Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Do tempo novo

por João Távora, em 30.05.17

(...) Os críticos de Passos ainda não perceberam o que se passou: Costa descobriu um novo “arco da governação”, que lhe permite fazer o que é preciso para manter a correr o dinheiro do BCE, e ainda por cima com “paz social”. O PSD e o CDS não fazem greves, não marcham nas ruas, não inspiram bloqueios no Tribunal Constitucional, nem existem na televisão, a não ser através daqueles “comentadores de direita” que, por acaso, até apoiam Costa. Na medida em que não servem para criar “conflitos sociais”, o PSD e o CDS também não servem para garantir “paz social”. Para que quereria Costa a sua ajuda? Para fazer “reformas estruturais”? Mas quem precisa de reformas, quando o BCE dá dinheiro e o turismo alegra as ruas?

 

Rui Ramos no Observador aqui na integra

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sentido único

por João Távora, em 19.05.17

Entre 2011 e 2015, nunca pôde haver boas notícias. Depois de 2013, as exportações aumentaram, o desemprego caiu (de 16,2% em 2013 para 13,9% em 2014), o défice diminuiu, a economia voltou a crescer, o turismo começou a alastrar a Lisboa e ao Porto. Mas ai de quem se mostrasse animado. Eram só “números”. Se o desemprego caía, era porque os desempregados desistiam de procurar emprego. Os jornais e as televisões dispunham então de uma reserva inesgotável de “casos dramáticos” para desmontar as estatísticas. A economia estava destruída, o Estado social tinha acabado. Se Salvador Sobral tivesse ganho a Eurovisão em 2015, teria havido editoriais a lamentar a importância dada a um festival.

 

A ler Rui Ramos no Observador

Autoria e outros dados (tags, etc)

Como se fazem milagres?

por João Távora, em 28.04.17

(...) É simples: entre 2015 e 2016, o governo do Syriza cortou a despesa pública brutalmente, como nunca a direita se teria atrevido, de 95,2 mil milhões de euros para 86,1. O peso do gasto do Estado no PIB teria descido de 54,2% para 49%. Nem o mais esturrado neo-liberal alguma vez teria esperado tanto. Por outro lado, o Syriza aumentou os impostos com toda a ferocidade (sobretudo os indirectos) e deixou de pagar a fornecedores (calcula-se que deva uns 5 mil milhões de euros). De resto, aproveitou o ressurgimento do turismo. Mas tal como em Portugal, também na Grécia, apesar dos malabarismos orçamentais, a dívida não para de crescer (de 177% para 179%).

O que é que as oligarquias europeias descobriram com entusiasmo? Que para a austeridade pura e simples, isto é, a austeridade dos cortes e dos calotes, a extrema-esquerda é muito melhor do que a direita. Porque a extrema-esquerda pode cortar sem ter de aturar manifestantes na rua, sindicalistas em greve ou jornalistas histéricos com a “crise social”. Imaginem a faca orçamental do Syriza manejada por um governo da direita? Era o “neo-liberalismo”, a “destruição dos serviços públicos”, o fim do mundo. Em vez disso, a burguesia comove-se com o “sentido de responsabilidade” dos herdeiros de Lenine.

O truque é reduzir o Estado ao que importa para manter o poder – empregos, favores para amigos, controle sobre as actividades — e cortar tudo o mais sem piedade. (...)

 

Rui Ramos a ler na integra no Observador

Autoria e outros dados (tags, etc)

Era só conversa, afinal

por João Távora, em 30.03.17

"Indignados", indignem-se. "Que se lixe a troika", mostrem-se "lixados", um bocadinho que seja, com qualquer coisinha. "Geração à rasca", só passaram dois anos. Ninguém acredita que se desenrascaram com essa facilidade. "Auditoria cidadã à dívida", está alguém em casa? A dívida ultrapassou 132% do PIB. Embora lá tirar do bolso a máquina calculadora. Camaradas do "Congresso das alternativas" e da "Rede economia com futuro", como é que é? A CGD, financiada por "fundos abutres" à taxa de 10,75%, com comissões e impostos pagos em offshore do Luxemburgo, prepara-se para encerrar 180 balcões no Norte, Centro, Sul, Açores e Madeira e despedir 2200 trabalhadores até 2020. O Novo Banco, depois de entregue à Lone Star, vai encerrar 55 balcões e despedir 400 trabalhadores. Mais de 500 foram dispensados das escolas privadas. E os camaradas nem um grito, nem uma lágrima? Francamente. Parte importante do esforço de contestação de rua, nascido depois de 2011 em Portugal, revela-se o que sempre foi. Uma encenação instrumental indecente, dos partidos à Esquerda.

 

Nuno Melo no Jornal de Notícias 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A nossa triste sina

por João Távora, em 20.03.17

(...) Na verdade Santana não seria um extraordinário primeiro-ministro mas não só foi substituído por outro bem pior como ao aceitar-se que Santana Lopes fosse corrido daquela forma se deixou implícito que a legitimidade dos primeiros-ministros em Portugal não resulta apenas dos votos.

Esta é a lição que Sampaio nos deu em 2004: em Portugal existe quem mande – a esquerda que para o efeito obedece ao PS – e depois temos os subalternos que não vale a pena dizer que são de direita porque na verdade eles vivem num não lugar que, por prudência, definem como “não ser de esquerda”. (...)

 

A Ler Helena Matos no Observador

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O pior cego...

por João Távora, em 16.03.17

(...) Quando se fala de imigrantes, fala-se de pessoas, quando muito de famílias, e das suas dificuldades de “integração”. Mas em grandes números, com os meios de comunicação de hoje, as migrações formam comunidades que, muito humanamente, aspiram a manter as suas identidades e políticas de origem. É o caso da diáspora muçulmana do Médio Oriente e do Norte de África.

Por isso, os imigrantes muçulmanos não estão a integrar-se na Europa, mas a integrar a Europa no mundo de onde vieram, como a Holanda e a Alemanha perceberam quando, a semana passada, se viram transformadas em terreno da campanha eleitoral do ditador turco Erdogan. A maioria dos migrantes procura apenas uma vida melhor, incluindo os muçulmanos. Merecem uma oportunidade. Mas no caso da diáspora do Médio Oriente e do Norte de África, há muita gente, como os islamistas ou o novo sultão da Turquia, determinada em usar as migrações para acelerar o que julgam ser a crise de uma sociedade europeia em regressão populacional e confusão ideológica. Erdogan mantém de reserva dois milhões de “refugiados”, que ameaça largar sobre a Europa sempre que os europeus o incomodam. São as suas armas de destruição demográfica. As migrações, deste ponto de vista, já não são uma simples questão de arranjar empregos, escolas e apartamentos para quem chega. São um problema político, e não basta falar de “islamofobia” para o resolver. (...)

 

Rui Ramos a ler na integra aqui. 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Da Primavera

por João Távora, em 11.03.17

(…) Pode ser apenas uma referência aproximativa, mas é bom saber que, às 10hs e 29m do dia 20 de Março, a Primavera se levantará e que ela é imagem de outras primaveras ainda mais decisivas que se erguerão. Que a notícia circule entre os amolgados e feridos que somos todos; chegue aos que tentaram e falharam, aos sobrecarregados, aos que começaram a dizer que já é tarde; corra entre os que viram o fogo tornar-se cinza e não voltar a acender-se, os que semearam e não colheram, os que olham assustados as mãos vazias; visite os desiludidos, os encarcerados no seu desgosto, os enlutados, os perseguidos por aflições maiores do que as que podem suportar; resgate os que se perderam nos corredores longos e todos iguais dos seus invernos, os que sem saber como viram-se a pensar que a vida já não é para eles, os que caminham pelo tempo desolados e sós.

 

Pe. Tolentino Mendonça no Expresso

Autoria e outros dados (tags, etc)

A guerra nas nossas ruas

por João Távora, em 01.03.17

Rua St. António dos Capuchos.jpg

Rua de Stº Antº dos Capuchos em Lisboa

 

Antes de instalar o meu escritório em Cascais na centralíssima e animada Rua Visconde da Luz, ao lado do jardim com o mesmo nome, fui indagar sobre o eminente cascalense que se esconde por detrás do marido traído (para não usar uma terminologia vernacular) por Rosa Montufar Barreiros, amantíssima musa de Almeida Garrett, conhecida pela sua beleza lendária. Afinal não era apenas esse infortúnio que tornara célebre o oficial do exército liberal que nesta vila piscatória construiu uma casa de veraneio e plantou algumas árvores. Dos heróis derrotados dessa guerra civil, em matéria de toponímia sobrou para amostra a Bica d’el Rei D. Miguel, restaurada há pouco ali no Arsenal da Marinha, junto ao rio Tejo.

A verdade é que a maior parte das pessoas é indiferente à origem dos nomes das avenidas, praças, ruas ou fontanários das nossas terras. E no entanto, a toponímia das nossas cidades, vilas e aldeias esconde uma contenda encarniçada que com raras excepções só os vencedores admite, mesmo que eles tenham sido os mais requintados tiranos ou umas completas nulidades.

Está hoje cientificamente provado que o revisionismo de grande parte da toponímia nacional pelos republicanos de 1910 quedou-se como o seu principal legado. Em Lisboa, entre muitíssimas outras renomeações, a Avenida Rainha D. Amélia passou a chamar-se avenida Almirante Reis, o Cândido comandante da revolta que se suicidou espetando um balázio nos miolos dois dias antes da implantação da dita, convencido de que a revolução estava perdida – sem dúvida um grande feito. E temos o pobre Frederico Ressano Garcia, arquitecto das Avenidas Novas em finais do século XIX que dava nome a uma conhecida artéria que rasgava o planalto urbano em direcção ao Campo Grande: o seu nome foi descartado e a arejada avenida forçada a ser da República. Logo ali ao lado, a Avenida António Maria Avelar foi rebaptizada por avenida Cinco de Outubro. Se eu lá morasse tinha logo mudado de casa.

Bem pior é a quantidade de eminências pardas que empestam a toponímia das nossas cidades, como é o caso flagrante de Miguel Bombarda, vulgar psiquiatra e medíocre publicista republicano assassinado por um seu doente em vésperas da revolução de 1910, de que não se lhe conhece obra que se veja mas que bate Luís de Camões, Gil Vicente, Fernando Pessoa ou outra figura pública em qualquer lugarejo deste jardim à beira-mar plantado. Se um marciano aterrasse hoje numa cidade portuguesa pensaria que Miguel Bombarda e Elias Garcia (alguém lhe conhece feito ou obra?) são as mais gradas figuras históricas nacionais.

É curioso como na cidade de Almada se cruzam ruas Catarina Eufémia, Padre Américo, Aliança Povo-MFA, Dr. António José de Almeida, rei D. Carlos, 31 de Janeiro, José Afonso e Padre António Vieira e Sagueiro Maia. Mas a suprema ironia é a história do militante e resistente monárquico Saturio Pires, um bravo da Galiza com papel preponderante nas Incursões Monárquicas e na Monarquia do Norte, que depois do exílio atingiu o final da vida em grande miséria, e foi viver para uma habitação social atribuída por Salazar na… Avenida Defensores de Chaves. Definitivamente o António não era flor que se cheirasse.

Tenho para mim que os nomes de personalidades a atribuir a topónimos deveriam ser submetidos ao crivo do tempo, quer dizer, da história; e as ganas da homenagem dos seus partidários serem contidas por cem anos, ou mais, antes de se tornarem um factor de desvalorização imobiliária, que é o que acontece antes das pessoas comuns se esquecerem quem foi o pilantra com o nome gravado em determinada tabuleta.

Ninguém se incomodará com uma rua Gil Vicente, Rua Alexandre Herculano, Rua Eça de Queirós, Rua D. Pedro V, Praça Luís de Camões ou Calçada Marquês de Abrantes. Entretanto, diante da expansão urbana, deveríamos fazer como os antigos que sabiam dar nomes bonitos partindo do mérito dos próprios locais. Rua da Alfarrobeira, Rua das Gaivotas, Rua dos Mastros, Rua Navegantes, Rua do Poço Novo, Beco das Terras, Rua da Vitória, Rua da Saudade, Rua da Bela Vista, Rua do Alto do Moinho Velho, Rua das Gáveas, Rua da Horta Seca, Travessa da Espera, Rua da Misericórdia, Rua das Mercês ou dos Fiéis de Deus — tudo nomes que irradiam encantamento e que, por isso, estou convencido, têm o condão de ajudar a fazer dos seus habitantes pessoas melhores e mais felizes...

 

Publicado originalmente no jornal i

Autoria e outros dados (tags, etc)

Capturados

por João Távora, em 21.02.17

(...) É este polvo, muito mais do que a economia ou as finanças, que vai condicionar Portugal nos próximos anos. Porque mesmo quando a geringonça se desfizer, eles, os comissários, vão ficar lá, blindados nas funções criadas à sua medida, nos seus cargos ideológicos, nos seus programas que implicam sempre mais programas. O dízimo que Costa está a pagar à esquerda radical vai atrasar-nos anos e anos e aumentará em muito a conflitualidade pois o preço da descrispação presente é a enorme crispação futura que teremos de suportar. Por cada dia de silêncio e descrispação é mais uma comissão nomeada, um programa aprovado, um plano equacionado. Todos durante anos e anos vão determinar não só o que podemos fazer mas também o que devemos pensar e sobretudo o que devem pensar os nossos filhos e netos. (...)

 

A ler na integra Helena Matos no Observador

Autoria e outros dados (tags, etc)

Alberto Gonçalves no Observador

por João Távora, em 03.02.17

(...) Sonho escrever crónicas que usem as palavras “descrispação” e “proactividade”. Sonho escrever crónicas que repitam cada cliché disponível acerca do perigo que o sr. Trump representa. Sonho escrever crónicas que se derretam de admiração pelas “selfies”, pelos “afectos” e pelos obituários, salvo seja, do prof. Marcelo. Sonho escrever crónicas que denunciem as patifarias dos banqueiros, excepto dos que são perseguidos por Pedro Passos Coelho. Sonho escrever crónicas que sublinhem o pacifismo do islão e o belicismo israelita e a culpa ocidental. Sonho escrever crónicas que me candidatem a uma assessoria de imprensa ou a outro posto assim digno. Sonho escrever crónicas que agradem às inúmeras personalidades de relevo que transformaram Portugal naquilo que é.
Mas não consigo (...). 

 

A partir de amanhã leia a nova crónica de Alberto Gonçalves. Todos os sábados, no Observador.

Autoria e outros dados (tags, etc)

António Ferro, por Rita Ferro

por Vasco M. Rosa, em 08.01.17

Importa elogiar abertamente a afeição, a coragem e o desassombro de Rita Ferro em chamar o avô a um aqui e agora que teima em ser-lhe tão indiferente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

É costume dizer: o populismo não é uma doutrina, mas um estilo. O que o define? Antes de mais, a noção de que a política consiste no combate que “nós” travamos contra “eles”. Nós somos a maioria, eles são uma minoria. Nós temos sido prejudicados, eles têm sido privilegiados. Nós estamos do lado de fora, eles estão do lado de dentro. Nós somos virtuosos, eles são corruptos.

Em nome do “nós”, fala geralmente alguém que os jornalistas, à falta de melhor vocabulário, chamam “carismático”. O que esse líder carismático se propõe oferecer é invariavelmente contraditório: por exemplo, mais despesa social e menos receita fiscal. O resultado é défice, inflação, às vezes bancarrota. Entretanto, o líder descobrirá as necessárias conspirações para explicar as dificuldades.

 

Rui Ramos na integra aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

Impérios

por João Távora, em 08.12.16

Quem ler um livro qualquer sobre a decadência e queda de qualquer império acaba sempre por encontrar a mesmas queixas: a falta de religião ou uma religião exótica; o desamor pelos costumes antigos (bons) e o amor pelos novos (péssimos); o desprezo pelas classes dirigentes (merecido ou imerecido); a invasão ou penetração dos bárbaros; a indiferença das classes médias pela vida pública; o desprestígio dos militares; e – muito principalmente – a dívida do Estado e dos particulares. Dos generais romanos que vendiam o império por dinheiro sonante a Gorbatchev que pedia a Bush 1,5 biliões de dólares para que o bom povo do “socialismo real” pudesse comer, a história, real ou imaginária, não muda muito.
É por isso que me admira que ninguém tenha visto em Trump uma personagem de fim de império. Até na sua extravagância ele encarna o desespero geral da sociedade que o produziu e o slogan da campanha em que foi arrasando toda a gente era suficientemente explícito: “Let’s make America great again”, uma franca admissão que deixara de o ser. (...)

Vasco Pulido Valente daqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

Qual a lição de história que lhes falta?

por João Távora, em 28.11.16

Aqueles que como Ferreira Fernandes homenageiam Fidel por ter combatido Fulgêncio Baptista “Ao combatente de grande causa, honra. Ao tirano, vergonha” não estão indirectamente a justificar Oliveira Salazar que chegou ao poder para acabar com dezasseis anos de instabilidade miséria e tirania? Qual a lição de história que lhes falta?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Generation gap

por João Távora, em 24.11.16

E o que vejo quando olho para os novos cafés de Lisboa, pejados de gente a gastar dinheiro que eu tenho mas que prescindo de deixar ali, ponho-me a pensar que talvez a questão seja mesmo essa. Os millennials, a geração do milénio, não gosta do futuro que vê e come abacates para esquecer. Aqueles sítios estão cheios de gente que desistiu. 

André Abrantes do Amaral no i

Autoria e outros dados (tags, etc)

Do jogo sujo

por João Távora, em 04.11.16

(...) A liberdade de imprensa e a liberdade de expressão são e estão irmanadas. A primeira só tem valor acompanhada pela segunda, isto é, a liberdade de escrever notícias só tem valor se quem as lê tiver a liberdade de questionar essas notícias. Quanto mais escrutinada for a notícia, maior o seu valor de verdade.

Essa liberdade no espaço de participação cívica e opinião pública é fundamental para manter os cidadãos devidamente informados. Os jornais devem escrutinar-se mutuamente e os leitores devem questionar o que lêem. Esse escrutínio não pode ser conspurcado por páginas anónimas sem responsabilização, de juízo arbitrário e de uma suposta superioridade moral.

A democracia representativa e a liberdade que a constitui não permitem jogos de sombras. (...)

Sebastião Bugalho no Jornal i, a ler na integra aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Opostos

por João Távora, em 13.10.16

nm1272_opostos.jpg

Para quem não comprou o Diário de Notícias ou o Jornal de Notícias no Domingo, aqui está o artigo da revista Notícias Magazine já na rede, um civilizado confronto República vs. Monarquia corporizado pelo antigo ministro da defesa Nuno Severiano Teixeira e por mim

Autoria e outros dados (tags, etc)

A revolução dos taxis

por João Távora, em 11.10.16

(...) Durante muito tempo, o Estado permitiu que um número limitado de indivíduos e de empresas explorasse, em regime de exclusivo, o transporte público individualizado nas grandes cidades. Os preços eram tabelados, os profissionais vigiavam-se mutuamente, e ninguém inovava. Como os seus porta-vozes lembraram, os taxistas prestavam um “serviço público”. Eram, de facto, concessionários de um monopólio estatal. Para entrar no meio, era preciso investir na autorização legal e depois integrar-se nos costumes e rituais da corporação. Como em todos os “serviços públicos”, o próprio prestador, o seu posto de trabalho e o seu conforto tornaram-se a principal razão de ser do serviço. O utilizador passou a ser frequentemente tratado como um incómodo, segundo o costume das repartições públicas. Daí essa figura característica do “taxista”, de que toda a gente tem histórias. (...)

 

Rui Ramos a ler na integra aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bocage, sempre!

por João Távora, em 13.09.16

Já que o Vasco Rosa não o faz, tenho que ser eu a fazer referência da sua mais recente crónica no Observador sobre Bocage a propósito do congresso internacional a ele dedicado que decorre por eestes dias em Setúbal.

A ler aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A derrota de Camus

por João Távora, em 27.08.16

 

(…) Como Camus bem sabia, não há cosmopolitismo sem raízes, não há ética cosmopolita sem pátria. Um bom cosmopolita é um bom anfitrião que domina as artes da hospitalidade. Ser cosmopolita é tratar bem aqueles que visitam a nossa casa. A jusante, só podemos ser bons cosmopolitas se mantivermos a montante uma enorme estima pela nossa casa; só podemos amar a Humanidade se amarmos o vizinho do 4º esquerdo se pudermos ver a Humanidade num estrangeiro se amarmos a nossa rua, a nossa cidade, a nossa pátria. Ora nas últimas décadas, o multiculturalismo representou na prática a destruição organizada da nossa própria casa, a erradicação de narrativas nacionais com centenas de anos, a diabolização das nossas religiões (judaísmo e cristianismo) com milhares de anos. Como é que podemos agora reconstruir uma noção de pátria que nos liberte do multiculturalismo e que, ao mesmo tempo, evite nacionalismos?

(…) Se queremos evitar uma longa guerra civil com os islamitas e se queremos manter a essência das nossas democracias abertas, temos de reaprender a jogar bowling juntos, temos de reaprender a articular a palavra pátria, temos de voltar à decência de Albert Camus.

 

A Pátria de Camus, um ensaio de leitura obrigatória de Henrique Raposo hoje na revista do Expresso.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2008
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2007
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2006
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D