Quando alguém está numa condição em que necessita de auxílio, é bem possível que quanto mais gente estiver a olhar, menor seja a probabilidade de alguém o socorrer. Assim são os homens nos dias de hoje. Temem o julgamento alheio, como se a originalidade fosse uma falta de respeito.
O desejo de chegar ao consenso, e assim evitar confrontações, é um dos maiores travões à evolução. É quase sempre mais difícil resolver um problema em conjunto do que se o fizermos individualmente. Os grupos tendem a comportar-se como os piores dos seus membros, e numa circunstância normal, há sempre quem assim garanta a mediocridade do todo.
É deveras revoltante assistir à quantidade de gente que se conforma com as decisões do todo, qual instinto de sobrevivência. Mas como podem pensar que a desistência de si seja um passo para o seu sucesso?
Infelizmente, a maior parte das pessoas, gente boa, aceita resignadamente as más conjunturas em vez de lhes fazer frente. Talvez o comportamento das pessoas comuns dependa mais da situação em que está envolvida do que da sua, tanta vezes débil, personalidade.
É pois de absoluta importância que escolhamos criteriosamente aqueles de quem queremos estar perto. Os grandes homens têm quase sempre poucos amigos.
Uma amizade ou um amor, autênticos, são excepções, não regras.
É raro encontrar-se alguém que nos levante quando estamos caídos, menos ainda que o faça sem hesitação e independentemente de estar muita gente a olhar. Se depois de nos levantarmos seguirmos ao seu lado, iremos longe. Muito longe... Caminhamos com Deus.
(publicado no jornal i - 19 de maio de 2012)
ilustração de Carlos Ribeiro
A paz é algo que nenhum homem pode dar a outro. Um dos fins mais importantes para quem arrisca ser quem é, será o de construir a sua própria paz. Esta resulta de um trabalho duro de equilíbrio das vontades, de uma harmonização árdua das diferentes dimensões interiores, como o pensar e o sentir, é um estado ágil e dinâmico, que, ao limite, permite ultrapassar e vencer qualquer adversidade.
A paz não é o estado de quem vive uma ausência de conflitos, é o resultado da conciliação corajosa das diferentes forças que, dentro e fora de cada homem, tentam prevalecer sobre as demais, menosprezando-se mutuamente.
Muitos são os que julgam ter encontrado a paz quando se livram do sonho do amor. Estão enganados, o caminho até à felicidade é ainda longo para quem cansado assim se contenta, repousando de uma luta que nem chegou a começar.
A paz é um ponto de passagem de quem ruma à plenitude da vida. A paz é o ponto de partida para o amor, que por sua vez lança o homem para a felicidade. A paz é o ponto de chegada dos que sofrem as dores mais profundas.
A verdade é tranquila. A árvore cresce sossegada, ao ritmo da sua paz, dependendo muito pouco do que acontece à sua volta.
Sem paz pode haver paixão, mas não há amor. O amor brota e alimenta-se do solo consistente e rico onde vive a paz, acima do mundo à sua volta, sem se incomodar com o julgamento de ninguém, mesmo daqueles que ali vêem apenas um sossego de morte.
Silêncio. Assim é a verdade de quem consegue ser quem é. Em paz, assim ama quem vive de forma autêntica.
(publicado no jornal i - 12 de maio de 2012)
ilustração de Carlos Ribeiro
As pessoas julgam saber o porquê de sentirem o que sentem. Creem também ser capazes de saber de forma simples e quase intuitiva as razões de pensarem o que pensam. Estas pessoas, só muito raramente têm dúvidas, mas erram em 99% dos casos.
Com uma estranha vontade de explicarem o inexplicável, acabam por, não assumindo de forma honesta que não sabem, inventar prontamente um encadeamento de razões tão sequencial e credível quanto irreal. Evitam de forma absoluta a sinceridade de um “Não sei!”.
Como se o sentimento que alguém tem perdesse força só porque não se consegue justificá-lo racionalmente.
Aparece, por vezes, algo ainda mais estranho: as emoções funcionam como argumentos racionais. Como se se pudessem sentir ideias e se isso funcionasse como defesa de umas e causa de anulação de outras.
Os sentimentos são para sentir e os pensamentos para pensar. Confundir estes planos dá, garantidamente, origem aos equívocos – mais que habituais.
Se relativamente ao que pensamos, as razões por detrás das ideias nem sempre são fáceis de alcançar, envolvendo muitas vezes determinação e algum sacrifício, elas não são, contudo e por natureza, inacessíveis. A sociedade do hoje-aqui-agora não tem é capacidade de perceber que existem níveis de compreensão da realidade a que apenas alguns chegam.
Assim, e sobre o que pensamos, valerá sempre a pena explorá-lo, aprender a refletir processos e resultados. Há realmente coisas tremendamente simples e outras simplesmente complexas. Todas se podem pensar. Nenhuma por intuição direta.
Ao que sentimos profundamente, pouco nos resta senão segui-lo, porque longe de o podermos comandar somos forçados a obedecer-lhe. Sem razão.
(publicado no jornal i - 5 de maio de 2012)
ilustração de Carlos Ribeiro
Estamos aqui, condenados à morte, em busca de força para fazer um caminho que traz inquietações a cada momento, mas que também nos leva mais a cada passo. Não estamos sós – nunca se está só quando se espera alguém –, porque há quem queira construir este caminho connosco, esquecendo-se do seu.
Há alguém que nos segue em silêncio. Diferente dos outros, não nos ajuda a levantarmo-nos quando caímos, mas também não se aproveita da proximidade para nos derrubar. Anda por aqui à nossa espera, admirando a forma como sonhamos e a força com que lutamos pelas realizações da nossa vida. Por vezes empresta-nos a sua vontade e dá-nos mais firmeza e coragem para sermos felizes. E somos. Mesmo quando não nos damos conta disso.
A vida de cada um de nós é essencial para Deus. Mas, que razão o terá levado a criar para si mesmo esta prisão?
O amor é a entrega da vida. É saber que se é um meio para que o outro seja feliz. Uma força pura para a realização dos sonhos de outrem. Um sentido para a vida.
Neste mundo, os dias do amor são sempre curtos.
É urgente perceber que não vamos ficar aqui para sempre. Este mundo não é, contudo, um lugar menor. É um espaço e um tempo de belezas infinitas.
É preciso olhar de forma pura o que nos rodeia, aprender a ver outra vez o sol e a chuva, a areia e as ondas. Que são sempre belas, desde que quem as sente as faça assim.
Se tudo te parecer cinzento e calado, talvez esteja assim... porque tu queres.
Afinal, para mudar uma paisagem, é preciso mudares o que sentes.
(publicado no jornal i - 28 de abril de 2012)
ilustração de Carlos Ribeiro
Os tempos não estão fáceis. As pessoas revelam-se mais quando assim é. São muitas as desilusões. Algumas pessoas são monótonas, superficiais e vivem apenas porque a vida não lhes exige grande coisa para os ter por cá. Estes voluntariamente pobres de espírito, estão sempre cheios de si, e fazem companhia uns aos outros.
Apesar disso, há também aqui gente que decidiu ter uma existência profunda. Andam muitas vezes sós. A dor profunda que levam no peito está abraçada ao sonho.
Como se o sofrimento resgatasse o homem acordando-o de uma vida sem sentido para uma existência plena, que, apesar de começar já, não acaba aqui.
A mais profunda dor da solidão é a daqueles que sabem amar, mas que percebem que aqui é muito difícil resgatar quem não se quer salvar a si mesmo. Mas os heróis da dor e do sonho, ainda que a vida e os outros lhes partam as asas, seguem sempre para o seu destino nem que seja a pé, por entre tanta gente que, deitada por terra, parece até gostar dos cheiros nauseabundos da superfície deste mundo.
Só quem sofre sonha. Só quem sonha vive. Só quem vive sofre. Assim são aqueles que sabem fazer as nuvens que derrubam montanhas.
Depois, no final desta vida... pouco me interessa se o meu corpo vai apodrecer num magnífico jazigo ou numa vala comum, importa-me mais saber por onde andarei enquanto aqui este meu corpo se perde.
Afinal, os verdadeiros sonhos de um homem esperam por ele, mas muito longe do sítio onde costuma dormir.
(publicado no jornal i - 21 de abril de 2012)
ilustração de Carlos Ribeiro
Há em cada coisa um pedaço de tudo. Em cada detalhe, uma harmonia. No mundo em que vivemos, com a inteligência de que somos capazes, é preciso aprender que o sentido da vida pode não caber na nossa cabeça. Existem coisas que não compreendemos porque a sua razão é mais complexa do que aquilo que conseguimos abarcar.
É sábia a ignorância que não se empina, mas se anula, abrindo espaço para que os significados mais profundos possam descobrir-se.
A coerência pode funcionar como um sinal inequívoco da falsidade. A verdade é de uma ordem diferente daquilo que faz sentido ao espírito humano.
Quando numa história tudo encaixa perfeitamente, o mais provável é que existam por ali mentiras a tapar os pedaços do incompreensível. A imperfeição funciona como a marca da autenticidade, quando admite o espaço que a humildade deve reservar ao que nos ultrapassa.
Por vezes, por desconhecermos as nossas motivações, criamos narrativas ficcionadas que parecem explicar as nossas emoções e decisões, e isto sem darmos conta de que estamos a mentir a nós mesmos. É, nalguns casos, tão recorrente, que chegamos a tomar a vida do personagem pela nossa própria... e tudo isto por simples falta de humildade para lidar com o que realmente somos... e que não nos é dado compreender quando queremos.
Sem que possamos perceber porquê, por vezes a verdade, que entre nós viaja incógnita, descobre-se – a si mesma. Nós quase nunca estamos atentos, e quando estamos, deslumbrados tentamos tocar-lhe... sem perceber que somos nós que devemos esperar ser tocados por ela.
(publicado no jornal i - 14 de abril de 2012)
fantástica ilustração de Carlos Ribeiro (obrigado, mais uma vez, amigo!)
Um pai que sofre a morte do seu filho. Um homem que amou até ao fim. A páscoa é o tempo das promessas se cumprirem, o tempo da verdade se sobrepor aos fingimentos.
A missão de cada um de nós é ser feliz escolhendo o bem, lidar com as dúvidas e os absurdos que nos tentam, sofrer as agruras deste percurso sem ceder nunca de forma definitiva, e, mesmo com tropeços e paragens, ir andando.
Pelo caminho, servir os nossos iguais menos fortes, aqueles que a sociedade despreza, aqueles a quem faltam todos os tipos de abrigo nas nossas cidades cheias de gente sozinha, os que morrem de fome e de doenças simples em todo o mundo, e outros, tantos outros... é nesses que Deus disse que ia estar. Num sinal que nos devia fazer entender por onde é o caminho, por onde anda a verdade e o que é, afinal, a vida.
Talvez, hoje mesmo, muitos dos que vivem e morrem sós e abandonados peçam também perdão por aqueles que não sabem o que lhes estão a fazer, ignorando-os.
A morte não é o importante, é a honestidade na missão que define o valor de cada homem.
A ressurreição não é uma resposta à morte, mas à fidelidade. Não há mais vida para quem não tiver sido, de alguma forma, fiel nas suas escolhas e nas suas acções.
Por todos os erros, por todas as escolhas deliberadamente erradas, por todo o desamor de que fui capaz... a ti estendo a minha mão: Jesus, lembra-te de mim quando vieres com o teu Reino.
(publicado no jornal i - 7 de abril de 2012)
(magnífica) ilustração de Carlos Ribeiro (obrigado, amigo.)
Quase sempre se reza no vazio, onde sem luz e num silêncio próprio de um deserto, quase nada se vê, ou se deixa ouvir. Esta ausência de resposta acaba por alimentar muitas vezes o temor de que possamos estar, afinal, tremendamente sós.
Mas promover o bem de alguém não passa por estarmos onde essa pessoa nos veja, ou onde só nos consiga ouvir, e, muito menos ainda, que tenhamos de lhe falar constantemente.
A fé é a evidência do que não se vê, mas é também a desconfiança que faz tremer a terra que nos segura os pés. Nunca foi nem será uma apólice contra todas as dúvidas, desgostos e sofrimentos.
Com fé, e por breves momentos, podemos sentir como que uma brisa na face e aprender que existem forças que não se vêem. Afinal, o vento, tal como o amor, não se conhece senão pelo que faz. Nunca ninguém o viu, mas também nunca ninguém o pôs em causa.
Só se ama verdadeiramente em silêncio. Mesmo quem não se pode ver. Mesmo quem não se consegue ouvir. Ama-se com o que está aquém das palavras.
Deus não é o herói de nenhum conto de fadas. Está aqui, mesmo que ninguém o veja. Sempre por perto, mesmo de quem não acredita. No silêncio onde paira a certeza de que nos amará até ao fim, ou seja, para sempre.
Viveu, morreu e ressuscitou. Mas ressuscitar não é simplesmente voltar a este mundo, é viver para sempre num outro de que este faz parte.
(publicado no jornal i - 31 de março de 2012)
mais uma ilustração do meu amigo Carlos Ribeiro
O homem é do tamanho do sofrimento que for capaz de suportar por amor. Quando assim é, a chama da esperança que lhe ilumina os sonhos não pode ser apagada por inverno algum. Quanto maior o sofrimento maior será o interior de quem o experimenta, mais espaço passando a haver para acolher a alegria pura dos dias que estão para vir.
A solidão da dor aperfeiçoa o indivíduo na medida em que lhe permite aprofundar-se a partir dessa ferida que à superfície o faz gritar.
O sofrimento robustece o esqueleto e mantém o espírito humano erguido. Algumas vezes, resulta das nossas escolhas, não necessariamente das más, pois, frequentemente, é o caminho do bem que tem o preço mais elevado. Outras vezes, resulta de escolha alheia. Outras ainda, de escolhas nenhumas. Em qualquer dos casos é a prova da humildade.
As lágrimas da solidão, que sempre acompanham quem sofre, podem ser sinal de esperança. Como se um grito sofrido quisesse relembrar ao mundo que é possível ser-se melhor.
Por amor, não se sofre em vão. Se amar é dar-se, também pela dor aperfeiçoamos o que somos. As mágoas vão cavando cada vez mais fundo e engrandecendo um interior que a luz do amor encherá de graça. A dor é a tela onde o amor se pinta.
As dores parecem sempre eternas. O tempo magoa. Mas só as lágrimas de quem ama têm sentido, caindo sempre em busca das raízes da fé que dá a salvação.
(publicado no jornal i - 24 de março de 2012)
outra magnífica ilustração do meu amigo Carlos Ribeiro
O amor é algo extraordinário e muito raro. Ao contrário do que se pensa não é universal, não está ao alcance de todos, muito poucos o mantêm aqui. Chama-se amor a muita coisa, desde todos os seus fingimentos até ao seu contrário: o egoísmo.
A banalidade do gosto de ti porque gostas de mim é uma aberração intelectual e um sentimento mesquinho. Negócio estranho de contabilidade organizada. Amar na verdade, amar, é algo que poucos aguentam, prefere-se mudar o conceito de amor a trocar as voltas à vida quando esta parece tão confortável.
Amar é dar a vida a um outro. A sua. A única. Arriscar tudo. Tudo. A magnífica beleza do amor reside na total ausência de planos de contingência. Quando se ama, entrega-se a vida toda, ali, desprotegido, correndo o tremendo risco de ficar completamente só, assumindo-o com coragem e dando um passo adiante. Por isso a morte pode tão pouco diante do amor. Quase nada. Ama-se por cima da morte, porquanto o fim não é o momento em que as coisas se separam, mas o ponto em que acabam.
Não é por respirar que estamos vivos, mas é por não amar que estamos mortos.
De pouco vale viver uma vida inteira se não sentirmos que o mais valioso que temos, o que somos, não é para nós, serve precisamente para oferecermos. Sim, sem porquê nem para quê. Sim, de mãos abertas. Sim... porque, ainda além de tudo o que aqui existe, há um mundo onde vivem para sempre todos os que ousaram amar...
(publicado no jornal i - 17 de março de 2012)
magnífica ilustração do meu amigo Carlos Ribeiro
Cada homem é uma realidade que tem uma aparência. Nalguns casos, por manifesta pobreza de espírito, o vazio é quase total ao ponto de haver gente que não é senão... aparência.
A realidade exterior é aquilo a que têm acesso os sentidos de uma forma não contaminada pelas faculdades do pensamento que os suporta. Já a aparência exterior será o resultado que funde numa unidade os dados das sensações com tudo o que é produzido pelo julgar e pelo sentir. A competência de detetar as diferenças, aqui, passa pela capacidade de usar os sentidos de forma pura, ver apenas com os olhos, ouvir apenas com os ouvidos, etc.
Os enganos devem-se, na maior parte dos casos, à tendência que a preguiça tem de se sobrepor à atenção, preenchendo os muitos vazios das sensações com os materiais da imaginação e das deduções que tendem a criar e estabelecer padrões.
O interior é também uma realidade que tem aparência. Sendo que, nesta dimensão, a distinção é estabelecida pela profundidade a que um espírito é capaz de explorar. Demora tempo, e muita frustração, sondar o que é, por baixo do que parece. Falamos aqui do interior da pessoa humana, onde tantas vezes nem o próprio é capaz de retirar o manto de aparências que lhe cobre a essência, a sua própria e verdadeira identidade.
Ver cada homem como um mistério pode ser o princípio de uma atitude sábia, que lança luz e permite ver o invisível, no interior de todos o que são mais do que aparências.
(publicado no jornal i - 10 de março de 2012)
Todo aquele que habita a solidão sabe que o medo é o oposto da felicidade. O isolamento de quem foge é assustador e pesado. A solidão de quem dá um passo adiante, quando todos os outros ficam quietos, é bela e voa.
Ser original, nos dias que correm, não é tarefa fácil. A normalidade exige e atinge picos de afinação incríveis. Até mesmo os sonhos são como que versões autorizadas de um sistema que oferece muitas opções, mas sempre só em circuito fechado. Sair do habitual é uma ousadia que a multidão condena a priori. Os obedientes contribuem para a perpetuação do estado de coisas, vaiando de todas as formas quem desafia sair do caminho.
Porque eu não sou como os outros, devo preocupar-me quando estiver a parecer-me com eles.
Mas sair da lógica da multidão é desafiar a irracionalidade. A massa é acéfala e rege-se por princípios de estabilidade e força, alimenta-se da renúncia das vontades individuais, num movimento gigante e potente.
Quem quer ser feliz deve ser original, sempre, desejar criar o novo, aceitar agarrar a sua vida em vez de esperar pelo que possam trazer as mãos do mundo. É preciso expor-se totalmente e arriscar tudo, porque só quando se compromete tudo se pode alcançar o raro prémio de que quase todos desistem cedo demais. A felicidade.
Quando se ama verdadeiramente pouco se teme, por isso se fica mais perto do céu.
Os meus braços servem para abraçar e não para me esconder atrás deles.
O sofrimento da solidão tem sentido absoluto quando o peito está descoberto. Só com os braços bem abertos se ama.
(publicado no jornal i - 3 de março de 2012)
Há diferentes formas de entender o tempo enquanto realidade. Nas culturas orientais vêem-no como uma circularidade, uma ciclicidade. Por este lado do mundo pensa-se o tempo como sendo algo linear, recto.
Sabemos que o tempo nos antecede e compreendemos relativamente bem que não acaba quando nós deixarmos esta vida. Mas a morte aparece como uma certeza de grau diferente, que interpela o íntimo e obriga a viver de forma completamente distinta, como se se tratasse da regra mais importante do jogo.
Ao contrário da nossa existência antes do nascimento, que para ninguém parece ter o mínimo interesse, o que se passará connosco depois da morte já deixa quase o mundo inteiro preocupado.
Mas pode bem ser que a morte não esteja à nossa frente mas atrás de nós. Não nos alcança mas vai cristalizando de forma irreversível todos os nossos momentos – a cada momento.
O que se fez ontem está completamente vedado a alterações. Pode-se decidir muito em relação ao presente, quase tudo em relação ao futuro, nada em relação ao passado. A ninguém é dado reviver. A morte impede completamente quaisquer mudanças. O presente só é um presente enquanto por ela não for passado.
Impossibilidade absoluta de qualquer outra possibilidade, a morte aniquila por completo todo o movimento que não se dirija para diante.
A nossa vida é viver a morte de cada um dos nossos instantes... até que um dia ela se antecipa e nos leva antes de ser hoje... restar-nos-á, como sempre, dar um passo em frente, seguir adiante, para um outro hoje, talvez fora do tempo. Talvez em casa, novamente.
(publicado no jornal i - 25 de fevereiro de 2012)
Os países europeus têm-se revelado absolutamente inábeis em gerir os seus esforços perante a crise actual.
A identidade de alguém, pessoa ou nação, revela-se não tanto quando está em dificuldades, mas muito mais quando está perante alguém em dificuldades.
É errado pensar que quando se trabalha em equipa as forças individuais são potenciadas e que o resultado é maior que a soma das partes. Os pressupostos da solidariedade e da motivação combinada são falaciosos. Quando alguém está em grupo tende a esforçar-se menos porque se acomoda à ideia de que um eventual falhanço não será da sua responsabilidade, sendo que, depois, encontrar um culpado é visto pelos demais como a melhor das soluções para o problema, isentando-os do dever de auxílio, mas revelando a sua identidade de forma transparente.
Muitos são os que, quando se vêem em situações complicadas, desistem de lutar para tentar escapar-lhes; conformam-se e aceitam passivamente o “mau destino”. Como se qualquer tentativa de fuga fosse uma perda de tempo e energia, talvez poupando-se para “resistir”. Nestes casos é fundamental – e crítica – a ajuda externa para se conseguir evitar uma tragédia, ou, ao limite, conseguir um resgate bem sucedido de quem agoniza no fundo do poço.
É urgente que os Estados aprendam a olhar o outro nos olhos, a ir ao seu encontro e a estender-lhe a mão. Nos falhanços, que se aprenda a falhar com dignidade, sem desistir. O preço do sucesso é também pago pelos fracassos sucessivos que o antecederam.
Sempre existirão falsos amigos, mas também falsos inimigos, nomeadamente os que voltam atrás para ajudar aquele a quem os falsos amigos deixaram só.
(publicado no jornal i - 18 de fevereiro de 2012)
A nossa sociedade gravita em torno de 3 eixos. Muito poucos são os que não se deixam cair em nenhuma das reais tentações do aparente.
O culto destas dimensões imediatas da identidade remete para planos secundários todas as categorias interiores que a estruturam e consubstanciam, dispensando ponderação e reflexão, abrem alas a uma preguiça estranha que se contenta com o superficial. Quase uma animalidade consentida, mas sem sentido.
O sexo, fazendo parte da vida, não é contudo o mais importante. O hábito consome-se com tremenda rapidez, e o corpo é apenas uma ínfima parte do que somos, o albergue temporário de uma interioridade composta por, tantas vezes, tenebrosas podridões, vulgaridades comuns e, por vezes também, belezas indescritíveis. Felizmente, o ser humano é capaz de ver para bem mais longe do que a vista alcança, e ver o outro através do seu corpo.
O poder atrai e corrompe, muito antes de ser atingido. Promete o que há de melhor pela amplificação da liberdade, mas como não dá nunca o discernimento essencial às escolhas que determinam os passos que nos aproximam da felicidade, ilude enquanto afoga quem se julga por ele abraçado.
O dinheiro é o que parece mover com mais eficácia o mundo, o que diz mais do mundo do que das contas bancárias. Quantificação simples de um tipo de sucesso que explora mais do que eleva, o dinheiro não se torna, nem mesmo em quantidades desproporcionadas, numa riqueza, uma vez que a riqueza será o que dignifica e engrandece, jamais o seu contrário.
Sexo, poder e dinheiro são promessas vãs. Chegam a conjugar-se a fim de escravizar mais eficazmente quem parece amar a sua própria desgraça. São muitos os que desperdiçam a sua única vida em busca do que não presta. É sempre trágico, mas não deixa de ser justo.
(publicado no jornal i - 11 de fevereiro de 2012)
ilustração do meu amigo Carlos Ribeiro
Cada homem tem direito à sua vida, cada homem tem direito à sua solidão. Mais do que realizar-se no meio dos outros, só vive plenamente quem for autónomo. Todos temos direito a um espaço nosso, a um mundo onde possamos ser quem somos.
O paternalismo é a forma mais vulgar de lidar com aqueles a quem não se respeita a solidão. É o vício comum de tentar salvar os outros dos perigos que, alegadamente, representam para si mesmos. Partindo disto, diz-se-lhes que não mais terão de se preocupar consigo próprios, para, com proibições e obrigações, lhes sugar a liberdade e acabar muitas vezes por lhes causar maiores danos do que aqueles que se pretendiam prevenir.
É melhor errarmos autonomamente do que acertarmos por força de uma vontade alheia. É importante deixarmos que aqueles a quem queremos bem falhem e preparamo-nos para os ajudarmos depois.
Nenhum homem tem naturalmente direito sobre a vida de outro. Somos livres perante nós mesmos, e perante os outros, mas nunca sobre ninguém.
Deixar morrer um pai é um crime hediondo. Matar um filho, também. As suas aparentes faltas de utilidade não refletem de forma alguma o seu valor mais íntimo e profundo: serem solidões com tanto direito como nós a existir aqui. Há que cuidar dos pais e deixar nascer os filhos. No tribunal de qualquer consciência, na mais íntima solidão de cada um, não se encontra qualquer fundamento que permita inocentar quem aniquila uma vida humana. Tenha ela mais passado ou mais futuro... é igual.
(publicado no jornal i - 4 de fevereiro de 2012)
Pode o paraíso rezado para outro mundo ser afinal daqui. A graça, força da bondade, está um pouco por todo o lado e basta nela ter fé para que, dando o melhor de nós ao mundo, uma alegria subtil e profunda, uma felicidade transbordante, comece a nascer em nós.
Imagine-se alguém que leva uma refeição quente a um homem faminto que vive no frio de uma rua qualquer. Qual destes dois homens prefere o leitor ser? O que dá ou o que recebe? Certamente, o que dá. Mas porque prefere dar a receber? Poucos compreendem que a vontade de dar é sinal de que se tem a mais; já o ansiar receber significa que não se tem que chegue... e há os que quanto mais ricos se tornam, mais pobres ficam. Porque se tornam mais e mais carentes. Esta dimensão material revela um problema fundo. Que corrói a partir de dentro o coração de quem o alberga.
Na lógica consumista em que vivemos, poucos se dão conta de que o movimento elementar que a suporta é o desejo artificialmente criado para poder ser preenchido com o que alguém quer, bem desde o início, vender. Primeiro a semente de um vazio, depois a “solução” perfeita para essa angustiante necessidade. A graça por ser pura, não tem preço, é de graça.
Assim que são satisfeitas as suas necessidades elementares, alguns começam logo a partilhar o que lhes chega às mãos, enquanto outros, por serem mais pobres, começam a acumular sem fim... nunca transbordarão, nunca serão felizes, nunca darão... nem um sorriso. São buracos negros. Não têm graça.
Talvez o fogo do inferno seja o egoísmo que consome lenta e definitivamente os que escolhem não amar. Desgraçados.
(publicado no jornal i - 28 de janeiro de 2012)
Tratar os mortos como se nunca tivessem sequer nascido é um princípio do ateísmo moderno que ameaça fazer-se moda em Portugal. O que somos ou não somos, e temos ou não temos, devemo-lo aos que antes de nós por aqui passaram, a muitos pela positiva, a alguns pela negativa. Uns e outros merecem ser chamados ao presente.
Se numa determinada família se esquecem os mais velhos, ela é um ajuntamento, mas não uma família. Se uma nação passa por cima da história em favor de um qualquer benefício imediato, estamos, mais uma vez, a falar de um aglomerado de seres humanos, mas não de uma nação.
São índices da nossa identidade colectiva enfraquecida: não termos bons políticos, não sabermos falar de uma pátria, não termos ideia do que podemos prometer aos nossos filhos.
Portugal merece ter bons líderes, que, sem se preocuparem com popularidades, apontem os caminhos e sigam adiante; que, persistentes na humilde teimosia do amor, sem ofensas nem imposições, façam o que tem de ser feito para bem de todos. Que nos lembrem quem somos, sem paternalismos nem esquecimentos.
Custa-me que haja tantos portugueses preocupados com um acordo ortográfico, e assim esquecidos de que a nossa identidade não são vogais nem consoantes, que se prestam, noutros fóruns, ao desplante de teorizar soluções que passam por ouvirmos os nossos netos e bisnetos falar castelhano. Somos Portugal. Devemos todos, sem excepção, sentir o dever de respeitar quem antes de nós por nós morreu. Senão que emigrem.
(publicado no jornal i - 21 de janeiro de 2012)
foto daqui
Chegamos sem que nos perguntem se queremos entrar. À saída passar-se-á o mesmo. As mágoas e tragédias da vida deviam deixar quem as sofre consciente de que esses espinhos cravados na carne são os pontos exatos por onde a identidade de cada um se cria, afirma e engrandece. A dor não é, nem nunca será, uma comodidade da vida. Todo o homem existe para ser feliz. Os caminhos da vida são tortuosos e envolvem sofrimentos únicos, pessoais e profundos, que são sempre pedaços do caminho, provas – não o seu fim nem o seu propósito.
Estamos aqui de passagem. Este mundo, não sendo o Céu, é extremamente belo, mas acima de tudo é o palco das escolhas, o local onde cada um decide quem quer ser, se faz, e se torna naquilo que é.
A fé em Deus, institucionalizada em estruturas como as igrejas, não isenta, de forma alguma, o crente de contribuir para um mundo melhor. Nenhuma igreja é o clube dos bons. Mas, infelizmente, a maior parte dos crentes vive na lógica da reciprocidade e só dá para receber depois. Uma espécie de depósito a prazo, com juros fantásticos. Ter fé não é sonhar coisas mais ou menos patetas. Ter fé é amar, é ajudar e estimar o ingrato e o egoísta.
Cada homem alberga alegrias profundas no seu coração e a porta deste não abre para dentro. O mundo precisa de nós, do que podemos dar, do que podemos ser. A terra pode ser um Céu, se vivermos no limite do possível, amando, sem expectativa de reciprocidade. Talvez a nossa existência seja resultado do amor de Alguém, e, nesse caso, trata-se apenas de tentar saldar a dívida!
(publicado no jornal i - 14 de janeiro de 2012)
As palavras são uma fonte abundante de confusão. Na maior parte dos casos, é a falar que a “gente” se desentende. Quantos problemas se evitariam se dominássemos a arte do “nem tentar dizer”? Quem cala, pelo menos não mente.
Com poucas hipóteses de refutação, o silêncio é sempre um bom argumento, que se torna praticamente indestrutível, se usado no tempo certo. As palavras pouco dizem, prometem – mas não cumprem. Só a acção expressa a verdade.
Escolher não dizer é uma das melhores decisões. Ouve-se mais e melhor, dando atenção a realidades que o normal ensimesmamento do falar faz esquecer. Na esmagadora maioria dos casos, as palavras, são simplesmente desnecessárias, traem e distraem, explicam-se e justificam-se umas às outras, mas quase nunca conseguem cumprir o que juram conseguir: levar algo de um interior a outro.
As palavras são coisas deste mundo, vivem nas circunstâncias, ao passo que o silêncio já marca a presença de um outro mundo aqui. Tal como pedras, as palavras são duras demais para significar o essencial. Não se moldam, alteram a realidade até que possa ser dita.
É, por exemplo, perturbante a confiança dos que acreditam ser capazes de descrever o amor que julgam sentir... na verdade, ou não é Amor e cada palavra é um engano – tanto maior quanto mais bela for – ou o é Amor e então um olhar basta.
A verdade não depende da quantidade nem da qualidade das palavras que se usam para a dizer. A verdade, mais do que se deixar dizer, escuta-se... e escuta.
(publicado no jornal i - 7 de janeiro de 2012)
foto cedida pelo amigo Benjamim Silva
Uma forma infalível de compreender o porquê dos acontecimentos é causá-los. Parece profético, mas é um disparate. Ideias como “só me arrependo do que não fiz” revelam uma pobreza de espírito digna de compaixão. Cometemos erros, sim, mas seria muito melhor se não tivéssemos sido autores, actores, espectadores e vítimas de algo... errado.
É ainda pior quando esta inconsciência leva os sujeitos a ignorar os primeiros sinais adversos, mais subtis. Nestes casos, ou os acidentes são suficientemente grandes para ultrapassar a anestesia da ignorância, ou nem sequer são percebidos.
É possível compreender muitos aspectos da vida sem ser necessário errar. Outros, nem errando. É necessário tempo, domínio de si e uma certa sabedoria. Tempo para percorrer caminhos interiores; domínio de si para não ceder aos gritos da necessidade de conclusões rápidas; e a sabedoria humilde que faz aceitar que existem lógicas mais complexas que as que somos capazes de compreender.
A sabedoria, mais que cumulativa, é subtractiva. Se pensarmos bem, vamos aprendendo o que não fazer, como não fazer, em quem não confiar, etc. O nosso intelecto vai ganhando, progressivamente, capacidade de filtrar o lixo que o povoa.
Um sábio não é alguém que vê o extraordinário, mas sim aquele que conseguiu ficar cego em relação a coisas para que os outros olham. Antes disso, é preciso inteligência e confiança para aceitar que aquilo que faz sentido, no fundo, talvez não faça sentido nenhum.
(publicado no jornal i - 31 de dezembro de 2011)
imagem daqui
Muitos são os que acreditam que Deus é infinitamente bom e misericordioso, mas que é um completo absurdo que tenha descido à terra para viver como nós e, pior ainda, que tenha terminado essa sua vida numa cruz.
Este homem, que era Deus, quis vir experimentar viver a nossa vida e morrer a nossa morte. Não chegou envolto em honras e nunca as quis. Preferiu sempre ser simples, tendo apenas o essencial, nada mais. Veio até nós amar-nos e viver connosco. Pediu-nos para irmos ao encontro dos nossos semelhantes mais pobres, tal como Ele veio ter connosco.
Felizes de nós se, pelo menos no dia de Natal, nos sentirmos da mesma família dos pobres, dos doentes, dos que choram e de todos os que sofrem; somos tão carenciados como eles noutros aspectos da nossa vida; e mais felizes seremos se dermos um passo na sua direção. Amar alguém é ir ao seu encontro.
Um dos mais admiráveis poderes deste Deus, que se fez homem, não consiste em responder às nossas dificuldades com milagres, mas em dar a todos nós a possibilidade de nos transformarmos, de transformarmos as nossas vidas e, através disso, o mundo em que vivemos. Deu-nos ombros fortes, a
fim de sermos capazes de carregar a nossa própria cruz e, deste modo, ajudar os outros a carregar também as suas.
Talvez o sentido da vida seja o de fazer vencer o Amor sobre o egoísmo.
(publicado no jornal i - 24 de dezembro de 2011)
A zona mais preguiçosa da inteligência tende a encontrar semelhanças entre pessoas, situações ou simples objectos. Já a zona mais elevada da nossa capacidade de pensar detecta diferenças. O nosso universo mental tende a refugiar-se no que já conhece e integra a novidade como simples variação do conhecido. Uma pessoa recente na nossa vida, por exemplo, tende a ser enquadrada sempre como parecida com outras que já conhecemos, e chegamos ao ponto de prescrever, qual fórmula química, a quantidade de cada um dos constituintes-base no todo que temos diante de nós. Enfim, mentes mais básicas muito dificilmente são surpreendidas, porque se tornaram hábeis em asilar-se num conjunto que julgam ser o máximo mundo possível.
Mais raro, mas muitíssimo mais inteligente é, mesmo perante coisas superficialmente parecidas, achar-lhes as diferenças. Em cada coisa nova, pode-se descobrir a excepção que o universo ali nos revela.
Talvez por isso nos sintamos realmente vivos nos momentos de improviso, quando não há qualquer plano prévio. Nesses instantes, quais caçadores, deixamo-nos diluir e envolver no ambiente e ficamos atentos a cada pequena surpresa. Mas com algum tempo e fraca inteligência acabamos por nos acomodar, e trocamos um absoluto gozo da vida por um cómodo jogo dos cromos repetidos.
No caminho da sabedoria aprende-se a admirar, a calar mais que a dizer, para atingir um ponto onde se compreende que nem mesmo numa paz de espírito sublime existem sequer dois silêncios iguais.
(publicado no jornal i - 17 de dezembro de 2011)
foto daqui
Não há nada de mais permanente e imutável que as soluções temporárias. Bem como nada há de mais efémero que uma solução definitiva. O mundo muda – e nós devemos mudar com ele. Experimentemos ler os jornais com 2 ou 3 semanas de atraso e veremos que há em tudo uma transformação incessante, a tempos saltos gigantes, outras vezes lentidão exasperante, mas sempre sem grande lógica. Nada é o que foi. Uma das qualidades mais brilhantes da essência da vida é o de ser sempre nova. Eternamente jovem.
O declínio da vida acontece quando se começam a colocar memórias no lugar dos sonhos. A recordação é, aqui, uma espécie de assinatura da capitulação de si. Talvez também por isso a saudade nunca afecta os mais novos, que percebem bem que a cada dia tudo começa de novo. Na verdade, só mesmo os que são velhos teimam em olhar para trás, como se pudessem viver em direção ao que já foram.
A coerência é uma das preocupações do espírito humano que devemos cuidar por manter em aberto. Ela é, por vezes, uma inimiga da verdade. A realidade, tal como a conhecemos, altera-se e o muito de hoje pode ser nada amanhã. A verdade não é estática nem sólida. O seu valor chega-lhe também da sua permanente atenção ao detalhe de cada momento, é ágil e recria-se. É a verdade. O que não muda é que ela muda. A coerência, neste sentido, é artificialidade que resulta da impaciência.
Há que viver para diante, sem tirar conclusões, sem medo do novo, acreditando que sempre haverá chão por debaixo do nossos pés. Mesmo que o caminho seja para o céu.
(publicado no jornal i - 10 de dezembro de 2011)
Os movimentos nas bolsas, praças e mercados de todo o mundo regem-se por uma escala simples que vai do medo à ganância.
Todos temos (mais ou menos) medo de comprar algo errado ou caro, mas todos queremos também aproveitar (mais ou menos) as oportunidades de rentabilizar e multiplicar o nosso dinheiro.
Mas se se pensar um pouco sobre isto, depressa se perceberá que quem anda entre dois polos negativos, como são o medo e a ganância, em ponto algum intermédio pode encontrar equilíbrio, paz ou descanso. Nada. É a instabilidade absoluta.
Com a crise que vivemos, os extremos têm vindo a afastar-se significativamente. Hoje é mais fácil que nunca ganhar e perder tudo. Não há refúgios. Quem tem dinheiro tem de andar no circo. Tão estranho quanto verdadeiro é que aquele que perde metade do que tem, perde mais do que se tivesse perdido tudo. Porquê? A perspectiva de se poder perder mais dói, mais que a própria perda! Que até pode libertar.
A felicidade não passa pela longevidade, segurança ou conforto. Tal como os animais em cativeiro, que têm tudo isto, também os homens que não vivem “livremente”, não podem ser felizes. Todos quantos, logo que despertam, sabem com exactidão como vai ser o seu dia, estão já um pouco mortos. E quanto mais exacta for a sua capacidade de previsão, mais mortos estarão!
Devemos lutar, com tudo o que estiver ao nosso alcance, para viver bem longe do medo e da ganância, num plano onde haja muita aventura mas o prémio não seja em dinheiro.
(publicado no jornal i - 3 de dezembro de 2011)
Nos balanços de vida, tomamos em geral os factos mais relevantes e assumimos que o tempo entre eles existe apenas para inserir intervalos de espaço que os permitam brilhar em simultâneo. Nessa perspectiva, a vida será a soma simples de dias muito bons com outros muito maus. Mas todos os demais fazem igualmente a nossa vida. Aliás, serão estes até mais significativos dela que os extremos que atingimos apenas em raros momentos.
A vida é como o mar, inconstante e infiel, com bens e males infindáveis, mas de todos os tamanhos, sendo na maioria pequenos, simples e quase insignificantes.
Da vida fazem também parte as longas e monótonas calmarias, quando as exigências mais comuns ganham peso maior, por os nossos ombros perderem força. Nesses muitos dias, como no mar, a água e os alimentos começam a escassear ao mesmo tempo que vão perdendo o gosto... tudo é só cansaço, tudo sempre os mesmos pensamentos, tudo tédio. Vivemos ainda, mas é um lamento viver, esperamos que novos sonhos nos salvem da pena deste estado dormente, mas nem sonhos temos senão crus, fracos e inúteis.
Mas há sempre um vento, um sol ou uma onda que deixamos que nos toquem, que aceitamos como um presente da vida e que mudam o valor, a cor e a substância de tudo.
De súbito sentimo-nos vivos de novo, reanimados por um choque de alegria inexplicável. Uma vida. Um toque subtil que nos desperta e nos faz lembrar que a vida é muito curta e que os barcos também naufragam no cais.
(publicado no jornal i - 26 de novembro de 2011)
foto cedida pelo amigo Marcos Sobral
Nos momentos de crise, todos nos agarramos ao que parece dar segurança.
Quanto mais difíceis são as conjunturas, mais a vertigem do erro se apodera da nossa capacidade de decisão. A responsabilidade de vivermos sempre no tempo, que pela sua essência jamais torna atrás, vai-nos preparando, melhor ou pior, para gerir os instantes mais exigentes. Muitas vezes fingimos e fugimos, acreditando em naturezas cíclicas e em prazos longos... o que está claramente fora da verdade.
Em circunstâncias difíceis, a qualidade das nossas referências é posta à prova. É tempo de experimentar o que prometeu aguentar-nos. Mas, descobre-se que quase tudo é embuste, que pouco há de verdadeiramente seguro. E é neste quase vazio que se revela a verdade: estamos sós e dependemos apenas de nós. Alguns entendem que se trata de um dom, outros de uma condenação. Uns sorriem, outros choram.
A liberdade é mais do que o poder de escolha, é agarrar a vida como matéria-prima e fazer com ela uma obra pessoal, algo que, mais que meu, sou eu. Eis o verdadeiro dom (talvez divino): ser livre. Poder dar sentido à vida, dando-lhe um ponto de partida, um rumo, um sustento e um verdadeiro fim.
A verdade só pode surgir num contexto de liberdade. Para que as coisas e as pessoas se revelem, é preciso deixá-las ser. Só quando se dá liberdade se pode esperar verdade. Afinal, a essência da verdade é a liberdade.
(publicado no jornal i - 8 de outubro de 2011)
foto cedida por Francisco Piqueiro
Muitos são os teóricos que investem todo o seu esforço em tentar explicar porque existe mal no mundo. Os resultados são controversos e obscuros. O que daí resulta? Nada.
É claro e simples: o mal existe. Nasce na essência do nosso egoísmo e está na raiz da fome, doença, ignorância, mentira, injustiça, guerra... É necessário um verdadeiro exército de gente disposto a aventurar-se na luta contra o mal, com humildade, e tendo o amor como espada.
Há perigos. O de nos deixarmos acabrunhar pela grandeza do mal face à pequenez dos resultados obtidos; o de sermos poucos – o que, se pode animar-nos ainda mais, pelo heroísmo redobrado que protagonizamos, também nos pode atingir fatalmente o ânimo, por sentirmos que afinal aqueles que julgávamos serem os nossos, não o são.
Muitos julgam que lutar contra o mal implica o sacrifício da própria vida, uma espécie de dor consentida, assumida, quase desejada, um martírio. Não o é. O sofrimento não é redentor por si, apenas o que conseguirmos fazer através amor o é.
Importa lembrar que a crise de valores começou há já muito tempo, atingindo primeiro os mais fundamentais, o amor e todos as suas derivações. Hoje, acreditar que há quem precise de nós, ir ao seu encontro, ajudar, é quanto basta para se produzir um milagre.
Mesmo que não acredite em céus, infernos e paraísos não pode negar a evidência de que um homem pode ser um anjo para outro homem. Se isto é claro e o fará feliz, por que espera?
(publicado no jornal i - 19 de novembro de 2011)

Em tempos difíceis como os que estão para vir, importa analisar com todo o cuidado que caminhos há, qual deles será escolhido pela multidão, e se há algum para nós, ou se teremos de o fazer.
Na dúvida, que a vida seja uma história de amor. Significa isso que cada um de nós se dedique inteiramente a cumprir um desígnio, a percorrer um caminho difícil ou a talhá-lo. Se todos compreendêssemos que a vida só assim faz sentido, preferiríamos qualquer coisa a desperdiçar uma só das oportunidades únicas e quase infinitas que cada dia nos chegam generosamente às mãos.
A multidão, que respira o mesmo ar dos que vivem a vida, nada de bom consegue trazer ao mundo – consome-o apenas de forma egoísta; e ainda se queixa de por aqui haver tão pouco. Chama nomes a quem vive e cria o bom, o belo, e nem se dá conta de que mesmo uma vida sem sucesso, se vivida apaixonadamente, vale mais que mil das normais.
O amor anima os homens e fá-los voar, porque lhes dá condição quase divina. O perdão de que são capazes torna-os leves. Não se trata de gente diferenciada, a sua nobreza não salta à vista. É preciso muito mais que uma simples troca de palavras para distinguir quem neste mundo tem uma existência plena. Só quem vive com amor vive uma vida inteira.
Mais perto do fim, quando a morte vier interromper-nos, aproveitaremos para descansar um pouco e seguir adiante, sem deixar de sorrir.
A vida é uma viagem marítima. Uma navegação. Uma descoberta. Um naufrágio. Se a conquista do mar antecede a do ar, supera-a em engenho e capacidade de inspirar metáforas da existência... O mar é tomado como uma entidade em si, um ser ora agradável, ora monstruoso, que embala mas também traga, que protege mas também castiga, que alegra mas também mata. Quase deus.
Os nautas (homens do mar) reconhecem humildemente a sua condição finita, ao mesmo tempo que a sua ousadia certamente assombrará o infinito mar revolto. Só a inteligência incorporada na coragem torna possível a conquista de qualquer caminho imaginável... Não há tempestade alguma, podem até as águas andar de gravidade trocada a cair, como se o mundo se houvesse virado ao contrário – um verdadeiro nauta não se deixa acobardar, por maior que seja a desproporção de grandeza entre ele e o mar... Por maior que seja o seu medo, o nauta supera-o.
A alma, que é de condição diversa da do homem a quem segura os pés, admira com imperturbável paz tanto a vida daqui como a do outro mundo. O oceano é-lhe intimamente familiar.
Neste mar de vida, cada um de nós apenas se tem a si próprio... por maiores que sejam as ilusões do contrário, estamos longe de ser com os outros. Somos mais para a morte que para o próximo.
Por vezes amamos e perdemo-nos para sermos quem somos... e tantas são as perdas que, mais do que estarmos perdidos, somo-lo, perdidos, perdidos e sós, sem nau... somos náufragos.
Todos.
(publicado no jornal i - 10 de junho de 2011)
Hoje sabe-se quase tudo, mas ignora-se o importante.
Acumulamos saber ao mesmo tempo que nos afastamos da sabedoria. A sociedade actual está perante um problema gigantesco: Como gerir o volume monstruoso de informação? como distinguir o importante do secundário?
A sabedoria é a compreensão profunda da existência humana. Resulta, na maior parte das vezes, da experiência dos anos, de uma postura corajosa na vida e da capacidade para refletir até mesmo, ou principalmente, o óbvio. Não tem fórmulas e não se deixa anunciar a vontades de satisfação instantânea.
O saber, se bem integrado, contribui para o desenvolvimento do mundo, mas se o deixarmos caminhar sozinho, transforma-se então num tirano autocrático que tenta envenenar as raízes da sabedoria, porque não a suporta num lugar que julga seu.
Hoje, mais do que nunca, sob pena de nos afogarmos no mar das informações, vale a pena pensar e distanciarmo-nos do momento, do público, do concreto, e tentar descobrir o sentido que subjaz a tudo o que nos rodeia. Porque o nosso mundo tem uma linha, uma direção, um sentido.
Ao destaparmos a verdade, ilumina-se-nos o caminho.
Depois há a fé que, nada acrescentando ao saber, orienta e anima a sabedoria. Não é informação, apenas uma quantidade ínfima da Verdade num salto que nos revela que, aqui e agora, é possível viver numa serenidade intemporal. Num mundo que já consegue comunicar quase tudo recorrendo apenas a zeros e uns, o importante é também muito simples, cabendo bem no mais pequenos dos grãos de areia: Deus, que é Amor, também vive aqui. Connosco.
(publicado no jornal i - 5 de novembro de 2011)
ilustração daqui
A vertigem desta tamanha incerteza em relação a um futuro assustadoramente em aberto aflige muitos. Mas há quem, apesar de tudo, assuma a missão de ser ele próprio a definir a sua vida e assim cumprir voluntariamente a mais bela das tarefas, traçar e cumprir um destino rumo à felicidade. Nem sempre com sucesso, mas fracassar nas primeiras batalhas resulta muitas das vezes em sábias lições de humildade, que potenciam uma vitória final na guerra entre o que somos e o que devemos ser.
Não há conclusões senão no fim, quando, depois da morte, já sob outras regras, pudermos ver a obra de que fomos autores: um eu, completo.
Acredito que a vida faz sentido, numa verdade tão subjectiva quanto profunda. Acredito que não venho do nada, nem vou para o nada. Acredito que Alguém me concedeu pessoalmente o mais valioso dos dons, a vida livre. Acredito que, de forma simples, decisão a decisão, sou eu que vou fazendo o meu caminho, a minha verdade e a minha vida.
(publicado no jornal i - 29 de outubro de 2011)
ilustração do meu amigo Carlos Ribeiro
O habitual barulho do mundo faz-nos pensar que o silêncio é um abismo escuro e disforme. Um nada que é preciso preencher. Na nossa sociedade, as palavras chovem... já muito pouco se consegue conter. Parece não haver valor algum no segredo, no pudor, na paciência... numa lógica consumista, parece que algo só tem valor se e quando é dito. Guardá-lo para mais tarde, para melhor ocasião ou para outra pessoa é visto como... um disparate de atrasado.
Mas será que há algo que merece realmente ser expresso? Afinal, o sofrimento e o contentamento preferem o puro silêncio da interioridade... onde pacientemente se desenvolvem sem qualquer ruído ou melodia. A dor de uma ausência rivaliza em intensidade com a alegria do amor, mas uma e outra nunca se deixam verdadeiramente dizer nem por palavras, nem por coisa nenhuma. É preciso ser muito forte para viver em silêncio, numa coragem sublime da esperança... porque se a palavra pronunciada vale menos do que a que se conseguiu segurar, ainda mais valor se acha na que a confiança não deixou sequer brotar no interior...
O silêncio é o contraveneno de todos os egoísmos...
Haverá, no entanto, uma medida justa entre a palavra e o silêncio. Pois se há quem se mostre habitualmente calado e passe a vida a condenar, ruidosamente no seu íntimo, os outros; há também quem fale... mas respeitando o silêncio – porque não diz coisas inúteis. Num caso e noutro, é sempre o silêncio que tem a última palavra.
(publicado no jornal i - 27 de maio de 2011)
foto daqui
Vivemos num mundo onde morrem de fome mais de 30 000 crianças por dia. Não se trata de uma doença complexa. A sua prevenção e tratamento são conhecidos desde a pré-história! Tudo mudaria se o cidadão inteligente e consciente, como imagino o leitor destas linhas, se obrigasse a agir em favor de quem, seu igual, neste momento vive numa privação de bens essenciais.
Há pobreza e fome em Portugal. A economia, que devia ser a gestão dos recursos de acordo com valores como a justiça, a solidariedade e a paz (aquela de quem se pode dar ao luxo de se preocupar com outras questões que não a mera sobrevivência), acaba sempre por se materializar como uma forma mais ou menos eficaz de perpetuar uma sociedade desigual, onde o que importa é gerir uns tantos valores que se acredita estarem acima do da dignidade humana.
Na mundo de hoje, cada um só pensa em si mesmo e vê-se a pobreza como um inferno pessoal que se deve evitar a todo o custo, mas nunca a do outro, dado que vivemos sempre e só na primeira pessoa – do singular. Do outro, ao limite: pena. Mas pena não chega, não fazer nada por quem de nós precisa é e será sempre uma monstruosidade.
A humanidade, o amor e a felicidade não se cumprem com declarações, exigem obras. Os mais pobres são quase sempre generosos uns com os outros, talvez porque se dão conta de que aquilo de que o seu próximo necessita para sobreviver não lhes faz falta.
(publicado no jornal i - 22 de outubro de 2011)
imagem daqui
Quem se questiona sobre a própria morte abre um caminho que muitos teimam em considerar inútil. Afinal, se o que importa é viver, de que valerá pensar na morte?
Todos, sem qualquer exceção, morreremos. Cada um de nós será protagonista da mais verdadeira e autêntica de todas as mortes: a nossa, perto da qual todas as demais não nos afetam senão como ensaios...
A morte crava no fundo de cada homem a questão do sentido da vida, ainda que muitos vivam como se ela nem provável fosse! Adiam decisões, tarefas, empenhos, palavras, atos... para um depois, como se este depois fosse tão certo como o antes. Não é.
Pode o inferno ser um lugar antes da morte, um estado de alma de quem, tendo tido uma vida à sua disposição, escolheu adiar o importante, caindo na fatal rotina das insignificâncias. Depois, num já tardio momento, haverá tempo para contemplar triste e demoradamente a reles vida que terá, eventualmente, sido capaz de escolher. É aqui que, para muitos, neste tarde demais para voltar atrás, é tempo de sofrer. Sem desculpas. Apenas a justa culpa do voluntário infeliz.
Tão intransmissível como a morte é a felicidade. Mas se morrer é certo, ser feliz não... A vida é irreversível. Cada dia a mais é um dia a menos. E se o preço da passividade é superior ao do erro, devemos arriscar a vida pela felicidade, antes da morte, e antes do inferno do tarde demais. Obrigados a ser felizes, tratemos de não ir para o inferno. Com urgência.
(publicado no jornal i - 9 de julho de 2011)
foto cedida pelo amigo Marcos Sobral
Depois de ter sido apresentado e de ter também já publicado aqui um primeiro texto, julgo que é hora de escrever qualquer coisa próxima de uma breve introdução na primeira pessoa.
Gosto de Filosofia, onde prefiro o simples.
Não sou capaz de fazer análises em cima dos acontecimentos, pelo que não devem esperar de mim leituras perspicazes sobre o que possa estar a passar-se. Sou mais de esperar, pensar e depois tentar (d)escrever o percurso por onde andei e até onde, eventualmente, possa ter chegado.
Do Corta-Fitas tenho ideia de ser um espaço onde se divulgam ideias que outros (muito pouco tempo depois) replicam sem cuidar de citar. Mas é verdade que o plágio é uma forma (muito discreta) de elogio.
Não me incomoda nada o novo acordo ortográfico e, como soube que demoraria a mudar, comecei a tentar respeitar a regra há já muito tempo. Algumas vezes falha!
Hei de publicar aqui textos que foram saindo noutros lugares distantes como o papel. Julgue que colocá-los ao dispor dos leitores do Corta-Fitas, não sendo despropositado, talvez lhes dê mais valor a eles do que eles ao Corta-Fitas! De qualquer forma, arriscarei.
Sinto-me obrigado a agradecer a todos os que aqui passam, aos que escrevem, aos que leem, aos que comentam e mesmo aos que, se preciso for, negam 3 vezes (ou mais) alguma vez ter visto o que aqui se faz. Todos, sem exceção, fazem deste blogue um dos melhores.
Obrigado.
Este mal enraíza-se na ideia de que somos pobres. Mas o erro está em assumir a simplicidade e a pureza originais como carências. Um dia qualquer, sem por quê, caem as máscaras que nos conservam à superfície do que ditamos ao mundo... e caímos no fundo do aquém disfarce. Nós.
Por breves momentos sofreremos uma espécie de deslumbramento, habituados que estávamos à meia-luz. Mas rapidamente descobrimos que ainda há tempo para sermos felizes.
A humildade é a forma da autenticidade celebrar a verdade.
A verdade apanha-nos. Será só uma questão de tempo até que se descubra que afinal este mapa-múndi pelo qual temos orientado a vida foi inventado e pintado por cima do verdadeiro... Felizmente, na maior parte dos casos a tinta que utilizámos é de qualidade equivalente ao real benefício da produção... e percebemos então que ser feliz não é algo que se encontre no final de um qualquer caminho, mas uma forma simples de caminhar. Uma forma simples de ser. Sendo – simplesmente...
(publicado no jornal i - 1 de abril de 2011)
imagem daqui
Muito nossos
Outros blogs
Blogue da Real Associação de Lisboa
Centenário da República - Blogue
O Amor em Tempos de Blogosfera
This is not simply a metaphore
Links úteis