Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O «clã familiar»

por João-Afonso Machado, em 20.02.18

Há dias, foram amplamente noticiados os desacatos ocorridos nas Urgências do Hospital S. João (Porto), de que resultaram enfermeiros feridos, uma tentativa de atropelamento de um polícia, tiros disparados e, finalmente, a fuga dos causadores, segundo os jornais, um «clã familiar» inteiro.

Está visto, eufemismos inúteis à parte, um bando de ciganos.

Correu uma semana e o JN publicou uma entrevista com um Sr. Melo, intitulado «intermediário» (de quem?) com a comunidade cigana. Ele próprio desta etnia. Lamentava o caso e condenava os intervenientes ao ostracismo (à «desonra») para os seus demais - não voltariam a poder comparecer nos baptizados e casamentos das outras famílias. «É pior do que levar um tiro», concluia o Sr. Melo.

Será. E espera-se que sirva de exemplo, e os ciganos dêem cumprimento ao princípio da igualdade supostamente consagrado na Constituição da República. Porque estes casos são recorrentes e as meninas Catarina e Marisa meteram-nos tanto medo da xenofobia que até os jornais já não conseguem contar direito a história. Entretanto os enfermeiros, os policias e quem sabe quantos outros continuam a ser perturbados à porta dos hospitais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nova Lisboa (à Metrópole)

por João-Afonso Machado, em 12.02.18

IMG_2113.JPG

À passagem pelo Campo das Cebolas, o taxista transfigurou-se - era agora o elenco completo do Jornal de Negócios. Ele que vivia lá para cima, em Alfama ou na Mouraria, onde, a semana passada, uns franceses tinham pago um milhão de euros por três ou quatro assoalhadas com vista para o rio!... E pela Rua da Prata, no Rossio, Restauradores, até à Fontes Pereira de Melo, naquele jeito próprio dos taxistas e dos redactores - de guiar e escrever sem mãos - não mais deixou de apontar futuros hoteis e apartamentos de luxo. Prédios antigos, enormes, desdentados, tolhidos de reumatismo, a recuperarem da boca e dos ossos, entregues à ciência dos estrangeiros... - Este compraram-no os chineses - informava o expert, uma vez mais esquecendo o volante. E aquele os brasileiros, o outro os russos...

Estávamos a entrar na hora de ponta. Tudo acontecera porque me lembrei em voz alta há 40 anos apanhava no Campo das Cebolas as célebres camionetas-pirata, estudante, nas vindas ao Norte, aos fins de semana. E também por razões de fiscalidade - o cunhado do taxista engenhara um tuk-tuk e tuk-tukava o dia inteiro sem pagar impostos.

- Olhe - ansiava eu - e nas Avenidas Novas também é assim?

- Não - retorquiu o mestre - aí a vida está mais calma.

Te Deo laudamos!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os advogados não podem adoecer. Oxalá possam envelhecer.

por João-Afonso Machado, em 26.01.18

Hoje, não sei quantas dezenas de colegas advogados parece tentarão uma audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, alarmados com o alto custo das comparticipações para a Previdência da Ordem e com o desprezo desta pela doença, pelos partos e outras atrapalhações ao trabalho.

Evidentemente, a situação não devia continuar. Mas continuará.

A Previdência da Ordem quase nada mais prevê além da reforma dos advogados. E mesmo esta começa a estar em risco. Os funcionários da Previdência, quando confrontados com essa hipótese, já só se limitam a dizer - vamos ser óptimistas...

Foram muitos anos de desgoverno. Desde o nosso último Bastonário "a sério", o Dr. Pires de Lima. Nada se fez. Não há dinheiro, salvo nos bolsos de onde ele abarrota. Este é apenas um pormenor no quadro geral do País. E, esperemos, Costa ou Centeno não vejam aqui mais um montinho de terra para apanhar umas minhocazitas que ajudem a compor os seus célebres orçamentos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Hoje é dia de eleições

por João-Afonso Machado, em 13.01.18

É tudo igual, afora ser sábado e não domingo. Mas estão lá os apelos, a incerteza quanto ao vencedor, sondagens e projecções, e a televisão à porta dos locais de votação.

Já com a campanha foi o mesmo, isto é debates e passeios pelo campo. Ou até à Provincia, se quiserem. De onde é oriundo um dos candidatos, o tal que, no segundo frente-a-frente com o seu urbaníssimo rival, usou dos mesmos métodos e o entalou no seu próprio passado. 

A conclusão é óbvia, conquanto não entusiasmante: a política em Portugal é um confronto de partidos. Interna ou externamente. Do que tem sempre resultado, a melhor escolha possível é a do menos mau. Se sou contra os partidos? De modo algum. Os partidos é que são contra Portugal, em nome da sua própria sobrevivência.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Santana, a causa de Sócrates

por João-Afonso Machado, em 05.01.18

Não é mentira. E se vamos falar do passado, é a actualidade - um saudosismo quase de Pascoaes. Aquele Governo de 2004 foi um desastre e Sampaio foi demasiadamente esperto para perceber que assim seria, e entregar o Poder à Esquerda. À primeira maioria absoluta do PS. A partir daí...

Foram anos tremendos. A perda para Passos & Cª foi desejada pelos socialistas, sei-o de fonte segura emanada do proprio PS. Na altura escrevi isso no Corta-Fitas. Que Costa aldrabe essas contas, é só mais uma. Que Santana as utilize em proveito próprio, é um drama.

O drama de um País sem retorno. Antevisto ontem no debate televisivo.

Santana sabe mais de baixa política. Trazia fotografias, enquanto Rio trazia ideias. Infelizmente em Portugal é assim, sem embargo de todos criticarem o Correio da Manhã...

Todos leram ou ouviram a Imprensa. Parece que Santana encostou Rio às cordas, dizem. Então, ninguém reparou, nos breves instantes em que se falou do futuro, Rio ensinou Santana sobre elementares questões de Finanças e Contabilidade.

Haverá tempo para mais, ocorrerão outros debates televisivos. A eleição é interna, os intereses estão instalados. Velho Costa, o teu karma é fantástico - sempre a ganhar com a perda dos adversários...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bom Ano Novo!

por João-Afonso Machado, em 31.12.17

Ainda falta serenamente tirar o sentido deste extraordinário ano de 2017 em que, de catástrofes a episódios grotescos (o último dos quais contando com o PSD para um favorzinho fiscal aos partidos), tudo foi abafado por números orçamentais e uma contabilidade nacional absolutamente fortuita ou martelada.

Uma vez mais o Estado derivou ao lado do País. Este desdobrou-se em iniciativas solidárias; aquele, em promessas incumpridas. Espantosamente, Costa vai mantendo o crédito, ou uma indiferença por parte dos portugueses que só lhe é favorável.

Já 2018 poderá ser o ano de uma oposição a sério. E talvez Marcelo R. de Sousa se revele um presidente capaz de abrir os olhos ao eleitorado. Isto é, de lhe apontar as aldrabices de Costa, mantendo sempre a aparência de um excelente «relação institucional». Algo em que desde há muito venho pensando e que o episódio "Urbano de Sousa" parece confirmar.

Seja como for, o mais importante é a saúde. Para todos, sem "cativações" nem exclusões. É o que vos desejo neste 2018 que chega já amanhã.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ano horribilis

por João-Afonso Machado, em 16.12.17

"Comemora-se" agora o cinquentenário do maior desastre em Lisboa e arredores desde o terremoto de 1755. Lembro perfeitamente, estava na Capital essa altura, e as pessoas falavam num número de vítimas das inundações superior às cinco centenas. Depois - miúdo ainda - não tive consciência da intervenção da Censura impondo à imprensa números menos chocantes, alguns cento e tal arrastados pela lama e afogados. A razão era simples: grande parte dos mortos vivia em bairros de lata, muito "romanticamente" situados junto às ribeiras afluentes do Tejo. Misérias da grande cidade, clandestinas mas consentidas...

Nem de propósito, cinquenta anos volvidos, não obstante as inovações técnicas supostamente existentes, quase 200 pessoas morreram, já não nesse turbilhão de lama e água, mas cozidas no fogo dos incêndios. Aliás, um desfecho que, é da maior honestidade dizê-lo, se adivinhava há muito tempo.

Porquê? Porque nada se fez para - ao longo de ininterruptas temporadas estivais de fogos demolidores - prevenir perigos tais como edificar e viver entre matos altamente combustíveis.

Foi, neste capítulo, um ano sem par. Em que, supostamente, existia um sistema - o famigerado SIRESP - apto a combater desastres desta natureza e a proteger os cidadãos..

Nada funcionou. E o grande Costa deixou tudo arder uma, duas, três vezes e, na altura própria, - naquela fornalha infernal já em Outubro - apareceu, começou por declarar a sua inteira confiança na Ministra da Administração Interna e acabou demitindo-a, mais ou menos disfarçadamente.

Só manobras decorrendo ao largo da percepção dos portugueses. Com vagar para estes irem esquecendo o sucedido no dia anterior, algo muito nosso.

Entretanto, as Forças Armadas passaram pela vergonha de serem roubadas nos seus próprios paióis.

Entre outros escândalos surgiu agora o da instituição Raríssimas, de cujos orgãos sociais fez parte o ministro Vieira da Silva.

É certo, não se trata um Vieira a Silva como se trata uma Urbano de Sousa. Aquele tem outro peso, outro pedigree... Mas já li algures haver um «plano B» para a eventualidade de ser preciso substituí-lo. Tudo dependerá da evolução da situação. Costa honra sempre o seu - consigo próprio - compromisso de queimar a terra toda para manter a sua política de permanência.

Por isso, quando Santana Lopes vem garantir o Governo de Costa não conclui a legislatura, eu abraço de alma e coração a pertinácia e a esperteza de Rio. De resto, um social-democrata, como eu também me definiria se andasse muito preocupado com ideologias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A gastar por conta

por João-Afonso Machado, em 22.11.17

Portanto - como diria o célebre eng. Santos Silva - querendo saber como as coisas se passam na AT, conta-se em dois tempos:

Primeiramente, instaurada ou revertida uma execução fiscal, os serviços de finanças atiram-se como lobos ao património do contribuinte. Penhoram.

Depois, caso o contribuinte pretenda defender-se na Justiça, deduz oposição a essa execução em que é vítima, a qual, porém, prosseguirá se não forem prestadas garantias.

Segue-se o longo calvário judicial.

E, quantas vezes, a sentença, enfim, julgando procedente a oposição e ordenando a extinção da execução fiscal.

O passo seguinte consistirá em, junto da AT, recuperar os valores penhorados. Outra via sacra, ainda mais sofrida. A verdadeira façanha dos advogados.

Porque a AT simplesmente não devolve os dinheiros de que se apropriou. E inicia o seu circo. Quaisquer requerimentos do lesado são inúteis. O serviço de finanças onde correu a execução descarta-se logo e aponta o dedo à Direcção de Finanças. Esta à Direcção de Serviços de Reembolso. E esta, para acabar, não tem telefone e não atende os contribuintes. Mora lá para Lisboa, num qualquer condomínio fechado e vigiado

Tudo isto porquê? Porque o Estado - particularmente agora - não tem dinheiro. E gasta por conta o nosso, que depois não consegue devolver.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Mme Constance de la Palisse

por João-Afonso Machado, em 16.10.17

Também tinha sido muito mais fácil as populações das terras atingidas pelos incêndios terem ido para férias e não verem as suas vidas e bens destruidos pelos fogos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os"meios aéreos" chegam amanhã e a chuva também

por João-Afonso Machado, em 16.10.17

043.JPG

Na minha última ida à Lousã, há dois anos, vendo o cerrado do arvoredo na serra, não pude deixar de pensar naquela pobre gente, em caso de incêndio...

O dia fatídico chegou ontem. Aliás a todo o Centro e parte do Norte deste desgraçado país de comissões e relatórios, que Costa "quer" à viva força passe das palavras aos actos.

Tal não acontecerá. Este é o cantinho de uma Ministra a bastar-se com o aspecto suado de quem vem de apagar um fogo onde nunca esteve; dum CIRESP, Protecção Civil & Cª já encerrados, pensando que estes desastres obedecem aos calendários oficiais; e de um 1º Ministro que até na tragédia aproveita a oportunidade da propaganda política, incapaz de uma expressão compungida, ao menos.

Parece, entretanto, um importante melhoramento vem aí, para ser "implementado" no combate às chamas - a chuva.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O «autoritário» Rio

por João-Afonso Machado, em 10.10.17

A coisa parece começar a tomar forma, e o futuro do PSD há de evoluir entre Santana Lopes e Rui Rio.

Quanto ao primeiro, quase apetece citar a célebre boutade de Luis Filipe Meneses, não fora a circunstância de este não ser citável e o assunto dar pano para mangas. Digamos apenas - Misericórdia! Deixem-no (a Santana) lá.

Mas no tocante ao segundo, a questão afigura-se bastante mais interessante. Muita água correrá ainda debaixo a ponte do dito Rio. Por ora, uma nota somente: os comentários já produzidos pelos iluminados do costume acerca da seu «autoritarismo social».

O que isso é, ao certo não se sabe. Eventualmente alguma semelhança com Sá Carneiro, sempre independente, o qual, não indo o partido como ele achava dever ser, punha logo o seu lugar à disposição.

Mas se isso é «autoritarismo», nada a opor. Pelo menos quando o cotejamos com o autoritarismo da Esquerda, lembrando tanta gente desde Trotsky até ao coitado do Seguro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Se a ideia é essa, Passos passou-se

por João-Afonso Machado, em 27.09.17

013.JPG

Fomentar e manter uma candidatura ridícula, que lhe trará o pior resultado eleitoral autárquico de sempre, no Porto, parece de um tontinho. Mas será que Passos Coelho prevê um empate entre Moreira e Pizarro e planeja, a posteriori, colocar-se ao lado deste, dar-lhe umas palmadinhas na vereação e na Assembleia Municipal, para combater a Geringonça a partir de tal aliança na segunda cidade do País?

Se assim for, valha-nos depressa a N. S. dos Congressos... 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma greve fascista

por João-Afonso Machado, em 14.09.17

Mesmo acompanhando os noticiários só de relance, deu para perceber que aqueles enfermeiros espalhados pelo País inteiro, em greve e vigília, não eram comunistas. Falta ali qualquer coisa: os controleiros, os megafones, a costumeira agressividade. Os enfermeiros têm as suas razões, se calhar têm toda a razão, parece que se sentem insultados pelo Ministro da tutela e dispõem ainda de Costa a fazer troça deles.

Por isso é que Costa, devidamente escoltado pelo PCP, tenta resolver o problema negociando com um único sindicato, por acaso afecto à CGTP, por acaso desapoiante da greve.

É o supremo paradoxo: as tropas de Arménio Carlos não promovendo manifestações anti-governo, o PS valendo-se delas, de olhos postos (todos) na aprovação do OE.

Poder, a quanto obrigas!

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os bombeiros de S. Bento

por João-Afonso Machado, em 18.07.17

António Costa, há dois dias, onde mais um incêndio desvastava um território inteiro, envergando o seu colete salva (-outras-) vidas explicava à gentinha que o cercava se o fogo destrói uma casa em um minuto, são necessários muitos mais para a reconstruir. E por isso... (Seguiu-se aprimorado rol de promessas a serem concretizadas nesse minuto que ainda não se vislumbra).

Talvez as pessoas nunca tivessem lembrado essa inevitabilidade das «ignições». Talvez ficassem agradecidas a Costa pela sua argúcia, pela sua lição. Talvez acreditassem nas suas promessas de um mundo melhor.

Mas evidentemente tudo ficará na mesma. A começar pelo perdulário CIRESP, como vamos constatando na televisão. Hoje, no Portugal inteiro, apenas uma diferença releva - o PCP não reclama a cabeça do 1º Ministro.

E, bem vistas as coisas, Costa vale o que vale - e nada vale - porque Passos Coelho e Assunção Cristas valem menos ainda. Aqui d'El-Rei, quem nos acode?!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gente realmente importante

por João-Afonso Machado, em 09.07.17

NA CONSTITUIÇÃO.jpg

Não se fale mal da escuridão das ruas do Porto. Das suas paredes sem brilho, daquelas casas tristes de falar mudo. Há figuras a colori-las nos mais diversos tons. Por exemplo, o cor-de-rosa. De cima a baixo, da cartola aos sapatos brancos, com flor na lapela a condizer. A gente pensa e nada conclui.

Gigolo? Não, não dominava a pose. Pink Panther? Também não. Friz Freleng não a animaria assim. O tal dia do "orgulho gay"? Não fora divulgado e eles são pródigos em publicidade...

Quem seria? Não sei. Sei-o apenas nada incomodado com o espanto causado entre os transeuntes. Parecia esperar uma boleia. A seus pés uma saquinha de cartão carregada imagine-se lá com quê. Impávido. Honra lhe seja feita, era o sol que girava em torno de si, contrariando todas as certezas estabelecidas por Copérnico.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já vão rolar (inocentes) cabeças

por João-Afonso Machado, em 20.06.17

SENHORA E HORIZONTE.JPG

Este é o País que temos. Melhor: que vamos mantendo. Mesmo sem a ajuda da jihad, bastando-nos a nós próprios, de drama em drama até à catastrofe nacional. Com a confluência dos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco totalmente em chamas. E uma estrada, dita nacional, macabramente coalhada de carros e os respectivos ocupantes carbonizados, assim a modos de um filme americano de terceira extração.

Não tinham chegado ainda as perdas de vidas dos anos transactos. Os «pacotes» de medidas preventivas dos incêndios florestais, sabemos agora, continuarão mais este Verão nas gavetas dos ministérios.

Mas desta vez haverá responsabilização: António Costa já ordenou inquéritos severos e urgentes à GNR, à Protecção Civil, aos bombeiros e à imensidade de siglas em que o sistema se enreda. A culpa não é solteira, mas também não casou com ele. Com ele casou a Esquerda leninista-trotskista, e consta por amante o déficit. Diz a esposa atraiçoada que é alemão e trabalha num banco.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Do lado certo da fronteira

por João-Afonso Machado, em 16.06.17

RECONSTRUÇÃO.JPG

Vê-se e sente-se, o Reino reorganiza-se e reconstroi-se longe das querelas sob árbitros e políticos corruptos. O Reino olhou-se ao espelho e não gostou das suas adiposidades de cores e formas. Eram aquelas mirabolantes edificações dos tempos opressivos do mau gosto, azuleijaria e arrebiques caindo como bombas nos povoados.

Nada como recuperar a estima própria e o respeito ou a admiração dos forasteiros. Afinal, está lá a limpidez dos rios e a força da pedra, a verdade pura das serras. Os monumentos e a paisagem. E turistas sinceros, buscando a estética dos lugares mais do que a frivolidade das praias.

O Reino quase se cinge ao Interior. Permanece muito em obras, imparável e meticuloso, como se tomasse o seu duche todos os dias. E no cafezinho da aldeia, entre duas partidas de dominó, os idosos conjecturam sobre Sócrates, Salgado e o Benfica - se a República terá a coragem de os julgar e condenar...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Outro "erro de percepção mútua", este logo resolvido

por João-Afonso Machado, em 07.05.17

027.JPG

Ana Catarina Mendes abriu a goela e quis tragar Rui Moreira para  um próximo sucesso eleitoral do PS. Um sufoco de que Rui Moreira não gostou. Com três ditos contundentes seus, os socialistas já forjavam à pressa um candidato próprio à Câmara do Porto.

(Interessante será constatar até onde irá Manuel Pizarro na sua campanha, auto-justificando-se e demarcando-se de Moreira... Se Louçã é exemplo, talvez avance pela tradição comercial da família do seu agora opositor...)

Todavia, e desde logo, - o alívio de quantos sofrem os males do monopólio partidário às Autárquicas. Mais a constatação de que o PS (pela voz da sua Catarina) quer eleitoralmente tudo ser, mesmo as candidaturas que se apresentam como independentes.

Depois, a noção de que a reeleição de Rui Moreira se afigura mais problemática (embora obra feita seja obra feita...), devido precisamente aos "carneirinhos" das urnas.

Finalmente, uma nota: o senhor do PSD (cujo nome não fixei) que anda por aí em campanha autárquica, bem podia repensar. O próprio PSD também. Não seria pior desistirem da candidatura, recomendando o voto em Moreira.

Mas, é claro, sem reivindicarem o segundo lugar na hierárquia da edilidade...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

"O Combate dos Chefes"

por João-Afonso Machado, em 24.04.17

Asterix.jpg

Uma maçada, a gente acorda logo de manhã massacrado pelas eleições francesas. Ao que parece um momento político muito nosso. (Pelo menos muito televisivamente nosso.)

Macron, Fillon, Mélenchon, Hamon, Le Pen. Preferiria Asterix, Obelix, Eautomatix, Ordalfabetix, Ielosubmarine. Também não se entendem mas são imensamente mais divertidos.

Em Goscinny e Uderzo, Aplusbegalix é o inimigo neste combate de chefes. O aliado dos romanos. Na União Europeia todos (menos os seus milhões de eleitores) se viram contra Marine Le Pen, xenófoba, racista, enamorada por Putin. Posssivelmente, duas histórias a acabar bem, outra vez, - uma cheia de humor, a outra de intriga e escandalo políticos.

Mas a já anunciada criação de uma «Frente Republicana» para «patrioticamente» derrotar os «nacionalistas» é uma equação de três incógnitas que os meus parcos conhecimentos de matemática nunca alcançarão. E, ou é de mim, ou a máquina de rotulagem política necessita ser substituida por uma nova,  destas que haverá jamais, modernas e isentas.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Amigos amigos, negócios à parte

por João-Afonso Machado, em 11.04.17

Emmanuel Macron deu uma entrevista à televisão portuguesa. Parece que é, em França, o esperançoso candidato da Esquerda. Sem embargo, é claro, das suas parecenças com Passos Coelho, aliás reforçadas pelo seu elogio aos nossos esforços de recuperação económica no tempo da governação da coligação da Direita. Depois disso, referiu algumas banalidades sobre os EUA e a Alemanha, o Brexit, a Hungria e a Polónia, e falou do futuro. Do projecto europeu.

Aí foi subitamente claro. Mutualização da dívida? Jamais no que toca à do passado; apenas quanto à superveniente.

Ora, salvo melhor opinião, a dívida constituenda é inevitável, mas o elo de uma cadeia. Não apenas porque o Governo do amigo Costa continua sem forças para soprar o arranque da economia nacional, mas sobretudo porque (sem tais meios) urge criar dívida... para solver a dívida que vem de trás.

Com amigos assim, os socialistas portugueses não vão a lugar algum. A França, afinal, pertence à Europa do Norte. A dos ricos. Um desmancha-prazeres, este Macron.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Épá, que profundo...

  • Anónimo

    lord Byron: This age of cant («estos tiempos de h...

  • Luís Lavoura

    A esmagadora maioria destas queimadas são totalmen...

  • Anónimo

    Pastorícia, segundo parece, não entendi ainda muit...

  • Anónimo

    É tudo muito bonito, mas apresentem soluções alter...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2008
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2007
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2006
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D