Não estou, de modo algum, habilitado para saber se se fez justiça; ou se, meramente, se temeu cometer uma injustiça. A população de Lousada e arredores, muito mais convicta, quis aplicar cá fora a pena que lá dentro seria sempre inviável - o linchamento do arguido. Valeu-lhe a Guarda. Certo é, também, a sua vida nunca mais será a mesma. Uma outra forma de castigo, afinal.
Obviamente, venho referindo o célebre caso do desaparecimento do miúdo Rui Pedro, hoje (se vivo for) um homem... - Que homem, meu Deus! - perguntar-se-ão minuto a minuto, segundo a segundo, a sua Mãe, os seus familiares.
Esse o inocultável lado do drama. Porque o jovem pode mesmo já ter morrido - pode mesmo, por isso, já não sofrer. Mas a Mãe está cá (hora a hora, minuto a minuto, segundo a segundo...) suportando a angustia com que acorda de amanhã e adormece à noite.
Os entendidos em Psiquiatria são unânimes em relevar a importância do aparecimento: vivo, ou mesmo morto. É que a dúvida desgasta. Mata. E a certeza pode doer - e muito - mas tem pela frente um luto que se inicia e, ora mais cedo, ora mais tarde, cessa. Deixando a vida prosseguir.
De algum modo, esse um ponto em jogo ainda. A condenação do arguido não restituiria o filho aos seus progenitores. Mas teria, decerto, uma influência benigna, imprescindível, no seu estado de espírito. Muita fé foi depositada nesse passo que não chegou a ser dado.
A Imprensa retrata a Mãe do Rui Jorge, desde o seu desaparecimento até ao presente. É impressionante medir nas rugas e naquela expressão desamparada o que terão sido, para a senhora, estes anos em que nunca desistiu de rever o filho.
Termino como principiei: não disponho de meios que me permitam sequer emitir um comentário critico sobre o acordão lido ontem. Mas compreendo a revolta das gentes. Aliás, uma revolta irmã gémea da insegurança geral em que o desfecho do processo se traduz.
Uma vez mais - fundadamente ou não - as instituições judiciais deram passos atrás relativamente à confiança que deviam merecer dos cidadãos. Em capítulos em que todos são especialmente sensíveis - esses que versam os nossos filhos.
Os foliões principiavam a chegar à mansão imensa, encasacados, esfregando as mãos, os pés bem carimbados no chão. Um frio dos diabos. Era Carnaval. Urgia divertirem-se. Obrigatóriamente, por defenição da efeméride. Um chão de tijoleira esperava-os, numa sala do piso da entrada. E assim se foi à música, aos primeiros passinhos de dança. Muito conversada, pouco abanada, menos convincente. Ordenando ao tempo não se demorasse a passar.
Os ritmos - irrepreensiveis. Próprios da geração que ali se juntava. Desses que deixam saudades a qualquer um. Mas a coisa continuava bastante de falatório, uns meneares, uma ou outra senhora mais habilidosa no saracoteio.
E o relógio, pasmão calaceiro, com os ponteiros na ponta do chicote. Sais, ou não sais, do sítio!, pareciam atirar-lhe à cara.
Até, finalmente, a ceia ser servida no andar cimeiro. Foi a debandada. Na sala ao lado, uma lareira acesa. Nem mais - uma crepitante lareira de Carnaval alimentada a serpentinas e outras peripécias entrudescas.
Foi assim. Um tinto muito razoável, os salgadinhos da praxe e os doces. Mais a bôla de carne. E as novidades em dia, desde antes do 25 de Abril até hoje. Sempre a dois palmos da lareira nesse espaço amplo onde todos cabiam em cadeiras ou, de esguelha, nos seus braços. Mas sem sofrer quaisquer horrores siberianos.
Para o ano será em Torres Vedras ou na Mealhada. Apertando o termómetro, em Loulé. Onde soubermos a cultura brasileira local sambe desnudada. Mesmo porque 2013 será já um ano de glória e o Governo, consabidamente, não questionará tolerâncias de ponto.
A Morte, se não for zarolha, é miope. De óculos na ponta da sua magreza mortal. Longe dos raciocínios, alimentada no deleite dos rancores, magra, escanzelada, sem leite na teta. Não se sabe se é sangue, se é avidez de sangue, se tem veias e algo corre nelas. Por Satanás e os mais mafarricos que povoam a existência (afinal não descontraída) dos mortais.
Mas, sobretudo, a Morte tem muitas caras. De Woody Woodpecker, tagarela, de Noite das Bruxas, mão estendida e ameaçadora. Com dentes adiantados, caninos ferozes de Drácula ou de lobisomem... No som cavo de uma peça sinfónica, na alegria da cantarolice. É isso a Morte: o imprevisivel. Uma cadência diária em que o mundo virtual não escapa. É o Mal com poder e vontade. Uma mulher em que ninguém pega e de quem todos se afastam. Com mau fígado e fétidas entranhas.
Não é o fim do Carnaval nem o início da Quaresma. É, simplesmente, a Morte. Sempre sozinha, noites fora. A fatalidade - ou o rafeiro que, de nariz no chão, persegue a maldade. Um zombie, se recordarmos o videoclip de Michael Jackson. Ele próprio uma vitíma sua. Há quem diga, quando sonhava com biquinis brasileiros. Disso não tenho a certeza. Sei somente que a Morte ecoa todos os dias.
Magra, escanzelada e de luneta. E de linguagem muito abaixo de qualquer carroceiro.
«(...) um rito que perduraria décadas a fio - o das procissões petendiam pluviam, a população do Porto vindo à beira-rio, em períodos de seca, esperar o Senhor Jesus Crucificado que desembarcava e depois percorria a cidade, todos em prece por abundante dose de chuva e muita fartura dos lares. (...) numa dessas místicas manifestações, os Cónegos da Sé se apoderaram da imagem que não mais sairia do Porto. Estalou a guerra entre a Confraria do Senhor Jesus do Além (...) e o Cabido (...). O Bispo arbitrou caseiramente, decidindo que o ícone ficaria na Sé Catedral. (...) "os de Gaia", despojados e injustiçados, retaliando, não mais consentiram que a procissão se realizasse. E foram encomendando a escultura de imagem substituta.
Esta viria também a presidir a procissões fluviais, anos depois, mantendo-se, porém, sempre a bordo. Pertinente medida cautelar! O Senhor Crucificado embarcava no cais da sua capelinha e descia o rio até S. João da Foz, mas navegando sempre ao largo, atirando bençãos aos devotos nas margens. Depois regressava.
(...) a capela seria reduzida a escombros. Mas em 1877 um novo templo é levantado, em ponto mais alto, fugindo aos malefícios das cheias. (...) aprazível é a panorâmica que se desfruta do pequeno adro fronteiro: a ponte e os seus dois tabuleiros, os Guindais e a muralha fernandina, adiante a Ribeira e a curva do rio nos Bacalhoeiros (...). Nova capela, nova Confraria do Senhor de Jesus do Além.
(...) recomenda-se somente que antes de iniciar a travessia do rio, olhe para um lado e para o outro, não vá ser colhido por uma qualquer lancha supersónica. que decerto não lhe será familiar. No mais, venha e desembarque em Massarelos, na Foz, onde quiser. Venha e traga consigo a frescura das coisas simples e bonitas e faça chover a Graça da Fé sobre a aridez dos nossos espíritos».
(Vd. A Capela do Senhor Jesus do Além, na escarpa da Serra do Pilar, in O Tripeiro, 1994, pág. 272 e ss).
Multiplicaram-se os avisos dos Bombeiros e mais entidades: não há meios financeiros que custeiem o transporte de doentes, pelo menos os de não gravidade extrema. Na sábia asserção de que este tipo de carências é sábio motivo para protestos e greves.
É o diabo!!! Uma doença tem, pelo menos, de render algo a alguém. Não da forma prevista pelo Governo. Quero dizer - legislar sobre um regime de "Viaturas de Transporte Simples de Doentes" é grave. Atentatório e doidivanas. A Liga dos Bombeiros, pelos vistos depauperados, sem tesouraria para esse tipo de afazeres, protesta - a medida "é excessiva permissiva". (O que não seria, não fossem os rapazes maioritáriamente voluntários...). E a Associação Nacional dos Transportadores em Automóveis Ligeiros" (ANTRAL), mais acessivelmente, os táxis, insurge-se e iça o labéu da "concorrência desleal"!
Em suma, o que pesa menos são as doenças dos doentes. A guerra - agora declaradamente - não é contra a falta de assistência aos necessitados, mas contra a ausência de subsídio beneficiando os pretensos auxiliadores dos ditos. Para que lado verte a mama, afinal?
Os taxistas já prometeram protestar na rua. O instante de Mangualde - como se meia-dúzia de apupos valesse algo - ameaça ecoar. Ecoaria sempre, mesmo que um doente disfarçado emergisse, de repente, como um assaltante. Ninguém está contente, todos pensam em si mesmos.
É tempo da Direita não partidária voltar à fala. Em nome dos portugueses e da sua saúde, que exige rapidez e minimazação de custos.
Era (ainda deve ser...) uma querela constante entre os famalicences e os tirsenses. Famalicão ou Santo Tirso? Qual a mais importante? Havia argumentos para uma longa noite de despique.
Mas, no fundo, nós sabiamos que eles tinham o Clube Thirsense ( a rimar com o Portuense, e o funcionário Sr. Figueiredo, mal-encarado, também ele fardado, de laço ao pescoço, a disponibilizar o bilhar horas tardias), o Convento de S. Bento e, sobretudo, as águas vastas do Ave, uma ponte considerável logo à entrada da vila, hoje cidade, como mandam as regras autárquicas deste curioso País.
Dava-se o caso de a pesca ser lá. Em 1976, o transporte era a boleia, com as canas e os mais atavios, um dia nas margens do rio, e umas trutas de recompensa. Um-zero para Santo Tirso.
Depois, Portugal deu o seu melhor. As fabriquetas multiplicaram-se. Fugiram, quando não morreram envenenadas, as trutas. E o Ave tomou as cores das águas de limpeza de um tonel, montes de espuma, a modos de gel de banho, uma aqui, outra mais além, a terceira vindo já também. O dia todo.
O rio perdeu a vida, morreu, vazadouro imenso, e cheirava mal.
Famalicão- dois; Santo Tirso - um.
E a gente ria. Em Famalicão não existia semelhante esgoto a céu aberto...
Outros anos por cima. Os anos da "crise". Cerca de 200 tinturarias que impolutamente esgotavam para o Ave faliram. O rio tem recuperado as cores naturais. Dezenas de pescadores voltaram às suas margens. Sinal inequívoco...
E o mais extraordinário - há gaivotas em Santo Tirso. A umas dezenas de quilómetros do litoral.
Rendo-me. Sem lixeiras à vista, as gaivotas significam peixe. O que comprovarei muito em breve. Se não der mais, continuem os tirsenses a dar peixe.
A História regista, pela primeira vez, três portugueses, em simultâneo, integrando o Colégo Cardinalicio. São eles, D. José Policarpo, D. José Saraiva Martins e, agora, D. Manuel Monteiro de Castro. Estes dois últimos residindo no Vaticano.
É seu múnus -de D. Manuel Monteiro de Castro - tratar dos "casos do foro interno da consciência". Questão não de somenos importância, penso eu.
A Imprensa não deixou o facto passar ao largo e entrevistou-o. Como encararia o novo Cardeal as suas funções?
Como uma honra, antes do resto. Uma honra para Portugal e para si mesmo, humildemente à espera que lhe dessem ordem de retorno à terra, septuagenário que já é. Mas também com a visão dos tempos. De um Passado atroz, do Presente dificultoso e do Futuro feito de esperança.
Disse: "Nós fomos grandes quando a formação religiosa era boa. E tivems problemas em Portugal quando quiseram acabar com a Religião (...). Os Governos que entraram e procuraram acabar com a Igreja e com a Religião, foram esses que nos deram problemas e foi aí que o País baixou".
Evidentemente, a mensagem tem um sentido histórico. Ultrapassado? Pois está bem. Nenhum espírito avisado assim o crê. A guerra republicano-maçónica dirigida às instituições espirituais - mormente a Igreja Católica - é um facto actual e o recém-Cardeal quis apenas ser diplomata.
Porque o abate de valores morais prossegue. Em nome de uma pretensa liberdade, sem eufemismos traduzida em vacuidade.
Sentado à banca da minha página FB, onde diariamente vou vendendo o meu peixinho escrito e fotografado, lá assisto ao crescendo de grupos monárquicos, tantos deles a convidarem-me para aderir e participar.
A divulgação do Ideal está indubitavelmente garantida. Restará saber em que moldes e, sobretudo, se em conformidade com uma estratégia coerente e eficaz. Tendo por assente que o que é... - é, e ninguém se arroga o poder ou a possibilidade de controlar o incontrolável. Cada pessoa é um potencial criador de um grupo facebookiano. Aberto ou fechado.
E vai-se detectando uma certa propensão para a génese de grupos pressupondo amizades (não virtuais) ou mesmo a proximidade regional, por muito que as redes virtuais esbatam as distâncias quilométricas.... Quando não - e tanto à nossa moda - a dissidência, as desavenças inter-membros. Episodicamente, fui assistindo a discussões públicas sobre temas que, mesmo em privado, o sentido da conveniência ou do ridículo deveria evitar e calar. Mas, enfim...
... Enfim - já se percebeu a tendência: os grupos desdobrar-se-ão em grupos, as páginas em mais páginas. A sugestão de uma entidade congregadora nem é audível neste fervilhar activíssimo dos comensais monárquicos do FB. Mas nada disso terá a mínima importância se na hora da verdade - a hora em que o virtual deverá transfigurar-se em real e a "rua" chama por nós - nada disso importará, dizia, se as letras escritas derem o lugar às gentes suas autoras e as manifestações surjam nas datas e pelas razões adequadas. Apresentando os números registados nas páginas e grupos, mais os amigos adicionados pelo caminho.
Todos indignados com o estado a que a República conduziu Portugal.
Retratos, enfim. Péssimo sintoma seria, por isso, o seu perecimento. Qual o estado, perguntaríamos, das paredes entre as quais as vidas jogam às escondidas?
Porque a novela busca isso mesmo: mostrar o lado oculto das vozes, esses timbres mais roufenhos de olhar turvo. O lado tantas vezes inconveniente, escapadela permanente dos baús das almas dúplices. Ainda assim, recorrentemente, entre as muitas facetas ensaidas o lado mais genuino da nossa quotidiana ópera bufa. Dispensando os nomes de personagens, deixando-as livres de se identificarem pelos seus gestos.
A novela não pára enquanto houver um alento de vida. E de olhares, de sons, de sentimentos e argumentos. Isso mesmo: de poder de observação brocando vernizes, ditos de circunstância, vacuidades e opacidades. Em todas as bifurcações, quer pelos trilhos da agressividade, quer entre os lençois de amor e linho.
Assim se teme a novela. No que ela tem de espelho. Quando bem podia ser um confessionário... acusam-na de sala de audiências de julgamento!
(Vejam-na antes como uma mesa de amigos no café. Em que a própria vítima do conto do vigário se ri da sua desdita e se despede do empregado com uma gorjeta. Claramente porque a novela tem imenso de autobiográfico.).
Timor Lorosae é credor de Portugal em, sem dúvida alguma, uns largos milhares de vidas dos seus cidadãos, perdidas em guerra civil ou na sequência da invasão da Indonésia. Porque, tal como nas mais provincias ultramarinas, os nossos governantes abrilinos nenhum escrúpulo tiveram em passar o testemunho a movimentos de inspiração (e prática) comunista. No caso timorense, a FRETILIN. O resto é demaisadamente sabido para que necessário se torne adiantar mais pormenores. Foi assim, ante a distracção de Lisboa e a ignorância do País em geral. E entre as raras vozes que levantaram o seu protesto, à frente delas todas, esteve a do Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, o actual Chefe da Casa Real portuguesa.
Apenas o massador massacre do cemitério de Santa Cruz obrigou - pois que remédio! - as entidades oficiais a tomarem as "devidas" posições, obviamente de natureza diplomática. Felizmente para Timor, a Austrália está perto e não alinha em indecências...
Os anos passaram. E os poderes públicos timorenses vieram finalmente reconhecer quem, desde os "acampamentos" de refugiados no Vale do Jamor, sempre estivera do seu lado. Discretamente, desinteressadamente, empenhadamente.
De modo que, na pessoa do seu representante, a nossa Casa Real é hoje cidadã de Timor. Um ínfimo País? Perguntem a Soares ou a Sampaio se não gostariam de receber honra idêntica de S. Tomé e Princípe.
Quanta verborreia, que imensa comitiva Pacífico fora, se Ramos Horta se lembrasse de colocar ao peito de algum dos nossos Presidentes a Ordem de Mérito de Timor-Leste, atribuindo-lhe, concomitantemente, a nacionalidade deste País. Mas não, a mercê recaiu sobre SAR o Senhor D. Duarte. Uns malandros estes timorenses!
E uma demonstração evidente de que a Coroa portuguesa não perdeu prestígio junto dos EStados lusófonos, tal como entre a maioria dos nacionais.
O terreno foi disponibilizado e houve logo quem pegasse nele. Gente urbana, evidentemente. Não falham um fim-de-semana, chova ou faça sol. A par com as iniciativas oficiais. "Horta à porta", li hoje nos jornais... Respeitável iniciativa da Câmara tripeira. Com uma procura altamente excedentária em relação à oferta, na área do Grande Porto. Mais de 1900 pessoas aguardam a sua oportunidade, um rincão de terra para cultivarem e assim se defenderem da carestia de produtos hortícolas. Anseando pela agricultura biológica, por uns metros quadrados de segurança própria.
(A ideia não é nossa. Praticada no Norte da Europa, sempre a defendeu cá o Arq. Ribeiro Telles. Já há muitos anos...).
Com a famigerada crise, centuplicam os pedidos de um espaço, um vagar para feijões e hortaliças, sobreviver é a palavra de ordem. Onde já se pratica a troca directa.
Assim em Braga (Tibães), Guimarães, Aveiro e mesmo Lisboa (mais precisamente na Quinta da Granja, a Benfica).
Em V. N. de Famalicão, o arrendamento de pequenas parcelas para hortas há muito está em funcionamento. O sacho faz a felicidade dos utentes, descomprime-os e enche-lhes a banca da cozinha. Força nisso!!!
(O espaço que ocupo, cedo-o. É minha intenção subir no mapa até aos Arcos e à Barca. Corricando os afluentes do Lima, à cata da truta fario. Vai não vai, enriqueço no mercado das vilas centro-minhotas. Se Sócrates me aparece pela frente, vendo-lhe um ciprinídeo como fosse um salmonídeo. Ele não perceberá, mesmo engasgando-se em cada espinha que lhe entre na boca.
Para ladrão, ladrão e meio..., diz usualmente a nossa gente).
Talvez a falha esteja nos seus consultores de imagem. Mas algo há a mudar. Deixemos lá a camisinha branca e aquele nó enchumaçado e garrido ao pescoço, o fato de bom corte e melhor marca. Não, não é assim. Tragam o tweed espinhento e gasto, reforçado nas cotoveleiras; umas cores mais garridas e os colarinhos enrolados nas pontas, trapalhões. E, é claro, uma gravata de poliester.
Depois despenteiem-no. Criem-lhe umas entradas no cabelo. E ensinem-no a gesticular desordenadamente, com o seu quê de insanidade mental. Em altos berros, sempre.
Verão o resultado.
O nosso 1º Ministro, comprova-o a História, de imediato adquirirá autoridade moral. Será ouvido da Esquerda à Direita. Dos jovens promissores professores universitários, prenhes de esquerdisitas ideias salvíficas, aos "precários", passando pelas femininistas e pelos betos, pelos sindicalistas e pelos trotskistas. Ninguém mais quererá discutir o aborto ou o acordo ortográfico. Apenas o Benfica e o Sporting, enquanto vagarosamente (mas entusiasmadíssimos) descerão a Avenida da Liberdade, palco de todos os patriotismos congéneres. Seja por convicção, seja por medo de que alguém note a ausência, serão milhares, serão milhões. Todos comparecerão e se disporão à perda do feriado. Já agora - e uma vez as multidões levadas ao rubro - que fique o Carnaval para folgança, por troca com o 1º de Maio. Aliás, com muito maior carga simbólica para comemorar mais este passo rumo à vitória da batalha de produção.
Trabalhem, Senhores Consultores. Se querem Pedro Passos Coelho governando em apoteóse e a Pátria com ele. Sem excluir a Associação "25/Abril", Louçã e o sempre atento Rosas (não vá Salazar ressurgir...), o PCP em peso, Seguro eufórico e Arménio convicto, todos de cravo vermelho ao peito, em memória do Futuro e do nosso inesquecivel - perdão, ia dizer Mao Zedong - camarada Vasco Gonçalves.
Crê-se vagamente ser um noctívago. Uma variedade politizada do Homo Tecnologicus. Feições urbanas, crâneo escassamente pelado, a barba por norma descuidada. Assim hitleraniamente desenhado, dirá ele.
O Zé da Esquerda vê o mundo pelo ângulo mais esconso da sua janela ou pela informação que recolheu na Internet. Esse "diabólico instrumento", alvitrará, muito cínico. Mesmo que tenha feito o inter-rail, que os familiares meios financeiros normalmente lhe proporcionam. Mas não, seguramente não foi em tais lances de aventura se afeiçoou às suas nobres causas e adquiriu esse acrisolado amor pelos desafortunados, e o seu ódio de estimação ao milho transgénico que destroi.
É na rua - na capital do Reino - que o Zé da Esquerda, face a face com o Corpo de Intervenção da PSP, conquistará o seu estatuto de revolucionário. À boleia do sindicalismo, obsoleto, sem dúvida, mas consonante com o seu slogan contra os "trabalhadores precários".
(Que grande confusão!!!).
O facto é que o operariado metalúrgico e os trabalhadores de enxada na mão não o interessam. O Zé da Esquerda abomina esses instrumentos calejadores, tanto quanto acaricia o teclado do computador. Nada abaixo da categoria de investigador, professor universitário. Por isso andou estudando, mesmo eventualmente com consciência da nenhuma saída do seu curso de eleição.
Assim enjeitando o mundo rural e outras subalternidades (onde os seus congéneres se cosmopolitizam de rabo-de-cavalo, até para pirracear o Senhor Abade, desditoso clérigo), o Zé da Esquerda rimbomba sobre a Direita betinha e ergue aras à causa da Modernidade. Vêmo-lo nas manifestações de rua a favor da interrupção voluntária da gravidez (vulgo aborto) e do casamento entre pessoas do mesmo género (o tal casamento gay) e contra as touradas, essa barbárie.
Sempre com aquele seu eterno sorriso de superioridade e de (é justo reconhecê-lo) complacência para com os ditos betos da Direita. Conquanto não calhem mais para o que eles apelidam de marialvismo. Aí o caldo transgénicamente entorna e o Zé da Esquerda é mesmo capaz de intervalar na sua fé democrática. Para, uma vez bem enxovalhado o - beto? marialva? - logo voltar à sua pacifista condição de modernista e defensor das minorias.
Em longas tardes de computador e Bob Marley. It´s de revolution, man.
É o homem-estátua com mais anos de serviço em Portugal - um quarto de século, nem mais, quase metade da sua vida.
Nascido em Pisões, Alcobaça, viria a estudar Geologia na Lusa Atenas, curso que problemas graves de saúde não deixaram concluir. A meditação e o ioga fizeram parte da terapia recomendada, e vieram a tornar-se preciosos auxiliares nesta arte que António Santos iniciou em Barcelona e prosseguiu no Porto (Praça da Batalha), Coimbra e Lisboa. Onde o encontrei, em plena Rua Augusta.
Não terá sido uma vida fácil, como todas as dos pioneiros. Foi detido pela polícia, foi apupado, desprezado. Mas detém quatro recordes de imobilidade no Guiness. Exibe-se por todo o Mundo e já só volta a Portugal depois de bem forrar os bolsos em capitais europeias diversas. Afirma públicamente a sua satisfação com esta sua levitante carreira. Não deixa de ser curioso...
Senti-me hoje um Passos Coelho famalicence, o 1º Ministro lá da minha freguesia, eu e ele alvos da assanhada Esquerda moderna, defensora dos direitos dos cidadãos, eterna guardiã do Progresso e da modernidade. Essa Esquerda que desde 1789 não é antiga nem mutável, sempre moderna e bem falante.
Passos recomendou aos portugueses pouca pieguice, terrível injúria, com incalculáveis consequências nefastas, não fora a heróica intervenção de Zorrinho, Louçã, Arménio e não sei se mais algum cavaleiro dessa Távola Redonda, de espada em punho, exigindo desculpas, afagos ao povo ofendidíssimo. Mas sem um cêntimo para uma ambulância que transportasse os mais contundidos na refrega.
Na parte que me toca, atrevi-me há dias a lamentar o fim das profissões tradicionais (no caso, ribatejanas), a par com a sobrelotação das universidades fazedoras de desempregados.
Deus meu, no que aquilo deu!!!
Atacado pelo Batalhão Voluntário do Jugular, vi-me transformado em latifundiário inconformado e vilão (apenas nos sentimentos, nunca nas origens...), vociferando contra a audácia desses rapazolas que largam o ofício de ferrador para se instruirem nas letras e nas ciências... Bradando contra estes tempos insuportáveis em que os serventuários fogem todos.
Lá fui, ao Jugular, deixar uma notinha - de estupefacção ante tanta incapacidade de perceber, ante tanto preconceito. A resposta do cronista saiu ainda mais distorcida. Sem embargo, tornarei lá: são assim os meus links... Não será por outrém que ele ficará a saber dos meus escritos que o atingem.
E que fazer de Portugal, com esta Esquerda à solta (querem ouvi-los jurar que eu propugnei a prisão da rapaziada?...).
Já Herculano se refugiou desgostoso no seu Vale de Lobos. Lamentavelmente, não me posso dar a esses luxos. E lá vou continuando a ajudar o meu irmão Gonçalo a vindimar ou a mungir as cabras. Ou será que devo reingressar na Universidade? Em Paris, por exemplo, sorvendo toda aquela ambiência de la Gauche (toujours moderne).
Quinze anos são muitas rotundas e variantes novas. Um País diferente e um mapa indecifrável. Mesmo assim fugimos à auto-estrada.
- Vamos por aí fora? Até Tomar?
Sim, era para ir. Sem medo e com todo o vagar dominical. Também há já um ror de tempo não rumava aquelas bandas. Assim começámos a trepar o distrito de Santarém. Apesar de tudo, atarantados com tanta inovação em tão desvastada Pátria...
Muitas cornucópias após, a cidade do Nabão. E o recanto que eu trazia em mente. Junto ao rio, exposto ao sol, polvilhado de migalhas para as pombas. Sobrevoado por patos reais, musicado pelas águas nos açudes. Nem mais do que esse saudoso lugarzinho de petisco. Quem chega à ponte velha.
Depois foi o passeio pela zona histórica. Depois - da conversa, dos olhares, dos silêncios, do cão semi-vadio, depois de tudo o que faz a diferença entre a Provincia e os grandes centros urbanos.
Depois destes pedaços de calçada, das trepadeiras ainda em uso, da ausência da construção em altura... Depois dos saturantes dias da semana. E antes deles, infelizmente.
Falar com um ribatejano de gema, já se sabe, é voltear cavalos, memórias dos seus heróis equídeos, exponenciar esperanças no futuro dos potros, enfim, louvar a festa brava... E comer um petisco bem demolhado num copito. Foi assim, em parte, este fim-de-semana.
Há os mais e os menos apetrechados. O meu anfitreão mantinha as suas quatro éguas, duas poldras baias também, liam-se os seus olhos, porque isso era mantê-lo vivo. Agarrado ao seu mundo de sempre.
De modo que esse foi o tema da conversa. As obras no picadeiro, as atrelagens a necessitar restauro, as rações, as semeaduras... Até chegarmos ao ponto que mais me interessava, mácula que há muito já se sofre aqui no Norte:
- E para ferrar os animais? Não faltam os ferradores?
Pois, isso começa a ser um problema. Os ferradores, os corrieiros, gente que saiba lidar com os breaks, as charrettes...
- Tenho aqui um tillbur todo desmontado... A capota a estragar-se...
Neste Portugal de desempregados, falta pessoal para trabalhar na terra dos cavalos, nas correlativas especialidades. Quer-se um ferrador, e ele dificilmente aparece. Ou melhor: é certo, já andam aí uns jovens, holandeses ou belgas, conhecedores do ofício, a oferecer os seus serviços no Ribatejo.
Azaradamente, a preços a que se habituaram nos seus países de origem.
Mas não quem nos tire a miragem da Universidade, julgo. Até para poder barafustar contra o elevado custo das propinas.
Percebi o esforço, essa intenção de se irmanar aos botes, chamá-los pelos nomes. De viver os seus dias na baía, tratando-lhes das velas, a mão dada a namorar-lhes o leme. Era uma história de infância com o berço vagamente deslocado, o leite cedido pelo biberon de alguém mais compadecido. Porque nada acontecera, nem aconteceria depois. Fora apenas um momento de euforia, talvez um efeito do multicolorido dessas horas festivas.
Não tornaram os botes. Não tornaram, é claro, à conversa e à pretensa erudição das suas palavras, porque na realidade os botes estão lá, na constância dos seus navegantes.
Sempre foi assim. Aceitem-no os botes, aceitemo-lo todos. Os tempos têm fim, e o fim dos tempos é o apagar da memória. Quando se erguem já as chamas da desvergonha.
«Fora notícia: o senador morrera de uma bala certeira no coração. Capturado e prontamente julgado, o autor do atentado sofreria pena capital. Depois de amanhã, por esta hora...
A indignação tomou conta dos republicanos portugueses. A condenação à morte era a maior cuspidela na sua Ética. Convocados por Soares Pai, compareceram todos no local escolhido: o sótão de Alegre. Para ser mais democrático, mais clandestino.
O anfitreão, sempre grave, sempre patrióta, acolhia-os de braços abertos, emocionadamente:
- E o Aquilino, o Tito, o Rego, o Cal?
Soares Filho viu-se obrigado a lembrar-lhe que esses convivas haviam já morrido. Mas todos se curvavam ante a sua memória...
- Ah, pois! Já me esquecia. A mim não há quem me mate! Só a morte!
E passaram à ordem do dia: a viagem aos EUA para uma manifestação pelo direito à vida, junto da prisão do Texas.
Simplesmente... eram poucos, não os bastante para erguerem a bandeira da República e uma tarja alusiva. Além de que as deslocações estavam caríssimas e rareavam as sinecuras.
- Oh Reis, vê lá se arranjas algum...
- Eu? Quem manda agora é o Lima. Falem com ele...
Alguém sugeriu também contactassem o PSD. Que diabo! Neo-liberais, ninguém o negava, mas nem todos destituidos da Ética republicana.
- Vou ligar à Mozart!
- Eh pá, para essa não! Consta que o pessoal não paga as contas e já lhes cortaram o telefone.
E a reunião (o complot) ameaçava ficar nisto: na contagem de espingardas - escassas - e dos pecúlios - já não os de outrora... Desanimadamente. Foi quando alguém lembrou:
- Vocês sabem, faz hoje 104 anos mataram o Rei D. Carlos e o Princípe.
Instalou-se o júbilo total!
- Rapazes: temos mesmo de ir aos EUA. Além da Fraternidade comemoramos também a Liberdade e a Igualdade».
(Com a devida autorização do meu Amigo J. da Ega, a quem muito grato sou).
Está por horas a vaga de frio. Já não era sem tempo! Ainda hoje telefonei para Chaves, impacientíssimo:
- Então, neva? Ouvem-se os lobos no monte? Alcateias deles?
Que não, por ora somente o céu pardacento, um vento capaz de furar orelhas, garruços pelas cabeças abaixo...
Convenhamos que é pouco. Nada como a tempestade para albergar os cães dentro de casa sem excesso de reclamações. Ou para dar corda à máquina dos retratos, a braços com esses grandes vestidos de noiva a cobrirem bosques e veigas.
Oxalá não demore. Algo me diz que, na onda, embrulhar-se-ão também bandos de aves de arribação e mesmo um ou outro iceberg nas nossas ribeiras.
Tudo a postos, pois. Alerta vermelho. Faça o Governo o favor de distribuir meios para que a Protecção Civil possa ajudar quem, infelizmente, não encara a vaga de frio com este optimismo. Por carências e fragilidades suas, merecedoras de toda a atenção e respeito.
Súbitamente, em Portugal, regredimos a uma discussão politico-filosófica marx-engeliana. Afinal, havia (e há) uma classe dependente profissionalmente que não participava no processo produtivo. Não eram (são) proletários, sequer são também patrões de si próprios. Onde colocá-los na dicotomia explorados- exploradores?
Marx e Engels deram voltas aos textos. Creio que acabaram posicionando-os do lado dos bons. Contra os cow-boys. E o mundo foi avançando até, aparentemente, o terminus da luta de classes. Há muitos anos que - falo de Portugal - os comunistas, à falta de tema, se dedicam aos direitos das minorias. Com proveitos, por exemplo, para a tropa gay.
Os ventos económico-financeiros mudaram, como é do conhecimento de todos. Ante o gozo da CGTP, entretanto quase esquecida.
Agora temos a Troika, a austeridade e alguns complicadíssimos problemas pela frente. O do desemprego à cabeça.
O discurso da Central Sindical rejubilou. Finalmente!
Arménio Carlos (membro do Comité Central do PCP) apressou-se a trazer à colacção a luta de classes, aquando da sua eleição para a cabeça da CGTP. Eles estão na rua, novamente! Conforme a sua vocação de origem. Não será dificil adivinhar o programa que se segue.
Somente, tenhamos bem presente - na frente da contestação não estarão os (soi disant) proletários. Como sempre - e exclusivamente - os assalariados não produtivos (prestadores de serviços?), funcionários dos sindicatos. Falemos claro: os agitadores de profissão.
De passagem por Forte Apache apercebi-me de algum burburinho entre-muros. De olho numa frincha, logo topei mais um pronuciamento republicano. Ricardo Vicente acusava os monárquicos da falta de racionalidade dos seus argumentos, do rídiculo do seu ideário assente numa pretensa superioridade imposta pelo nascimento, da sua propensão para a desigualdade de tratamento... E proclamava às tropas gaffes protocolares tremendas, em que abundavam Senhoras Donas Marquesas e Meninas Viscondessas. A fazer lembrar as anedotas (que Ricardo Vicente decerto desconhece) sobre as fífias do mesmo calibre de Madame Fragoso Carmona, ou mesmo a bucólica Morgadinha de Júlio Diniz.
Do lado monárquico, João Gomes de Almeida segurou muito bem os seus pontos de vista e com duas descargas - uma visando o crime de que nasceu esta República, outra a lista dos mais ricos países, esmagadoramente de chefias de Estado dinástica - rapidamente pôs cobro a estoutra manobra de caserna.
Pelo que, a bem dizer, não houve novidade. Já nos vamos habituando. E, sempre fieis ao princípio da soberania popular, resta-nos esperar que a Povo - a esmagadora maioria do Povo, não a aritmética do 50%+1 - opte pelo Trono como símbolo e representação da Nação, em vez de um Presidente reeleito sistemáticamente - ou vitalíciamente, se a Constituição o permitisse.
João Gomes de Almeida - pela minha parte, além de felicitar a sua intervenção, venho daqui lembrar-lhe onde estão os que se batem também por convicções como as suas.
Não vai muito tempo. O das camionetas rumo à Assembleia da República, partidas de madrugada para um dia inteiro, Canas de Senhorim queria a sua independência administrativa de Nelas, queria ser concelho, levava na jornada garrafões e chouriço, berrava que se fartava...
E de repente o silêncio... Mais ou menos quando o Poder Central, irremediavelmente falido, começou a pregar o contrário, a concentração das autarquias.
De asneira em asneira, lá fomos prosseguindo esta vida ligeira...
Ontem, por acaso, Rui Rio, Presidente da C. M. do Porto, focou o assunto. Conhecedoramente. Quanto à fusão de freguesias urbanas (nos grandes centros metropolitanos, creio), nada a opor. Agora nos meios rurais...
Pois é. Ainda há pouco debati o tema com gente da minha terra. Congregação de freguesias? Nem pensar! Nós temos o nosso orago, o nosso nome e a nossa história, a nossa identidade. Possivelmente, as nossas rivalidades. E a agremiação desportiva de cada um, uma peleja prometida semana a semana... Junção autárquica? Jamé!
A realidade é mais ou menos esta. Pessoalmente, não acredito sejam dados passos significativos nesse propósito abstraído das gentes. E que nada resolve, aliás. O Poder executivo mais não fará senão abordar esse assunto enquanto o empurra para a frente com a barriga.
De outro modo o Noroeste (pelo menos) entraria em convulsão. Até porque o que está em causa é, somente, a simplificação administrativa tout court. E os computadores estão lá para isso...
De antologia, a entrevista televisiva ontem, de Zita Seabra. O tema envolvia a conduta da CGTP nas recentes negociações da chamada "Concertação Social". No fundo, ficámos a saber o que já todos sabiamos. Desta feita, confirmado por voz autorizada e insuspeita.
A abrir, a constatação de que dirigentes da central sindical afecta ao PCP teria aconselhado os seus homólogos da UGT a votarem favoravelmente o dito acordo. Estranho? Traição aos interesses do proletariado?
Simples manobra de bastidores, afinal. A CGTP está ciente de que a concertação era - e é - incontornável. Somente - não quer participar nela, meio único de poder manter a sua voz reivindicativa e agitadora nas ruas. Para a História ficará apenas a sua recusa em negociar. O seu clamoroso "não!".
Quer dizer: Carvalho da Silva e os seus apaniguados funcionaram a dois carrinhos. Por um lado, interessava-lhes o consenso, sob pena de um afundamento geral; por outro, a ausência da sua assinatura nesse papel consente-lhes continuar a descer a Avenida da Liberdade clamando pela defesa dos direitos dos trabalhadores. Eles já - como sempre - tinham avisado que...
A história não é de agora. Conforme Zita Seabra referiu, a ligação entre os dirigentes da CGTP e o Comité Central do PCP é estreitíssima. De tal modo que as reuniões deste usualmente contam com a participação daqueles. Sucede, apenas, que no momento da fotografia para a Imprensa... os sindicalistas se refugiam na casa-de-banho. Regressando depois, porventura para lancharem juntos.
Convenhamos que Estaline utilizava métodos mais radicais: em vez de enviar camaradas para o WC, espetava com eles na Sibéria... A moderação dos tiques comunistas é uma feliz realidade.
Não duvido que Cavaco Silva não flutue absolutamente à deriva ao longo do seu mandato presidencial. Se mais não for porque os seus conselheiros hão-de ser, pelo menos, razoáveis cartógrafos. E, quando provenientes do pulpito (sempre com aquele malfadado rubro-verde pano de fundo...), as suas intervenções discursivas até se percebem: está lá a preocupação de não ser excessivamente irmanado ao Governo de Direita, estão lá as suas convicções sociais-democratas, a percepção de que, à tardinha, esclarecerá com os mais indignados parceiros do PSD qualquer matinal dito mais alevantado. Vamos no sexto ano de Cavaco presidencial e ainda ninguém morreu afogado.
O pior - o pânico da tripulação - é quando o Chefe de Estado resolve descer a terra sozinho para parlamentar com o indígena!
Quando, enfim, se lhe descobrem as ruinas ainda não soterradas da Vivenda Mariani. E então o nosso secular bolo-rei foge-lhe pela boca fora, o gado açoreano sorri de felicidade e - deselegância das deselegâncias - começamos a falar de dinheiros pessoais. Na mais inocente entrega do ouro aos piratas em solo firme, de tocaia ao "comandante".
Que atire a primeira pedra a Cavaco o político que viva com mais dificuldades do que ele. Que aufira menos rendimentos ou menos pensões.
No mais... Cavaco tem já lugar cativo no anedotário dos Presidentes desta anedótica República. Isso é certo. Mas nenhum Rui Mateus escreverá acerca dele o que escreveu sobre Mário Soares.
Terá cem anos, mais coisa, menos coisa. É da idade de muita boa gente ainda conservando o necessário para, na maioria dos casos, viver os seus dias com dignidade e aquele encanto especial de quem já conheceu um século de mundo.
Pois aqui a voiturette também. E, se calhar, não a levamos tanto a sério. O motor ainda funcionará?
Obviamente, sim. O motor funciona à velocidade das ideias e das invenções e da criatividade e da tecnologia que, sempre mais aceleradamente, nos trouxeram de então ao conforto e à segurança do presente.
Apenas... e porque referi a segurança (por exemplo), se dirá que restam ainda algumas arestas por limar... Andar muito depressa tem os seus inconvenientes, desde logo quando as máquinas começam a mandar em nós, ao contrário do que seria suposto ser.
Não são excessivamente madrugadoras. Nem muito tardias no regresso a casa. Faladoras quanto baste, por vezes empenhadas na travessia dos silvados ou de amontoados de lenha. Quando decidem interromper a conversata. Gozam os progressos das cadelas e tomam-se de excitação quando alguma dá sinal: será o quê? Galinhola?
Sonhada silhueta, sempre mais apenas isso - sonhada silhueta. Os tempos já não são de fetos e folhas acamadas, como a vida antigamente decorria debaixo dos arvoredos. Essa praga das silvas, do mato, das ramagens no solo... Vai-se acabando a arte para os artistas.
São assim as manhãs às galinholas. Sob um frio que as pernas e o andar ajudam a esquecer. Com o anedotário próprio das marchas lentas porque os dias resultam nisso mesmo: em colecções de episódios onde raramente o caricato não está presente. São assim essas manhãs. Estimulantes de um bom almoço, frondosas, sem ambições de façanhas, bem respiradas. As cadelas é um gosto vê-las em acção. E uma vez chegará que...
Será que o nosso desventurado País é contemplado com um (o mais duradouro possivel) desaguisado entre as centrais sindicais? Assim algo parecido com um insanável conflito envolvendo claques futebolísticas... Quem nos dera!
Antes da avalanche de confusões, o devido esclarecimento. Ninguém está contente com o dia-a-dia. Há quem viva o terror da carestia total, há quem sinta cada vez mais espartilhos, e certamente muitos mais sentirá ainda. Simplesmente, o caminho preconizado pela Esquerda ortodoxa... não é caminho!
Acresce o clima de instabilidade e insegurança gerado por grupos, ideológicamente mal defenidos, já se percebeu buscando a agitação pela agitação. Esses que procuram a vitimização através do confronto fisico com as forças de segurança e se aproveitam, para o efeito, das grandes manifestações sindicais.
Tudo somado - e porque, acredito, mais infantilidades, menos infantilidades, o Governo é povoado de gente bem-intencionada - um pouco de paz nas ruas só será benévolo.
Para tanto, contariamos com a UGT e a CGTP comiciando à bulha, os tais indefenidos sem boleia que lhes aproveitasse, e nós sofrendo o inevitável mas com esperança e sossego dentro do possivel.
A modos de uma urbe coalhada de claques benfiquistas, sportinguistas e portistas em peleja acesa, enquanto o pacato cidadão assistia calmamente ao jogo da bola na televisão.
Bradava Manuel Alegre, na-sua-costumeira-expressão-ética-de-que
Pois não. A Salazar, republicano sabidola, convinha um regime em que o prestígio de uma Chefia de Estado dinástica não fizesse sombra aos seus propósitos autocráticos.
Convergem - Alegre e Salazar - na crença em algo, julgo que não um Ideal, mas seguramente um apetrecho - de ascenção e perpetuação dos poderosos da classe política.
Desta feita, a manutenção do feriado comemorativo da implantação da República (em preterição do da Restauração) é, simplesmente, uma afronta à Nacionalidade.
Mas há bom remédio para o ultraje: comemoremos, nós portugueses, nessa data, como sempre, a Fundação de Portugal. E veremos quais as cerimónias mais participadas: se as anquilosadas e esclerosadas idas aos pés de bronze de António José de Almeida, se as nossas manifestações em Guimarães, Coimbra ou em qualquer outro lugar onde queiramos festejar oito séculos de História e esquecer cem anos de descalabro.
O coelho é um roedor e, como tal, há de estar sempre a dar à boca, sob pena de os dentes crescerem exuberantemente e ele morrer da atrofia.
Logo após a descoberta de Porto Santo, os portugueses, na sua ingenuidade, introduziram o coelho na ilha. O resultado foi uma praga - não houve couve que se aguentasse - depois sabiamente controlada.
De modo que o coelho foi quase erradicado do arquipélago e a banana plantou-se e vingou. Mas... todo o coelho? Não! Um resiste ainda, vitoriosamente, fazendo o maior cagarim próprio da espécie, roendo, moendo, enegrecendo lugares de suposta respeitabilidade.
Ou não. O Coelho, baptizado Zé Manel, fugindo de qualquer programa humorístico, vive sereno no seu habitat funchalense, dando-se ao luxo de empurrar, agredir, a vizinhança política.
Se assim é, na Madeira reside, afinal, uma democracia mais-que-perfeita. Ou então Portugal é, sobretudo (ou somente), a República portuguesa.
Em 25 anos de advocacia posso garantir nunca ter assistido à sinistra situação de um patrão querer despedir um trabalhador "porque sim". Porque tinha implicado pessoalmente com ele. Ao invés, presenciei muitos casos de empregados tudo fazendo para provocar o empregador e levá-lo a uma precipitada decisão nesse sentido. Empregados esses que tudo faziam para fazer o menos possivel, em atitude de menosprezo, negligência, absoluto desinteresse pelo destino da entidade que lhes assegurava o ganha-pão. Porquê? Porque o salário estava garantido, falhando o salário sobreexistia o fundo de desemprego, e não é tradição dos tribunais laborais portugueses algum trabalhador regresse de um litigio sem algo a rechear-lhe o bolso.
Recordarei sempre a frase de um juiz que me segredava - O Sr. Dr. faça um acordo que eu já fiz a sentença... Representando eu a entidade patronal, qual a margem subsistente para discutir o litigio?
De tudo, a conclusão há muito formulada: o foro do Trabalho é, sobretudo, um lugar de militância política. Com o mais que isso possa prejudicar a nossa Economia.
Tal situação era (é?) impossivel de sustentar.
E, sem pormenorizar sobre o acordo de concertação social hoje alcançado (?), diria que, se algum passo em frente foi dado, foi no sentido de não haver abuso do trabalhador sobre o empregador. Contrariando a velha e obsoleta máxima de Karl Marx. Porque um patrão sabedor - já não digo inteligente... - dos seus interesses de classe e astuto, há-de saber distinguir - recompensando-o- o bom trabalhador do calaceiro.
Não responderei a comentários glosando o mote "servilismo". O tempo dirá se não é como digo.
Porque deve ser mais fácil e atractivo criticar, maldizer, do que deixar uma palavrinha de incentivo e reconhecimento, aí temos, normalmente, o Governo sob fogo cerrado, pontaria afinada aos tiques e deslizes dos ministros.
Os portugueses gostam assim. Como ontem expressava Ricciardi, em entrevista ao DN, este Governo arrisca-se a ser o mais corajoso da "História da Democracia". Está lá, quiçá surpreendendo-se todos os dias com mais um calote da "herança Sócrates". Está, e tudo leva a crer continuará a estar, mesmo se e quando o barco for ao fundo.
De modo que talvez merecesse um pouco de compreensão nossa. Quanto mais não seja porque entre a aparência filosófica-pantomineira de Sócrates, mestre em inglês técnico, e um Passos Coelho que ainda se deixa estar por Massamá, vai um oceano imenso de diferenças. Onde os cardumes de sardinhas, alimento para toda a gente, são ensombrados pelo espectro dos patos-bravos rumando Paris e outros auto-exílios dourados.
Valha ao menos a Natureza: não distribui isqueiros mas farta rópia de laranjas. Publicidade vitaminada.
A maçã é, biblicamente, o instrumento do pecado. Foi por comerem uma, decerto sumarenta, enganosa, que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso. Por isso, sim, é natural que o feminino de "maçon" seja "maçã". Ou pode passar a ser. Importante é fazer luz sobre esses compassos e esquadros. Sobre esses olhos gulosos postos no mundo profano, o dos comuns mortais.
E porque não será decerto a descrição de António Reis - a típica silhueta do maçon... - a fornecer-nos essa informação ou, como ora se diz, a sua "agenda" de actividades nos meandros da vida real, é-nos licito especular. Pelo sim, pelo não...
Assim parece acontecer por essa provincia fora. Com humor, com rigor, com ardor - como for. Mas sempre de modo a que fiquem claras as negativas intenções da Maçonaria. Como a História não facciosa bem demonstra. Qual Liberdade!? Qual Igualdade!? Qual Fraternidade!?
Cronológicamente, é a primeira romaria do concelho de V. N. de Famalicão. Posta no cimo de um monte onde, em dias de boa visibilidade, se alcança Barcelos lá longe, esmifradinha, mas sempre terra do "duque nosso snor". É o S. Vicente, falando ao coração das nossas gentes que, nos baptizados, usa e abusa do seu nome. Estão chegando os peregrinos e as suas ofertas. Mais além, um grupo numeroso e ruidoso, outro costume da terra: são os caçadores, em final de época, comentando - sinuosiando... as suas proezas. Com recíproca partilha dos seus comes e bebes... até ser noite, quando o frio já passou...
Na freguesia de Sezures, perdida no topo da elevação, recortada pelo traçadado da A3. Onde, tantas vezes, me encontro com tantos amigos. E onde a vida prossegue para lá das questiunculas políticas que decorrem 300 km a sul...
Agricultura biológica, praticada em espaços exíguos, nesta recortada região. Ainda assim, de recorte em recorte, somando 72 mil hectares, ou seja, o correspondente a 34% do território alto-minhoto. Não dará para enriquecer, mas assegura o sustento e o conforto das populações. Do Cávado para norte a vida é outra.
Evidentemente, houve que efectuar adaptações. Longe vão os tempos da lavoura do arado. "Produtos gourmet" é uma expressão muito em voga em Monção, em Valença ou em Cerveira. Entre a horticultura e a fruticultura (e os seus derivados), 15 em cada 100 minhotos do distrito de Viana e dos concelhos mais cimeiros do de Braga fizeram a sua opção. Mais: a região está a atrair muitos estrangeiros, já não interessados no sol algarvio mas antes na calmaria que se goza nestas bandas.
E os estrangeiros trazem consigo essa curiosa apetência: fixam-se e inovam. Aprendem e ensinam.
Estranha cidade nesta manhã de sol e frio a levantar as golas dos casacos até aos narizes. Estranha cidade de silêncios e espaços vazios!
O que é feito da Baixa tripeira? Das vozes e do sotaque das vendedeiras, dos seus gigos à cabeça? Do trânsito tremendo de autocarros e automóveis?
(Afora os eléctricos, o 1 e o 22, atravessando a Cordoaria, como há décadas, mas agora vazios, enregelados...).
E Cedofeita, quase um ermo, letreiros por quantas janelas e portas ("Passa-se", "Arrenda"...), eram mais as gaivotas e as pombas, qualquer cachorro vadio, sequer uma nota musical à cata de umas moeditas, um pedinte.
Os Leões despidos de população estudantil, José Falcão uma madrugada avançadissima e escura. Nem um brado, oriundo de algum dos tantos cafés de antigamente, os restaurantes de trancas às portas.
Ramalho Ortigão ensaiava um discurso de mármore, genuninamente o seu sermão aos peixinhos do lago no jardim. E logo após, no Palácio da Justiça, - aí sim, regorgitavam de gente os corredores. Parece ser nos tribunais que o movimento citadino se concentra. Em busca de quê?
Foram mais as vozes do que as nozes. A crise passeou-se por Portugal, é certo, mas sem o tão propalado "efeito furacão". E já debandou, a nossa vida retomou todas as rotinas quotidianas, aquela paz santa só gozável no céu e neste cantinho à beira-mar plantado.
E agora que os bombeiros já reabasteceram os depósitos das ambulâncias e os centros de saúde, hospitais, médicos e pessoal auxiliar voltaram ao normal funcionamento ou aos seus postos e a população vive feliz - agora sim, o Ministério da Saúde pode debruçar-se sobre medidas legislativas já vigentes nos país (entre os quais o nosso) mais avançados. O vício assassino do tabaco foi novamente levado ao Parlamento e são de prever medidas mais restritivas - a proibição total de fumar em recintos fechados - a bem dos fumadores e de quem os cerca.
É o requinte dos governantes ao serviço dos (absolutamente saciados) governados.
Identicamente recuperou a nossa economia toda a sua pujança. E vai um tal arejo na entrada e saída das mercadorias nos portos de mar, são tais os valores astronómicos atingidos pelas nossas exportações, que os sindicatos dos estivadores e dos trabalhadores portuários optaram pela greve como meio de descansar um pouquito. Que significa, afinal, a perda de umas dezenas de milhões de euros com essa paragem?; ou mesmo a falência do porto de Aveiro?
O que mais há por aí são portos, caramba!!! E riqueza é o que não nos falta!!!
Se os portugueses andassem um pouco mais atentos, a recente celeuma levantada com a questão "Maçonaria/Secretas" seria a mais feliz oportunidade para, eles próprios, perceberem o que é hoje Portugal. Tudo é demasiado simples.
Porque descontando alguns, raros, casos de ingenuidade e boa-vontade - consta até que monarcas nossos foram maçons.. - é notório que a Maçonaria sempre se constituiu como o instrumento de luta dos grandes interesses económicos contra a Nação. Agora como há cem ou 150 anos. E, sem dúvida, muitos políticos que serviram a Monarquia foram maçons - todos eles transitando depois para o serviço da República. Onde a Maçonaria sempre imperou, com resultados actualmente bem visiveis e escândalos sucessivos, sempre afectando o erário público.
De resto, não se pode esperar o contrário de uma organização secreta. Porquê o secretismo? Porquê essa fuga para o ocultável na sombra?
Ouvi ontem na televisão António Arnaut referir a "utopia maçónica", para ele uma meta: a "fraternidade". Impossivel estar mais de acordo com este ex-Grão-Mestre do GOL. A "fraternidade" é uma "utopia" sobretudo entre maçons que se dividem e subdidivem em fidelidades, ritos e lojas, enquanto - por entre as decorrentes rivalidades - a negociata continua a prosperar.
Construida por maçons, indissociável da Maçonaria, a República Portuguesa bem podia legislar... incluindo o Direito Empresarial no campo mais vasto do Direito Público. Era mais honesto! Porque as suas normas são do máximo relevo na orgânica e funcionamento do Estado.
Assim tudo se manterá, enquanto os portugueses quiserem. Ou melhor: enquanto não deixarem de querer, a situação nacional tenderá a piorar. Na exacta medida em que os conluios económicos, transversais a todos os partidos, galopam de sucesso em sucesso e atraiem cada vez mais gente às irmandades maçónicas.
Mas é de crer que para a semana o tema escaldante seja já outro. E nos bastidores da AR o sossego volte a instalar-se entre os "aventaleiros".
Ontem à noite. Um convite já de longa data para meia-dúzia de palavras sobre a antiguidade, a história e as lendas da minha freguesia, nos 40 anos do Agrupamento de Escuteiros local.
Lá estive, lá contei o que era do meu conhecimento. E lá reparei como, à margem de todas as crises, a gente da terra continua as suas convicções e os seus afazeres, a sua vida, enfim. Salutarmente reparei nesses laços e nesses compromissos, vi-me envolvido nessa roda de vizinhos (alguns dos quais reencontrei depois de muito tempo), no orgulho colectivo por um trabalho simples mas sistemático.
Disseram-me bem vindo. Que a minha Familia é sempre estimada. E que voltasse.
Talvez seja um pouco dificil imaginar a realidade para além das palavras. A existência ao lado das retóricas. No entanto, aqui a obra nasce. Mesmo (ou sobretudo) na ausência do legislador.
Portanto, Passos Coelho não é maçon. Ainda bem! Há décadas que sabemos andarmos alimentando essa tropa, de início ideológica, actualmente valendo-se das ideologias e das famigeradas "éticas" para promover os seus interesses e os seus negócios. O repto está lançado: Senhores Deputados, tirem a máscara!
Obviamente, tudo dará em nada. Ou em quase nada.
Porque já deu em algo. Ficámos desde já a saber que os maçons pululam no Parlamento. E - decerto por acaso do destino - em lugares proeminentes da grupalhada, mormente na chefia das diversas equipas (ditos partidos) em concurso.
É bom que assim seja. Melhor se as rivalidades entre o Grande Oriente Lusitano (GOL) e a Grande Loja Legal de Portugal (GLLP) vierem à tona. Quando se zangam as comadres, diz o povo, descobrem-se as verdades...
E aí, todos nós, portugueses, vislumbraremos a teia. A extensão dos tentáculos do polvo.
Essa a maior revolução nacional, desde a constituição do famigerado Sinédrio.
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