOM e outras sociedades.

 

Destaque aqui para a exposição à ESFG:

A partir do início de maio, e em função de uma determinação da Comissão de Partes Relacionadas, ratificada em Conselho de Administração, foi decidido e aceite pela ESFG que a exposição não colateralizada deveria ser reduzida para um montante máximo de 400M€ até 30 de Junho de 2014 e que quaisquer novos créditos deveriam implicar a constituição de colaterais. No quadro dessa nova política, foram aprovadas novas operações no valor de 200M€. Todavia, os compromissos assumidos por parte da ESFG e suas subsidiárias relativamente à redução de exposição não colateralizada e à constituição de colaterais em favor do BES não foram, até à presente data, integralmente cumpridos, podendo alguns deles ter ficado prejudicados pelo pedido de protecção de credores solicitado pela ESFG. Em junho de 2014, a exposição do BES à ESFG e respectivas subsidiárias agravou-se em 120M€, em consequência de algumas operações realizadas entre o Banco e estas entidades, as quais não foram, no entanto, objecto de aprovação prévia pela Comissão de Partes Relacionadas nem pelos órgãos do Banco com competência para aprovar este tipo de operações. Relativamente a este aumento de exposição, encontra-se em curso uma análise relativa às condições em que o mesmo ocorreu.

 

Depois a garantia de pagar aos clientes de retalho em Portugal que subscreveram papel comercial da Rioforte e ESI:

Adicionalmente, e na sequência dos compromissos assumidos pelo BES no contexto do reembolso da dívida subscrita pelos seus clientes de retalho, verificou-se um aumento de exposição directa à ESFG por via da utilização da linha de crédito associada à garantia constituída pela ESFG a favor dos titulares do papel comercial emitidos pela ESI e, posteriormente, pela Rioforte e comercializados junto de clientes de retalho aos balcões do BES, tendo o BES obtido como colateral de tal linha de crédito um penhor sobre a totalidade das acções representativas do capital social da Tranquilidade. O valor utilizado desta linha é de 48,5M€. Em face do pedido de protecção de credores apresentado pela ESFG, esta linha foi cancelada. O súbito agravamento da situação financeira da ESFG, a colocação de dívida da ESFG na Tranquilidade no montante de 150M€, bem como os danos reputacionais para a Tranquilidade associados a este enquadramento, e ainda o subsequente pedido de protecção de credores da ESFG afeta de forma muito relevante o valor da garantia prestada aos titulares de papel comercial atrás referidos, tendo este facto levado o BES a assumir directamente o reembolso aos seus clientes de retalho. Em virtude do exposto, o Grupo BES constituiu uma provisão de 823M€ para imparidades decorrentes da exposição a este grupo de entidades.

 

Há uma exposição à Rioforte e subsidiárias: Também ocorreu um aumento do financiamento à Rio Forte e suas subsidiárias que fez passar a exposição total para 270,8M€ (mar,14:69,6M€; dez,13: 101,7M€).


O principal motivo para o aumento da exposição directa à Rioforte decorre de adiantamentos efectuados em atenção a um mandato exclusivo e irrevogável atribuído ao BES para a venda de uma participação significativa do portfolio da Rioforte, mandato cuja execução pode estar afectada em consequência do pedido de protecção de credores apresentado pela Rioforte no Luxemburgo.

 

Mas é importante esta consideração:

(iv) Exposição a outras entidades 

Finalmente, como explicitado no quadro acima, existe uma exposição bruta de 297M€ relativa ao Grupo ESCOM que, segundo informação prestada pelo Grupo Espírito Santo, terá sido vendido, através de um processo que ainda não se encontra encerrado, mas com conclusão prevista para breve.

 

Não se percebe que tipo de exposição é esta.  É crédito ao Grupo Escom?  

 

Dívida subscrita por clientes
O montante de títulos de dívida emitidos por entidades do Grupo Espírito Santo e subscrito por clientes do Grupo BES à data de 30 de Junho de 2014 totalizava cerca de 3,1mM€, dos quais perto de 1,1mM€ foram subscritos por clientes de retalho e 2,0mM€ por clientes institucionais.

Atendendo a que ainda não é conhecido o plano de reestruturação do GES, não é possível, à data da aprovação das contas do semestre, determinar com o indispensável rigor os montantes não recuperáveis da dívida subscrita. Após a divulgação das exposições ao GES efectuada ao mercado no dia 10 de Julho, o Conselho de Administração tomou conhecimento da existência de duas cartas emitidas pelo Banco Espírito Santo a benefício de entidades credoras da Espirito Santo International, cuja aprovação não havia sido realizada de acordo com os procedimentos internos instituídos no Banco, nem constava dos seus registos contabilísticos a 30 de Junho Para fazer face aos passivos contingentes descritos neste ponto, o CA decidiu constituir uma provisão de 856M€.

 

Não se percebe se o BES está a contar em assumir todos os clientes de retalho do grupo BES ou só os do BES.

 

E agora BES Angola que teve prejuízos de 356 M€.

A análise realizada pela nova equipa de gestão do BESA sobre a carteira de crédito levou à identificação de 247,2M€ de juros incobráveis; em consequência, procedeu-se à respectiva anulação;

 

Mas atenção que estes juros estavam provisionados por serem irrecuperáveis, portanto o banco libertou provisões em compensação.

 

O Banco Nacional de Angola informou o BES Angola da necessidade de este proceder a um reforço substancial dos seus capitais, tendo solicitado que o BES Angola inquirisse os seus accionistas sobre as possibilidades e condições em que tal reforço de capitais poderia por eles ser realizado.
Caso o BES decida não acompanhar este aumento, no todo ou em parte, poderá deixar de ter uma participação de controlo e/ou esta ser diluída para uma participação em que deixa de fazer consolidação integral do BES Angola.
O BES está em contacto com as autoridades regulatórias angolanas e portuguesas, no sentido de ser encontrada uma solução conveniente aos interesses das autoridades angolanas e que salvaguarde os interesses do BES e dos seus accionistas. A garantia soberana prestada pelo Estado Angolano mantém-se válida.

 

Bom, teremos de ver se limpar o BES dos embaraços não compremeterá a receita futura do banco. O mercado doméstico só, não alimenta banco nenhum hoje em dia.

 

Foi ainda reconhecido um prejuízo nas emissões de obrigações do Grupo BES de 767 M€. Mas foi reconhecido mais três sociedades veículo: Já no decurso do mês de Julho foram identificados 3 SPE (Special Purpose Entities) cujos activos eram fundamentalmente constituídos pelas obrigações emitidas pelo Grupo atrás referidas. Atendendo às características e finalidades destes SPE, concluiu-se que os mesmos deveriam ser integrados nas contas consolidadas do Grupo BES (...) os actuais membros do Conselho de Administração que estavam em funções à data de 30 de Junho desconheciam as transacções realizadas através de intermediários financeiros atrás referidas, bem como a constituição, desenho e funcionamento daqueles SPE, bem como de um 4º veículo cujo valor dos activos deverá rondar os 77 M€. Em face do que antecede, o Grupo procedeu agora à consolidação dos 3 SPE acima referidos – de que resultou uma perda adicional de 44 M€ - e à constituição de uma provisão no valor total do 4º veículo, perfazendo uma perda conjunta de 121 M€.

 

Mais. Adicionalmente, existem ainda outras emissões de muito longo prazo, subscritas por clientes de retalho, relativamente às quais também foram criadas expectativas de liquidez que podem levar o Grupo BES a vir a proceder à aquisição de parte dessas obrigações. 360 M€ de provisões.

 

Em conclusão, os impactos do ajustamento do valor das emissões, da consolidação dos veículos e demais contingências associadas às emissões do Grupo BES detidas por clientes de retalho, determinaram um registo de encargos nas contas do 1º semestre no valor total de 1.249 M€.

 

O aumento de capital terá de ser de três mil milhões de euros.

 

Ora o que se conclui daqui é que a exposição ao GES foi muito responsável pelas imparidades, mas a nova administração foi muito prudente mesmo, se quisesse não constituía tantas provisões daí o erro de estimativa dos analistas. Acho que Carlos Costa está a ter o pretexto que quer para limpar o banco do seu passado.

Espera-se que o BES Investimento seja vendido na leva da venda de activos que o Vítor Bento anunciou como prioritário fazer.

 

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Do género "como a pensar que é um deles"

por Maria Teixeira Alves, em 26.07.14

O Daniel Oliveira critica hoje o Diário Económico no seu artigo do Expresso (numa vendetta disfarçada de opinião), e diz que "os jornalistas, porque privam com gente rica", isso "leva-os a protegê-los (aos ricos, deve ser) como se fossem um deles".

Em primeiro lugar ele não sabe se os jornalistas são ricos ou não. Não consta que tenha acesso a contas bancárias ou ao património, que lhes permita dizer que não são ricos, ou que são ricos. Depois, e olhando para este diálogo, eu diria que Daniel Oliveira fala por ele. 

 

Basta olhar para ele e vê-se logo que "é um beto", vê-se logo.

 

Depois fala do caseiro com uma familiaridade, conhecendo o seu complexo (?), como se alguma vez tivesse tido ou sido um...  

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A voz do dono

por Maria Teixeira Alves, em 25.07.14

Daniel Oliveira, político (mau) e que tem o topete de se intitular jornalista (só se for pelo curso superior que tirou na farinha amparo) resolve escrever sobre mim, para pôr em causa a minha qualidade como jornalista que ele obviamente não conhece, e mesmo que conhecesse não saberia avaliar porque não estudou para isso. Daniel, não vale a pena, peça a quem lhe encomendou o artigo para desistir. Não vale mesmo a pena. Não vai ter o resultado pretendido. Mas boa tentativa. 

 

P.S. Ser criticada por uma pessoa que escreveu isto sobre o Fernando Ulrich: "fica claro que é isso mesmo que falta a este senhor: capacidades cognitivas medianas", deixa-me confortável. A estupidez é sempre acompanhada de uma grande arrogância.

 

 

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Coisas que me intrigam

por Maria Teixeira Alves, em 24.07.14

Se Ricardo Salgado foi detido por causa do presente de 14 milhões que recebeu de José Guilherme, o construtor, porque raio é que só foi detido hoje?

É que pelo menos desde o diz 7 de Julho, altura em que a notícia saiu no jornal I,que se sabe desse "presente".

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BES escreve aos clientes após falências da ESI e Rioforte

por Maria Teixeira Alves, em 23.07.14

A ES Internacional pediu e já está em falência controlada, e a Rioforte Investments, holding para a área não financeira do Grupo Espírito Santo (GES), apresentou na terça-feira um pedido de sujeição ao regime de gestão controlada ao abrigo da lei luxemburguesa, tal como a sua casa-mãe.

O que quer isto dizer para os clientes do BES, e apenas para estes, uma vez que o Banco de Portugal obrigou à constituição de uma provisão para salvaguardar o interesse dos clientes? Quer isto dizer que a partir de agora vão receber o capital investido em papel comercial da Rioforte e ESI; mas sem qualquer juro. Isso mesmo explicaram os gestores dos balcões aos clientes, que receberam uma carta do banco a explicar que apesar dos pedidos de falência controlada o banco ia pagar-lhes os capital investido nestes títulos de dívida. 

Até aqui, eram as empresas (ESI e Rioforte) que estavam a pagar aos clientes com os juros, tal como o contratado. Agora as empresas não pagam mais nada, têm um gestor de falências que vai vender os activos que restam para depois distribuir o produto da venda pelos credores. 

Os clientes instituicionais (empresas, fundos etc) e os clientes que tinham conta nos bancos da ESFG, Banque Privée Suisse, ES Bank of Dubai e ES Panamá, não estão salvaguardados. Portanto quem tem títulos de dívida da Rioforte e ES International ficará submetido à hierarquia que vigorar na lei luxemburguesa. Em Portugal os primeiros são os credores com algum tipo de garantia, os trabalhadores, credores hipotecários, depois Estado, Segurança Social, depois os detentores de obrigações e os últimos são os accionistas. 

 

O projecto de realização deve respeitar a ordem de prioridade reservada pela lei aos privilégios e às hipotecas. 

No Luxemburgo, o liquidatário judicial deve estabelecer a ordem de prioridade dos credores privilegiados, revertendo o remanescente a favor dos credores que não dispõem de privilégios ou de garantias. O liquidatário judicial convoca então todas as partes interessadas na prestação das contas e apresenta-lhes as contas da falência.

Na sequência da prestação das contas, pode proceder à indemnização dos credores respeitando a ordem resultante da acta de prestação das contas por ele exarada e assinada pelo juiz-comissário e pelo oficial de justiça do Tribunal do Comércio.

 

 

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O fim de uma era

por Maria Teixeira Alves, em 19.07.14

Estávamos em 2006 quando a Sonaecom lançou uma OPA à Portugal Telecom. O BES estava lá para arranjar uma maneira de travar a coisa, pois a Portugal Telecom fora sempre o templo do poder de Ricardo Salgado e do BES. É o BES quem escolhe Henrique Granadeiro para a presidência não executiva da PT. Pouco se falou de telecomunicações, ao longo destes anos de Portugal Telecom, mas falou-se muito de OPA, de mudanças de poder, de accionistas, de lugares de administração, de fusões, de advogados, de políticos, de tentativas de instrumentalização para comprar a TVI.

A OPA da Sonaecom foi travada pelos accionistas com o apoio do Governo de José Sócrates, com a CGD liderada por Carlos Santos Ferreira. Em troca deu a PT Multimédia, hoje Zon, ou melhor Nos, essa sim com um projecto de telecomunicações. A PT hoje não é nada. Já foi a empresa mais importante do país, dado o poder que proporcionava. 

O núcleo de white knights que defenderam a PT da OPA da Sonaecom foi reproduzido noutras empresas, noutras circunstâncias. Por exemplo na guerra de poder do BCP, em 2007. 

O BES tinha poder determinante em decisões dos mais variados sectores. Das telecomunicações, à energia, à bolsa, ao ténis, à saúde, à arte, à comunicação social, até na selecção nacional de futebol mandavam. 

A EDP foi também a seu tempo um agente de poder, no tempo do Estado, ou melhor, no tempo do Sócrates. Hoje é dos chineses. Graças a Deus os chineses foram o pretexto para recusar entrar na espiral da loucura da dívida das sociedades do GES: ESI, Rioforte e ESFG.

Esses tempos áureos para alguns acabaram da pior maneira. Nem nos sonhos mais profundos, alguma vez eu imaginava que de um dia para o outro, o BES não era Espírito Santo e a família ia à falência. 

O mundo mudou, ainda sobram aqui e ali umas réstias desse mundo de alianças para fins e interesses pessoais, mas muitos deles acabarão como o GES, e provavelmente por causa dele. Espero que daí advenha uma nova ordem nacional, mais transparente e honesta. Sem toma lá, dá cá, sem kickbacks, sem ajuste de contas, sem manipulações e estratégias de colocação e afastamento de pessoas. Um mundo profissional e sério.

 

 

 

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Um efeito dominó

por Maria Teixeira Alves, em 11.07.14

O processo de desmantelamento do Grupo Espírito Santo parece uma doença em fase terminal. A ES Internacional devia no final do ano passado, mais de 7.300 milhões de euros. No final de 2013, a ESI e suas subsidiárias tinham 6.039 milhões de euros de papel comercial emitido, dos quais 2.256 estava colocado junto de investidores institucionais. A principal fatia do papel comercial, 3.783 milhões foi vendida aos clientes de retalho das diversas instituições financeiras do ESFG, incluindo o BES. Mas só este tem garantias de reembolso. Porque a dívida que foi colocada em clientes dos outros bancos da ESFG, que era a holding sob escrutínio da EBA - autoridade bancária europeia, por esse mundo fora, não tem qualquer protecção. Espanha, EUA, Panamá, França, Suíça, Dubai, etc, nessas sucursais ou filiais, os clientes, alguns portugueses, o pânico generalizou-se e houve uma corrida aos depósitos. Os clientes foram obviamente fazer queixa aos reguladores locais, que passaram a ficar alerta com os bancos Espírito Santo. A corrida aos depósitos fez com que nem se consiga neste momento ter acesso às contas à ordem e depósitos a prazo. Há um pânico generalizado. Há processos crime em preparação. Isto parece não ter muito interesse porque é longe, por que é private banking (banco de fortunas), porque é pequeno. Desenganem-se. A situação dos clientes nos Estados Unidos, na Suíça, etc, foi responsável pela divulgação da notícia pelos jornais estrangeiros, pelos canais de televisão como a CNN. 

A imagem dos Espírito Santo foi hoje manchada de uma forma irremediável, lá fora. Isso é inédito para uma família como a Espírito Santo. Uma reputação internacional destruída num piscar de olhos. Esses incumprimentos dos pequenos bancos Espírito Santo nesses países têm um efeito multiplicador que não pode ser descurado.

A imagem do BES fora de Portugal pode afectar até a capacidade de financiamento do banco no mercado monetário internacional. Daí que o problema seja também nacional, porque se o mercado se fecha para o BES, quem paga é o país. Porque alguém terá de financiar o BES.

 

Há muitas coisas ainda por revelar que estão a perturbar a cotação do BES. A CMVM suspendeu a cotação e bem. O banco perdeu 600 milhões de euros em bolsa em apenas 4 horas. Porque fez bem a CMVM? Porque o valor do banco é importante não só porque está dado como colateral de empréstimos, muitos deles foram contraídos na altura do aumento de capital do BES, contraídos pelas empresas que compõem o GES, mas também porque o buraco das empresas do GES é agravado de cada vez que o seu melhor activo, o BES, desvaloriza.

O problema do GES ainda vai no adro. Porque o papel comercial da ESI e da Rioforte está a intoxicar muitas das empresas do universo financeiro do GES, para além de intoxicar outras empresas de fora, como a PT e a Inapa, e para além de intoxicar as carteiras de clientes particulares. A ESFG está numa situação muito complicada devido à exposição à Rioforte e à ES International. Para estas empresas-holdings pagarem o papel comercial a alguns clientes na data do vencimento, a ESFG financiou-as. Por isso a exposição do Espírito Santo Financial Group (ESFG) ao Grupo Espírito Santo (GES) subiu para 2,35 mil milhões de euros a 30 de Junho de 2014, mais 980 milhões do que no final de 2013. Hoje a ESFG está numa situação de quase ruptura. Próxima do patamar de falência.  A ESFG pediu para ser suspensa na bolsa. A suspensão decidida pela ESFG abrange igualmente as obrigações emitidas pela Espírito Santo Financière (ESFIL).

Com a queda do GES, caem uma série de empresas ligadas por laços de dependência com o Grupo e com o BES.

Se o Estado entrar no capital do BES, através dos famosos Coco´s, as regras são hoje mais rígidas, por exemplo os detentores de obrigações convertíveis são chamados em primeiro lugar a converter as obrigações em acções. Depois, por exigência da troika haverá remédios a aplicar para atenuar um vantagem de concorrência, e haverá um rigor maior com os créditos incobráveis de algumas empresas, que se antevê que serão imediatamente executados. Enfim, vai haver um efeito de dominó.

 

A comunicação do plano de reestruturação da ESI vai clarificar o mercado, mas nem por isso deixará sossegados os investidores em papel comercial da holding do GES. 

 

 

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Este é o governo com menor promiscuidade com os negócios

por Maria Teixeira Alves, em 10.07.14

"Há uma trincheira de onde eu não saio. Não nego que haja lobbys, ou interferência entre os governos e os negócios. Mas como princípio de actuação governativa, a minha leitura é que este governo, na sua cúpula, é aquele que mais distante está desta política de promiscuidade que se viu nos últimos 10 anos. Este governo, esta ministra das finanças, este primeiro Ministro, é aquele, da minha experiência dos últimos 14 anos, que menos interferência tem no cruzamento de favores, intenções e objectivos com as empresas. Isso para mim é saudável".

 

Eu também não saio da mesma trincheira. 

 

P.S. Vou anexar um novo comentário, desta vez de António Costa, na Quadratura do Circulo, que considero ser um bom comentário.

"Alinhamentos estratégicos não podem ser confundidos com promiscuidade de interesses (...). O dominio da imprensa económica pelos grupos , para determinar a sua linha editorial, como forma de construção de uma doutrina. Hoje a grande promiscuidade existe entre a comunicação social e o poder financeiro". O António Lobo Xavier até disse que "até aqui tiro-lhe o chapéu". Eu também tiro.

 

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A grande pergunta de Ulrich

por Maria Teixeira Alves, em 10.07.14

Fernando Ulrich, presidente do BPI fez três perguntas. Mas a mais interessante é a primeira. Feita por quem conhece bem o mercado angolano, claro.

 

«A primeira questão que "há que explicar é a situacão de Angola: foi mostrada a fotografia mas há que mostrar o filme todo. Alguém acredita que um estado soberano como Angola dê uma garantia de 4,2 mil milhões de euros (70% do total da dívida) e não exige nada em troca?Para além de ser "importante para qualquer investidor saber que a principal fonte de receita do BES em Angola, se calhar agora desaparece"

 A segunda questão a esclarecer: "Já se sabe que a PT fez este investimento. Qual a dificuldade em explicar se se vai pagar à PT, ou não?E se não for paga o que acontece?"

Depois "a terceira questão a esclarecer é o que se passa do banco para cima" com as holdings do grupo, afirmou Ulrich. "Não basta dizer que está tudo bem podem confiar, porque para os mercados isso não chega".

 

 

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 António Mexia nomeado “Melhor CEO da Europa”

EDP garante não ter comprado papel comercial do grupo Espírito Santo 

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Quem se responsabiliza?

por Maria Teixeira Alves, em 08.07.14

Em Setembro, quando se descobriu que havia um Fundo, de seu nome Espírito Santo Liquidez, que servia para dar liquidez ao Grupo Espírito Santo e que era composto por papel comercial e outros títulos de dívida de empresas, afinal, "em falência técnica", a maioria delas do GES, a CMVM disse "estar a acompanhar com especial atenção". 

A legislação alterara-se. A  necessidade de substituir o financiamento das empresas do GES decorreu da aprovação do novo Regime Jurídico dos
Organismos de Investimento Colectivo, que limita a 20% o investimento em empresas relacionadas. O fundo ES Liquidez, gerido pela Espírito Santo Activos Financeiros (ESAF) tinha em Agosto do ano passado cerca de 80% dos 2,23 mil milhões em carteira aplicados em papel comercial (títulos de dívida de curto prazo) de empresas do GES.
As novas regras tiveram duas consequências: o fundo teve de desinvestir na maioria dos títulos do universo GES até 1 de Novembro seguinte e este, por sua vez, teve de encontrar alternativas de financiamento. Parte da solução foi emitir papel comercial para as empresas do grupo que tinham maior peso no fundo: ES International (988 milhões) e Rio Forte (365 milhões).

 

A CMVM disse na altura "está a acompanhar com especial atenção (really?) a colocação de papel comercial para financiar empresas do Grupo Espírito Santo, que visou substituir o financiamento que era assegurado através do fundo ES Liquidez". Os títulos, que pelas características da emissão dispensaram a aprovação de um prospecto, foram vendidos aos clientes da rede de gestão de fortunas, com remunerações que chegavam aos 4,35%.

 

As emissões da ES International e da Rio Forte foram dirigidas a 149 investidores. 

 

O Banco de Portugal "obrigou" depois em Março a Espírito Santo Financial Grupo (ESFG) a fazer uma provisão de 700 milhões de euros para garantir pagamento de papel comercial da ESI vendido aos balcões do BES. E quem está abrangido? Os clientes particulares. Mas de todo o universo bancário da ESFG (inclui bancos como o Banque Privée da Suíça, o Venité, ES Dubai ou ES Panamá) ou só do BES? Ninguém disse. 

E quem tem papel comercial de outras holdings abaixo da ESI, como por exemplo da Rioforte? Está protegido por esta provisão? 

E se a ESFG é uma dos maiores credores do grupo, nomeadamente da ESI e da Rioforte, como é que fica a provisão de 700 milhões, se por incumprimento, muito provável da ESI e da Rioforte, a ESFG for à falência? E agora quem responde? E quem se responsabiliza?

Quem está neste momento a controlar as holdings do GES de modo a garantir que não estão a ser "sacados" activos dessa holdings para fugirem a uma eventual massa falida. Há alguém a controlar isso?

 

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Para simplificar: O problema do Grupo Espírito Santo consiste numa holding que se chama Espírito Santo International, que é a primeira de uma sequência delas, portanto é a holding que é detida pelos cinco ramos da família Espírito Santo. Essa holding durante anos emitia dívida para financiar as empresas da família. Contava para isso com o apoio inegável de um banco que colocava essa dívida em clientes, particulares ou institucionais. Ora através de fundos de investimento (Espírito Santo Liquidez), ora através de outros instrumentos (títulos de dívida), como por exemplo papel comercial. Tudo corria bem enquanto ninguém observava a holding ES International, porque cada vez que uma dívida vencia a empresa emitia nova dívida para pagar a anterior e o banco estava lá para garantir que havia sempre liquidez. À ES International, sediada no Luxemburgo - in the middle of nowhere - ninguém pedia contas. Andava tudo feliz e contente, quando o Pedro Queiroz Pereira, num ajuste de contas com Ricardo Salgado, decide denunciar a situação ao Banco de Portugal e à CMVM. A CMVM obriga a ES Liquidez a desfazer-se dos títulos do grupo, o banco coloca então o papel comercial entretanto emitido pelas holdings, para assegurar os reembolsos do fundo. 

Mas auditorias do Banco de Portugal e outras análises às carteiras de crédito do BES, levadas a cabo num contexto de preparação de entrada na União Bancária Europeia, leva o Banco de Portugal a aperceber-se da falência técnica da holding primeira de todo o edifício Espírito Santo. Começa por obrigar a ESFG (imediatamente antes do BES na cascata) a constituir uma provisão de 700 milhões para fazer face à emissão de papel comercial colocada pelo BES nos clientes de retalho, e depois proíbe o BES de dar crédito à ES International. Para além de castigar os gestores da família forçando-os a abdicar da administração do banco. A nova lei do Banco de Portugal dá-lhe poderes para isso, para além da possibilidade de imputar uma inibição aos gestores que estavam em simultâneo na ES International com funções efectivas, ser um machado em cima da cabeça dos administradores Espírito Santo. Ricardo Salgado não teve outro remédio se não aceitar sair da presidência do BES.

Para agravar a situação, a falência técnica da ES International impede que esta sociedade se consiga financiar. Desde que a situação se tornou pública (saltou para os jornais) ninguém compra papel comercial dela e o BES não lhe pode emprestar dinheiro. A sociedade tinha muita dívida de curto prazo emitida que vence para ontem e de repente não há dinheiro para pagar. Por isso Ricardo Salgado foi a correr ao Governo pedir ajuda à CGD (uma linha de 2,5 mil milhões). A Ministra das Finanças recusou e o Primeiro-Ministro também.

O desespero é tal que já há tentativas de converter créditos em capital para resolver a situação de insolvência. 

Se a ES International for à falência, a família perde completamente o Grupo que passa para a mão dos credores. Com a ES International vai tudo o que está em baixo, incluindo a Rioforte e o BES.

Se transformarem créditos em capital os Espírito Santo diluem a sua participação accionista, porque os credores passam a ser accionistas. Ora se directamente a família já não detém mais de 4%, nessa altura então passa ainda a ter menos expurgando todos os interesses minoritários.

É esta a situação do Grupo Espírito Santo.

Paralelamente e não completamente dissociado disto: o BES Angola tem um buraco nos activos (créditos de 5 bi que não se conseguem cobrar), com uma garantia do Estado angolano que no limite pode levar a que o banco passe para as mãos do Estado de José Eduardo dos Santos. E uma guerra familiar entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, que nunca se resolverá porque decorre de uma situação de risco de perda do Banco que não será facilmente esquecida dentro da família. 

Voilá! É isto e é simples de explicar, mas deve ser sufocante o ambiente que se vive hoje na família.

 

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A razão em tempo de guerra

por Maria Teixeira Alves, em 27.06.14

Confesso que comecei por achar uma atitude nobre a de José Maria Ricciardi sair de todos os cargos de administração do Grupo Espírito Santo. Pois se votou contra a lista de Amílcar Morais Pires, não se revendo naquela liderança, quis dar um sinal de coerência. Pareceu-me bem. Acho que José Maria Ricciardi devia até ter-se demitido da administração da ES Internacional depois de ter obtido os resultados da auditoria pedida por si àquela sociedade amaldiçoada, no princípio de 2013. Mas isso são outros 500.

 

Imagino que não deva ser fácil para alguém ser enrolado numa áurea de suspeição quando aparentemente não tinha intervenção efectiva na gestão dessas holdings e imagino a revolta que deve sentir ao ver o primo Ricardo Salgado dizer numa entrevista que todos tinham responsabilidade, uma vez que eram todos administradores, quando o commissaire aux compte na edição do Expresso de dia 14 de Junho vem dizer que eram Ricardo Salgado e José Castella, controller financeiro do GES, quem tinha acesso a tudo das contas da ES International.

 

Esse sentimento de injustiça é terrível e se uma pessoa não o controla, pode ser muito mau conselheiro. 

 

Serve isto para dizer que o comunicado de José Maria Ricciardi a anunciar a sua saída da administração da ESFG (que imediatamente a aceitou) foi depois acompanhado por uma declaração que, a meu ver, foi impulsiva e talvez tenha comprometido irremediavelmente a sua estratégia que não era dificil de ler nas entrelinhas para os observadores mais atentos.

 

Não se anunciam aumentos de capital de significativa envergadura em comunicado. Parece-me evidente. Ao anunciar um aumento de capital de significativa envergadura (soube-se depois que era de 600 milhões de euros) para entrarem investidores (dos Emiratos) com 45% e o management ficar com 10%, levanta a lebre de uma estratégia que convinha ter ficado no segredo dos Deuses. A surpresa é fundamental nestas tácticas. A surpresa e, claro está, um bom advogado e bons conselheiros de outras ciências.

 

Agora com o BES, ainda liderado por Ricardo Salgado, a admitir substituí-lo à frente do BESI e tendo o BES 100% do BESI, e tendo o José Maria Riccardi deixado de ser administrador da ESFG, e estando a caminho de deixar de ser administrador do BES, torna-se muito complicada a sua situação.

 

Mas qualquer que seja a tática que esteja agora a desenhar é fundamental que não seja comunicada, formal ou informalmente... fundamental. 

 

É preciso ter nervos de aço em tempo de guerra. Sobretudo quando o adversário é temível. E Ricardo Salgado não chegou até aqui por ser ingénuo, e ainda tem a faca e o queijo na mão.

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Em três momentos diferentes (2014, 1999 e 2007) três grandes banqueiros escrevem palavras fortes na hora da despedida. Em comum o facto de se tratar de uma despedida forçada pelos acontecimentos (no caso de Champalimaud a sucessão foi forçada pela sua saúde) . Somos sempre nós e as nossas circunstâncias, como diria Ortega y Gasset.

Ora vejam:

 

Autoridades do Luxemburgo abrem investigação a ‘holdings’ do GES

"No limiar de cumprir 70 anos, decidi, pois, que era chegado o momento de passar o testemunho da liderança executiva do Banco Espírito Santo. 

(...) Neste sentido estará assegurada de uma forma célere e clara, a transição geracional que se impõe para a entrada num novo ciclo de crescimento e rentabilidade tendo como ponto de partida a invejável capacidade e competência da equipa composta por todos os colaboradores e a muito importante confiança dos clientes do Banco. 

Em conclusão, quero dizer-vos que não posso, e não quero, esconder que neste momento vivo emoções fortes após todos estes anos de trabalho em conjunto. Mas há um sentimento que sobressai e prevalece e que, para mim, é o mais importante, e esse sentimento é de gratidão e reconhecimento a todos vós pelo trabalho realizado no BES e em benefício do nosso País e pelo privilégio de fazer parte desta imensa e valorosa equipa".

 

 

"Quero sublinhar neste momento que não era este o negócio que desejei fazer. O que desejaria ter levado a cabo era a parceria acordada em Junho com o Banco Santander, que preservava o controle do grupo por mim liderado em mãos nacionais e lhe dava um novo fôlego, em capital e em meios humanos, quer para enfrentar os desafios da globalização no mercado interno, quer para aumentar a sua presença internacional, designadamente no apoio às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O Governo português não compreendeu a minha estratégia e inviabilizou a parceria com o Banco Santander. Assim, negociei com o Sr. Emílio Botín uma solução que concertou as posições de todas as partes e que espero venha a dar satisfação aos investidores em geral.
Às administrações e aos colaboradores do Grupo Mundial-Confiança desejo expressar o meu agradecimento pelo extraordinário trabalho que desenvolveram e pelo sucesso que alcançaram, como veio a ser publicamente reconhecido pelo mercado".

 

"O Banco que ajudei a fundar resultou precisamente de uma ampla transparência e convergência de interesses e vontades, dos quais depende o seu futuro, sobretudo neste momento. (...)

Quiseram os Senhores Accionistas e os Órgãos Sociais que assumisse a Presidência do Conselho Geral e de Supervisão por ocasião da última alteração estatutária. Aceitei o desafio em nome da Instituição.

Aproximando-se o fim do mandato do Conselho de Administração Executivo é, por isso, o momento dos Senhores Accionistas serem chamados a eleger a liderança executiva do Banco, reflecti profundamente sobre a melhor solução para a Instituição.

Tomei por isso a decisão de, uma vez encerrado o exercício, e a um ano do final de mandato, renunciar ao exercício de funções como Presidente do Conselho Geral e de Supervisão e Presidente do Conselho Superior do Banco Comercial Português. (...) 

Sei que na vida de uma empresa, a sucessão é um dos seus maiores desafios, sobretudo, e como se prova empiricamente, quando se trata da liderança fundacional. Contudo, e apesar da expectativa que tinha de se poderem gerar condições de coesão no seio do Conselho de Administração Executivo, o que não se revelou ser possível, estou seguro de que o Banco possui na sua liderança e no seio dos seus corpos sociais e do seu excelente quadro de colaboradores as competências, a vontade e a disponibilidade necessárias para prosseguir o projecto Millennium, preservando a independência estratégica e a sustentabilidade de longo prazo. (...)

Uma última palavra é devida. E é de gratidão. Agradeço a todos aqueles que de uma forma ou de outra me acompanharam neste percurso de vinte e dois anos de vida profissional. A todos os que, empenhadamente e de boa fé, fizeram do Millennium bcp o seu projecto e o ajudaram a crescer. A todos os que diariamente continuam, e continuarão, a fazer o Banco. Sei que saberão honrar o prestígio e a grandeza desta Casa. É essa a minha maior alegria".

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O país de Pedro Passos Coelho

por Maria Teixeira Alves, em 21.06.14

 

Vale a pena ler (eu não diria melhor) o que Pedro Guerreiro escreve no Expresso de hoje (deixo a imagem). O país de Pedro Passos Coelho é diferente do de Sócrates (e provavelmente do que virá com António Costa ou António José Seguro). Neste Governo não há padrinhos! É por isso que eu gosto de Pedro Passos Coelho (foi isso que me converteu) e de Maria Luís Albuquerque (que conheço há mais tempo), e é também por isso que fui uma fã de Vítor Gaspar. Porque eu sei o quão difícil é ser-se integro e não ceder a pressões. E sei o que é ser vítima de pessoas que não o são. 

Detesto o pessoal do jeitinho aqui, jeitinho ali. Detesto deslumbrados sociais que querem ser amigos dos Espírito Santo a todo o custo e usam e abusam dos seus trabalhos e profissões para isso! 

Parabéns Maria Luís, parabéns Pedro Passos Coelho por não terem cedido à pressão do presidente do BES para pôr a CGD e o BCP a liderarem um empréstimo de 2,5 mil milhões de euros, com taxas bonificadas, para cobrir a dívida da ES International e da Rio Forte. 

 

*Claro que há pessoas que conheceram os Espirito Santos através dos seus trabalhos e hoje são amigos deles que obviamente não cabem nesta categoria. As pessoas vêem-se de dentro. Não são estereótipos..

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Coisas que só se podem dizer no Twitter

por Maria Teixeira Alves, em 21.06.14

 

 

 

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Chega de cronistas preguiçosos

por Maria Teixeira Alves, em 21.06.14

Não é aceitável. Não é admissível. Não é inteligente. Não é honesto que se diga isto: "O actual governo mereceu também da banca todos os elogios e retribuiu em espécie, impedindo que qualquer legislação que diminuísse os lucros da banca passasse no parlamento, ou ficando como penhor de bancos que em condições normais iriam à falência, mesmo numa altura em que já era difícil alegar crise sistémica!"

 

José Pacheco Pereira é inteligente e devia ser menos "jornaleiro" do que é. Não se pode ter razão assente em falsidades. Todo o edificio de opinião fica em causa "por causa" da ignorância que demonstra sobre os temas que opina. O que é que custa ir saber como é que funciona o capital de um banco? O que é que custa perceber minimamente de contabilidade bancária antes de opinar. É que se até tem razão nalgumas coisas - como por exemplo nisto "Os Espírito Santo frequentavam os gabinetes de Sócrates, elogiaram-no até ao dia em que o derrubaram, quando os seus interesses estavam em causa pela ameaça de bancarrota" - depois quando fala do plano de recapitalização da banca como mais um esquema de compadrio do governo português com os banqueiros, revela um pensamento completamente tendencioso, ignorante e baseado em mentiras. 

O plano de recapitalização da banca é EUROPEU. É obrigatório. Não passa por nenhuma relação de Passos Coelho com Ricardo Salgado. 

 

Os bancos portugueses tiveram de ser recapitalizados porque a EBA (Autoridade Bancária Europeia) obrigou os bancos a contabilizarem a divida soberana de longo prazo aos preços do mercado. Isso provocou menos-valias potenciais que tiveram de ser registadas no capital, e criou um défice deste. Depois em Janeiro entraram em vigor as novas regras sobre requisitos de capital (definidos na directiva CRD IV, que aglutina as exigências contabilísticas de Basileia III), que exigem um common equity tier I (capital puro e duro sem incluir outros instrumentos de capital) de 7%, mínimo. 

Há os testes de stress, há o asset quality review, há uma série de iniciativas que nos ultrapassam (e é preciso não esquecer que os bancos da UE tenderão a uma união que os divorcie do risco país) e que provocam alterações no capital.

Pacheco Pereia devia saber que o capital é contabilístico. A mudança de regras contabilísticas abrem frestas no capital dos bancos. O que não é contabilístico (grosso modo) é o dinheiro que lá têm de pôr os accionistas. 

 

Eu não percebo porque é que os opinion makers consagrados são tão preguiçosos. Ao produzir semanalmente opiniões baseadas em aparências Pacheco Pereira cai no pecado que aponta aos outros.

 

Já no outro dia, o José Quintela, que eu gosto imenso de ler, escreveu um artigo giríssimo sobre o Sr. Inércia do BES; referindo-se ao commissaire aux comptes Francisco Machado Cruz, que Ricardo Salgado personalizou numa entrevista, com erros técnicos. Estava verdadeiramente com graça e bem apanhado, mas confesso que me custou ver esta frase "Provavelmente por não estar com pachorra para abrir o Excel, o Sr. Inércia não registou os 1200 milhões de euros de dívida do BES, uma quantia que coloca o banco na falência técnica". Ora isto é mentira. Quem está em falência técnica é a ES Internacional, que é uma holding da família que em termos directos, expurgando todos os interesses minoritários, não controla mais de 3% a 4% do BES. O banco obviamente não está em falência técnica, porque isso é uma questão de rácio de capital. Confesso que esta mentira do artigo, para mim, estragou um bocadinho o texto do José Quintela. 

 

Voltando ao tema Pacheco Pereira. Para esclarecer: 

No âmbito do Programa de Assistência acordado com a Troika, os principais grupos bancários, incluindo o Grupo BES, têm vindo, trimestralmente, a apresentar e a discutir com aqueles parceiros internacionais e com o Banco de Portugal os respectivos planos de financiamento e de capital (Funding and Capital Plan). O plano visa alcançar, no final de 2014, um rácio "crédito/depósitos" inferior a 120%, um rácio de financiamento estável de 100% e a manutenção de um rácio Common Equity Tier 1 mínimo de 7%, como definido pelo Banco de Portugal no Aviso 6/2013 e de acordo com o novo enquadramento regulamentar estabelecido na Diretiva 2013/36/UE e Regulamento (UE) nº 575/2013, de 26 de junho de 2013, ambos do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu.

 

 

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