Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Reality Show Espírito Santo

por Maria Teixeira Alves, em 15.12.14

Confesso que não consigo ver na Comissão Parlamentar de Inquérito outra coisa se não um reality show. Não sei se faz muito sentido estas comissões serem transmitidas em directo. Qual é a utilidade disto? Será que fazem sentido estas comissões?

Ricardo Salgado, arguido, explica-se ao público e aos jornalistas e tenta criar uma onda de indignação política e pública contra o Governador Carlos Costa, e indirectamente contra a Ministra das Finanças e contra o Primeiro Ministro.  

Carlos Costa, que o está a investigar, viu-se obrigado a escrever uma carta para desmentir Ricardo Salgado. O banqueiro reage com carta reafirmando o que disse. Esta troca de encíclicas é um paradigma do estado de reality show a que o assunto chegou.

José Maria Ricciardi foi atirar uma pedrada ao charco, foi desmentir Ricardo Salgado, foi acusar a família de não o ter apoiado a tirar Ricardo Salgado da chefia do BES, foi desabafar com sinceridade sobre a sua mágoa e foi-se defender da acusação de traidor (limitou-se a cumprir o dever de diligência) e foi-se defender da suspeita da solidariedade enquanto administrador. 

Amílcar Morais Pires foi ajustar contas (a meu ver foi a pior prestação, mostrou facetas menos boas). Veio dizer que Ricardo Salgado diz que não mandava mas mandava. José Maria Ricciardi era do risco e tem culpa. Joaquim Goes era responsável do risco e também assinou as emissões de obrigações (a partir do BES Londres) que descapitalizaram o banco. Parecia estar sempre a dizer olhem para aqueles e não para mim que subi a pulso no banco. O CFO que queria ser o sucessor de Ricardo Salgado (apesar da "tempestade perfeita" que se aproximava) vem agora dizer que era praticamente um mero gestor da carteira de dívida soberana. Isabel Almeida, sua subordinada directa, era afinal autónoma e até reportava a Ricardo Salgado muitas vezes e até a venda do papel comercial das empresas falidas do GES aos clientes do BES era afinal culpa dos gestores dos balcões. Depois tentou rebater os deputados com a soberba do conhecimento técnico. Sabendo que os deputados não são especialistas tentou ridicularizá-los como estratégia de defesa. Lamentável.

Pedro Queiroz Pereira teve muita graça. Aproveitou a arena para revelar o que pensa de Ricardo Salgado, para explicar o quão mais esperto que o banqueiro é. Disse que avisou José Maria Ricciardi da situação dramática (ainda sem saber  o passivo escondido) que ameaçava o BES. Foi brilhante na maneira como se demarcou daquele mundo da política, e até se fez de desentendido (é tão bom passar por parvo sem ser) quando ouviu o deputado do PCP no seu melhor estilo de camarada chamar Fernando Ulrix ao Fernando Ulrich. 

Fez a piada do dia quando desmascarou as boas intenções de Ricardo Salgado quando comprou as participações da irmãs do industrial na Semapa. Ajudar as minhas irmãs? As irmãs dele ficam à noite a fazer bolos para restaurantes e ele não se preocupa com isso

Não faltou quem fizesse logo a graça de dizer que é Pêquêpê quem come os bolos todos das irmãs Salgado. 

Agora vem aí Manuel Fernando e José Manel Espírito Santo, depois Álvaro Sobrinho (que irá explicar onde pára o dinheiro do BESA, se tiver liberdade, autonomia e coragem para isso) e ainda vamos ter o contabilista Francisco Machado da Cruz que deverá dizer como é que conseguiu esconder aquelas dívidas todas.

Pelo meio surgem os deputados, verdadeiros gladiadores, autênticas estrelas deste show. As perguntas são pertinentes. O confronto é espectacular. Isto tem todos os ingredientes de um espectáculo.

É um verdadeiro circo romano esta comissão de inquérito. Um autêntico reality show. Imperdível porque tem o glamour da história de uma família de banqueiros que remonta ao século XIX. Melhor que Downton Abbey.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Commissaire aux comptes

por Maria Teixeira Alves, em 11.12.14

FranciscoMachadodaCruz.jpg

 

Francisco Machado da Cruz ofereceu-se para ir à Comissão Parlamentar de Inquérito responder. O homem que possui a chave da derrocada do Grupo Espírito Santo é fundamental para perceber tudo sobre o GES.

Há muitas perguntas a fazer ao contabilista da ES International, entre elas:

1 - Quais eram os vários cargos que desempenhava nas empresas do GES? 

2 - O que era e o que fazia a ES International, ou seja, qual era a actividade desta sociedade?

3 - Que tipo de operações fez na ES International? 

4 - Como escondeu o passivo?

5 - Quem lhe pediu para fazer essas operações?

6 - Com quem discutia as contas?

7 - Qual era o papel de Ricardo Salgado na gestão da ESI?

8 - Qual era o papel de José Castella na gestão da ESI?

9 - Quais são os accionistas da ESI?

10 - Os accionistas da ESI recebiam crédito dos bancos do grupo para ir aos aumentos de capital?

10 - Qual é a relação da ESI com a Control? Financiou-a?

11 - Há quanto tempo fazia operações para esconder passivo?

12 - Porque nunca consolidaram as contas?

13 - Qual a relação da ES International com a Eurofin? Há cerca de 800 milhões que foram pagos pela ESI à Eurofin, porquê?

14 - Quando se demite? Porque é que se demite nessa altura e porque assume as culpas sozinho? 

15 - Ricardo Salgado prometeu-lhe uma indemnização? De quanto? 

16 - Sabemos que não recebeu logo a indemnização, recebeu mais tarde?

17 - Porque muda de depoimento entre as declarações aos advogados e as declarações à comissão de auditoria da ESFG?

18 - Quem financiava a ESI? 

19 - O que era a ES Enterprises? 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Com a verdade me enganas

por Maria Teixeira Alves, em 10.12.14

Vinha com alvos marcados. Carlos Costa (Governador do Banco de Portugal); Pedro Passos Coelho e a Ministra das Finanças. Vinha também mentalizado para não atirar à família, quase conseguiu. Enquanto assisti na televisão, Ricardo Salgado fugiu sempre às perguntas sobre José Maria Ricciardi e assim foi durante toda a tarde. Ao fim do dia fui ao Parlamento assistir ao vivo. Logo por coincidência foi nessa altura que se deu o rompimento do compromisso de não agressão. As prometas foram feitas para se quebrarem e Ricardo Salgado lá perdeu às tantas as estribeiras com as questões sobre as denúncias do primo ao Banco de Portugal. «O doutor Ricciardi teve um comportamento, no mínimo, curioso face ao que deveria ter tido. Se José Maria Ricciardi fez alguma denúncia ao Banco de Portugal é capaz de ter tido alguma contrapartida por isso». «Infame», respondeu mais tarde o primo. 

"As denúncias ao Banco de Portugal decorrem do dever de diligência que compete a qualquer administrador", justificou José Maria Ricciardi.

Ricardo Salgado, nunca perdeu a calma, manteve o mesmo estilo de sempre, agora menos eficaz, é certo, de elogiar os adversários, para os aveludar. O mais óbvio em Ricardo Salgado é a educação perfeita que passa quase a fronteira para uma espécie de um cinismo cómico. Carrega-se de elogios aos adversários a fazer lembrar as crónicas de Camilo Castelo Branco.

Ricardo Salgado aproveitou todas as oportunidades para atingir Carlos Costa. Apostou em duas coisas: na quantidade de críticos ao Governador que se acumulam pelas perdas do caso BES e na vontade dos deputados da oposição de entalar Carlos Costa como forma de fragilizar o Governo. Apostou ainda nos lamentos de Vítor Bento e da sua equipe à Resolução do BES. «O BES não faliu, foi obrigado a desaparecer». De todas as coisas que disse quase todas iam parar ao Governador do Banco de Portugal esse seu grande inimigo, esse grande inimigo do BES. 

As mais evidentes são quando diz que "nunca o Governador me disse que me queria retirar idoneidade". O Governador acabou por desmentir Ricardo Salgado por carta à Comissão de Inquérito. Esta afirmação é paradigmática da táctica de Ricardo Salgado. Carlos Costa nunca lhe disse de caras e de frente: saia do BES porque não lhe vou dar a idoneidade agora que fui chamado a reavaliá-la por causa das eleições no BESI. Por isso a frase de Ricardo Salgado não é inventada. Mas evidentemente que a insistência de Carlos Costa em mudar o modelo de Governo, a insistência para que fosse em Maio (depois adiado para depois do aumento de capital), a insistência em tirar a família do board do BES, a dificuldade em revalidar a idoneidade aos administradores da família no BESI (mais tarde revalida-a apenas para José Maria Ricciardi), eram sinais evidentes de que a idoneidade estava em causa. Aliás o pedido de pareceres jurídicos a catedráticos, apoiado em jurisprudência do STA, a defender a sua idoneidade é a prova cabal de que havia a ameaça de perda de idoneidade. 

«Nunca por nunca pus obstáculos à mudança de Governance» disse o banqueiro. Mas a verdade é que em Maio estava a dizer que não sentia que devesse sair do BES, numa entrevista no Jornal de Negócios. 

Depois quando aceitou ser sucedido sugeriu Amílcar Morais Pires. Aproveitou para entalar o Governador dizendo que nunca Carlos Costa vetou o nome do CFO para presidente do BES. Citando de memória que Carlos Costa sempre lhe garantiu que era competência sua a escolha do sucessor. Mais à frente diz que levou dois nomes ao Governador: Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes e acaba por revelar uma coisa que contraria o que tinha dito anteriormente sobre a aceitação de Morais Pires. Diz que o Governador lhe disse que a área da supervisão preferia Joaquim Goes. Mas Ricardo Salgado argumentou com a instabilidade financeira e com a aproximação de um aumento de capital do BES para defender Amílcar Morais Pires como CEO. Ou seja, Joaquim Goes estava ali para disfarçar.

Ricardo Salgado nunca desarmou na sua luta contra o Governador, disse que, depois de Março de 2014, o Banco de Portugal iniciou "persuasão moral" para a sua saída da liderança do banco. Mas que seria mais uma pressão. O que contraria a ideia anterior que nunca soube que o Banco de Portugal queria que saísse, se soubesse «tinha saído na hora». «Bastaria um sinal [do Banco de Portugal] para eu abandonar a liderança do banco». Penso que não faltaram sinais.

"Um nome pode ser apagado da fachada de um banco, mas não da memória de uma família com 145 anos" e "Lamento que se tenha trocado uma marca com 145 anos por uma marca branca", foram as frases célebres do Ricardo Salgado. 

Depois desmentiu que fosse o autor da falsificação das contas da ES International: "Posso garantir aos senhores deputados que nunca dei indicações a ninguém para ocultar passivos do Grupo". Francisco Machado da Cruz é que escondeu o passivo. O contabilista da ESI chegou a garantir que Ricardo Salgado sabia desde 2008 da ocultação de passivos do grupo, mais tarde disse o contrário na comissão da auditoria da ESFG, voltou à mesma tese inicial nas declarações ao Banco de Portugal e ao Ministério Público. 

Ricardo Salgado diz que o contabilista fez isso para bem do grupo. É caso para dizer que o contabilista deu um jeitão.

Bom, aqui voltamos ao com a verdade me enganas. Poderá Ricardo Salgado ter pedido para esconderem passivos? Talvez não. Mas poderá ter pedido ao Francisco que visse uma maneira de não serem (BES) intervencionados pelo Estado. Francisco Machado Cruz quis agradar, e Ricardo Salgado gostou de ser agradado. Sem se comprometer com medidas concretas.

Sabia das dívidas escondidas? Muito provavelmente sim.

Sabia que as contas da ESI não eram consolidadas? Sabia.

 

Foi no entanto desmentido rapidamente por José Maria Ricciardi que diz ter falado com Francisco Machado Cruz, em Lisboa, e que este lhe disse que não actuou por sua iniciativa. Depois de Ricardo Salgado ter falado, Francisco Machado Cruz, que estava incontactável, apressou-se a contactar a Comissão de Inquérito e vai lá. O circo vai pegar fogo.

No dia a seguir Pedro Queiroz Pereira disse que discutiu várias vezes a falta de consolidação de contas nas holdings Espírito Santo com Ricardo Salgado, desmentindo assim o que disse ontem o banqueiro. 

Outra contradição. Ricardo Salgado disse que nem sabia que estava a ser gravado. José Maria Ricciardi apressou-se a ironizar. «Acho extraordinário não se saber, pois as reuniões do Conselho Superior eram gravadas no centro da mesa, onde havia um gravador visível». José Castella usava as gravações para fazer as actas. 

 

Várias vezes, o ex-presidente do BES disse que "ninguém se apropriou de um tostão, nem na administração, nem na família", penso que ninguém acha que houve uma apropriação pessoal de dinheiros por parte da família. O problema é outro, é até onde se foi e o que se fez e quantas pessoas se prejudicou para manter o Grupo Espírito Santo nas mãos da família. 

Ficámos a saber também que não houve nenhum político a receber uma comissão pela venda dos submarinos, com muita pena da oposição. "A garantia que tenho dos administradores da Escom é que não foram pagas comissões a quem quer que seja a nível político", disse.

De Angola e do caso BESA pouco se soube. O banqueiro argumentou com uma regra bancária angolana de obrigatoriedade de sigilo.

Ricardo Salgado disse também não se lembrar de quem eram os accionistas minoritários da ESI. Eu não acredito nisto.

Parece haver uma protecção aos generais angolanos em todo o discurso de Ricardo Salgado.

Álvaro Sobrinho vai à comissão responder aos deputados. Mas terá liberdade para falar do que se passou o BESA? Eis a questão. 

"Houve um erro de julgamento na indicação da pessoa que foi para Presidente da Comissão Executiva do BESA [Álvaro Sobrinho]", disse Ricardo Salgado, sugerindo que foi atacado pelos jornais (Sol e i) que são detidos pelo empresário angolano. A propósito disto disse que ter jornais ia contra a "tradição/regra" do grupo BES, disse o banqueiro lembrando que "apenas" tinha ajudado Balsemão a montar a SIC e o coronel Luís Silva com os jornais DN e JN. Sobre isto não comento. 

Ricardo Salgado revelou ainda que foram feitas ameaças físicas quando teve de tirar Sobrinho do BESA.

O banqueiro atirou a matar também ao primeiro ministro Pedro Passos Coelho porque este recusou dar-lhe uma ajuda ao GES - uma ajuda "temporária". Passos Coelho devolveu a carta enviada por Ricardo Salgado quando em Março o quis alertar para o risco sistémico e os riscos de Angola perder a garantia bancária. 

Ricardo Salgado tem a convicção profunda que estiveram a um passo de salvar o Grupo. Faltou o aumento de capital da Rioforte que esteve quase a ser concretizado. "A sentença de morte veio quando não foi possível fazer o aumento de capital da Rioforte", disse. Enfim, a mesma convicção que o levou a meter toda a gente à última da hora naquele buraco. O ring fencing é que matou o GES, pensa e diz Ricardo Salgado.

"Perdoarão pois que ouse continuar a pensar que, modestamente servi, com idoneidade, nas tarefas que me foram confiadas no exercício da minha profissão ao longo de 40 anos", disse o banqueiro. 

 

Ricardo Salgado recusou mais uma vez falar sobre os 14 milhões recebidos do construtor José Guilherme, invocando segredo de justiça (nunca o Monte Branco lhe deu tanto jeito). Mas disse que o construtor era seu amigo desde os anos 70 e que é mais credor do que devedor do BES. 

Faltou falar sobre os clientes. Porque é que depois de ser conhecida a proibição da venda de papel comercial aos balcões do BES a ESFG continuou a distribuí-los nos seus bancos da Suíça, Dubai, Miami, etc? Ninguém parece quer saber dos clientes. 

Faltou ainda perguntar a Ricardo Salgado porque é que a Tranquilidade investiu em papel comercial da Rioforte acabando por levar a companhia a uma situação de insolvência? De quem partiu a ordem para esse investimento e a quem foi dada?

 

Ricardo Salgado explicou e bem, e depois José Maria Ricciardi completou, o circuito das obrigações de longo prazo a cupão zero. O acordo de recompra foi já executado no reinado de Vítor Bento. A recompra permitiu salvar os clientes que estavam numa SPV do Crédit Suisse e por isso não iam ser abrangidos pela provisão imposta pelo Banco de Portugal. Mas porquê aqueles clientes? Porque não todos? Quem eram aqueles clientes que Ricardo Salgado teve a preocupação em salvar, criando um buraco no BES de 780 milhões?

«O BES não faliu. O BES foi forçado a desaparecer». Foi forçado? A tese é que as provisões eram exageradas para criar um prejuízo de 3,6 mil milhões de euros no BES, o que levou à situação de insolvência do banco (capitais abaixo dos mínimos). Mas e a que se devem tantas provisões?

É preciso não esquecer que as provisões foram recomendadas pela auditora. 

Outras frases a reter:

"Tenho uma carga pesadíssima em cima de mim. Há responsabilidades do nosso lado. Mas também há responsabilidades de outros lados", disse sem explicar para não atacar a família. 

"Nunca fui uma pessoa presunçosa", disse o banqueiro e isso parece-me bastante sincero.

 "Esta classificação do 'dono disto tudo' é irrisória. Para mim, 'dono disto tudo' é o povo português", é uma frase de campanha. 

 

José Maria Ricciardi veio a seguir com aquela sinceridade desconcertante que eu descrevo no meu livro (que aliás tem muito do que se tem revelado nesta comissão de inquérito). Pedro Queiroz Pereira chega a dizer que é uma pessoa aberta «não tão aberta como José Maria Ricciardi», disse em tom irónico. Por aí podem ver a fama que o banqueiro Ricciardi tem. Mas a verdade é que Pêquêpê também disse aos deputados que as irmãs de Ricardo Salgado faziam bolos para fora, o que não abona nada a favor da discrição. É certo que foi dito para desmentir as boas intenções de Ricardo Salgado em ajudar as irmãs, quando entrou pelas holdings Queiroz Pereira a dentro. Na verdade para Pêquêpê, que disse que Ricardo Salgado tinha um problema com a verdade, o banqueiro queria era usar o cash flow das suas empresas para salvar o universo GES então enterrado em dívidas, e ainda nem se tinha descoberto o passivo oculto. Mas é preciso que se diga que Ricardo Salgado sempre ajudou as irmãs. Pedro Queiroz Pereira não tem razão aqui.

As audições de Álvaro Sobrinho e de Francisco Machado da Cruz serão muito importantes. 

Os motivos políticos que precederam esta comissão correm o risco de ficarem esvaziados. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um pergunta para Vítor Bento

por Maria Teixeira Alves, em 02.12.14

Ao ler esta frase de Vítor Bento (por quem tenho um respeito e admiração inquestionáveis): "Eu ainda hoje não sei se havia investidores privados", não pude deixar de fazer logo esta pergunta: Mas como é que havia investidores privados para um banco que de repente tinha 3,6 mil milhões de prejuízos e tinha um rácio de capital de 5% abaixo do mínimo legal. Como é que o banco voltaria à vida sem um aumento de capital para aí de 7 mil milhões de euros?

É que sem a Resolução teríamos um banco com imparidades acima de 4 mil milhões de euros, uma participação maioritária num banco em Angola falido e a precisar de capitais. Uma série de bancos por esse mundo fora falidos e com litigâncias (por exemplo Miami). Quem é que ia comprar o BES nessas circunstâncias?

Infelizmente a gestão de Ricardo Salgado e dívida galopante contraída pelo Grupo familiar que sustentava o BES estava disseminada por todos os bancos do Grupo.O Grupo BES (o que inclui os bancos dos BES, já sem contar com os bancos da Suíça e Dubai que eram da ESFG) era um queijo suíço. Assumir aquele banco por inteiro representava pôr mais dinheiro do que aquele que estava disponível na linha da troika para ajudar bancos. 

Ia ser impossível uma solução totalmente privada para o BES. Se já assim é difícil vender o Novo Banco, imaginem o BES!

O que Vítor Bento esperava e todos preferiam era uma solução mista, entre investidores privados e linha de capitalização sob a forma de Coco´s. Se o Estado assumisse todo o risco talvez houvesse um privado a alinhar na aventura. Mas isso era um enorme risco para o Estado, porque a probabilidade de o banco não pagar ao Estado ia ser enorme e acabaria numa nacionalização. 

P.S. Fui alertada para o contexto da frase. O contexto é este: Vítor Bento disse «Nós não dissemos que não haveria investidores privados interessados porque, em rigor, eu ainda hoje não sei se haveria ou não. Não tive tempo de averiguar. Só sei que nunca disse que não havia».

Está reposta a semântica :)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Só com Sócrates é que se indignaram

por Maria Teixeira Alves, em 28.11.14

Alguém se insurgiu contra a violação do segredo de justiça nas buscas de hoje ao BES? 

Até estranhei, já me estava a habituar a indignações.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Este país era uma Sicília

por Maria Teixeira Alves, em 24.11.14

1- Ricardo Salgado deixou as instalações do Central de Instrução Criminal sob caução, de três milhões de euros. O ex-presidente do BES seguiu para casa como arguido, sob acusação de burla, falsificação de documentos e branqueamento de capitais e abuso de confiança, após cerca de sete horas de audição.

2- Três dos arguidos no caso dos vistos gold estão em prisão preventiva desde sexta-feira à espera de uma decisão do juiz de instrução criminal Carlos Alexandre para saberem se podem ir para casa com pulseira electrónica. Ex-director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras deverá ir para casa com pulseira electrónica, tal como ex-secretária-geral do Ministério da Justiça e empresário.

3- José Sócrates vai aguardar julgamento em prisão preventiva. O ex-primeiro-ministro é acusado de fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais, no âmbito de um processo por crimes económicos. Esta é a primeira vez que é aplicada prisão preventiva a um ex-primeiro-ministro em Portugal.

4- Duarte Lima foi hoje formalmente acusado de homicídio pelo Ministério Público brasileiro. Na acusação, a que a SIC teve acesso, o ex-deputado é apontado como o autor dos disparos que mataram Rosalina Ribeiro. O Brasil quer a prisão preventiva de Duarte Lima e já pediu à Interpol para pôr o nome na lista dos procurados internacionais, ao abrigo do artigo 121 do Código Penal brasileiro. Isto porque não existe acordo de extradição entre Portugal e Brasil.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O fim da Era Sócrates

por Maria Teixeira Alves, em 23.11.14

O Grupo Lena começa a soar campainhas pela primeira vez em 2009, quando toda a gente falava de um novo jornal de um belo design que surgiria no mercado, na altura com uma equipe de jornalistas de luxo. Quem seria o dono do jornal I, quem seria? Todos se perguntava. Era um grupo de construção de Leiria denominado grupo Lena o dono do jornal I. Ninguém estranhou na altura que um grupo de Construção fosse o dono do I. O novo jornal diário generalista da imprensa portuguesa, cujo primeiro número foi lançado em 7 de Maio de 2009, viria a ser vendido em Junho de 2011 a Jaime Antunes.

Hoje vem se a saber das ligações entre o Grupo Lena e Sócrates e reparem na coincidência, 2009 é quando Sócrates precisa de ganhar o segundo mandato e 2011 é quando Sócrates sai do Governo, chega a troika e Pedro Passos Coelho, por esta ordem.

O grupo Lena foi uma das empresas que mais beneficiou das viagens oficiais do governo liderado por Sócrates, tendo ficado famosos os contratos assinados na Venezuela, ainda durante a presidência de Hugo Chavez. O ex-administrador do grupo Lena, Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Ferreira e João Perna, motorista, foram os outros detidos, a par com Sócrates, segundo uma nota da Procuradoria-Geral de República.

Estão a ver o estilo? PT tenta comprar TVI, Grupo Lena com jornais, etc, etc, etc, não falemos de outros casos.

Este estilo Sócrates/Salgado está a acabar. Graças a Deus, mas ainda não acabou totalmente, é certo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

  Sócrates foi detido esta sexta-feira no Aeroporto da Portela, em Lisboa, quando chegava de Paris. Uma das causas da detenção está relacionada com a casa avaliada em três milhões de euros onde o ex-primeiro-ministro residiu quando tirou um curso na capital francesa, depois de deixar o governo. Os investigadores querem saber de onde veio o dinheiro para comprar a habitação. Sócrates disse sempre que pediu um empréstimo ao banco para poder pagar o aluguer do apartamento. PGR confirma que Sócrates é suspeito dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção. Resultados paralelos: Sócrates detido, RTP ganha uma vaga para comentador e há um blog em risco de ficar mudo, se não mesmo inactivo. O que será feito do Câmara Corporativa?

Autoria e outros dados (tags, etc)

José Sócrates detido no Aeroporto de Lisboa por suspeita de fraude fiscal

Quando já ninguém achava que fosse possível apanhar José Sócrates nas suas muitas curvas, depois de muitas escutas e operações da judiciária com nomes de código bizarros, eis que surge a notícia:

José Sócrates detido no aeroporto de Lisboa

«Antigo primeiro-ministro será presente a interrogatório judicial este sábado e será suspeito de corrupção e fraude fiscal»

Foi detido no parque de estacionamento P6, longe dos jornalistas que aguardavam nas chegadas do aeroporto, de acordo com o jornal «Expresso», o procurador Rosário Teixeira quererá ouvir José Sócrates por causa de uma casa que habitou em Paris, já depois de ter deixado o Governo, enquanto estava a estudar. O tal appartement de três milhões de euros em Paris.

Diz outra notícia, do JN, que as buscas na investigação a Sócrates decorreram em vários locais, incluindo a casa no edifício Heron Castilho, em Lisboa, e foram em algumas situações acompanhadas pelo juiz de instrução Carlos Alexandre, num inquérito a cargo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal. Também na sexta-feira, foram efectuadas buscas em empresas do Grupo Lena, de Leiria, em diligências de que resultaram mais três detidos.

São eles Carlos Santos Silva (empresário e amigo de Sócrates), Gonçalo Ferreira (advogado que trabalha numa empresa de Carlos Santos Silva) e Joaquim de Castro (representante em Portugal da Octapharma, a farmacêutica para a qual Sócrates trabalha desde 2013, como consultor para a América Latina).

Na base da investigação - que a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece não ter tido origem no processo Monte Branco - estão operações bancárias e movimentos em dinheiro sem justificação conhecida, alegadamente a favor do ex-líder do PS. Os indícios estarão relacionados com a estadia de Sócrates em Paris, durante um ano, onde frequentou uma pós-graduação em Filosofia, para fazer jus ao nome.

As suspeitas sobre o ex-governante incidem nos recursos usados para a manutenção de um nível de vida alegadamente desconforme com os rendimentos declarados. Confrontado há meses com as suspeitas, Sócrates explicou que viveu com ajuda de um empréstimo da Caixa Geral de Depósitos e que apenas é titular de uma única conta nessa entidade.

O Grupo Lena, em comunicado, confirmou as buscas das autoridades, esclarecendo, porém, que nada têm a ver com a sua atividade empresarial e que não foi detido qualquer responsável.

O grupo de Leiria assinou um protocolo com o Governo da Venezuela, em 2008, com objectivo de fornecer àquele país 50 mil casas pré-fabricadas. Foi "um dos maiores projectos de sempre de um grupo empresarial português no estrangeiro", como anunciou então a empresa, mas também um dos símbolos mais fortes da diplomacia económica dos governos de Sócrates.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Resumo do inquérito ao presidente do ISP

por Maria Teixeira Alves, em 18.11.14

Hoje de manhã o presidente do Instituto de Seguros de Portugal está a ser inquirido pelos deputados na Comissão Parlamentar de Inquérito. Reparem no desfile de boas intenções:

ISP não foi avisado do penhor sobre a Tranquilidade

O ISP só teve conhecimento em Junho dos investimentos feitos desde Abril, por parte da Tranquilidade, em títulos de várias empresas do GES. A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, defendeu que Ricardo Salgado utilizou a companhia para fugir ao escrutínio do Banco de Portugal que tinha há muito dado já instruções para se pôr fim ao contágio entre o BES e o GES. Diz então o presidente do ISP: "Fazemos um acompanhamento dos activos detidos nas carteiras das companhias, para verificar se obedecem aos critérios de uma gestão sã e prudente. Com base trimestral", explicou Almaça. " Só soubemos a 6 de Junho porque a administração nos disse em reunião", acrescentou.

Por isso só a 6 de Junho, em reunião com a administração da Tranquilidade, o ISP [Instituto de Seguros de Portugal] tomou conhecimento de operações de financiamento num total de 150 milhões de euros, susceptíveis de comprometer seriamente a situação de provisões técnicas da Tranquilidade e T-Vida". 

No dia 18 do mesmo mês, numa nova reunião com a comissão executiva da Tranquilidade, liderada por Pedro Brito e Cunha, o ISP soube que 85 dos 150 milhões foram colocados em papel comercial da Esfil (que pertence à ESFG), 50 milhões de euros em papel comercial do Espírito Santo Financial Group e 15 milhões de financiamento de tesouraria à Espírito Santo Financial (Portugal), de acordo com o presidente do regulador. Também foi adquirido 10% do capital da gestora de fundos do GES, a ESAF.

ISP ameaçou retirar licença à Tranquilidade (9:56)

O Instituto de Seguros de Portugal ameaçou retirar a licença de atividade à Tranquilidade, por forma a forçar a venda, tendo como argumento que «se essa fosse a única forma de salvaguardar os interesses dos seus tomadores de seguros, segurados e beneficiários», avançaria com essa decisão.

José Almaça disse hoje no Parlamento que só a 28 de Junho soube que a Tranquilidade tinha sido dada como garantia pela ESFG ao BES (10:08)

O Supervisor está a apurar responsabilidade de gestores da Tranquilidade (10:36)

O presidente do ISP foi questionado pelos deputados sobre a aparente ausência de actuação a propósito do apuramento das responsabilidades pelas aplicações financeiras feitas pela Tranquilidade em dívida do GES. José Almaça explicou que a preocupação principal foi salvaguardar a situação da companhia. E que se está ainda a "averiguar de quem é a responsabilidade do quê, o que ainda não terminámos". Mas clarificou que "quem tem o poder de tomar estas decisões é a comissão executiva", explicou José Almaça. "Em devido tempo vamos tratar desse assunto. Estamos a recolher informações", acrescentou, lembrando que não se pode "cair no erro de ter uma companhia sem accionistas e sem administradores".

António Leandro Soares sai da BES Vida depois de ISP travar operação com activos do BES (10:50)

"Foi o próprio que pediu a autorização para fazer a operação. [Administrador] ‘Quero fazer esta operação’. [ISP] ‘Olhe que não pode ser assim. Temos de ver.’ E quando pediu a autorização, fez a operação. Logo a seguir dissemos que não. E ele anulou".

 Em causa estava uma operação cujo valor José Almaça não se recorda. Mas envolvia a compra de obrigações do BES pela BES-Vida. A operação foi feita, segundo informações dadas pelo presidente do ISP, a 28 de Julho. Poucos dias antes da Resolução, determinada a 3 de Agosto. Ou seja, um financiamento da seguradora ao banco. 

"Depois de o ISP não ter dado autorização, foi o próprio que apresentou a demissão", diz o presidente do ISP depois de lhe terem perguntado se impôs a demissão do administrador da BES Vida.

O ISP chegou a ponderar intervir na Tranquilidade (12:06)

José Almaça admitiu que chegou a ser ponderada a intervenção na Tranquilidade, com a nomeação de administradores por parte do supervisor. Mas os danos previsíveis na companhia levaram a escolher outro caminho

"O supervisor equacionou a decisão de nomearmos um administrador ou dois provisórios. Mas a ponderação pendeu para não o fazermos".

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Na semana passada fui surpreendida com uma troça generalizada na internet à intervenção de António Pires de Lima no Parlamento. O ministro da Economia foi irónico, para mim foi perspicaz e engraçado, e se alguma coisa se podia dizer é que foi informal, agora sem nexo é que não estava.

Brincava António Pires de Lima com a tentação de António Costa, presidente da Câmara de Lisboa e candidato a Primeiro Ministro, de fixar uma taxa de dormidas para os turistas. Enfim criticar o Governo pelos impostos é fácil, mas depois acaba por não resistir a fazer o mesmo na sua chafarica, a cidade de Lisboa. 

Claro que o tom irónico foi rapidamente ridicularizado e um pouco por todo lado se criou uma ideia (falsa) de que o Ministro estaria alterado por alguma substância exterior. "Triste figura a de Pires de Lima", dizia-se. Incrível! O pior não são os mandatados para ofuscar a razão de Pires de Lima com fait divers e deturpações do discurso e das respectivas intenções, o pior são as pessoas não pensarem pela própria cabeça e reproduzirem, ou comerem por bom que o Ministro estava alterado. Cheguei mesmo a ouvir uma amiga dizer que "ele devia estar com coca". Eu ia caindo para o lado. Parecia que não tínhamos visto a mesma coisa. Ainda a minha amiga me acusou de não ver por não conhecer os sintomas (ainda bem que não conheço) da coca. Mas reconheço a ironia quando a vejo e a falta de inteligência também. Há nestas interpretações apenas duas origens: a deliberada que sabe que há margem para deturpar ridicularizando e a outra é a falta de perspicácia e capacidade de pensar pela própria cabeça, para formar opinião sem se deixar influenciar pelas campanhas orquestradas. Esse é o grande pecado deste país. Por isso é que as intrigas vencem aqui. 

A verdade está à vista de todos:

O orçamento da Câmara de Lisboa, que foi apresentado esta segunda-feira, prevê mesmo a criação de uma Taxa Municipal Turística, com a qual se prevê angariar sete milhões de euros em 2015. «Os turistas vão ter de pagar um euro quando entrarem na cidade de Lisboa, por via aérea ou marítima, já a partir de 2015».

Era a isto que se referia o Ministro quando insinuou que o autarca não ia resistir à tentação de cobrar taxas e taxinhas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

No tempo em que o mundo se dividia entre os bons e os maus

por Maria Teixeira Alves, em 09.11.14

Em 1989 o mundo punha fim a uma barreira de 28 anos que separava os bons dos maus. Durante 28 anos os alemães de leste e os alemães do ocidente não se puderam visitar. E que agora que podem, será que se visitam?

Passaram 25 anos desde a queda do muro de Berlim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço

por Maria Teixeira Alves, em 09.11.14

"António Costa por um lado critica o Governo por não entregar Orçamento de Estado mais cedo do que o prazo legal e por outro lado naquele que é um Orçamento da sua responsabilidade - e passados 10 dias de incumprimento legal - ainda não entregou o Orçamento de Lisboa para 2015."

Autoria e outros dados (tags, etc)

Revelações

por Maria Teixeira Alves, em 07.11.14

  2014-10-31-Livro.jpg

 O Fim da Era Espírito Santo

Sabia que?

Foi Fernando Ulrich o primeiro a enviar para o Governador do Banco de Portugal e a fazer avisos ao Governo que o BES estava a ser alvo de elevados riscos, e que estavam a passar despercebidos. Fê-lo em 2012 com documentação. O enfoque era a exposição do capital do BES ao BES Angola. Mas também o Fundo Espírito Santo Liquidez que mais tarde é tratado na denúncia de Pedro Queiroz Pereira. O BPI tinha conhecimento do risco da ESI porque era sua cliente e avisou o Banco de Portugal que aquele fundo tinha dívida de empresas em carteira que não tinham rating, nem eram avaliadas por ninguém.

Sabia que foi Ricardo Salgado que pediu o rating de 2012 da ESI a Carlos Calvário da direcção de risco, directamente?

Sabia que Nuno Amado, do BCP, também alertou o Governador para o facto do fundo Espírito Santo Liquidez traduzir uma lógica de financiamento das holdings familiares?

Sabia que foi por José Maria Ricciardi ser administrador da EDP que nunca esta empresa investiu em papel comercial das holdings da família Espírito Santo?

Sabia que o Banco de Portugal impôs um aumento de capital no BES, de mil e quarenta e cinco milhões de euros, para capitalizar o banco porque nesta altura ainda não sabia da exposição indirecta do banco às holdings familiares?

Sabia que O Banco de Portugal, na reestruturação com vista ao ring fencing queria que a Rioforte ficasse directamente com o Banco (acabando com a ESFG) para ficar com acesso directo aos dividendos do banco para poder pagar a dívida? Solução que é sugerida por José Honório.

Sabia que Vítor Bento convidou Amílcar Morais Pires para administrador com o pelouro internacional porque Ricardo Salgado lhe pediu e recomendou, mas foi desconvidado depois porque Vítor Bento soube de novas circunstâncias pelo Banco de Portugal (que lhe ia retirar a idoneidade)?

Sabia que Ricardo Salgado se zangou com Joaquim Goes quando ele alerta para os riscos da exposição do Banco às holdings do Grupo?

Sabia que Vítor Bento ficou surpreendido quando ouviu Marques Mendes falar da solução do Banco de Portugal para o BES?

Sabia que Vítor Bento reuniu-se pela primeira vez, desde que era presidente do BES, com a Ministra das Finanças na Quinta-Feira antes da Resolução?

Sabia que a iniciativa de deixarem o Novo Banco não foi de Vítor Bento, mas sim de um dos outros dois?

Sabia que foi sob a ameaça de perda de idoneidade para ser administrador do BESI que Carlos Costa forçou à saída de Ricardo Salgado do BES?

Sabia que foi Pedro Passos Coelho que contactou António Horta Osório para pedir ajuda para o Novo Banco, e que foi daí que saiu o convite do Banco de Portugal a Eduardo Stock da Cunha?

Sabia que à última da hora Ricardo Salgado convenceu pessoas da família a investir em papel comercial das holdings?

Sabia que Kopelipa investiu 700 milhões no capital da ESI?

Sabia que a saída de dinheiro do BESA, pelas mãos de Álvaro Sobrinho, ocorre na mesma altura dos aumentos de capital das holdings familiares, em que eram convidados aliados e amigos de várias geografias? 

Sabia que em todas as geografias onde estava o Grupo BES e os bancos da ESFG havia aliados e parceiros que eram convidados a entrar nas holdings familiares (Control e ESI, e outras), ou a investir na dívida delas?

Sabia que o GES preparava-se para fazer uma emissão de nova dívida da Rioforte a 20 de Junho?

Sabia que Eduardo Stock da Cunha convidou para ficarem com ele no Novo Banco João Freixa e Jorge Martins e estes não aceitaram?

Sabia que o Hotel Palácio ofereceu a estadia a Ricardo Salgado?

Sabia que a casa da família de Ricardo Salgado, que era da mãe, pode estar já à venda?

Sabia que há pessoas da família que tentaram levantar o dinheiro antes do congelamento e ficaram com um processo no Ministério Público?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fernando Ulrich na Quadratura a dar cartas

por Maria Teixeira Alves, em 07.11.14

fotografia (17).JPG

 

 

Fernando Ulrich podia ficar na Quadratura como residente. Foi verdadeiramente independente sobre o tema BES/Novo Banco. Sobre a venda do Novo Banco: «É preciso que seja feita a gestão até à venda com algum rigor. A qualidade dos activos vai ser avaliada pelos compradores. Os trabalhos em curso tem de evitar que na fase da venda sejam os potenciais compradores a identificarem insuficiências. Para que isso não aconteça é preciso que os trabalhos agora em curso, sejam feitos com todo o rigor». Sobre a medida de Resolução: «Só no momento da venda se avaliará a eficácia da medida de resolução. Um prejuízo pequeno ditará que esta seja uma história de sucesso. Quanto maior o prejuízo pior porque nesse cenário provoca risco sistémico».Depois sobre a Comissão de Inquérito, disse temer que acabe por ser um fogo de artificio de informações soltas, e explicou que «o Aumento de Capital em que os investidores perdem mil milhões em um mês e meio, dava um inquérito. Como é que o BES chegou a esta situação? que se divide em três grandes problemas: A Relação com do BES com as empresas da família? Dívida colocado nos clientes... Só isto dava um inquérito.Depois o crédito a Angola. Um banco português ter metade do seu capital aplicado num crédito a Angola é motivo para um inquérito. Depois há o resto da gestão do banco. E por fim há a questão de como é que este problema foi resolvido? Se quiserem o que aconteceu desde 4 de Agosto para cá é outro tema de inquérito.», Enumerou estes temas para apelar que este trabalho tem de ser bem feito.

José Pacheco Pereira levantou um tema interessante. A questão da litigância que ameaça a venda do Novo Banco. A litigância de clientes, da família (a notícia de que Ricardo Bastos Salgado e Rita Amaral Cabral e outros puseram uma queixa no Tribunal contra o Banco de Portugal por ter aplicado uma medida de resolução do BES, assim como outros como os clientes) é uma pedra no sapato da venda. Fernando Ulrich diz imediatamente «Nenhum comprador aceita ficar com o risco da litigância do Novo Banco. O risco pode ser tal…».

Toda o busílis da questão residirá nessa venda do Novo Banco. Se as perdas na venda forem baixas é uma história de sucesso, o contrário se as perdas forem muito altas, Fernando Ulrich lembra que a «dimensão do problema do Novo Banco, se for muito grande, os bancos poderão ter de litigar com o Estado». 

 

Mas também sobre o país Fernando Ulrich deu cartas: "Visto do meu posto de observação. Eu considero que o país está melhor do que há três anos. Há mais investimento. Não tanto como gostaríamos que houvesse e ainda não há tanta criação de emprego como o país precisa, mas tem vindo a baixar. Penso que o próximo Governo, seja ele quem for, os portugueses decidirão, vai ter mais margem de manobra que o actual, porque a situação financeira do país está melhor do que era, porque não temos cá a troika, não vejo as pessoas muito preocupadas com as eleições daqui a um ano, o que está implícito na cabeça das pessoas e dos investidores, é que o rumo central não pode ser muito diferente, mas as enfâses, e os sublinhados podem ser diferentes, e portanto mesmo que haja uma nova maioria e um novo primeiro ministro, os investidores pensam que não pode haver mudanças muito radicais, porque o país continua a ter divida, ter que se financiar, tem regras europeias. Há muitas limitações e condições... [interrupções] os investidores acreditam numa estabilidade da linha essencial mesmo sem acordos de regimes, uns podem ir para o aumento do IVA, outros no IRS, uns poderão preferir ir para a TSU outros para o IRC"

Ainda se ouviu o Pacheco Pereira a dizer "António Costa está tramado". 

P.S. No rescaldo do programa imediatamente surgiu uma notícia que adultera o pensamento de Fernando Ulrich quando diz, com alguma ironia, que a solução melhor para os bancos seria a que o PCP defende que é a da Nacionalização do BES. Evidentemente que Fernando Ulrich estava a dizer que a solução que agora a esquerda defende, como critica ao Governo, é aquela que melhor protege os bancos e a que mais penaliza os contribuintes, mas não foi entendido e rapidamente o puseram como defensor das nacionalizações, e até lhe chamam costela de esquerda. Ora Fernando Ulrich não tem nenhuma costela de esquerda.

Politicamente Fernando Ulrich defende obviamente a Resolução, dado o momento em que essa solução se impôs. Era uma crítica à solução defendida pela oposição.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A ironia da História

por Maria Teixeira Alves, em 05.11.14

Quando em 2006 o BES aliado ao Estado inviabilizaram a compra da Portugal Telecom pela Sonaecom, por motivos estratégicos do BES, não se imaginava que o decurso dos acontecimentos iria levar a PT para os braços da Sonaecom oito anos depois. 

O estranho caminho que percorreu a PT nesses oito anos acabou por a deixar à venda, numa corrida desenfreada para a comprar à brasileira Oi hoje a dona dela. 

A Altice deu o tiro de partida e quer comprar a empresa que tem a Meo custe o que custar, já tem a Cabovisão e interessa-lhe muito a PT. 

Depois apareceu o Fundo Apax Partners, um fundo de private equity que faz investimentos de prazos muito longos, que está afincadamente a reunir-se com os accionistas portugueses. 

Mas a cartada final é jogada por quem há oito anos foi vencido pelas alianças de poder. A Sonaecom e a Isabel dos Santos, aliados na NOS, numa sociedade que se chama ZOPT SGPS, são os grandes concorrentes que poderão afastar os outros dois da competição. O Governo não se mete no assunto. Não é o estilo de Pedro Passos Coelho. Mas a verdade é que a proposta dos donos da NOS pode responder a esses apelos dos velhos do Restelo para uma intervenção em defesa de uma PT portuguesa. 

Resta agora saber o que diz a autoridade da concorrência

Autoria e outros dados (tags, etc)

Expresso Diário 31 de Outubro:

2014-10-31-Livro.jpg

 

LIVRO

Obsessão de Ricardo Salgado em manter o grupo dentro da família levou ao fim do BES

 

TEXTO CONCEIÇÃO ANTUNES

 

MAIS UM O caso BES e as atribulações dos Espírito Santo são objeto de mais um livro

 

Sai hoje o livro “O Fim da Era Espírito Santo”, da jornalista Maria Teixeira Alves, que resulta de uma investigação que fez em 2013 sobre maior banco português. “Tudo, mas tudo, na gestão de Ricardo Salgado tinha um fim único, premeditado e secreto: manter o grupo dentro da família. Foi por isso que chegou a este ponto”, garante a autora

Inicialmente, a ideia era retratar a guerra de poder entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, mas os factos evoluíram a um ritmo tal que o seu foco alargou-se à falência do maior império familiar português - revela a jornalista Maria Teixeira Alves, sobre o seu livro “O Fim da Era Espírito Santo”, que hoje começou a ser posto à venda nas livrarias.

“Era uma sensação estranha: eu estava a escrever o livro enquanto as coisas estavam a acontecer e a sair nos jornais”, faz notar Maria Teixeira Alves, que começou a recolher informação para este livro em setembro de 2013.

“Falei com toda a gente com quem pude falar, os banqueiros todos, empresários, advogados, assessores e várias pessoas de Cascais. Só não consegui falar com Ricardo Salgado, apesar de ter tentado”, adianta a jornalista.

O que mais a surpreendeu, no âmbito desta investigação, foi “a irresponsabilidade de tudo o que foi feito na gestão de Ricardo Salgado” e que resultou de “uma estratégia meticulosamente seguida”. Segundo Maria Teixeira Alves, “tudo, mas tudo, na gestão de Ricardo Salgado tinha um fim único e premeditado: reforçar o capital das 'holdings' para arranjar dinheiro com o objetivo do grupo se manter dentro da família. Foi por isso que a situação chegou a este ponto”.

Frisa ainda que a obsessão do líder do grupo Espírito Santo em manter o grupo na família, “era um motivo secreto de que nunca ninguém se tinha apercebido, nem mesmo as pessoas que estavam à volta de Ricardo Salgado”.

O lançamento do livro “O Fim da Era Espírito Santo” vai decorrer na próxima segunda-feira, 3 de novembro, no Grémio Literário, com apresentação de João Duque. Seguem-se alguns excertos:

A HISTÓRIA E OS “AMIGOS DA FAMÍLIA”

“Muito antes disto, mesmo muito antes, lá para o virar do século, no ano 2000, na altura em que o Banco Santander acaba por comprar o Banco Totta & Açores, depois de algumas contendas que agora não interessa detalhar, herdara o banco de Emílio Botín também 7% da ES Control. António Champalimaud, como bom amigo da família Espírito Santo, e provavelmente por causa daquela solidariedade que existe entre famílias semelhantes em valores, estética, conceitos e percursos históricos, também lá tinha o seu quinhão de 7%. Quando o Totta é vendido, António Horta Osório, que liderava o Santander em Portugal, quis saber quanto é que aquilo valia, e pediu as contas consolidadas. Mas recebera a resposta de que não as podiam dar. Na altura o banqueiro pensou que seria uma estratégia de proteger a empresa familiar dos olhos da concorrência. Mas afinal não era isso. Era mais simples. Não podiam dar as contas consolidadas tão somente porque não tinham as contas consolidadas. Já nessa altura a contabilidade daquelas empresas era um mistério”.

'PENETRAS' NOS ANTROS DE RICARDO SALGADO

“Mas a história do Totta e dos seus 7% da ES Control não acaba aqui. Para perceber o que se passava, António Horta Osório e Miguel Bragança decidem: 'Vamos à Assembleia Geral desta empresa!'. Apanharam o avião para Lausanne e, com os 7% que tinham, entraram pela reunião da família (e aliados) adentro. Era um encontro que funcionava como uma espécie de Assembleia Geral da ES Control. Ricardo Salgado ficou pasmado ao ver ali o banqueiro concorrente. Esta incursão ‘penetra’ pelos antros dos Espírito Santo levou Ricardo Salgado a apressar-se a negociar com os irreverentes banqueiros a compra dos seus 7% da holding familiar, por uma pipa de massa na altura. Hoje percebe-se porque Ricardo Salgado comprara tão prontamente aquelas ações, foi para não ter António Horta Osório e Miguel Bragança à perna. 14 anos antes de Pedro Queiroz Pereira, os 'golden boys' da banca tinham- se livrado daquela maldita participação, sem qualquer alarido”.

ALGO ESTAVA PODRE NO REINO DOS ESPÍRITO SANTO

“O segredo mais bem guardado da sociedade portuguesa é que já antes um outro banqueiro tinha alertado o Banco de Portugal e Pedro Passos Coelho de que algo estava podre no reino dos Espírito Santo. O que vira o banqueiro visionário é que um problema se estava a criar e a avolumar no Banco Espírito Santo, pois há muito que havia sinais evidentes de que o Grupo se estava a financiar com dinheiro dos clientes, através de um Fundo de que já falaremos. Mas nessa altura ainda tudo era muito nebuloso, ninguém sabia ao certo o que se passava porque a raiz do problema estava num Grã Ducado, onde os longos braços do Governador não chegavam”.

QUEM DESCOBRIU O BURACO NAS CONTAS?

“Em rigor, não fora Pedro Queiroz Pereira que descobrira as contas do Grupo Espírito Santo, foi o Banco de Portugal. Mas havia há muito entre os banqueiros quem se questionasse sobre o que se passava com o BES Angola e com esse fundo de investimento de nome ES Liquidez. Os banqueiros, nos termos da lei que rege os bancos, têm a obrigação e o dever da defesa da estabilidade do sistema financeiro. Fora isso que levara várias vezes Fernando Ulrich e mais tarde também Nuno Amado a alertarem o vice governador do Banco de Portugal para o que se estava a passar, pelo menos desde 2008, com alguns produtos que o BES comercializava no mercado e que pareciam revelar uma situação de fragilidade financeira do Banco e do Grupo Espírito Santo”. “Havia alguma perplexidade como é que aqueles produtos que mostravam haver uma lógica de financiamento estranha dentro do Grupo Espírito Santo eram comercializados junto de clientes”, diz um banqueiro. Foi essa perplexidade que alertara para o problema que se começava a avolumar no BES. “Eram uns produtos enrolados”, dizia-se”.

NÃO ERA PRECISO SER UM EINSTEIN PARA VER O PROBLEMA DO BES ANGOLA

“Havia também da parte do Presidente do BPI uma preocupação especial com a situação do BES Angola, que tinha, desde essa altura, um balanço desequilibrado e desalinhado com os seus concorrentes angolanos. O BPI tem em Angola o seu BFA, e o BCP o recente Millennium Angola. “Não era preciso ser um Einstein, bastava estar razoavelmente atento e informado destas matérias, para perceber que desde 2009, pelo menos, se estava a construir um grande problema no BESA, então em 2011 e 2012 era óbvio, pelas enormes proporções que tomava. Um rácio de transformação de depósitos em crédito de mais de 200% significava um gap comercial que só podia estar a ser financiado pelo BES. Isso explica que a exposição do BESA ao BES tenha passado de 1,5 mil milhões de euros em 2008 para 3,3 mil milhões de euros no fim de 2013, e isso punha em risco a situação líquida do BES em Portugal. Como é que ninguém viu isto?”, pergunta o banqueiro português, que várias vezes alertou, de forma documentada, as autoridades para o problema”.

AMÍLCAR MORAIS PIRES RECOMENDADO COMO “PROFISSIONAL DE PRIMEIRA ÁGUA”

“Comentava-se nos meios financeiros que terá partido da equipa de Carlos Costa (no seu diálogo permanente com o núcleo duro do BES) a indicação do conselheiro de Estado para Presidente do BES. Mas sabe-se, e isto é certo, que o convite para presidente é feito por Ricardo Salgado, que lhe diz ser o seu nome aquele que mais consenso reúne entre a ESFG, que nesta altura ainda preside, e o Crédit Agrícole. Depois de o convidar é provável que lhe tenha recomendado manter Amílcar Morais Pires, pois “trata-se de um profissional de primeira água”. E de facto, uma das primeiras notícias depois de [Vítor Bento] ter aceitado ser presidente é que tinha a intenção de manter o anterior administrador financeiro. Mas em pelouros sem grande acesso ao financiamento e dívida. Fica-lhe destinado o pelouro internacional, pois que o dossier de Angola já estava nas suas mãos, não é que tenha especialmente agradado ao homem que até aí geria o banco na sombra de Ricardo Salgado. Amílcar Morais Pires lá aceitou o pelouro internacional que lhe dera Vítor Bento, mas o contexto rapidamente se alterara e o convite foi-lhe retirado”.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Indignações bacocas

por Maria Teixeira Alves, em 01.11.14

Os jornalistas de economia estiveram em numerosas acções de bancos e empresas nos mais variados sítios do mundo, nas mais variadas ocasiões, nos mais exóticos lugares. Eram acções de aproximação entre os jornalistas e os administradores das empresas. O que é útil para o jornalismo de investigação, pois o acesso fácil aos responsáveis torna a investigação mais fácil e as confirmações ou não das notícias mais rápidas. Mas se isso fosse impedimento para depois se escrever imparcialmente sobre essas empresas, ou esses bancos, então seria outra coisa, Então estaríamos mal. Vem isto a propósito de muitos julgamentos fáceis que por aí se fazem a propósito do BES. Se os jornalistas que estiveram nessas conferências de imprensa do banco, quem diz do banco, diz da Galp, da EDP, do BCP, e muitas outras, não pudessem depois escrever livremente sobre essas empresas e sobre os acontecimentos mais do que óbvios em que essas empresas estão envolvidas é que seria de estranhar, não acham? Mas as pessoas parecem ficar indignadas que os jornalistas de economia que iam em viagens escrevam sobre o colapso do Grupo. Por acaso acharão essas pessoas que é ingratidão? 

Posso dizer que os jornalistas que estiveram nas acções dos bancos eram os melhores jornalistas de banca, no geral, e sempre escreveram livremente sobre essas empresas, quer sobre as coisas boas, quer sobre as coisas más, e assim é que deve ser. Não há uma relação de causalidade entre uma viagem e um notícia boa. Posso mesmo dizer que os favores e as viagens não têm relação nenhuma, porque há mais favores sem viagens, do que o contrário.  

As relações de amizade e pessoais não se alteraram com nenhuma derrocada do GES, isso também é preciso dizer.As que existiam continuarão a existir. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Palavras sábias de Reagan

por Maria Teixeira Alves, em 31.10.14

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Fim da Era Espírito Santo (Aletheia)

por Maria Teixeira Alves, em 29.10.14

 

Autoria e outros dados (tags, etc)



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com

visitante(s) em linha




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
Oje
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2007
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2006
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

Comentários recentes


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Notícias

    A Batalha
    D. Notícias
    D. Económico
    Expresso
    iOnline
    J. Negócios
    TVI24
    Oje
    Global
    Público
    SIC-Notícias
    TSF
    Observador


    subscrever feeds