(...) Uma Rainha. Um contrato de gerações, para além dos Estados. Um problema para quem não compreende a tradição. Nem a macropolítica. Não cabe numa folha Excel. Nem num regulamento de manga de alpaca feito notável da treta. A Ler na integra: José Adelino Maltez
Deste inquérito do portal Sapo já fechado, se concluí no mínimo, que o ideal monárquico continua vivo e que o regime implantado a 5 de Outubro não é uma questão fechada. Mobilizaram-se e votaram mais monárquicos do que republicanos!
Diz que o prato foi a malhar no Cavaco. Pois é, o mais fácil é o fogacho da guerrilha facciosa que convida os portugueses à fractura, objecto próprio dos partidos, cuja genética é contrária à Instituição Real. O difícil é cativar as pessoas à volta de valores e causas perenes - a coisa não dá escândalo nem promove vaidades. Enfim, é difícil "vender".
Uma achega ao Rui C. Pinto: A instituição Real, tal coma uma Nação, até pode ser uma questão de Fé, mas um "presidente da república neutral" é definitivamente uma "ficção"... à qual um dia destes o Miguel Morgado apelidou de "benigna". Pela minha parte tenho profundas dúvidas quanto ao adjectivo.
Pelo seu papel na história, respeito o PPM, partido do qual fui militante nos anos oitenta. Mas nessa época como hoje, trata-se de um equívoco atribuir-se-lhe a representação dos monárquicos. É isso que transparece na notícia do jornal Público sobre um comunicado a respeito das declarações de Cavaco Silva. Os monárquicos são simpatizantes e militam nos diferentes partidos políticos... ou em nenhum.
De uma vez por todas: os "realistas" defendem diferentes e às vezes antagónicas soluções políticas, une-os tão só a defesa dum modelo de Chefia de Estado (o que não é pouco, convenha-se). Afirmar que um partido os representa, é pretende-los proporcionais a uma insignificante representação eleitoral. Um mau serviço de jornalismo, um barrete que só tapa as vistas a quem o puser na cabeça.
P.S.: Esta nota não pretende criticar a postura da actual direcção do PPM ou conteúdo do comunicado que resulta na notícia em referência, que é na forma e conteúdo inatacável.
Confira aqui o Relatório Anual de Democratização da "Economist Intelligence Unit".
P: Já fundou partidos ligados à terra e em defesa da monarquia. Há ligação entre estas duas causas?
Gonçalo Ribeiro Telles - Há sempre uma ligação. A nossa história é uma construção através de um regime monárquico e essa ligação à história e à continuidade perdeu-se. E nesse sentido há de facto um recuo enorme, que permitiu depois uma visão diferente do futuro. Quando a monarquia existia havia sempre um futuro na sequência da dinastia.
P: É essa a vantagem que vê na monarquia?
GRT - É essa a grande vantagem. Isso dá um somatório de uma cultura que é muito difícil de arrancar. Só à força é que se arranca. É o que está a suceder. Há a saudade dessa continuidade.
P: Os portugueses têm saudades da monarquia. Acha isso?
GRT - Dessa continuidade com certeza, porque isto é um país inventado e construído. Construído com as condições que tinha de mar, de terra, de solos e inventado pelo género português.
P: O caminho teria sido outro com uma monarquia?
GRT - Tínhamos seguido um caminho mais paralelo dos países escandinavos.
P: Os reis não são eleitos. Não é um bom argumento a favor da República?
GRT - Os reis são eleitos todos os dias.
* Entrevista a Gonçalo Ribeiro Telles aqui na integra no jornal i
A partir de agora será o filho primogénito, independentemente do género, que terá prioridade de sucessão ao trono do Reino Unido e foi levantada a proibição do monarca se casar com um Católico: o sucesso da monarquia britânica tem sido a capacidade de se adaptar aos tempos.
Há três anos consecutivos que a Causa Real vêm disputando o palco político proporcionado pelo 5 de Outubro com considerável sucesso, sempre granjeando entrevistas e reportagens nos telejornais, imprensa e rádios nacionais. Este ano, os monárquicos militantes concentraram-se em torno do Chefe da Casa Real Portuguesa na cidade de Coimbra, onde perante a sinistra crise de soberania nacional, homenagearam o espírito heróico do seu rei fundador por ocasião do 868º aniversário da assinatura do tratado de Zamora.
Reportagem tvi aqui
Ser monárquico é uma maneira diferente de ver o país, e sobretudo de estar no país. Mudando o regime pode-se mudar qualquer coisa, sobretudo a mentalidade das pessoas. (...) Não há nenhum país monárquico que tenha pedido ajuda ao FMI, todos os países que recorreram à ajuda financeira são repúblicas.
Rodrigo Moita de Deus, numa luminosa entrevista ao Jornal i em parceria com o Canal Q na integra aqui.
Se é certo que a perda de influência dos meios tradicionais de informação, em paralelo com o advento das novas tecnologias, da web 2.0 e toda a sorte de redes de comunicação não mediada, nos aponta para um aparente caos, ou no mínimo para caminhos desconhecidos, certo é que a oligarquia instalada vem perdendo poder de manipular, de doutrinar: os jovens, por exemplo, pouco vêem telejornais, não ouvem telefonia e muito menos lêem os jornais de referência. Fazem pesquisa de conteúdos na Internet e servem-se de downloads, de rubricas escritas ou audiovisuais, lúdicos ou informativos, com proveniência diversa, de produtores oficiais ou independentes, a seu belo prazer, e numa lógica que escapa à grande distribuição, comercial ou institucional. Por exemplo, se fosse há vinte anos, teria sido impossível a grande parte desse público escapar a uma estrondosa e unanimista campanha de propaganda relativa ao centenário da república, promovida pelo monopólio da televisão e rádios “oficiais”. Para mais, uma progressiva desagregação dos Meios tradicionais, desmultiplicados em múltiplos canais para nichos ou “segmentos de mercado”, hoje desguarnece o “Grande Irmão” que assim vai perdendo capacidade de amestrar o “seu povo”.
Sobre o XVII Congresso da Causa Real que decorreu no Sábado passado dia 14 no Palácio da Bolsa, no Porto, ler aqui.
No âmbito dum destacável sobre a família real inglesa, a "jornalista fracturante" Fernanda Câncio, honra lhe seja feita, assina hoje no diário de Notícias este interessante artigo sobre o posicionamento dos monárquicos portugueses quanto ao assunto. Ao pretender, como é seu timbre, uma abordagem supostamente “alternativa”, escolheu como interlocutores, e muito bem, o Professor Mendo Castro Henriques presidente do Instituto da Democracia Portuguesa (IDP) e o socialista monárquico Rui Monteiro. É assim que este artigo constitui um serviço pela causa monárquica, ao difundir a sua natureza intrinsecamente transversal e suprapartidária do movimento, fora dos habituais clichés passadistas ou “aristocratinos”, para utilizar uma expressão do professor José Adelino Maltez. A causa realista não é de esquerda ou de direita e é muito maior do que cada um dos seus protagonistas: é nacional, e tem 800 anos.
A militância monárquica jamais poderá ser encarada como uma questão binária, de tudo ou nada, dependente de resultados absolutos, deverá antes ser motivada pela afirmação, em todo um território intermédio, porta a porta, alma a alma, dos valores da pátria portuguesa reflectida na centenária Instituição Real, reserva moral dum nobre povo com direito ao futuro, para além dos novecentos anos de história.
Porque cada mente arrancada à ignorância, ou alma desperta para a dúvida, significa um pequeno mas essencial passo no caminho para um país menos decadente e inóspito.
«No combate entre o céu e a terra, o azul e branco aliam-se contra o vermelho e o verde, tal como é muitas vezes testemunhado pela iconografia cristã, principalmente nas suas representações da luta de São Jorge contra o dragão.» -Jean Chevalier (sobre a cor azul), Dicionário dos símbolos 1994.
Gostei do discurso de Cavaco Silva ontem à noite: sóbrio, realista, pacificador. As palavras certas proferidas pela pessoa errada, que encontra anticorpos ou indiferença na grande maioria dos portugueses. Esse é o nosso maior drama, na conjuntura trágica a que chegámos, com o País ajoelhado perante a Europa, e a soberania penhorada aos credores por troca com uma ilusão de progresso. A falta que hoje nos faz hoje uma reserva moral, uma simbologia inspiradora, uma Instituição independente, ou uma "ficção" benigna, aglutinadora. Ai Portugal, Portugal!
Ontem 1 de Fevereiro ao final da tarde a Igreja da Encarnação foi pequena para acolher as centenas de patriotas que quiseram marcar presença ao lado da Família Real portuguesa na homenagem a S.A.R.R. o Rei D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe por ocasião do 103º aniversário da passagem do seu cobarde assassinato no Terreiro do Paço. A emotiva cerimónia religiosa foi presidida pelo Padre Gonçalo Portocarrero de Almada cuja homilia pode ser lida aqui.
O João Gomes de Almeida fez, nas páginas do Estado Sentido, uma enorme provocação: eleger aqueles 10 que, na sua opinião, conseguiram até agora expor o ideal monárquico de uma forma mais sexy (vivos). Fui surpreendido, confesso, por estar entre os eleitos. Cabe-me agora fazer uma nova lista, em jeito de resposta. É difícil porque tenho de deixar muita gente de enorme valor de fora. Cá vai:
1 - João Gomes de Almeida - é mesmo ele, o autor deste desafio. Merece estar aqui. Jovem, culto, multifacetado, trabalhador, o João Gomes personifica o jovem monárquico português do séc. XXI. Para além disso é amigo do seu amigo. Pena é que fume. Mas isso vai ao lugar com o tempo... Merece um destaque isolado. Grande João!
2- Gonçalo Ribeiro Telles - a referência viva dos monárquicos militantes. Não vale a pena dizer mais nada. Está sempre à nossa frente.
3 - Miguel Esteves Cardoso - repito aqui a escolha do João. Envelheceu, como todos nós, casou de novo e agora de forma duradoura, e foi muito eficaz na mensagem que transmitiu nas suas duas candidaturas ao Parlamento Europeu que, aliás, tive o gosto de ajudar a organizar há já 20 anos atrás! Continua a defender de forma vigorosa a monarquia nas páginas do Público e Luís Filipe Coimbra - é inevitável falar do Luís. Fez mais pela monarquia nas tertúlias e nos cafés (mas também na vida pública) que muita gente em décadas de militância de outro tipo.
4- Bento Moraes Sarmento - discreto, eficaz, militante, um grande monárquico e Augusto Ferreira do Amaral - o saber e a ciência ao serviço de Portugal e do Rei num discurso sempre muito sólido e bem estruturado.
5 - Mendo Castro Henriques - Incansável, um verdadeiro mouro de trabalho à frente do IDP. A história de Portugal recordará o seu enorme contributo. A monarquia também, e Rodrigo Moita de Deus - o spin doctor mais famoso de Portugal é uma máquina avassaladora de imaginação e de trabalho. Um verdadeiro "carregador de piano".
6 - João Mattos e Silva - Com a militância e a poesia também se defende a Causa, e Vasco Telles de Gama - décadas de militância de nível muito elevado. A história de Portugal em forma de antiguidade.
7 - Nuno Castelo - Branco e Miguel Castelo - Branco - Multifacetados, os irmãos Castelo - Branco já fizeram de tudo pela Monarquia. Desde a colagem de cartazes aos ensinamentos de história, possuem um discurso poderoso, sólido e extremamente eficaz. Vantagem de quem muito estuda e muito lê e que tem décadas de experiência de propaganda.
8 - Alline Galash Hall - monarquia no feminino. A causa também tem caras bonitas e cabeças que sabem pensar, e Raquel Sabino Pereira - à frente do Atlântico Azul, a "comodora" personifica a monarquia nos mares e em tudo o que este tem de bonito. É a nossa comandante.
9 - José Tomaz de Mello Breyner - quem não o conhece? Dá o corpo às balas. Um grande militante, e Fernando Carvalho Rodrigues - à frente da Marinha do Tejo, o Professor é um líder na sabedoria e nas convicções. Ciência e arte misturadas num cocktail explosivo.
10 - Anónimos e anónimas - são estes e estas os mais importantes de todos. Sem eles e sem elas não haverá Monarquia. Sem DEMOCRACIA também não!
Não falo dos muitos e bons que existem nesta casa. Parecia mal.
"A monarquia fez Portugal e criou um Império; a República acabou com o Império e está em vias de acabar com Portugal."
" Há alguns anos que tenho andado um pouco inquieto e preocupado, para não dizer irritado. O que, de há uns tempos a esta parte, se tem passado neste país, no que respeita a comemorações de datas, acho que é suficiente para sentirmos aquele estado de alma. Expliquemo-nos. Vim ao mundo num tempo em que a república só ainda não tinha barbas porque é representada por uma figura feminina. Talvez por isso, durante muitos anos, nunca me interroguei se seria republicano ou monárquico, deixando-me conduzir pela lógica do meu nascimento: seria republicano porque nasci no tempo em que a república já era aceite como a coisa mais natural deste mundo.
Estou convicto de que a muitos dos meus compatriotas terá acontecido o mesmo. Mas, ultimamente, tenho meditado muito sobre o assunto e comecei a interrogar-me sobre qual será o melhor sistema para a democracia e o desenvolvimento do país. Encontro-me num ponto em que admito que qualquer deles poderá servir, dependendo o êxito ou o fracasso de cada um deles do comportamento dos políticos e do povo que somos. No entanto, o que me faz hoje vir abordar este tema é que começo a estar farto da comemoração do cinco de Outubro e dos moldes em que ela se desenvolve.
...em qualquer circunstância: a Rainha Sofia visita o balneário da Selecção espanhola após a final. Tirado daqui.
Por mais que tal seja silenciado pelos grandes meios de comunicação do regime, suspeito que o sistema duma chefia de Estado monárquico constitucional atrai muitas mais simpatias em Portugal do que nos querem fazer crer. Para além daquelas elites e quadros que se escondem mais ou menos envergonhados nos diversos partidos e órgãos de poder da república, basta puxar a conversa na rua ou nas escolas, percorrer os mais influentes blogues e redes sociais para obter consciência de que a Causa Monárquica tem adesão e muitos simpatizantes. E aqui refiro-me a “simpatia” com o seu significado intrínseco e distinto de “militância”: para descanso dos mais empedernidos republicanos, a questão da chefia do Estado está longe de ser prioritária para a frágil classe média portuguesa, para quem são decisivas as contas da governança corrente de que depende a subsistência material duma família portuguesa.
De resto, como eu previ há algum tempo, desconfio que o que prevalecerá nas comemorações do Centenário da República por este País que se arrasta acabrunhado na História e no fundo de quase todas as tabelas de indicadores de bem-estar e progresso, é a brutalidade e infâmia do regime antidemocrático que sobreveio sujo de sangue em 1910, e que degenerou no regime de Salazar. O que sobrará destes festejos inusitados, é o reconhecimento e a divulgação duma outra bandeira que foi portuguesa e de liberdade.
Aqui chegados, acredito constituir o próximo dia 5 de Outubro, que está já aí na curva do calendário a seguir às férias, uma oportunidade ímpar na História para uma pacífica mas categórica mobilização de muitos portugueses monárquicos ou simples simpatizantes. Julgo que esta será uma ocasião preciosa para se prescindirem de divisões, comodismos ou egoísmos e sairmos à rua para restaurarmos o sonho de sermos Portugal. Não constando ainda nenhum programa ou acção para a efeméride que se aproxima, cabe à direcção nacional da Causa Real em consonância com as Reais Associações locais, assumirem com ambição o protagonismo que o calendário e a História este ano nos oferece de mão beijada. E cabe decididamente a todos os simpatizantes desvanecerem as suas dúvidas e hesitações e prepararem-se para assumirem o protagonismo que a ocasião exige.
No próximo dia 5 de Outubro a todos se nos exige a devolução da esperança ao futuro de Portugal. Onde seja, estaremos presentes.
Escapando ao massacre noticioso da morte de Saramago, que Deus o tenha, em boa hora me pus a caminho de Viseu para o Congresso da Causa Real, onde, durante o fim-de-semana, entre congressistas e observadores, se reuniram mais de duzentas pessoas oriundas de todo o país, um acontecimento que imprensa e restantes órgãos de comunicação social fizeram por ignorar olimpicamente. O facto é que, no coração de Portugal, na bela cidade de Viseu, durante dois dias se discutiu o futuro e o sonho duma regeneração de Portugal. Contrariando um país sem ideal ou utopia, encerrado nas suas funestas contas de mercearia e frívolas distracções fracturantes que o condenam à decadência e extinção.
Durante dois dias, no Teatro Viriato celebrou-se João das Regras, Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Venceslau de Lima, Antero de Quental, Carlos Malheiro Dias, João Camossa, Ribeiro Teles, Henrique Barrilaro Ruas, Couto Viana e João Aguiar, Almeida Braga, Francisco Sousa Tavares, Sofia Mello Breyner, e tantos outros obreiros do ideal monárquico desta nação quase milenar. Apelou-se à abnegada militância dos monárquicos em vez de discussões pueris, à intervenção voluntariosa, rua a rua, porta a porta, num empenhamento esforçado para mater o sonho vivo do resgate de Portugal. Foram contundentes e emocionantes as palavras proferidas pelo homem livre que é José Adelino Maltez. Foram sábias as palavras de José Valle de Figueiredo sobre a monarquia e o municipalismo, o nosso ancestral contrapoder da tendência macrocéfala do Governo Central. E quão pertinente foi a explanação de Rui Monteiro sobre a esquerda monárquica contra o preconceito, a pior barreira à inteligência. No final ficaram a ecoar as tão serenas quanto convictas palavras de Paulo Teixeira Pinto, num desafio ao banqueiro republicano da comissão das festas para um debate franco e democrático sobre a nossa anquilosada república que a todos nos subjuga e empobrece há cem anos. A nós, monárquicos, desafiou-nos à resistência e à acção, como resposta e serviço a um povo sedento de verdade e esperança.
Triste é que, enquanto isto, o país mediático, acentua o seu trágico e crescente divórcio com a realidade. Nele se despendem energias e recursos financeiros em inúteis discussões, sobre assuntos fracturantes e... eleições presidenciais! Como se estivesse nessa estéril instituição a solução para a sinistra crise económica e de valores em que o país se afunda. Entre desistir e lutar, há que saber escolher.
Fotografia: Maria Meneses
O Tribunal Criminal de Bangkok procedeu à emissão de um mandato de detenção do ex-primeiro ministro Thaksin Shinawatra, na sequência da audição do chefe da DSI Tharit Pengdit e de outras personsalidades que apresentaram ao Tribunal documentação relacionada com o envolvimento de Thaksin na tentativa de golpe de Estado, tentando-se agora proceder à sua extradição já que o mesmo tem sido visto em vários países como o Montenegro, a França, países árabes, entre outros. As acusações são agora mais graves já que Thaksin enfrenta a acusação de terrorismo, facto este que torna agora mais fácil a sua detenção fora do país. Iguais acusações recaem sobre o líder da UDD, Jatuporn Prompan e mais 6 outros dirigentes "vermelhos".
"A oportunidade foi explorada pelo líder do partido Força Budista, o general Chamlong Srimuang, hoje líder do PAD, que apelou a todos os democratas para que saíssem à rua e impedissem a consumação do "golpe dentro do golpe" militar. Centenas de milhares de manifestantes tomaram conta do centro de Banguecoque e em 17 de Maio de 1992, impotente para negociar uma solução política, o ditador Suchinda mandou abrir fogo indiscriminado sobre a massa em protesto. Morreram centenas de pessoas, a lei marcial foi imposta, mas os manifestantes não arredaram pé. Nesses dias arderam dezenas de edifícios públicos e o país esteve na iminência de uma guerra civil. Por fim, o Rei chamou o ditador e deu-lhe ordem de demissão em frente das câmaras da tv. O grande artífice da restauração democrática, Chamlong, fora governador da capital no início dos anos 80. No desempenho do cargo, fez frente aos grandes interesses imobiliários, protegeu os vendedores de rua, lançou sucessivas campanhas anti-corrupção, fez os primeiros bairros sociais de Banguecoque, bem como as primeiras e bem sucedidas campanhas de sensibilização ambiental. Ficou, deste então, na mira dos plutocratas." Os pais da democracia tailandesa são pois os "amarelos". É neles que o Povo se reconhece. Leia mais aqui.
"Sou um republicano e um democrata. Prefiro uma monarquia democrática do que uma ditadura republicana."
António Arnaut, in Diário da Beiras
Na Tailândia o movimento "vermelho" perdeu em toda a linha. Perdeu Thaksin, perderam os comunistas. Venceu a Monarquia, o Rei, o Primeiro - Ministro Abhisit e o Povo.
Lá por fora perdeu a imprensa internacional pela miserável e tendenciosa cobertura que fez da crise. Por cá perdeu a imprensa portuguesa com a habitual cobertura sem chama e sem qualquer esforço de investigação. Muito bem estiveram os blogs Combustões e Estado-Sentido, sempre em cima do acontecimento. Nós demos um pequeníssimo contributo. A democracia e a monarquia continuam na Tailândia.
O João Gomes de Almeida manifesta aqui a sua legitima discordância com estas minhas palavras sobre o PPM onde o considero uma organização incoerente com a Instituição supra-partidária que defende. Mas, porque as Causas das Coisas de facto não são a preto e branco, eu próprio nem sempre fui coerente com essa opinião, e militei naquele partido nos anos oitenta aquando da candidatura de Miguel Esteves Cardoso que quase foi eleito para o Parlamento Europeu. Extravasasse o escritor o seu carisma da pena para o palanque da política, e os monárquicos teriam feito história nessas eleições. Eu até concedo que a existência dum partido monárquico possui algumas vantagens, uma delas é aquela que constitui a debilidade da Causa Real e Reais Associações: não elegendo autarcas, deputados ou presidentes, não possuindo a organização, apesar do forte suporte social que detém, aspirações aos poderes formais da republica, luta esta com enormes dificuldades de financiamento e patrocínio por parte dos grandes lobbies e empresas que não vislumbram quaisquer chances de retorno em apoios financeiros. De resto, a disputa republica vs. monarquia constitui um assunto de natureza disruptiva, uma discussão que assusta muita gente que possua ou defenda grandes interesses dependentes do regime e do status quo. Só assim se entende como os diversas personalidades políticas, algumas de grande craveira e capacidade influência, simpatizantes da monarquia e dispersos pelos vários partidos sejam tão prudentes na afirmação das suas convicções monárquicas. Na verdade esta questão ainda desperta os piores instintos a alguns actores da política supostamente moderados, e ela foi causa de uma quase guerra que estragou a vida a muita gente por muitos anos.
De resto, caro João, concedo que para além da lealdade ao Duque de Bragança, o ilustre deputado municipal da Ilha do Corvo Paulo Estêvão detenha méritos que concedam os mínimos de dignidade que o símbolo do PPM merece. E espero sinceramente que consiga resgatar o partido da completa insignificância nacional a que hoje chegou e que nos envergonha a todos.
Finalmente insisto que não se pode exigir aos numerosos simpatizantes da monarquia em Portugal, cuja única causa que os une é a formula da chefia do Estado (e talvez as cores da bandeira nacional), mas que divergem no resto em quase tudo o que são as suas questões prioritárias para o dia-a-dia, - das estratégias politicas ás económicas e passando pelos costumes - que se unam à volta dum mesmo partido.
A demissão do inenarrável Nuno da Câmara Pereira ao fim de mais de dez anos de porfiado esforço para a desmobilização e falência do PPM não deixa de ser uma boa notícia para os monárquicos. No entanto, apesar de nutrir um profundo respeito pelos fundadores desse partido, personalidades de craveira impar como Gonçalo Ribeiro Teles, Francisco Rolão Preto, João Camossa e Henrique Barrilaro Ruas, o equívoco da existência dum partido monárquico, hoje mais do que nunca constitui uma ameaça à credibilidade da Causa, promovendo a confusão nas pessoas mais desinformadas a respeito do cariz supra-partidário da instituição que advoga e da real representatividade dos monárquicos no País, que afinal se encontram dispersos na militância e pelo voto por todo espectro partidário. Deverá ser portanto com profunda apreensão que os milhares de monárquicos organizados nas Reais Associações à volta da Causa Real aguardam notícias sobre o destino do Partido Popular Monárquico, que apesar de tudo encerra uma “marca” com história e algum prestígio. Enquanto o partido existir, essa constituirá sempre uma perigosa tentação à mercê duns quaisquer oportunistas, sem escrúpulos ou craveira.
Nota: ao contrário do que é afirmado na interessante reportagem não o mastro não continha nenhuma bandeira da república.
Acompanho com interesse o debate sobre a questão República vs. Monarquia que se tem desenvolvido aqui no Corta-Fitas e na blogosfera em geral. Neste ponto, tenho uma curiosidade. Gostava que os leitores e colegas de blog monárquicos dissessem o que pensam de D. Duarte Pio de Bragança. Não é provocação, é mesmo curiosidade. Obrigada.
1 - Partida de Belém
Noite mágica
A Grande Festa Azul e Branca
Em Beleza
Terra à vista!
Desembarque monárquico no Cais do Sodré
Subindo a Rua do Alecrim
A caminho do Largo do Camões
Por-tu-gal! Por-tu-gal!
Hastear da bandeira
A mais bela bandeira do mundo!
* Reportagem fotográfica de Francisco Melo
Uma bandeira monárquica foi colocada esta noite a meia haste na praça General Humberto Delgado, onde são hasteadas as bandeiras oficiais da Câmara do Porto, numa acção reivindicada pelo blogue Portugal Monárquico.
Obrigatório ler este pequeno texto do João Gomes de Almeida aqui
O "Caso da Bandeira" que tanto animou as consciências neste pico de Verão, apanhou-me de férias e contribuiu definitivamente para reforçar a minha boa disposição. Como sentimental que sou, confesso que a imagem da bandeira portuguesa azul e branca hasteada nos Paços do Conselho me deu um enorme gozo.
Racionalizando as coisas, a atrevida acção de agit-prop dos quatro bravos do 31 da Armada, para lá duma competentíssima operação de marketing - em que um simples blogue se atreveu a “comandar” a agenda dos media de massas - teve o mérito de trazer para a agenda mediática a Monarquia e as cores da sua bandeira de uma forma saudável e bem-disposta. Ora é precisamente deste modo que o assunto deve ser debatido: fora da velha formula virulenta e ressentida, assumida por muitos republicanos e alguns monárquicos, herdada dos tempos do regicídio e da revolução da Carbonária e de Afonso Costa. Hoje os tempos da Nação são claramente outros, com diferentes desafios e dificuldades. Por isso essa perigosa e fratricida rivalidade que persiste, não tem hoje razão de existir, e tende a inquinar a discussão.
Da minha militância monárquica, seja através da Plataforma do Centenário ou da Real Associação de Lisboa, reconheço que aquilo que une os monárquicos na realidade (saudavelmente) é muito pouco: há-os de esquerda e de direita, liberais e socialistas, a favor e contra o aborto, ateus e crentes, católicos e protestantes. Tal como acontece com os republicanos. Para exemplificar, acreditem que, abaixo do nível da epiderme, me é mais fácil “entender” com um republicano conservador e católico, do que com um monárquico socialista e agnóstico. Ou seja, a discussão sobre a fórmula de regime de Chefia de Estado proposta por republicanos ou monárquicos, jamais deveria merecer tanto rancor e despeito. É essa relação política doentia entre portugueses que urge desconstruir e relativizar, propósito alcançado pelo Rodrigo Moita de Deus e seus companheiros do 31 da Armada, através do humor e da irreverência. De resto tal não acontecia desde o auge da popularidade de Miguel Esteves Cardoso e da sua candidatura ao Parlamento Europeu.
Eu cultivo o ideal monárquico de uma forma séria... e pragmática. É por isso que, antes de me colocar em bicos de pés numa patética disputa com o regime “incrustado”, o que me preocupa é que se cativem e doutrinem mais e mais monárquicos, de todos os quadrantes políticos e culturais: portugueses, patrióticos e descomplexados que acreditem que Portugal, a mais antiga nação do continente, merece lugar ao lado das antigas e prósperas monarquias europeias. E já agora que esse desígnio seja um dia por este nobre povo alcançado debaixo duma bandeira verdadeiramente digna de si e da sua história: a mais bela bandeira do mundo.
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