No princípio de Abril de 2008, o antigo presidente Jorge Sampaio deslocou-se à Universidade de Aveiro para um doutoramento honoris causa. Pregando um sermão fértil em agitação interior, Sampaio avisou que não alinhava no "campeonato das lamúrias". E acrescentou que Portugal precisava de "uma iniciativa privada que não esteja sempre com lamúrias".
Durante os dez anos em que ocupou o Palácio de Belém, Sampaio bateu-se ardorosamente contra a lamúria e os lamurientos. Num dos seus discursos afirmou: "Para quem, como eu, tem feito da luta contra a lamúria um desígnio prioritário." Estava certo. (…) Em 2005, numa visita oficial ao Chile, disse que "não é com lamúrias e braços caídos que os problemas se resolvem". Triste destino de Passos Coelho. Caso se chamasse Jorge Sampaio, teria a vida mais facilitada. (…) Só que Passos Coelho não é Sampaio. Também não é José Sócrates, que no seu tempo fez uma expedição ao Oeste, elogiando os agricultores da zona por "não ficarem na lamúria". Vergonha, José. (…)
Às vezes o que mais deprime em Portugal não é a pieguice ou a lamúria. É sermos tão previsíveis e inconsequentes, ao ponto de uns continuarem a achar que têm o monopólio do coração e outros fecharem os olhos à verdadeira desvergonha.
Pedro Lomba hoje no Público. Ler versão intergal na versão papel.
O Dr. Passos Coelho "tem de cortar seriamente na despesa do Estado. Tem de fechar departamentos, direcções-gerais e regionais, gabinetes, comissões de estudo e de análise. Tem de pôr um ponto final em muitas das funções do Estado. Vai ter de despedir funcionários públicos, porque em 2013 já não lhes poderá dizer que não paga os subsídios de férias e de Natal. Fazê-lo não seria justo para os muitos que trabalham no sector público e que são precisos. Vai ter de privatizar escolas, para que o Estado possa reabrir as que fechou no Interior. São medidas duras e o senhor terá de ser duro. Não vai ser fácil, mas ninguém lhe pediu que fosse primeiro-ministro. Foi o senhor que quis este trabalho. Ler mais»»»
Por André Abrantes Amaral, Jornal I 28 Jan 2012

Na sua crónica, «A beleza das mentiras», o nosso José Luís Nunes Martins — cujos escritos costumo seguir com interesse — releva-nos para algo que eu considero um equívoco - que nestas matérias da especulação filosófica o será no mínimo em termos parciais. Assim desaafiado trevi-me a uma resposta que hoje é publicada no jornal i. Trata da relativização e descrença na Palavra, terrível sinal de decadência civilizacional, já que é através dela que verdadeiramente temos existência: na relação. A ler aqui»»»»
Fotografia Jornal i, DR
Se considerarmos a racionalidade a prática da boa interpretação da realidade, podemos atribuir ao século xx, o do advento das repúblicas, das independências e das “igualdades”, o cognome de “O irracional”. O conhecimento e a aptidão tecnológica definitivamente não conferiram racionalidade ao ser humano: para não nos determos em demasia nos três maiores monstros do século passado, Mao Tsé-tung, José Estaline e Adolf Hitler, aos quais, por junto, se pode atribuir a responsabilidade de quase 200 milhões de vítimas, observe-se o caso do jovem norueguês Anders Breivik, que dominava técnica suficiente para fabricar as bombas que fez explodir em Oslo. Continuar a ler »»»»
(...) Foi um processo longo e lento, (a diversidade europeia perdida no século xx) talvez começado quando Napoleão uniu os franceses à volta do Estado e os europeus contra os franceses. A partir daí, a história europeia tem mais a ver com estados que com povos. O processo culmina na Segunda Guerra Mundial, com o extermínio dos judeus e o fim da diversidade. Do espírito de comunhão que nos unia a todos. Com as duas grandes guerras, a Europa não perdeu apenas os impérios, mas a sua força interior. A diversidade que a unia. A capacidade de conseguir ser uma casa para tantos. A riqueza espiritual que nos obrigou a reflectir, a questionar, a descobrir novos conceitos, sistemas políticos, filosofias que mudaram a vida. Se antes existiam monarcas com laços familiares, a par do espírito comum que unia os europeus, restam hoje políticos de topo que procuram juntar cidadãos que pouco têm a ver uns com os outros. E fazem--no da única forma que conhecem: através de uma união política que enfrente os desafios que vêm de fora. A Europa já não desafia o desconhecido, mas segue os que copiaram o que ela inventou. Esta ferida europeia é mais grave que a do euro e não se resolve numa cimeira. (...)
Um inspirador artigo de André Abrantes Amaral no jornal i, a indicar-nos leituras alternativas à nossa decadência. Na integra aqui.
(...) Não estamos apenas no período em que se discutem as causas da decadência nacional, como alertava Antero de Quental. Estamos na fase em que se terá que discutir as causas e os efeitos da dependência nacional. Já entendemos que não há almoços grátis. Quem empresta dinheiro exige algo em troca. Primeiro foram o FMI, o BCE e a EU. Agora é a Alemanha, só que com requintes de malvadez. Abrirá os cordões á bolsa em troca de soberania dos países com problemas de crédito. Em termos reais, o que quer não é uma União Europeia é uma Grande Alemanha. É neste jogo de nervos que a EU vai implodindo. Mas Portugal não tem muitas desculpas: colocou-se na boca do lobo. Gastou o que tinha e o que não tinha porque o crédito parecia ilimitado. (...)
Fernando Sobral, no Jornal de Negócios
(...) No século xxi, numa sociedade desenvolvida e num Estado de direito democrático, estas aberrações (piquetes de greve) devem, pura e simplesmente, ser extintas e fortemente reprimidas. E como estão inscritas na lei importa que o governo e a maioria que o suporta não tenham medo de tabus, dogmas e outros complexos de esquerda na hora de acabar com este atentado à liberdade. Se tiverem coragem para pôr as mãos nessa massa viscosa, talvez encontrem pelo caminho outras pérolas que devem ser rapidamente removidas para o caixote do lixo. As crises não têm só aspectos negativos. Às vezes também servem para drenar e secar muitos pântanos.
António Ribeiro Ferreira, hoje no jornal i
Mexeram-lhes no queijo...
É natural que apareçam por aí as carpideiras do costume a protestar contra o facto de os funcionários do Estado ficarem sem os subsídios de Natal e de férias. Para essas carpideiras, justo seria que a medida se aplicasse a todos, públicos e privados. Os que estão do lado da despesa e os que trabalham para dar receitas ao Estado. Para essas carpideiras, que sempre viveram e continuam a viver à conta do Estado e que alimentaram a champanhe e caviar a besta insaciável que levou o país à miséria, o Orçamento de 2012 é injusto porque, veja-se lá, ataca a despesa pública e tenta, por isso mesmo, reduzir as soluções do lado da receita (...).
António Ribeiro Ferreira, hoje no i
Para lá da espuma dos dias...
(...) A liberdade humana é reforçada e ampliada pelo facto de existir algo superior que a criou, defende e promove, sem esperar outra coisa em troca senão que quem a possui trate de ser feliz por si e para os outros.
José Luís Nunes Martins, hoje no i
Jobs fez de cada cliente um convertido e um missionário. Os seus computadores, telemóveis e tablets tornaram-se sinais de uma "comunidade". No centro do culto, estava ele. Uma vez por ano, aparecia ao vivo, perante uma congregação em êxtase, para revelar mais um "segredo". (...)
Jobs ilustra bem a célebre observação de Chesterton de que quando os seres humanos deixam de acreditar em Deus, passam a acreditar em tudo. Extinta a crença, resta a credulidade. Rui Ramos, Expresso.
A verdade só pode surgir num contexto de liberdade. (...) Eis o verdadeiro dom (talvez divino): ser livre. Poder dar sentido à vida, dando-lhe um ponto de partida, um rumo, um sustento e um verdadeiro fim.
José Luís Nunes Martins, hoje na sua crónica dos sábados no jornal i
A defesa de Alberto João Jardim vem donde menos se espera: "qualquer governo que se limite a ser um bom e passivo aluno está a condenar-se e a condenar-nos à forca."
Não sente, da parte do Estado, nenhum apoio a escritores, como no seu caso?
Em quê? Não quero ficar a dever nada a nenhum governo. Tenho recusado tudo, não faço parte de comissões de honra de nada nem ninguém. Eu sou livre, nunca pedi. Não queria que me apoiassem, só não queria que me tirassem.
António Lobo Antunes em entrevista ao Diário de Notícias de hoje.
Afinal, se neste mundo não conseguimos ser tudo quanto podemos, então é porque não somos daqui.
José Luís Nunes Martins ontem em crónica no Jornal i
Muito nossos
Outros blogs
Blogue da Real Associação de Lisboa
Centenário da República - Blogue
O Amor em Tempos de Blogosfera
This is not simply a metaphore
Links úteis