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Ganhámos um jogo de treino

por João Távora, em 06.08.17

jesus18.jpg

É no mínimo preocupante quando uma equipa que tem ambições de vencer o campeonato faz mais de metade do seu primeiro jogo com um adversário que almeja a manutenção, empastelado no meio campo com baixíssima produção atacante, perdida numa experiência de última hora. O Bruno Fernandes no lugar de Podence, desaparecido nos mesmos terrenos de Adrien, foi um enorme equivoco que nos podia ter custado o empate na primeira parte. Com a equipa assim encolhida o futebol leonino claramente só desemperrou já na segunda parte com Podence à solta no último terço do terreno – o miúdo traz velocidade e rebeldia fundamental naquela zona do campo. É preocupante que Jorge Jesus teime em fazer experiências como se não estivesse em competição, mas está-lhe na massa do sangue protagonizar “surpresas” para mostrar que existe, que é ele que manda. Não havia necessidade - está claro para todos que é ele que manda - e podia ter corrido muito mal. 

À parte dessa inquietação, e para além de não termos sofrido golos, é de destacar o extremo esquerdo Acuña, que exibe uma generosidade excepcional a defender, umas ganas bestiais a atacar, e um faro de golo raro. Temos Leão para atacar o título. Só espero que não percamos o Gelson Martins.

 

Texto publicado originalmente aqui

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Um d' Os melhores golos do Sporting

por João Távora, em 08.02.16

Yazalde Sporting - Armazém Leonino - Sporting 197

O golo de que vos venho falar foi marcado em Março de 1974 por Hector Yazalde (Buenos Aires, 29 de Maio de 1946 - Buenos Aires, 18 de Junho de 1997), o primeiro de um desafio que o Sporting viria a perder em Alvalade por 5 – 3 naquele que foi o derby mais antigo de que tenho memória de presenciar ao vivo, para mais acontecido numa gloriosa época em que o Sporting se sagraria campeão nacional. Escolho este porque é da autoria de uma das maiores glórias leoninas de sempre que convém relevar mais e mais vezes contra o esquecimento, mas também pela forma acrobática como foi marcado - ainda hoje o tenho gravado na minha retina. Acontece que o presenciei de uma perspectiva privilegiada sobre a grande área Benfica na primeira parte. Nesse Domingo eu acompanhava o meu Tio Manel excepcionalmente em “Dia de Clube” – ocasião em que todo o público, sócios ou simples adeptos, tinham que adquirir ingresso pago, numa época louca em que no Estádio José de Alvalade cabia sempre mais um espectador. O ambiente resultava electrizante, como que explosivo.
Dizem que golos acrobáticos como este só podem acontecer quando facilitados pela defesa adversária, mas o que é facto é que, sem a facilidade dos dias de hoje de rever uma jogada de vários ângulos repetidamente durante a semana seguinte, eu nunca mais me esqueci daquele cabeceamento em voo planante para projectar a bola para o fundo da baliza de José Henriques - sem dúvida um golo de rara beleza que levantou todo o Estádio em imensa alegria (no vídeo ao minuto 1,24). O jogo, esse, que o Sporting viria a perder, foi para mim uma lição cabal da mística que possui um embate entre os dois vizinhos da 2ª Circular.
Quanto ao saudoso Yazalde que foi meu herói de menino, nessa época viria a conquistar a Bota de Ouro com 46 golos marcados, facto que ainda hoje constitui uma das maiores marcas desse prestigiado troféu europeu.

 

 

Nota 1: publica-se este artigo no dia do aniversário natalicio do meu saudoso pai, o primeiro responsável pelo meu sportinguismo. Em sua memória deixo esta nota de homenagem.

Nota 2: Texto elaborado para a série "Os melhores golos do Sporting" publicados aqui

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Pontapé... na bola!

por João Távora, em 18.01.16

Pela parte que me toca, agradecido a Bruno de Carvalho pela tenacidade e inteligência que transparece da sua gestão do Sporting, acho que a ordinarice é dispensável - não advirão daí melhores resultados por isso. Já quanto às virgens ofendidas que por aí andam a rasgar as vestes nas redes sociais, desconfio que não só nunca puseram um pé num estádio, como nunca saíram debaixo das saias da mamã.

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Honra lhe seja feita

por João Távora, em 05.01.16

Naturalmente Bruno de Carvalho cometeu e cometerá erros. É importante que haja sentido crítico em alvalade para o futuro. Sempre. Mas é na sua ambição que reside a impossibilidade de um regresso ao estado apático, conduzido ao descalabro de ontem, personificado na direcção de Godinho Lopes. E por mais que uma imprensa desportiva “dependente” procure desvalorizar, foi tudo o que BDC e a sua direcção incutiram no Sporting em dois anos - com a sorte e engenho de um muito maior número de boas decisões do que más – que permitiu colocar o clube no lugar em que se encontra hoje com a contratação de Jesus.

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Está reposta a boa ordem no universo

por João Távora, em 03.01.16

A vitória do Sporting no clássico de ontem era fundamental para a consolidação do estatuto de candidato ao título. Acontece que a leonina mentalidade ganhadora imposta por Jorge Jesus, de que os vizinhos de Carnide já foram vitima por três vezes, ainda não tinha sido posta à prova num desafio com o Futebol Clube do Porto, que sem dúvida possui o mais caro conjunto de jogadores alguma vez participante num campeonato nacional. 

Duas notas mais: 1º - Espera-se que Fernando Santos preste atenção àquele assombroso triângulo de meio campo composto por Adrien Silva, William Carvalho e João Mário. 2ª -  À 15ª jornada o Sporting exibe-se no 1º lugar da tabela classificativa com a defesa menos batida do campeonato - onde pontua uma jovem certeza que é Paulo Oliveira - um facto para relevar também à atenção do selcionador nacional.

 

Publicado originalmente aqui.

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Narizes

por João Távora, em 10.08.15

portugalsporting1.jpg

 Já foi aqui mais que dissecada a categórica vitória do Sporting frente ao Benfica por pessoas nisso bem mais competentes do que eu. Este era um daqueles jogos em que os danos duma derrota seriam incomensuravelmente superiores ao benefício da vitória - que confesso me encheu as medidas. De resto, uma vitória que, para sermos justos, tem de ser atribuída também a Bruno Carvalho que ontem não resistiu a proclamar que não se importava de “falar pouco” sendo campeão. Uma política sábia no meio dos tão proeminentes narizes protagonistas deste prometedor Sporting 2015 – 2017. Passada a euforia é só isso que me preocupa. 

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Ainda sobre Jesus (o Jorge):

por João Távora, em 06.06.15

"Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento."
Lc. 15 - 17

 

Com a devida vénia ao Duarte Calvão.

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O bom filho à casa torna

por João Távora, em 04.06.15

Jorge Jesus.jpg

Desde a surpreendente contratação de Mário Jardel que o Sporting não gerava semelhante impacto mediático. A contratação de Jorge Jesus de que já se falava mas ninguém acreditava constitui uma assombrosa notícia que ecoa das bocas dos portugueses incrédulos pelas ruas, cafés e empregos por esse hiper-mediatizado Portugal profundo que há muito perdeu a  inocência. As notícias que circulam da rede à velocidade da luz para o bolso ou secretária dos portugueses antes de chegarem aos escaparates dos quiosques são mais marcantes pelo espanto que causam do que pela substância que podem espelhar. É a civilização “Jornal do Incrível”. Nesse sentido a transferência dum lado para o outro da 2ª Circular do incontornável personagem nacional Jorge Jesus por Bruno de Carvalho é um golpe de mestre. Se, como tudo indica, o golpe significar uma injecção de capital que potencie a competitividade do plantel leonino. Se, como queremos acreditar, Bruno de Carvalho se souber entender com o novo treinador quando a pressão apertar... Se assim for, na pior das hipóteses, esta história significará simplesmente um estrondoso regresso do filho pródigo.

 

Publicado originalmente aqui

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Eu vou lá estar

por João Távora, em 07.02.15

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Ontem após a vitória da Sporting ao Benfica da da Taça de Honra que não vi, os comentadores da SIC notícias estiveram quase uma hora a comentar a forma de jogar e as saídas do Benfica. Desisto, foi a última vez. E ainda bem que temos agora o Canal Sporting onde os comentários certamente conseguirão ser mais esclarecedores. Ah! E quanto ao jogador eleito o melhor do torneio, o melhor é ficarmo-nos por aquele que marcou mais golos - isso é um dado objectivo.

 

Publicado originalmente aqui

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... porque não existe essa coisa de “1º lugar ex-aequo”, ou “partilhado”. O facto é que mesmo só por uma semana só cabe uma equipa no 1º lugar da tabela classificativa.

 

Originalmente publicado aqui.

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Rui Patrício

por João Távora, em 23.11.13

 

Os dois recentes erros graves cometidos nos jogos com Israel pela Selecção e no derby pelo Sporting são a excepção à regra que caracteriza um guarda-redes de qualidades invulgares como Rui Patrício. Graves erros só acontecem aos guarda-redes de classe, com presença assídua em grandes palcos onde, destacados pelos holofotes, se confrontam com enormes desafios de superação individual. 
Promovido à equipa principal do Sporting por Paulo Bento que o conhecia bem dos escalões juniores em que fora seu treinador, Rui Patrício estreou-se em Novembro de 2006 com apenas 18 anos contra o Marítimo com a defesa de um penalti que garantiu a vitória à equipa. Era o culminar dum percurso iniciado aos doze anos quando, transferido de Marrazes do conselho de Leiria de onde é natural, veio para Alvalade ganhar uns trocos. 
De origens humildes, Rui Patrício, desde cedo ostenta uma estatura física e de carácter muito acima do vulgar, e vem demonstrando ao longo da sua carreira uma enorme capacidade de trabalho aliada a uma invulgar perseverança; qualidades que, a par do seu inegável talento com os pés e nas alturas, nos levam a acreditar que continuará a destacar-se por muitos e bons anos entre os seus congéneres nacionais. Não fosse o seu nome distinto por ser o de de um herói ímpar do cristianismo, do apóstolo da Irlanda, missionário da Grã Bretanha, Patrício é um nome que cai como uma luva ao defensor das redes da equipa Pátria, lugar que no onze contém uma mística excepcional só comparável à do jogador do outro extremo que marca os golos. Não só por isso um orgulho para os sportinguistas que se reconhecem no coração de Leão que lhe bate ao peito e transparece da camisola das quinas, e tão obscuros sentimentos inflama nos adeptos das equipas rivais. 

Ora acontece que a eternidade do Olimpo é privilégio de poucos, só acessível a quem pela fidelidade a uma divisa, a um emblema, logrou conquistar o coração às suas gentes; uma utopia pouco em voga por estes dias em que a lógica mercantilista é preponderante na gestão das carreiras desportivas. Não será esse o caso do Rui Patrício que soube sofrer, crescer e afirmar-se na baliza do Sporting onde sem dúvida por estes dias já deixou marca no coração dos adeptos leoninos e um lugar na história do clube. Onde só falta um “bocadinho assim” até ao Céu: a consumação de um final feliz, que é o título de Campeão Nacional. 

 

Publicado originalmente aqui

 

Imagem daqui

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Assim não vamos lá, Dr Sampaio

por João Távora, em 06.04.13

 

Seria triste se não fosse trágico: Daniel Sampaio que com o irmão presidente da república, como outros notáveis do regime há muitos anos rondam os camarotes do poder em Alvalade, aproveita o palco que o seu apelido proporciona para numa lamentável entrevista ao Diário de Notícias fazer a mais baixa intriga política no Sporting.
Mas questiono-me como é possível que uma pessoa supostamente evoluída culturalmente debite pérolas como estas: "O Sporting tem na sua génese uma coisa terrível, ter sido fundado por um visconde". Esta alarvidade atirada à História do meu clube é antes de mais não ter a mínima noção de como no século XIX era tão ou mais vulgar ser Visconde do que hoje Comendador da república, coisa que não tem nada que ver com as origens sociais mas com o reconhecimento do mérito por parte do regime. Esta perspectiva fracturante e divisionista é reafirmada em vários momentos da entrevista do psiquiatra Sampaio, onde no meio de muita lavagem de roupa suja arremessa esta atoarda: “Daqui a um ano posso ter uma má opinião sobre Bruno de Carvalho, mas ele vai ter uma prática diferente. Ele é um homem do povo, não é um marquês. E ainda bem. Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube.” Puro classismo, racismo social, como se as pessoas tivessem responsabilidades nos apelidos que herdam.
Não haverá coisa mais terrível para o Sporting do que fundar o novo capítulo da sua história com uma narrativa de terra queimada, populista, sectária e ressabiada.
Abananados com a profunda crise financeira, o ambiente neste país está cada vez mais insuportável, ressuscitada a luta de classes numa retórica cada vez mais fracturante quase bélica. Um facto lastimável que não gostaria de ver espelhado no meu clube do coração. Como Portugal é de todos os Portugueses, o Sporting é de todos os sportinguistas e nenhum adepto é negligenciável, seja qual for a ideologia que professe ou sobrenome que exiba. 

 

Imagem: José Abrantes - direitos reservados

Publicado originalmente aqui

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Virar a página?

por João Távora, em 25.03.13


Passado algum tempo (demasiado) em que o Sporting vem sendo para mim um assunto profundamente desagradável e com pouco que ver com futebol, eis que estou de volta aos assuntos da bola para umas curtas considerações. 
Em primeiro lugar lamentar o triste espectáculo que resultou da comunicação dos resultados eleitorais, condicente com o que se vem verificando nas quatro linhas: um desastre de improvisos e amadorismo gritante. Em segundo, sendo eu avesso ao estilo de Bruno Carvalho, reconheço-lhe uma enorme virtude em relação às candidaturas concorrentes: um visível gosto e determinação férrea em conquistar o poder, condição que julgo valiosa para a tarefa ciclópica que o aguarda.
Foi este dilema que me levou pela primeira vez a abster-me em eleições no meu clube. Pela minha parte felicito a nova direcção e torço para que, imbuída de realismo e muita ambição, esteja à altura da história deste (ainda) grande clube que ocupa o meu coração. Tenho sede de vitórias e um enorme desejo voltar a Alvalade. Boa sorte, Bruno de carvalho.


Publicado originalmente aqui

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Rir para não chorar

por João Távora, em 12.02.13

 

"Chega de Aguentar": uma candidatura com a verdade nas entrelinhas.

 

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"Maldição" sportinguista

por Luísa Correia, em 15.01.13

Confrange-me que, no Sporting, não haja elemento da massa associativa com provisão financeira ou prestígio - e são muitos, numa casa cheia de pergaminhos - que não tenha por máxima ambição, não o ser um bom marido ou um bom pai de família, tão pouco o ser um profissional de reconhecida competência ou o melhor dos amigos, mas apenas e só o ascender a presidente do clube. É uma ambição desinteressada, estou pronta a reconhecê-lo, generosa, até, mas uma ambição que mina a coesão numa "oligarquia" que, por integrar painéis televisivos, por ser ou fazer notícia, interfere no moral sportinguista e compromete seriamente os resultados; todos eles. Faz-me pensar - sei lá porquê... - na "maldição" polaca. Para já, o bom Jesualdo conseguiu afastar a ameaça da 2.ª Divisão. Mas por quanto tempo?

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Pois...

por Luísa Correia, em 15.12.12

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Uma evidência

por João Távora, em 29.10.12

 

«O futebol não tem interesse só pelo jogo. Quando o Sporting perde não tem interesse nenhum»


Manuel António Pina (1943-2012).

 

Rubada daqui

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A grande maldição

por João Távora, em 27.10.12

 

Na quinta-feira passada não resisti a assistir a mais uma amarga derrota do Sporting e assim me certificar do seu acelerado fenómeno de decadência. Uma pessoa não se habitua à dor e palavra de honra que fiquei incomodado, com um inaudito melão. 
Como já referi mais do que uma vez, nestas coisas da bola sou apenas um adepto de paixão que não leva a sério a discussão de estratégias facilmente objectadas por uma bola à trave, uma lesão fatal ou má arbitragem. Ou seja, este é daqueles temas em que sou meramente “clubista”, ou seja, parcial e apaixonado - o que me move (me faz saltar) são as bolas lá dentro.
As razões atrás expostas não me permitem portanto uma análise lúcida da situação. Isso tem na língua portuguesa uma expressão clara e explícita, diz-se: o Filipe é do Benfica, o Vasco é do Porto e o João é do Sporting. Uma relação de propriedade, inevitabilidade umbilical, siamesa, da qual não há fuga ou libertação possível. Entendamo-nos: se fosse ao contrário e o Sporting fosse meu, eu rifava-o, escondia-o no sótão no baú dos trastes de família, aí mesmo onde estão todos os descarnados esqueletos. Mas não; para desgraça minha sou eu que sou do Sporting, qual Fausto que por uma miragem de felicidade vendeu a alma, e que assim alcançou a dor lancinante do perpétuo fogo dos infernos diabólicos. Não há rádio, jornal ou noticiário que a cada hora não me confronte com esta maldita condenação de assistir com uns palitos nos olhos ao naufrágio clube de que sou refém.
Agora mais a sério: temo bem que pouco haja a fazer nestes dias para resgatar um pouco de orgulho e alegria aos sportinguistas, que em boa verdade, desde os anos sessenta, animados por umas poucas e fugazes vitórias, vivem dos seus pergaminhos. E se há pessoa que sabe que, exceptuando para a um alfarrabista, o valor prático dos pergaminhos é igual a zero sou eu; acreditem. Como diz o povo, "fidalguia sem comedoria é gaita que não assobia" e pelos vistos acabaram-se as filhas dos brasileiros ricos para “bem casar”, que o dinheiro custa a ganhar em todo o lado. E sem palhaços acabou-se o circo. É uma gaita.

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Contra factos não há argumentos

por João Távora, em 23.10.12

 

Confesso que tenho muita dificuldade em congeminar argumentos e teses políticas a respeito da “bola”. Porque se há um assunto que pela sua natureza me é permitido ser “clubista” é no que refere o meu clube. As emoções vivem-se a paixão não se discute. Apesar de reconhecer que o meu estado de alma é matéria de pouco interesse, não quero deixar de aqui expressar a minha profunda tristeza e desolação quanto à situação a que chegou o meu Sporting.
E porque não acredito que a providência divina interfira nestas coisas, suspeito que a travessia do deserto, se a isso tivermos direito, será penosa. 

 

Publicado originalmente aqui

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