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BES escreve aos clientes após falências da ESI e Rioforte

por Maria Teixeira Alves, em 23.07.14

A ES Internacional pediu e já está em falência controlada, e a Rioforte Investments, holding para a área não financeira do Grupo Espírito Santo (GES), apresentou na terça-feira um pedido de sujeição ao regime de gestão controlada ao abrigo da lei luxemburguesa, tal como a sua casa-mãe.

O que quer isto dizer para os clientes do BES, e apenas para estes, uma vez que o Banco de Portugal obrigou à constituição de uma provisão para salvaguardar o interesse dos clientes? Quer isto dizer que a partir de agora vão receber o capital investido em papel comercial da Rioforte e ESI; mas sem qualquer juro. Isso mesmo explicaram os gestores dos balcões aos clientes, que receberam uma carta do banco a explicar que apesar dos pedidos de falência controlada o banco ia pagar-lhes os capital investido nestes títulos de dívida. 

Até aqui, eram as empresas (ESI e Rioforte) que estavam a pagar aos clientes com os juros, tal como o contratado. Agora as empresas não pagam mais nada, têm um gestor de falências que vai vender os activos que restam para depois distribuir o produto da venda pelos credores. 

Os clientes instituicionais (empresas, fundos etc) e os clientes que tinham conta nos bancos da ESFG, Banque Privée Suisse, ES Bank of Dubai e ES Panamá, não estão salvaguardados. Portanto quem tem títulos de dívida da Rioforte e ES International ficará submetido à hierarquia que vigorar na lei luxemburguesa. Em Portugal os primeiros são os credores com algum tipo de garantia, os trabalhadores, credores hipotecários, depois Estado, Segurança Social, depois os detentores de obrigações e os últimos são os accionistas. 

 

O projecto de realização deve respeitar a ordem de prioridade reservada pela lei aos privilégios e às hipotecas. 

No Luxemburgo, o liquidatário judicial deve estabelecer a ordem de prioridade dos credores privilegiados, revertendo o remanescente a favor dos credores que não dispõem de privilégios ou de garantias. O liquidatário judicial convoca então todas as partes interessadas na prestação das contas e apresenta-lhes as contas da falência.

Na sequência da prestação das contas, pode proceder à indemnização dos credores respeitando a ordem resultante da acta de prestação das contas por ele exarada e assinada pelo juiz-comissário e pelo oficial de justiça do Tribunal do Comércio.

 

 

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O fim de uma era

por Maria Teixeira Alves, em 19.07.14

Estávamos em 2006 quando a Sonaecom lançou uma OPA à Portugal Telecom. O BES estava lá para arranjar uma maneira de travar a coisa, pois a Portugal Telecom fora sempre o templo do poder de Ricardo Salgado e do BES. É o BES quem escolhe Henrique Granadeiro para a presidência não executiva da PT. Pouco se falou de telecomunicações, ao longo destes anos de Portugal Telecom, mas falou-se muito de OPA, de mudanças de poder, de accionistas, de lugares de administração, de fusões, de advogados, de políticos, de tentativas de instrumentalização para comprar a TVI.

A OPA da Sonaecom foi travada pelos accionistas com o apoio do Governo de José Sócrates, com a CGD liderada por Carlos Santos Ferreira. Em troca deu a PT Multimédia, hoje Zon, ou melhor Nos, essa sim com um projecto de telecomunicações. A PT hoje não é nada. Já foi a empresa mais importante do país, dado o poder que proporcionava. 

O núcleo de white knights que defenderam a PT da OPA da Sonaecom foi reproduzido noutras empresas, noutras circunstâncias. Por exemplo na guerra de poder do BCP, em 2007. 

O BES tinha poder determinante em decisões dos mais variados sectores. Das telecomunicações, à energia, à bolsa, ao ténis, à saúde, à arte, à comunicação social, até na selecção nacional de futebol mandavam. 

A EDP foi também a seu tempo um agente de poder, no tempo do Estado, ou melhor, no tempo do Sócrates. Hoje é dos chineses. Graças a Deus os chineses foram o pretexto para recusar entrar na espiral da loucura da dívida das sociedades do GES: ESI, Rioforte e ESFG.

Esses tempos áureos para alguns acabaram da pior maneira. Nem nos sonhos mais profundos, alguma vez eu imaginava que de um dia para o outro, o BES não era Espírito Santo e a família ia à falência. 

O mundo mudou, ainda sobram aqui e ali umas réstias desse mundo de alianças para fins e interesses pessoais, mas muitos deles acabarão como o GES, e provalemente por causa dele. Espero que daí advenha uma nova ordem nacional, mais transparente e honesta. Sem toma lá, dá cá, sem kickbacks, sem ajuste de contas, sem manipulações e estratégias de colocação e afastamento de pessoas. Um mundo profissional e sério.

 

 

 

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Um efeito dominó

por Maria Teixeira Alves, em 11.07.14

O processo de desmantelamento do Grupo Espírito Santo parece uma doença em fase terminal. A ES Internacional devia no final do ano passado, mais de 7.300 milhões de euros. No final de 2013, a ESI e suas subsidiárias tinham 6.039 milhões de euros de papel comercial emitido, dos quais 2.256 estava colocado junto de investidores institucionais. A principal fatia do papel comercial, 3.783 milhões foi vendida aos clientes de retalho das diversas instituições financeiras do ESFG, incluindo o BES. Mas só este tem garantias de reembolso. Porque a dívida que foi colocada em clientes dos outros bancos da ESFG, que era a holding sob escrutínio da EBA - autoridade bancária europeia, por esse mundo fora, não tem qualquer protecção. Espanha, EUA, Panamá, França, Suíça, Dubai, etc, nessas sucursais ou filiais, os clientes, alguns portugueses, o pânico generalizou-se e houve uma corrida aos depósitos. Os clientes foram obviamente fazer queixa aos reguladores locais, que passaram a ficar alerta com os bancos Espírito Santo. A corrida aos depósitos fez com que nem se consiga neste momento ter acesso às contas à ordem e depósitos a prazo. Há um pânico generalizado. Há processos crime em preparação. Isto parece não ter muito interesse porque é longe, por que é private banking (banco de fortunas), porque é pequeno. Desenganem-se. A situação dos clientes nos Estados Unidos, na Suíça, etc, foi responsável pela divulgação da notícia pelos jornais estrangeiros, pelos canais de televisão como a CNN. 

A imagem dos Espírito Santo foi hoje manchada de uma forma irremediável, lá fora. Isso é inédito para uma família como a Espírito Santo. Uma reputação internacional destruída num piscar de olhos. Esses incumprimentos dos pequenos bancos Espírito Santo nesses países têm um efeito multiplicador que não pode ser descurado.

A imagem do BES fora de Portugal pode afectar até a capacidade de financiamento do banco no mercado monetário internacional. Daí que o problema seja também nacional, porque se o mercado se fecha para o BES, quem paga é o país. Porque alguém terá de financiar o BES.

 

Há muitas coisas ainda por revelar que estão a perturbar a cotação do BES. A CMVM suspendeu a cotação e bem. O banco perdeu 600 milhões de euros em bolsa em apenas 4 horas. Porque fez bem a CMVM? Porque o valor do banco é importante não só porque está dado como colateral de empréstimos, muitos deles foram contraídos na altura do aumento de capital do BES, contraídos pelas empresas que compõem o GES, mas também porque o buraco das empresas do GES é agravado de cada vez que o seu melhor activo, o BES, desvaloriza.

O problema do GES ainda vai no adro. Porque o papel comercial da ESI e da Rioforte está a intoxicar muitas das empresas do universo financeiro do GES, para além de intoxicar outras empresas de fora, como a PT e a Inapa, e para além de intoxicar as carteiras de clientes particulares. A ESFG está numa situação muito complicada devido à exposição à Rioforte e à ES International. Para estas empresas-holdings pagarem o papel comercial a alguns clientes na data do vencimento, a ESFG financiou-as. Por isso a exposição do Espírito Santo Financial Group (ESFG) ao Grupo Espírito Santo (GES) subiu para 2,35 mil milhões de euros a 30 de Junho de 2014, mais 980 milhões do que no final de 2013. Hoje a ESFG está numa situação de quase ruptura. Próxima do patamar de falência.  A ESFG pediu para ser suspensa na bolsa. A suspensão decidida pela ESFG abrange igualmente as obrigações emitidas pela Espírito Santo Financière (ESFIL).

Com a queda do GES, caem uma série de empresas ligadas por laços de dependência com o Grupo e com o BES.

Se o Estado entrar no capital do BES, através dos famosos Coco´s, as regras são hoje mais rígidas, por exemplo os detentores de obrigações convertíveis são chamados em primeiro lugar a converter as obrigações em acções. Depois, por exigência da troika haverá remédios a aplicar para atenuar um vantagem de concorrência, e haverá um rigor maior com os créditos incobráveis de algumas empresas, que se antevê que serão imediatamente executados. Enfim, vai haver um efeito de dominó.

 

A comunicação do plano de reestruturação da ESI vai clarificar o mercado, mas nem por isso deixará sossegados os investidores em papel comercial da holding do GES. 

 

 

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Este é o governo com menor promiscuidade com os negócios

por Maria Teixeira Alves, em 10.07.14

"Há uma trincheira de onde eu não saio. Não nego que haja lobbys, ou interferência entre os governos e os negócios. Mas como princípio de actuação governativa, a minha leitura é que este governo, na sua cúpula, é aquele que mais distante está desta política de promiscuidade que se viu nos últimos 10 anos. Este governo, esta ministra das finanças, este primeiro Ministro, é aquele, da minha experiência dos últimos 14 anos, que menos interferência tem no cruzamento de favores, intenções e objectivos com as empresas. Isso para mim é saudável".

 

Eu também não saio da mesma trincheira. 

 

P.S. Vou anexar um novo comentário, desta vez de António Costa, na Quadratura do Circulo, que considero ser um bom comentário.

"Alinhamentos estratégicos não podem ser confundidos com promiscuidade de interesses (...). O dominio da imprensa económica pelos grupos , para determinar a sua linha editorial, como forma de construção de uma doutrina. Hoje a grande promiscuidade existe entre a comunicação social e o poder financeiro". O António Lobo Xavier até disse que "até aqui tiro-lhe o chapéu". Eu também tiro.

 

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A grande pergunta de Ulrich

por Maria Teixeira Alves, em 10.07.14

Fernando Ulrich, presidente do BPI fez três perguntas. Mas a mais interessante é a primeira. Feita por quem conhece bem o mercado angolano, claro.

 

«A primeira questão que "há que explicar é a situacão de Angola: foi mostrada a fotografia mas há que mostrar o filme todo. Alguém acredita que um estado soberano como Angola dê uma garantia de 4,2 mil milhões de euros (70% do total da dívida) e não exige nada em troca?Para além de ser "importante para qualquer investidor saber que a principal fonte de receita do BES em Angola, se calhar agora desaparece"

 A segunda questão a esclarecer: "Já se sabe que a PT fez este investimento. Qual a dificuldade em explicar se se vai pagar à PT, ou não?E se não for paga o que acontece?"

Depois "a terceira questão a esclarecer é o que se passa do banco para cima" com as holdings do grupo, afirmou Ulrich. "Não basta dizer que está tudo bem podem confiar, porque para os mercados isso não chega".

 

 

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 António Mexia nomeado “Melhor CEO da Europa”

EDP garante não ter comprado papel comercial do grupo Espírito Santo 

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Quem se responsabiliza?

por Maria Teixeira Alves, em 08.07.14

Em Setembro, quando se descobriu que havia um Fundo, de seu nome Espírito Santo Liquidez, que servia para dar liquidez ao Grupo Espírito Santo e que era composto por papel comercial e outros títulos de dívida de empresas, afinal, "em falência técnica", a maioria delas do GES, a CMVM disse "estar a acompanhar com especial atenção". 

A legislação alterara-se. A  necessidade de substituir o financiamento das empresas do GES decorreu da aprovação do novo Regime Jurídico dos
Organismos de Investimento Colectivo, que limita a 20% o investimento em empresas relacionadas. O fundo ES Liquidez, gerido pela Espírito Santo Activos Financeiros (ESAF) tinha em Agosto do ano passado cerca de 80% dos 2,23 mil milhões em carteira aplicados em papel comercial (títulos de dívida de curto prazo) de empresas do GES.
As novas regras tiveram duas consequências: o fundo teve de desinvestir na maioria dos títulos do universo GES até 1 de Novembro seguinte e este, por sua vez, teve de encontrar alternativas de financiamento. Parte da solução foi emitir papel comercial para as empresas do grupo que tinham maior peso no fundo: ES International (988 milhões) e Rio Forte (365 milhões).

 

A CMVM disse na altura "está a acompanhar com especial atenção (really?) a colocação de papel comercial para financiar empresas do Grupo Espírito Santo, que visou substituir o financiamento que era assegurado através do fundo ES Liquidez". Os títulos, que pelas características da emissão dispensaram a aprovação de um prospecto, foram vendidos aos clientes da rede de gestão de fortunas, com remunerações que chegavam aos 4,35%.

 

As emissões da ES International e da Rio Forte foram dirigidas a 149 investidores. 

 

O Banco de Portugal "obrigou" depois em Março a Espírito Santo Financial Grupo (ESFG) a fazer uma provisão de 700 milhões de euros para garantir pagamento de papel comercial da ESI vendido aos balcões do BES. E quem está abrangido? Os clientes particulares. Mas de todo o universo bancário da ESFG (inclui bancos como o Banque Privée da Suíça, o Venité, ES Dubai ou ES Panamá) ou só do BES? Ninguém disse. 

E quem tem papel comercial de outras holdings abaixo da ESI, como por exemplo da Rioforte? Está protegido por esta provisão? 

E se a ESFG é uma dos maiores credores do grupo, nomeadamente da ESI e da Rioforte, como é que fica a provisão de 700 milhões, se por incumprimento, muito provável da ESI e da Rioforte, a ESFG for à falência? E agora quem responde? E quem se responsabiliza?

Quem está neste momento a controlar as holdings do GES de modo a garantir que não estão a ser "sacados" activos dessa holdings para fugirem a uma eventual massa falida. Há alguém a controlar isso?

 

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Para simplificar: O problema do Grupo Espírito Santo consiste numa holding que se chama Espírito Santo International, que é a primeira de uma sequência delas, portanto é a holding que é detida pelos cinco ramos da família Espírito Santo. Essa holding durante anos emitia dívida para financiar as empresas da família. Contava para isso com o apoio inegável de um banco que colocava essa dívida em clientes, particulares ou institucionais. Ora através de fundos de investimento (Espírito Santo Liquidez), ora através de outros instrumentos (títulos de dívida), como por exemplo papel comercial. Tudo corria bem enquanto ninguém observava a holding ES International, porque cada vez que uma dívida vencia a empresa emitia nova dívida para pagar a anterior e o banco estava lá para garantir que havia sempre liquidez. À ES International, sediada no Luxemburgo - in the middle of nowhere - ninguém pedia contas. Andava tudo feliz e contente, quando o Pedro Queiroz Pereira, num ajuste de contas com Ricardo Salgado, decide denunciar a situação ao Banco de Portugal e à CMVM. A CMVM obriga a ES Liquidez a desfazer-se dos títulos do grupo, o banco coloca então o papel comercial entretanto emitido pelas holdings, para assegurar os reembolsos do fundo. 

Mas auditorias do Banco de Portugal e outras análises às carteiras de crédito do BES, levadas a cabo num contexto de preparação de entrada na União Bancária Europeia, leva o Banco de Portugal a aperceber-se da falência técnica da holding primeira de todo o edifício Espírito Santo. Começa por obrigar a ESFG (imediatamente antes do BES na cascata) a constituir uma provisão de 700 milhões para fazer face à emissão de papel comercial colocada pelo BES nos clientes de retalho, e depois proíbe o BES de dar crédito à ES International. Para além de castigar os gestores da família forçando-os a abdicar da administração do banco. A nova lei do Banco de Portugal dá-lhe poderes para isso, para além da possibilidade de imputar uma inibição aos gestores que estavam em simultâneo na ES International com funções efectivas, ser um machado em cima da cabeça dos administradores Espírito Santo. Ricardo Salgado não teve outro remédio se não aceitar sair da presidência do BES.

Para agravar a situação, a falência técnica da ES International impede que esta sociedade se consiga financiar. Desde que a situação se tornou pública (saltou para os jornais) ninguém compra papel comercial dela e o BES não lhe pode emprestar dinheiro. A sociedade tinha muita dívida de curto prazo emitida que vence para ontem e de repente não há dinheiro para pagar. Por isso Ricardo Salgado foi a correr ao Governo pedir ajuda à CGD (uma linha de 2,5 mil milhões). A Ministra das Finanças recusou e o Primeiro-Ministro também.

O desespero é tal que já há tentativas de converter créditos em capital para resolver a situação de insolvência. 

Se a ES International for à falência, a família perde completamente o Grupo que passa para a mão dos credores. Com a ES International vai tudo o que está em baixo, incluindo a Rioforte e o BES.

Se transformarem créditos em capital os Espírito Santo diluem a sua participação accionista, porque os credores passam a ser accionistas. Ora se directamente a família já não detém mais de 4%, nessa altura então passa ainda a ter menos expurgando todos os interesses minoritários.

É esta a situação do Grupo Espírito Santo.

Paralelamente e não completamente dissociado disto: o BES Angola tem um buraco nos activos (créditos de 5 bi que não se conseguem cobrar), com uma garantia do Estado angolano que no limite pode levar a que o banco passe para as mãos do Estado de José Eduardo dos Santos. E uma guerra familiar entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, que nunca se resolverá porque decorre de uma situação de risco de perda do Banco que não será facilmente esquecida dentro da família. 

Voilá! É isto e é simples de explicar, mas deve ser sufocante o ambiente que se vive hoje na família.

 

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A razão em tempo de guerra

por Maria Teixeira Alves, em 27.06.14

Confesso que comecei por achar uma atitude nobre a de José Maria Ricciardi sair de todos os cargos de administração do Grupo Espírito Santo. Pois se votou contra a lista de Amílcar Morais Pires, não se revendo naquela liderança, quis dar um sinal de coerência. Pareceu-me bem. Acho que José Maria Ricciardi devia até ter-se demitido da administração da ES Internacional depois de ter obtido os resultados da auditoria pedida por si àquela sociedade amaldiçoada, no princípio de 2013. Mas isso são outros 500.

 

Imagino que não deva ser fácil para alguém ser enrolado numa áurea de suspeição quando aparentemente não tinha intervenção efectiva na gestão dessas holdings e imagino a revolta que deve sentir ao ver o primo Ricardo Salgado dizer numa entrevista que todos tinham responsabilidade, uma vez que eram todos administradores, quando o commissaire aux compte na edição do Expresso de dia 14 de Junho vem dizer que eram Ricardo Salgado e José Castella, controller financeiro do GES, quem tinha acesso a tudo das contas da ES International.

 

Esse sentimento de injustiça é terrível e se uma pessoa não o controla, pode ser muito mau conselheiro. 

 

Serve isto para dizer que o comunicado de José Maria Ricciardi a anunciar a sua saída da administração da ESFG (que imediatamente a aceitou) foi depois acompanhado por uma declaração que, a meu ver, foi impulsiva e talvez tenha comprometido irremediavelmente a sua estratégia que não era dificil de ler nas entrelinhas para os observadores mais atentos.

 

Não se anunciam aumentos de capital de significativa envergadura em comunicado. Parece-me evidente. Ao anunciar um aumento de capital de significativa envergadura (soube-se depois que era de 600 milhões de euros) para entrarem investidores (dos Emiratos) com 45% e o management ficar com 10%, levanta a lebre de uma estratégia que convinha ter ficado no segredo dos Deuses. A surpresa é fundamental nestas tácticas. A surpresa e, claro está, um bom advogado e bons conselheiros de outras ciências.

 

Agora com o BES, ainda liderado por Ricardo Salgado, a admitir substituí-lo à frente do BESI e tendo o BES 100% do BESI, e tendo o José Maria Riccardi deixado de ser administrador da ESFG, e estando a caminho de deixar de ser administrador do BES, torna-se muito complicada a sua situação.

 

Mas qualquer que seja a tática que esteja agora a desenhar é fundamental que não seja comunicada, formal ou informalmente... fundamental. 

 

É preciso ter nervos de aço em tempo de guerra. Sobretudo quando o adversário é temível. E Ricardo Salgado não chegou até aqui por ser ingénuo, e ainda tem a faca e o queijo na mão.

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Em três momentos diferentes (2014, 1999 e 2007) três grandes banqueiros escrevem palavras fortes na hora da despedida. Em comum o facto de se tratar de uma despedida forçada pelos acontecimentos (no caso de Champalimaud a sucessão foi forçada pela sua saúde) . Somos sempre nós e as nossas circunstâncias, como diria Ortega y Gasset.

Ora vejam:

 

Autoridades do Luxemburgo abrem investigação a ‘holdings’ do GES

"No limiar de cumprir 70 anos, decidi, pois, que era chegado o momento de passar o testemunho da liderança executiva do Banco Espírito Santo. 

(...) Neste sentido estará assegurada de uma forma célere e clara, a transição geracional que se impõe para a entrada num novo ciclo de crescimento e rentabilidade tendo como ponto de partida a invejável capacidade e competência da equipa composta por todos os colaboradores e a muito importante confiança dos clientes do Banco. 

Em conclusão, quero dizer-vos que não posso, e não quero, esconder que neste momento vivo emoções fortes após todos estes anos de trabalho em conjunto. Mas há um sentimento que sobressai e prevalece e que, para mim, é o mais importante, e esse sentimento é de gratidão e reconhecimento a todos vós pelo trabalho realizado no BES e em benefício do nosso País e pelo privilégio de fazer parte desta imensa e valorosa equipa".

 

 

"Quero sublinhar neste momento que não era este o negócio que desejei fazer. O que desejaria ter levado a cabo era a parceria acordada em Junho com o Banco Santander, que preservava o controle do grupo por mim liderado em mãos nacionais e lhe dava um novo fôlego, em capital e em meios humanos, quer para enfrentar os desafios da globalização no mercado interno, quer para aumentar a sua presença internacional, designadamente no apoio às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O Governo português não compreendeu a minha estratégia e inviabilizou a parceria com o Banco Santander. Assim, negociei com o Sr. Emílio Botín uma solução que concertou as posições de todas as partes e que espero venha a dar satisfação aos investidores em geral.
Às administrações e aos colaboradores do Grupo Mundial-Confiança desejo expressar o meu agradecimento pelo extraordinário trabalho que desenvolveram e pelo sucesso que alcançaram, como veio a ser publicamente reconhecido pelo mercado".

 

"O Banco que ajudei a fundar resultou precisamente de uma ampla transparência e convergência de interesses e vontades, dos quais depende o seu futuro, sobretudo neste momento. (...)

Quiseram os Senhores Accionistas e os Órgãos Sociais que assumisse a Presidência do Conselho Geral e de Supervisão por ocasião da última alteração estatutária. Aceitei o desafio em nome da Instituição.

Aproximando-se o fim do mandato do Conselho de Administração Executivo é, por isso, o momento dos Senhores Accionistas serem chamados a eleger a liderança executiva do Banco, reflecti profundamente sobre a melhor solução para a Instituição.

Tomei por isso a decisão de, uma vez encerrado o exercício, e a um ano do final de mandato, renunciar ao exercício de funções como Presidente do Conselho Geral e de Supervisão e Presidente do Conselho Superior do Banco Comercial Português. (...) 

Sei que na vida de uma empresa, a sucessão é um dos seus maiores desafios, sobretudo, e como se prova empiricamente, quando se trata da liderança fundacional. Contudo, e apesar da expectativa que tinha de se poderem gerar condições de coesão no seio do Conselho de Administração Executivo, o que não se revelou ser possível, estou seguro de que o Banco possui na sua liderança e no seio dos seus corpos sociais e do seu excelente quadro de colaboradores as competências, a vontade e a disponibilidade necessárias para prosseguir o projecto Millennium, preservando a independência estratégica e a sustentabilidade de longo prazo. (...)

Uma última palavra é devida. E é de gratidão. Agradeço a todos aqueles que de uma forma ou de outra me acompanharam neste percurso de vinte e dois anos de vida profissional. A todos os que, empenhadamente e de boa fé, fizeram do Millennium bcp o seu projecto e o ajudaram a crescer. A todos os que diariamente continuam, e continuarão, a fazer o Banco. Sei que saberão honrar o prestígio e a grandeza desta Casa. É essa a minha maior alegria".

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O país de Pedro Passos Coelho

por Maria Teixeira Alves, em 21.06.14

 

Vale a pena ler (eu não diria melhor) o que Pedro Guerreiro escreve no Expresso de hoje (deixo a imagem). O país de Pedro Passos Coelho é diferente do de Sócrates (e provavelmente do que virá com António Costa ou António José Seguro). Neste Governo não há padrinhos! É por isso que eu gosto de Pedro Passos Coelho (foi isso que me converteu) e de Maria Luís Albuquerque (que conheço há mais tempo), e é também por isso que fui uma fã de Vítor Gaspar. Porque eu sei o quão difícil é ser-se integro e não ceder a pressões. E sei o que é ser vítima de pessoas que não o são. 

Detesto o pessoal do jeitinho aqui, jeitinho ali. Detesto deslumbrados sociais que querem ser amigos dos Espírito Santo a todo o custo e usam e abusam dos seus trabalhos e profissões para isso! 

Parabéns Maria Luís, parabéns Pedro Passos Coelho por não terem cedido à pressão do presidente do BES para pôr a CGD e o BCP a liderarem um empréstimo de 2,5 mil milhões de euros, com taxas bonificadas, para cobrir a dívida da ES International e da Rio Forte. 

 

*Claro que há pessoas que conheceram os Espirito Santos através dos seus trabalhos e hoje são amigos deles que obviamente não cabem nesta categoria. As pessoas vêem-se de dentro. Não são estereótipos..

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Coisas que só se podem dizer no Twitter

por Maria Teixeira Alves, em 21.06.14

 

 

 

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Chega de cronistas preguiçosos

por Maria Teixeira Alves, em 21.06.14

Não é aceitável. Não é admissível. Não é inteligente. Não é honesto que se diga isto: "O actual governo mereceu também da banca todos os elogios e retribuiu em espécie, impedindo que qualquer legislação que diminuísse os lucros da banca passasse no parlamento, ou ficando como penhor de bancos que em condições normais iriam à falência, mesmo numa altura em que já era difícil alegar crise sistémica!"

 

José Pacheco Pereira é inteligente e devia ser menos "jornaleiro" do que é. Não se pode ter razão assente em falsidades. Todo o edificio de opinião fica em causa "por causa" da ignorância que demonstra sobre os temas que opina. O que é que custa ir saber como é que funciona o capital de um banco? O que é que custa perceber minimamente de contabilidade bancária antes de opinar. É que se até tem razão nalgumas coisas - como por exemplo nisto "Os Espírito Santo frequentavam os gabinetes de Sócrates, elogiaram-no até ao dia em que o derrubaram, quando os seus interesses estavam em causa pela ameaça de bancarrota" - depois quando fala do plano de recapitalização da banca como mais um esquema de compadrio do governo português com os banqueiros, revela um pensamento completamente tendencioso, ignorante e baseado em mentiras. 

O plano de recapitalização da banca é EUROPEU. É obrigatório. Não passa por nenhuma relação de Passos Coelho com Ricardo Salgado. 

 

Os bancos portugueses tiveram de ser recapitalizados porque a EBA (Autoridade Bancária Europeia) obrigou os bancos a contabilizarem a divida soberana de longo prazo aos preços do mercado. Isso provocou menos-valias potenciais que tiveram de ser registadas no capital, e criou um défice deste. Depois em Janeiro entraram em vigor as novas regras sobre requisitos de capital (definidos na directiva CRD IV, que aglutina as exigências contabilísticas de Basileia III), que exigem um common equity tier I (capital puro e duro sem incluir outros instrumentos de capital) de 7%, mínimo. 

Há os testes de stress, há o asset quality review, há uma série de iniciativas que nos ultrapassam (e é preciso não esquecer que os bancos da UE tenderão a uma união que os divorcie do risco país) e que provocam alterações no capital.

Pacheco Pereia devia saber que o capital é contabilístico. A mudança de regras contabilísticas abrem frestas no capital dos bancos. O que não é contabilístico (grosso modo) é o dinheiro que lá têm de pôr os accionistas. 

 

Eu não percebo porque é que os opinion makers consagrados são tão preguiçosos. Ao produzir semanalmente opiniões baseadas em aparências Pacheco Pereira cai no pecado que aponta aos outros.

 

Já no outro dia, o José Quintela, que eu gosto imenso de ler, escreveu um artigo giríssimo sobre o Sr. Inércia do BES; referindo-se ao commissaire aux comptes Francisco Machado Cruz, que Ricardo Salgado personalizou numa entrevista, com erros técnicos. Estava verdadeiramente com graça e bem apanhado, mas confesso que me custou ver esta frase "Provavelmente por não estar com pachorra para abrir o Excel, o Sr. Inércia não registou os 1200 milhões de euros de dívida do BES, uma quantia que coloca o banco na falência técnica". Ora isto é mentira. Quem está em falência técnica é a ES Internacional, que é uma holding da família que em termos directos, expurgando todos os interesses minoritários, não controla mais de 3% a 4% do BES. O banco obviamente não está em falência técnica, porque isso é uma questão de rácio de capital. Confesso que esta mentira do artigo, para mim, estragou um bocadinho o texto do José Quintela. 

 

Voltando ao tema Pacheco Pereira. Para esclarecer: 

No âmbito do Programa de Assistência acordado com a Troika, os principais grupos bancários, incluindo o Grupo BES, têm vindo, trimestralmente, a apresentar e a discutir com aqueles parceiros internacionais e com o Banco de Portugal os respectivos planos de financiamento e de capital (Funding and Capital Plan). O plano visa alcançar, no final de 2014, um rácio "crédito/depósitos" inferior a 120%, um rácio de financiamento estável de 100% e a manutenção de um rácio Common Equity Tier 1 mínimo de 7%, como definido pelo Banco de Portugal no Aviso 6/2013 e de acordo com o novo enquadramento regulamentar estabelecido na Diretiva 2013/36/UE e Regulamento (UE) nº 575/2013, de 26 de junho de 2013, ambos do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu.

 

 

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A Plebeização do Banco Espírito Santo

por Maria Teixeira Alves, em 20.06.14

Ainda bem que o BES conseguiu evitar que o Estado entrasse no seu capital. A família Espírito Santo não queria de maneira nenhuma pôr o seu banco a ser mandado pelo Estado. De maneira nenhuma! Ainda bem que conseguiram evitar ser intervencionados por entidades públicas para não se repetir a perda do banco que sofreram em 1975. Parabéns!
Basta olhar para o novo Conselho de Administração (incluindo Comissão Executiva) para ver que a família Espírito Santo continua a ser dona do BES, vê-se logo.

Alberto Alves de Oliveira Pinto - Presidente substituído por Paulo Mota Pinto

Ricardo Espírito Santo Silva Salgado - Vice-Presidente substituído por Amílcar Carlos Ferreira de Morais Pires
Bruno Bernard Marie Joseph de Laage de Meux – Vice-Presidente
José Manuel Pinheiro Espírito Santo Silva substituído por Ana Rita Gomes Barosa

António José Baptista do Souto

Jorge Alberto Carvalho Martins

Aníbal da Costa Reis de Oliveira

José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi substituído por Isabel Maria Carvalho de Almeida Bernardino

Rui Manuel Duarte Sousa da Silveira

Joaquim Aníbal Brito Freixial de Goes

Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva sai do Conselho de Administração

João Eduardo Moura da Silva Freixa
Nuno Maria Monteiro Godinho de Matos

Pedro Mosqueira do Amaral sai do Conselho de Administração
Isabel Maria Osório de Antas Mégre de Sousa Coutinho
João de Faria Rodrigues

Marc Olivier Tristan Oppenheim

Vincent Claude Paul Pacaud

Rita Maria Lagos do Amaral Cabral

Stanislas Gerard Marie Georges Ribes

Horácio Lisboa Afonso

Pedro João Reis de Matos e Silva

Xavier Musca

 

É, antes de mais, a "plebeização" do BES! Uma verdadeira Revolução Francesa! :)

 

Ironia à parte, o BES não recorreu ao dinheiro do Estado para se recapitalizar, não emitiu CoCo´s (obrigações convertíveis em capital contingente) para o Estado subscrever, não tem o Estado no capital, mas a verdade é que acabou por perder o controlo do banco. Evitou que o Estado tivesse poder no seu Conselho de Administração mas acabou por cair nas mãos do poder do Banco de Portugal, que é uma entidade pública e tutelada pelo Ministério das Finanças. 

Nem no tempo do PREC o desmantelamento de um império familiar foi tão bem sucedido. Para quê chaimites, armas e cravos? Para quê? Há caminhos mais subtis e mais eficientes.

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Não me soa nada bem ouvir agora o António Costa na Quadratura do Circulo. É que cada vez que o oiço sinto-o a fazer campanha contra o Governo a seu favor. Não sei se é legítimo que continue a fingir que não passa de um comentador político, até porque tudo agora o que diz é lido com uma cartilha de futuro Governo a que se propõe.

Bem às tantas, o melhor é lá porem também o Pedro Passos Coelho para fazer de comentador. Comentador em causa própria por comentador em causa própria, pelo menos ficavam em pé de igualdade. É que assim a campanha política está desequilibrada. 

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Ricardo Salgado: O bom, mau e o vilão

por Maria Teixeira Alves, em 19.06.14

Ricardo Salgado sai do BES em cima de fazer 70 anos (a 25 de Junho). Deixa o BES capitalizado mas não conseguiu conter a difamação. Pelo contrário, a partir de dado momento a sua presença à frente do BES agudizava a difamação. Penso que Ricardo Salgado sai para poupar o banco. A sua, bem oleada, máquina de comunicação deixou de conseguir travar o desaire. 

O BES deve tudo a Ricardo Salgado: deve o bom, deve o mau e deve o vilão. O BES não seria o que é hoje se não fosse a inteligência, a sabedoria, e a diplomacia de Ricardo Salgado. O genial de Ricardo Salgado levou-o a destacar-se entre a família Espírito Santo (quando há muitos e um se destaca, isso é de um enorme mérito que é preciso reconhecer). Foi essa inteligência que o levou a ser o escolhido para liderar os destinos do BES, decorria o ano capicua de 1991. É a partir do estrangeiro que participa na reconstrução do Grupo Espírito Santo, primeiro a partir do Brasil (1976-1982) e depois a partir da Suíça (1982-1991), de onde regressa para investir em Portugal. Começou pela criação do Banco Internacional de Crédito em 1986, quando a Constituição da República Portuguesa ainda não permitia as reprivatizações.

Todo o seu percurso é feito numa tentativa de fazer do BES um grande banco português e um banco aliado do país. Ricardo Salgado é um banqueiro, daqueles à antiga, que tem uma estratégia para o banco mas também tem uma estratégia para o país. Mas, e há sempre um mas em todas as histórias, não resistiu ao pacto com o poder político que é um pacto com o diabo (seja ele cá ou em qualquer outro país). Esse foi o pecado do banqueiro. O poder é apenas uma sugestão.

A vaidade de Ricardo Salgado foi querer ser o fiel da balança política. Seja em Portugal, seja em Angola, os compromissos com o Estado podem descambar em coisas menos ortodoxas. Depois a tentação de, através do crédito, ajudar quem precisa, corrigir as injustiças, dar gás aos projectos, ajudar os amigos leais, tudo isso são vicissitudes com que se depara qualquer presidente de um banco. Mas às tantas, os amigos são muitos, os desfavorecidos são muitos, os parentes são muitos, os injustiçados são muitos, os buracos de um país são muitos e o banco começa a ser pequeno demais para acudir a tantos. Os apoios começam a cair aqui e ali, depois quando já se está à beira do abismo há sempre quem esteja disponível para dar o empurrão final. 

O bisneto de José Maria do Espírito Santo Silva e neto pela mãe de Ricardo Ribeiro do Espírito Santo Silva, é o primeiro presidente do BES a sair vivo da função. Até hoje os presidentes do BES eram como os Reis numa monarquia, não abdicavam, morriam. 

Ricardo Salgado vai agora defender com unhas e dentes Amílcar Morais Pires para presidente. É preciso que se diga que Amílcar Morais Pires é fundamental no BES, o banco deve à sua credibilidade junto dos investidores o sucesso do último aumento de capital.

Ricardo Salgado sai. Não ficará nem sequer Chairman. Ficará num comité estratégico do banco. Um lugar simbólico.

José Maria Ricciardi tem fortes possibilidades de assumir a presidência do BES, se não a executiva pelo menos a não executiva. 

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João Moreira Rato em debate sobre "O ajustamento económico português e o acesso aos mercados".

O que disse o Presidente do IGCP?

1- que o essencial é o ajustamento das contas externas e o ajustamento das contas públicas, que é o que se tem feito desde 2012.

2- A facilidade de crédito adiou o ajustamento necessário, para 2012

3- Não corremos o risco de voltar ao crédito excessivo, porque "não há crédito disponível para consumir acima da produtividade"

4-O trabalho do IGCP, começado em Junho de 2012, foi trazer investidores novos (sem trauma) e sossegar os investidores tradicionais

5-Os objectivos do IGCP foram diminuir a volatilidade do nosso mercado secundário e aumentar a liquidez no mercado secundário (trazendo mais investidores para este mercado). Neste momento a nossa volatilidade está próxima da de Itália e de Espanha, o que permite pagar taxas de juro mais baixas.

6- Os investidores estão a ganhar com o seu investimento em dívida pública portuguesa, este ano as emissões de Janeiro deram uma performance interessante aos investidores

7- A coisa mais importante para os investidores é que Portugal tenha uma Balança de Transacções Correntes positiva e uma Balança de Capitais positiva, juntas significa que estamos a pagar a dívida externa. O facto de o ajustamento externo ser feito com base nas exportações, permite dizer que o ajustamento é estrutural.

8- Em termos de consolidação das contas públicas é preciso que o Saldo Primário das Contas Públicas (sem juros de dívida) seja positivo, isto é, superávit; que haja crescimento económico e que haja controle da inflação.

9- O IGCP tem procurado jogar por antecipação, em termos de emissões de dívida. E "é importante suavizar a estrutura de reembolsos". A agência tem procurado colocar as emissões de dívida soberana numa combinação de operações sindicadas (os bancos trazem os clientes finais) e de leilões.

10- O próximo passo será as agências de rating elevarem Portugal à categoria de Investment Grade. A Fitch e a Moody´s estão a dois notches de isso acontecer. Já a S&P é muito renitente em confiar na recuperação portuguesa. 

Neste momento a Moody´s está num processo de análise intercalar de revisão da dívida portuguesa, mas a decisão do Tribunal Constitucional prejudicou essa revisão. A Moody´s irá esperar mais algum tempo até fazer essa revisão. Espera pelas medidas alternativas do Governo.

11- João Moreira Rato acredita que nos primeiros meses de 2015 Portugal estará em Investment Grade pela Moody´s e pela Fitch. 

12- Os Investidores institucionais acreditam que as reformas estruturais mais duras foram todas realizadas. 

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Título do Público: Os intelectuais de direita estão a sair do armário

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Será que só eu é que vejo nesta posição do Partido dos Verdes um paradoxo? Rejeitaram o Marinho Pinto porque é contra a família anti-natura? Mas não é suposto defenderem a Natureza? Os Verdes parecem ter retirado o ser humano da defesa do equilibrio do ecossistema. Pois defendem as regras da natureza mas apenas para os animais (irracionais) e para os vegetais.

Verdes rejeitam Marinho e Pinto, MPT integra o grupo dos Liberais

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Vamos lá cambada!

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