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É uma tentação irresistível, mas de vez em quando um descendente ideológico de Afonso Costa, esse impoluto “democrata” que depois de 1910 com os seus capangas encheu as prisões indistintamente de monárquicos e sindicalistas, que restringiu o direito de voto da população, fazendo a percentagem de cidadãos votantes descer de 75% para 30%, tem de vir dar prova de vida a perorar contra a Instituição Real. Desta vez foi o Reverendo Louçã, inspirado pelo "Podemos" de nustros hermanos que se impressionou muito com o agraciamento da Infanta Leonor, a princesa herdeira do trono de Espanha, com o Tosão d’ Ouro, uma ordem dinástica atribuída muito restritivamente, tradicionalmente recebida pelo herdeiro da coroa espanhola em tenra idade. Curioso é perceber que republicanos como Louçã aprofundam tanto os seus estudos de genealogia - e, no caso, da pureza das linhagem dos Bourbons - mas fingem não perceber como a Instituição Real em Espanha é muito mais do que “um conto de fadas para revistas cor-de-rosa”: quando necessário foi garante da democracia e da Constituição, mas acima de tudo é sustentáculo contra a desagregação da Espanha. Aliás, conhecendo as causas do sacerdote Louçã, logo se descobre que "desagregação" é a palavra-chave da sua agenda, e fica-se desconfiado com o seu papel no Banco de Portugal ou de Conselheiro de Estado. A desagregação da Europa, a desagregação das Nações, a desagregação da democracia liberal, a desagregação das empresas, a desagregação da família, a desagregação da Igreja e de tudo que seja instituição fiável para o progresso de comunidades sólidas e livres. Entende-se porquê: esse caos de desagregação é o campo fértil, a única fórmula de conquistar gente revoltada e insatisfeita que se abalance para o seu projecto revolucionário do Homem Novo, como é exemplo vivo a Venezuela e as outras repúblicas tão ao seu gosto na sua juventude. No fundo, a coisa que mais frustra o Dr. Louçã são as monarquias europeias onde os revolucionários como ele jamais conseguiram por o pé em ramo verde, países em que a comunidade se revê nas suas resistentes instituições, e por isso sempre alcançam a prosperidade. Infelizmente para nós, em Portugal dão-lhe demasiado protagonismo. Porque será?

MariaFrancisca.jpg

Nota: pensei ilustrar este post com uma fotografia de Louçã, mas pensando bem, porque prefiro um conto de fadas a um filme de terror, escolhi a fotografia de uma princesa. Porque sou um patriota aqui fica a da infanta D. Maria Francisca que é por certo uma das mais bonitas da Europa.

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É assim que se faz, Professor Marcelo:

por João Távora, em 21.11.12

 

É uma questão política, de substância ou de criatividade?

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Era só o que faltava!

por Pedro Quartin Graça, em 05.12.10

O mais despudorado descaramento chegou à FPF neste final de ano. A famigerada "aliança ibérica", que, em boa hora, resultou na derrota para a Rússia na candidatura à organização do Mundial2018 em futebol, pode ganhar novos contornos com uma eventual fusão... das duas ligas: a portuguesa e a espanhola!

Fomos hoje surpreendidos com a notícia divulgada pelo DN de que os presidentes das Ligas portuguesa e espanhola, Fernando Gomes e Jose Luis Astiazaran, já mantiveram contactos dentro e fora do âmbito da parceria ibérica ao Mundial 2018, conversações que podem resultar num inédito campeonato organizado pelos dois "vizinhos".

Confrontada com esta possibilidade, fonte da UEFA terá explicado à Agência Lusa que "não existe nos regulamentos nem nos estatutos nada que impeça duas ligas juntarem-se na organização de um só campeonato".

"No entanto, o primeiro passo terá sempre de ser dado pelos interessados. As duas partes têm de se entender primeiro, chegar a um consenso e enviar um plano detalhado para ser avaliado pela UEFA", explicou a mesma fonte.

Como se não bastasse a escandalosa proposta de organização de uma candidatura "ibérica" ao Mundial de Futebol, agora vem esta não menos escandalosa iniciativa de fusão das duas ligas e criação de uma Liga Ibérica.

Depois, só falta mesmo o Governo único e um Parlamento único para uma reunificação da península. Mas aí há um preço a pagar: os republicanos terão de abdicar da "sua" República e passar a ser súbditos de Juan Carlos ou de... Felipe de Espanha...

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Diziam que era barato, quase "de borla". Afinal como habitualmente, tal era (mais) uma das mentiras deste Executivo, desta feita ajudado pelo Presidente da FPF, Gilberto Parca Madaíl. Não bastava a desastrosa e humilhante candidatura ao Mundial em que a ideia foi nossa e parecemos quase convidados, como escrevemos meses atrás aqui no CF, não bastava ter sido apresentada uma candidatura à principal competição mundial de futebol de uma maneira lesiva da história e do nome de Portugal, não era suficiente a invenção do homo ibericus” (!!!), agora a somar a tudo isso chega a conta: o Mundial vai custar 150 milhões de euros a Portugal !

Diz-nos o DN de hoje que "Dos 21 estádios indicados pela candidatura ibérica, só três são portugueses: Luz, Alvalade e Dragão. Das 18 cidades sede, 16 são espanholas, apenas Lisboa e Porto escapam a esta contagem. Dos 64 jogos que compõem a competição, Portugal será contemplado com 20 ou 21, sem final e sem jogo de abertura. Perante esta repartição, se quinta-feira o Comité Executivo da FIFA entregar a organização do Mundial 2018 ao projecto ibérico, a Portugal caberá um investimento de cerca de 150 milhões de euros (no Euro 2004, foram gastos 665 milhões só nos dez estádios), enquanto o torneio custará a Espanha perto de 350 milhões, aos quais são acrescidos 1,5 mil milhões de euros para a construção e remodelação de recintos.

Está bom de ver que nos saiu, de novo, a fava: 3 estádios apenas, um custo de 150 milhões! E o dinheiro vai voar já dos depauperados cofres nacionais!

Os primeiros milhões a sair dos cofres da candidatura ibérica (2,2 milhões dos portugueses e os 5,2 milhões dos espanhóis), poderão sair de imediato na próxima quinta-feira, bastando para isso vencer a eleição. Este montante oficializará o arranque da organização.

A relação de investimento de 70% para Espanha e 30% para Portugal será proporcional à receita que o Mundial irá gerar com patrocinadores, direitos televisivos e marketing. Sendo que nestes pontos, o retorno financeiro esperado é cerca de seis vezes e meia mais do que 510 milhões de euros estipulados para as despesas. E nestas contas não está contabilizado o lucro a médio prazo que a visibilidade da competição pode originar ao nível da promoção e turismo.

Escrevem os jornalistas do DN CARLOS NOGUEIRA e SÍLVIA FRECHES que, perante este tipo de repartição, quer de estádios, jogos e investimento, ressalta de imediato a ideia de subalternização de Portugal face a Espanha. Algo que desde o início foi desvalorizado pelas federações dos dois países e que, segundo o director-geral do Europeu 2004, António Laranjo, e o especialista em marketing , Carlos Coelho, em nada beliscam a imagem de Portugal perante o mundo. Ambos consideram que se a candidatura não fosse conjunta o projecto não teria viabilidade.

Laranjo é da opinião de que é o Mundial de 2018 que "beneficiará da boleia de uma organização sedeada em dois países geograficamente contíguos, culturalmente idênticos, linguisticamente similares, económica e socialmente próximos e apaixonados pelo futebol. A unidade ibérica é sem sombra de dúvidas o melhor veículo para transportar o mundial ao patamar de sucesso".

Também para Carlos Coelho a aliança ibérica significa "usar o poder da península" e não faz sentido pensar em perda de identidade. "Significa antes segurança em nos afirmarmos no contexto ibérico e deixarmos de fingir que somos uma ilha. O nosso nacionalismo não deve enfraquecer , mas temos de ser realistas e não cegar perante as oportunidades ", assumiu.

Como antes escrevemos é um ultraje quando responsáveis nacionais do futebol, autores da ideia da candidatura, se deixam ultrapassar por Espanha, que entretanto percebeu o potencial político para as suas cores da ideia que lhes foi proposta pelos portugueses, e aceitam que esta candidatura se denomine de "Candidatura Ibérica" e tenha um site com o mesmo nome na internet. É um ultraje quando o nome de Portugal, autor da ideia, surge agora em segundo lugar. É um ultraje quando o nosso País participa neste evento quase como se fosse um "convidado" de Espanha. É por fim um ultraje quando se aceita que um texto com este teor surja publicado no site oficial da candidatura:(...) España y Portugal, dos países con frontera común en los mapas pero sin líneas divisorias en la realidad cotidiana, hablan de unidad. Dos países que han caminado juntos una misma historia, la historia de la Península Ibérica, donde se han entrecruzado diferentes pueblos provenientes de desiguales horizontes no sólo geográficos, sino también culturales y religiosos. Portugal y España son dos pueblos donde sus ciudadanos comparten, y han compartido, el mismo destino, la misma fe en el futuro, las mismas ansias de progreso en una tierra hermosa, dura y rica, la que forjado el carácter del “homo ibericus” (!!!)

É, no fundo, Portugal no seu pior. E nós a pagar!

 

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Amanhã é dia do "mata-mata"

por Pedro Quartin Graça, em 28.06.10

Portugal vs Espanha

A cor da bandeira lusa é feia mas é o que se arranja, por ora... Ainda assim vamos ter de os "comer".

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Espanha: Lá como cá as mentiras socialistas!

por Pedro Quartin Graça, em 05.06.10

Iguais na cor rosa mas também na mentira, os Governos de Zapatero e Sócrates terão a mesma sorte final.

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« ...e cinco deputadas espanholas.Olé!»

por Pedro Quartin Graça, em 10.03.10

11 de Maio de 1978, o presidente do Parlamento – o socialista Vasco da Gama Fernandes (1908-1991) – informa os deputados da visita de uma missão parlamentar espanhola.

O Diário da Assembleia da República do dia seguinte descreve o incidente que o anúncio causou: «Mas acontece que há pouco também recebi a informação de que vêm nessa missão cinco senhoras espanholas. Olé!», disse o presidente, acrescentando: «Todos temos um bocadinho de espanhol no sangue…».

A deputada Helena Roseta (então no PSD), pediu a palavra para protestar contra «a forma corriqueira e pouco digna» como o presidente do Parlamento se referira às visitantes.

Vasco da Gama Fernandes, um advogado de 70 anos, fez jus à fama de desbocado «Sra. Deputada, terei de lhe responder que me é completamente indiferente aquilo que a Sra.Deputada acaba de dizer.(…)Do que mais gostam as senhoras espanholas , quando passam na rua, é que lhes dirijam um piropo e que digam “Olé!”. Ficam imensamente satisfeitas…».

 

(Transcrito do livro Frases que fizeram a história de Portugal, de Ferreira Fernandes/João Ferreira, editora A Esfera dos Livros, 4ªedição, Fevº2010)

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Sabedoria espanhola

por Pedro Correia, em 31.08.08

 

"Creio apaixonadamente que a democracia é um sistema de contenção. Quanto mais poder tens, mais te deves conter."

 

"Nisto de cumprir promessas, sou muito obsessivo. Porque me parece essencial para a credibilidade da democracia."

 

"Nunca nos devemos esquecer de que o exercício do poder é temporário. É fundamental, até para a saúde mental de um governante, que o poder seja desmistificado."

 

"Creio firmemente que tudo começa e acaba no Parlamento. Na verdade, a minha tese é que as eleições não se ganham e perdem nas campanhas, nem nos comícios. (...) As eleições ganham-se e perdem-se no Parlamento."

 

José Luis Rodríguez Zapatero, em entrevista à edição de hoje do diário El Mundo

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Da igualdade e da liberdade

por Pedro Correia, em 22.05.08

 

 

“A igualdade é o valor mais nobre da democracia”, declarou a nova ministra da Igualdade de Espanha, a andaluza Bibiana Aído, no seu discurso de posse. Nova não, novíssima: tem apenas 31 anos e é a mais jovem ministra espanhola de todos os tempos, como se apressaram a anunciar os assessores governamentais no palácio da Moncloa.
José Luis Rodríguez Zapatero, que cultiva o marketing político como ninguém, transformou ‘Bibi’ – o petit nom de Bibiana na intimidade – num ícone da sua governação, produzindo instantâneos efeitos mediáticos, tal como aconteceu com Carme Chacón, a catalã de 37 anos que nomeou ministra da Defesa. A imagem desta loura vistosa, grávida de sete meses, passando revista às tropas em parada e viajando em avião militar para contactar as forças especiais do seu país estacionadas no Afeganistão, tornou-se de imediato um excelente cartão de visita da Espanha ‘socialista’. Paradoxalmente, visa promover um valor ‘burguês’ – para não dizer mesmo conservador – ao funcionar como instrumento subliminar de promoção da maternidade, enquanto sinónimo de modernidade e até de um certo glamour, num dos países que possui hoje uma das mais baixas taxas de natalidade em todo o mundo.
 
Mas regressemos à frase de Bibiana Aído, que soa como um slogan de assimilação fácil, destinado a colher aplausos generalizados. A igualdade será mesmo o valor mais nobre da democracia?
Um relance pela história dos últimos decénios demonstra que não.
Em nome da igualdade foram cometidos alguns dos maiores crimes do século XX. O extermínio de pequenos agricultores russos e ucranianos que não se submeteram à norma ‘igualitária’ da Revolução de Outubro. O internamento em campos de ‘reeducação’, a humilhação pública e as sevícias que desabaram sobre o embrião de classe média nos anos desvairados da pseudo-Revolução Cultural na China maoísta. A igualdade utópica erigida em dogma supremo que justificava os mais cruéis anátemas, como a liquidação de qualquer indivíduo que usasse óculos – esse absurdo símbolo de uma cultura ‘decadente’ – no Camboja sujeito à mão de ferro de Pol Pot.
Depois das escabrosas experiências de engenharia social feitas pelos maiores tiranos apostados em garantir a ‘igualdade’, esta palavra passou a ser uma das mais corrompidas da nossa época. George Orwell tornou bem evidente esta irremediável corrupção lexical, em que a palavra serve apenas de camuflagem para ocultar o seu significado oposto, na mais corrosiva fábula política de todos os tempos – O Triunfo dos Porcos (Animal Farm, 1945), quando se torna evidente, aos olhos de todos os animais que habitam a quinta, que “uns são mais iguais do que os outros”. Precisamente os que integram a camarilha triunfante, formando uma nova classe – igualitária no verbo, despótica no mando.
 
O pensamento de Bibiana Aído – que tutela um ministério com conotações orwellianas, na versão da imprensa madrilena que não esconde a sua alergia a Zapatero – é certamente alheio a tudo isto. Mas por melhores que sejam as intenções da jovem governante, a frase que proferiu estava errada. O valor mais nobre da democracia não é a igualdade – é a liberdade. A ‘igualdade’, como já se viu, pode coexistir com a mais aberrante ditadura (reina a ‘igualdade’, por exemplo, entre todos os prisioneiros num campo de concentração). Mas nunca haverá democracia sem liberdade. Não pode haver.
“A liberdade é preciosa – tão preciosa que deve ser racionada”, assegurou Lenine, numa das maiores proclamações de cinismo político de que há memória. Mas que é também uma notável homenagem do fundador do Estado soviético, embora involuntária, a essa aspiração suprema da condição humana que é a liberdade. Que só mantém o seu valor facial quando é aplicada sem racionamentos.
Até contra a igualdade, se for preciso.

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Parece-me uma boa escolha

por Pedro Correia, em 01.04.08

 

Soraya Sáenz de Santamaría, a nova líder parlamentar do PP espanhol, que decidiu enfim (um pouco tarde...) refrescar a sua equipa dirigente.

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Mais cinco notas sobre a eleição espanhola

por Pedro Correia, em 10.03.08

1. O PP consegue o melhor resultado de sempre: é o partido que sobe mais em percentagem e número de deputados (passa de 148 para 154). Resultado insuficiente para formar governo mas que confirma como eram exageradas as "análises" dos que consideraram que Mariano Rajoy fora "esmagado" nos debates com Zapatero (o primeiro dos quais venceu).

 

2. No quadro espanhol, a bipolarização que se confirma neste acto eleitoral é uma boa notícia. Por travar o passo aos nacionalistas radicais e aos comunistas, aliados estratégicos dos primeiros.

 

3. A Esquerda Unida (IU), pseudónimo do que resta do histórico Partido Comunista de Espanha, afunda-se totalmente nesta eleição, recuando de cinco para dois deputados. Gaspar Llamazares, o coordenador da IU, já anunciou a demissão. Não podia fazer outra coisa: os comunistas, como força política de expressão nacional, deixaram de existir em Espanha.

 

4. A maior novidade neste acto eleitoral foi a eleição - como deputada por Madrid - de Rosa Díez, líder do novíssimo partido União Progresso e Democracia, que defende o laicismo e políticas sociais avançadas enquanto assume uma posição dura no combate ao terrorismo. É uma terceira via que se abre com a eleição desta ex-eurodeputada do PSOE que a ETA já tentou matar mais de uma vez. Se fosse espnhol, teria votado nela: revela mais coragem do que os outros dirigentes partidários do país todos juntos.

 

5. Na cobertura informativa em Portugal, venceu a RTP-N. Por falta de comparência da SIC Notícias, que tem cada vez menos actualidade e cada vez mais enlatados. O único espanhol que mereceu destaque na noite informativa da SIC N foi Camacho, que deixou de ser treinador do Benfica. O comentador futebolístico Rui Santos falou falou falou falou falou falou. Pela SIC N, soubemos tudo sobre o balneário do Benfica. E quase nada sobre Espanha.

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Cinco notas sobre a eleição espanhola

por Pedro Correia, em 10.03.08

1. Vitória clara de Zapatero, mas sem maioria absoluta, que seria de todo imerecida. Isto força o presidente do Governo espanhol a estender a mão à outra Espanha - à que vota Partido Popular e que ele hostilizou sistematicamente nos últimos quatro anos.

 

2. "Governarei para todos", anunciou Zapatero aos apoiantes ontem à noite, deixando implícito que não o fez anteriormente. É uma boa notícia para Espanha. Com Zapatero no poder, rompeu-se o arco constitucional. Esta frase significa que a relação institucional com o PP será retomada, recuperando-se o espírito da transição que forjou a Constituição de 1978 e mais de duas décadas de diálogo entre as maiores forças políticas nacionais só interrompido na última legislatura.

 

3. No seu discurso, longe da arrogância de outros tempos, Zapatero admitiu pela primeira vez ter cometido erros. Ainda bem que o reconheceu. O maior de todos ocorreu na política antiterrorista, com resultados desastrosos: elegeu como interlocutora a ETA, movimento nacionalista xenófobo com mãos sujas de sangue que não hesita em premir o gatilho, como se viu na própria antevéspera da eleição legislativa ao assassinar um ex-autarca socialista.

 

4. Antes de Zapatero, o Pacto para as Liberdades e contra o Terrorismo era subscrito por 312 parlamentares (164 do PSOE, 148 do PP), ou seja 89,14% dos membros do Congresso madrileno. Em Maio de 2005, o presidente do Governo espanhol enterrou este consenso nacional ao mudar de parceiros e de estratégia no combate à ETA, associando-se aos comunistas e aos nacionalistas: o novo pacto passou a ser apoiado apenas por 202 deputados (57,1% do total). E a estratégia fracassou.

 

5. O PSOE conseguiu ontem eleger mais cinco deputados - passa de 164 para 169. Sobe graças a um espectacular aumento na Catalunha e à vitória no País Basco, onde é agora o partido mais votado. Boas notícias para ambas as regiões, por travarem o passo ao separatismo.

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Um nojo

por Pedro Correia, em 08.03.08

 

Os espanhóis acorrem amanhã às urnas, uma vez mais em ambiente de luto. Agora na sequência do assassínio de um ex-autarca socialista na localidade basca de Mondragón: Isaías Carrasco, de 42 anos, foi a mais recente vítima do terrorismo separatista. A mulher e uma filha viram-no agonizar na rua, após ter sido alvejado por um cobarde pistoleiro da ETA. A campanha eleitoral acabou de imediato e tanto o líder socialista, Rodríguez Zapatero, como o principal dirigente da oposição, Mariano Rajoy, proferiram palavras de inequívoco repúdio por este bárbaro atentado, que torna ainda mais turvo o quadro político espanhol. Tão repugnante como o assassínio foi a atitude dos "nacionalistas" bascos do ANV, que governam o município em coligação com os comunistas: a alcaldesa, Inocencia Galparsoro, recusou associar-se ao voto de pesar pela morte do ex-autarca e decidiu suspender as funções oficiais durante dois dias para evitar participar nas cerimónias fúnebres.

Estes "nacionalistas" que, como os vampiros, se alimentam do sangue de inocentes são um nojo. E os seus aliados que lhes dão cobertura política também: sempre prontos a invocar os direitos humanos em paragens recônditas enquanto contribuem para os espezinhar no vão da porta.

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Uma questão de ansiolíticos

por Pedro Correia, em 27.02.08

O melhor comentário ao frente-a-frente Rajoy-Zapatero surgiu na edição de ontem do El Mundo e vem assinado por Raúl del Pozo, um comunista cheio de ironia e talento. "O ansiolítico que Rajoy tomou era melhor do que o de Zapatero. Este ficou com a língua pastosa e cara de vampiro pacífico. Não houve KO neste combate de cinco assaltos de 15 minutos cada. Rajoy ganhou aos pontos", escreve Raúl. Zapatero deve ter mandado imediatamente um dos seus assessores à farmácia para comprar um novo ansiolítico. O próximo debate com Rajoy é já na segunda-feira.

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Rajoy: vitória no debate

por Pedro Correia, em 26.02.08

 

Mariano Rajoy ganhou ontem o frente-frente com Rodríguez Zapatero. Foi um debate duro, tenso, crispado - precisamente aquilo que interessava ao líder do Partido Popular espanhol, a quem competia a iniciativa do ataque. E foi um Rajoy sempre na ofensiva que vimos ao longo de hora e meia perante um Zapatero surpreendentemente nervoso e contido, sem a verve que tem exibido nos debates parlamentares. Menos telegénico que o socialista, o dirigente conservador transmitiu no entanto uma imagem de convicção e autoridade em temas como a economia (sublinhando o aumento exponencial do desemprego nesta legislatura) e os nacionalismos (acusando o PSOE de romper um pacto de 30 anos com o PP nesta matéria). O debate aqueceu ainda mais na segunda metade, quando a palavra "mentiroso" foi esgrimida de parte a parte. Zapatero, inicialmente escudado numa "imagem de estado", viu-se forçado a calçar também as luvas de boxe. Mas era demasiado tarde: Rajoy já tinha marcado pontos - nomeadamente na questão do terrorismo, ao sublinhar as contradições do Governo socialista na fracassada política de diálogo com a ETA.

Já ouvi alguém dizer que Rajoy foi demasiado agressivo - como se um líder da oposição ganhasse alguma coisa em tratar com doçura o Governo, sobretudo quando as sondagens continuam a apontar para uma diferença escassa entre os dois principais partidos concorrentes às legislativas de 9 de Março. Para a semana há outro debate: Zapatero, que perdeu este, pode ganhar o próximo. Como sucedeu a Felipe González, que perdeu o primeiro frente-a-frente com José María Aznar em 1993 e ganhou claramente o segundo - acabando por triunfar nas urnas. Espero que na próxima semana os canais informativos da televisão portuguesa estejam mais atentos do que estiveram ontem, quando preferiram dar toda a prioridade ao futebol. O que se passa em Espanha interessa cada vez mais a todos nós.

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Espanha: o sectarismo à solta

por Pedro Correia, em 22.02.08

A campanha eleitoral para as legislativas de 9 de Março arrancou hoje em Espanha num clima de tensão política nunca visto. Há demasiada intolerância no ar, os nervos andam à flor da pele, o radicalismo progride. A "imprensa de referência" extrema posições descurando todas as aparências de isenção. Os nacionalistas andam eufóricos com a independência unilateral do Kosovo. Em certas zonas do país o idioma castelhano já quase passou à clandestinidade devido às pressões xenófobas de quantos entendem que nação e etnia são realidades indissociáveis - as nacionalidades multiétnicas parecem fora de moda nesta Europa que acaba onde as fronteiras formais desaparecem e as fronteiras reais se multiplicam.

Na pré-campanha, três factos interligados suscitaram particular preocupação: as tentativas de silenciamento de que foram alvo María San Gil, a líder do Partido Popular no País Basco, Dolores Nadal, candidata do PP na Catalunha, e Rosa Díez, a ex-eurodeputada socialista que dirige a nova União Progresso e Democracia. María foi impedida de discursar por militantes de extrema-esquerda na Universidade de Santiago. Dolores não chegou a falar na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona. E Rosa enfrentou algumas dezenas de estudantes radicais que queriam impedi-la de falar na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Complutense, em Madrid. Mas falou mesmo, indiferente aos tontos que lhe chamaram "fascista" procurando condicionar a liberdade de expressão.

Esta Espanha sectária que transforma todo o adversário em inimigo e deixa os extremismos condicionar a agenda política nada tem a ver com a Espanha que há 30 anos conduziu uma exemplar transição para a democracia. Ninguém deve alegrar-se com isso do lado de cá.

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Parabéns, majestade

por Pedro Correia, em 05.01.08
Ainda vou a tempo de assinalar o facto mais importante do dia: os 70 anos do rei de Espanha. Notable alto para el Rey, titula hoje o El Mundo em manchete, publicando uma sondagem em que 82,9% dos inquiridos afirmam que a monarquia está consolidada no país vizinho. "El periodo más fecundo", observa o primeiro-ministro Zapatero em depoimento ao El País, classificando assim - muito justamente - os 32 anos do reinado de Juan Carlos. É muito compreensível esta satisfação entre os espanhóis, incluindo aqueles que se proclamam republicanos: o rei conduziu o país a uma exemplar transição da ditadura para a democracia, colocando-se sempre ao lado da liberdade. É verdade que a Espanha enfrenta diversos problemas. Mas sem o monarca tudo teria sido muito pior ao longo destas três décadas. Para os espanhóis e também para nós, pois somos cada vez menos imunes ao que se passa aqui ao lado.
Juan Carlos merece sem dúvida os nossos parabéns: ainda em funções, já garantiu um lugar na História. Pelos melhores motivos, sem sombra de dúvida.

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Mudam-se os tempos

por Pedro Correia, em 13.11.07
Quando o rei Juan Carlos mandou calar Tejero de Molina, Milán del Bosch e outros militares golpistas, nostálgicos de Franco, o Daniel não falava assim.

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