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Da decadência

por João Távora, em 11.03.17

Com a coesão social no ocidente profundamente ameaçada não só pelas ideologias, estes tempos confusos, de perda de valores e de profunda crise económica (sim o paraíso da geringonça é uma espécie de experiência psicadélica que vai passar depressa), somos desafiados a saber ler os sinais mais desconcertantes dos lados mais improváveis. Perigoso é o preconceito que tolda a inteligência e empobrece o pensamento, nesta época conturbada em que mais se exigem respostas sábias. E é um erro tomarem-se por garantidas as "seguranças" que temos hoje.

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Um casamento feliz

por João Távora, em 03.01.17

Um casamento feliz não dá um bom romance muito menos uma boa crónica. Ninguém que tenha um casamento feliz é louco suficiente para assumi-lo em público. Um casamento feliz pode ser uma maçada para os outros e um incómodo para os casamentos que estão na luta para serem felizes ou não sabem que o são. Depois, toda a gente sabe que até no casamento mais feliz cai a nódoa. Certo é que um casamento feliz é um problema para a literatura. E a falta que fazem à cidade histórias de casamentos felizes...

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O exemplo que vem de cima

por João Távora, em 23.12.16

Se encararmos o Natal com o espírito de "o que é que eu posso dar" em vez de "o que é que eu vou receber", no final estaremos sempre mais realizados. 

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Tempos modernos

por João Távora, em 27.11.16

My Fair Lady deveu parte do seu sucesso à história duma rapariga da rua que com esforço aprende a ser como uma princesa. Se a peça fosse feita hoje, para alcançar o mesmo sucesso teria que contar a história de uma princesa revoltada que sem muito esforço se tornava numa rapariga da rua.

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Todos os nomes

por João Távora, em 11.10.16

Todas as pessoas têm direito ao seu nome. Um nome que sintetize a sua genealogia com as memórias da sua existência numa unidade com o presente. Nessas circunstâncias é que pode soar como música alguém nos tratar pelo nome - na acepção de pessoa única e irrepetível, criada à imagem de Deus. Devíamos todos ser capazes de nos tratar uns aos outros pelo nome, pois isso significa interesse pelo outro e pela sua circunstância. Isso é Amor, o único Amor que pode resgatar o Homem da sua precária contingência. De resto, não se é aristocrata por nascimento ou vontade, mas é-o quem desse modo interpreta o sentido da vida. 

 

(Reeditado)

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Pessoas que nunca mais acabam

por João Távora, em 05.07.16

banco.jpg

"As pessoas que mais admiro são aquelas que nunca acabam." Escreveu Almada Negreiros citado um dia destes num programa de rádio. A frase deixou-me a pensar, chegado que estou à meia-idade, fase em que o cinismo nos exige alguma luta, pois a descrença é tentação perante uma existência que ameaça encolher-se à dimensão das repetições que esmorecem o espanto. O cinismo não é mais que o império da realidade descarnada do amor… ou a arrogância de tomarmos o outro pela ofuscada lente do nosso cansaço. 

Acontece que, como o amor, o espanto, o susto ou encanto pelos misteriosos interstícios da existência, tudo isso depende mais do nosso olhar e da sua capacidade de regeneração. E depois, ninguém se redime à conta do seu semelhante, que isso é o mais vil estado de servidão. Há olhares que são insaciáveis buracos negros onde “uma pessoa que nunca mais acaba” se perde insignificante no vazio.
Eu também prefiro as pessoas que nunca mais acabam, de alma grande e densa, mas desconfio que essas são aquelas a que nos ligamos pela vontade. Cujo encanto sobrevive à rotina e renasce mesmo depois de estafado. Porque cremos. Com a conivência do nosso olhar.

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Realidade

por João Távora, em 21.04.16

Uma prova de provincianismo e mesquinhez é a que vem daqueles que se babam de deleite com uma fotografia da Família Real Britânica e ao mesmo tempo espumam de obscuros ressentimentos perante uma fotografia da Família Real Portuguesa.

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Ora batatas!

por João Távora, em 14.03.16

Andam há mais de duzentos anos cada vez mais a sublimar o individualismo e agora dizem que a culpa é do Facebook e das redes sociais.

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Pobres mas mimados

por João Távora, em 14.03.16

 Nestes tempos de crise, na política à falta de melhor prometem-se afectos, carradas de afectos, que são de borla.

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Um mundo melhor

por João Távora, em 15.12.15

As maldades e perversões que devastam a harmonia e a paz entre as pessoas não são ilegais. Talvez afinal um mundo melhor não caiba numa ideologia ou projecto político.

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Relido e revisto

por João Távora, em 13.10.15

O casamento tradicional foi "vendido"  por hollywood
à geração dos meus pais como um conto "happily ever after"
e resultou num estrondoso "baby boom".
Completamente fora de moda por estes dias,
não se prevê que eu tenha grande sucesso explicando-o aos meus filhos
como instituição ligada à responsabilidade, ao altruísmo, à perseverança e ao prazer diferido.

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Aos revolucionários de sofá

por João Távora, em 02.07.15

A política é arte do possível. Quantas vezes nos confrontamos com esses limites na vida, com a família, com os filhos, com o trabalho. Lidar com o poder é enfrentarmos a nossa real falta de poder, que trocamos por consensos, pelos equilíbrios, contra as rupturas, cujas consequências têm de ser sabiamente pesadas. Por forma a salvaguardar um bem comum, mais valioso que a nossa vontade.

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Manchetes

por João Távora, em 04.06.15

Diário_de_Notícias_número_1_(29_de_Dezembro_de_

 Hoje em dia não se consomem notícias consome-se espanto. Assombrem-me, surpreendam-me, quero mais, mais!

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A criança...

por João Távora, em 01.06.15

... é um ser em permanente extinção... a cada ano que passa. Mime-as!

 

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Círculo virtuoso

por João Távora, em 01.06.15

Diz-se da pessoa generosa e amável que foi "bem amada".

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Mariquices de outros tempos

por João Távora, em 17.04.15

namorar1.jpg

I’m slowing down the tune
I never liked it fast
You want to get there soon
I want to get there last

(...)

Leonard Cohen 

 

Hoje em Cascais no jardim em frente ao meu escritório o meu olhar estranhou um casal que caminhava entrelaçado em passadas lentas e alinhadas. Essa visão lembrou-me manifestações antes tão comuns que depois catalogámos de possidónias, como bailaricos ou passeios nas tardes domingueiras com roupa de “ver a Deus”, nos jardins ou avenidas, a ecoarem ao fundo os gritos das crianças a brincar e o relato da bola num transístor. Se os nossos avós que tiveram de namorar “de janela”, se conformaram a encontrarem-se só em lugares públicos com um irmão mais velho ou uma criada, a minha geração envergonhada erradicou qualquer exibição de compromisso. E agora morram de vergonha os jovens leitores: o meu saudoso pai contava que antigamente no Liceu Passos Manuel onde estudou, os bons amigos andavam de braço-dado no recreio.
Claro que a minha geração, medrosa e puritana como se fez, baniu esses indecentes hábitos sociais de gente careta, iletrada, rude  – no meu tempo do liceu, tempos revolucionários, do rock pesado e da “poesia com mensagem”, já só sabiamos dançar sozinhos e caminhar de “mão dada” tornou-se uma pieguice. 

Enfim, a mesma geração que institucionalizou o nudismo, o amor livre e toda a sorte de fantasias eróticas, envergonhou-se de namorar, um assunto que circunscreveu à poesia. Curioso como ao mesmo tempo que aprenderam a tolerar demostrações públicas em homossexuais, homem e mulher tenham desaprendido de andar de braço dado com o andar sincopado. Curioso como, com tanto sexo em prime-time, criámos uma comunidade tão estéril e fragmentada. Porque o romance para fazer história tem de ser mais longo que uma canção pop. 

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Fatal como o destino

por João Távora, em 14.04.15

A meio da vida apercebemo-nos que há algures um céu onde repousam esquecidas imensas maravilhosas canções. Apesar de terem encantado e mexido fundo no espírito de gerações, foram fadadas a morrer com as suas memórias.  

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A chancela divina

por João Távora, em 10.04.15

Constato que as milhares de peças musicais de distintos géneros e autorias com que me deleito em minha casa, são uma ínfima parte do património existente e das novas criações que todos os dias nos surpreenderiam se as pudéssemos abarcar a todas com o coração aberto. Uma prova do cariz transcendente da música, e por consequência da marca divina patente no Homem, é a infinidade de sublimes canções e melodias que são possíveis criar com apenas sete notas.

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Causas Perdidas?

por João Távora, em 31.03.15

Não me perco em “causas perdidas”, simplesmente porque não concebo os resultados das minhas disputas como binário, de “Ou Tudo ou Nada”. Sem cedências à amargura, empenho-me a "empurrar" a realidade que me cricunda - família, cidade, país, - para o lado que acredito ser o melhor, enquanto tiver forças e lucidez.

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Projecção do divino

por João Távora, em 10.03.15

Mar.jpg

O que a Natureza tem de fascinante é a arrogância de não necessitar de nós para nada. Assim revela-nos na nossa verdadeira dimensão: desarmados, livres.

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Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

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