«O PSD precisa de mobilizar o país para as mudanças que são precisas (...) que não são apenas o que foi acordado» com a missão FMI/UE/BCE, disse Passos Coelho, ontem, numa reunião com responsáveis de vários blogs, entre eles este Corta-Fitas.
Na presença de representantes de blogs como O Cachimbo de Magritte, Albergue Espanhol, Diplomata, Portugal dos Pequeninos, entre outros, Passos Coelho explicou vários pontos do seu programa eleitoral (o único conhecido até agora) que, segundo disse em resposta a uma pergunta nossa, «é ousado, mas não teria sido muito diferente» mesmo se não houvesse um plano acordado com a missão tripartida que veio negociar a ajuda externa.
Depois de insistir na necessidade de um governo mais pequeno, mais enxuto, e mais operacional, o líder do PSD abordou cada sector da vida política e económica nacional, citando dados da crise (os 2 milhões de pendências na Justiça, os 500 mil Portugueses sem médico de família, a recessão) e propôs soluções. «Se o Estado não está em condições de garantir cuidados de saúde a custo controlado», então deve procurar soluções a custo controlado com os privados. Se o Estado não garante a Justiça, então é preciso mudar, por exemplo, dando maior agilidade às decisões dos tribunais (eliminando a necessidade de interpor acção executiva, quando pre-existe sentença em acção declarativa), dando-lhes uma gestão profissional, com um administrador, à semelhança do que acontece com os hospitais; abrindo a carreira de juíz além dos estreitos limites actuais de recrutamento, por exemplo, a magistrados públicos.
Sobre a situação de falência a que o governo Sócrates trouxe Portugal, e a pergunta do Corta-Fitas, Passos Coelho defendeu a necessidade de «uma mudança de regime económico», sob o lema «desgovernamentalizar, desestatizar», com acento tónico na concorrência, no crescimento, na competitividade.
Durante 1 hora, o candidato explicou o seu programa, respondeu a perguntas e propôs medidas de governo. Um privilégio para quem ouviu? Sem dúvida! Neste sentido: nada das medidas programáticas, nada dos problemas concretos e quantificados, nada das soluções críveis, tem passado (excepto como eco da voz do dono) nas televisões mais ocupadas, como diz justamente o outro, com pintelhos e propaganda.
(...) Tem medo que o julguem apressado e medo que o julguem indiferente. Tem medo de avançar e tem medo de continuar parado, deitando pelos povos pérolas de sabedoria. Tem medo do CDS e tem medo de precisar do CDS. E tem principalmente medo que os génios que arranjou não cheguem para endireitar Portugal. O medo vai de ponta a ponta, de Cavaco ao PSD. O medo paralisa. E o medo mete medo.
Vasco Pulido Valente Público 27-2-2011
Ao ouvir Pedro Marques Lopes ontem à noite na SIC Notícias em comovente comunhão com Adão e Silva a verberar com inusitada arrogância contra Paulo Portas, apercebemo-nos como o deslumbramento pelo poder pode cegar, fazer confundir o acessório com o que é essencial. O essencial é resgatar Portugal. Assim foi, a loira de Passos Coelho deu uma série de recados, enumerando uma série de lugares comuns, velhas teorias e tacticismos, da conquista do centro esquerda, e do perigo da direita, um argumentário que mais não pretende do que assegurar às hostes laranjas de que tudo permanecerá igual ao que sempre foi, acalmar as ávidas clientelas que há décadas encalharam o país num cinzento e profundo centrão.
Se os resultados das presidenciais nos indicam algo para além do óbvio, é que os portugueses anseiam por novas propostas, desacreditam profundamente no discurso tradicional dos partidos, vistos como meros sindicatos de interesses e divorciados dos cidadãos. É justamente esse sentimento que favorece, quanto a mim, a formação dum espaço de união não socialista, um movimento descomplexado e afirmativo de ruptura, que reúna uma inquestionável selecção das mais importantes figuras à direita do PS, num projecto de aliança eleitoral virado para a regeneração e rejuvenescimento da política e para a mobilização do país. Algo parecido com o desafio feito por Paulo Portas, que, há que reconhecer, desta vez está repleto de razão e oportunidade.
1. "Ferreira Leite merece uma estátua" - Paulo Rangel8. Assis e Seguro marcam posição no PS - in o Sol
9. Estou disposto a ceder lugar para solução de estabilidade - Luís Amado
10. Sócrates compreende Amado mas acusa oposição de não querer ter responsabilidades governativas - José Sócrates
Passos quer responsabilização civil e criminal pelo estado da economia
Ora aqui está uma proposta muito positiva e na linha daquilo que recentemente já defenderamos aqui no "Corta-Fitas". Confira aqui, veja aqui e leia aqui o que escrevemos em 29 de Setembro.
Manuela Ferreira Leite teve hoje no parlamento o seu (ingrato) dia de glória: confirmando a sua irrepreensível postura de Estadista, “a velha”, numa tão sucinta quanto brilhante intervenção veio deitar água na fervura, impor a racionalidade urgente num debate entornado pela hipocrisia, quando não pela mais infame velhacaria argumentativa. Com a autoridade de quem, contrariando uma alucinação colectiva particularmente gritante entre os opinadores oficiosos e os socialistas, há anos nos vem alertando sobre a iminência do abismo, a ex-líder social democrata reforçou que "Portugal está à beira da bancarrota" e que este OGE é o início de um “percurso longo e muito exigente” que “não pode ser desperdiçado com manobras políticas”. No final deixou a mais proeminente questão politica do momento: “como é que foi possível que um partido tivesse conduzido o país de tal forma que tornasse este Orçamento inevitável?".
Nem o País político nem o PSD merecem Manuela Ferreira Leite. Merecem aquilo que têm e o que aí vem. Que Deus nos ajude a todos... apesar de tudo.
Imagem daqui
1 - Como era de esperar uma “vaga de fundo” conservadora não surgiu e José Ribeiro e Castro, um político que admiro pelo trabalho e coragem na assumpção da diferença, desistiu da veleidade duma candidatura às presidenciais. E fez bem: definitivamente não é duma "presidência" que os católicos precisam, mas sim duma intensificação da sua intervenção no terreno, através do associativismo e organizações cívicas, e duma mensagem mais assertiva do seu património ideológico, nomeadamente no parlamento e nos media. Tudo o mais são quimeras, dispêndio de latim, energias e recursos materiais. Para corta-fitas bastamos nós.
2 – Literalmente entalado no colete-de-forças do calendário constitucional, ameaçado à colagem com a mais incompetente governação das últimas décadas, Pedro Passos Coelho estrebucha compreensivelmente contra o cruel destino que se lhe depara: ter que deixar passar um orçamento tão impopular quanto inevitável. A alternativa é um ano de caos político e desordem financeira, um “quanto pior melhor” principio revolucionário que não é cultura do seu eleitorado, e cuja factura não deixaria de ser cobrada nas eleições intercalares, sob os auspícios do FMI. Assim sendo, nestes dias que nos separam da votação do OGE recomenda-se à direcção de PPC algum bom senso e uma consequente atitude de recato e moderação. Pela Pátria, se isso os interessar para alguma coisa.
PMP
Os cavaquistas estão a pressionar o PPC para viabilizar o orçamento de qualquer maneira.
PPC tem uma oportunidade de livrar o país de um primeiro ministro incompetente e irresponsável que está a levar portugal à ruina.
JP RIBEIRO
Reitero aqui que se o PPC avalizar um aumento de impostos, qualquer que este seja, prefiro a abstenção ao voto socialista disfarçado no PSD.
ANTÓNIO
(...) Em breve saberemos se Pedro Passos Coelho é um verdadeiro líder do PSD. Mais importante que isso, se estará à altura de liderar Portugal e romper com estas nefastas “tradições” políticas.
Comentários recolhidos aqui.
Pois é...
A regra é não agitar muito para não se precipitar o afundamento. Mas a partir de hoje o presidente respira de alívio, impedido de dissolver a assembleia e poderá descartar-se de qualquer responsabilidade para com a actuação do governo e do ambiente de protesto que se irá assistir por via dos efeitos das medidas anti-crise que em breve começarão a fazer-se sentir. A reeleição de Cavaco será de bandeja, que perante a catástrofe, falando o mínimo possível, reservar-se-á atrás da sua impotência constitucional. A Passos Coelho resta-lhe engolir mais um sapo, a ambiguidade de recalcitrar um Orçamento que afinal está condenado a aprovar. O facto custar-lhe-á alguma popularidade, nada irrecuperável, se considerar-se que irá ter cerca de um ano para embalar para umas eleições antecipadas, com o país em rápido naufrágio moral e financeiro. Se não souber aproveitar será porque foi aselha, ou então porque a crise terá enveredado a Nação para algum cenário muito diferente daquilo a que nos habituámos. Quem sabe uma grande oportunidade de verdadeira mudança.
Não consta que tenha sido uma velha de colar de pérolas em Bruxelas a alertar o governo português para a manifesta insuficiência das medidas previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento para o controlo do deficit e da divida pública. Para lá do folclore e das estratégias de propaganda do governo e das oposições, a questão fundamental foi ontem muito bem sintetizada pelo insuspeito Carlos Félix Moedas num artigo publicado no jornal I: tendo em conta a nossa fraca produtividade, a curto prazo restam-nos duas soluções, ou abandonamos o euro ou reduzimos o custo do trabalho. Despertando lentamente dum estratégico "estado de negação", o governo de José Sócrates encontra-se hoje sitiado pela trágica realidade e perante ela não se vislumbra uma forma “elegante” de Pedro Passos Coelho se descartar dum discurso tão responsável quanto impopular: suspeito que não lhe resta outra alternativa do que dar bom destino à sua voz de barítono e pose de estado para alertar e motivar os portugueses para os duros tempos que se aproximam. A gravidade da situação não concede espaço para grandes jogadas ou demagogias e os portugueses, que terão que se assumir como parte da solução, têm que saber o que os espera: trabalho e sacrifícios.
"Pedro (Passos Coelho), eu ainda hei-de compor uma canção para tu cantares. E ai de ti se desafinares!"
Fernando Costa, Presidente da C.M das Caldas da Raínha
Os passos do novo líder do PSD estão condicionados. Para quem pensasse que Pedro Passos Coelho teria "luz verde" para executar a estratégia que defende para o PSD ou a moção política que resultar do próximo Congresso, desengane-se. Há quem, desde o primeiro dia deixe bem claro que pretende assegurar que o consulado de PPC esteja fortemente "vigiado", nem que isso implique, de vez, e curiosamente, o fim do actual Regime. Para as bandas de Belém, nesta República à beira de comemorar 100 anos, o valor supremo que o mais alto magistrado da Nação defende é... a "estabilidade". Ingenuamente pensei eu que o que mais interessava era a democracia, fosse ela em Monarquia ou em República. Mas há uns anos a esta parte, a democracia parece ser um dado adquirido na cabeça de alguns (atitude perigosa...) e o valor que mais alto se levanta agora é outro: a dita "estabilidade", a qual significa: paz podre, manutenção do status quo, na prática, o "deixa andar" que caracterizou as últimas décadas da jovem democracia portuguesa com os resultados que se conhecem.
É a segunda vez no passado recente que um líder partidário, curiosamente sempre do PSD, vê a sua acção condicionada por um Presidente da República. Foi o caso de Pedro Santana Lopes com Jorge Sampaio, que culminou no conhecido "golpe de Estado constitucional" que levou à dissolução da Assembleia da República e à queda do Governo e, agora, a propósito do malfadado PEC, Cavaco Silva com o novo Presidente do PSD, Pedro Passos Coelho. O Presidente pretende que PPC não trave o PEC "a bem da imagem externa do País". Ou seja, o que conta são as aparências, não interessa se a casa está ou não arrumada. Tem é de parecer que está, nem que o lixo se acumule todo debaixo dos tapetes. A reacção dos mais próximos do novo líder do PSD não se fez esperar. E estão cobertos de razão. Numa monarquia uma atitude deste tipo por parte do Chefe do Estado seria impossível. Aí "o Rei reina mas não governa" ou seja, ao Rei cabe a função de Chefe de Estado e representa a Nação, nomeadamente nas questões internacionais, o tal palco onde Cavaco pretende que tudo aparente "estar bem". É com atitudes como esta que o Regime se afunda. No que me toca fico encantado, mas que mete dó, mete. E vamos andando...
A escolha de Agostinho Branquinho por parte do novo líder do PSD para debater com José Sócrates no primeiro debate parlamentar da "era Pedro Passos Coelho" deveu-se a quê? A conhecida acutilância do deputado nortenho, marcando um estilo que será para continuar, ou uma despedida forte da actual direcção e do presidente do Grupo Parlamentar Aguiar-Branco, de que Branquinho era braço direito, antes das mudanças que surgirão? Ou ambas?
"Está à vista a perda da nossa independência económica"
Manuela Ferreira Leite, na última intervenção no Parlamento enquanto líder do PSD, lamentou ter considerado "essencial" viabilizar a resolução de apoio ao PEC. Apelou à "suspensão e reavaliação" dos investimentos públicos e considerou que "está à vista a perda da nossa independência económica".
"Se os deputados do PSD resolverem, por uma vez, pensar pela sua cabeça, cumprirem o mandato recebido dos seus eleitores, defenderem o interesse do país e desobedecerem, votando contra o PEC, acontece o quê? A sua líder demite-se?"
Retirado daqui.
O candidato à presidência do PSD Pedro Passos Coelho propõe na sua moção de estratégia global um modelo de voto preferencial opcional nas legislativas, que permita aos eleitores indicarem, além do partido, o candidato que preferem.
O candidato afirma que: "Sem prejuízo de podermos vir a considerar outras alternativas existentes nos sistemas político-eleitorais, defendemos a introdução de mecanismos de personalização das escolhas pela via do voto preferencial opcional”, refere a moção de Passos Coelho, no capítulo da reforma do sistema político.
Trata-se de um “mecanismo que requer a reconfiguração dos círculos eleitorais, de modo a combinar a existência de um círculo nacional com círculos locais menores, onde o eleitor poderá exercer um voto nominal escolhendo, assim, o seu candidato preferido, para além da escolha do partido da sua preferência”, expõe o candidato à presidência do PSD.
“A reforma manterá, essencialmente, o sistema de representação proporcional que vigora hoje, mas abre espaço à correcção de um dos aspectos em que o seu desempenho tem sido menos eficaz: aproximação de eleitores e eleitos”, considera.
Comentário: Esta proposta assemelha-se à que já no passado ano foi apresentada pela FEH (Coligação eleitoral para as Legislativas de 2009 entre o MPT e o PH) e na sequência da que, há anos, foi apresentada pelo MPT sendo pois uma evolução positiva mas todavia insuficiente.
o MPT propôs a implementação do sistema de duplo voto em todos os actos eleitorais, propiciando que os eleitores possam escolher não só a lista, mas também o candidato, dentro da mesma, da sua preferência. Mas também avançou com a criação de um círculo eleitoral único nacional para eleição de um terço dos deputados à Assembleia da República, por forma a aumentar a representatividade deste órgão de soberania.
Depois de relexão mais aprofundada pessoalmente defendo a conciliação de um círculo nacional único com outros círculos mas de tipo plurinominal. Se assim fosse o fenómeno "cacicagem" seria muito atenuado o que sucederá forçosamente com a existência de um sistema de características uninominais.
Uma coisa era criticar antecipadamente a proposta apresentada por Pedro Santana Lopes no Congresso - e que este votou favoralmente, recorde-se - e que ficou conhecida como "Lei da Rolha". Outra, bem diferente, é a dificuldade de muitos dos participantes em Congresso em reconhecer que, ao contrário da sua fraca prestação em sede de análise de propostas de alteração estatutária, Santana fez atempadamente os trabalhos de casa e eles, "maus alunos", não, vindo só agora a terreiro gritar "aqui d´el Rei"...
De um ponto de vista partidário bem compreendo Pedro Santana Lopes dado que os líderes partidários são inacreditavelmente apoucados pelos seus opositores nos media tempos antes das eleições sem que nada possam fazer contra. Por outro lado, creio que a norma é realmente de duvidosa constitucionalidade por violação do direito à liberdade de expressão. Ora aqui começa a demogogia. Em primeiro lugar por parte do Partido Socialista que se "mete" num assunto com o qual nada tem a ver. Se existe entidade que deve verificar da legalidade dos Estatutos do PSD é o Ministério Público junto do Tribunal Constitucional. Por outro lado, por parte de todos os candidatos à presidência do PSD que, no local certo, nada disseram sobre a polémica proposta e agora se aprestam a vociferar contra ela.
A conclusão que se pode tirar é que 99% dos participantes no Congresso votou algo que não leu - o que se lamenta - e que quem promoveu o Congresso - Santana Lopes - apresentou propostas sérias, ainda que polémicas, de alteração estatutária e que apenas beneficiam quem vier a ser presidente do PSD, mas, no final,"ficou com a fava". No fundo, e se necessário fosse, apenas a confirmação de quão ingrata é a política.
O candidato à liderança do PSD José Pedro Aguiar-Branco afirmou hoje que vai pedir a averiguação da inconstitucionalidade da norma que impõe sanções aos militantes que critiquem a direcção do partido 60 dias antes de eleições, já conhecida como "Lei da Rolha". A referida norma interna foi aprovada este fim de semana no Congresso do PSD com 352 votos favoráveis, 102 abstenções e 76 votos contra. Todos os candidatos à liderança afirmaram estar contra esta alteração. Apenas a actual líder, Manuela Ferreira Leite, concordou com esta mudança, de autoria do ex-Presidente do PSD Pedro Santana Lopes.
Foi a frase mais demolidora do Congresso do PSD e é da autoria do Presidente da C.M. das Caldas da Raínha, Fernando Costa, que, no seu aplaudido discurso, "arrumou", de uma assentada, e apesar de alguns elogios, com a direcção de Ferreira Leite e com Paulo Rangel cujas caras mais pareciam reflectir a presença num velório. No final quem fará a festa?
O Pavilhão Desportivo Municipal Engenheiro Ministro dos Santos, em Mafra, foi o local escolhido para o XXXII Congresso do PSD, de 13 e 14 de Março, que vai anteceder as eleições directas de 26 de Março para a liderança do partido. Sabendo-se que Marcelo Rebelo de Sousa se encontra actualmente sem qualquer ocupação complementar à de professor universitário, sobrando-lhe portanto muito tempo da sua longa jornada diária de 19 horas de trabalho, e que a distância entre Cascais e Mafra é, na verdade, um "pulinho", os receios de alguns é que o conhecido professor aproveite as datas para assistir a um concerto dos seis órgãos da basílica daquela localidade... Há quem afiancie até que se Marcelo puser os pés em Mafra os órgãos começarão de imediato a tocar para alertar o Congresso de que o "perigo está à vista"...
Mais um tiro do PSD no próprio pé. E este é de grande calibre.
Para este artigo de Vasco Pulido Valente. Diz o essencial sobre este PSD crepuscular.
"Não há ninguém em melhores condições de ser presidente do PSD do que o professor Marcelo Rebelo de Sousa", veio agora dizer José Eduardo Martins. Fazendo coro com Paulo Rangel, José Luís Arnaut, Alexandre Relvas, José Matos Correia, Nuno Morais Sarmento, Macário Correia e Guilherme Silva, entre outros (são já tantos que começo a perder-lhes a conta). Vários destes membros do clube de 'notáveis' do partido integraram as direcções de Durão Barroso, Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite. Só descobriram que Marcelo é "o melhor presidente do PSD" depois de terem dito o mesmo de Durão, Santana, Mendes, Menezes e Manuela. Querem que Marcelo sirva agora de argamassa para colar os mil cacos em que se transformou o partido precisamente pela acção (e omissão) de muitos destes notáveis, sempre dispostos a empurrar os outros para o palco sem arriscarem eles próprios dar um passo nessa direcção. Com isso podem inviabilizar a melhor candidatura presidencial de direita, daqui a 15 meses, na hipótese de Cavaco Silva não se recandidatar. Mas isso pouco lhes interessa desde que consigam prosseguir a tranquila gestão das suas actividades profissionais com ocasionais incursões na vida partidária para manter a espécie de baronato vitalício que lhes foi outorgada. É caso para perguntar a alguns deles por que motivo, estando tão preocupados com o futuro do PSD, não aceitaram sequer um lugarzinho elegível nas listas parlamentares do partido. Manuela Ferreira Leite ter-lhes-ia agradecido.
Lamento recordar, mas no PSD a escolha do líder não resulta de um concílio de notáveis, mas do voto secreto, expresso por milhares de militantes. Queriam as directas? Pois as directas implicam isto. A opinião de um notável vale o que vale: um voto. E nada mais.
Parece uma operação militar. No mesmo dia, na mesma noite, quase à mesma hora, um conjunto de notáveis - certamente sem terem acertado posições previamente - decidem criar uma 'vaga de fundo' que possibilite a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à presidência do PSD. Paulo Rangel na RTP, José Luís Arnaut na SIC Notícias, Alexandre Relvas na Rádio Renascença, José Matos Correia e Nuno Morais Sarmento ao semanário Sol - por assinalável coincidência, em uníssono todos incentivam Marcelo a avançar. Reedita-se a lógica dos senhores feudais com pretensão de decidir quem será o líder que se segue no maior partido da oposição, procurando condicionar a vontade das bases por um conjunto de manobras palacianas. Repete-se assim um dos maiores erros que têm vindo a ser cometidos na última década e meia no maior partido da oposição, impedindo um verdadeiro debate interno entre os sociais-democratas. Como escreve o Paulo Gorjão, "quando Marcelo Rebelo de Sousa os deixar de mão a abanar, todos eles serão responsáveis por, objectivamente, terem tornado o candidato que emergir no seu campo numa segunda escolha".
Mais do mesmo - sempre mais do mesmo - no partido enquanto o mundo todo muda em redor. Dir-se-ia que ninguém aprendeu nada com a imensa sucessão de erros cometidos na última década, nos últimos anos, nos últimos meses.
ADENDA
Paulo Rangel merece entretanto ser felicitado por ter garantido esta noite, na entrevista dada à RTP, que honrará o mandato no Parlamento Europeu para que foi eleito em Junho. É uma decisão que deve ser aplaudida, até por contrariar outras, como a de João de Deus Pinheiro. Verifico com agrado que me enganei ao escrever este postal: Rangel faz questão de assumir os compromissos. Um ponto claro a seu favor.
Comentado aqui.
Ontem vi Paulo Rangel na televisão. Não ouvi o que disse, mas reparei que tem óculos novos e está visivelmente mais magro. Fiquei portanto sem qualquer dúvida de que vai correr à presidência do PSD, esse partido onde - segundo garantem alguns blogues sempre bem informados - Pedro Passos Coelho é o único militante que se preocupa com a imagem.
Na foto: Paulo Rangel antes do lifting
Em entrevista ao DN de hoje, conduzida por João Céu e Silva, Ângelo Correia faz um balanço muito lúcido da actual equipa directiva do PSD. Sem papas na língua.
Alguns destaques:
- "O PSD fechou-se sobre si próprio numa cultura de aparelho."
- "A campanha de Manuela Ferreira Leite não existiu."
- "Manuela Ferreira Leite não olhou para Portugal. Olhar para Belém ou para São Bento pode ter a sua importância, mas nesta altura interessava olhar para o País. Falhou a relação directa do partido com o povo."
- "Manuela Ferreira Leite e a sua equipa são em primeira linha os maiores responsáveis pelo que aconteceu."
- "Se fosse líder sentia-me demitido na noite das eleições autárquicas."
- "Como não podemos demitir o povo, pelo facto de julgar de uma ou de outra maneira, temos de respeitar sempre a vontade popular."
- "Para Manuela Ferreira Leite foi mais importante a opinião de duas pessoas do que o partido inteiro e o País."
- "Lógico seria Manuela Ferreira Leite e a sua equipa demitirem-se, o partido agradecer o trabalho que desempenhou - seguramente a senhora fez o melhor que sabia e o que podia. Não podia era mais."
- "Espero que [o próximo líder] obtenha uma grande maioria e que não esmague quem perdeu."
Não se podia ser mais claro. Quem discordar, que atire a primeira pedra.
Ainda a líder anterior do PSD está em funções e já há quem escreva isto sobre o próximo líder. José Sócrates não tem nada a temer desta oposição.
Guião pós-eleitoral do PSD. A ler aqui.
Quando precisava de congregar as hostes, mobilizando todos os militantes numa causa comum para aproveitar a dinâmica criada nas europeias, Manuela Ferreira Leite viu o seu guru de estimação recomendar-lhe isto:
"Falsos "novos" como Passos Coelho usam a face como estratégia de marketing e o "novo" como mecanismo de reciclagem." (28 de Junho)
E isto:
Ela cometeu o erro de lhe dar ouvidos. Os resultados estão à vista.
Fazer maioria com o CDS? Para quê uma maioria com o CDS? O apoio parlamentar essencial de que José Sócrates necessita na nova legislatura está encontrado: vem da bancada do PSD. Lembremos factos: durante a campanha eleitoral, cabeças de lista sociais-democratas, como João de Deus Pinheiro e Couto dos Santos, admitiram a formação de um novo bloco central, enquanto Paulo Mota Pinto não excluía esta hipótese. Mas lembremos mais: a própria Manuela Ferreira Leite, antes de ser líder do PSD, subscreveu o núcleo central da governação socialista. Elogiou a reforma da segurança social feita por Vieira da Silva. Aplaudiu a concertação orçamental conduzida por Teixeira dos Santos. Defendeu a celebração de pactos PS-PSD para a justiça, segurança interna e leis eleitorais. Considerou "absolutamente essencial" a reforma da rede hospitalar iniciada por Correia de Campos, condenando a "reacção emotiva" do PSD, ao contrário até de muitos socialistas. E destacou a "coragem" de Maria de Lurdes Rodrigues por levar a cabo a sua política educativa.
Era com esta líder que alguns, no PSD, sonhavam ganhar eleições. É com esta deputada, e alguns outros, que Sócrates sonha fazer maioria no Parlamento.
Pacheco Pereira, que concorre a deputado pelo PSD, despiu com ligeireza a farda de candidato e vestiu a farpela de comentador para proclamar esta noite, na SIC Notícias, que "há em Portugal um problema de liberdade". Fala com a autoridade de quem tem tribuna montada num jornal, numa revista, num canal de televisão, numa emissora de rádio e num blogue de grande audiência. Poucos políticos podem gabar-se de tão vasta multiplicação de palcos como este mentor da tese da 'asfixia democrática', vítima de morte súbita na mais recente deslocação de Manuela Ferreira Leite à Região Autónoma da Madeira. O mesmo comentador-candidato salientou, no mesmíssimo canal televlsivo onde habitualmente perora, que "o PS impediu nesta campanha que se fizesse o escrutínio da sua governação", passando assim um atestado de incompetência política ao partido pelo qual se candidata. Isto antes de tecer longas considerações sobre ética jornalística, matéria em que pretende ser exímio.
Um exemplo de ética deu-lhe o socialista António Costa, seu companheiro das tertúlias televisivas de quinta-feira, que suspenderá a participação no programa durante o período oficial da campanha autárquica, pois é recandidato em Lisboa. Já o candidato-comentador Pacheco, ao contrário de Costa, manteve lugar cativo no programa durante a campanha legislativa, o que naturalmente o coloca em excelente posição de dar lições de moral aos outros. É o que certamente continuará a fazer neste país onde "existe um problema de liberdade": há por aí alguns órgãos de informação, vejam lá o escândalo, onde o candidato Pacheco ainda não é comentador.
Haverá ainda alguém que não leu o programa do PSD? Aqui está.
A culpa, claro, é dos jornalistas. No sítio do costume.
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