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Incoerência

por Maria Teixeira Alves, em 07.01.17

Incoerência é o primeiro-Ministro decretar luto nacional de três dias, mas continuar na sua viagem à Índia.

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O Novo Banco e os erros dos banqueiros de bancada

por Maria Teixeira Alves, em 06.01.17

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O Novo Banco é o banco de transição fruto de uma medida europeia de Resolução que foi evoluindo. Hoje é diferente. Mas mais tarde irá dizer-se que esta nova versão também é péssima porque chama os depositantes e os obrigacionistas a pagar a factura da Resolução.

Existe alguma possibilidade de um banco que se defronta com défice de capital por excesso de maus activos de ser salvo? Essa é a questão.

O Novo Banco é o que sobra do BES. O BES foi o que se sabe. Não é culpa de Governo nenhum. É culpa de legislações frouxas ou instrumentos de controle ineficazes e da soberba de banqueiros que abusavam do poder que tinham.

A Resolução do BES correu mal? Sim, porque em bom rigor o Novo Banco devia ser do tamanho de um Banif e o BES mau devia ter muito mais créditos tóxicos e activos problemáticos, que, por boa vontade de Carlos Costa ficaram no banco bom.

Perante o que há pela frente o que pode o país fazer? Vender. Se for por zero é por zero. Vender a um fundo de private equity, porque não?

Mas alguém acredita que uma Nacionalização temporária é melhor que a detenção temporária por um private equity que tem a função de rentabilizar e vender? Mas é diferente o Lone Star rentabilizar e vender de uma nacionalização que tem precisamente a mesma função (rentabilizar e vender?) Não teria sido melhor o Banif ter sido comprado por um private equity que valoriza e vende? O Estado quis valorizar e vender. Conseguiu?

Mas Portugal alguma vez nacionalizou um banco com sucesso? O BPN foi um desastre resolvido e bem pelo governo anterior, com a venda ao BIC.

O Banif (que o Estado entrou no capital com o intuito de ser temporariamente) correu bem?

Esqueçam a nacionalização. O Novo Banco tem que ser detido por accionistas que têm o foco na rentabilidade.

Quando eu oiço vozes a dizer que o Novo Banco  tem de ser nacionalizado para salvar o papel de grande parceiro do crédito a empresas, vem me logo à visão as imparidades futuras que vêm para aí. 

Essa visão paternalista cultivada por alguns governos é a grande culpada de os bancos estarem hoje como estão, com muitos créditos em risco. 

Nacionalizar o Novo Banco é trazer para dentro de casa as perdas do side-bank (activos problemáticos do Novo Banco), isto é, para os contribuintes. Mas se o Lone Star quer desvalorizar o side-bank porque há-de o Estado ficar com ele ao valor de 9 biliões de euros?

O Estado com a nacionalização vai aumentar o défice com os aumentos de capital que vão ser precisos fazer para repor o capital do banco que pelos vistos é fictício porque se faltam registar imparidades, é provável que o rácio de capital que apresenta o NB esteja sobrestimado.

O Governo vai tentar nacionalizar o Novo Banco, se Bruxelas deixar, claro, depois vai culpar o Passos Coelho, e daqui a meia dúzia de anos vai tudo concluir que foi um erro, quando já for tarde. Porque ninguém vai comprar o Novo Banco depois de nacionalizado. Ninguém. Vai ser outro Banif.

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Quando em 1999 António Champalimaud, antevendo que o seu Grupo financeiro, um dos maiores à época, se desmantelaria após a sua morte, na guerrilha dos herdeiros e tendo viva a memória do que acontecera à herança Sommer, tenta um acordo com o Emílio Botín para uma parceria que mantivesse intacto o Grupo Champalimaud - BPSM, Totta, Mundial Confiança, CPP e Chemical - levantou-se uma indignação colectiva de que este país é mestre. 

Não faltou banqueiro, opinion maker, que não apelasse ao Ministério das Finanças, na altura era Sousa Franco, para impedir o negócio de venda de 40% do Grupo Champalimaud aos espanhóis. Era o interesse nacional que estava em jogo, a rentabilidade do sistema financeiro português. 

O Ministro das Finanças alegou falha na comunicação e na autorização do ISP, instituto de seguros, por a cúpula do grupo ser uma seguradora (a Mundial Confiança) para chumbar a operação.

Era preciso uma alternativa. A velhice não espera por decretos, e António Champalimaud sabia que teria de resolver a sucessão urgentemente.

O Governo de Guterres, ao bom estilo socialista, logo se assumiu como arquiteto do sistema financeiro (onde é que eu já vi isto? rings a bell? António Costa e a estabilização do sistema financeiro?) e pôs a CGD a fazer aquilo que sabia fazer melhor: comprar participações em empresas portuguesas para as manter em mãos nacionais.

Logo se pôs a CGD (inicialmente presidida por João Salgueiro, mas no ano seguinte, em 2000, por António de Sousa e como Joaquim Pina Moura já a ministro das Finanças) a comprar a Mundial Confiança, na altura por um balúrdio por acção, a qualquer coisa como 12 contos por acção, afinal era a dona de todo o grupo. Ah, mas desenganem-se a CGD compra a Mundial por um balúrdio a António Champalimaud e o BCP em OPA fica com o BPSM pagando com acções do BCP, pois a CGD não precisava do dinheiro, precisava era de ser a garantia da nacionalidade das empresas portuguesas. Podia ter vendido por dinheiro o BPSM na OPA, mas preferiu acções do BCP de Jardim Gonçalves, que tinha uma estrutura acionista muito dispersa e ainda podia aparecer um novo banco espanhol na esquina a lançar uma OPA ao BCP.

O BPSM por sua vez vendia o Totta ao Santander e o CPP idem, o Chemical já nem sei para quem ficou. 

Foi assim a história da CGD, dona parcial de todas as empresas portuguesas de grande dimensão (teve 10% da PT), a empresa que servia de Fundo soberano do Estado português.

Hoje fazem-se comissões de inquérito para tentar acusar o passado da CGD na esperança de se apanhar o adversário político na esquina.

Não mudou muito o papel que os governos (sobretudos os menos liberais e mais de esquerda) querem dar à CGD, o que mudou foi o preço em imparidades que essas estratégias custam).

 

 

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Se até agora os clientes dos bancos do Grupo Espírito Santo não recuperam o dinheiro que aplicaram em dívida das empresas do Grupo Espírito Santo que entraram em insolvência e liquidação, foi porque alguém tem de pagar o que o Grupo Espírito Santo por má gestão, imprudência e irresponsabilidade não pagou.

Não restam dúvidas que estes clientes foram enganados, mesmo os que sabiam estar a subscrever papel comercial da Rioforte, ESFG, ou ESI, tinham a segurança que acompanhava o nome Espirito Santo. Afinal a credibilidade do grupo era um embuste.

António Costa fez dos lesados do BES um cavalo de batalha política. E isso foi o que de melhor pode acontecer a estes clientes.

Reparem que numa altura em que a legislação chama ao resgate dos bancos os obrigacionistas, accionistas e depositantes acima de 100 mil euros, esta solução é um bilhete premiado da lotaria.

Recordo ainda que António Costa era já primeiro ministro quando foi feita a Resolução do Banif que criou lesados, clientes que tinham comprado obrigações do Banif e mesmo acções do banco. E se no BES foram enganados pela credibilidade que parecia oferecer o nome Espírito Santo no Banif, intervencionado pelo Estado em 2012, e por essa via maioritariamente detido por ele, os clientes foram ao engodo da credibilidade que o Estado oferece.

António Costa anunciou hoje a solução para pagar aos lesados do BES, e disse que essa solução (desenhada pelo grupo de trabalho que juntou os reguladores e representantes dos "lesados" e ainda o seu representante Diogo Lacerda Machado), "não isenta de pagar quem tem obrigação de pagar", ainda que não tenha explicado como. Vamos tentar perceber:

A compensação financeira dos lesados do BES será feita através de empréstimo comercial a um veículo que pagará até 75% do capital investido no prazo de dois anos. O financiamento será garantido pelo Estado e terá contra-garantias do Fundo de Resolução para anular eventuais custos para os contribuintes. Caso todos os lesados adiram à solução o veículo, o Fundo de Indemnização, que deverá financiar a solução para os lesados do papel comercial do GES, receberá 286 milhões de euros de um empréstimo comercial.

O valor será reembolsado por aplicação e não por cliente (há aplicações que têm mais do que um titular) e os clientes que aceitarem a solução irão ceder os direitos judiciais dos processos já colocados em tribunal contra entidades e administradores ligados ao GES, ao novo veículo (fundo) que assumirá depois a litigância desses processos na Justiça e receberá eventuais compensações decididas pelos tribunais.

Mas é preciso não esquecer que estes créditos judiciais são créditos subordinados pelo que não são os primeiros a receber a massa falida.

Os lesados que aceitarem a solução proposta terão de comprometer-se ainda a renunciar a reclamações e processos judiciais contra uma série de entidades: Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Fundo de Resolução, Estado, o Novo Banco e o seu futuro comprador.

A primeira parcela será de 30% do valor estipulado e será paga entre março e junho de 2017, a segunda em 2018 e a terceira em 2019. No modelo fixado, os lesados vão assim poder recuperar até 75% do capital investido até 500 mil euros, com um valor máximo estipulado de 250 mil euros.

Primeira questão por responder: Quem paga aos lesados do BES?

Se não são os contribuintes e se o veículo recebe um empréstimo bancário garantido pelo Estado e contra-garantido pelo Fundo de Resolução, isto é apenas a origem transitória dos fundos.

Quem paga? Os alvos da litigância. Mas que litigância? Qual é o grau de sucesso dessas litigâncias? Mas essas litigâncias em parte não são contra o BES mau? Vai o Fundo de Resolução dono do BES bom (Novo Banco) litigar contra o BES mau?

Por outro lado se a litigância for contra os gestores do BES a probabilidade de sucesso na recuperação dos fundos é mínima porque não são propriamente ricos, e dificilmente poderão suportar esses milhões. Portanto quem vai pagar é o BES mau, o resto que não é pago é o fundo de indemnização que assume o custo, e como o empréstimo é garantido pelo Estado é este que tem de pagar e no fim da linha está o Fundo de Resolução que contra-garante o Estado. Ou seja, quem vai pagar isto são os bancos. Incluindo a CGD, que é do Estado.

Quem ganha com esta solução?

Os lesados do papel comercial do GES porque recebem uma parte significativa do seu investimento perdido em empresas insolventes e em liquidação. O Novo Banco; o futuro dono do Novo Banco; a CMVM e o Banco de Portugal. E os advogados que vão ter litigâncias que nunca mais acabam.

Quem perde?

Os bancos; os gestores do BES, BEST e BES Açores; e o BES mau. E ainda vamos ver se as contas públicas não vão ser afectadas.

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No passado dia 28 de Novembro houve um Jantar de Estado oferecido pelo Presidente da República em honra de Suas Majestades os Reis de Espanha, no Paço dos Duques de Bragança, Guimarães.

Manda o protocolo que nas cerimónias solenes (como era o caso) os agraciados com diversas condecorações usem os distintivos e insígnias nacionais (as insígnias maiores das Ordens Honoríficas Portuguesas apenas podem ser usadas com traje de gala ou uniforme correspondente, sejam estes militares, diplomáticos ou académicos).

Não deixa de ser curioso, provavelmente coincidência, que quatro dias antes o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues,  tenha sido condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, no dia 24, bem a tempo de ostentar a placa no jantar oferecido aos reis de Espanha. Uma história a fazer lembrar o romance Paixão de um Janota: Diário de um Fidalgo Lisboeta de Meados de novecentos de António Xavier de Brederode, que conta as peripécias de um fidalgo para arranjar condecorações porque não queria ir de peito nú buscar a rainha Dona Maria Pia a Itália.

E caso para dizer a vida emita a arte.

 

 

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Antonio Lobo Xavier denuncia um compromisso escrito na CGD

por Maria Teixeira Alves, em 18.11.16

Foi preciso vir António Lobo Xavier denunciar aquilo que toda a gente já sabia.

Houve um compromisso (escrito) entre António Domingues e o Governo que passava pela exclusão dos deveres de apresentar o património dos administradores ao Tribunal Constitucional, para além da questão dos limites salariais. 

"Eu não vou em peças de teatro, até porque eu conheço o guião", disse Lobo Xavier na Quadratura do Círculo. "Isto noutras condições políticas era impossível de passar-se", disse o advogado que é administrador do BPI. "O Governo está a deixar passar - com uma enorme falta de solidariedade, com uma frieza chocante e próximo da indignidade - o odioso para os gestores da CGD das coisas que combinou com eles". 

"As pessoas estavam em belíssimos lugares e foram desafiados para tratar da CGD. Puseram as suas condições como acontece sempre e foi-lhes prometido (aceites) e até escrito. Os compromissos estão escritos portanto não se pode dizer que o Primeiro-ministro não sabia e que só sabia o ministro das Finanças. Os governos não funcionam assim. Os compromissos eram do conhecimento de todos. Acharam é que bastava alterar o estatuto do gestor público para resolver os problemas todos que foram colocados (quer os salários, quer as declarações), quando o problema veio para a praça pública (através do Marques Mendes e depois PSD) o governo desresponsabilizou-se. Os gestores estão calados a cumprir o seu serviço e estão a ser vítimas de uma desresponsabilizacao inacreditável", denunciou António Lobo Xavier.

Sobre a recapitalização que deverá ser adiada para 2017 disse: "Eu não sei quem quer a recapitalizaçao rápida, este ano. O governo quer este ano? Se calhar aproveita adiar por causa do défice".

"Os gestores têm direito a argumentar em sua defesa. Deviam desistir e não argumentar? Ir embora? Entregar as declarações? Não revelar os compromissos que tiveram? Havia de ser eu", disse António Lobo Xavier.

Eu escrevi aqui um post irónico com um resumo da história da CGD em que dizia o mesmo.

É evidente que o Ministro das Finanças não podia ter assumido nenhum compromisso desta ordem de grandeza com António Domingues por engano sem o conhecimento do primeiro-Ministro, apenas porque falhou ao Conselho de Ministro da Arrábida

A história do CM da Arrábida onde o primeiro-ministro terá dito que a lei não ilibava os gestores da CGD de apresentarem as declarações, e nesse dia por acaso Centeno não estava e por isso não sabia, é de gargalhada.

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Câmara de Lisboa não sabe inglês

por Maria Teixeira Alves, em 14.11.16

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Leonard Cohen, poetic mind

por Maria Teixeira Alves, em 11.11.16

 

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Por uma simples razão. Porque é preciso saber-se qual o património à chegada à gestão de uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes, para comparar com o património à saída da função.

O resto é palha.

A CGD pode ter deixado de estar acorrentada às correntes do gestor público. Mas não deixou de ser uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes. Só por algum tipo de oportunismos se pode defender o contrário.

Em qualquer país civilizado os gestores de empresas com dinheiro do Estado declaram os rendimentos ao Tribunal Constitucional. Só nos países duvidosos, onde os governantes acabam sempre ricos, e a corrupção é tacitamente aceite é que não é assim.

Antonio Domingues é uma pessoa inteligente e de um enorme bom senso. Se não estivesse preso a um compromisso com as pessoas que convidou para o board da CGD concordaria comigo de certeza.

O problema é que não foi fácil convidar pessoas para aquele lugar, alguns deles estrangeiros, e comprometeu-se (com o aval do primeiro ministro) com uma garantia de discrição que não vai poder cumprir.

 

 

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O Câmara Corporativo e a sua soberba

por Maria Teixeira Alves, em 22.10.16

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Agora já percebo porque é que os autores deste blog insinuavam que toda a gente que se opusesse às suas teses eram "burros" e "ignorantes", havia um argumento de peso: 3.550 euros por mês. Uma mesada paga pelo amigo de Sócrates para fazerem de conta que eram independentes e livres pensadores de esquerda. Lá espertos os abrantinos eram... disso não há dúvida. Diria mesmo Xico-Espertos, que está para a inteligência como a água está para o azeite.

 

 

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O Económico chega ao fim. Este é talvez o texto mais difícil de escrever. Ficar para apagar as luzes tem um lado trágico e desolador.

O muito que se poderia dizer de um jornal que nasceu a 3 de Outubro de 1989, quando a economia e o mercado de capitais despontavam num país saído dos escombros das nacionalizações e a reentrar no admirável mundo novo da iniciativa privada, fica sempre aquém. O Económico atravessou as principais evoluções económicas do mercado português ao longo de 27 anos.

A coincidência da precisão de acabar no dia 4 de Outubro de 2016, precisamente um dia depois de completar os seus 27 anos, dá-lhe uma carga mais fatídica, e provavelmente mais memorável.

Uma marca líder, um jornal de referência, são coisas que não se constroem de um dia para o outro, o Diário Económico tinha um activo incomensurável, uma liderança como jornal de referência, consolidada ao longo de quase três décadas. 27 anos é uma vida. Uma vida que não foi possível salvar, apesar de todos os esforços.

Não foi possível salvar o Económico, apesar de todos os esforços dos que aqui trabalharam e deram o seu contributo para consolidar a liderança. É uma pena, é o mínimo que se pode dizer.

Pelo menos não faltou vontade de tentar salvar o Económico. Foi uma luta titânica até ao fim, mesmo quando já tinha o futuro traçado. O mínimo que se podia fazer era manter a dignidade de um grande jornal até ao fim. Por isso até hoje manteve actualidade e dinâmica informativa possível, dadas as circunstâncias. Um fim digno impunha-se. Ao menos isso foi conseguido.

Todas as pessoas são insubstituíveis (lamento contrariar o cliché) e todas as pessoas foram insubstituíveis no percurso de construção do Diário Económico e Semanário Económico que depois se desdobrou em Económico, versão digital. O Económico online era o último reduto de um jornal que foi líder de mercado praticamente até ao fim. A força da marca do Económico é irrepetível. Nenhum outro se lhe comparará.

A vida é composta de mudança e cada pessoa (todas elas sem excepção) que escreveram no  Económico, levam consigo uma marca de credibilidade inegável, a marca do profissionalismo de um jornal de referência. Levam consigo o nome Económico.

Vemo-nos por aí!

 

*Este texto era suposto estar publicado no site do Económico no dia 4 de Outubro. Mas mais uma vez o responsável pela empresa que gere o site paralisou na sua indecisão estrutural, e assim como me pediu o texto, também não o publicou. O Económico merecia uma explicação aos leitores que ainda lá vão ao site, mas teve azar com a gestão. Assim o site ficou entregue à sua sorte, naquele estado de abandono. Lamentável.

Agora encontram uma boa parte dos jornalistas do Económico no Jornal Económico.

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 Já estou habituada a ver as coisas contra a corrente, e provavelmente este meu pensamento é mais uma vez um desses episódios. Mas expliquem-me como é que a proposta da Fosun para entrar no capital do BCP é um mérito do Governo?

É que acabo de ouvir o comentador da SIC, Luís Marques Mendes, a dizer, no âmbito do balanço de um ano de geringonça, que pela positiva se destacou "a solução para a banca", e citou: "Capitalização da CGD; o Dossier do BPI; Dossier do BCP; falta vender o Novo Banco, e também solução do Banif", disse sem no entanto explicar qual foi o papel do Governo na proposta da Fosun ao BCP.

Solução para a banca? Talvez a única solução para a banca tenha sido a extensão do prazo para o Fundo de Resolução pagar o empréstimo ao Estado, embora mesmo essa solução seja na prática a materialização das balizas legais que já constam na lei da Resolução (a contribuição para o Fundo de Resolução não pode pôr em risco a solvabilidade do sistema, etc,etc). Mas pronto, ainda dou de barato que esse acordo conseguido com Bruxelas, sem que isso seja considerado ajuda do Estado, possa ter salvo a banca de desaires piores. 

Mas de resto não contribuiu em nada de positivo. Nada. Nem o BPI ajudou muito, porque apesar de ter criado uma lei com vista a ajudar a queda da blindagem de votos do banco, essencial ao sucesso da OPA do CaixaBank, a verdade é que não foi preciso a lei para a blindagem cair. Caiu com a abstenção da Santoro (na votação da proposta do Violas). Foi mais eficiente o empréstimo do CaixaBank a Angola, do que 10 emissários políticos nas negociações entre accionistas.

Francamente, o que é não nos foi dito que faz com que seja mérito do Governo a proposta da Fosun para entrar em 16,7%? Num aumento de capital com supressão do direito de preferência dos accionistas que foi votado em AG do banco em Abril?

Capitalização da CGD. Mérito? Huum... talvez, se esquecermos o facto de para ser considerado operação em condições de mercado (essencial para que a comissária Vestager não tenha de considerar que é ajuda do Estado) o aumento de capital em dinheiro tem de ser acompanhado por uma emissão de obrigações subordinadas (que não contam para CETier 1) que serão emitidas a um custo altíssimo para o banco (10% ao ano), mais caro que os CoCos. E ainda vamos ver se o Eurostat não obriga a levar ao défice público o aumento de capital da CGD.

Ainda vamos ver no Novo Banco como será a solução.

Banif um mérito do Governo?! Por amor de Deus, para fazer aquilo com aqueles custos para o contribuinte, qualquer um teria feito. Chegar ao BES e pôr os contribuintes a pagar também tinha sido uma solução. O mais difícil é criar uma solução em que os contribuintes não paguem.

Acho que o mérito do Governo, sinceramente, é transformar negociações banais com Bruxelas em grandes feitos heróicos, e a capacidade que o governo tem de ceder a compromissos com Bruxelas em troco de aceitações importantes que servem depois de bandeira mediática.

Luís Marques Mendes, destacou no seu balanço como ponto negativo, o fraco crescimento da economia inferior ao do ano passado o que está a reflectir-se no aumento dos juros da dívida soberana, o que és particularmente relevante face a Espanha.

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Até tu Brutus?

por Maria Teixeira Alves, em 22.09.16

Já estavamos habituados a que Pacheco Pereira aproveitasse cada minuto de tempo de antena para criticar Pedro Passos Coelho. Mas não se me acaba o espanto quando vejo António Lobo Xavier a sistematicamente dar uma no cravo do governo e outra na ferradura no Pedro Passos Coelho (será para agradar a Costa?).

Mas será possível que de repente para o centrista que ajudou o Governo de Passos, e bem, na reforma fiscal do IRC, agora considere que Passos Coelho tem só pontos negativos? 

Até tu Brutus?

 

 

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Violas desiste de se opôr à OPA do CaixaBank sobre o BPI

Enquanto o Tiago Violas pagava a advogados e se perdia em estratégias meticulosas de como chatear o BPI o CaixaBank foi por trás e emprestou 400 milhões de euros a Angola. É a diferença entre ser grande e ter ambições.

Agora Tiago Violas (accionista com 2,7%) vem dizer que não percebe a estratégia de Isabel dos Santos e percebendo que há um acordo tácito e que a Santoro vai votar a favor da desblindagem já na quarta-feira, deu uma entrevista a deitar a toalha ao chão. Confesso que simpatizei com a ingenuidade da obstinação de Tiago Violas, mas a este nível há sempre mais coisas entre o ceú e a terra do que a vã filosofia pode explicar.

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O rei dos hipócritas é Jean Claude-Juncker

por Maria Teixeira Alves, em 16.09.16

 

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Tendo em conta que o presidente da Comissão Europeia faz lobby descarado para pôr amigas na ONU, tentado afastar António Guterres. E que antes disso, uma investigação jornalística mostrou que mais de 300 grandes empresas canalizaram milhares de milhões de euros através do Luxemburgo onde se aproveitavam de acordos fiscais secretos, quando Jean-Claude Juncker era então primeiro ministro luxemburguês, esta perseguição que se faz a Durão Barroso por ter ido para gestor da Goldman Sachs toca as raias do absurdo. 

“Ir para um banco privado sim, para o Goldman Sachs não!” Disse Juncker. Jorge Coelho chegou para ele: "Nunca vi tamanha hipocrisia!"

 "O senhor Juncker não tem moral nem ética nenhuma para fazer estes ataques a quem quer que seja [sobre Durão Barroso]", disse Jorge Coelho e eu subscrevo.

P.S. não gostei mesmo nada dos argumentos a este propósito de António Lobo Xavier.

 

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Os juros de Portugal a 200 pontos da dívida espanhola

por Maria Teixeira Alves, em 14.09.16

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Taxa de juro da dívida portuguesa a 10 anos: 3,30%; taxa de juro da dívida espanhola a 10 anos: 1,08%; taxa de juro da dívida alemã a 10 anos: 0,0436%. As yields portuguesas estão assim a 325 pontos da alemanha e a 222 pontos de Espanha. 

Antes deste governo chegar os juros de Portugal estavam a 40 pontos a 60 pontos da espanhola (cito de memória)

Isto está bonito está!

Depois o outro é que só fala em desgraças que não existem.

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O PS devolve parte da sobretaxa, mas depois agrava a progressividade, logo vai aumentar os impostos à classe média.

Ontem no programa de José Gomes Ferreira, Manuel Caldeira Cabral admitiu que um ajustamento dos escalões do IRS podia levar a um aumento da taxa aplicável nos escalões mais elevados. Entendendo por escalões mais elevados a classe média.

"Mas, consistentemente, vamos ter dois anos de redução da carga fiscal sobre todos os portugueses", disse Manuel Caldeira Cabral, só que isso não é possível

Estamos num pantano. Pedro Passos Coelho vai ter razão, é uma questão de tempo.

P.S. Não é mesmo nada fácil apanhar Manuel Caldeira Cabral numa fotografia com o primeiro-ministro

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BPI, vítima das circunstâncias

por Maria Teixeira Alves, em 05.09.16

CaixaBank estuda retirar a OPA ao BPI

O que se está a passar no BPI é o retrato do país. Nada se faz sem o apoio tácito do Governo, que mesmo assim, com medo de violar o políticamento correcto, fez uma lei que fica a meio caminho.

Eu já tinha escrito que uma lei em que só quando a proposta de desblindagem vem do conselho de administração é que caem os limites na votação, estava-se mesmo a ver que ia dar nisto.

Então faz-se uma lei com regras de votação diferente consoante o autor da deliberação que é levada à Assembleia Geral de accionistas? E nem o Presidente da República pensou nisto?

Claro que o accionista minoritário adiantou-se e leva uma proposta antes d administração do BPI, o que leva a que os votos nessa votação continuem blindados e seja preciso uma maioria acima da legal (75%) para que a desblindagem passe.

Cria-se uma lei para desbloquear o impasse accionista e consegue criar-se as condições na nova lei para um novo impasse accionista?

Por outro lado só neste país é que os accionistas minoritários querem chumbar operações que têm como resultado a queda dos títulos. Mas Tiago Violas quer medir forças com o Caixabank para no fim do dia ter as acções a valer menos de 1 euro por acção? Vejam lá as acções após a OPA do Caixabank estar em risco de ser retirada. Acham pouco 1,113 euros por acção? Então o melhor é criar condições para as acções caírem a pique. O BCP estava muito sozinho na sua condição de penny stock, o BPI prepara-se para lhe fazer companhia.

Um accionista com 2,6% consegue impedir uma OPA como? Porque, outra característica portuguesa, os tribunais têm os seus ritmos. Uma falha formal que foi corrigida, não merece uma resposta do juiz em tempo útil, sabendo que está uma empresa essencial para o país em risco?

A quem pedir responsabilidades se mais um banco definhar em Portugal? Como pode a burocracia pôr em causa a definição accionista do BPI, a resolução do problema da elevada exposição do BPI ao risco Angola, e eventualmente a venda do Novo Banco ao BPI, que pode salvar o país de mais uma liquidação de um banco? 

Não me digam que é ao anterior governo que vão atribuir culpas do BPI, porque eu já não aguento esta campanha anti-Passos/Maria Luís como se não tivessem sido eles que tiraram com a ajuda da troika Portugal da bancarrota. 

Ainda vão acabar por dizer que o BCE podia ter evitado a lei que retirou Angola de equiparado em termos de supervisão a bancos europeus, que desencadeou todo este "caso BPI", se o anterior Governo tivesse convencido Mário Draghi.

Já faltou mais.

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Carta a João Miguel Tavares

por Maria Teixeira Alves, em 27.08.16

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O artigo do João Miguel Tavares (que é uma pessoa com quem costumo concordar, isto é, de um campo ideológico de que me sinto próxima) começa logo com uma generalidade (que encerra um erro). 

"Caros jornalistas das secções e dos jornais de economia: há muito que estou para vos escrever uma carta aberta, e no dia em que chegou a conta de mais 5160 milhões, agora para a Caixa Geral de Depósitos, achei que não podia continuar a adiá-la".

Ora os 5.160 milhões não são "mais". Porque destes, os 960 milhões de euros em CoCos já tinham sido em 2012, a conversão em capital não reforça os fundos próprios da CGD. Os 500 milhões da ParCaixa também eram um aumento de capital da CGD "encapotado" de antes, já lá estavam 50% e agora vão os outros 50%.

"Mais" mesmo será o aumento de capital de que não se conhece o número, apenas o tecto máximo de 2.700 milhões. As obrigações subordinadas são para colocar em investidores institucionais e não aumentam o capital core, que é o que é preciso aumentar em termos regulatórios, parece-me ser uma contrapartida exigida por Bruxelas para aprovar o aumento de capital na CGD considerando-o uma operação em condições de mercado, o que evita ir ao défice (mas não à dívida).

Portanto o capital (fundo próprios) só vai mesmo aumentar em 3,2 mil milhões no máximo. Digo no máximo, porque o valor exacto do aumento de capital em dinheiro depende da auditoria externa à carteira de crédito e outros activos.

Dito isto, passemos à resposta do João Miguel Tavares à carta que escreve no Público aos jornalistas de economia (mesmo sendo eu dos jornalistas que não beneficiou com a crise porque deu-se o azar de me calhar a Ongoing como accionista em 2008 com tudo o que isso implicou). 

Pergunta o João Miguel Tavares, numa espécie de pergunta de retórica: Por que raio andaram tão distraídos ao longo dos últimos anos? Por que é que, antes do BES, do Banif e da Caixa, garantiam que o sistema financeiro continuava sólido como uma rocha, tirando o azar do BPN e do BPP, mais uns problemazitos no BCP? Há aqui uma história para vocês, jornalistas de economia, contarem, e que eu nunca vi contada. O parêntesis mais dramático do jornalismo económico nacional — aquele que dizia “a crise no GES (não no BES)” — estendeu-se a praticamente todos os bancos. Expliquem-nos, por favor: porque é que não soubemos antes? Por que é que vocês, que percebem disto à brava, não nos avisaram?

Porque João Miguel Tavares aquilo que consome o capital dos bancos hoje não era o que consumia antes de 2008. As regras contabilísticas foram mudando até chegar a Basileia III. Por exemplo, sabe que a razão porque a CGD, o BCP e o BPI precisaram de CoCo´s foi porque um dia a Autoridade Bancária Europeia decidiu que as obrigações soberanas em carteira (aquelas que um par de anos antes o sistema levou os bancos a reforçarem em força porque era o colateral que lhes permitia ter financiamento no BCE - o MMI fechou-se pós falência do Lehman Brothers) tinham de ser contabilizadas ao mark-to-market (valor de mercado)? Numa altura em que o risco das obrigações nacionais era elevado. Isso abriu um buraco no capital dos bancos, de um dia para o outro, sem que os bancos tivessem feito alguma coisa para isso. Sabe que a maioria dos gaps de capital são imposições regulatórias? A União Bancária é óptima porque divorcia o risco dos bancos do risco soberano, mas a um preço muito alto. 

Obviamente que se um banco tem accionistas ricos esse problema é mitigado porque alguém põe o dinheiro, mas Portugal, graças ao PREC, deixou de ter capitalistas, logo deixou de ter capitais. Demora gerações a ter capital, ou então o país tem a sorte de ter commodities.

Há dez anos atrás não havia almofadas de capital para risco sistémico, almofadas de capital para carteiras de crédito em risco. Penso que até nem havia o rácio do Banco de Portugal de crédito em risco. O rácio era crédito em incumprimento há mais de 90 dias. Não havia ponderações a 100% da exposição a Angola. Não havia ponderadores de risco reforçado para créditos com colaterais em acções. Também é certo que não havia DTAs (activos por impostos diferidos) para ajudar.

Na altura as provisões eram as obrigatórias para crédito e as outras eram almofadas voluntárias que os bancos constituiam para semestres dificeis.

Sobre os casos específicos de que fala o João Miguel Tavares: sobre o BPN se alguém denunciou foi a imprensa, penso que o caso do artigo sobre o banco do Oliveira e Costa chegou mesmo a tribunal. Sobre o Banif o que se sabia era de denúncias sem documentos (quem se atravessa a escrever informações não demonstráveis?). E mesmo assim muita coisa foi escrita (veja-se o caso de Angola/Banif). O Banif Brasil foi várias vezes notícia.

Quanto ao BES/GES se me conseguir explicar como é que os jornalistas conseguiam descobrir os balanços secretos da ESI, uma SGPS sediada no Luxemburgo, onde o verdadeiro passivo estava num excel alegadamente feito pelo presidente do BES, se nem as autoridades do Luxemburgo descobriram. 

Mas se for lá ver a imprensa da altura havia muita gente a falar do crédito para comprar acções e com acções como garantia. Eu até um livro escrevi sobre o assunto quando o BCP foi tomado de assalto pelo grupo dos aliados para travar OPAs incómodas. O João Miguel tem razão, na altura ninguém ligava nenhuma às notícias de economia por isso é que agora dizem estas coisas que o João diz. Quando diz "ainda sou do tempo em que as pessoas liam os jornais sem ligar patavina às páginas de economia". É caso para se dizer: Nota-se!

 

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Um aumento de capital "mixuruca" e mais uma auditoria

por Maria Teixeira Alves, em 25.08.16

 

 

pixiz-25-08-2016-02-44-14.jpg

 

 

Margrethe Vestager e Mário Centeno. São parecidos não são?

 

Está tudo muito contente. Margrethe Vestager está contente. Mário Centeno está contente porque conseguiu aprovar um aumento de capital para a CGD de, vejamos: 2.700 milhões+500 milhões+960 milhões+1.000 milhões = 5.160 milhões de euros. Parece uma exorbitância.

Todos seríamos tentados a pensar, que boa engenharia financeira esta, pois a CGD vai ficar a transbordar de capital e o Estado, dos 5.160 milhões só tem de investir 2.700 milhões de euros. E estes podem ser menos, porque 2.700 milhões é afinal um tecto máximo.

A este grande conjunto de tranches o Ministro esqueceu-se de lhe juntar o alívio no rácio de capital de 600 milhões pelo facto de já não ter de constituir no próximo ano uma almofada de capital em nome de ser uma instituição com risco sistémico. Mas podia ter somado, é tão válida como qualquer outra operação. Pois há dois meses o Banco de Portugal anunciou uma aplicação gradual da reserva de fundos próprios para as instituições de importância sistémica no mercado português. Esta decisão vai aliviar a pressão de capital sobre os principais bancos portugueses. A Caixa Geral de Depósitos, que tinha de reforçar o capital em 1 ponto percentual até ao final do ano — o que equivaleria a cerca de 600 milhões de euros — só precisa, agora, de obter metade desse valor até 2018 e a outra metade até 2019. 

Portanto, pelo menos aos 5.160 milhões há a juntar + 600 milhões (de almofada de capital adiada).

Mas quais destas operações é que são um verdadeiro reforço de fundos próprios (que é o que importa para os rácios de capital)? Os 960 milhões de CoCo´s não reforçam os fundos próprios do banco, porque já o reforçaram quando foram concedidos. 

Depois ninguém sabe ao certo de que forma a transferência de uma sociedade da Parpública para a CGA vai aumentar o capital em 500 milhões. É um aumento de capital em espécie?

As obrigações subordinadas, que eu saiba, não são Common Equity Tier 1 (são Tier 2), portanto são daquelas obrigações que servem para bail-in (investidores perdem tudo em resgate), mas não servem para cumprir o rácio dos reguladores  (o BCE tem um rácio especifico para a Caixa em função do risco da carteira de crédito; e os bancos vão deixar de poder contar com os DTA o que impacta no rácio de capital, e há mais exigências regulatórias a pedir capital CET1). 

Não restam dúvidas que a CGD precisa de um aumento de capital. A administração que vai agora sair já tinha alertado para a urgência de um aumento de capital para este ano.

O ministro das Finanças admitiu mesmo que o presidente demissionário da Caixa Geral de Depósitos (CGD) apresentou-lhe no começo do ano um "valor próximo" dos dois mil milhões de euros como o necessário para a recapitalização. Vamos ver se não vai ser esse o número que acabará por ser o aumento de capital.

É que Vestager autorizou um aumento de capital, não de 2,7 mil milhões, mas de no máximo 2,7 mil milhões, condicionado a uma auditoria externa em que Bruxelas vai estar de olho. A auditoria pode acabar por determinar que o aumento de capital que a CGD precisa é de apenas 2.000 milhões e lá se vai a ambição de um capital com almofada de segurança de grande dimensão que o futuro presidente do BPI tanto fazia questão.

Mais uma auditoria para descobrir as imparidades a constituir para a carteira de crédito, depois de testes de stress e de avaliações do BCE para deterninar o rácio de capital da CGD em função dos riscos da carteira de activos. Nunca parecem ser suficientes as auditorias.

O que nos apresentou o Ministro? Uma operação de aumento de capital não definido em montante, mas com a chancela de "em condições de mercado" ( o que quer que isso queira dizer). O que leva o investimento a ser considerado activo financeiro, logo não se reflecte no défice. São boas notícias para o governo que tem de chegar ao fim do ano com um défice de 2,5%.

Mas e quanto aos prejuízos acumulados da CGD, têm de ser reconhecidos no défice? Não há resposta.

Depois de tanta confusão mediática, de um orçamento rectificativo (para rectificar a dívida pública), de tanta guerra política, de tanta polémica, de tantos atrasos na substituição da administração, de tanta má publicidade à CGD, no fim do dia vamos acabar com um aumento de capital no mesmo montante que a administração de José de Matos já tinha calculado: de 2.000 milhões de euros. 

Vão tentar vender as mesmas coisas que os outros (carteiras de crédito, activos estrangeiros fora dos Palop, imobiliário). Até a conversão dos CoCo´s em capital já tinha sido anunciada por José de Matos.

Estou quase tentada a dizer que vamos ficar à espera das verdadeiras novidades para a CGD. Porque até agora o que há é requentado ou indefinido. 

 

 

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