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Consagração

por João Távora, em 16.03.17

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O prémio de “Melhor Livro de Ficção” da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) foi atribuído ao romance O Meças, de J. Rentes de Carvalho, publicado em 2016 pela Quetzal. 

Saiba mais aqui

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Lançamento no Porto

por João Távora, em 06.03.17

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Uma tarde inesquecível com Francisco José Viegas, Álvaro Sequeira Pinto, Jorge Leão e Vasco Lobo Xavier, no Museu Soares dos Reis para apresentação do meu livro "Crónicas Moralistas" na cidade do Porto. A apresentação teve o apoio da Real Associação do Porto, no âmbito do seu protocolo com a Associação dos Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.

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Alô Porto

por João Távora, em 28.02.17

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No próximo Sábado dia 4 de Março às 18h00 estarei no Porto na Sala da Música do Museu Nacional Soares dos Reis com o Vasco Lobo Xavier e o Francisco José Viegas para a apresentação do meu novo livro "Crónicas Moralistas". 

Entretanto, os meus amigos que o desejarem podem receber um exemplar autografado do livro comodamente em casa através desta página.

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Video lançamento "Crónicas Moralistas"

por João Távora, em 17.02.17

 

Aqui partilho o registo intergral da aprresentação do meu livro “Crónicas Moralistas” em Lisboa no IDL no passado dia 11 de Fevereiro de 2017 pelos oradores convidados, Eduardo Cintra Torres, Pedro Mota Soares e o Cónego Carlos Paes.
Aqueles que o desejarem podem receber um exemplar autografado do livro comodamente em casa através desta página.

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As minhas "Crónicas Moralistas"

por João Távora, em 13.02.17

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Os meus amigos que não puderam estar comigo no IDL em Lisboa para lançamento do meu livro "Crónicas Moralistas" e que não façam planos de participar na sessão do Porto no próximo dia 4 de Março, podem recebê-lo comodamente em casa através do meu novo site, aqui à distância de um clique.

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Encontramo-nos lá?

por João Távora, em 10.02.17

 É já amanhã Sábado o lançamento e apresentação do meu livro "Crónicas Moralistas", às 15.30 no Instituto Amaro da Costa (Rua do Patrocínio nº 128) por Eduardo Cintra Torres, Pedro Mota Soares e Cónego Carlos Paes. Mais informação aqui no meu novo site.

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Save the date

por João Távora, em 23.01.17

O lançamento público em Lisboa de "Cónicas Moralistas", a minha segunda colectânea de apontamentos e comentários, terá lugar no próximo dia 11 de Fevereiro pelas 15,30 no Instituto Amaro da Costa (Rua do Patrocínio nº 128 A em Campo d’ Ourique). O livro será apresentado por Eduardo Cintra Torres, por Pedro Mota Soares e pelo Cónego Carlos Paes, pelo que peço desde já aos meus amigos que reservem a data para estarem comigo nesse dia muito especial para mim. 

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Nós os pais...

por João Távora, em 08.10.16

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"(...) Como sabes, não percebo aquelas pessoas que dizem que sentem logo empatia com os filhos acabados de nascer; não entendo a conversa sobre o encaixe perfeito logo no primeiro segundo, do amor imediato por aquelas criaturinhas, do choro comovido no parto (...) E não me parece que esteja sozinho, não sou um coração seco no meio de uma luxuriante e viçosa humanidade. No fundo do coração humano não existe uma vontade de amor à espera de ser convocada pelo choro de um bebé (...) Eu só senti a tal magia da paternidade quando a mais velha me olhou pela primeira vez com olhos conscientes, talvez aos seis meses. Por outras palavras, só senti o amor quando elas aprenderam a pousar o seu olhar no meu. Como vês, este processo de construção amorosa demorou meses a fechar o círculo. Até lá, o que segurou o mundo não foi a emoção, mas sim o dever, o temor, o dever ético que estava para lá dos afectos ou ligações de sangue. Agora sucede exactamente a mesma coisa nos momentos de fadiga e secura emocional. É a minha decisão racional que suporta o meu papel de pai, não as minhas emoções. Ser pai não está no coração, está na cabeça, até porque é no coração que se escondem as trevas. O amor não é uma emoção, é uma decisão. Parece-me até que 'amor racional' devia ser pleonasmo, tal como 'ódio natural'. O ódio é que é natural, emocional e afectuoso. O reino dos afectos é o reino do ódio, porque esse é que flui sem esforço. O amor é de outro campeonato. Tal como a fé, é uma escolha, um salto de confiança que se toma com os neurónios. Se eu dependesse apenas das minhas emoções, apetites ou afectos, nunca teria casado contigo – teríamos continuado solteiros numa eterna lua de mel. Ou então nunca teríamos tido a segunda filha, ou se calhar nem a primeira teria aparecido na nossa vida (...)".

Henrique Raposo em "Nós os Pais", já à venda

 

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Apresentação de "Alentejo Prometido"

por João Távora, em 07.03.16

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Com apresentação de Henrique Monteiro e Rentes de Carvalho amanhã às 18.30 na Bertrand do Picoas Plaza  estarei a prestar homenagem ao Henrique Raposo pelo seu mais recente livro. A principal razão é o gosto que tenho pela escrita deste autor, e em particular pelo seu "Alentejo Prometido" uma obra que entendo como uma sentida declaração de amor às suas origens que tanto me inquietou e comoveu. Que mais se pode pedir de um livro?

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Uma viagem ao purgatório

por João Távora, em 26.02.16

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"Alentejo Prometido” de Henrique Raposo, autor conhecido pelas suas crónicas do Expresso, é o mais recente livro da colecção “Retratos” da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que adquiri há dias junto à caixa dum supermercado Pingo Doce. Vender livros no supermercado é como levar o conhecimento para o átrio dos gentios da ilustração. Pela minha parte, creio que haverá mais alegria no Céu com uma criatura convertida à leitura, do que com noventa e nove intelectuais que leiam mais um livro. E a propósito, há um forte traço de estilo pop na escrita séria deste escritor.

"Os alentejanos não escolhiam a vida: sofriam-na", refere a determinada altura Henrique Raposo, a meio da “viagem” que neste livro empreende pela sua genealogia geográfica, social e pessoal, num relato impiedoso e às vezes brutal, mas sem a mácula do ressentimento (que é sentimento repisado e acicatado) como é seu timbre. A narrativa começa num buliçoso casamento católico na igreja de S. Domingos, um reencontro com os seus parentes e família alargada, e no festim que se segue no concelho de Santiago do Cacém, precisamente em Foros de Pouca Sorte, a aldeia da família. O nome do lugar é em si uma metáfora cruelmente óbvia, sobre um Alentejo inóspito, sem lei, que um dia foi abandonado pelo Criador a uns quantos desvalidos pioneiros, salteadores, bastardos e libertinos, que em desespero o “colonizaram” ainda durante o século XX. Trata-se de uma realidade sociológica pouco visitada, para lá da costumeira narrativa panfletária da luta de classes, narrada tantas vezes à imagem do cliché da própria paisagem alentejana; bárbara e inquietante, psicótica - como naquele ponto em que Henrique Raposo relembra a estrada que separa a também familiar aldeia de Bicos de Alvalade, uma gigantesca recta de 18 km, que em criança o autor empreendeu atravessar por várias vezes de bicicleta e da qual sempre desistiu ao chegar ao cruzamento para a povoação de Fornalhas acometido pelo pavor: “Pedalava, pedalava, a paisagem não mudava, sentia-me como um ratinho dentro de uma roda, era sempre o mesmo fio de alcatrão rodeado do mesmo conjunto uniforme de sobreiros sem um único rasto humano”.

Um Alentejo de cujo legado Henrique Raposo se demarca, afirmando-se “rafeiro, mestiço, bastardo de solo. (…) Não tenho nem terei terra. Não pertenço.” Mas há algo de paradoxal nessa rejeição, e o impulso que leva o autor a empreender este “confronto com as suas raízes”, fazer-se literalmente à estrada na companhia do Pai e com a Mãe, ao encontro da sua genealogia que não renega - antes abraça - como que numa atitude de libertação. Talvez reflexo da procura dum certo sentido “religioso” – no sentido de ligação - que possuem algumas almas aristocráticas, ligação que Henrique tanto se esforça por rejeitar, como que revoltado, em vários pontos da narrativa.
E depois há o suicídio do “tio Jacintinho, o grande detonador deste livro”; e o aterrador fenómeno do suicídio alentejano, (de 45 a 50 por 100 mil habitantes), que ultrapassa a marca da Lituânia, líder mundial na modalidade, com 42 por 100 mil habitantes. Esta é uma terra estranha que foi-se humanizando, cedendo à civilização; e uma imagem disso é, uma vez mais, o casamento do seu primo que, caótico ou não, reúne dentro de uma igreja várias gerações de primos e tios, que se perfilam diante duma máquina fotográfica para perpetuar o encontro (um ritual que simboliza o cuidado de uns pelos outros). Parafraseando o autor, "Isto significa que os alentejanos só podem ter esperança no futuro".
E não, Henrique; nem sempre os palavrões são sinal de cumplicidade. A partilha de silêncios, essa sim, é a última fronteira da amizade – silêncios que, como bem dizes, os alentejanos praticam como poucos, nos alpendres dos cafés. Um desprendimento monástico diverso da desconfiança. E depois, bem-feitas as contas, se não assentirmos a transcendência, não estaremos todos; alentejanos, minhotos ou lisboetas, tragicamente sós neste estranho e equívoco fenómeno que é existir?

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A sair:

por Vasco M. Rosa, em 23.09.15

Crónicas do único português que escreve regularmente na Folha de São Paulo:

 

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Da alma que intuímos

por João Távora, em 03.06.15

 Na última sessão de À Volta dos Livros no IDL João Vacas apresentou a obra "The Soul of the World" de Roger Scruton. A ver aqui vídeo integral, para mergulhar fundo na boa leitura. 

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I can get no satisfaction

por João Távora, em 25.03.15

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 A falta de "Confiança nas Instituições Políticas", em termos europeus por estes dias é superior nos países atingidos pela crise do euro, nomeadamente os do sul da Europa e também a França. A falta de "Confiança nas Instituições Políticas" em Portugal expressa-se claramente na fraca militância politica nos partidos. A "Confiança nas Instituições Políticas" manifesta-se estatisticamente por uma superior literacia, escolaridade, cultura e integração social. O crescimento das candidaturas independentes é um sintoma de falta de "Confiança nas Instituições Políticas”, assim como o surgimento de “movimentos sociais de protesto”. Para que se não tirem conclusões precipitadas, registe-se que países como a China ou o Uzbequistão apresentam os números mais positivos no que diz respeito à "Confiança nas Instituições Políticas". 

Vem estas afirmações soltas a propósito da apresentação ontem no IDL, no âmbito do Ciclo “À Volta dos Livros” do Ensaio "Confiança nas Instituições Políticas" publicado recentemente pela Fundação Francisco Manuel dos Santos pela sua autora, a Professora Ana Maria Belchior. Todos os gráficos e estatísticas comparativas exibidos tornam evidente que os índices de confiança nas instituições políticas constituem um precioso termómetro dos problemas do sistema democrático ao qual os seus protagonistas deviam prestar mais atenção. Com causas diversas, que vão do incumprimento das promessas eleitorais ou da percepção de corrupção, só para dar dois exemplos evidenciados por Ana Maria Belchior, é evidente que urge uma reforma do sistema politico em Portugal e nas Instituições Europeias.
Não tão evidente mas mais perversa, porque do foro orgânico da nossa construção social, é, na minha opinião, a perigosa conjugação destes factores: o da natureza da democracia que se alimenta da "comercialização" de bem-estar em troca do voto, do cumprimento das expectativas cada vez mais sofisticadas dos indivíduos, cuja natureza é para a permanente insatisfação, e cuja felicidade definitivamente não depende dos bens e direitos que conquistam, conjugado com um modelo de sociedade hipermediatizada, cujos agentes, a comunicação social, laboram numa lógica comercial dependente da exploração desse descontentamento e desconfiança. Não estou nada certo de que as sociedades mais descontentes com as instituições políticas sejam as que vivem objectivamente pior. O perigo da implantação da “referendocracia”, ou duma democracia “Fórum TSF”, é atirarmos fora o bebé com a água do banho.

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Como um gato de sete foles

por João Távora, em 29.01.15

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Luciano Amaral esteve há uns dias no Instituto Amaro da Costa, a apresentar o seu mais recente livro Rica Vida - Crise e Salvação em 10 Momentos da História de Portugal “escrito para ser lido de forma agradável por leitor exigente”. O professor, historiador  e cronista acredita que a crise da dívida que atravessamos é mais uma de várias “Crises Existenciais”, fenómeno exibe um curioso padrão de espaçamento temporal de 200 em 200 anos na nossa desgraçada História. Pegando nas palavras de Eduardo Lourenço tratar-se-á afinal de uma propensão endémica de “viver acima das usas possibilidades”, ou seja à custa do Império, dos restos do Império, das remessas dos emigrantes ou dos fundos europeus? Rica Vida - Crise e Salvação em 10 Momentos da História de Portugal conduz-nos, a começar no "faroeste mediaval" da fundação pátria, a uma revisitação dos lugares da nossa já longa História em que nos afundámos nessas “crises existenciais”, segundo o autor no sentido de uma reflexão que nos permita melhor entender o impasse do presente: “a melhor maneira de compreendermos a situação a que chegamos no contexto do Euro é colocá-la sob perspectiva histórica”, referiu. Mas, concluo eu, esta terra ainda vai cumprir o seu ideal: Portugal é no final de contas uma Nação resiliente, qual gato de sete foles. Perplexidades de monta que são razões de sobra para a leitura deste livro publicado no passado mês de Outubro pela D. Quixote. 

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Como podemos falar de livros que não lemos?

por Luísa Correia, em 01.11.14

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Recomendo vivamente o muito acessível, bem-humorado e interessantíssimo ensaio de Pierre Bayard, «Comment parler des livres que l'on n'a pas lus?» Não tanto pelos truques de que dá conta sobre como falar de livros que não se leram, como por denunciar os preconceitos culturais associados à leitura - ou melhor, às leituras que, a cada momento, são tidas por «culturalmente correctas» - e o quanto esses preconceitos, fundidos com memórias traumáticas da nossa infância escolar, nos culpabilizam, diminuem e retraem.

Como escreve Pierre Bayard, (que aqui tento traduzir o melhor possível), «a cultura é, sobretudo, uma questão de orientação. Ser culto não é ter lido este ou aquele livro, mas saber orientar-se no conjunto deles; ou seja, saber que os livros formam um conjunto e ser capaz de situar cada elemento em relação aos restantes».

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Pôr já na agenda

por João Távora, em 24.10.14

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A nossa Maria Teixeira Alves, lança no dia 3 de Novembro às 19,00hs no Grémio Literário a sua obra "O Fim da Era Espírito Santo" um livro em que se expõe a cadeia de acontecimentos que levou à derrocada da mais antiga dinastia de banqueiros do país e que será apresentada pelo Professor João Duque.   


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O silêncio ensurdecedor

por Vasco M. Rosa, em 05.08.14

 

Realmente intrigante a não ser se, como o próprio diz, «houvesse milagres». João Pereira Coutinho apresenta o seu livro Conservadorismo, em Paraty (no pavilhão do seu jornal, a Folha de São Paulo, o que é um luxo...) e em São Paulo (no Museu da Imagem e do Som, que não é de somenos...), e não há duas linhas a esse respeito na imprensa portuguesa, sem sequer no «Observador» (prefere ficar mais atento a festivais!), nem no site da editora, a D Quixote, que pelos vistos prefere férias ao cuidado com os seus autores... O «Público», esse, passou ao lado, completamente, mais interessado em — who cares!

Que grande falta de profissionalismo, sentido das coisas e, como diz o outro, pluralismo democrático!

Vai João Pereira Coutinho, nunca desistas!!!!

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Conservadorismo

por João Távora, em 14.05.14

Foi lançado ontem o livro "Conservadorismo" de João Pereira Coutinho, sem dúvida uma boa notícia. O problema é quando começamos a desconfiar que a qualidade editorial da oferta historiográfica e doutrinária desse ideário é proporcionalmente inversa à capacidade da sua concretização prática em Portugal. 

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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 22.04.14
(Costa do Castelo)

Ler a biografia de Mao escrita por Jung Chang e Jon Halliday é tomar consciência da dimensão ilimitada do cinismo, do desrespeito pela vida alheia e da sede de sangue que caracterizaram o comunismo revolucionário sino-soviético nos seus tempos de expansão e implantação. O livro derruba, de forma sistemática e fundamentada, todos os mitos que o conturbado e complexado século XX alimentou sobre a personagem. Denuncia-lhe os interesses puramente egoístas, a discreta cobardia, o indiscreto comodismo, a sabujice, a ferocidade, o gosto da intriga e toda a gama de estratégias ziguezagueantes e de armas e instrumentos de hipocrisia e terror aplicados na sua conquista do poder absoluto. O livro consegue surpreender (e confranger) mesmo quem julgue ter ganho, com algum conhecimento da História e da natureza humana, imunidade à surpresa. O livro arrepia, porque trata de acontecimentos de há menos de cem anos, que se adivinha, de ciência quase certa, que vão continuar a acontecer. Enquanto houver política... ou políticos!

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Um livro especial em tempos de Europa

por João Távora, em 09.04.14

 

Foi para mim um privilégio estar presente mais uma vez numa sessão de “À Volta dos Livros” organizado pelo Instituto Amaro da Costa, uma série de encontros mensais para divulgação de obras de ciência política da sua Biblioteca. Ontem foi a vez de João Vacas no seu estilo eloquente e aficionado apresentar “Inventing the Individual - The Origins of Western Liberalism” de Larry Siedentop, uma obra que se nos afigura cativante e pertinente, sobretudo nestes dias em que a Europa se questiona não apenas acerca do seu futuro mas, também, acerca dos seus valores e das suas origens. 

O livro procura responder à pergunta “É mera coincidência que o secularismo liberal se tenha desenvolvido no Ocidente Cristão?” e demonstrar que a "revolução moral", decorrente do surgimento do cristianismo e da sua “descoberta” da igualdade ontológica do Homem, veio a determinar a revolução filosófica, política e social que conduziu à criação do Ocidente tal como o conhecemos. Nesse sentido, Larry Siedentop desafia-nos a repensar os argumentos que, recorrentemente, atribuem as origens da sociedade moderna e dos sistemas políticos contemporâneos ao Renascimento e ao pensamento Iluminista. O autor contra-argumenta que a génese do sistema “liberal democrático” surgiu muito mais cedo do que pretende a historiografia dominante: as raízes do liberalismo - a crença na liberdade individual, na igualdade moral fundamental dos indivíduos e em que esta deve conhecer materialização no plano político e institucional - são “intuições morais” nascidas com o cristianismo e maturadas durante séculos pelos pensadores e pelos políticos cristãos. Para Siedentop, “o liberalismo [contemporâneo] assenta nas considerações morais do cristianismo. Preserva a ontologia cristã sem a metafísica da salvação. (…) As fundações da Europa moderna residem no longo e difícil processo de conversão de uma reivindicação moral em estatuto social. E foi a prossecução da crença da igualdade das almas que tornou tal conversão possível. Daí brotou o compromisso com a liberdade individual.”
Decididamente um livro especial nestes tempos de pensar a Europa. 

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