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Centeno_futebol.jpg

Se é uma evidência que uma pessoa comum deve ser muito prudente quando pede (e mais ainda quando aceita) um presente a alguém, de modo a não comprometer a liberdade de que essa relação carece, acho estranho que um Ministro das Finanças não perceba ao que se expõe quando pedincha lugares para ir à bola a um clube de futebol. Não há “código de conduta” que substitua o bom senso e a boa educação, e era bom que os nossos representantes percebessem de uma vez para sempre a exigência ética que implica o serviço público.

 

Foto: Jornal Recrord

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A filha do regimento

por João Távora, em 27.04.15

O emigrante.jpg

É assim o jornalismo militante - não interessa a veracidade dos factos relatados, antes passar uma mensagem. A entrevista da filha de Salgueiro Maia generosamente distribuída pela Lusa, pontifica hoje com chamada de capa em quase todos os jornais diários, que destacam este extraordinário apontamento: “Filha do capitão de Abril Salgueiro Maia, a viver no Luxemburgo há quatro anos, diz que foi "convidada" a sair de Portugal pelo primeiro-ministro Passos Coelho, lamentando a situação actual do país, que compara ao terceiro mundo”.

Importa referir que, sem querer por em causa a honestidade e competência dos socialistas - tudo gente boa claro está - há quatro anos, data da partida de Catarina, era José Sócrates que estava no poder, a negociar o resgate financeiro do país com a Tróica. Não tendo a minha modesta pessoa o privilégio de ser filha de Salgueiro Maia, que acabou indo trabalhar para um conhecido paraíso capitalista, gostava de deixar claro que, estando eu na época também desempregado, se um líder da oposição ou do governo, fosse ele qual fosse, se me dirigisse assim sem mais nem menos e me convidasse a emigrar eu agradeceria a surpreendente atenção, mas pensaria muito bem antes de aquiescer.

Ah, sei que não interessa nada, mas com uma mãe muito doente e quatro filhos dependentes virei-me por cá. E quem viu as coisas tão mal paradas há dois, três anos, desconfio que podia ter sido muito, mas muito, pior.

 

Imagem de "O Emigrante" - Charlie Chaplin, com uma vénia. 

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A implosão do socialismo

por João Távora, em 28.08.12

 

Essa teoria de que "há uma geração injustiçada pela falta de expectativas de melhoria de vida em relação à antecessora" constitui uma terrível falácia politicamente instrumental. Em primeiro lugar, pela simples razão de que “uma geração” não é uma entidade corpórea, não tem sentimentos, mérito ou expectativa; em segundo lugar porque não consta que ela se tenha reunido num café para emitir um manifesto. O que existe são indivíduos, pessoas, com sentimentos, formação, capacidades, ambições próprias. Por isso é expectável que muitos delas prosperem em relação aos seus pais... se nós lhes dermos esssa liberdade.
Ou seja, mais importante do que constatar que a dinâmica económica global pressiona um determinado ajustamento percentual no preço do trabalho, é saber se os indivíduos que entram no mercado têm espaço e dependem do seu próprio mérito para alcançarem as suas ambições e objectivos. Ou seja, pelo facto de se vislumbrar um “empobrecimento” em termos genéricos, é mais do que nunca dever dos governantes proporcionar às gerações emergentes um mercado de trabalho em que todos e a cada um acedam com iguais direitos e deveres, e por exclusiva força do seu mérito. Isso exige uma economia independente "cunhas" de “mercês” do Estado e liberta dum sindicalismo arcaico que se limita a defender os privilégios de duas gerações agarradas aos seus "direitos". A implosão do socialismo - que tão encaixa bem na velha tradição nacional anti-liberal, proteccionista, centralista - uma nova constituição... uma quase utópica revolução cultural.

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A histórica e colossal ressaca

por João Távora, em 13.09.11

 

Já devíamos estar habituados à inata ingenuidade da esquerda burocrática e cortesã, que não quer, nunca quis saber da genuína natureza de qualquer “negócio”, muito menos da sua etimologia - negotium, contração do advérbio nec (não) e o substantivo otium (ócio) = trabalho. Nesse sentido entende-se o agastamento socialista, ao constatarem a falência da quimera do capitalismo populista. Como os comunistas se tornaram inconsoláveis órfãos nos anos noventa, assim ficaram os socialistas e a lunática geração de sessenta, ao fim da primeira década de dois mil com a crise das dívidas soberanas. De resto, é óbvio que “a solidariedade”, das pessoas, dos Estados, das empresas, só vem depois da riqueza. Não há, nunca houve, almoços grátis. 

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Com mais tempo eles podem fazer mais!

por João Távora, em 01.04.11

 

 

Em 6 anos de governo socialista a dívida pública aumentou 56,1 mil milhões de euros, passando de 90,7 mil milhões para 159.469,1 milhões de euros. E se em 2004 significava 60% deverá atingir 97,3 por cento em 2011.

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A Herança Socialista

por João Távora, em 06.03.11

 

Retirado daqui

 

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As amarras do socialismo

por João Távora, em 15.02.11

 

Na ilusão de que remuneração do trabalho se resolve por decreto, de preferência com o dinheiro dos outros, há por estes dias meio país instalado em cima dos seus empregos para a vida e confortáveis reformas que goza com a miséria alheia: faz greve pelos privilégios adquiridos à custa da outra metade, que parva ou não, mal subsiste no desemprego, auto-emprego, recibos verdes, e mercado paralelo.

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Até ao final de Agosto, o país endividou-se ao ritmo de 2,5 milhões de euros por hora.
Os juros estão em máximos de sempre.
Público



Como disse Nuno Morais Sarmento há dias, a matriz ideológica do Partido Socialista, mesmo escondida na gaveta por Mário Soares nos anos oitenta, é marxista e consta no seu programa. Este aspecto não é despiciendo se tivermos em conta a resistência protagonizada pelo PS ao longo das décadas em todas as iniciativas democratizadoras do mercado, como a privatização da banca ou a abertura da televisão à iniciativa privada. No fundo, a subtil mudança do punho vermelho para o símbolo rosa no partido de Guterres e Sócrates transparece apenas um reposicionamento, por vias duma desideologização funcional, exigência da Europa. O marxismo caiu com a cortina de ferro, e consta que Havana também dele se vai descartar com o desmantelamento da sua máquina Estatal.
O facto é que Portugal chega a 2010 com um Estado demasiado socialista, obeso, politicamente instrumental e… falido. De pouco vale esgrimirem-se as virtudes do Estado Social, quando, da forma como o conhecemos, deixou de ser uma escolha ideológica, aliás unanimemente sancionada por todos os partidos que dele obtiveram louros e tiram dividendos.
Vivemos o fim de ciclo, tempos de ajustes urgentes num modelo económico que se revelou inviável, simplesmente porque não gera dinheiro para se pagar. Por isso urge a coragem dum discurso de ruptura e de diferenciação política: o socialismo constitucional que nos trouxe a este porto e do qual se tem alimentado o sistema partidário tem os dias contados. Uma racionalização do Estado e das suas funções vai doer nos fundamentos do regime, mas não se vislumbra outra saída. Com ou sem revisão constitucional, não podemos mais caminhar para o socialismo.

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Pesadelo I - o monstro da estupidez

por José Mendonça da Cruz, em 27.01.10

 

Acordo com suores frios depois de sonhar que

- um monstro nos levou todo o dinheiro que ganhamos, eu, e os meus vizinhos, e os amigos, e os conhecidos, e os desconhecidos, e os particulares, e os bancos, e as empresas;

- e que o gastou a fazer castelos, e palácios e torres para nos dar emprego;

- e que quando ficámos desempregados nos pediu as nossas economias para nos dar subsídios e apoios e comida;

-  e que pediu em nosso nome dinheiro emprestado lá fora para fazer mais castelos, e torres e palácios e nos tirar do desemprego;

- e que quando ficou tudo pronto, e nós desempregados e mais pobres do que antes, o monstro agitou a varinha mágica e soprou: «Só eu é que te protejo.»

Acordei em pânico quando eu e uma maioria já sucumbíamos à maldição, quase a acreditar que a solução era o monstro.

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Do provincianismo

por João Távora, em 15.09.09

Na velha capital do império, porto de abrigo e porta de esperança de tantos imigrados das miseráveis províncias, o epíteto “provinciano” sempre funcionou como eficaz rotulo para a exclusão. Sempre existiu uma Lisboa deslumbrada, presunçosa e segregacionista.

É neste sentido que apelidar alguém provinciano, significa muito mais do que contestar o seu cosmopolitismo ou a sua proveniência geográfica: significa a velha tentação de pretensas elites de colocar o interlocutor “no seu lugar”, que é menor. Uma atitude chauvinista, uma linguagem preconceituosa e arrogante, típica duma esquerda engajada e burguesa. São eles que mandam, é aquilo que temos.

 

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A grande asfixia

por João Távora, em 12.09.09

Preocupam-me seriamente as tendências de voto reveladas pela generalidade das sondagens: em Portugal cresce e predomina um pensamento de esquerda mais ou menos primário, mais ou menos radical. Nos dias que passam qualquer propósito de liberalização da economia, de incentivo ao mérito ou à iniciativa privada é pura veleidade. O pior de tudo é que a crise internacional parece ter legitimado na cabeça de muitos um crescente peso do estado na vida das pessoas, tornando o desafio da modernização do país um sonho ainda mais longínquo. Do Estado dependem as empresas, os empregos, as artes, as minorias, as maiorias, os agricultores, a educação, os professores, os costumes, os funcionários e a boa ordem. Esta é a grande asfixia nacional.

Esta é uma maldição que cem anos de república só conseguiram acentuar: somos um pobre país de um povo pobre, rude, ressabiado e dependente. Terreno fértil duma medíocre oligarquia que disto tudo se alimenta e que há muitos anos se governa. 

 

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